Notícias Abertura de novas fronteiras
Feiras internacionais geram oportunidades de negócios para empresas do agro
A expectativa de geração de negócios futuros para os próximos 12 meses, decorrentes dos contatos realizados durante os eventos, é estimada em US$ 80 milhões.

A participação do Brasil em feiras internacionais representa uma importante oportunidade para a realização de negócios e abertura de novas fronteiras para a indústria de alimentos, bebidas e outros produtos do agronegócio brasileiro. No primeiro semestre deste ano, entre abril e julho, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) coordenou o Pavilhão Brasil em sete feiras internacionais nas cidades de Londres (Reino Unido), Nuremberg (Alemanha), Joanesburgo (África do Sul),Teerã (Irã), Seul (Coreia do Sul), Bangkok (Tailândia) e Montreal (Canadá), onde participaram no total setenta empresas brasileiras.
De acordo com o Departamento de Promoção Comercial e Investimentos da Secretaria de Comércio e Relações Comerciais (SCRI) do Mapa, as empresas participantes fizeram 1.106 contatos comerciais durante a missão no exterior. O montante financeiro gerado pelos negócios efetivamente concretizados durante as feiras organizadas pelo Mapa foi avaliado em US$ 2,4 milhões.
A expectativa de geração de negócios futuros para os próximos 12 meses, decorrentes dos contatos realizados durante os eventos, é estimada em US$ 80 milhões.
O Mapa organiza o Pavilhão Brasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Algumas feiras, como a Saitex e Biofach, são direcionadas à participação de cooperativas e empresas de pequeno porte que planejam se inserir no mercado internacional.
Contatos
A BRMill Alimentos participou pela primeira vez na feira Seoul Food & Hotel na Coreia do Sul este ano no Pavilhão Brasil. “Ficamos extremamente satisfeitos com a organização e com os contatos realizados. A Coreia do Sul é um mercado potencial para o milho e derivados de milho não OGM e já estamos com cinco empresas em negociação aguardando somente a liberação da cota de importação por parte das autoridades locais para conseguirmos realizar os embarques ainda esse ano”, diz a gerente de importação e exportação da empresa, Fhatina Salles.
Segundo ela, hoje a demanda por milho e derivados de milho convencional tem aumentado significativamente, especialmente por indústrias alimentícias que utilizam o milho como matéria prima para a produção de empanados, snacks, nutrição infantil, cereais matinais, entre outros. O milho na Coreia do Sul é muito utilizado nas indústrias de snacks (salgadinhos de milho) e cereais matinais. “Apresentamos na feira a farinha de milho extra fina que pode ser usada para os empanados como nuggets e tivemos uma grande procura por esse produto pós feira devido a sua textura e qualidade”, diz.
Dependendo da cota a ser liberada pela Coreia do Sul para a importação dos derivados de milho, para o segundo semestre, a BRMill Alimentos estima a comercialização de 180 toneladas até dezembro. A empresa, que trabalha com milho em grão e derivados de milho (fubá, creme de milho, canjica, grits, xerém, milho inteiro desgerminado), exporta para mercados como Austrália, Canadá, Espanha, Holanda, França, Nova Zelândia, países da América do Norte, entre outros.
Visitantes
No primeiro semestre do ano, os visitantes estrangeiros puderam participar de seminários inovadores, experimentar degustações raras e encontrar novos produtos. Também puderam descobrir novas tendências que definem o futuro da indústria.
Para as empresas brasileiras, as feiras são oportunidades para contatos comerciais, negócios e abertura de mercados, com o consequente aumento do fluxo de comércio entre os países. Os mercados visitados geralmente apresentam perfil consumidor sofisticado e a feira é uma plataforma para encontrar compradores de produtos com alto valor agregado.
Os participantes exibiram produtos como alimentos e bebidas, tecnologias de alimentos e serviços. Vários setores foram representados no evento, incluindo café e chá, bebidas, alimentos congelados, frutas e legumes, carnes, grãos, cereais, frutos do mar, doces e confeitos.
Próximas feiras
A SCRI/Mapa pretende participar neste segundo semestre de mais outras oito feiras internacionais, são elas WorldFood Istanbul 2022, de 1º a 04 de setembro, em Istambul, na Turquia; Food and Hotel Asia 2022, de 05 a 08 de setembro, em Singapura; Expoalimentaria 2022, de 21 a 23 de setembro, em Lima, no Peru; Biofach America 2022, de 29 de setembro a 1º de outubro, na Filadélfia (EUA); Agrofuturo 2022, de 26 a 28 de outubro, em Bogotá, na Colômbia; SIAL India, de 1º a 03 de dezembro, em Nova Délhi, na Índia; Food Africa 2022, de 05 a 07 de dezembro, no Cairo (Egito); e Abu Dhabi International Food Exhibition 2022, de 06 a 08 de dezembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
As empresas da indústria de alimentos e bebidas, comerciais exportadoras, tradings, entidades setoriais e cooperativas, desde que sejam para a promoção exclusiva de produtos brasileiros, interessadas em participar destes eventos podem fazer contato com a Coordenação-Geral de Promoção Comercial (CGPC), cgpc_2@agro.gov.br e (61) 3218-2425. Também podem acessar o calendário de feiras pelo link www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/relacoes-internacionais/eventos-internacionais/feiras-internacionais.
O Mapa e o MRE são responsáveis pelos custos de contratação do espaço na feira, montagem do estande, apoio de recepcionistas bilíngues e confecção do catálogo do Pavilhão Brasil.
Cada empresa participante será responsável por suas despesas pessoais (passagens aéreas, vistos, vacinas, hospedagem, alimentação etc.) e pelos custos com o envio de amostras. Além disso, o Mapa incentiva os expositores a investirem em iniciativas complementares de promoção, que possam potencializar os resultados positivos do evento.
A SCRI/Mapa ressalta que o ato de inscrição não garante a participação na feira, apenas manifesta o interesse do inscrito no processo de seleção de expositores.

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Pesquisador Paulo Tavares deixa legado na área de ciência e tecnologia de alimentos
Engenheiro de alimentos faleceu no fim de dezembro. Ele teve atuação destacada em tecnologia de frutas e hortaliças, ocupando cargos de liderança em entidades técnicas nacionais.

O pesquisador Paulo Eduardo da Rocha Tavares, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta), morreu aos 62 anos no dia 28 de dezembro de 2025, em Salto (SP). Engenheiro de Alimentos formado pela Fundação Educacional de Barretos (FEB, hoje Unifeb) e mestre em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Tavares ingressou como pesquisador científico da Apta em junho de 2005.
Atuou inicialmente na Apta Regional de Adamantina e, desde outubro de 2007, integrava o quadro do Ital, em Campinas. No instituto, desenvolvia suas atividades no Centro de Tecnologia de Frutas e Hortaliças (Fruthotec), com foco em tecnologia de alimentos, especialmente em processos de descafeinização, café in natura, geleias, compotas e desenvolvimento de produtos diet e light à base de frutas. “Sua dedicação, contribuição e convivência serão sempre lembradas por nossa equipe”, afirmou a diretora do Fruthotec, Silvia Rolim de Moura.
Ao longo da carreira, Tavares participou de diversos grupos de trabalho e conselhos técnicos, incluindo a Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA). “Foi sempre dinâmico e atuante em prol da diretoria da SBCTA”, destacou Amauri Rosenthal, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos e ex-presidente da entidade.
Desde março de 2025, Tavares exercia o cargo de coordenador nacional adjunto das Câmaras Especializadas de Engenharia Química (CCEEQ) do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), além de coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Química (CEEQ) do Crea-SP. Segundo nota do conselho paulista, do qual participou por quase dez anos representando a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas (Aeac), sua atuação deixou marca na história da área tecnológica. “Deixa o exemplo de um profissional presente, atento e comprometido, que sempre colocou seu conhecimento técnico e sua escuta qualificada a serviço do Crea-SP, das entidades e da sociedade”, afirmou a instituição, ressaltando sua contribuição para a valorização profissional.
Colegas de trabalho destacaram seu perfil agregador e a capacidade de articulação entre equipes e instituições. Para Kátia Cipolli, pesquisadora do CCQA, Tavares tinha facilidade de comunicação, muitas ideias para pesquisas e grande capacidade de aproximar pessoas em torno dos temas técnicos. Ele integrou, ao lado de Kátia e de Fabíola Guirau Parra Toti, o júri técnico do Prêmio CNA Artesanal 2025 – Geleia.
Em manifestações publicadas nas redes sociais do Ital, profissionais da área ressaltaram seu legado. Juliane Dias, fundadora da Food Safety Brazil, destacou sua atuação nos bastidores para viabilizar iniciativas voltadas à qualidade e à segurança dos alimentos. “De forma voluntária e incansável, contribuiu para que o Ital e, posteriormente, o IAC sediassem diversas edições do Encontro de Profissionais da Garantia da Qualidade”, afirmou.
“Será sempre lembrado por sua capacidade de comunicação e pela vontade de conectar pessoas com propósitos comuns”, escreveu Juliani Arimura, representante da Foundation FSSC. “Um profissional dedicado, competente e sempre aberto a parcerias e ao compartilhamento do conhecimento”, completou Fabiana Ferreira, da Neogen Latinoamérica.
Sobre o Ital
Vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) é referência em ciência aplicada na América Latina. Fundado em 1963, o instituto atua na inovação das áreas de ingredientes, alimentos, bebidas e embalagens.
Com sede em Campinas (SP), o Ital presta apoio ao setor produtivo por meio de pesquisa, desenvolvimento de produtos e processos, análises laboratoriais, assistência técnica, capacitação profissional e difusão do conhecimento. Certificado na ISO 9001 e com parte de seus ensaios acreditados na ISO/IEC 17025, o instituto é credenciado pela Anvisa e reúne dezenas de laboratórios e plantas-piloto distribuídos em centros especializados.
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Produtor rural tem até o fim de janeiro para definir forma de recolhimento do Funrural
Escolha entre contribuição sobre a folha ou sobre a comercialização vale para todo o ano e impacta os custos da produção.

O produtor rural tem até o final de janeiro para decidir ou alterar a forma de recolhimento da contribuição do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Conforme a Lei 13.606, a opção escolhida entre pagar pela folha de salários ou pela comercialização da produção será válida para todo o ano.
Para auxiliar nessa decisão, que impacta diretamente os custos da produção, o Sistema FAEP disponibiliza gratuitamente um simulador desde 2019. A ferramenta é especialmente útil para produtores com empregados registrados, pois calcula qual das duas modalidades é mais vantajosa.
O produtor interessado pode realizar essa simulação e obter orientação presencial, basta comparecer ao sindicato rural da sua região. Consulte a lista de sindicatos rurais do Paraná para encontrar o mais próximo de você e agendar o atendimento.
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Agro pernambucano registra VBP de R$ 15,4 bilhões em 2025
Fruticultura irrigada, cana-de-açúcar e pecuária mantêm a força da economia rural do estado, com destaque para uva, ovos, bovinocultura e avicultura.

O Valor Bruto da Produção (VBP) de Pernambuco encerra 2025 com o montante de R$ 15.413,95 milhões, uma redução nominal de 2,39% frente aos R$ 15.791 milhões registrados em 2024. O resultado marca um ponto de inflexão na trajetória de crescimento iniciada em 2018, contrastando com o desempenho do Brasil, que expandiu seu faturamento agropecuário em 14,4%, atingindo R$ 1,41 trilhão.
Com esse desempenho, a participação de Pernambuco no VBP nacional recuou de 1,28% para 1,09%, mantendo o estado em uma posição periférica no ranking nacional liderado por Mato Grosso e Minas Gerais.

Fotos:Ari Dias/AEN
A economia agrícola pernambucana apresenta alta dependência de dois produtos principais, que lideram o ranking estadual:
Uva: Segue como a atividade de maior valor agregado, somando R$ 4.328,2 milhões. Apesar da liderança, o valor é inferior aos R$ 4.602,5 milhões registrados em 2024, representando uma queda de 5,96%.
Cana-de-Açúcar: Segunda força do estado, faturou R$ 2.398,4 milhões, apresentando estabilidade com um leve recuo de 0,62% em relação ao ano anterior (R$ 2.413,4 milhões).
Somadas, apenas essas duas culturas representam aproximadamente 43% de todo o VBP agropecuário do estado, evidenciando a importância estratégica da fruticultura irrigada e do setor sucroenergético.
Dinâmica da Pecuária e Outras Culturas
O setor pecuário responde por 39% do VBP estadual (R$ 6,05 bilhões), com destaque para:
Bovinos: R$ 2.318,5 milhões.
Ovos: R$ 1.618,4 milhões.
Frangos: R$ 1.337,5 milhões.
Leite: R$ 722,0 milhões.
Evolução e Comparativo Nacional
O gráfico histórico revela que o salto de crescimento estrutural ocorreu entre 2022 e 2024, quando o VBP subiu de R$ 10,6 bilhões para R$ 15,7 bilhões. Contudo, o dado de 2025 indica uma estagnação. Enquanto o Brasil se descola com forte crescimento nas commodities de exportação (soja e milho em larga escala), Pernambuco sofre com a retração de preços ou volume em sua base de fruticultura e lavouras tradicionais.
Os dados oficiais expõem uma vulnerabilidade estrutural: a economia rural de Pernambuco está excessivamente concentrada na performance da Uva e da Cana-de-Açúcar. Quando esses dois itens sofrem oscilações negativas, como observado na queda de quase 6% da uva, o VBP total do estado é impactado diretamente, pois as demais culturas e a pecuária não possuem volume financeiro suficiente para compensar as perdas.

A distância para o ritmo de crescimento nacional (1,09% de participação) reforça que o estado opera em um mercado de nicho e consumo regional, sem o ganho de escala observado nos estados que impulsionam o PIB agropecuário brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



