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Feicorte estreia no Paraguai e reforça protagonismo da pecuária sul-americana
Primeira edição internacional reúne especialistas do Brasil e Paraguai, promove intercâmbio técnico e projeta tendências para a cadeia produtiva da carne.

A primeira edição internacional da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte) superou as expectativas do mercado ao reunir a cadeia produtiva da carne em Assunção, no Paraguai, no dia 24 de março. Com o apoio de 25 empresas patrocinadoras, o fórum promoveu um intercâmbio técnico de alto nível entre as pecuárias brasileira e paraguaia.
O impacto da iniciativa foi referendado pela Secretaria Nacional de Turismo do Paraguai, que declarou a feira oficialmente como evento de “Interesse Turístico Nacional”, assim como foi chancelado pelo apoio institucional do Servicio Nacional de Calidad y Salud Animal (Senacsa), da Associação Rural do Paraguai e do Consórcio de Ganaderos para Experimentacion Agropecuária (CEA). Esse reconhecimento reforça a capacidade da marca de atrair um público altamente qualificado e gerar impacto econômico na região.
É o caso do zootecnista brasileiro Luiz Augusto Amaral, sócio da Accelera, empresa que atua há dez anos no mercado paraguaio. Ele e a sócia, Patrícia Amaral, acompanham a trajetória da Feicorte desde as primeiras edições em São Paulo e fizeram questão de garantir presença.
“Para nós, foi uma honra participar desta primeira edição fora do Brasil, pois conhecemos a grandiosidade do trabalho da Feicorte. O Paraguai vem crescendo a passos largos, absorve muita tecnologia brasileira e um evento desse nível técnico agrega um valor imenso para o nosso dia a dia no campo”, relata Amaral.
Nesse sentido, o diretor da Verum, Ailton Barbosa, reforça que o evento atua como um termômetro para a pecuária sul-americana e que o produtor está sedento por tecnologia e eficiência. “Vimos que o mercado compreende esse movimento e enxerga a participação na Feicorte como um posicionamento estratégico essencial para os negócios. É fundamental que as marcas entendam o valor dessas conexões, muito além de uma simples negociação comercial, pois o retorno em visibilidade e relacionamento é direto”, avalia.
“A internacionalização chancelou a autoridade da Feicorte e o sucesso no Paraguai prova que as marcas que caminham conosco ganham uma vitrine incomparável, dialogando frente a frente com quem toma a decisão dentro da fazenda. Essa é a força que levaremos, de forma ampliada, para a nossa edição no Brasil”, destaca a CEO da Verum, empresa organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio.
Sinergia entre especialistas do Brasil e do Paraguai marca a programação
Os assuntos debatidos evidenciaram a busca por eficiência produtiva e demonstraram, na prática, o intercâmbio de informações entre Brasil e Paraguai. Entre os destaques brasileiros, a programação trouxe o sócio fundador da Inbra Nutrição Animal e curador de conteúdo da Feicorte Brasil, Diede Loureiro, para falar sobre o negócio envolvendo a produção de carne. Já o diretor de Operações – Pecuária e Agricultura da Agropecuária Maragogipe, Lucas Marques, foi o responsável por abordar a suplementação estratégica em fêmeas.
O consultor da Coan Consultoria, Rogerio Marchiori Coan, focou suas duas apresentações na intensificação na recria e na eficiência da terminação a pasto. A participação brasileira na programação também contou com o gerente de Contas e especialista em nutrição de precisão da Inbra Nutrição Animal, Eduardo Santos, para falar sobre o tema no contexto dos confinamentos, e com o consultor especialista da F5 Consultoria e Gestão, Fernando Santos Silva, responsável por abordar os pontos-chave para implementação da intensificação na pecuária a pasto.
Trazendo a expertise paraguaia na produção de carne, o sócio-diretor do Condomínio Valente Gomes e responsável pelo desenvolvimento produtivo da Estância Taj Mahal, Eugenio Valente Gomes, apresentou os resultados práticos da recria intensiva a pasto no Chaco paraguaio. A agenda também integrou a palestra da diretora da Agroganadera Karanda’y Poty, Teresita Adorno, sobre a ciência que é “transformada” em carne, e do diretor de Produção da Estancia Ypotí, Paulo Becker, sobre os desafios ocultos em sanidade que impactam os resultados na terminação.
Aquecimento para o Brasil
Os resultados no país vizinho abrem caminho para a Feicorte brasileira, que será realizada de 23 a 26 de junho, em Presidente Prudente (SP), mantendo a tradição de ser o principal polo de inovações, tendências e negócios para toda a cadeia produtiva da carne, oferecendo às empresas patrocinadoras a oportunidade de se conectarem com as principais lideranças do setor.
O evento apresentará as principais tecnologias que sustentam o protagonismo brasileiro no setor sob o tema “O Boi Brasileiro: um mundo de oportunidades”, detalhando caminhos práticos em gestão, manejo, genética e sanidade, conectando produtores e indústria em torno de uma pecuária mais eficiente e preparada para as exigências de sustentabilidade e rastreabilidade, impulsionadas por acordos internacionais.
De acordo com Carla Tuccilio, a edição de 2026 funcionará como um espaço estratégico para preparar a cadeia produtiva para os próximos anos. “A Feicorte se consolida como um ambiente de protagonismo onde definimos os rumos do setor. É o momento de integrar genética, tecnologia e mercado para garantir que o Brasil siga como o principal player global da carne”, finaliza.

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Organização inicia planejamento e alta procura de expositores indica maior edição da feira.
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CMN amplia crédito do RenovAgro para melhoramento genético na pecuária
Produtores poderão financiar sêmen, embriões e biotecnologias reprodutivas, com foco em produtividade e redução de emissões.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, na última quinta-feira (26), a Resolução CMN nº 5.288, que amplia as finalidades financiáveis no âmbito do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro).
A partir de agora, produtores rurais poderão acessar crédito rural para a aquisição de sêmen, óvulos e embriões destinados ao melhoramento genético de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, bem como para os respectivos serviços de inseminação artificial e transferência de embriões, biotecnologias reprodutivas que aumentam a produtividade da pecuária brasileira.
Produtividade e sustentabilidade de mãos dadas

O RenovAgro é o principal instrumento de crédito rural voltado à promoção de sistemas de produção agropecuária de baixo carbono no Brasil. A inclusão do melhoramento genético animal entre as finalidades financiáveis reforça a estratégia do programa de apoiar tecnologias que elevem a eficiência produtiva e reduzam a pegada ambiental dos sistemas pecuários.
Estudos técnicos demonstram que a adoção da inseminação artificial em tempo fixo (IATF) pode reduzir em até 37% a pegada de carbono por litro de leite produzido na pecuária leiteira e em até 49% a pegada de carbono por quilograma de peso vivo em sistemas de bovinos de corte em ciclo completo, em comparação com sistemas baseados exclusivamente na monta natural. Esses ganhos decorrem da redução da idade ao primeiro parto, da diminuição do intervalo entre partos e do aumento da eficiência produtiva do rebanho.
Entre os avanços produtivos documentados, destacam-se a redução da idade ao primeiro parto, de 48 para 24 meses, e a elevação da taxa de desmame, de 60% para 80%, em sistemas de bovinos de corte, com impacto direto sobre a competitividade da pecuária nacional.
O que muda com a Resolução?

A norma acrescenta dispositivo ao Manual de Crédito Rural (MCR), no âmbito do RenovAgro, tornando financiáveis, sem limite percentual do valor total do projeto, ou seja, permitindo a utilização da integralidade do limite disponibilizado ao produtor pelo programa, atualmente de R$ 5,0 milhões, a aquisição de material genético, como sêmen, óvulos e embriões, de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, bem como os serviços associados de inseminação artificial e transferência de embriões.
O prazo de financiamento para essa finalidade é de até cinco anos, com carência de até 12 meses após a contratação.
A mesma resolução também atualiza regras do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ampliando o acesso dos agricultores familiares às mesmas biotecnologias reprodutivas, com taxas de juros diferenciadas para a aquisição de sêmen, óvulos e embriões destinados à pecuária de leite.
Compromisso com a pecuária de baixo carbono
A medida integra a agenda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de promoção de sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis. A pecuária brasileira responde por parcela relevante da economia nacional, e a melhoria dos índices reprodutivos dos rebanhos constitui uma das estratégias mais eficazes para aumentar a produção de alimentos com menor utilização de recursos naturais e menor emissão de gases de efeito estufa.
Para a Secretaria de Política Agrícola, a lógica é clara: rebanhos mais eficientes, do ponto de vista reprodutivo, permitem produzir a mesma quantidade de animais com menor número de matrizes, reduzindo o consumo de insumos, o metano entérico emitido pelo rebanho e os custos de produção, benefícios simultâneos para o produtor, para o setor e para o meio ambiente.
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Proposta de redução da jornada preocupa cadeia do leite no Brasil
Setor alerta para aumento de custos, risco de desabastecimento e impacto direto na produção, que exige atividade contínua.

As propostas para uma nova legislação envolvendo a redução da jornada de trabalho continuam preocupando os setores produtivos da agropecuária no Brasil. Neste mês de março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados (CSLEI) encaminhou documento ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, manifestando apreensão em relação a alteração da escala 6×1. A CSLEI está vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA) do próprio Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
De acordo com o documento formulado pela CSLEI, a redução de 44 horas para 36 horas semanais vai gerar perda de 658 milhões de horas por mês no Brasil. Diante deste quadro será necessário a contratação adicional de 3,65 milhões de trabalhadores, com custo adicional de R$ 228 bilhões/ano em salários e encargos.

Foto: Juliana Sussai
No setor da pecuária de leite, os desdobramentos da mudança seriam graves. A atividade é praticada em mais de 1 milhão de propriedades rurais no país, que exigem ordenha diária das vacas, em até três turnos, durante os 365 dias do ano, de forma ininterruptamente. No Paraná, a pecuária de leite está presente nos 399 municípios.
“A situação vai ficar bastante complicada no setor de lácteos, pois a matéria-prima, o leite, é perecível. Ou seja, exige trabalho contínuo, sem possibilidade de interrupção para evitar perdas e, consequentemente, prejuízo ao produtor”, destaca Ronei Volpi, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados. “O setor já convive com escassez de mão de obra qualificada, alta carga tributária e crise por conta dos produtos provenientes da Argentina e Uruguai. Mais um golpe coloca em risco a atividade pelo país, podendo gerar desabastecimento, inflação e êxodo rural”, complementa.
O documento da CSLEI também aponta a necessidade de estudos em relação ao impacto da mudança, para uma discussão técnica. “O debate relativo a esse tema deve ocorrer em 2027, para evitar interferências político-eleitorais”, ressalta Volpi.

Foto: Isabele Kleim
Esse é o mesmo posicionamento adotado pelo Sistema Faep. A entidade defende a discussão equilibrada, sem viés ideológico e/ou político. Para isso, o setor produtivo, tanto as entidades representativas quanto os próprios empresários, precisa participar do debate, para evitar prejuízos para o país, como aumento dos preços de produtos e serviços, pressão inflacionária, crescimento da informalidade, precarização das relações de trabalho e expansão da pejotização.
Segundo estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada vai gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná. O levantamento considera uma base de 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, valor que inclui salários e encargos obrigatórios como FGTS, INSS patronal, provisão de férias e 13º salário.
“O Brasil não está preparado para essa mudança, que terá reflexos negativos significativos, com aumento do custo de produção e redução dos investimentos, colocando em risco o crescimento do país e comprometendo empregos”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “A proposta do fim da escala 6×1 não pode ser usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição. Esse debate precisa ocorrer com serenidade”, reforça.




