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Feicorte estabelece um novo marco para a cadeia produtiva da carne

Retorno do evento ao calendário do agronegócio destaca força desse mercado e prepara terreno para uma edição ainda mais robusta em 2025.

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Fotos: Divulgação/Feicorte

A retomada da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne – Feicorte em 2024 consolidou-a como um ponto de encontro estratégico para esse mercado. Detentora do maior rebanho do estado, com cerca de 1,6 milhão de cabeças de gado, Presidente Prudente (SP) recebeu 8 mil pessoas na edição de retorno da feira, envolvendo diversos atores da cadeia produtiva.

A estrutura não passou desapercebida aos olhos de quem chegava ao Recinto de Exposições Jacob Tosello: com uma área total de 84 mil metros quadrados, sendo 5.800 metros quadrados cobertos e espaço de demonstração de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), a edição contou com mais de 100 expositores, cerca de 500 animais de dez raças bovinas, além de equinos, cinco leilões e 45 horas de conteúdo técnico. O programa trouxe 40 palestrantes para debater tendências, inovações e os desafios do setor.

CEO da Verum, Carla Tuccilio: “O papel da Feicorte é ser um palco estratégico para fomentar o desenvolvimento sustentável e a excelência da carne brasileira”

“Empresas, produtores e especialistas de todo o Brasil se reuniram para promover um ambiente de networking estratégico e trocar conhecimento, fortalecendo as conexões que sustentam o avanço da cadeia produtiva da carne brasileira. Além disso, a feira foi palco para a apresentação de inovações que refletem as transformações em curso no setor, destacando soluções que atendem às demandas do mercado e promovem eficiência na produção”, destaca a CEO da Verum, empresa promotora do evento, Carla Tuccilio.

“A Feicorte 2024 foi um marco para a cadeia produtiva da carne no Brasil, reafirmando seu papel como um ponto de convergência, onde negócios são fechados, parcerias são estabelecidas e o futuro da pecuária brasileira começa a ser moldado. É justamente esse o papel da Feicorte: ser um palco estratégico para fomentar o desenvolvimento sustentável e a excelência da carne brasileira”, complementa a executiva.

A estrutura montada foi um dos destaques da edição de retomada da Feicorte. Segundo o diretor-geral da Verum, Aílton Rogério Barbosa, a feira representa um marco no calendário do agronegócio. “Aceitamos o desafio e trouxemos para Presidente Prudente uma megaestrutura com muito conteúdo de qualidade e ativações diferenciadas focadas na carne. Já é um sucesso e a Feicorte será realizada anualmente como parte do calendário de eventos do agro brasileiro”, afirma.

Palco para anúncios ao setor

A abertura da Feicorte contou com a presença do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que fez anúncios importantes para o setor, como o lançamento do Sistema de Identificação Individual e Rastreabilidade de Bovinos e Bubalinos do Estado de São Paulo (SIRBOV-SP), a entrega de mais de 500 títulos de propriedade rural, feitos pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Fundação Itesp) e que a criação do Fundo de Defesa Estadual da Sanidade Animal (FUNDESA) será encaminhada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, o resultado da Feicorte foi muito positivo. “O movimento superou as expectativas e confirmou o sucesso dessa edição. Quero destacar a confiança que tivemos da iniciativa privada em reativar a Feicorte. Ela estava sem ser realizada há 10 anos e o apoio que tivemos foi determinante para o sucesso do evento”, resume Piai.

Carne como protagonista

Ao longo de toda a programação da feira, a carne bovina assumiu seu protagonismo no espaço Beef Hour by Feicorte. No local, especialistas conduziram discussões sobre a qualidade e a produção de carne, enquanto assadores preparavam cortes especiais para degustação do público. A estrutura incluiu também uma seleção de produtores artesanais que apresentaram produtos de alta qualidade, reforçando a conexão entre a excelência da carne brasileira e a diversidade gastronômica nacional.

De acordo com o sócio-proprietário da Prado Estratégia para Agronegócios e curador de conteúdo de carne da Feicorte, Roberto Grecellé, o evento evidenciou os avanços da cadeia produtiva brasileira. “A carne deixou de ser uma loteria e passou a ser padronizada, com marcas consolidadas e conhecimento aplicado. Este mérito é dos pecuaristas brasileiros e mostramos isso na Feicorte”, afirma.

No sábado, dia 23 de novembro, o público consumidor foi convidado a celebrar a carne brasileira com a Beef Hour by Cacá, experiência que uniu gastronomia e música. Durante o festival, cortes foram preparados por chefs renomados. O evento contou com seis horas de open food e apresentações musicais ao vivo.

Diversidade de raças marcou a retomada

A exposição de animais foi um dos pontos altos da Feicorte 2024, reforçando a relevância do evento para a cadeia da carne brasileira. Com a participação de animais das principais raças produzidas no país – como Angus, Brahman, Brangus, Caracu, Guzerá, Nelore, Santa Gertrudis, Senepol, Sindi e Wagyu -, a feira promoveu julgamentos, leilões e desfiles na pista de julgamento.

“A adesão dos criadores e associações de raça nos surpreendeu positivamente. Isso reforçou que a Feicorte continua sendo uma referência para a divulgação das diversas raças que estiveram presentes”, sintetiza o responsável pela captação dos expositores, animais e leilões, e integrante da equipe de curadoria do evento, Alex Arikawa Miyasaki.

Além dos bovinos, a programação contou com leilão e julgamento de morfologia de cavalos Quarto de Milha e desfiles de raças. “Foi um desafio atender às necessidades de cada criador e raça, especialmente com a presença de animais vindos de cinco estados. Porém, o clima de união e cooperação marcou essa edição de retomada. Já estamos nos preparando para 2025, com a expectativa de um número ainda maior de animais e raças em julgamento”, garante Miyasaki.

Programação da “Conta do Boi” à reprodução de matrizes

As palestras na Feicorte reuniram temas relevantes para o setor pecuário, com discussões que abordaram desde os ciclos produtivos, como genética e criação de bezerros, até a comercialização eficiente dos produtos. Um dos destaques foi o Fórum “A Conta do Boi”, moderado pelo diretor de Mercado de Corte da Semex, Daniel Carvalho, realizado nos dias 20 e 21 de novembro.

O fórum trouxe reflexões essenciais sobre a viabilidade econômica das etapas de cria, recria e terminação, além de estratégias para proteção comercial. Segundo Carvalho, a curadoria do evento foi determinante para o sucesso das discussões. “A forma como os temas foram alinhados facilitou o diálogo. Os palestrantes abordaram os temas de maneira conectada, o que resultou em um conteúdo consistente e de alto nível para o público”, destaca. Ele também enfatizou o papel da Feicorte como uma plataforma de networking. “A Feicorte 2024 foi muito mais do que um ponto de encontro; ela proporcionou uma integração entre especialistas e produtores que vai além das palestras. Pudemos discutir, aprender e estabelecer conexões que, certamente, impulsionarão o setor. É uma satisfação ver que cumprimos o papel de orientar o pecuarista em um momento tão estratégico para o agronegócio”.

Complementando as discussões técnicas, a parceria entre a Feicorte e a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) tornou realidade o 2º Simpósio ReprodOeste – Edição Matrizes, que no dia 22 de novembro debateu o impacto da reprodução na rentabilidade da pecuária de corte. O simpósio, organizado pelo grupo de estudos em Reprodução Animal da Unoeste, envolveu estudantes e professores de graduação e pós-graduação em atividades que iam desde a recepção dos animais até a organização das palestras e o bem-estar animal.

Para o pró-reitor acadêmico da Unoeste, José Eduardo Creste, a colaboração com a Feicorte destacou a força do interior paulista e a relevância do agronegócio na região. “O retorno da Feicorte foi extremamente significativo para mostrar a força do interior de São Paulo, da organização da feira e, claro, do agronegócio. A Unoeste se envolveu de maneira abrangente, com professores e alunos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, que atuaram em várias áreas, como a recepção dos animais, organização das palestras e bem-estar animal”, afirma.

Já pensando no futuro, a universidade planeja ampliar sua participação na próxima edição. “Aprendemos com alguns detalhes que, com certeza, serão aperfeiçoados ao longo desse próximo semestre. A Unoeste estará junto à organização, novamente mobilizando sua comunidade acadêmica e interagindo para fortalecer o nosso interior”, garante o pró-reitor.

Pecuária Solidária reforçou impacto social do agronegócio

A edição de 2024 também destacou o compromisso do agronegócio com a responsabilidade social por meio do Leilão Pecuária Solidária. Realizado na noite de 19 de novembro, o evento arrecadou mais de R$ 600 mil, destinados ao Núcleo Ttere de Trabalho – Realização, uma entidade assistencial que atua na inclusão social de pessoas com deficiência em Presidente Prudente. Entre os itens arrematados estiveram bovinos, equinos, sêmen, insumos agropecuários, equipamentos, joias e tapetes, com doações que vieram de diferentes setores do agro.

O leiloeiro público e idealizador do Pecuária Solidária, Eduardo Gomes salienta a importância de incluir iniciativas como essa em grandes eventos do setor. “A realização do leilão dentro da Feicorte reforçou que a responsabilidade social deve caminhar lado a lado com a atividade pecuária. É gratificante ver como o setor apoia causas que transformam vidas”, define.

Desde sua criação, em 2009, o Pecuária Solidária já arrecadou cerca de R$ 3 milhões em doações, auxiliando 26 instituições em quatro estados. Gomes também evidencia a repercussão positiva desse retorno. “Mostrou o quanto os produtores estavam carentes de um evento desse perfil. A interação entre os participantes abriu novas oportunidades de negócios e fortaleceu laços no agronegócio”, acrescenta.

Próxima edição em junho de 2025

A próxima edição da Feicorte será de 17 a 23 de junho de 2025, em Presidente Prudente, retornando ao mês em que tradicionalmente era realizada na capital paulista. “Será um período estratégico, próximo ao Plano Safra, que é propício para negócios, além de ficar entre a Agrishow e a Expointer. Até junho teremos tempo de reestruturar e fazer melhorias no recinto de exposições para receber esse importante evento. A edição de 2025 vai ser ainda melhor”, aposta o secretário.

“Estamos planejando uma Feicorte ainda mais estruturada e relevante, com foco em atender às necessidades de um setor que está em constante evolução. Nosso compromisso é fortalecer a feira como uma plataforma estratégica para o desenvolvimento da cadeia produtiva da carne brasileira, um espaço onde avanços tecnológicos, práticas inovadoras e soluções sustentáveis possam ser apresentados ao mercado. Além disso, buscamos ampliar as oportunidades para que novos negócios sejam concretizados e que a cadeia produtiva continue a crescer de forma integrada e competitiva”, destaca Carla.

A realização da Feicorte foi da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com promoção da Verum. O evento contou com a curadoria de Myia Consultoria e Prado Estratégia para Agronegócio e o patrocínio de Unoeste, Frigorífico Bom-mart, Unimed Presidente Prudente, Bradesco, Corteva, Facholi, Gasparim, Premix, Inbra Nutrição Animal, JBS, Lindsay, Marfrig, Matsuda, MSD Saúde Animal, Minerva Foods, Nutron Cargill, Semex, Sicoob Credivale, Rede ILPF, SOESP e Sicredi.

Fonte: Assessoria Feicorte

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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