Bovinos / Grãos / Máquinas
Fazendinha da ExpoLondrina destaca inovação, saúde e produção de leite
Estande reúne orientações sobre animais peçonhentos e tecnologias aplicadas à bovinocultura leiteira.

O público que visita a Fazendinha Via Rural 2026, dentro da ExpoLondrina, encontra um estande diverso e voltado para a inovação. Dois dos destaques envolvem trabalhos com animais peçonhentos e produção de leite.
Um dos temas apresentados é o cuidado com escorpiões, aranhas e outros animais peçonhentos, comuns no ambiente rural. A ação é desenvolvida por estudantes do Programa de Educação Tutorial de Biologia PETBio) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com profissionais da área de saúde e controle de endemias. Com atividades interativas, exemplares dos animais e orientações diretas sobre prevenção no dia a dia, eles transformam a Fazendinha em um grande centro de educação em saúde.
Segundo a estudante do quinto ano de Biologia da UEL, Amanda de Sena da Silva, o foco principal é conscientizar sobre o escorpionismo, que é o envenenamento causado pela picada de escorpiões. “Trouxemos algumas espécies, inclusive o escorpião amarelo, que é o mais comum. Também apresentamos filhotes e até um pseudoscorpião, que é um aracnídeo inofensivo, para mostrar que nem todos representam risco”, explica.
Além da observação dos animais, o público recebe orientações práticas para evitar a presença desses organismos em casa. Entre as recomendações estão verificar roupas e calçados antes de usar, manter ralos e caixas de gordura fechados, afastar camas das paredes e eliminar possíveis fontes de alimento, como baratas.
O estande na Fazendinha também apresenta outras espécies de aranhas e serpentes, além de abordar doenças relacionadas, como a esporotricose e a febre maculosa. A proposta é ampliar o conhecimento da população e evitar o extermínio desnecessário de animais que não representam perigo.
Com linguagem acessível e atividades demonstrativas, o espaço reforça a importância da educação ambiental e da conscientização como ferramentas fundamentais para a saúde pública e a convivência segura com a fauna.
Leite

Outra novidade da Fazendinha Via Rural inclui tecnologias reprodutivas de ponta, boas práticas de ordenha com demonstrações interativas e métodos inovadores para garantir a segurança alimentar e a qualidade do leite, aproximando o público da produção sustentável.
Um dos focos do estande é a conscientização sobre a segurança e a qualidade do leite. Representando o Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal (LIPOA), estudantes demonstram como a qualidade do leite começa ainda na criação das bezerras, destacando a importância de boas condições de saúde, alimentação e bem-estar animal.
Também são apresentadas as boas práticas de ordenha, que incluem cuidados antes, durante e após o processo, garantindo um produto seguro para o consumo. “A vaca define a qualidade do leite. A gente trabalha com boas práticas de ordenha, que são medidas que a gente faz a pré-ordenha, durante e pós para garantir a qualidade do leite”, contou Catarina Rodrigues, estudante de Medicina Veterinária na UEL.
Entre as técnicas demonstradas estão o teste da caneca de fundo preto e o CMT (California Mastitis Test), utilizados para a detecção de mastite clínica e subclínica, além dos procedimentos de pré e pós-dipping, fundamentais para a higienização e prevenção de doenças no rebanho leiteiro. Outro destaque do estande é a apresentação de tecnologias reprodutivas aplicadas à bovinocultura.
Estagiários do Grupo de Reprodução Animal (Reproa) representam o Centro de Treinamento Pecuário (CETPEC), que oferece cursos especializados, incluindo o de inseminação artificial em bovinos. A técnica, utilizada há mais de 50 anos, vem ganhando espaço no Brasil por seu potencial de melhorar a genética do rebanho e aumentar a produtividade.
Serviço
A Via Rural Fazendinha funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados e domingos, das 9h às 19h, no Parque de Exposições Ney Braga, durante a ExpoLondrina 2026, entre os dias 10 e 19 de abril.
Simpósio
A ExpoLondrina também recebeu no começo da semana a 7ª edição do Simpósio de Equideocultura, reunindo médicos veterinários, zootecnistas, agrônomos, estudantes e profissionais do setor em busca de atualização e aprofundamento em temas estratégicos da área. Promovido em parceria entre a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e a UEL, o evento reforça o papel da feira como um ambiente de troca de conhecimento e desenvolvimento para o agronegócio.
A programação incluiu palestras com especialistas que abordaram desde biotecnologias reprodutivas até práticas clínicas, esportivas e de manejo de equinos. A equideocultura é a área da zootecnia dedicada à criação, manejo, nutrição, reprodução e melhoramento genético de equídeos, abrangendo cavalos, asininos (jumentos) e muares (burros/mulas).
À frente da organização do simpósio, Roberta Garbelini Gomes Zanin, egressa do curso de medicina veterinária da UEL, reforçou que a iniciativa busca aproximar o meio acadêmico e o mercado, criando oportunidades tanto para profissionais quanto para estudantes que desejam se qualificar. “É um espaço de atualização técnica e também de conexão com o que há de mais atual no setor”, ressaltou.
Um dos palestrantes do simpósio, o médico veterinário e professor da UEL Fábio Morotti, do Departamento de Clínicas Veterinárias (CCA), abordou o cenário da equideocultura no Brasil e no mundo, com destaque para o avanço das biotecnologias reprodutivas. Segundo ele, técnicas como a transferência de embriões têm ampliado as possibilidades de melhoramento genético, inclusive permitindo o aproveitamento de fêmeas que não poderiam mais gestar naturalmente, seja por questões clínicas ou limitações físicas.
“O Brasil possui hoje cerca de 8 milhões de equídeos (cavalos, asininos, muares) e ocupa a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e do México no número de cavalos. Em termos de uso de biotecnologias reprodutivas, já estamos equiparados aos Estados Unidos”, comemorou.
De acordo com o especialista, o País também se destaca pela qualidade da mão de obra técnica, com profissionais reconhecidos internacionalmente e atuação crescente no exterior. “Hoje, o Brasil não só utiliza essas tecnologias como também exporta conhecimento, especialmente na área de reprodução animal”, afirmou.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Cerca de 75% da tropa brasileira é utilizada em atividades de lida no campo, um segmento que ainda demanda maior acesso a tecnologias, investimento em genética e melhorias no manejo.

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock
O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



