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Fazendas brasileiras se preparam para produzir leite orgânico
Intenção é que os inscritos terminem a capacitação sabendo fazer a gestão das tecnologias mais adequadas para cada propriedade a partir de uma visão sistêmica
Propriedades rurais de várias regiões do país estão se estruturando para produzir leite orgânico e algumas procuraram a Embrapa em busca de conhecimento técnico. O curso de Pecuária Leiteira Orgânica, que teve seu primeiro módulo realizado nos dias 15 e 16 de junho em Serra Negra (SP), recebeu produtores e técnicos do Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo, Rio Grande do Sul, Alagoas e Ceará. O grupo volta a se encontrar para o segundo módulo nos dias 27 e 28 de julho, na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos.
Tecnologias serão detalhadas durante os cinco módulos, que vão até outubro. Mas a intenção é que os inscritos terminem a capacitação sabendo fazer a gestão das tecnologias mais adequadas para cada propriedade a partir de uma visão sistêmica. “Algumas técnicas estão sendo recomendadas a produtores de leite sem necessidade”, disse o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste e líder do projeto Balde Cheio em Rede, André Novo.
Segundo ele, é difícil analisar números frios da pecuária leiteira. “Um produtor que tirava 200 litros de leite e seis anos depois continua tirando 200 litros é um exemplo de fracasso? Nem sempre. Ele diversificou a propriedade? Produzia em 50 hectares e agora produz em 5 ha? Protegeu áreas de preservação permanente?”, questionou. Ou seja, as condições de produção precisam ser conhecidas. Para isso, a anotação de dados zootécnicos e econômicos é fundamental.
André disse que há três pilares para se mudar uma propriedade que produz leite e que concentram a maioria dos problemas: alimentação (quantidade e qualidade), manejo (sombra, água, ordenha, período seco) e sanidade (verminose, esquema de vacinação). Além dessas dimensões fundamentais, o produtor de leite precisa estar muito atento à administração (controle e planejamento), estrutura do rebanho e melhoramento (reprodução e persistência).
Decisão
Na fazenda que recebeu o grupo, a Nata da Serra, o proprietário Ricardo Schiavinato contou sua história com os orgânicos. Ele aderiu ao modelo de produção por necessidade, e não por ideologia. “Foi meu último suspiro. Se não desse certo, teria que mudar de vida”, afirmou. A propriedade vinha enfrentando dificuldades quando o pai de Ricardo, que é dentista, percebeu que o filho não permitia que a família consumisse a própria produção. “Tem alguma coisa muito errada. Você não come o que produz?”, quis saber.
Ricardo começou a conversão para orgânicos em 1997, com hortaliças. O sucesso com os vegetais foi visível – “produzia com altíssima qualidade e produtividade” – mas a produção de leite permanecia no modelo convencional. No entanto, Ricardo havia percebido que o mercado demandava um leite diferenciado. Foi quando ele procurou a Embrapa em busca de conhecimento técnico. Isso aconteceu em 2007.
Na primeira visita à fazenda Nata da Serra, André Novo ficou impressionado com a qualidade do morango e do tomate que Ricardo produzia. “Mas o leite realmente era ruim”, lembra André. Como o centro de pesquisa de São Carlos não tinha experiência com pecuária leiteira orgânica, eles começaram naquela época a desenvolver uma experiência de aprendizado conjunto. Tecnologias foram testadas na propriedade e agora todo o conhecimento acumulado nesses 11 anos está sendo compartilhado no curso.
Nesse primeiro módulo, foram abordados temas conceituais da pecuária leiteira orgânica. Além de André e Ricardo, também fizeram palestras Carlos Armênio Khatounian, da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), e Sérgio Homma, da Fundação Mokiti Okada. Armênio fez um relato da agricultura desde a pré-história até a atualidade e Homma falou, entre outros assuntos, das diretrizes da natureza para criar e manter a fertilidade do sistema.
Em seguida, o anfitrião levou os convidados para um breve passeio pela propriedade. Todos puderam ver a recuperação de mata ciliar, piquetes com diferentes tipos de forrageiras, diversificação de culturas, animais com qualidade genética, sistema de irrigação, silagem de capim, bebedouros e cochos, entre outras estruturas.
As 40 vagas foram esgotadas e já existe fila de espera para uma próxima capacitação. O curso foi articulado pela Secretaria de Inovação e Negócios, da Embrapa, e está sendo realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste e Fazenda Nata da Serra. As empresas Nestlé e Socil, do Grupo Neovia, são patrocinadoras. Esalq, Fundação Mokiti Okada, Gold Seeds Agronegócio e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apoiam o evento.
Fonte: Embrapa

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Coops Day 2026 mobiliza Santa Catarina com ações em 12 municípios

O cooperativismo será celebrado em Santa Catarina com uma programação que combina eventos presenciais, ações de rua e atividades de comunicação em diferentes regiões do Estado. As iniciativas marcam o Dia Internacional do Cooperativismo, o Coops Day 2026, celebrado mundialmente no primeiro sábado de julho.

Foto: Shutterstock
Neste ano, a mobilização tem como tema “Cooperativas por um mundo pacífico”, definido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), e orienta as ações do movimento em diversos países. A proposta relaciona o cooperativismo à construção de sociedades mais inclusivas e sustentáveis, com base em inclusão econômica, participação social e fortalecimento das comunidades.
No Estado, a programação envolve tanto eventos abertos ao público quanto ações simultâneas de divulgação em municípios catarinenses.
Programação cultural
Em Chapecó, o Coops Day 2026 foi realizado na última quinta-feira (02), no Teatro do Centro de

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Cultura e Eventos Plínio Arlindo De Nes. O encontro reúne cooperados, colaboradores, autoridades e comunidade em uma programação aberta ao público.
O evento contou com abertura oficial, apresentações culturais e interação com os Mascotes do Cooperativismo. O destaque foi o espetáculo do Grupo Sou Arte, de Campo Mourão (PR), inspirado no tema mundial do cooperativismo em 2026.
Ações de rua
Além da programação em Chapecó, o Sistema Ocesc promove no sábado (04) uma série de blitzes em parceria com emissoras de rádio em 11 municípios de Santa Catarina.
As ações serão realizadas em espaços públicos, praças e parques, com transmissões ao vivo, interação com o público, distribuição de brindes e participação de cooperativas locais.

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As atividades integram a celebração do Coops Day, data reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e promovida pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), que destaca a contribuição das cooperativas para o desenvolvimento econômico e social.
Segundo o coordenador de comunicação da Ocesc, Paulo Henrique Santhias, a proposta é ampliar o alcance do tema no cotidiano da população. “Queremos levar a mensagem do cooperativismo para onde as pessoas estão, mostrando de forma leve e interativa como esse modelo de negócios gera desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida”, afirma.
Municípios participantes
As ações ocorrerão em Florianópolis, Joinville, Blumenau, Lages, Tubarão, Concórdia, Chapecó, São Miguel do Oeste, Caçador, Criciúma e Canoinhas (local a confirmar).
Em Chapecó, também estão previstas atividades na Praça do Loteamento Vederti I e em frente ao Boca Sport Bar.
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Copagril recebe honraria da Assembleia de Mato Grosso do Sul por atuação no cooperativismo
Cooperativa foi uma das seis representantes do ramo agropecuário reconhecidas pela contribuição ao desenvolvimento econômico e social sul-mato-grossense.

A Copagril foi uma das cooperativas homenageadas com a Medalha e o Diploma de Honra ao Mérito Legislativo em Homenagem ao Cooperativismo Sul-Mato-Grossense, durante sessão solene realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), na última quarta-feira (1º) , em Campo Grande (MS). A homenagem integrou a programação da Semana do Cooperativismo e reconheceu pessoas, instituições e cooperativas que contribuem para o fortalecimento do movimento cooperativista e para o desenvolvimento econômico e social do Estado.

Homenagem reconheceu a contribuição da Copagril para o cooperativismo sul-mato-grossense – Foto: Divulgação/Copagril
A solenidade foi proposta pelo deputado estadual Professor Rinaldo Modesto, presidente da Frente Parlamentar de Defesa do Cooperativismo (Frencoop/MS), que destacou a importância do setor para Mato Grosso do Sul. Atualmente, o cooperativismo representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, reunindo mais de 138 cooperativas, aproximadamente 668 mil cooperados e cerca de 15,5 mil empregos diretos.
Entre as cooperativas do ramo agropecuário, apenas seis receberam a honraria, evidenciando o protagonismo da Copagril no desenvolvimento do cooperativismo sul-mato-grossense. A cooperativa foi representada na cerimônia pelo diretor vice-presidente, Cesar Luiz Petri, e pelo diretor-secretário, Ademir Luis Griep.
O reconhecimento reforça a trajetória construída pela Copagril no Estado, onde atua desde a década
de 1980. Nos últimos anos, a cooperativa intensificou seu plano de expansão, ampliando sua presença em diferentes regiões do Mato Grosso do Sul. De 2025 a 2026, foram inauguradas seis novas unidades, consolidando a estratégia de crescimento e de proximidade com os produtores rurais.
Para o diretor vice-presidente, Cesar Luiz Petri, a homenagem demonstra que o trabalho

Diretor-secretário da Copagril, Ademir Luis Griep, com o diretor vice-presidente Cesar Luiz Petri representaram a Copagril na cerimônia realizada em Campo Grande (MS) – Foto: Divulgação/Copagril
desenvolvido pela cooperativa vem gerando resultados concretos para o desenvolvimento regional. “Receber esta homenagem é motivo de muito orgulho para a Copagril. É o reconhecimento de uma trajetória construída com seriedade, compromisso com os cooperados e investimentos constantes no Mato Grosso do Sul. Seguiremos trabalhando para fortalecer o agronegócio e levar cada vez mais oportunidades aos produtores da região”, destaca Petri.
O diretor-secretário, Ademir Luis Griep, ressalta que a expansão da cooperativa no Estado está diretamente ligada aos princípios do cooperativismo. “Esse reconhecimento pertence a todos que fazem parte da Copagril. Nossa missão é estar cada vez mais próximos do produtor, oferecendo soluções, assistência técnica e segurança para que ele possa produzir com eficiência. É gratificante ver esse trabalho sendo valorizado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul”, afirma Griep.
Para a Copagril, a homenagem representa o reconhecimento de um trabalho pautado nos princípios do cooperativismo, na geração de oportunidades para os cooperados e no compromisso com o desenvolvimento regional. A expansão da cooperativa no Mato Grosso do Sul reafirma esse propósito, levando soluções, tecnologia, assistência técnica e fortalecendo o agronegócio em um dos estados mais promissores do país.
A Medalha e o Diploma de Honra ao Mérito Legislativo foram instituídos pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para reconhecer pessoas e instituições que contribuem de forma significativa para o fortalecimento do cooperativismo, um modelo de negócio que segue impulsionando o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Estado.
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Veto ao Projeto dos Safristas mantém impasse sobre contratação de temporários no campo
Texto aprovado pelo Congresso previa preservar o acesso a programas sociais para trabalhadores contratados durante a safra. Cooperativas e setor produtivo defendem derrubada do veto.

Ampliar a oferta de mão de obra formal durante os períodos de safra sem comprometer a proteção social dos trabalhadores é um dos principais desafios enfrentados pela agropecuária brasileira. Como forma de oferecer uma solução para essa questão, o Projeto de Lei (PL) 715/2023, conhecido como Projeto dos Safristas, apoiado pelo cooperativismo, foi aprovado no Congresso Nacional. Apesar de sua importância para o setor, a proposta foi integralmente vetada pela Presidência da República e, por isso, a expectativa agora é de que a decisão seja revertida no Parlamento.

Foto: Gilson Abreu
De autoria do deputado Zé Vitor (MG), membro da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), o projeto prevê que a renda obtida em contratos temporários de safra não seja considerada para a exclusão imediata de programas sociais. A medida busca reduzir a informalidade, ampliar as oportunidades de trabalho no campo e atender à demanda de produtores rurais e cooperativas que enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores durante os períodos de colheita.
Relator da matéria, o deputado Evair de Melo (ES), também membro da Frencoop, defende que a iniciativa responde a uma demanda histórica do setor produtivo e cria condições para ampliar a formalização das relações de trabalho. “A ideia é fomentar a formalização do trabalho em diversas culturas agrícolas. As regras dos programas sociais e a remuneração por produtividade acabam criando um cenário que incentiva a informalidade. Precisamos oferecer segurança para quem quer trabalhar e para quem precisa contratar”, afirma.
Cooperativas defendem mudança
O Projeto dos Safristas conta com apoio do Sistema OCB e de cooperativas agropecuárias, que afirmam enfrentar dificuldades recorrentes para formar equipes durante os períodos de colheita.
Segundo a entidade, a escassez de mão de obra formal afeta diferentes cadeias produtivas e tem levado produtores e cooperativas a buscar alternativas para atender à demanda sazonal de trabalhadores.

Foto: Divulgação
Dados do Sistema OCB indicam que o ramo agropecuário reúne 1.172 cooperativas, movimenta R$ 438,2 bilhões por ano e responde por mais de 257 mil empregos diretos no país.
Para a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, a proposta cria um mecanismo para aproximar políticas de assistência social e de geração de emprego. “O desafio da mão de obra no campo só será resolvido com regras que estimulem a formalização. O Projeto dos Safristas representa um avanço porque aproxima políticas sociais e políticas de emprego, beneficiando trabalhadores, cooperativas e toda a cadeia agropecuária”, afirma.
Próximo passo depende do Congresso
Com o veto presidencial, o projeto retorna ao Congresso Nacional, que decidirá, em sessão conjunta de deputados e senadores, se mantém ou derruba a decisão do Executivo. Caso o veto seja rejeitado, o texto poderá ser promulgado e entrar em vigor.
A discussão ocorre em um momento em que produtores rurais e cooperativas relatam dificuldades para preencher vagas temporárias durante as safras, especialmente em atividades que exigem grande número de trabalhadores em períodos concentrados. O Projeto dos Safristas foi apresentado como uma tentativa de reduzir esse gargalo por meio de incentivos à contratação formal, sem impacto imediato sobre os benefícios sociais recebidos pelos trabalhadores.
