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Fazenda revela potencial para bovinocultura de corte no Oeste da Bahia

Atividade possui um enorme potencial para crescimento e intensificação em função do grande polo agrícola e custo reduzido na aquisição de insumos e resíduos para aproveitamento na nutrição animal

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Artigo escrito por Guilherme Augusto Vieira, professor doutor de Medicina Veterinária da Unime/Bahia

Abrangendo uma dimensão territorial de 8,5 milhões de km², o Brasil possui 174 milhões de hectares ocupados por pastagens. Com a grande parte do rebanho criada a pasto, a diversidade climática do país reflete nos regimes pluviométricos, na qualidade das pastagens, nos sistemas de produção pecuária e na oferta e preço do gado de região para região. Segundo dados do IBGE (2014), o rebanho de bovinos no Brasil e na Bahia eram de 212,34 milhões e 10.742.215 de animais, respectivamente.

O Brasil, com o maior rebanho comercial do mundo, é também o maior exportador de carne, maior produtor, consumidor e exportador de sementes de plantas forrageiras tropicais do planeta, com participação significativa no agronegócio. Embora com esses destaques nos cenários nacional e internacional, os índices de produtividade média da pecuária brasileira ainda estão muito aquém do seu potencial. Várias causas podem ser apontadas para essa baixa produtividade, como desconhecimento e não adoção de tecnologias disponíveis, manejo inadequado do rebanho, incluindo limitação genética, formação e manejo das pastagens incorretas, o que vem contribuindo para a degradação das pastagens.

A bovinocultura de corte, no Oeste da Bahia, possui um enorme potencial para crescimento e intensificação em função do grande polo agrícola e custo reduzido na aquisição de insumos e resíduos para aproveitamento na nutrição animal.

Características

Certo autor destaca algumas características do Oeste baiano: possui 14 milhões de hectares, sendo oito milhões de hectares correspondentes à área de solo sob vegetação de cerrados com água e clima favoráveis à agricultura e à pecuária; localização estratégica em relação a importantes capitais, como Brasília, Palmas, Salvador e Goiânia, bem como em relação a portos, sobretudo o de Salvador; solos profundos, diversificados, com boa constituição física e facilmente mecanizáveis; possui uma bacia hidrográfica de singular suporte para projetos de irrigação, composta por rios perenes e de volume d’água suficientes com destaque para os rios Grande, Corrente e Carinhanha, todos tributários do Rio São Francisco; município como Barreiras, São Desidério e Luiz Eduardo Magalhães que são privilegiados não só pela alta produção de algodão, milho, soja e café, mas também pelo processamento e beneficiamento de grãos apresentando um diferencial competitivo em relação ao restante do país, no qual 90% da soja colhida na região é processada internamente pelos empreendimentos da Cargill e Bunge localizados nos municípios de Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães, respectivamente; conta com dois frigoríficos modernos com capacidade de abate para mil bois/dia, podendo abater também outras espécies animais, como suínos, caprinos e ovinos; projetos de confinamentos que estão sendo implantados na região, destacando-se a Empresa Captar que tem como objetivo confinar 50 mil animais/ano.

Em um país do tamanho do Brasil, com condições ambientais (solo e clima), culturais e sociais tão diversas não tem embasamento técnico/cientifico/econômico a adoção de um único sistema de produção. Um sistema de produção só pode ser definido com base em um diagnóstico preciso das condições de solo (mapeamento da fertilidade dos solos da propriedade através de análise de solo), das condições climáticas (índice pluviométrico e distribuição de chuvas, temperatura, radiação solar), das pastagens (área, relevo, tamanho, grau de degradação, problemas de manejo, pragas e invasoras, espécie forrageira, capacidade de suporte, taxa de lotação), dos animais (raça, cruzamento, programa de melhoramento genético, programa sanitário), da equipe da propriedade (nível instrucional, capacidade de liderança, nível salarial, condições de trabalho e de moradia), do negócio (mercado, preços). Neste sentido, devemos levar em consideração os fatores: a localização da propriedade e o tamanho da sua área; o valor da terra; as condições edafoclimáticas; a capacidade e custo da mão-de-obra e a capacidade gerencial do proprietário.

Atualmente, parte considerável das pastagens brasileiras apresenta problemas de degradação, o que contribui para a não sustentabilidade da produção. Dentre os diversos fatores que contribuem para isso, menciona-se, entre outros, a queda da fertilidade do solo. Esse é um dos fatores mais importantes para a sustentabilidade da produção. Associado a isso cita-se o mau manejo. Esses fatores juntos fazem com que o complexo solo-planta entre em processo de degradação, já a partir do segundo ano.

Componentes

O sistema de produção para ser parte integrante de uma cadeia produtiva de carne eficiente necessitará de avanços, especialmente, tecnológicos. Sem inserção de tecnologias, muitos segmentos terão dificuldades em vencer os desafios que são colocados pela globalização. Essas tecnologias terão como finalidade promover melhorias nos índices produtivos. Nesse sentido, um dos principais componentes do sistema de produção é a alimentação e, em especial, as pastagens devido ao seu baixo custo operacional. Ressalta-se, que para ser competitivo o sistema deverá ser capaz de, basicamente, possibilitar o aumento da capacidade de suporte das pastagens. Várias são as formas disponíveis para se obter tal incremento, dentre as quais podem-se mencionar a adubação das pastagens, o uso de irrigação, nas condições onde essa for uma prática recomendável, o uso de suplementação alimentar em pasto e mesmo o confinamento. Esse último, além de ser recomendado para aqueles animais de melhor desempenho potencial, é uma estratégia importante para liberação de pastos para outras categorias animais.

A necessidade de aumento na produção de alimentos para atender à demanda crescente de consumo exigirá dos sistemas de produção aumento na produtividade por área já que a incorporação de novas áreas ao processo produtivo será cada vez mais limitada pelas leis ambientais que proíbem e continuarão proibindo os desmatamentos de áreas naturais.

Como objetivo maior o referente artigo visa demonstrar ao pecuarista a real necessidade e importância em intensificar o sistema de produção e adotar o uso de fertilizantes, visando à redução da emissão dos gases de efeito estufa e sustentabilidade da pastagem, buscando aumento da capacidade de lotação das pastagens, recuperação de pastagens degradadas, controle das pragas, redução de mão-de-obra para manejo do gado e manutenção da pastagem, facilidade em manejar o gado no pasto, no curral e no transporte, redução dos custos de produção e aumento da rentabilidade líquida da propriedade.

Este trabalho fez parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Medicina Veterinária da Unime/Bahia, realizado por Livio Mascarenhas, sob orientação do professor doutor Guilherme Augusto Vieira.

Material e Métodos

Foi realizado um estudo de caso na Pecuária Mascarenhas, localizada em Riachão das Neves, BA, demonstrando a produtividade e viabilidade econômica de intensificação de um sistema através da adubação de pastagem, rotação de pastagem e semi-confinamento.

Com uma área de mil hectares, a propriedade desenvolve um trabalho de engorda a pasto em semi-confinamento, com pastagem adubada e rotacionada, sendo subdividida em módulos com praça de alimentação, bebedouro central e piquetes distribuídos ao seu redor entre cinco hectares e 12 hectares ocupados com diferentes espécies forrageiras.

Resultados

O manejo nutricional da propriedade é ajustado conforme o período de chuva/seca, oferta e condição de pastagem, classificação dos animais (recria/engorda), metas da propriedade e análise de mercado.

A técnica de adubação de pastagem começou a ser implantada na propriedade no ano de 2008, numa área de 30 hectares. Após um ano foi observado que a área fertilizada correspondia a uma área dez vezes maior de produtividade do que a área adubada, ou seja, a área passou a equivaler por 300 hectares. Diante da intensificação do sistema como, adubação de pastagem, pastejo rotacionado e semi-confinamento, seus índices produtivos, zootécnicos e financeiros cresceram significativamente. No ano de 2014 foram terminados 9.030 animais com uma produção de 28@/ha/ano, ganho médio mensal de 1,06@/animal, lotação de 1,5 Ua/ha e taxa de desfrute de 82,3%.

Confrontando o preço médio da arroba de R$ 140 vezes a produção de 28@/ha e a área de 1000 ha, obteve-se uma receita bruta de R$ 3.920.000,00.

Como principal vantagem a intensificação do sistema de produção visa a produtividade em escala, menor espaço e tempo. Sendo assim, é possível inferir que a produtividade animal é determinada pelo desempenho animal através do ganho de peso vivo e pelo número de animais por unidade de área ajustado à sua capacidade de suporte. Segundo um estudioso, tem se observado péssimos cuidados em relação ao cultivo e manutenção das forrageiras, acarretando em um processo de degradação e consequentemente diminuição direta no nível de fertilidade do solo, aparecimentos de pragas e plantas invasoras nas pastagens, diminuição na taxa de acúmulo de forragem, diminuição na capacidade de suporte e baixa produção de arrobas/hectare/ano (@/ha/ano). A principal desvantagem consta no alto custo do seu investimento, no desconhecimento referente às técnicas de intensificação da produção e na sua má utilização, resultando em perdas significativas e barreiras para implantação da técnica.

Nos sistemas de produção com base na utilização de pastagens de gramíneas tropicais, é fundamental o ajuste entre a disponibilidade de nutrientes às exigências dos animais durante todo o ciclo de produção. Apesar de que as estratégias de manejo de pastagens e suplementação ser dependentes da meta a ser alcançada, a escolha destas deve ser fundamentada em uma análise econômica. A rentabilidade das estratégias deve constituir-se no norteador na escolha do manejo do pastejo, suplementos e da época de suplementação. O nível de suplementação, período e formas de fornecimento, e composição dos suplementos devem ser delineados de acordo com os recursos forrageiros basais e o manejo praticado nas pastagens. Os custos diretos com distribuição de suplementos e mão de obra devem ser computados no planejamento. Sendo assim, a terminação de bovinos em pastejo envolve primeiramente a viabilidade econômica.

Conclusão              

Apesar da sua onerosidade, a intensificação do sistema de produção é uma estratégia para melhorar a rentabilidade dos sistemas de produção levando ao aumento da produtividade da pastagem, sustentabilidade da pastagem, recuperação de pastagens, possibilidade de introduzir recursos forrageiros, redução da estacionalidade de produção e flexibilidade no manejo.

A criação de bovinos vem crescendo consideravelmente no Brasil, devido ao seu alto valor adaptativo e reprodutivo, destacando-se pela sua boa produção de carne. Sendo assim, diante da competitividade e na tentativa de eliminar focos negativos na produção, é preciso adotar sistemas de intensificação como adubação e irrigação de pastagens, suplementação e confinamento estratégico de modo a diluir os custos fixos e aumentar a rentabilidade do produtor. 

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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Foto: Shutterstock

A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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