Suínos Carbono positivo
Fazenda de suínos mineira neutraliza e ainda captura gases do efeito estufa
Propriedade de 81 hectares redefiniu os padrões de produção suína ao integrar a verticalização da atividade e implementar estratégias inovadoras por meio da adoção de tecnologias de ponta, práticas de economia circular e uma gestão consciente.

Ao incorporar práticas sustentáveis que aliam eficiência produtiva com respeito ao meio ambiente, a suinocultura brasileira dá exemplo ao mundo de que é possível ter rentabilidade com sustentabilidade. Entre as iniciativas que se destacam está a da Fazenda Memória, localizada em Raul Soares, na Zona da Mata Mineira, um dos principais polos de produção da suinocultura independente do Brasil.
Sob a gestão do casal de arquitetos Rodrigo Torres e Andrea Zerbotto, a propriedade de 81 hectares redefiniu os padrões de produção suína ao integrar a verticalização da atividade e implementar estratégias inovadoras por meio da adoção de tecnologias de ponta, práticas de economia circular e uma gestão consciente.
A Fazenda Memória apresenta uma pegada de carbono positiva. Atualmente, para a produção de 22.680 suínos emite 1.049,03 toneladas de CO2 equivalente, o que resulta em uma taxa de emissão de 0,046 tCO2 por suíno. Com o sistema de produção implementado, que inclui a manutenção das atividades suinícolas e o perfil de emissões, além do plantio de 130 hectares de eucalipto e a recuperação de 20 hectares de mata nativa, a previsão é de que, em 14 anos, a produção de suínos possa aumentar para 79.970 cabeças que a fazenda poderá continuar operando como uma propriedade de carbono neutro.

Casal de arquitetos Rodrigo Torres e Andrea Zerbotto ingressaram na suinocultura há sete anos: verticalização da atividade possibilita agregação de valor ao suíno produzido na Fazenda Memória
A trajetória do casal na suinocultura começou há sete anos, quando Torres decidiu comprar a granja da família, que já atuava há mais de quatro décadas na criação de suínos. A propriedade, porém, enfrentava desafios devido à falta de modernização e ao envelhecimento dos gestores. “Após acumular prejuízos por mais de cinco anos, minha família decidiu colocar a granja à venda em 2017, quando me envolvi para encontrar um comprador. Passei a estudar o negócio mais a fundo e me surpreendi com o potencial da suinocultura, enxergando na atividade uma oportunidade de diversificar meus negócios, que se concentravam em construção civil, projetos arquitetônicos e na preservação do patrimônio cultural”, relembra Torres em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.
Após a aquisição, sem experiência e conhecimento técnico de como estruturar a produção de suínos, o casal se dedicou a conhecer melhor a cadeia produtiva a fim de identificar oportunidades para reverter o cenário de baixa produtividade e prejuízos que a granja vinha acumulando. “Ingenuamente acreditamos que a modernização e a gestão trariam resultados imediatos. Contudo, após alguns meses, percebemos que faltavam as ferramentas necessárias para transformar um negócio de baixa produtividade em um empreendimento lucrativo. Assim, decidimos buscar conhecimento técnico para a evolução da granja. No início, procuramos apoio da Embrapa Suínos e Aves para implantar um sistema de Procedimento Operacional Padrão (POP) para cada atividade, como a fábrica de ração, maternidade, creche e terminação. No entanto, não encontramos no mercado informações disponíveis, e a própria Embrapa não tinha modelos prontos. Diante disso, eu e minha esposa nos dedicamos para desenvolver nossos próprios POPs, o que resultou em um grande crescimento. Aliado a isso, buscamos suinocultores para trocar experiências, mas, na região de Ponte Nova, MG, a troca de informações era escassa. Contudo, recebemos ajuda de alguns produtores, da Embrapa e de empresas do setor, o que nos permitiu melhorar os índices zootécnicos, implementar boas práticas de manejo, tecnologia e inovação na granja”, recorda Torres, que atualmente preside a Cooperativa de Suinocultores de Ponte Nova e Região (Coosuiponte) e é diretor da Associação de Suinocultores do Vale do Piranga (Assuvap).
Verticalização da suinocultura
Com uma visão de futuro e foco na sustentabilidade, o casal projetou a verticalização da suinocultura para garantir autossuficiência e eficiência em toda a cadeia produtiva. A ideia central do projeto foi comprar novas áreas de terra para plantar seus próprios grãos, extrusar a soja para produzir farelo e óleo de soja, e, a partir disso, produzir biodiesel para uso próprio. Além de reduzir a dependência externa por insumos, o projeto também conta com a construção de um frigorífico para processar a carne suína, que deve entrar em operação em maio de 2025, fechando o ciclo de produção dentro da própria granja.
A alimentação dos animais é outro pilar fundamental do modelo de verticalização adotado pelos produtores. Na propriedade, os grãos utilizados na ração, como sorgo, milho e soja, são processados na fábrica de ração própria. A soja em grão é ainda um dos principais insumos adquiridos de fornecedores externos e o seu transporte é feito em frota própria.
Sistema de produção

Produtor de suínos, presidente da Coosuiponte e diretor da Assuvap, Rodrigo Torres: “Na nossa propriedade temos uma cultura de investimento em sustentabilidade, mas isso só é viável porque acreditamos que podemos agregar valor ao nosso produto”
A produção da fazenda é feita no sistema de ciclo completo. A granja possui 700 matrizes, com produtividade média de 33,5 cevados desmamados/fêmea/ano, o que resulta em uma produção anual estimada de 22 mil suínos, destinada atualmente para cinco frigoríficos da região de Ponta Nova, MG. “Dessa produção são vendidos em média 31 cevados/fêmea/ano, o restante é destinado à reposição, que, apesar do controle rigoroso, há uma taxa de mortalidade no rebanho”, explica o produtor mineiro.
Construção de um frigorífico próprio
A construção de um frigorífico próprio avança com financiamento aprovado como projeto de inovação. A obra já está em andamento e tem previsão para início das operações em maio do próximo ano. O empreendimento se destaca pelo posicionamento estratégico, representado por três pilares distintos. O primeiro está na seleção dos cortes: a produção será focada em cortes americanos, ibéricos e alguns cortes com osso, como Prime Rib, Short Rib e T-Bone, todas provenientes da raça Duroc, reconhecida pelo marmoreio, ou seja, pela gordura entremeada, característica que confere um produto de altíssima qualidade.
Outro ponto é a diversificação da linha de produtos. Parte da produção será temperada e uma parcela já será entregue cozida e enlatada. “Esses cortes especiais de uma raça nobre, apesar de produção em escala industrial, serão temperados artesanalmente e cuidadosamente embalados para presente, garantindo uma experiência única para o consumidor”, enfatiza.
O segundo diferencial é que a produção será toda certificada. “Estamos falando de uma produção de carne consorciada com floresta, que, além de mitigar emissões, traz maior produtividade com o uso de grãos de origem local, biodigestores e energia limpa”, destaca Torres.
Ele acrescenta que o projeto prevê o plantio de 150 mil árvores, que irá sequestrar todo o carbono gerado ao longo da cadeia de produção e distribuição, incluindo o transporte de contêineres refrigerados para mercados internacionais, como Europa e Estados Unidos.
Torres também ressalta que o compromisso vai além da neutralização das emissões. “Estamos plantando mais árvores do que o necessário para neutralizar nossa pegada de carbono. Queremos ter um equilíbrio positivo de carbono, ou seja, vamos neutralizar uma quantidade de dióxido de carbono maior que a emitida pela nossa atividade, porque o nosso objetivo não é apenas neutralizar o aquecimento global, mas contribuir para o arrefecimento global. Queremos ser parte da solução, não do problema”, afirma.

Além da certificação da pegada de carbono, Torres já realizou o inventário de emissões e está em busca de certificações de bem-estar animal e de rastreabilidade da raça Duroc. Isso inclui testes genéticos que comprovam a origem do animal, garantindo ao consumidor que a carne oferecida é de um animal 50% Duroc, resultado de um cruzamento em que o macho fornecedor é dessa raça.
E o terceiro pilar do Frigorífico O Cortes é a oferta de produtos em porções menores, com até 250 gramas. “A proposta é reduzir o desperdício doméstico, oferecendo porções menores e de maior qualidade. Nosso frigorífico aposta em um consumo mais consciente e qualificado, oferecendo um produto de maior valor agregado, sustentável, certificado e com qualidade superior”, sinaliza.
Geração de empregos
A granja de suínos emprega 35 colaboradores nas áreas de administração, produção, manutenção e logística. E na planta frigorífica está prevista a contratação de até 200 funcionários quando estiver operando em sua capacidade máxima, em dois turnos. “O início do abate está previsto para maio de 2025, com um período de seis meses para treinamento de funcionários. O processamento será de forma gradual, com o abate de 10 suínos por dia e deve aumentar para 90 suínos diários em seis meses. A meta é atingir o abate máximo de 180 suínos por dia, com uma segunda linha de produção”, explica Torres.
Embora o volume inicial seja pequeno em comparação aos frigoríficos da região de Ponta Nova, MG, que abatem cerca de nove mil suínos por dia, Torres enfatiza que a produção será focada em carne suína de alto valor agregado. “Vamos abater 90 suínos por dia, o que parece pouco, mas isso se traduz em mais de 30 mil itens de 250 gramas por dia”, ressalta.
O produto, voltado principalmente para as classes A e B, será oferecido em porções que custam entre R$ 28 e R$ 32 nas prateleiras, ideal para o consumo de até duas pessoas.
Torre afirma a estratégia de venda vai estar focada no mercado nacional no primeiro ano e, a partir do segundo, será iniciado as exportações para a Europa e os Estados Unidos.
Ampliação da produção
Segundo Torres, caso o mercado responda bem e a demanda exija aumento na produção além dos 180 suínos diários, o plano é terceirizar essa produção para frigoríficos regionais.
O modelo de negócios da família Torres não inclui aumentar a produção de suínos ou construir mais galpões, tampouco pressionar o mercado com mais oferta. A proposta é agregar valor à produção existente, pagando um prêmio maior pelo suíno da região de Ponte Nova, melhorando a qualidade genética e o manejo dos animais.
Torres enfatiza que o objetivo é fazer uma transição na cadeia produtiva, tornando a suinocultura mais sustentável e o processamento de carne suína menos dependente da venda de commodities.
Exemplos práticos de sustentabilidade
O produtor ressalta que a busca por práticas sustentáveis se tornou essencial, não apenas para a preservação do meio ambiente, mas também para garantir a viabilidade econômica da granja a longo prazo. Torres conta, orgulhoso, que investe em diversas frentes, como o uso consciente d’água, a gestão de dejetos, a produção de energia renovável e a promoção do bem-estar animal.
Para fazer o uso sustentável d’água foi construído um lago para o reaproveitamento d’água da chuva, contudo, para combater o desperdício falta instalar hidrômetros e fazer a revegetação de nascentes e cursos d’água.
Na área de grãos, Torres diz que a fazenda ainda precisa aumentar a aquisição local de insumos, a fim de reduzir as distâncias de transporte e, consequentemente, minimizar a pegada de carbono. Em relação aos dejetos suínos, a propriedade já implementou um sistema de tratamento com biodigestores, utilizando o digestato para fertirrigação. Além disso, iniciou a destinação do digestato sólido para a cadeia de plantio de grãos na região de Ponte Nova, MG.
No campo da energia, a fazenda já conta com uma usina de biogás e planeja expandir suas operações para atender à demanda energética do frigorífico. Para garantir a autossuficiência energética, está sendo construído uma usina fotovoltaica, visando alcançar 100% de autonomia quando iniciar as operações da planta industrial.
Em relação aos resíduos sólidos, Torres conta que é realizado a separação do lixo para coleta pelo consórcio de municípios, no entanto, ele salienta que é necessário que o produtor se envolva mais ativamente nesse processo. “Atualmente, confiamos ao consórcio a responsabilidade de recolher nossos resíduos e destinar corretamente, além de realizar a reciclagem. Contudo, não temos monitorado esse trabalho”, evidencia o produtor, acrescentando que ainda não está implementado um sistema de compostagem para os resíduos domésticos na fazenda.
Torres ressalta que a implantação do frigorífico está acompanhada de 130 hectares para plantação de eucalipto e outros 20 hectares à recuperação de espécies nativas, com objetivo de recuperar a área de reserva legal nos próximos anos.
Atualmente, a fazenda utiliza biogás como fonte de geração de energia elétrica e está em processo de ampliação desta usina. Torres adianta que no frigorífico será implementado uma caldeira movida a biogás, o que vai gerar economia ao processo produtivo, além de reduzir a incidência de gases que vão para a atmosfera. “Em um horizonte de médio a longo prazo, planejamos desenvolver nosso próprio reator para transformar o óleo de soja, resultante da extrusão do grão, em biodiesel. Nossa expectativa é que, no futuro, parte da frota de caminhões e tratores possa operar com biogás ou motores elétricos”, salienta.
Na construção do frigorífico, a escolha dos gases para refrigeração prioriza opções naturais em vez de sintéticos, que, em caso de vazamento, são extremamente prejudiciais à camada de ozônio. “Na nossa propriedade temos uma cultura de investimento em sustentabilidade, mas isso só é viável porque acreditamos que podemos agregar valor ao nosso produto”, ressalta o produtor.
No âmbito da sustentabilidade, há também uma forte preocupação com o aspecto social, estando em processo de implantação um plano de cargos e salários que inclui metas e bonificações, além de uma ação social com feijoada comunitária a partir do início das atividades da unidade de processamento própria.
Entre as medidas de biosseguridade do sistema de produção está a instalação de arcos de desinfecção e o cercamento da granja e do frigorífico. No que diz respeito ao bem-estar animal, a granja tem se modernizado nos últimos sete anos com a instalação de ventiladores e aquecedores nos galpões, além de linhas automáticas de arraçoamento. Essas melhorias visam assegurar que os animais não passem por situações adversas, como frio, calor ou fome. A propriedade também tem investido na melhoria da densidade de alojamento dos suínos em diversas fases de desenvolvimento e na implantação de um sistema de música para reduzir o estresse durante as mudanças de local, além de enriquecer o ambiente com brinquedos. “A área destinada as matrizes ainda são em gaiola de gestação, mas está prevista a adequação para gestação coletiva nos próximos três a quatro anos, respeitando os prazos legais da normativa vigente”, pontua, acrescentando que a granja também já iniciou mudanças nos manejos com foco na redução do uso de antimicrobianos.
Outra iniciativa de sustentabilidade que está sendo adotada na granja é o plantio de árvores entre os galpões para melhorar o microclima local. “Reduzindo a variação climática melhoramos o desempenho dos animais, e, consequentemente, aumentamos a produtividade e a rentabilidade da produção”, salienta Torres.
Inventário de carbono
Além disso, a granja possui um inventário de carbono, elaborado com base em métricas europeias, que detalha as emissões da Fazenda Memória e de toda a cadeia suinícola, incluindo desde a pegada de carbono associada ao cultivo e transporte de grãos até a produção de suínos, a fabricação de carne e sua distribuição. “ Como essas análises são baseadas em parâmetros europeus, é provável que, se fossem adaptadas ao sistema tropical, especialmente ao modelo brasileiro, o resultado apresentaria uma pegada de carbono significativamente menor”, enfatiza Torres.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Suínos
Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol
Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”
Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.
Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.
Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.
Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock
A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.
A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.
Produção segura e rentável
De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.
Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.



