Bovinos / Grãos / Máquinas
Fatores pouco abordados sobre mastite: além da desinfecção dos tetos
Os casos clínicos são fáceis de identificar, mas, apesar de serem mais traumáticos, não são os que geram maior prejuízo em uma propriedade
Artigo escrito por Petterson Souza Sima, zootecnista e mestre em Zootecnia e supervisor técnico nacional da Hypred Brasil
Há muito já é sabido que a mastite é uma das principais causas de prejuízos econômicos significativos ao produtor, com grande redução na produção e na qualidade do leite. O real custo da mastite depende de vários fatores, mas somando-se os investimentos em prevenção a todos os prejuízos decorrentes, com medicamentos, aumento da mão de obra, descarte de leite e de animais, cuidados veterinários e redução na produção, estimou-se em alguns trabalhos que os valores superam R$ 1 mil vaca/ano, chegando até R$ 1,6 mil vaca/ano em outros trabalhos, assim como custos relativos à renda bruta da fazenda variando entre 15 e 24%; enquanto os custos relacionados apenas à prevenção muitas vezes não superam 10% desse valor. Aqui, mais uma vez, prevenir é bem melhor do que remediar.
Os casos clínicos (MC) são fáceis de identificar, mas, apesar de serem mais traumáticos, não são os que geram maior prejuízo em uma propriedade. A mastite subclínica (MSC), promovendo redução na produção leiteira, é a responsável pela maior parcela do prejuízo na maioria dos casos; e muitas vezes não é contabilizado porque o produtor não precisa tirar dinheiro do bolso para pagar, pois o leite que se deixa de produzir é dinheiro que deixa de entrar no bolso. Uma perda “invisível”.
A contagem de células somáticas (CCS) é o critério mundialmente mais utilizado por indústrias, produtores e entidades governamentais para o monitoramento da mastite em nível individual, de rebanhos e para avaliação da qualidade do leite.
Pesquisas diversas estipulam o limite de 200 mil cels/mL para determinar um quadro de MSC. E vários são os trabalhos que indicam que vacas com CCS entre 200 e 500 mil cels/mL já apresentam perdas de 7 a 12%. A nível de rebanho (CCS no tanque), a mesma faixa de CCS representa uma redução média de 26% da produção do rebanho.
Sendo a mastite uma doença multifatorial, um trabalho sistêmico deve ser realizado para redução dos níveis de CCS e consequente ocorrência de mastites. Aspectos nutricionais e sistema imune, ambiência, sujidade no local de permanência dos animais, procedimento de ordenha adequado e higiênico, limpeza, desinfecção e manutenção do equipamento de ordenha, tratamento imediato de casos clínicos de mastite, tratamento de vaca seca no momento adequado (avaliação de dias em lactação) e com antibióticos eficientes, e descarte e segregação dos animais cronicamente infectados, são pontos usualmente abordados pela maioria dos produtores e profissionais do setor.
Tetos lesionados
Mas existem outros aspectos relacionados à ocorrência de mastite que nem sempre são lembrados. Podemos destacar o escore ou integridade dos tetos, sanitização dos conjuntos de ordenha entre cada vaca ordenhada e incidência de doenças com alta correlação com desenvolvimento de mastite, como doenças de casco.
A manutenção da integridade dos tetos é um ponto de enorme importância. A pele do teto é bastante delicada e sofre bastante com procedimentos e produtos agressivos, mesmo em vacas de raças mais rústicas. Estudos apontam que tetos lesionados tendem a um aumento de CCS e ocorrência de mastite.
Tetos lesionados possuem até sete vezes mais chance de apresentar diagnóstico positivo em CMT, comparado à tetos sadios. Pesquisadores avaliaram gravidade de lesão em mais de 1,2 mil tetos e observaram que tetos com lesões leves, moderadas e graves apresentavam, em média, níveis de CCS de 178, 306 e 412 mil cels/mL, respectivamente. Em outro trabalho, comparando tetos sadios e lesionados, observou-se médias respectivas de 372 e 659 mil cels/mL.
Tetos lesionados acumulam uma carga microbiana maior e, muitas vezes, são mais difíceis de se desinfetar e retirar toda a sujeira impregnada nas fissuras e rachaduras, aumentando a exposição do úbere a contaminações. Por tudo isso, o conceito de saúde de úbere como um todo é de grande importância.
Mais do que limpar e desinfetar os tetos, precisamos diminuir os efeitos agressivos do processo de ordenha e utilizar produtos de pré e pós-dipping que, mais do que apenas não agredir, promovam a saúde e integridade do teto com compostos que sejam eficientes na hidratação, renovação celular e cicatrização, a exemplo do ácido lático, LSA (ácido lático + ácido salicílico), aloe vera, glicerina, lanolina, entre muitos outros.
Sanitização das teteiras
Um dos grandes desafios na prevenção de novos casos de mastite é a contaminação cruzada entre as vacas. E hoje o principal vetor nesse processo são as teteiras, pois uma vaca infectada as contamina e expomos o úbere da próxima vaca a ser ordenhada àquele microrganismo. A sanitização de teteiras durante a ordenha é um manejo que visa controlar justamente essa contaminação cruzada, eliminando os microrganismos que foram depositados nas teteiras. Mas cuidados são necessário na adoção desse método.
O uso de produtos à base de cloro é comum, mas tem desvantagens. O cloro perde sua eficiência na presença de matéria orgânica, diminuindo sua ação ao longo da ordenha. Além disso, pode deixar resíduos de cloreto no leite a partir de sua utilização. Produtos à base de ácido peracético têm se mostrado uma ótima alternativa, principalmente quando formulados com estabilizantes adequados, pois além de terem maior espectro de ação contra microrganismos do que o cloro, não há reação de resíduo de cloreto no leite e apresenta boa eficiência mesmo na presença de matéria orgânica.
Para sanitização das teteiras, o modo de uso mais difundido é a sanitização no balde com solução, que, apesar do manejo fácil, apresenta desvantagens, como alta contaminação da solução por matéria orgânica, reduzindo a ação do princípio ativo, alto consumo de produto e grande risco de sugar a solução para a linha do leite.
O manejo com borrifador diretamente dentro das teteiras é muito mais seguro e eficiente, desde que utilize produtos estáveis, amplo espectro, rápida ação e eficazes mesmo na presença de matéria orgânica, além da economia por precisar de pouco volume de solução.
Doenças de casco
Por fim, outro fator que influencia no aumento de CCS e desenvolvimento de mastites são as doenças de casco. Estudos apontam incidência de manqueiras de 15 a 55% do plantel, em diversos rebanhos leiteiros no mundo. Devido à dor, vacas claudicantes passam muito tempo deitadas, o que permite que até 60% dessas vacas desenvolvam novos casos de MC, além da redução média na produção de até 9,3 kg de leite vaca/dia ou 36% da produção. Em outro estudo, houve um aumento de até 73% da CCS em vacas claudicantes.
Esses desafios estão presentes em nossa pecuária leiteira. Em muitas propriedades a mastite e controle de CCS é o maior desafio. Apenas com trabalho árduo e paixão pela atividade conseguiremos superar esse desafio e produzirmos leite de alta qualidade.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
