Avicultura
Farelo de amendoim em dieta de poedeiras: uma alternativa para reduzir os custos com alimentação
Estudo da Unesp mostra que a substituição do farelo de soja pelo farelo de amendoim mantém o desempenho das poedeiras e pode reduzir em até US$ 41,81 o custo por tonelada de ração, aumentando a lucratividade.


Isidro

Michele

Edney
Artigo escrito por Isidro Argentina Chemane, Universidade Estadual Paulista, Unesp, campus de Jaboticabal, Michele Bernardino de Lima, Universidade Estadual Paulista, Unesp, campus de Araçatuba e Edney Pereira da Silva Universidade Estadual Paulista, Unesp, campus de Jaboticabal
É sabido que os custos com alimentação de aves são expressivos, assim como em todo sistema de produção intensivo. Devido a representatividade da alimentação no custo total de produção, invariavelmente, a redução no custo com alimentação das aves afeta a margem de lucro e, no planejamento estratégico. As taxas de investimento e crescimento da atividade empresarial, especialmente, para pequenos produtores que têm acesso limitado ao mercado de capital ou simplesmente, o cenário econômico desfavorece o produtor captar recursos para investimento devido as altas taxas de juros.
Resta ao produtor buscar alternativas e dentre elas, os segmentos que sustentam a produção de ovos, a nutrição e alimentação do rebanho que é o segmento que representa um setor com grandes oportunidades para reduzir os custos e aumentar a lucratividade no negócio avícola. Isto porque não depende de investimentos para ser executada, apenas da convicção do Nutricionista em relação as alternativas que se apresentam como oportunidade para reduzir o custo com alimentação do rebanho. Por outro lado, o Nutricionista é ciente de sua responsabilidade e precisa de segurança para pautar, analisar e tomar a decisão sobre as alternativas que se apresentam como opções.
Existem inúmeras opções de alternativas aos ingredientes tradicionalmente utilizados nas rações de aves de postura, no entanto, poucas conseguem atender aos requisitos que são necessários, como: 1- Quantidade ofertada e regularidade na disponibilidade; 2 – Qualidade dos nutrientes e livre de contaminantes; 3 – Preço competitivo considerando a logística para entrega nas plantas de produção de rações. Dentre as opções, o farelo de amendoim, especialmente, no Estado de São Paulo, que é um importante produtor e processador de amendoim, emprega processos na indústria que fornece o farelo de amendoim com padrão de qualidade e, em escala para atender a demanda das empresas avícolas.
Esta é a segunda publicação no O Presente Rural sobre o farelo de amendoim. Na Edição 260, de abril de 2025, foi feita a primeira publicação dos resultados de desempenho de poedeiras alimentadas com níveis de farelo de amendoim em substituição ao farelo de soja. Na oportunidade, não foi encontrada diferença entre os níveis de inclusão de farelo de amendoim, especialmente, em relação ao nível de 100% de substituição do farelo de soja pelo farelo de amendoim com as devidas correções nas formulações das rações para manter os níveis nutricionais adequados. Nesta edição, foi realizado o exercício de análise econômica das formulações de rações e apresentação das variáveis econômicas calculadas a partir do desempenho das poedeiras.
Metodologia
O experimento foi conduzido na Unesp, campus de Jaboticabal, entre setembro e novembro de 2024 e teve duração de 10 semanas. Foram utilizadas 200 poedeiras, Hisex White com 72 semanas de idade, peso médio 1.584 g e taxa de postura de 95%. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente ao acaso, com cinco tratamentos (T1 – 0%, T2 – 25%, T3 – 50%, T4 – 75% e T5 – 100% de inclusão de farelo de amendoim) e dez repetições, de quatro aves cada. As aves foram alojadas no aviário experimental, equipado com bebedouros do tipo nipple, ventiladores, comedouros do tipo calha. As dietas foram formuladas de acordo com as recomendações da Tabelas Brasileiras de Aves e Suínos de 2024. O cenário econômico considerou, o preço em dólar (USD) do milho grão, farelo de soja e óleo de soja extraídos da bolsa de valores americana (Chicago Mercantile Exchange, USA). Os demais ingredientes foram obtidos localmente.

As variáveis de análise econômica foram calculadas considerando: consumo acumulado da ração (CRA, kg), quantidade de ovos produzidos (Q, unidades), preço da venda do ovo (PV, $), preço da ração (PR, $), receita bruta (RB $ = Q × PV), custo com alimentação (CA $= CRA × PR), lucro operacional (LO $ = RB-CA) e índice da lucratividade (IL % =LO÷RB×100). Todos os valores monetários foram obtidos ou convertidos em dólar. Foram utilizados os preços médios dos últimos dois anos dos ingredientes/nutrientes utilizados na formulação das rações (cinco níveis) (Tabela 1). Os dados foram submetidos a análise de variância e regressão, adotando o valor de 0,05 como nível de significância para rejeição da hipótese nula.
Resultados
Os resultados obtidos estão apresentados na Tabela 1. As variáveis de consumo acumulado da ração e quantidade de ovos produzidos não apresentaram diferença estatísticas (Tabela 1), o que mostra que a utilização de farelo de amendoim proporcionou o mesmo desempenho nas aves, especialmente, em relação a ração referência com farelo de soja e sem farelo de amendoim. Já o custo com alimentação decresceu à medida que aumentou o nível de inclusão de farelo de amendoim, o que foi coerente com o índice de lucratividade. A análise (regressão) do custo com alimentação demonstrou tendência linear decrescente, com a redução de USD 0,00029 a cada unidade percentual de inclusão do farelo de amendoim, a partir de 7,045%. Essa redução do custo com alimentação impacta no índice de lucratividade, o que revela que a inclusão do farelo de amendoim reduz o custo com alimentação, aumentando assim o índice de lucratividade. Os níveis de inclusão do farelo de amendoim de 25%, 50%, 75% e 100% proporcionam uma economia no custo da ração de USD 4,80; USD 16,77; USD 29,22 e USD 41,81 por tonelada de ração, respectivamente, em relação à ração referência, com inclusão do farelo de soja.
Tabela 2. Resultados para consumo acumulado da ração (CRA), quantidade de ovos produzidos (Q), receita bruta (RB), custo da alimentação (CA), lucro operacional (LO) e índice da lucratividade, obtidos de poedeiras comerciais, alimentadas com dietas com diferentes níveis de farelo de amendoim (FA) em substituição ao farelo de soja, no período de 72 a 82 semanas de idade.

Oscilação
O preço do farelo de soja oscila e é caro em comparação com outras fontes proteicas. A Embrapa em 2020 reportou que entre 1998 e 2018 a variação do preço de farelo de soja foi de aproximadamente 36%. Já o farelo de amendoim localmente disponível, entre 10 e 25% mais barato em comparação ao farelo de soja. Mas, ao incluir o farelo de amendoim, necessariamente, o perfil de aminoácidos da dieta precisa de correção e, mesmo usando as fontes industriais para corrigir, nesta pesquisa os resultados obtidos de desempenho e de simulação de análise econômica, mostrou ser uma opção para reduzir o custo com alimentação.
Portanto, considerando o nível máximo de substituição, o uso de farelo de amendoim proporcionaria de acordo com as simulações próximo de 41,81 USD/tonelada de ração, resultado que exerce impacto. É importante ressaltar que os resultados foram gerados em condições controladas e devem ser validadas in loco, dentro das granjas para ser encontrado o próprio nível ótimo econômico.

Figura. 1. Ração com inclusão do farelo de amendoim. T1 – 0%, T2 – 25%, T3 – 50%, T4 – 75% e T5 – 100% de inclusão de farelo de amendoim.
A versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

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que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



