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FAO premia programa brasileiro Balde Cheio da Embrapa

Reconhecido como referência global em sustentabilidade, o programa Balde Cheio transforma a pecuária leiteira brasileira com tecnologia, capacitação e aumento de produtividade no campo.

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Capacitação do Balde Cheio em um propriedade leiteira

O programa Balde Cheio, da Embrapa, foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) entre as melhores práticas e abordagens inovadoras do mundo que promovem a segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável e a transformação dos sistemas agroalimentares.

A Cerimônia Global foi realizada na sede da FAO, em Roma, na Itália, nesta quarta-feira, 15 de outubro. O evento faz parte da celebração do 80º aniversário da FAO e também do Fórum Mundial da Alimentação.

Estima-se que as propriedades integrantes do Balde Cheio têm produtividade anual quase quatro vezes maior por hectare ao ano do que a média geral brasileira. Essa diferença confirma a capacidade do programa em potencializar o desempenho do pecuarista. Esse resultado nas fazendas acompanhadas têm por trás várias tecnologias e conceitos utilizados de forma customizada, como sanidade animal, bem-estar, gerenciamento da propriedade, manejo intensivo de pastagens, estruturação de rebanhos, eficiência na reprodução e preservação ambiental. O método é baseado em cinco elementos-chave: anotações zootécnicas e econômicas; adaptação à complexidade e procura de inovações pela recombinação de tecnologias; testes e experimentação no âmbito da fazenda; rede para troca de informações e práticas; e, ritmo cadenciado de introdução da tecnologia, levando em conta a necessidade, o nível e a situação de cada produtor.

Foto: Shutterstock

Para o coordenador do Balde Cheio, André Novo, que também é chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste, um aspecto relevante comprovado com o reconhecimento da FAO é que o programa abrange múltiplas dimensões. “Além do impacto social e familiar, ele promove a recuperação de áreas de pastagens degradadas, protege mananciais, foca na saúde e no conforto animal e garante o cumprimento da legislação ambiental”, ressalta. Segundo ele, diferente de uma tecnologia pontual, o programa aborda a propriedade em sua totalidade, incluindo o entorno. É uma combinação de elementos econômicos, sociais, técnicos e arranjos institucionais.

A produção de leite média brasileira é de menos de 100 litros por dia. No programa, a maioria produz mais de 200 litros/dia (cerca de 75% dos participantes). Ou seja, dá para produzir mais e ganhar dinheiro.

De acordo com André Novo, recentemente, em um dia de campo em Potirendaba (SP), na região de Rio Preto, os participantes do evento visitaram uma família que está há oito anos no projeto. O produtor de leite iniciou no Balde Cheio com uma produção diária de 30 litros de leite. Atualmente, ele produz 600 litros de leite por dia. “Apesar das dificuldades e do esforço inicial, hoje ele vislumbra um futuro promissor para o filho, diferente do que teria sido possível no passado”, fala Novo.

O Programa

O Balde Cheio está presente em 15 est+ados e assiste a cerca de três mil produtores. Além disso, conta com mais de 70 parceiros que apoiam o processo de capacitação.

O programa foi criado em 1998 pelo pesquisador Artur Chinelato de Camargo, que atuou com a capacitação de técnicos e o acompanhamento das propriedades assistidas até sua aposentadoria.

Com a metodologia do Programa, o estabelecimento rural transforma-se em sala de aula, chamada de Unidade de Demonstração (UD), onde ocorrem capacitações e o compartilhamento de informações. Também, são ministradas aulas teóricas para extensionistas e produtores nas regiões de atuação do programa. Já as fazendas que apenas recebem assistência são denominadas Propriedades Assistidas (PAs).

Os produtores  e os técnicos capacitados trabalham em comum acordo buscando as melhores soluções. As escolhas das tecnologias são realizadas dependendo do estágio de desenvolvimento da propriedade e adaptada às condições locais.

Para participar do programa, o produtor deve cumprir alguns “combinados”, como, por exemplo, realizar exames anuais para detecção de brucelose e tuberculose, fazer o acordado com o consultor durante as visitas e anotar os controles zootécnicos e econômicos básicos da propriedade.

Outro fator importante para o sucesso do programa são as parcerias. São estabelecidas cooperações com serviços de extensão rural governamental, associações de produtores, cooperativas, organizações não governamentais, prefeituras, fundações, agências de desenvolvimento e, principalmente, profissionais autônomos ligados à extensão rural.

ODS 

O Balde Cheio contribui com o cumprimento da Agenda 2030 no país,  alinhado a vários Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, como ODS 1, de Erradicação da Pobreza, com a proposta de reduzir a proporção de pessoas, de todas as idades, que vivem na pobreza, especialmente no campo; ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, colaborando para acabar com a fome no campo e alcançar a segurança alimentar; ODS 3 – Saúde e bem-estar, assegurando uma vida saudável e o bem-estar para todos no campo; ODS 8 – Trabalho decente e Crescimento econômico, a diversificação e uso de tecnologias buscam agregar qualidade e valor aos produtos, a intensificação sustentável e o crescimento das pequenas e médias propriedades que produzem leite; ODS 10 – Redução das desigualdades, fomentando o desenvolvimento integral dos produtores e sua família.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste

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Rio Grande do Sul reforça monitoramento da gripe aviária após foco em aves silvestres

Equipes capacitam agentes de saúde, inspecionam propriedades rurais e intensificam vigilância sanitária na região da Reserva Ecológica do Taim.

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Foto: Divulgação/Seapi

O Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) realizou, até esta quata-feira (12), a capacitação de 186 agentes de saúde e da área social, além de reuniões com gestores municipais em Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Chuí.

As ações vêm sendo desenvolvidas desde a notificação do primeiro caso de gripe aviária em aves silvestres, registrada no fim de fevereiro deste ano na Reserva Ecológica do Taim. Até o momento, 23 aves das espécies cisne-coscoroba e garça-moura foram recolhidas com a doença.

Fiscal agropecuária do DDA, Rosane Collares: “Finalizamos as atividades previstas, mas seguiremos na região para monitorar e ampliar as ações conforme a necessidade” – Foto: Divulgação

Segundo o diretor do DDA, Fernando Groff, o Estado mantém estrutura preparada para enfrentar a enfermidade. “O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul está muito preparado para o enfrentamento da doença e segue atuando de forma permanente na região, com equipes em campo e ações coordenadas para enfrentar a gripe aviária e encerrar o foco o mais breve possível”, afirma.

A fiscal agropecuária do DDA, Rosane Collares, explica que as ações educativas e de articulação com os municípios continuam mesmo após a conclusão das atividades inicialmente previstas. “Finalizamos as atividades previstas, mas seguiremos na região para monitorar e ampliar as ações conforme a necessidade. Realizamos encontros nas três prefeituras, com reuniões individuais com gestores e também com agentes de saúde que, pela capilaridade, constituem um público muito importante na disseminação de informações nas comunidades”, ressalta.

Os encontros tiveram como objetivo atualizar gestores e profissionais sobre a situação sanitária e alinhar estratégias de prevenção e controle da doença. A articulação com autoridades locais e a capacitação de profissionais da saúde e da assistência social são consideradas medidas estratégicas para fortalecer a resposta ao foco.

As atividades também incluíram contato direto com a comunidade e reuniões com representantes das áreas de educação, saúde, meio ambiente, agricultura e defesa civil, realizadas de forma presencial e on-line. A educação sanitária é apontada como um componente essencial da defesa agropecuária, tanto na prevenção quanto no enfrentamento de enfermidades.

Inspeção sanitária em propriedades rurais

Entre as medidas adotadas está a realização de uma varredura sanitária em propriedades com criação de aves. Desde o início de março, equipes técnicas realizam vistorias em um raio de até 10 quilômetros do local onde foi identificado o foco.

Ao todo, serão inspecionadas 93 propriedades com criação de aves de subsistência no entorno da reserva, com verificação das condições sanitárias e da presença de possíveis sintomas nos animais.

Também foram realizadas inspeções em granjas comerciais da regional de Pelotas e vistorias em criatórios de aves ornamentais em Santa Vitória do Palmar, com o objetivo de avaliar as medidas de biosseguridade e reduzir o risco de disseminação do vírus para a produção avícola.

Foto: Cassiane Osorio Ascom/Seapi

Atuação integrada

O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) atua de forma integrada com equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na Lagoa da Mangueira, onde foi identificado o foco em aves silvestres da espécie cisne-coscoroba.

Entre as ações estão vistorias em campo, monitoramento das aves com embarcações e o uso de drones para acompanhar a lagoa e a área afetada.

As amostras coletadas são encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), responsável por confirmar ou descartar a presença do vírus.

Casos suspeitos

A Secretaria da Agricultura orienta que qualquer suspeita da doença, caracterizada por sinais respiratórios ou neurológicos, além de mortalidade súbita e elevada em aves, seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias.

As notificações podem ser feitas nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, pelo sistema e-Sisbravet ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: O Presente Rural com Seapi
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Entidades do agro defendem aumento da mistura de biodiesel no diesel

Manifesto propõe elevar percentual de 15% para 17% como estratégia para reforçar a segurança energética e reduzir dependência de importações.

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Foto: Sistema Faep

‌O Sistema Faep assinou, ao lado de outras entidades do setor agropecuário nacional, o manifesto “Pela Elevação da Mistura de Biodiesel como Estratégia de Segurança Energética e Desenvolvimento Nacional”. O documento, elaborado pelo Instituto Pensar Agropecuária (IPA), propõe ao governo federal o imediato aumento do percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17% (B17). A medida é estratégica para fortalecer a segurança energética do país e reduzir riscos de desabastecimento.

A iniciativa ocorre em meio ao cenário de preocupação com o mercado internacional de combustíveis, agravado pelas tensões no Oriente Médio, que podem afetar o fornecimento global de petróleo e derivados. No interior do Paraná, sindicatos rurais já relatam falta de combustíveis, insumo essencial para a produção mecanizada no campo.

“Ampliar a mistura significa reduzir a dependência do diesel importado, além de fortalecer a produção nacional e gerar mais renda e desenvolvimento no campo”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, que também integra o Conselho Executivo do IPA. “A medida contribui para dar mais previsibilidade ao setor produtivo e para os nossos produtores rurais, que precisam de segurança energética para continuar produzindo alimentos”, complementa.

O manifesto reforça que a elevação da mistura de biodiesel para 17% é uma medida estratégica, podendo ampliar a oferta interna de combustível, reduzir a dependência de importações e fortalecer a indústria nacional. Segundo as entidades, a iniciativa também garante maior previsibilidade para produtores, protege a economia de choques externos e acelera a transição energética por meio de biocombustíveis renováveis, em um período crítico para o escoamento da safra e para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Jornada 6×1: mais debate técnico, menos politicagem

Mudança na jornada de trabalho terá reflexos negativos significativos, com aumento do custo de produção e redução dos investimentos, colocando em risco o crescimento do país e comprometendo empregos.

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Foto: Shutterstock

O ano de 2026 promete intensas discussões em Brasília, com impactos diretos na população, ainda mais com as eleições programadas para outubro. Um tema que, certamente, vai atrair os holofotes é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de jornada de trabalho 6×1. Antes de qualquer decisão, é preciso um debate considerando pontos importantes.

O primeiro é simples e direto. A discussão precisa ser equilibrada, sem qualquer viés ideológico e/ou político. Nossos parlamentares precisam conhecer o real cenário, e não apenas buscar votos para eleição e/ou reeleição. Outro ponto é envolver o setor produtivo no debate, tanto as entidades representativas quanto os próprios empresários.

Do lado do setor agropecuário, já adianto: hoje não é possível reduzir a jornada de trabalho no Brasil! Num primeiro momento, o que pode parecer uma conquista para a sociedade será um grande desastre para o país.

Artigo escrito por Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.

O Brasil não está preparado para essa mudança em face de seu atraso tecnológico, resultado da política protecionista de nossos governos nas últimas décadas. Isso fica provado quando o país aparece na 67ª posição no ranking de produtividade e no 68° lugar em capacitação de mão de obra, segundo levantamento do Global Talent Competitiveness Index (GTCI), elaborado pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas (Insead), em parceria com o Portulans Institute.

Esses rankings significam que não temos condições de competir com outras economias globais, porque os sucessivos governos não atentaram para a necessidade de desenvolver tecnologia, aumentar a eficiência da mão de obra e implantar uma infraestrutura que pudesse ser facilitadora. É preciso reconhecer que estamos atrasados em relação aos demais players mundiais.

A mudança na jornada de trabalho terá reflexos negativos significativos, com aumento do custo de produção e redução dos investimentos, colocando em risco o crescimento do país e comprometendo empregos. Ou seja, não vai beneficiar o trabalhador!

Esse cenário desastroso será verificado em todos os setores – indústria, serviços e comércio. A agropecuária será severamente impactada. No meio rural, onde a jornada de trabalho é diferenciada, a mudança vai exigir dos produtores um aumento expressivo no número de novos trabalhadores – cada vez mais raros – para compensar a redução das horas trabalhadas. Basta ver as tarefas contínuas dos produtores de leite, aves, suínos, peixes e outras atividades que exigem atenção permanente, ao longo das 24 horas do dia, durante o ano inteiro. A obrigação de novas contratações certamente vai impactar os preços dos alimentos para a população.

A proposta do fim da escala de jornada de trabalho 6×1 não pode ser usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição. O bom senso recomenda que não mexamos nesse tema agora, para não ampliar a carga de problemas que pesam sobre o setor produtivo. Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Principalmente se a medida for elevar o preço do frango.

Fonte: Artigo escrito por Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
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