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FAO lança estratégia global para conter gripe aviária e reforça alerta sobre risco de pandemia

Plano 2024/2033 aposta em cooperação internacional, diagnóstico rápido, biossegurança e capacitação para frear avanço da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, que já soma quase 17 mil surtos no mundo e 2,5 mil nas Américas.

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Desde 2020, o mundo vive uma escalada nos casos de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP). Em menos de cinco anos, quase 17 mil surtos foram registrados globalmente, levando ao abate de milhões de aves e causando perdas econômicas, sociais e ambientais expressivas. Na América Latina e no Caribe, onde o vírus se disseminou a partir de 2022, já são cerca de 2,5 mil focos confirmados, afetando países com sistemas produtivos de alta relevância para a segurança alimentar regional.

Oficial regional de Saúde e Produção Animal para a América Latina e o Caribe da FAO, Andrés González: “A estratégia apresenta linhas técnicas concretas para monitorar o risco e atuar baseado nessa avaliação, com o principal objetivo de socializar, aprimorar essa estratégia e torná-la operacional” – Foto: Max Valencia/FAO

Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), lança a Estratégia Global 2024–2033 para a Prevenção e o Controle da IAAP, um plano ambicioso que busca orientar países sobre como prevenir e responder à doença sob o enfoque “Uma Só Saúde”, que integra saúde animal, humana e ambiental. “A estratégia apresenta linhas técnicas concretas para monitorar o risco e atuar baseado nessa avaliação, com o principal objetivo de socializar, aprimorar essa estratégia e torná-la operacional”, expõe o explica o oficial regional de Saúde e Produção Animal para a América Latina e o Caribe da FAO, Andrés González.

Entre os eixos centrais da nova estratégia, González destaca a necessidade de fortalecer os sistemas de vigilância e diagnóstico laboratorial. “É fundamental que os laboratórios estejam preparados para atuar quando for necessário. O diagnóstico rápido é o primeiro passo para conter a disseminação do vírus”, ressalta.

Outro ponto-chave é o investimento em biossegurança, conjunto de boas práticas voltadas à prevenção da entrada do vírus nas unidades de produção. “Queremos reforçar que a biossegurança é uma responsabilidade compartilhada, que depende do engajamento de produtores, técnicos e gestores públicos”, salienta o representante da FAO.

Cooperação intersetorial e vacinação
A estratégia também enfatiza a colaboração entre setores, uma abordagem que vai além dos serviços veterinários. “Não se trata apenas da atuação do serviço veterinário oficial. É essencial envolver também os órgãos de meio ambiente e de saúde, porque a Influenza Aviária não reconhece fronteiras entre espécies ou setores”, reforça González.

Sobre a vacinação, tema que vem ganhando espaço nos debates internacionais, o oficial da FAO é claro: “A FAO não determina ‘você vacina’ ou ‘você não vacina’, mas, em conjunto com a OMS, fornece diretrizes sobre como proceder e como obter o maior benefício da vacinação”, menciona.

Capacitação e articulação
O plano global também prevê programas contínuos de capacitação para equipes técnicas, produtores e comunidades rurais. “Queremos promover conhecimento e preparo, tanto para os profissionais dos serviços sanitários quanto para os produtores e para a comunidade em geral”, observa González.

A iniciativa inclui ainda o incentivo à articulação entre o setor público, o privado e a academia, para gerar conhecimento aplicado que beneficie toda a cadeia produtiva. “Nosso objetivo é que o conhecimento gerado seja útil para toda a cadeia de valor, não apenas para a produção, mas também para a indústria alimentícia e, sobretudo, para os consumidores”, reforça o representante da FAO.

Risco permanente
Embora os casos de gripe aviária em humanos sejam raros, a letalidade é alta. O maior temor dos especialistas é a possibilidade de mutações que permitam a transmissão entre pessoas, o que poderia transformar a doença em uma nova pandemia.

Por isso, o fortalecimento das defesas sanitárias nos sistemas de produção avícola é visto como uma prioridade global. “A gripe aviária é uma ameaça permanente à segurança alimentar e à saúde pública. Prevenir é a melhor e mais econômica forma de proteger não apenas as aves, mas também as pessoas”, enfatiza.

Cooperação regional para reduzir desigualdades
A implementação da nova estratégia global enfrenta um desafio recorrente: a desigualdade entre países. Enquanto algumas nações contam

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com sistemas de vigilância robustos, laboratórios equipados e protocolos consolidados, outras ainda carecem de estrutura básica para monitorar e responder aos surtos. “Um fator importantíssimo a se considerar é a diferença entre países exportadores e países não exportadores. O país que exporta já tem uma exigência maior do mercado para aprimorar sua capacidade de vigilância, de biossegurança, entre outros aspectos”, destaca González.

No contexto latino-americano, essa diferença se torna ainda mais evidente. González explica que a FAO adota uma abordagem regional, justamente para lidar com essas assimetrias. “Na América Latina e no Caribe, temos uma grande variedade de países e, portanto, capacidades muito distintas. Por isso fomentamos o trabalho regional. Se algo afeta um país vizinho, muito provavelmente pode chegar até mim, ainda mais no caso de doenças virais como a Influenza aviária, que pode atravessar fronteiras por meio de aves silvestres”, pontua.

Redes regionais fortalecem vigilância e resposta
Uma das iniciativas mais relevantes nessa direção é a Rede Sul-Americana de Luta contra a Influenza Aviária (Resudia), que integra os esforços de diversos países para fortalecer o alerta precoce e o diagnóstico laboratorial. O centro principal de ação da Resudia é o Laboratório Federal de Diagnóstico Agropecuário, em Campinas (SP), que serve como referência para todos os países da América do Sul. “Ele apoia os países na melhoria das capacidades diagnósticas e também na confirmação de resultados de Influenza aviária”, aponta González.

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A rede atua de forma colaborativa e solidária, suprindo lacunas estruturais nos países com menor capacidade técnica ou financeira. “Essa cooperação é fundamental. Há países que não têm recursos para comprar reagentes ou não possuem protocolos laboratoriais padronizados. Por meio da Resudia, conseguimos facilitar o acesso a esses insumos e processos”, comenta o oficial da FAO.

Brasil, Uruguai e Chile como referências
Entre os países que exercem papel de liderança na região estão Brasil, Uruguai e Chile, que se destacam pela sofisticação dos seus sistemas de vigilância e biossegurança. “Esses países são referência regional e ajudam os demais a elevar seu nível técnico e operacional. Assim, todos se beneficiam, tanto na capacitação de longo prazo quanto na resposta imediata a emergências”, enfatiza González.

A lógica é simples e estratégica: quanto mais preparados os vizinhos, menor o risco coletivo. “Quando uma emergência chega, a rede é ativada e o processo de resposta é muito mais rápido e coordenado”, completa o representante da FAO.

Com o avanço do vírus e a crescente pressão sobre os sistemas produtivos, a cooperação regional se tornou uma ferramenta essencial para garantir a segurança sanitária e alimentar. A nova Estratégia Global da FAO reforça esse caminho, apostando na integração entre países e setores para conter uma ameaça que ignora fronteiras. “A Influenza aviária é um problema de todos nós. E só vamos superá-la se trabalharmos juntos, compartilhando conhecimento e aprendizados”, enaltece González.

Fonte: O Presente Rural com informações da Agência Brasil

Avicultura

Frango congelado registra leve recuo no início de dezembro

Queda discreta no preço do quilo indica equilíbrio entre oferta e demanda no período pré-festas.

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Os preços do frango congelado no Estado de São Paulo registraram pequenas variações na primeira semana de dezembro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ESALQ).

Na segunda-feira (08), o quilo do produto foi negociado a R$ 8,09, apresentando queda diária de 0,12% e recuo mensal de 0,25%. Entre os dias 02 e 05 de dezembro, os preços permaneceram praticamente estáveis, variando entre R$ 8,10 e R$ 8,11 por quilo.

O comportamento de estabilidade nos primeiros dias do mês indica que o mercado do frango congelado enfrenta pouca pressão de alta ou baixa, refletindo equilíbrio entre oferta e demanda no estado. Apesar da leve redução registrada na segunda-feira, o recuo é discreto e não representa grandes alterações para consumidores ou atacadistas.

De acordo com especialistas do setor, pequenas oscilações como as observadas são comuns nesta época do ano, quando os negócios costumam se manter firmes enquanto produtores e distribuidores ajustam estoques para as festas de final de ano.

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura

Ácido deoxicólico se destaca como aliado estratégico na avicultura de corte

Suplementação com ácidos biliares preserva a saúde hepática, aumenta a eficiência alimentar e melhora rendimento de carcaça, elevando desempenho e rentabilidade na produção de frangos.

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Artigo escrito por Julio C.C. Carvalho, PhD, Nutrição Animal, zootecnista da Biotec e Marianne Kutschenko, MSc., Nutrição Animal, zootecnista da IcePharma

A avicultura de corte brasileira consolidou-se como uma das atividades mais competitivas do agronegócio mundial, sendo referência em eficiência produtiva e qualidade da proteína ofertada aos consumidores globais. Décadas de avanços em genética, nutrição, biosseguridade e manejo permitiram o desenvolvimento de aves modernas, capazes de atingir rápido crescimento, elevada conversão alimentar e altos rendimentos de carcaça em períodos cada vez mais curtos.

Entretanto, esse sucesso produtivo trouxe consigo um desafio crítico: a saúde hepática. O fígado, órgão central no metabolismo das aves, desempenha funções essenciais como metabolismo energético, síntese proteica, detoxificação, regulação imunológica e secreção de bile. Nas linhagens atuais, a sobrecarga metabólica frequentemente leva a distúrbios como esteatose, ascite e hepatite metabólica, comprometendo tanto o desempenho quanto a lucratividade.

Neste cenário, cresce o interesse por estratégias nutricionais capazes de proteger o fígado e sustentar a eficiência alimentar. Entre elas, destacam-se os ácidos biliares, especialmente o ácido deoxicólico (DCA) – presente em altas concentrações apenas em bile de origem bovina. Estudos recentes demonstram que o DCA atua além da digestão lipídica: ele regula a microbiota intestinal, modula o metabolismo hepático, e reduz a incidência de fígados gordurosos, consolidando-se como molécula-chave para sustentar desempenho e rentabilidade na avicultura moderna.

Assim, a manutenção da qualidade hepática deve ser reconhecida como parâmetro zootécnico essencial, tão relevante quanto ganho de peso ou conversão alimentar.

Qualidade hepática como indicador de desempenho

A avaliação do desempenho de frangos de corte tradicionalmente inclui parâmetros como consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar. Entretanto, evidências recentes indicam que tais indicadores devem ser complementados pela análise direta e indireta da saúde hepática. Fígados histologicamente preservados estão associados a melhor aproveitamento de energia e nutrientes, menor deposição de gordura abdominal, maior uniformidade dos lotes e menor taxa de condenações.

Portanto, a qualidade hepática emerge como novo marcador produtivo, integrando saúde, bem-estar animal e sustentabilidade do sistema. Aves com fígados comprometidos demandam mais nutrientes, apresentam menor resiliência imunológica e aumentam os custos de produção.

Ácidos biliares como solução estratégica

Entre as estratégias nutricionais voltadas à proteção hepática, os ácidos biliares destacam-se por sua função multifatorial. Produzidos a partir do colesterol hepático, essas moléculas anfipáticas atuam tanto na digestão de lipídios e absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), quanto como moduladores metabólicos e imunológicos.

Em um ensaio de inibição do crescimento de C. perfringens, pesquisadores investigaram o papel do DCA no controle da enterite necrótica (NE) em frangos causada por Clostridium perfringens. A NE é uma doença intestinal grave que afeta a produção avícola, especialmente com a redução do uso de antibióticos. O DCA inibiu 82,8% do crescimento de C. perfringens in vitro enquanto outros ácidos biliares, como TCA e CA, apresentaram inibição muito menor (16,4% e 8,2%, respectivamente). O DCA reduziu mais de 95% da invasão de C. perfringens nos tecidos ileais e diminuiu a expressão de mediadores inflamatórios no tecido ileal: Infγ: redução de 51%; Litaf (Tnfα): redução de 82%; Mmp9: redução de 93%. Por sua vez, a suplementação com Ácido Cólico (AC) não promoveu os mesmos resultados que o DCA. Assim sendo, o perfil de ácidos biliares é importante para os resultados da suplementação.

Figura 1. (WANG et al., 2019) DCA atenua a inflamação intestinal induzida por NE. As aves foram infectadas com Eimeria maxima aos 18 dias de idade e Clostridium perfringens aos 23 e 24 dias de idade. (A) Coloração H&E mostrando imagens representativas da histologia intestinal. (B) Quantificação da pontuação de danos histológicos intestinais. Todos os gráficos representam média ± SEM. *P < 0,05; **P < 0,01. NE + CA: aves com NE alimentadas com dieta contendo CA; NE + DCA: aves com NE alimentadas com dieta contendo DCA. Setas amarelas: infiltração de células imunológicas; seta verde: fusão de vilosidades e criptas.

Na avicultura, a suplementação com ácidos biliares promove:

Proteção hepática e redução de fígados gordurosos;

Otimização da digestibilidade lipídica e maior eficiência energética da dieta;

Melhor aproveitamento de cálcio e fósforo;

Apoio imunológico e ação antioxidante, reduzindo estresse metabólico.

Enquanto a suplementação de ácido deoxicólico promove:

Redução e controle da inflamação associada à Enterite Necrótica, oferecendo novas abordagens para o controle de doenças intestinais em aves;

Modulação da microbiota intestinal e na prevenção de enterites.

Perfil de ácidos biliares e relevância do ácido deoxicólico

A composição de ácidos biliares varia entre espécies: aves apresentam predominância de CDCA, TLCA e T-α-MCA; suínos apresentam HDCA em proporções elevadas; já os bovinos possuem perfis ricos em ácido cólico (CA) e, sobretudo, ácido deoxicólico (DCA).

A suplementação com perfis ricos em DCA, portanto, é a que gera efeitos metabólicos consistentes sobre digestibilidade lipídica, proteção hepática e desempenho produtivo. Misturas derivadas de aves e suínos, desprovidas de DCA, apresentam impacto limitado.

Tabela 1. Comparação da composição de ácidos biliares entre espécies e seus efeitos metabólicos

Evidências científicas nacionais

Entre 2024 e 2025, universidades brasileiras como a UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a UFLA (Universidade Federal de Lavras) conduziram ensaios controlados com frangos de corte para avaliar os efeitos da suplementação com Ácido Deoxicólico (produto comercial de origem bovina e nacional). Esses estudos foram pioneiros em integrar parâmetros clássicos de desempenho (ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar) com avaliações complementares de enzimas hepáticas, histologia intestinal, qualidade óssea e rendimento de carcaça, gerando evidências consistentes sobre a relevância fisiológica e zootécnica dessa molécula.

1. Desempenho produtivo

Nos experimentos conduzidos, a inclusão de ácidos biliares promoveu diferenças estatísticas significativas (p<0,05) para as variáveis de desempenho.

Ganho de peso corporal: O grupo tratado apresentou o melhor resultado absoluto (3,263 kg) em comparação ao controle negativo (2,890 kg), representando +12,9% de incremento no ganho de peso.

Conversão alimentar (FCR): A variável mais sensível ao efeito da suplementação. O grupo tratado apresentou a melhor conversão (1,436) relação ao controle negativo (1,600), houve melhora de -10,3% na FCR, mostrando maior eficiência no aproveitamento da dieta.

2. Rendimento de carcaça e cortes comerciais

Em um experimento posterior, conduzido até os 42 dias de idade, avaliou-se o rendimento de carcaça e cortes comerciais, além da deposição de gordura abdominal.

Peso de carcaça: aumento de +2,0% com a suplementação (2682 g vs. 2629 g no controle).

Peito: apresentou tendência de aumento (+3,8%; 1059 g vs. 1021 g), embora não significativo estatisticamente (p=0,0986).

Pernas: apresentaram ganho de +2,0% em peso absoluto (823 g vs. 807 g).

Gordura abdominal: redução significativa de -10,4% com a suplementação (41,7 g vs. 46,5 g)

Figura 2. A inclusão de Ácidos Biliares aumenta o rendimento de carcaça (%)

Figura 3. A inclusão de Ácidos Biliares aumenta o rendimento de peito e perna

Figura 4. A inclusão de Ácidos Biliares reduz a gordura abdominal

Esses resultados mostram que o ácido deoxicólico não apenas sustenta o ganho de peso e a eficiência alimentar, mas também promove melhor qualidade de carcaça, com cortes valorizados e menor acúmulo de gordura, o que é especialmente importante para a rentabilidade do negócio.

3. Parâmetros hepáticos

Os estudos reportaram ainda melhora expressiva na homogeneidade e coloração hepática, redução expressiva de fígado gorduroso e mais preservado histologicamente nos grupos suplementados. Isso indica que o ácido deoxicólico reduz a sobrecarga metabólica do fígado, contribuindo para menor taxa de condenações em abatedouros e maior uniformidade entre os lotes.

4. Absorção mineral e qualidade óssea

O NDP (nucleotídeos de desoxipiridinolina) é um marcador de reabsorção óssea, que reflete a atividade dos osteoclastos (células que degradam a matriz óssea). Altos níveis de NDP: significam maior degradação óssea → ossos mais frágeis e predispostos a fraturas. Baixos níveis de NDP: indicam menor reabsorção óssea → ossos mais conservados, fortes e resistentes.

A suplementação com ácidos biliares apresentou resultados consistentes sobre a mineralização óssea:

Absorbância sérica: indicador da capacidade de absorção de cálcio e fósforo. Nos tratamentos com Ácido Deoxicólico, observou-se aumento de +15,5% em comparação aos controles. Esse efeito se traduz em melhor aproveitamento da dieta e redução da necessidade de suplementação com minerais inorgânicos, impactando diretamente o custo da formulação.

Resistência óssea: o grupo tratado apresentou o maior valor (0,374 kgf/cm²; +7,2%) em relação ao grupo controle. Em contraste, o produto comercial sem DCA apresentou resistência inferior (0,335; -4,0%). Ossos mais resistentes resultam em menor incidência de fraturas, melhorando o bem-estar e reduzindo perdas por condenação.

Tempo de ruptura óssea: indicador da resiliência estrutural. O grupo tratado apresentou o melhor resultado absoluto (100,77 s; +65,9% em relação ao controle de 60,73 s), evidenciando ossos mais duradouros e menos suscetíveis a fraturas durante transporte e processamento.

Isso representa maior integridade esquelética, fundamental para sustentar o rápido ganho de peso dos frangos modernos, reduzir problemas locomotores, aumentar o bem-estar animal e melhorar a eficiência produtiva.

5. Síntese dos resultados práticos

Os resultados preliminares dos estudos nacionais confirmam que a suplementação com Ácido Deoxicólico:

Manteve ou melhorou o desempenho em dietas com redução de energia metabolizável (–87 kcal/kg), gerando economia líquida de ~US$ 3,30/ton de ração;

Reduziu significativamente lesões hepáticas e melhorou a uniformidade dos fígados;

Aumentou o rendimento de carcaça (+2,0%), peito (+3,8%) e pernas (+2,0%);

Melhorou a conversão alimentar em até -10,3%, reduzindo custos de produção;

Favoreceu a absorção mineral (+15,5%), diminuindo a necessidade de fontes inorgânicas;

Elevou a resistência óssea (+7,2%) e o tempo de ruptura (+65,9%), reduzindo problemas locomotores;

Reduziu gordura abdominal em -10,4%, favorecendo carcaças mais magras e valorizadas.

Essas evidências demonstram que o ácido deoxicólico vai além da digestão lipídica, atuando como ferramenta multifuncional para preservação hepática, suporte esquelético, eficiência alimentar e melhoria da qualidade de carcaça.

Conclusão

A produção intensiva de frangos de corte depende da preservação do fígado como órgão-chave do metabolismo. A suplementação com ácidos biliares, particularmente aqueles ricos em ácido deoxicólico, consolida-se como uma ferramenta estratégica capaz de:

Reduzir condenações por lesões hepáticas;

Melhorar rendimento de carcaça e cortes comerciais;

Aumentar absorção mineral e qualidade esquelética;

Otimizar a eficiência;

Melhorar a rentabilidade.

A suplementação com Ácido Deoxicólico alia ciência, inovação e sustentabilidade, garantindo não apenas bem-estar animal, mas também competitividade econômica para produtores e integradores.

versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Avicultura gaúcha reforça posição estratégica para o desenvolvimento econômico do estado e do Brasil

Setor sustenta milhares de empregos, mantém exportações expressivas e projeta crescimento para 2026.

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Fotos: Divulgação/Asgav

A avicultura do Rio Grande do Sul encerra 2025 reafirmando sua força como uma das cadeias produtivas mais relevantes para a economia estadual e nacional. Mesmo diante de adversidades sanitárias que pressionaram o desempenho das exportações, o setor manteve estabilidade na produção, assegurou receita expressiva nas vendas internacionais e reforçou seu papel como motor de geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

Dados atualizados pela Associação Gaúcha de Avicultura e pelo Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas do Estado do Rio Grande do Sul (Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav)/Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do RS (Sipargs)), com base em projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e em análise do desempenho local, mostram que o Estado segue como destaque nacional no segmento. O Rio Grande do Sul permanece como o terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil e líder nacional nas exportações de ovos em 2024, posição que deve manter o estado entre os principais exportadores de ovos no ano vigente.

Em 2025, o Estado deverá alcançar 802,2 milhões de aves abatidas, alta de 0,7% frente ao ano anterior, confirmando estabilidade produtiva em um cenário de pressão de mercado. As exportações de carne de frango devem somar 679,9 mil toneladas, queda moderada de 1,7%, muito inferior ao recuo superior a 10% inicialmente projetado após o registro da Influenza Aviária no RS. No faturamento, o setor deve encerrar o ano em US$ 1,2 bilhão, redução suave de 1,4% em relação a 2024, mantendo solidez econômica.

Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, os resultados demonstram a competência técnica e a rápida resposta do setor, articulada com instituições estaduais e nacionais.

“Este ano ficará registrado como uma grande demonstração de resiliência da avicultura gaúcha. Mesmo diante de embargos importantes e desafios sanitários que poderiam ter causado impactos muito maiores, conseguimos preservar a produção, manter empregos e proteger mercados estratégicos. A atuação conjunta com a ABPA, o Ministério da Agricultura e o Governo do Estado foi fundamental para superar os momentos mais críticos e assegurar estabilidade para o setor”, afirma.

O segmento de ovos também mantém contribuição fundamental ao desempenho estadual: a produção deve alcançar 3,4 bilhões de unidades em 2025, incremento de 2,4% sobre o ciclo anterior. Embora o volume exportado tenha recuado 6,1%, reflexo de restrições sanitárias em mercados como o Chile, a valorização global do produto compensou a queda e impulsionou o faturamento, que deve chegar a US$ 22,5 milhões, avanço expressivo de 31,9% em comparação com 2024.

Projeção positiva para 2026

Com elevada participação no agronegócio e impacto direto nas economias municipais, a avicultura gaúcha segue essencial para manter o Brasil entre os maiores supridores mundiais de proteína animal. A expectativa para 2026 é de recuperação ainda mais intensa nas exportações: crescimento entre 3% e 4% na carne de frango e entre 20% e 30% no segmento de ovos.

Santos reforça o otimismo. “Estamos muito confiantes de que 2026 será um ano de retomada vigorosa, com expansão das exportações de carne de aves e novos avanços no segmento de ovos, impulsionados por investimentos em modernização, competitividade industrial e biosseguridade”, disse.

Com resultados consistentes mesmo em meio a adversidades, o setor encerra 2025 com resiliência comprovada e preparado para um novo ciclo de crescimento, mantendo o Rio Grande do Sul em posição estratégica no mercado global de proteína animal.

Fonte: Assessoria O.A.RS/Asgav/Sipargs
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