Peixes
FAO e Brasil lançam etapa de campo de projeto pioneiro para aquicultura em pequena escala
Projeto busca promover a inovação tecnológica e organizacional para pequenos produtores aquícolas nas regiões Norte e Nordeste.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com a Secretaria Nacional de Aquicultura (SNA) do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), lançaram em dezembro a fase de campo de um programa voltado para o desenvolvimento da aquicultura no país. O projeto busca promover a inovação tecnológica e organizacional para pequenos produtores aquícolas nas regiões Norte e Nordeste.

Representante da FAO no Brasil, Jorge Meza: “Pequenos produtores aquícolas precisam ser fortalecidos, pois eles fortalecem o país, e essa iniciativa tem enorme potencial para isso, especialmente trabalhando ao lado de parceiros como os que estão aqui hoje” – Fotos: Divulgação/FAO
Entre as principais ações da iniciativa está o desenvolvimento de uma ferramenta digital que oferecerá diagnósticos personalizados e planos de ação para aquicultores de pequena escala. A partir dessa plataforma, extensionistas, oferecidos pelo Sebrae, apoiarão os produtores na implementação de estratégias que aumentem a produtividade e a rentabilidade. Associações e cooperativas também serão capacitadas, para aprimorar suas capacidades técnicas e gerenciais.
O Representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, lembrou que a aquicultura continental já superou em volume a produção e pesca marítima e que o Brasil ainda tem muito a crescer nessa área. “Pequenos produtores aquícolas precisam ser fortalecidos, pois eles fortalecem o país, e essa iniciativa tem enorme potencial para isso, especialmente trabalhando ao lado de parceiros como os que estão aqui hoje. Uma das palavras chaves do projeto é inovação e, para isso, articulação é essencial”, destacou.
O ministro André de Paula também destacou o esforço coletivo realizado para o desenvolvimento do programa e ressaltou o alinhamento com os compromissos do ministério. “Esse projeto tem um conjunto de valores muito caros ao governo do presidente Lula. Nos ajuda no combate à fome e na segurança alimentar e tem como objetivo fortalecer o pequeno produtor, viabilizar sua atividade econômica, assegurar o seu retorno e permitir o avanço na sua produção”, sublinhou.
Implementação

Coordenadora do projeto na FAO, Giselle Duarte: “Serve como um catalisador para uma nova fase, para que esse projeto e essa iniciativa se repitam em outras regiões, em outros estados do Brasil”
O programa vai a campo a partir de janeiro, no estado de Alagoas, e terá uma duração de curto-prazo. “Serve como um catalisador para uma nova fase, para que esse projeto e essa iniciativa se repitam em outras regiões, em outros estados do Brasil”, explicou Giselle Duarte, coordenadora do projeto na FAO. Segundo ela, a ideia é fortalecer o cooperativismo e o associativismo no Nordeste, tendo como referência as experiências do Sul do país, já bastante consolidadas.
Felipe Matias, consultor da FAO para o projeto, explica que metade da produção da aquicultura brasileira é de pequenos e médios produtores, que produzem e comercializam de forma independente, enfrentando altos custos, “especialmente desde a pandemia, quando se viram obrigados a reduzir a produção”. Por isso, a chave da iniciativa é trabalhar com inovação para redução de custos.
Nesse sentido, a grande novidade para os produtores será a assistência técnica digital. “Não é o pequeno produtor que vai ter que se digitalizar, é o extensionista que tem que ser treinado para isso e deve manter o contato com o produtor. Repassar é a missão do extensionista”, destaca Matias.
Aquicultura no mundo
Os sistemas aquáticos têm sido cada vez mais reconhecidos por contribuírem para a segurança alimentar e a nutrição, aliviar a pobreza e impulsionar o desenvolvimento socioeconômico, enquanto mantêm um baixo impacto ambiental. Mais baratos e acessíveis, as proteínas de origem aquática tendem a ser mais consumidas em países de menor renda relativa e são fontes de nutrientes essenciais.
Tendo em vista os benefícios desses alimentos, seu cultivo tem sido ampliado. Em 2022, pela primeira vez, a aquicultura superou a pesca extrativa na produção de animais aquáticos, com 94,4 milhões de toneladas, representando 51% do total mundial, segundo dados do relatório “Estado da pesca e aquicultura”, da FAO.
A produção da aquicultura já superou a da pesca extrativa em vários países há anos, especialmente nos principais produtores, como China, Índia, Vietnã e Bangladesh. Contudo, a aquicultura continua sendo dominada por um pequeno número de países. A Ásia concentra quase 90% da produção total, e muitos países ainda não exploram todo o seu potencial. As Américas, segunda maior região produtora, fornece apenas 5,2% do total global.
Em 2022, o Brasil produziu 738 mil toneladas de animais aquáticos por meio da aquicultura, representando 14,9% da produção das Américas. Esse número reflete um crescimento notável desde o ano 2000, quando o país produzia apenas 172 mil toneladas. Com essa expansão, hoje o país ocupa a 13ª posição global na produção de aquicultura de animais aquáticos e a 9ª posição em crustáceos.
Melhorias nas avaliações de estoques, dados socioeconômicos e técnicos revisados e inovações digitais, como as propostas pelo projeto no Brasil, fornecem informações mais precisas e fortalecem a “Transformação Azul em ação”. Dados e análises aprimorados informam os debates globais de políticas e orientam as iniciativas da FAO para uma gestão eficaz da pesca e da aquicultura em níveis nacional, regional e global.

Peixes
Após um 2025 instável, mercado da tilápia aposta em melhora em 2026
Com consumo limitado ao longo do ano, setor mira cenário mais favorável no próximo período.

O setor brasileiro de tilápia enfrentou um ano desafiador em 2025, marcado por pressão sobre preços e retração em alguns indicadores do mercado. Entre os principais fatores que impactaram a atividade estiveram a imposição de sobretaxas pelos Estados Unidos às importações, a liberação da entrada de tilápias do Vietnã no mercado nacional e a elevação do pescado nas espécies exóticas invasoras, conforme apontam dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) no Panorama Pecuário.
O consumo interno mostrou-se limitado ao longo do ano, enquanto os preços reais ao produtor registraram queda. Na região de Grande Lago (SP), o valor médio pago ao produtor foi de R$ 12 por quilo em 2025, recuo de 12% em relação a 2024, segundo dados deflacionados pelo IGP-DI. A pressão sobre as cotações esteve associada, principalmente, à oferta elevada de animais.
Entre os destaques do ano, o Cepea aponta redução de 12% nos preços da tilápia em termos reais na região dos Grandes Lagos. Por outro lado, houve crescimento de 19,2% no volume de alevinos e juvenis comercializados no mercado, indicando movimento de reposição produtiva. Já no segundo semestre, considerado fraco para o setor, as exportações recuaram 1%, impactadas pela taxação dos Estados Unidos.
Outro ponto observado em 2025 foi o aumento de 5,7% na biomassa de tilápia nas regiões acompanhadas pelo Cepea, reflexo direto da maior disponibilidade de peixes no mercado.
No segmento de carne, o preço do filé de tilápia caiu 19% em janeiro de 2025 na comparação com janeiro de 2024, no atacado do estado de São Paulo. Em termos reais, a retração chegou a 20%, refletindo a demanda enfraquecida.
A análise dos preços ao longo dos últimos anos mostra que, em termos reais, as cotações do filé de tilápia vêm operando em patamar mais baixo desde setembro de 2025, cenário atribuído à menor oferta naquele período.
Para 2026, a perspectiva do Cepea indica que o mercado brasileiro de tilápia seguirá influenciado por fatores externos, especialmente as importações de pescado, com destaque para o Vietnã. A expectativa é de maior disponibilidade de tilápia no primeiro semestre, período em que o setor busca atender uma demanda tradicionalmente mais aquecida, impulsionada pela Quaresma. A produção, segundo o Cepea, está preparada para atender possíveis oscilações de consumo ao longo do próximo ano.
Peixes
Selo da Pesca Artesanal passa a identificar origem e valorizar produção tradicional
Nova certificação reconhece produtos da pesca artesanal, fortalece a renda dos pescadores e amplia acesso a mercados públicos e privados.

Com a finalidade de valorizar o trabalho dos pescadores e pescadoras artesanais, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), instituiu o Selo da Pesca Artesanal do Brasil – Identificação de Origem. O selo foi criado por meio da Portaria Interministerial MDA/MPA nº 14, de 23 de dezembro de 2025.
Na prática, pescadores e pescadoras podem solicitar o selo, desde que estejam inscritos no Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), do MDA, e no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), na categoria de Pescador ou Pescadora Profissional Artesanal, com licença em situação ativa ou deferida, emitida pelo MPA.

Foto: Denis Ferreira Netto
A iniciativa visa fortalecer as etapas de distribuição e comercialização dos produtos tradicionais da pesca artesanal. Com o selo, pescadores e pescadoras certificam que seus produtos atendem aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado e são oriundos de comunidades tradicionais, valorizando não apenas o trabalho, mas também a economia e a cultura locais.
Associações, cooperativas e outras organizações que produzam ou comercializem produtos da pesca artesanal também podem solicitar o selo, desde que, no mínimo, 50% dos membros de sua diretoria possuam RGP ativo.
De acordo com o diretor do Departamento de Inclusão Produtiva e Inovações do MPA, Quêner Chaves, o selo fortalece a comercialização junto ao mercado de compras públicas, com destaque para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o (Programa de Aquisição de Alimentos) PAA, além do mercado privado e da exportação.
Ele, que atua na Secretaria Nacional da Pesca Artesanal do MPA, afirma que o selo contribui para a garantia dos estoques pesqueiros artesanais. “Essa ação possibilita o aumento da renda dos pescadores e pescadoras e garante a qualidade do produto junto aos consumidores”, acrescenta.
O secretário nacional da Pesca Artesanal, Cristiano Ramalho, reforça que o selo atende às inúmeras demandas oriundas das Plenárias Regionais e Livres, bem como da Plenária Nacional do 1º Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA). “O selo está ligado às ações do Programa Povos da Pesca Artesanal. Ou seja, é uma conquista coletiva das pescadoras e pescadores artesanais do Brasil”, destaca.
Clique aqui e confira a portaria completa.
Peixes
Tilápia lidera consumo de pescado no Brasil e impulsiona a piscicultura nacional
Produção cresce a dois dígitos há mais de uma década, consolida novos polos no interior e transforma a espécie em símbolo de modernização do setor aquícola.

De nicho de mercado a protagonista do prato do brasileiro, a tilápia se tornou o pescado mais consumido do país e um dos motores do avanço da piscicultura nacional. O ritmo de crescimento, que vem se mantendo por mais de uma década, simboliza não apenas a maturidade do setor, mas também uma mudança profunda nos hábitos alimentares do consumidor.
Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção e o consumo da espécie vêm crescendo a uma média anual de 10,3% nos últimos 11 anos, o melhor desempenho entre todas as proteínas animais produzidas no Brasil. Para o presidente da entidade, Francisco Medeiros, o sucesso da tilápia não é obra do acaso. “A tilápia reúne características que a tornam única no mercado: é um peixe de carne branca, sabor suave, sem espinhas e com padrão consistente. Agrada desde o consumidor que busca praticidade até o que valoriza qualidade e saudabilidade”, exalta Medeiros.
O executivo destaca que a tilápia é um produto de cultivo, com produção controlada e oferta estável, o que garante previsibilidade tanto para o mercado quanto para o produtor. “Além da qualidade, o cultivo oferece segurança e regularidade de abastecimento, permitindo que toda a cadeia – do criador ao varejo – trabalhe com planejamento e eficiência”, complementa.
Essa previsibilidade é um diferencial importante em um cenário de maior exigência do consumidor. Medeiros observa que a busca global por alimentos mais saudáveis, sustentáveis e práticos impulsionou ainda mais a aceitação da tilápia. “O mundo está mudando a forma de se alimentar, e o peixe se encaixa perfeitamente nesse novo padrão. É leve, nutritivo e versátil, pode ser grelhado, assado, empanado e até consumido cru, em pratos como o ceviche”, salienta.
Expansão e interiorização

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “A tilápia é a vitrine da aquicultura brasileira, um produto de qualidade, previsível e com enorme potencial para crescer ainda mais” – Foto: Divulgação/Peixe BR
O avanço da espécie também reflete a interiorização da produção. Tradicionalmente concentrado no litoral, o consumo de peixes se espalhou pelo país com a expansão dos polos de cultivo em estados do interior, como Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia. “O cultivo em água doce democratizou o acesso ao pescado. Hoje, o brasileiro do interior tem peixe fresco com a mesma regularidade e qualidade que o consumidor do litoral”, afirma o presidente da Peixe BR.
Essa nova geografia da piscicultura transformou a tilápia em símbolo de modernização e profissionalização do setor. Investimentos em genética, nutrição, manejo e industrialização deram origem a um produto com padrão de qualidade semelhante ao das principais proteínas exportadas pelo Brasil. “A tilápia é a vitrine da aquicultura brasileira”, ressalta Medeiros, enfatizando: “É a espécie que abriu caminho para o reconhecimento do peixe cultivado como uma proteína de valor agregado, com rastreabilidade, qualidade sanitária e potencial de exportação.”
Produção nacional cresce 20% em 2024
O bom momento do setor é confirmado no Boletim da Aquicultura em Águas da União 2024, divulgado recentemente pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em que mostra que a produção aquícola nacional cresceu 20% em relação a 2023, totalizando 148,5 mil toneladas de pescados cultivados em águas da União.
O levantamento, considerado a fonte mais completa sobre a atividade, também trouxe avanços inéditos: pela primeira vez foi possível rastrear a origem dos alevinos utilizados em tanques-rede e calcular o Valor Bruto da Produção (VBP) da aquicultura em águas da União, que alcançou R$ 1,26 bilhão.
A secretária nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula, destacou que os números reforçam a relevância econômica e social do setor. “O Boletim de Aquicultura em Águas da União 2024 é essencial para a condução das políticas públicas voltadas ao setor. Os dados apresentados dão visibilidade à aquicultura nacional e refletem o empenho da equipe do MPA. Com essas informações, poderemos aprimorar as condições de cultivo em todo o país, fortalecendo a atividade e ampliando seu impacto positivo”, afirmou.
A diretora de Águas da União, Juliana Lopes, ressaltou que o avanço da rastreabilidade e a mensuração do VBP representam um marco para a cadeia produtiva. “Os dados são inéditos e fundamentais para o setor. Pela primeira vez, conseguimos calcular o valor bruto da produção e rastrear a origem dos alevinos, o que fortalece a transparência da cadeia e permite políticas públicas mais alinhadas à realidade dos produtores”, explicou.
Futuro promissor
O futuro, segundo ele, continua promissor. A projeção da Peixe BR para a próxima década é de manutenção do ritmo de crescimento observado nos últimos 10 anos, impulsionado por novos investimentos e pela consolidação de um consumo mais consciente e diversificado. “O brasileiro está aprendendo a consumir peixe, e a tilápia tem sido a porta de entrada para essa mudança cultural”, observa.
Desafios do setor
Ainda assim, os desafios permanecem. Medeiros alerta para a necessidade de reduzir entraves regulatórios e estimular políticas públicas de incentivo à piscicultura, além de enfrentar o impacto da perda do poder de compra da população. “O setor já demonstrou sua capacidade produtiva. Agora, precisamos avançar em um ambiente regulatório mais moderno, que acompanhe o ritmo da inovação e da demanda do mercado”, defende.
Com um mercado interno em expansão, investimentos em curso e reconhecimento crescente, a tilápia ultrapassa a fronteira da produção para se tornar uma marca nacional, símbolo de um setor que alia tecnologia, sustentabilidade e inclusão produtiva. “A tilápia representa o sucesso da piscicultura brasileira”, ressalta Medeiros. “É a prova de que o Brasil pode ser referência mundial não só em carnes, mas também em peixes cultivados de alta qualidade”, emenda.
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