Peixes
Falta de investimentos trava piscicultura no Amazonas; produção recua 25% em 2024
Crédito escasso, insegurança jurídica e falta de regras claras dificultam o crescimento do setor.

A piscicultura no Amazonas enfrenta um cenário desafiador. Apesar de ser o maior mercado de tambaqui de cultivo do Brasil e sustentar a produção em Rondônia e Roraima, o estado viu sua produção recuar 25,36% em 2024 em relação ao ano anterior. O setor aponta a falta de crédito, a insegurança jurídica ambiental e a ausência de regras claras como os principais entraves para atrair novos investimentos e retomar o crescimento.

Foto: Gilberto Batista Viana Filho
Segundo dados da Peixe BR, a produção amazonense caiu de 20.500 toneladas em 2023 para apenas 15.300 toneladas em 2024, um desempenho abaixo do esperado. O estado não cultiva tilápia, ficando restrito à criação de peixes nativos, o que amplia ainda mais os desafios de competitividade frente a outras regiões que já superaram os obstáculos enfrentados pelo Amazonas.
Falta de apoio e perda de competitividade
Os produtores locais sentem a perda de competitividade diante de estados que já resolveram questões estruturais e regulatórias. No Amazonas, os problemas persistem sem enfrentamento adequado por parte do governo, dos centros de pesquisa e das universidades. Para os produtores, qualquer nova iniciativa, seja pública ou científica, precisa considerar estudos de viabilidade econômica que tragam ganhos reais de competitividade, melhoria de renda e ampliação da capacidade de investimento.
A área total de viveiros para piscicultura no estado é de 1.770 hectares, divididos em 7.822 viveiros e apenas 120 tanques-rede, segundo dados da Bussola.farm. O número reduzido de tanques-rede reforça a necessidade de modernização e ampliação da atividade para garantir maior produtividade.
Principais municípios produtores
A produção de peixes no Amazonas está concentrada principalmente nos seguintes municípios:
- Rio Preto da Eva
- Iranduba
- Manacapuru
- Manaus
- Presidente Figueiredo
- Coari
- Envira
- Careiro
- Benjamin Constant
- Manaquiri
Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE (2022) e mostram a distribuição geográfica da produção no estado. Entretanto,

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR
a retração na produção evidencia a necessidade de políticas mais efetivas para impulsionar o setor e evitar novas quedas.
Sustentabilidade e crescimento econômico
A Peixe BR ressalta que as iniciativas para fortalecer a piscicultura amazonense devem se apoiar no tripé da sustentabilidade: ambiental, social e econômica. Sem viabilidade financeira, qualquer projeto está fadado ao fracasso. O setor precisa de soluções que garantam a competitividade do produtor, melhorem a renda e incentivem novos investimentos.
Com a demanda crescente por pescados no Brasil e no exterior, o Amazonas tem potencial para reverter o cenário atual. No entanto, sem ações concretas do poder público e da iniciativa privada, a piscicultura do estado corre o risco de perder ainda mais espaço no mercado nacional.

Peixes
Brasil leva tilápia e tecnologia de aquicultura para feira internacional no Chile
Pavilhão brasileiro na Aquasur 2026 apresentou produtos, equipamentos e soluções para pesca e crustáceos, atraindo empresários de 34 países.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio da Embaixada do Brasil em Santiago, participou da 13ª edição da Aquasur 2026, realizada na última semana em Puerto Montt, Chile. Considerada uma das principais feiras de aquicultura da América Latina, o evento reuniu mais de 550 expositores de 34 países e teve a abertura oficial com a presença do presidente chileno José Antonio Kast.

Foto: Divulgação/Mapa
No Pavilhão Brasil, representantes do Mapa, da Embaixada do Brasil, da Embrapa, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), da Abipesca, do Sindipi-SC e da ABRA apresentaram produtos, serviços, máquinas e equipamentos voltados à aquicultura. O espaço também destacou peixes e crustáceos destinados à exportação, com ênfase na produção de tilápia.
Além da exposição, o pavilhão sediou reuniões entre instituições brasileiras e chilenas, promovendo encontros com empresários interessados em tecnologias e serviços brasileiros para a produção de pescado. A participação reforça a estratégia do Brasil de fortalecer a presença no mercado internacional de aquicultura, ampliar oportunidades de negócios e consolidar a imagem do setor como competitivo e inovador.

Foto: Divulgação/Mapa
Um dos destaques da participação brasileira foi o lançamento do 8º International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2026, marcado para os dias 2 a 4 de setembro, em Foz do Iguaçu. O evento deve reunir representantes de toda a cadeia produtiva do pescado para fomentar negócios, promover a troca de experiências e discutir inovação no setor.
Realizada a cada dois anos, a Aquasur é hoje uma das principais vitrines da aquicultura no hemisfério sul. Em 2026, o evento recebeu mais de 30 mil visitantes e registrou crescimento de 37% em relação à edição anterior. A programação incluiu congresso internacional, espaços de networking e apresentação de novas tecnologias para o setor.
Brasil e Chile mantêm uma relação comercial sólida no agro, apoiada por instrumentos de

Foto: Divulgação/Mapa
cooperação e facilitação de comércio, como o Acordo de Livre Comércio entre os dois países, em vigor desde 2022, que contribui para dar mais previsibilidade, segurança e agilidade às trocas comerciais. No último ano, o Chile importou mais de US$ 2,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para carnes, cacau, café, rações para animais, soja e produtos florestais. Já o Chile fornece ao Brasil produtos como vinhos, pescados, especialmente salmão, além de frutas frescas e secas.
Saiba como participar
Empresas interessadas em participar de feiras internacionais e dos pavilhões brasileiros podem acompanhar o calendário de eventos e as oportunidades de inscrição nos canais oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária e de entidades parceiras. A participação varia de acordo com o perfil de cada feira e com os critérios definidos para cada ação de promoção comercial. O Mapa também tem incentivado a presença de cooperativas e de empresas de pequeno porte com interesse em ampliar sua atuação no mercado internacional.
Peixes
Édipo Araújo assume Ministério da Pesca e Aquicultura
Engenheiro de pesca terá desafios regulatórios e estruturais para fortalecer a piscicultura e políticas do setor no Brasil.

A nomeação de Rivetla Édipo Araújo Cruz para o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) é vista com otimismo por parte do setor de piscicultura. Engenheiro de Pesca formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Araújo integra uma geração que ajudou a transformar o extrativismo predatório no Norte do país em uma cadeia produtiva mais estruturada e sustentável.
Para a Peixe BR, associação que representa produtores de pescado, a experiência do novo ministro reforça a expectativa de uma gestão técnica e alinhada às demandas do setor.
Entre os principais desafios apontados estão questões regulatórias consideradas urgentes. A entidade destaca a necessidade de parecer da Consultoria Jurídica do MPA sobre a atuação da Conabio na definição da lista de espécies exóticas invasoras sem análise de impacto regulatório; a articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para garantir a realização da Análise de Risco de Importação (ARI) da tilápia proveniente do Vietnã; e a prorrogação por três anos da obrigatoriedade da Licença de Aquicultor.
A Peixe BR afirma que pretende acompanhar e colaborar com o Ministério para avançar em políticas que fortaleçam a piscicultura no país, equilibrando crescimento produtivo e sustentabilidade.
Peixes
Curso de sanidade aquícola será destaque na Aquishow Brasil 2026
Capacitação ocorre em junho, em Uberlândia, com foco nas principais doenças da tilapicultura

A Aquishow Brasil 2026 firmou parceria com a Aquivet Saúde Aquática para a realização do Curso de Sanidade Aquícola, marcado para os dias 9 e 10 de junho, no Castelli Master, em Uberlândia. O tema desta edição será “Doenças na Tilapicultura: patógenos, imunidade e competitividade”.
O curso vai abordar a epidemiologia das principais doenças bacterianas que afetam a criação de tilápia no Brasil, com foco em informações voltadas à gestão sanitária nas propriedades. Entre os temas, está a expansão de agentes como Streptococcus agalactiae sorotipo III, em avanço sobre Minas Gerais e Espírito Santo, e Lactococcus petauri, com novas linhagens identificadas em expansão global.
A presidente da comissão organizadora da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício Fernandes, afirma que o curso reforça a programação técnica do evento ao tratar de pontos considerados críticos para a cadeia produtiva da tilapicultura e para a competitividade do setor.
Segundo Santiago Benites de Pádua, da Aquivet Saúde Aquática, a iniciativa reúne produtores e empresas fornecedoras de insumos para nivelar informações sobre doenças e estratégias de controle sanitário com profissionais do setor.
A programação contará com palestras do próprio Santiago Benites de Pádua e do professor Henrique Figueiredo, da Universidade Federal de Minas Gerais. O curso também terá a participação do pesquisador Francisco Yan Tavares Reis, da Embrapa Amazônia Ocidental, com discussões sobre epidemiologia e imunidade da tilápia. A pesquisadora e empresária Paola Barato, da Corpavet Colômbia, abordará a gestão de doenças emergentes, como Streptococcus agalactiae sorotipo Ia e o vírus TiLV na Colômbia.
- Santiago Benites de Pádua
- Henrique Figueiredo
A organização destaca que o curso integra a programação técnica da Aquishow Brasil e busca promover a troca de conhecimento entre pesquisa, setor produtivo e indústria, com foco nos desafios sanitários da tilapicultura.








