Bovinos / Grãos / Máquinas Algas
Extratos protegem integridade intestinal e modulam sistema imunológico
Algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo

Extratos de algas marinhas estão cada vez mais presentes na bovinocultura. Seu poder de proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico chama a atenção de pecuaristas em todo o país. Ainda há muito a aprender para extrair delas o máximo potencial, mas, assim como o desempenho zootécnico, os resultados das pesquisas e os produtos oferecidos pelo mercado estão cada vez mais interessantes.
“As algas são recursos naturais e renováveis, tradicionalmente utilizados nas regiões costeiras de todo o mundo há muito tempo. Comparados a muitos outros recursos naturais, elas demonstram baixo risco de toxicidade e eco toxicidade. Além do mais, as algas estão entre as plantas de crescimento mais rápido na natureza. Algumas espécies de algas marinhas podem crescer até 30% de seu peso por dia. Além disso, como elas vivem na água do mar, não competem por terras areáveis nem por recursos de água doce”, destaca Maria Angeles Rodríguez, engenheira agrônoma mestre em Nutrição Animal pela Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), gerente de produtos da Olmix.
“As algas são um grupo funcional que engloba uma grande variedade de organismos, cuja única característica em comum é a fotossíntese e um estilo de vida aquático. Entre esses organismos, encontram-se as macroalgas, que você costuma ver à deriva em praias ou presa às rochas. Elas pertencem aos eucariotas, o que significa que seu DNA é encontrado dentro de um núcleo verdadeiro. A segunda categoria de algas são as microalgas, que na maioria dos casos você precisa de microscópio para observar. Elas também são conhecidas como fitoplâncton e incluem organismos eucarióticos, mas também organismos procarióticos, que estão próximos às bactérias e não possuem um núcleo verdadeiro. Por exemplo, as cianobactérias são algas procarióticas e são mais conhecidas como algas verde-azuladas, como a espirulina”, menciona.
Ela destaca, no entanto, que as algas de interesse da pecuária são apenas as algas eucarióticas, multicelulares, macroscópicas e marinhas.
De acordo com ela, ao contrário das plantas terrestres, as algas não possuem raízes e nem sistema diferenciado de circulação de seiva. Como crescem na água, absorvem água e nutrientes por toda a superfície. Maria Angeles cita ainda que o modo de reprodução também é muito diferente das plantas terrestres, e não produzem flores, sementes ou frutos. “Cada espécie está adaptada a certas condições de luz, corrente, resistência à seca, que definirão sua área de repartição no litoral fixada nas rochas por suas ancoragens. Com base em seus pigmentos fotossintéticos, as algas marinhas podem ser divididas em três grupos: algas vermelhas, verdes e marrons. Esses três grupos são geneticamente diferentes e cada um separado do outro por milhões de anos de evolução”, pontua.
Mas quando as algas começaram a ser usadas na alimentação de ruminantes? “A história do homem e das algas começa há 16 mil anos com as primeiras evidências arqueológicas do consumo humano de algas marinhas na costa chilena.
A primeira evidência escrita de seu uso medicinal vem da China, cerca de 3 mil anos antes de Cristo.
As algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo. Precisamos esperar até o século XVI para a primeira exploração industrial de algas marinhas na indústria de vidro, usando cinzas de algas ricas em carbonato de potássio para diminuir o ponto de fusão do silício. No século XIX, o iodo foi descoberto nessas cinzas e levou à produção industrial de soluções de iodo para o tratamento de feridas. O século XX viu o desenvolvimento da indústria de hidrocoloides. Os hidrocoloides são moléculas capazes de armazenar grande quantidade de água e, portanto, de texturizar os ingredientes com os quais são misturados. Na Europa, os hidrocoloides feitos de algas marinhas são identificados pelos códigos e400 e e407. Você pode encontrá-los em muitos alimentos processados, como laticínios ou refeições prontas industriais, mas também em produtos de higiene pessoal, como pasta de dente, cremes para a pele ou fraldas para bebês. Suas propriedades formadoras de gel também são interessantes para aplicações farmacológicas, como curativos, remédios para refluxo gástrico ou placas de Petri para cultura bacteriana. Finalmente, o século XXI viu o surgimento de um novo campo de aplicações designado para a extração de moléculas ativas para todos os tipos de biotecnologia”.
Maria Angeles destaca que as algas marinhas podem ser ricas em vários compostos nutricionais interessantes como minerais, proteínas e vitaminas específicas. No entanto, os compostos predominantes são os polissacarídeos que podem representar até 70% da matéria seca. Devido à sua estrutura específica e a presença de grupos de sulfato, esses polissacarídeos possuem diversas atividades biológicas interessantes para seu uso em ruminantes.
Atividades biológicas
Os extratos de algas podem ser usados por suas propriedades biológicas ou combinados com argilas por suas características estruturais. A profissional explica que as algas marinhas contêm altos níveis de carboidratos, especialmente polissacarídeos em suas paredes celulares. Além disso, seus níveis são estáveis durante todo o ano, permitindo sua extração constante. “Os polissacarídeos de algas marinhas têm estruturas muito complexas que estão diretamente ligadas às suas atividades. A variedade estrutural que pode ser encontrada nas algas marinhas é enorme, permitindo assim, potencialmente, um elevado número de diferentes atividades biológicas. Além disso, uma de suas características específicas é a sulfatação, que os torna realmente únicos. Na verdade, os polissacarídeos são características do ambiente marinho, onde o sulfato está na forma e quantidade certa para ser incluído nos polissacarídeos do organismo marinho. Essas estruturas não existem nas plantas terrestres ou nas microalgas de água doce que estão nos mercados, e nem nas paredes celulares das leveduras. Elas têm, no entanto, similaridade estrutural com polissacarídeos na matriz extracelular de animais, por exemplo, a conhecida heparina usada em diversas aplicações médicas para humanos devido às suas propriedades biológicas. A sulfatação aumenta o potencial das atividades biológicas. Uma característica adicional é sua extrema estabilidade: são resistentes ao calor até o processo de extrusão e não são digeridas por nenhuma das enzimas digestivas de monogástricos e ruminantes”, elenca.
Existem opções no mercado de duas espécies, uma verde, Ulva, também conhecida como “alface do mar”, e uma vermelha, Solieria. “Elas vêm de campos naturais de algas marinhas, com um ciclo de vida anual. “Ulva forma grandes flores de algas não aderidas, crescendo em baías rasas durante a primavera e o verão. Elas são trazidas para a costa pela maré e correntes, onde podem ser colhidas. Solieria cresce presa até o final de seu ciclo, quando naturalmente se desprende de suas rochas, geralmente durante as tempestades de inverno. Elas são então lançadas na praia, onde são colhidas principalmente do outono à primavera. A colheita dessas duas espécies permite ter matéria prima disponível praticamente o ano todo”.
Além disso, explica a engenheira agrônoma, os lugares onde são coletadas são conhecidos por encalhamento em massa dessas espécies específicas, que garantem alto grau de pureza, com menor quantidade de outras espécies. “E nosso impacto ambiental é muito baixo, pois estamos à espera de que as algas venham até nós, não as arrancamos de suas rochas”. Depois disso, as algas passam por um processo completo de biorrefinaria, desde a colheita até os ingredientes ativos inovadores finais. A biorrefinaria serve para estabilizar rapidamente os extratos de algas, em menos de 48 horas.
“Todos estes extratos são obtidos de forma ecológica, apenas com água, sem a utilização de solventes químicos. Isso preserva as características naturais do extrato e, consequentemente, sua bioatividade nos produtos finais”, cita.
Estresse
Maria Angeles cita que o uso de polissacarídeos marinhos serve para proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico, por isso é recomendado em qualquer período estressante, no período seco para estimular a produção de imunoglobulina para o colostro, nos estágios iniciais ou durante o estresse por calor. “As dosagens giram em torno de 1g/Kg de matéria seca ingerida. Entre os benefícios observados, elenca a profissional, estão a melhora do estado de saúde, maior resistência a patógenos, melhor uso de energia e nutrientes, melhor desempenho e melhor lucratividade.
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Exportações para a China reforçam sustentação do boi brasileiro
Crescimento das vendas ao mercado chinês contribui para manter os preços em patamar elevado, ainda que o ritmo de avanço das exportações comece a se aproximar de limites de cota.

O cenário para a pecuária segue, em geral, favorável nos próximos meses, sustentado pela firmeza dos preços no mercado físico, pela oferta mais restrita de fêmeas e pela diversificação das exportações. Ainda assim, fatores como a reposição mais cara, a sazonalidade da oferta e incertezas externas exigem atenção do setor.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a firmeza dos preços no físico também influenciou o mercado futuro, que registrou forte alta nos últimos 30 dias, especialmente nos contratos de curto prazo. Em abril, a valorização foi de R$ 18 por arroba, enquanto em maio o avanço chegou a R$ 16 por arroba, abrindo oportunidades de hedge em níveis considerados atrativos para o produtor.
Já os vencimentos entre junho e setembro tiveram desempenho mais moderado e indicam preços abaixo dos atuais patamares. No ritmo atual de crescimento das exportações para a China, que avançaram 17% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025, a cota de 1,1 milhão de toneladas deve ser atingida por volta de agosto. Para que isso ocorra antes do previsto, seria necessário um crescimento mais intenso das vendas. Ainda assim, no fim do ano, há expectativa de retomada das compras chinesas para o preenchimento da cota de 2027.
As exportações para outros destinos também seguem em fluxo positivo, o que ajuda a reduzir a dependência momentânea da China, embora o país continue sendo o principal comprador da carne bovina brasileira. No cenário estrutural, o setor mantém perspectiva favorável, com tendência de continuidade de preços sustentados pela menor disponibilidade de fêmeas para abate.
Entre os pontos de atenção, está o encarecimento da reposição de animais, que pode exigir valores mais altos do boi gordo no médio prazo. No mercado interno, fatores sazonais podem influenciar a demanda: a Copa do Mundo de futebol no meio do ano tende a impulsionar o consumo, enquanto a alta dos preços da carne bovina e a maior competitividade do frango podem limitar esse movimento.
Ao mesmo tempo, a oferta de gado deve crescer de forma sazonal nos próximos meses, embora os níveis de abate ainda possam permanecer abaixo dos registrados no ano anterior.
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Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março
Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.
Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.
No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.
As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.
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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”



