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ExpoZebu 80 anos fecha com movimentação de R$ 150 milhões
Os números retratam o sucesso da 80ª edição da ExpoZebu, principal evento da pecuária zebuína do mundo, que ocorreu na última semana, em Uberaba (MG). A movimentação financeira estimada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), organizadora da exposição, foi de R$ 150 milhões, sendo mais de R$ 100 milhões negociados por 120 empresas que participaram do evento. Já os 36 leilões oficializados pela entidade faturaram aproximadamente R$ 47 milhões.
A movimentação de público atingiu um recorde nesta edição. Nos oito dias de evento, passaram pelo Parque Fernando Costa 240 mil pessoas, público 10,9% superior ao de 2013 (217 mil visitantes). Entre eles, o Salão Internacional da ABCZ contabilizou a participação de 365 estrangeiros advindos de 34 países, sem contar a transmissão ao vivo do evento pela internet, que atingiu computadores em 31 países.
Procuramos com a ExpoZebu 80 anos realizar um evento em agradecimento a toda a família zebuísta e consideramos que fomos bem sucedidos em nosso intuito. Homenageamos boa parte das personalidades importantes do nosso setor e a feira voltou a ter um caráter de muita movimentação popular. Ela voltou a ter várias atrações para as famílias e a população passou a interagir muito bem com isso, comemora o presidente da ABCZ, Luiz Cláudio Paranhos.
Nos 36 leilões oficializados, o faturamento ficou em R$ 46.821.551,60, com a venda de 1.540 animais em 1.275 lotes. A média por animais ficou em R$ 30.403,60; e por lote, R$ 36.722,79. A maior comercialização de animais da ExpoZebu 2014 aconteceu no 30º Leilão Noite dos Campeões, quando a fêmea nelore Beluga TE da Sabiá teve 50% de sua posse comprada da Fazenda Sabiá por Aguinaldo Ramos e família pelo valor de R$ 1.160.000,00.
Já na pista principal do Parque Fernando Costa estiveram em julgamento 2,3 mil animais.
Palanque político
A ExpoZebu 80 anos foi, até o momento, a única exposição do agronegócio a receber os três principais candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, este ano.
O evento serviu como plataforma para propostas e recebimento de demandas do setor por parte dos políticos. A presidente da República, Dilma Rousseff, anunciou durante a cerimônia de abertura, realizada no dia 03/05, importantes medidas para a agropecuária brasileira, como o destravamento do CAR, a confecção do Plano Agrícola 2014/2015 e a assinatura do projeto de lei que regulamenta o registro genealógico de animais, entre outros.
Também estiveram presentes à solenidade de abertura diversas autoridades, dentre embaixadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores.
A vinda destas lideranças mostra a força dos produtores. Acho que isso fortalece muito o setor junto ao governo, ficou muito clara a preocupação de eles virem falar com a gente. E nossa função, que foi exercida, é levar para eles os posicionamentos dos produtores. Por isto reunimos antes os nossos conselheiros de todos os estados do Brasil, para alinhar os pontos a serem cobrados e também as soluções nas quais acreditamos, conta Paranhos.
Homenagens
A abertura oficial do evento também marcou uma série de homenagens a mais de 1,8 mil personalidades influentes da pecuária brasileira, entre produtores, políticos, técnicos e membros da imprensa, que receberam a medalha de honra pelos 80 anos da ABCZ.
Além disso, no dia 10 (último dia de evento), na festa de premiação da ExpoZebu 80 anos, realizada na pista central do Parque, produtores, peões e dirigentes puderam confraternizar juntos em mais um dos momentos marcantes do evento.
ExpoZebu Dinâmica
De 07 a 09 de maio, na Estância Orestes Prata Tibery Jr, a ABCZ realizou pela primeira vez a ExpoZebu Dinâmica, evento que contou com a participação de 38 empresas do setor, representando 60 marcas. A expectativa inicial de público foi correspondida e o evento contou com a presença de cerca de 12 mil pessoas, sendo que mil delas acompanharam de perto as dinâmicas, com exposições práticas de maquinários para a produção (colheitadeiras, ensiladeiras, entre outras) e demonstração de novos cultivares. A Embrapa ainda promoveu uma demonstração de campo, com a apresentação de diferentes composições para o sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).
Durante a feira, foi realizada a primeira reunião do recém-lançado Fórum Nacional de Secretários Municipais de Agricultura, com a presença de diversos municípios de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Foi realizado, ainda, o Rally da Pecuária, com palestras sobre a Caixa Econômica Federal e o agronegócio, o Plano Agricultura de Baixo Carbono, ações da Dow Agroscience e uma consultoria sobre o mercado pecuário com especialista da Agroconsult.
Realizamos um sonho pioneiro com a ExpoZebu Dinâmica. E demos um importante passo para transformar o evento em uma das principais referências técnicas para o setor produtivo, afirma João Gilberto Bento, coordenador da ExpoZebu Dinâmica.
Destaques da programação
Além dos pontos já citados, destacaram-se também na programação da ExpoZebu 80 anos eventos como Audiência Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais; Palestra sobre o CAR (Cadastro Ambiental Rural); 4ª Reunião da Rural Jovem; Curso de Noções de Morfologia e Melhoramento Genético, voltado para Leiloeiros Rurais; Apresentação do Programa Leite Legal – SENAR; Reunião do Conselho Consultivo; Reunião da FICEBU; Coquetel 80 anos de ExpoZebu e ABCZ; Oficina de Gastronomia com o Cheff Alan Vila; Lançamento do livro Visionários e Pioneiros autor Hugo Prata; Divulgação e lançamentos de diversos sumários e testes de Progênie (Gir, Gir Mocha, Gir Leiteiro e Guzerá); e Workshop Inovação no Melhoramento Genética de Bovinos Leiteiros no Brasil: uma agenda para o Desenvolvimento Embrapa Gado de Leite.
Fonte: Ass. Imprensa da ExpoZebu

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ABPA abre inscrições para prêmio de pesquisa aplicada durante o SIAVS 2026
Reconhecimento valoriza estudos com impacto prático na avicultura e suinocultura e prevê experiência internacional aos vencedores.

Estão abertas as inscrições para o Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável, reconhecimento científico que a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) promoverá durante o SIAVS 2026 – Salão Internacional de Proteína Animal, maior evento da avicultura e da suinocultura do Brasil, que será realizado entre os dias 04 e 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
A iniciativa contempla duas distinções, voltadas à valorização de pesquisas com efetiva aplicabilidade prática para a cadeia produtiva da proteína animal:
- Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – Grandes Áreas, destinado a trabalhos científicos com impacto nas áreas de produção, manejo e ambiência; nutrição; tecnologia e processos; sanidade; sustentabilidade; e saúde pública.
- Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – RAM (Resistência aos Antimicrobianos), voltado exclusivamente a estudos que abordem estratégias, ferramentas, indicadores e práticas relacionadas ao uso responsável de antimicrobianos e ao enfrentamento da resistência microbiana na produção animal, tema estratégico para o setor e alinhado aos princípios internacionais de One Health – no âmbito da campanha “Uso Consciente, Futuro Responsável”, mantida pela ABPA.
O objetivo do Mérito é estimular pesquisas que extrapolem o ambiente acadêmico e apresentem aplicabilidade concreta, contribuindo para ganhos de eficiência, segurança sanitária, sustentabilidade e competitividade internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras.
Os trabalhos inscritos serão avaliados por comissão julgadora composta por especialistas com reconhecida atuação técnica e acadêmica. Entre os critérios considerados estão:
- Relevância estratégica para o setor
- Grau de inovação
- Consistência metodológica
- Aplicabilidade prática
- Potencial de impacto na cadeia produtiva
Após a etapa de avaliação, os trabalhos selecionados serão apresentados durante a programação oficial do SIAVS, ampliando sua visibilidade junto a empresários, pesquisadores, autoridades sanitárias e representantes nacionais e internacionais.
Como forma de reconhecimento, o primeiro autor do trabalho vencedor em cada uma das duas distinções participará, com apoio da organização, de uma experiência internacional em uma das principais feiras globais de alimentos, podendo escolher entre a SIAL Paris 2026, em Paris, ou a Gulfood 2027, em Dubai. A iniciativa proporciona imersão no ambiente internacional de negócios e inovação, fortalecendo a formação estratégica dos pesquisadores.
As inscrições devem ser realizadas conforme as orientações disponíveis no site oficial do evento, onde também constam regulamento completo, prazos, formato de submissão e demais informações, acesse clicando aqui.
Colunistas
Abertura de 525 mercados para o agro gera oportunidade histórica ou risco de expansão sem margem?
Diversificação de destinos pode gerar até US$ 375 bilhões em exportações, mas exige gestão de custos e precificação para garantir rentabilidade.

A abertura de 525 novos mercados internacionais para o agronegócio brasileiro, com potencial estimado de até US$ 375 bilhões por ano em exportações, consolida o país como um dos principais fornecedores globais de alimentos e reforça sua relevância estratégica no comércio internacional. Do ponto de vista institucional e geopolítico, trata-se de um avanço inegável. Do ponto de vista empresarial, no entanto, o aumento do acesso não pode ser confundido com geração automática de valor econômico.

A experiência mostra que expansão de mercado, quando não acompanhada por gestão rigorosa de custos e precificação adequada, tende a pressionar margens e aumentar a exposição financeira das empresas.
Exportar implica estruturas logísticas mais complexas, exigências sanitárias específicas, custos regulatórios adicionais, riscos cambiais, prazos de recebimento mais longos e maior dependência de capital de giro. Esses fatores alteram substancialmente o custo total da operação e não podem ser tratados como extensões do mercado doméstico.
Um dos erros mais recorrentes nas estratégias de internacionalização do agro é a ausência de segregação clara entre custos locais e custos de exportação. Quando a empresa utiliza uma estrutura de custos média para formar preços em diferentes mercados, acaba diluindo despesas específicas de cada canal e comprometendo a leitura real da rentabilidade por contrato, por produto e por país. O resultado é a celebração de volumes crescentes de vendas acompanhada por deterioração gradual das margens operacionais, muitas vezes percebida apenas quando o caixa

Foto: Divulgação
começa a ficar mais pressionado.
Outro ponto crítico é a formação de preços em ambientes de maior volatilidade. Oscilações cambiais, variações nos custos de frete internacional, alterações em tarifas e mudanças nos prazos de pagamento impactam diretamente a margem final, especialmente em contratos de médio e longo prazo. Sem mecanismos de proteção financeira e sem modelos de precificação que incorporem cenários de risco, a empresa transfere parte significativa da incerteza para dentro do próprio resultado.
Também é preciso considerar o efeito financeiro do crescimento acelerado. A ampliação das exportações exige maior investimento em estoques, transporte, certificações e estrutura comercial, elevando a necessidade de capital de giro. Em um ambiente de juros estruturalmente mais altos, esse custo financeiro passa a ser componente relevante da margem e precisa ser tratado como parte integrante da estratégia de preço, não como despesa posterior absorvida pelo resultado.

Nesse contexto, cresce a importância da análise de margem real, e não apenas do faturamento ou da participação em novos mercados. Empresas que operam com foco exclusivo em volume tendem a mascarar ineficiências operacionais e decisões comerciais mal calibradas, sustentadas temporariamente por crescimento de receita, mas estruturalmente frágeis do ponto de vista financeiro. Crescer sem margem é, na prática, uma forma de destruição de valor em escala ampliada.
Para que a abertura de mercados se traduza em resultado sustentável, é indispensável avançar em três frentes: modelos de custeio mais precisos, que permitam identificar com clareza a rentabilidade por mercado e por canal; políticas de precificação que considerem riscos financeiros, fiscais e logísticos específicos de cada operação; e integração efetiva entre áreas comercial, financeira e operacional na tomada de decisão. Sem essa visão sistêmica, a empresa passa a competir apenas por preço, abrindo mão de margem para ganhar contratos que não se sustentam no médio prazo.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
O ano de 2026 tende a ser decisivo nesse processo. A ampliação do acesso a mercados cria oportunidades relevantes, mas também eleva o grau de exigência na gestão. Empresas que dominarem seus custos, entenderem sua estrutura de margem e tomarem decisões baseadas em dados terão condições de transformar expansão em rentabilidade. As demais correm o risco de crescer em complexidade, exposição financeira e dependência de crédito, sem a correspondente geração de valor econômico.
A abertura de 525 mercados é, sem dúvida, uma conquista estratégica para o país. Para as empresas do agro, porém, o verdadeiro diferencial competitivo não estará apenas na capacidade de vender mais, mas na competência de vender com margem, previsibilidade e sustentabilidade financeira. Em um cenário global cada vez mais competitivo, não será o tamanho da operação que definirá a perenidade dos negócios, mas a qualidade das decisões econômicas que sustentam essa expansão.
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Exportações agropecuárias ganham alternativa para evitar gargalos no Golfo Pérsico
Exigência sanitária turca levou à criação de certificado específico para cargas em trânsito, permitindo passagem e armazenagem temporária de produtos de origem animal sem interrupção do fluxo ao Oriente Médio e à Ásia Central, mesmo com as restrições no Estreito de Ormuz.

O Brasil garantiu a continuidade de uma rota alternativa via Turquia para o envio de exportações agropecuárias, diante das restrições no Estreito de Ormuz. A solução foi negociada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com isso, a estrutura portuária turca segue como opção importante para cargas brasileiras com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central, permitindo que as mercadorias sigam viagem sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
Essa rota já era utilizada por exportadores brasileiros. No entanto, a Turquia passou a exigir novas regras sanitárias para produtos sujeitos ao controle veterinário oficial, como os de origem animal. Para evitar prejuízos ao fluxo das exportações, foi negociado o Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário com Destino à Expedição para outro País/Navio.
Na prática, o documento permite que mercadorias brasileiras, especialmente produtos de origem animal, atravessem o território turco ou fiquem armazenadas temporariamente no país antes de seguirem para o destino final.
A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento.
