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Exportações recorde e mercado interno em recuperação impulsionam preço do suíno

No mercado externo, eventuais embargos não devem impactar o ritmo dos embarques das carnes em geral

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Ao analisar o atual cenário do mercado suinícola, percebe-se que sinais de recuperação tem se apresentado em relação ao preço dos suínos. De acordo com dados do Cepea, diversas regiões do país registraram alta dos preços nos últimos meses e as cotações atuais já chegam aos valores do mês de março. Já quanto aos embarques, o ritmo segue aquecido, o que tem enxugado a oferta no mercado doméstico, resultando também na intensificação da busca por suíno vivo e na alta nos preços.

Preço pago ao produtor se aproxima dos patamares “pré-pandemia

Após recorde de embarques no mês de maio, em junho os volumes exportados recuaram um pouco, mas ainda se mantiveram em patamar bastante superior às médias mensais históricas, fechando o mês com quase 87 mil toneladas de carne suína in natura (Tabela 1). No primeiro semestre de 2020 o crescimento das exportações totais foi de 38,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Também a quantidade embarcada para a China em junho foi a segunda maior em um só mês, com pouco mais de 44 mil toneladas. No acumulado do ano já são mais de 225 mil toneladas exportadas para o gigante asiático, um crescimento acumulado no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2019 da ordem de 115,8%.

Tabela 1. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura no primeiro semestre de 2020 e dados mensais de 2019 (em toneladas). Fonte MDIC.

As exportações de julho começaram muito bem, com mais de 41 mil toneladas de carne suína in natura até o dia 10 (5.186,3 toneladas por dia útil). Como o mês de julho terá 23 dias úteis, certamente o Brasil baterá novo recorde mensal de embarques com volumes superiores a 100 mil toneladas.

Os preços pagos ao produtor estão se reaproximando dos patamares praticados antes da pandemia (gráfico 1). A reação dos preços começou em maio, quando as exportações bateram recorde histórico e, com a recente flexibilização das medidas de isolamento e reabertura do food service, especialmente em grandes centros consumidores como São Paulo e Rio de Janeiro, o mercado doméstico também apresenta aumento de demanda. Prova disso é de que, depois de várias semanas de alta, a Bolsa de BH, em 09 de junho fechou a R$ 6,10/kg vivo.

 

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo (R$/kg vivo), em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 6 meses (até 10/07/2020). Fonte: CEPEA.

O “descolamento” do preço de Minas Gerais em relação aos outros estados, que iniciou na segunda quinzena de abril e atingiu seu ápice no mês de junho, já dá sinais claros de reversão, mostrando que o restante do Brasil também ganha velocidade na recuperação dos valores pagos aos produtores. O gráfico 2, que compara os preços pagos em Minas Gerais e São Paulo, segundo levantamento do CEPEA demonstra isso claramente. A diferença em favor do preço de Minas Gerais, que chegou a mais de 12% no início de junho, em 13 de julho caiu para 4,78%.

Gráfico 2. Preço pago pelo do suíno vivo (R$/kg) em Minas Gerais e São Paulo ao longo de 2020 e diferença percentual entre os dois estados. A linha preta mostra como o “descolamento” se manteve alto (ultrapassando 10%) em favor de MG durante os meses de maio e junho, porém, no início de julho, já dá sinais de reaproximação do preço de São Paulo, com nítida reversão de tendência. No dia 13/07/2020 a diferença em favor de Minas Gerais caiu para 4,78%. Fonte: CEPEA.

Segundo o CEPEA, não somente o animal vivo, mas também as carcaças e cortes suínos seguiram a mesma tendência de alta, sendo que para os cortes as valorizações foram ainda mais significativas, fazendo com que as médias de junho superassem as do mesmo mês de 2019. Ainda, segundo o CEPEA, além da demanda aquecida, a oferta esteve mais limitada, pois alguns frigoríficos têm funcionado com escalas menores, por conta de medidas sanitárias de prevenção ao coronavírus.

A propósito da Covid-19, se observa uma “interiorização” da pandemia nas últimas semanas, o que de fato afetou alguns frigoríficos. Importante destacar que os suínos ou qualquer outra espécie de exploração pecuária, não transmitem ou são afetados pela covid-19, mas o fechamento eventual e temporário das plantas se dá em função do ambiente de trabalho que pode aumentar o risco de contágio entre colaboradores. Portanto, quando são diagnosticados muitos casos entre os colaboradores e o frigorífico não tem medidas de setorização e escalas de trabalho que permitam isolar parte da equipe afetada, acaba tendo que suspender o abate por alguns dias ou semanas.

Apesar de ameaças tecnicamente infundadas da China para embargos em relação a plantas frigoríficas com casos de covid-19 em suas equipes, segundo o MBAgro, as eventuais suspensões não devem impactar o ritmo das exportações das carnes em geral, visto que o Brasil possui 102 plantas habilitadas para exportar carnes para a China.

Recordes sucessivos de exportação de soja colocam em risco a disponibilidade interna de farelo no segundo semestre
Segundo MDIC, no acumulado do ano, até junho, foram exportados mais de 60 milhões de toneladas de soja, volume recorde, tendo como principal destino a China. Segundo o MBAgro, o câmbio desvalorizado favorece a logística de exportação tornando-a mais barata. Nesse cenário a exportação brasileira pode alcançar os 82 milhões de toneladas em 2020 (ano passado foi pouco mais de 74 milhões) e enxugar o mercado interno de soja grão, reduzindo o esmagamento e a disponibilidade de farelo de soja.

Ainda, segundo o MBAgro, existe a possibilidade de o Brasil importar soja para atender a forte demanda, o que inverte a lógica de precificação de soja, uma vez que será a paridade de importação,e não mais a de exportação, que definirá o preço no mercado interno. Se isso acontecer será algo inédito no mercado brasileiro. O segundo semestre de 2020 será bastante apertado para a indústria nacional e compradores de derivados de soja.

No mercado interno os preços da soja (gráfico 3) e derivados continuam firmes, sustentados pelas demandas interna e externa. Segundo o CEPEA, indústrias nacionais mostram necessidade de aquisição do grão para o curto prazo, ao mesmo tempo em que novas negociações para exportação têm sido realizadas.

Gráfico 3. Evolução preço da soja no Paraná (R$/saca de 60 kg), nos últimos 6 meses (até 10/07/2020). Fonte: CEPEA.

Provável safra recorde de milho não garante preços baixos deste insumo

Com 25% da área de milho da 2ª safra já realizada, a expectativa da CONAB é de uma produção de 100,5 milhões de toneladas na safra 2019/20, sendo novo recorde histórico. Porém, segundo o CEPEA, os preços interno e externo do milho seguem em alta no início de julho no Brasil (gráfico 4), sendo que os valores têm sido sustentados pela retração de vendedores , que evitam negociar grandes lotes , pelas altas consecutivas nos portos e pela elevação no preço do frete.

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60kg (Campinas-SP), nos últimos 6 meses (até 10/07/20). Fonte CEPEA

Como a maior parte das exportações de milho ocorre no segundo semestre, a perspectiva é de que as vendas externas ganhem ritmo nas próximas semanas. Segundo o MBAgro, A estimativa é de embarques ao redor de 32 milhões de toneladas (ano passado foram mais de 40 milhões). Esse valor seria suficiente para equilibrar o mercado interno. Embora a demanda externa pelo milho não seja tão alta quanto a da soja, o Real muito desvalorizado poderia favorecer um embarque ainda maior deste grão, resultando em situação similar à soja em termos de escassez interna.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, o suinocultor deve estar preparado para adquirir o milho em pequenas “janelas” de queda de preço durante a colheita desta segunda safra, que deve ir até agosto.

Ele ainda ressaltou que, com o arrefecimento da crise de preços no setor, é hora de retomar o foco no investimento estrutural das granjas para se adequarem às exigências cada vez maiores do mercado consumidor. “O produtor, antes de pensar em aumentar a escala de produção, deve agregar tecnologia com foco não somente na produtividade, mas também em questões de bem-estar animal, biosseguridade e uso responsável de antimicrobianos, dentre outros”.

O presidente da ABCS também reforçou a importância das medidas de prevenção à disseminação da Covid 19. “Os cuidados de todos com relação à covid-19 devem ser redobrados, pois observa-se uma intensa interiorização da pandemia no Brasil e, enquanto não tivermos uma vacina, mesmo com o recuo da doença em algumas cidades, as medidas de prevenção devem ser aplicadas da melhor maneira possível”.

Fonte: Assessoria ABCS

Suínos

Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil

Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

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Foto: Shutterstock

Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural 

A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.

Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.

O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.

SBSS

As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologia e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Programação geral do  18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair

Terça-feira (11)

13h30 – Abertura da Programação Científica

Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim

14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann

14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa

15h25 às 15h55 – Mesa Redonda

16h00 às 16h30 – Coffee break

16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua

17h10 às 17h30 – Perguntas

17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS

18h30: Palestra de Abertura

20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR

Quarta-feira (12)

Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 – Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber

12h às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h: Coffee Break

16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h: Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-fera (13)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h – Coffee Break

Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Suínos

Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef

Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

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Foto: Divulgação

A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra Mercado e valorização da proteína, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

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Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.

Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.

A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.

Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.

Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.

O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.

Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.

Novo caminho para a carne suína

Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.

Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.

Comunicação como ferramenta

Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.

Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.

Fonte: Assessoria Suinfair
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Notícias

Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

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Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destacou o impacto social da obra na cidade e no estado sul-mato-grossense e sinalizou novos investimentos. Fotos: Geter Neto/MB Comunicação

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi

O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.

A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.

Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.

Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.

Impacto regional

Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa

O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.

Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.

O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.

Indústria mais automatizada

As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.

Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, com o governador do MS, Eduardo Riedel

Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.

A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.

Homenagem a Canton

Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.

Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.

A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.

Fonte: Assessoria Aurora Coop
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