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Suínos / Peixes Mercado

Exportações recorde e mercado interno em recuperação impulsionam preço do suíno

No mercado externo, eventuais embargos não devem impactar o ritmo dos embarques das carnes em geral

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Ao analisar o atual cenário do mercado suinícola, percebe-se que sinais de recuperação tem se apresentado em relação ao preço dos suínos. De acordo com dados do Cepea, diversas regiões do país registraram alta dos preços nos últimos meses e as cotações atuais já chegam aos valores do mês de março. Já quanto aos embarques, o ritmo segue aquecido, o que tem enxugado a oferta no mercado doméstico, resultando também na intensificação da busca por suíno vivo e na alta nos preços.

Preço pago ao produtor se aproxima dos patamares “pré-pandemia

Após recorde de embarques no mês de maio, em junho os volumes exportados recuaram um pouco, mas ainda se mantiveram em patamar bastante superior às médias mensais históricas, fechando o mês com quase 87 mil toneladas de carne suína in natura (Tabela 1). No primeiro semestre de 2020 o crescimento das exportações totais foi de 38,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Também a quantidade embarcada para a China em junho foi a segunda maior em um só mês, com pouco mais de 44 mil toneladas. No acumulado do ano já são mais de 225 mil toneladas exportadas para o gigante asiático, um crescimento acumulado no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2019 da ordem de 115,8%.

Tabela 1. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura no primeiro semestre de 2020 e dados mensais de 2019 (em toneladas). Fonte MDIC.

As exportações de julho começaram muito bem, com mais de 41 mil toneladas de carne suína in natura até o dia 10 (5.186,3 toneladas por dia útil). Como o mês de julho terá 23 dias úteis, certamente o Brasil baterá novo recorde mensal de embarques com volumes superiores a 100 mil toneladas.

Os preços pagos ao produtor estão se reaproximando dos patamares praticados antes da pandemia (gráfico 1). A reação dos preços começou em maio, quando as exportações bateram recorde histórico e, com a recente flexibilização das medidas de isolamento e reabertura do food service, especialmente em grandes centros consumidores como São Paulo e Rio de Janeiro, o mercado doméstico também apresenta aumento de demanda. Prova disso é de que, depois de várias semanas de alta, a Bolsa de BH, em 09 de junho fechou a R$ 6,10/kg vivo.

 

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo (R$/kg vivo), em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 6 meses (até 10/07/2020). Fonte: CEPEA.

O “descolamento” do preço de Minas Gerais em relação aos outros estados, que iniciou na segunda quinzena de abril e atingiu seu ápice no mês de junho, já dá sinais claros de reversão, mostrando que o restante do Brasil também ganha velocidade na recuperação dos valores pagos aos produtores. O gráfico 2, que compara os preços pagos em Minas Gerais e São Paulo, segundo levantamento do CEPEA demonstra isso claramente. A diferença em favor do preço de Minas Gerais, que chegou a mais de 12% no início de junho, em 13 de julho caiu para 4,78%.

Gráfico 2. Preço pago pelo do suíno vivo (R$/kg) em Minas Gerais e São Paulo ao longo de 2020 e diferença percentual entre os dois estados. A linha preta mostra como o “descolamento” se manteve alto (ultrapassando 10%) em favor de MG durante os meses de maio e junho, porém, no início de julho, já dá sinais de reaproximação do preço de São Paulo, com nítida reversão de tendência. No dia 13/07/2020 a diferença em favor de Minas Gerais caiu para 4,78%. Fonte: CEPEA.

Segundo o CEPEA, não somente o animal vivo, mas também as carcaças e cortes suínos seguiram a mesma tendência de alta, sendo que para os cortes as valorizações foram ainda mais significativas, fazendo com que as médias de junho superassem as do mesmo mês de 2019. Ainda, segundo o CEPEA, além da demanda aquecida, a oferta esteve mais limitada, pois alguns frigoríficos têm funcionado com escalas menores, por conta de medidas sanitárias de prevenção ao coronavírus.

A propósito da Covid-19, se observa uma “interiorização” da pandemia nas últimas semanas, o que de fato afetou alguns frigoríficos. Importante destacar que os suínos ou qualquer outra espécie de exploração pecuária, não transmitem ou são afetados pela covid-19, mas o fechamento eventual e temporário das plantas se dá em função do ambiente de trabalho que pode aumentar o risco de contágio entre colaboradores. Portanto, quando são diagnosticados muitos casos entre os colaboradores e o frigorífico não tem medidas de setorização e escalas de trabalho que permitam isolar parte da equipe afetada, acaba tendo que suspender o abate por alguns dias ou semanas.

Apesar de ameaças tecnicamente infundadas da China para embargos em relação a plantas frigoríficas com casos de covid-19 em suas equipes, segundo o MBAgro, as eventuais suspensões não devem impactar o ritmo das exportações das carnes em geral, visto que o Brasil possui 102 plantas habilitadas para exportar carnes para a China.

Recordes sucessivos de exportação de soja colocam em risco a disponibilidade interna de farelo no segundo semestre
Segundo MDIC, no acumulado do ano, até junho, foram exportados mais de 60 milhões de toneladas de soja, volume recorde, tendo como principal destino a China. Segundo o MBAgro, o câmbio desvalorizado favorece a logística de exportação tornando-a mais barata. Nesse cenário a exportação brasileira pode alcançar os 82 milhões de toneladas em 2020 (ano passado foi pouco mais de 74 milhões) e enxugar o mercado interno de soja grão, reduzindo o esmagamento e a disponibilidade de farelo de soja.

Ainda, segundo o MBAgro, existe a possibilidade de o Brasil importar soja para atender a forte demanda, o que inverte a lógica de precificação de soja, uma vez que será a paridade de importação,e não mais a de exportação, que definirá o preço no mercado interno. Se isso acontecer será algo inédito no mercado brasileiro. O segundo semestre de 2020 será bastante apertado para a indústria nacional e compradores de derivados de soja.

No mercado interno os preços da soja (gráfico 3) e derivados continuam firmes, sustentados pelas demandas interna e externa. Segundo o CEPEA, indústrias nacionais mostram necessidade de aquisição do grão para o curto prazo, ao mesmo tempo em que novas negociações para exportação têm sido realizadas.

Gráfico 3. Evolução preço da soja no Paraná (R$/saca de 60 kg), nos últimos 6 meses (até 10/07/2020). Fonte: CEPEA.

Provável safra recorde de milho não garante preços baixos deste insumo

Com 25% da área de milho da 2ª safra já realizada, a expectativa da CONAB é de uma produção de 100,5 milhões de toneladas na safra 2019/20, sendo novo recorde histórico. Porém, segundo o CEPEA, os preços interno e externo do milho seguem em alta no início de julho no Brasil (gráfico 4), sendo que os valores têm sido sustentados pela retração de vendedores , que evitam negociar grandes lotes , pelas altas consecutivas nos portos e pela elevação no preço do frete.

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60kg (Campinas-SP), nos últimos 6 meses (até 10/07/20). Fonte CEPEA

Como a maior parte das exportações de milho ocorre no segundo semestre, a perspectiva é de que as vendas externas ganhem ritmo nas próximas semanas. Segundo o MBAgro, A estimativa é de embarques ao redor de 32 milhões de toneladas (ano passado foram mais de 40 milhões). Esse valor seria suficiente para equilibrar o mercado interno. Embora a demanda externa pelo milho não seja tão alta quanto a da soja, o Real muito desvalorizado poderia favorecer um embarque ainda maior deste grão, resultando em situação similar à soja em termos de escassez interna.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, o suinocultor deve estar preparado para adquirir o milho em pequenas “janelas” de queda de preço durante a colheita desta segunda safra, que deve ir até agosto.

Ele ainda ressaltou que, com o arrefecimento da crise de preços no setor, é hora de retomar o foco no investimento estrutural das granjas para se adequarem às exigências cada vez maiores do mercado consumidor. “O produtor, antes de pensar em aumentar a escala de produção, deve agregar tecnologia com foco não somente na produtividade, mas também em questões de bem-estar animal, biosseguridade e uso responsável de antimicrobianos, dentre outros”.

O presidente da ABCS também reforçou a importância das medidas de prevenção à disseminação da Covid 19. “Os cuidados de todos com relação à covid-19 devem ser redobrados, pois observa-se uma intensa interiorização da pandemia no Brasil e, enquanto não tivermos uma vacina, mesmo com o recuo da doença em algumas cidades, as medidas de prevenção devem ser aplicadas da melhor maneira possível”.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos / Peixes Suinocultura

“Existem exceções, mas cada vez mais a indústria está se voltando para manejo humanitário”, diz auditora de BEA

Especialista comenta sobre processos de certificação no Brasil, como funciona BEA e quanto a suinocultura está longe de ser aquela narrada pela Xuxa

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Divulgação/Wenderson Araujo

Moira Pieta Civeira, médica veterinária, auditora de Bem-estar Animal (BEA) na SGS do Brasil, gerente técnica de Abate Humanitário pela F&S Consulting, dá capacitação para funcionários de frigoríficos no Brasil sobre bem-estar, por meio da ONG WAP (World Animal Protection). A ONG, com sede em Londres, atua com treinamentos de boas práticas de bem-estar animal nas espécies de produção, e tem cooperação com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) desde 2008. Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, ela comenta sobre os processos de certificação no Brasil, como funciona o bem-estar animal e o quanto a suinocultura, apesar de casos isolados, está longe de ser aquela narrada pela apresentadora Xuxa no vídeo da Mercy for Animals.

“O bem-estar animal, onde se origina os alimentos, tem que observar que o animal esteja em harmonia com ambiente onde vive, que possa expressar seu comportamento natural, mesmo que estejam em baias, em confinamento e no transporte. Precisa de um ambiente com condições climáticas seguras frente a intempéries e frente a situações adversas de temperatura. O suíno tem bastante dificuldade em manter sua temperatura corporal, você precisa recursos de instalações, ventilador e nebulizador no verão e proteção no inverno, do frio e das chuvas. Abrange ainda os cuidados médicos veterinários, a prevenção de doenças e o controle de doenças, caso ocorram. Bem-estar também exige qualidade de alimentação, que deve ser balanceada, feita por médicos veterinários, com disponibilidade adequada e dieta líquida à vontade”, pontua.

Ainda, de acordo com Civeira, um dos pontos cruciais é a interação entre os trabalhadores das fazendas e agroindústrias com os suínos. “O bem-estar animal está fortemente ligado na interação entre homem e animal, com manejos adequados, sem gritos, sem chutes, sem batidas ou empurrões, usando instrumentos adequados que não provoquem dor”, amplia. De acordo com ela, quanto mais silêncio for, sinal de que o suíno está se sentindo bem. Ao contrário também acontece. “O suíno, quando se vê em uma situação de perigo, de estresse, ele expressa através da vocalização”, menciona. “O bem-estar tem uma relação com o animal, com o homem e com as instalações”, sintetiza.

Para a auditora, o vídeo não representa a grande parcela da avançada produção de carne de suínos no Brasil. “Já tinha visto esse vídeo. A população está mudando muito seus valores em relação aos maus tratos a animais e à problemática desse consumo. É muito mais apelativo”, sugere. “Quem tem inspeção municipal, estadual ou federal, tem todo cuidado de bem-estar animal. O Mapa é um autocontrolador de bem-estar, das fazendas aos frigoríficos, a atua forte nos frigoríficos. Por isso, cada vez mais produtos estão sendo certificados, com rastreabilidade, com certificado de bem-estar animal”, cita. “Tem abatedouro clandestino que pode ter irregularidades, mas nos suínos de produção industrial o BEA é muito forte na produção. Antigamente as celas de parição eram isoladas. Hoje as matrizes começam a ficar juntas. Grandes empresas já têm celas de gestação comunitária, com alto controle veterinário. Em frigoríficos, por exemplo, a falta de veterinários só se forem muito pequenos ou de abates clandestinos”, acredita a auditora.

Para a profissional, o próprio mercado consumidor tem estabelecido normas de produção humanitárias. “Hoje em dia a produção é voltada à exigência de clientes. Mc Donalds, Carrefour, Pão de Açúcar, entre outras várias redes de fast food e do varejo já exigem o bem-estar animal de forma muito rígida”, exemplifica Civeira. “Onde tem selo do Mapa e de serviços veterinários oficiais tem controle muito rígido de BEA”, reforça.

Para ela, vídeos como o apresentado por Xuxa só prejudicam a parcela tão importante de produtores responsáveis. “Colocam esses vídeos, sem conhecimento, de forma pública, que passam ao consumidor ideias muito erradas da produção atual. Temos inúmeras exigências, tanto brasileiras como no exterior”, ratifica.

De acordo com ela, o controle de BEA está até mais avançado do que a microbiologia do alimento. “Existem exceções, mas cada vez mais a indústria está se voltando para o manejo humanitário, pois se esses animais tiverem estressados, com hematomas ou contusões, quem perde é o frigorífico”, destaca.

Tipos de certificações

Existem vários tipos e empresas certificadoras diferentes no mercado. Civeira explica que basicamente são três: de empresas alimentícias, a que controla o bem-estar no frigorífico e a que controla o bem-estar em toda a cadeia produtiva, desde as matrizes. “Existem vários os tipos de certificações, com o Madero, KFC, grupo Pão de Açúcar, Nestlé, que têm certificações de bem-estar”, cita. “Algumas são somente no frigorifico, que observa densidade nas baias, manejo dos funcionários, disponibilidade da área, precisa ter uma pessoa responsável pelo bem-estar no turno de produção, com contato direto com animais vivos, para ver se há contusões, doenças”, aponta.

Também, destaca a profissional, para garantir a certificação a empresa precisa seguir algumas normas, como tempo máximo de jejum, seja no transporte ou no abatedouro, e a oferta de água limpa à vontade.

Já a certificação da cadeia completa começa na fazenda e termina após o abate. “Existem certificações que incluem o campo, com a presença constante de veterinário na propriedade, mas especialmente com todas as ações documentadas, como as medicações administradas, as medições diárias dos indicadores do ambiente. Cada vez mais documentação é importante para ver os indicadores. Todo dia é preciso controlar a temperatura, o consumo de água, a quantidade de ração liberada para os animais. É preciso ter protocolo de como eliminar doentes e não aptos a continuar na produção. E para isso é essencial a capacitação dos funcionários”, enumera a médica veterinária.

De acordo com ela, é importante ressaltar que tudo é auditado, inclusive o transporte. “O transporte também é auditado, desde o manejo, da retirada dos animais, até a chegada ao frigorifico. Todos precisam ter capacitação dos motoristas, que precisam, por exemplo, ter contato de emergência caso aconteça alguma coisa com veículo para resgate dos animais e ter um plano de emergência caso ocorra alguma adversidade”, como um acidente, por exemplo. “Vai das matrizes suínas até o abate desses animais”, aponta.

Comunicação demorou

Em sua avaliação, as empresas frigoríficas demoraram muito para se comunicar claramente com seu consumidor e com a população em geral. “As empresas demoraram bastante tempo para fazer essa comunicação com o consumidor. Hoje a comunicação mais clara de bem-estar animal está na rotulagem. A comunicação das indústrias tem que ser maior nas mídias, nos sites, pois bem-estar animal está vinculado à sustentabilidade da empresa. As indústrias estão querendo se comunicar através de certificações, mas falta maior comunicação mostrando todos os cuidados em cada parte da cadeia produtiva. O consumidor não tem conhecimento da genética, das questões reprodutivas e produtiva, não tem conhecimento das boas práticas da indústria. Essas questões precisam ter maior repercussão, com comunicação clara, para a população em geral e para quem consome produtos de origem animal. E cada vez mais as falhas nessa comunicação vão oportunizar a essas pessoas uma visão distorcida da produção”, destaca.

Ela defende que a produção é questão de sobrevivência para a humanidade. “Os animais doam a vida ingenuamente para o consumo da humanidade, isso não pode parar. Por isso existe o bem-estar animal, que atua forte para evitar qualquer sofrimento desse animal”.

Ainda segundo ela, é preciso que a indústria compreenda profundamente que o consumidor está mais ético. “Falta comunicação mais clara de como funciona o abate. As empresas têm receio de guardar informações, segredos industriais, mas cada vez mais uma precisa ajudar a outra. O consumidor que consumir um alimento de maneira ética, com qualidade microbiológica, mas também qualidade social, de bem-estar animal, sem trabalho escravo, sem trabalho infantil, etc. Assim é o novo consumo”, pondera a profissional.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Singapura abre mercado para miúdos de suínos do Brasil

Atualmente, 29 plantas estão aptas a embarcar carne suína com e sem osso para este destino

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Arquivo/OP Rural

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) foi informada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre a abertura do mercado de Singapura para miúdos de suínos produzidos no Brasil. A autorização é válida para todas as unidades brasileiras habilitadas para exportar carne suína para Singapura. Atualmente, 29 plantas estão aptas a embarcar carne suína com e sem osso para este destino.

O país asiático, que já é um consolidado importador da carne suína brasileira, incrementou suas compras em 2020. Terceiro principal destino (atrás apenas de China e Hong Kong), Singapura importou 32 mil toneladas entre janeiro e julho, volume 49% superior ao efetivado nos sete primeiros meses de 2019.

“A liberação das vendas de miúdos para Singapura ocorre em um momento altamente favorável nos negócios com este mercado. Apenas em 2020, nove novas plantas foram habilitadas para embarcar produtos. A abertura do mercado para um segmento de produto tão apreciado na região reforça a posição asiática como novo maior polo mundial dos negócios internacionais para a proteína animal do Brasil”, ressalta Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria ABPA
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Suínos / Peixes Suinocultura

“Não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para desinformação”, sustenta José Luiz Tejon

Tejon defende uma comunicação mais eficiente para o público, especialmente sobre a ciência e a tecnologia hoje empregadas no meio rural

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Arquivo/OP Rural

 O Presente Rural entrevistou com exclusividade o palestrante internacional, professor e autor José Luiz Tejon. Ele é Top of Mind de RH, considerado uma das maiores autoridades nas áreas da gestão de vendas, marketing em agronegócio, liderança, motivação e superação humana. É ainda uma das cem personalidades mais influentes do agronegócio mundial. Ele defende uma comunicação mais eficiente para o público, especialmente sobre a ciência e a tecnologia hoje empregadas no meio rural. “Não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para a desinformação”, sustenta.

O Presente Rural – O agronegócio é repetidamente atacado por personalidades e pela população em geral. Porque isso acontece?

José Juiz Tejon – O agronegócio é, enquanto agricultores, querido pela população em pesquisa para a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). Dentre cinco profissões consideradas fundamentais para a vida das cidades, os agricultores foram citados ao lado de médicos, bombeiros, professores e policiais, portanto precisamos rever nossos próprios auto preconceitos. Por outro lado, cabe ao agronegócio esclarecer o que significa ciência e tecnologia envolvida hoje na produção de alimentos. Não fazemos isso, não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para a desinformação.

O Presente Rural – Como o senhor avalia o vídeo postado pela Xuxa sobre a suinocultura?

Tejon – De uma granja de suínos ultrapassada e que não responde mais pela modernidade das criações. Mas o velho ainda convive com o novo. Precisamos de comunicação esclarecedora das formas modernas de criação e bem-estar animal. Se não investir em comunicação abre espaço para desinformação, a má informação e até fake news. Neste caso essa cena existe, porém ela é ultrapassada e de uma granja que não vai ao futuro. Não representa a nova suinocultura. Importante que a nova suinocultura mostre seus procedimentos ao consumidor e para toda a sociedade. Sem comunicação não teremos futuro.

O Presente Rural – Que impactos esses desserviços fazem no agronegócio?

Tejon – Como são exemplos ultrapassados, não sobrevivem no tempo e não significam todo o setor. Como vemos em várias cadeias produtivas como leite, como já vimos nos ovos, etc. Porém, com a globalização das imagens e desinformações, podem influenciar segmentos de mercados e interferir no consumo. Não cabe mais se vitimizar e reclamar. Precisa comunicar, informar e entender que isso é vital doravante, luta pela percepção… fight for perceptions.

O Presente Rural – A comunicação do agro com o consumidor é falha? Como melhorar?

Tejon – Não temos essa comunicação. Temos a comunicação das marcas na luta – por market share, no consumidor urbano. Mas não temos uma ação permanente de educação publicitária sobre a sociedade comunicando o processo a originação e como os produtos são desenvolvidos desde a ciência até a mente dos consumidores. Não basta mais apenas falar das marcas e de seus atributos agroindustriais. Precisa comunicar os processos, a rastreabilidade e o bem-estar animal envolvido.

O Presente Rural – Porque é difícil para as agroindústrias comunicar as boas práticas na produção, como bem-estar animal, por exemplo?

Tejon – Não deveria ser nada difícil. Basta apenas reservar um percentual no orçamento da comunicação para educar consumidores sobre as práticas boas e sanitárias e humanas na originação de seus produtos. Muito fácil. Apenas uma questão de decisão. E logicamente, contratar publicitários com competência para isso. Mensagem e meios inteligentes e abrangentes.

O Presente Rural – Há pontos positivos na comunicação e marketing das empresas do agro?

Tejon. Sim, como em tudo. Sempre há o positivo e o negativo. As empresas do antes da porteira têm sido valorosas na difusão das inovações e tecnologias para o campo. Os produtores rurais, através de cooperativas principalmente, da mesma forma, como exemplo do sistema Aurora, mostrando o compromisso humano com suas famílias para a qualidade e a sustentabilidade na produção. Idem para as cooperativas de crédito, como Sicredi, revelando a evolução da qualidade de vida em áreas como o Oeste do Paraná, etc. Da mesma forma podemos ver ações da agroindústria sobre educação nutricional e também dos supermercados com o programa Rama, rastreabilidade e monitoramento de alimentos, com uma vontade de transformar 90 mil pontos de vendas em 90 mil pontos de educação de consumidores em luta inclusive contra o desperdício. Existem exemplos. O que não existe é uma reunião integrada conjunta e conjugada de esforços comunicacionais contra a desinformação e a ignorância na percepção pública.

O Presente Rural – Como seria a abordagem ideal de marketing do agronegócio para melhorar sua imagem?

Tejon – A abordagem ideal é mostrar seres humanos cuidando de seres humanos. Uma família de Medianeira (Paraná) cuidando da produção de suínos, por exemplo, com capricho, carinho e paixão para uma família que tem um restaurante a quilo em São Paulo servir com saúde a população. Precisa reunir a sociedade urbana com a rural. Humanizar.

O Presente Rural – Como a comunicação e/ou o agronegócio deve lidar com grupos extremistas ou radicais, como alguns veganos e algumas ONGs de proteção animal?

Tejon – Faz parte da vida. Não pode odiar, xingar e muito menos ignorar. Precisa tratar como seres humanos que são do agro, afinal vegano é agro; e as ONGs separar joio do trigo. Existem ONGs sérias que precisam ser convidadas para o diálogo. Sem uma postura conciliadora não vamos ao bom futuro.

O Presente Rural – Porque ainda se separa tanto o rural e o urbano se um depende do outro?

Tejon – Não se separa. Está totalmente unido. O auto preconceito é muito maior do que o verdadeiro preconceito. E o pessoal do agro embarca em canoas furadas de problemas que não são seus. A quem pertence o problema de agrotóxicos? Aos agricultores? Não. A quem pertence o problema do desmatamento ilegal? Aos produtores? Não. A quem pertence esclarecer o uso da ciência no agro? Aos produtores? Não. A quem pertence esclarecer os problemas da fome no mundo? Aos agricultores? Não. A quem pertence esclarecer os dramas da sanidade da carne nos frigoríficos? Aos pecuaristas? Não. Dessa forma cabe saber o que agribusiness significa, um sistema de cadeias produtivas, onde o elo mais fraco é o agricultor, e cabe aos “irmãos grandes”, as agroindústrias e processadores comandarem as cadeias produtivas protegendo legitimamente seus originadores, os agricultores.

O Presente Rural – Como o senhor avalia parte da sociedade que se alimenta do campo e fala mal dele? Isso vai mudar algum dia?

Tejon – A sociedade não fala mal dele. Isso é uma generalização. Na neurolinguística e na comunicação aprendemos que são três as fórmulas que são utilizadas para a “manipulação” das mentes humanas: generalização, eliminação, distorção. Ao generalizarmos: “a sociedade urbana fala mal do agro” estamos generalizando, distorcendo e eliminando outras versões de amizade e de reverência positiva aos produtores rurais. Por isso comunicação difere totalmente de manipulação. E o que precisamos é de comunicação, para a generalização positiva, para as distorções favoráveis e para a eliminação dos maus exemplos. A cidade reconhece e gosta sim dos agricultores. As exceções não representam a maioria. Mas o silêncio e a omissão das indústrias do antes das porteiras, das agroindústrias do pós-porteira e de entidades, associações do dentro da porteira na educação da sociedade cliente e consumidora é o eixo central do que precisamos cuidar doravante. Para o Brasil é para o mundo.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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