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Agro de Minas Gerais fatura US$ 6,5 bilhões e bate recorde de exportações no quadrimestre

Com crescimento de 26% na receita, setor responde por 46,8% das exportações do estado e supera a mineração; café lidera com US$ 3,9 bilhões, seguido por soja, carnes e ovos.

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Foto: Claudio Neves

A despeito das incertezas entre Estados Unidos e China em torno das tarifas comerciais, as exportações do agronegócio de Minas Gerais vão muito bem, obrigado. Novamente, os dados registram quebras de recordes e mantém o setor cada vez mais à frente da mineração em termos de vendas para o exterior.

No primeiro quadrimestre deste ano, o agro representou 46,8% do total das exportações do estado. A receita gerada pela comercialização de produtos agropecuários atingiu US$ 6,5 bilhões, com um volume exportado de 5 milhões de toneladas.

Fotos: Claudio Neves

Esse resultado consolida o melhor resultado para o período da série histórica, iniciada em 1997. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, observou-se um crescimento de 26% na receita, embora o volume tenha registrado uma redução de 6,2%.

O levantamento organizado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) aponta, ainda, que houve valorização do preço médio das commodities agropecuárias por tonelada – um aumento de aproximadamente 34%.

Com base nos dados do primeiro quadrimestre, e considerando o comportamento sazonal e as tendências de preço, a estimativa é que Minas Gerais encerre 2025 com exportações agropecuárias entre US$ 19,5 e US$ 20,5 bilhões – o que consolida o estado como um dos maiores polos agroexportadores do Brasil. Mas é preciso cautela,  como explica o secretário Thales Fernandes: “Teremos uma melhor estimativa a partir do fechamento do primeiro semestre, em julho. Esse ponto de inflexão do calendário agrícola é decisivo para avaliar o comportamento das culturas durante a entressafra, bem como os impactos de variações climáticas extremas, logística portuária, conflitos geopolíticos e oscilações nos preços de insumos e de fretes internacionais”, detalhou o secretário.

De qualquer forma, nos mantemos firmes como o terceiro maior estado exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. A capilaridade da produção agropecuária é refletida nos 160 destinos internacionais que receberam produtos mineiros nesse período. Entre eles, destacam-se a China (23%), os Estados Unidos (13%), a Alemanha (9%), a Itália (6%) e o Japão (5%).

Destaques

O café segue como o principal ator das exportações, alcançando US$ 3,9 bilhões em receita e um volume de 10 milhões de sacas comercializadas. Houve um aumento de 70% no valor e redução de 3% no volume, em relação ao quadrimestre do ano anterior. Esse recuo do volume é fruto do período de entressafra, que reduz a disponibilidade do grão. Ainda assim, a commodity foi responsável por 60% da receita total do agronegócio mineiro.

Foto: Daiane Mendonca

A soja, representada pelos grãos, farelo e óleo, registrou receita de US$ 1,1 bilhão e volume de 2,9 milhão de toneladas; no entanto, houve queda de 9% no valor e um aumento tímido de 0,7% no volume. Analisando de forma isolada, os números de abril são positivos e indicam recuperação do setor, mas os preços seguem pressionados para baixo, um desdobramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China e também pelo início do plantio do grão nos Estados.

Os ovos seguem com procura aquecida, apresentando aumento de 495% em valor. Foram US$ 6,6 milhões em receita e 278% em volume, totalizando 3 mil toneladas, confirmando a trajetória ascendente no mercado internacional. Boa parte do crescimento é devido à intensificação da demanda dos Estados Unidos, que enfrentam uma crise significativa no setor avícola devido a surtos recorrentes de influenza aviária.

As carnes tiveram aumento de receita e de volume de exportação nas três frentes: bovina, suína e de frango. Ao todo, houve um aumento de 21,4% na receita, totalizando US$ 533 milhões e 158 mil toneladas enviadas para o exterior. Principal item do segmento, a carne bovina somou US$ 374 milhões e 78 mil toneladas embarcadas, com acréscimos de 19% e 8%, na receita e volume, respectivamente. Os Estados Unidos, 2º principal comprador (atrás somente da China), seguiram adquirindo volumes expressivos da proteína, com crescimento de até 195% na comparação com o período anterior.

A carne suína segue crescendo em relevância na pauta das proteínas. As vendas somaram US$ 24 milhões, com um volume de 11 mil toneladas, sendo que todos os países aumentaram suas compras. O destaque fica por conta das Filipinas, que mesmo sendo um país estreante, ocupou o 4º lugar na lista de principais compradores, representando cerca de 10% dos embarques. O frango totalizou US$ 128 milhões, com um volume de 66 mil toneladas. O crescimento nas exportações foi de 17% na receita e 10% do volume, com destaque para as vendas para a China e um novo destino, os Países Baixos.

Outros produtos

Nesse quadrimestre, os produtos florestais (composto por  celulose, papel e madeira) ultrapassaram a receita do complexo sucroalcooleiro e firmaram-se como 4º principal grupo de produtos exportados do agronegócio. A receita foi de US$ 339 milhões e volume de 559 mil toneladas.

A mudança se deu-se pela retração significativa dos produtos sucroalcooleiros no período analisado. Houve queda de 42,5% no valor exportado e de 38% no volume embarcado, totalizando US$ 334 milhões e 711 mil toneladas. Esse desempenho reflete, em grande parte, os impactos das condições climáticas recentes. O aumento das temperaturas, aliado às chuvas mais espaçadas e mal distribuídas ao longo do ciclo produtivo, comprometeu o desenvolvimento da cana-de-açúcar, principal matéria-prima da cadeia, causando redução tanto na oferta de açúcar quanto de etanol, afetando diretamente a competitividade e o desempenho comercial do setor no mercado externo.

Fonte: Assessoria Seapa MG

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Governo federal prepara decreto de salvaguardas para acordo Mercosul-UE

Texto será analisado pela Casa Civil e estabelece mecanismos para proteger produtores nacionais em caso de aumento das importações europeias.

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Foto: Divulgação

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou na quarta-feira (25) que o decreto sobre as salvaguardas do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será enviado para a Casa Civil, onde passará por análise jurídica antes da publicação. A salvaguardas são instrumentos de proteção a produtores nacionais. 

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik

O texto prevê mecanismos para proteger produtos agrícolas, caso sejam sancionados por organismos europeus. Isso porque, no final do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul, cujas medidas seriam acionadas se importações em grande volume causarem ou ameaçarem prejuízo grave aos produtores europeus.

O setor do agronegócio nacional quer que essas salvaguardas sejam assumidas também pelo governo brasileiro, em caso de aumento das importações de produtos europeus concorrentes. “Sempre há uma preocupação de alguns setores. Então, nós estamos encaminhando a proposta, para passar pelos ministérios, o decreto de salvaguardas”, declarou o vice-presidente.

A fala foi feita após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do projeto que ratifica o acordo entre o bloco europeu e o sul-americano, que vai criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, com produção avaliada em US$ 22 trilhões e mercado consumidor de 720 milhões habitantes.

A Casa Civil poderá consultar outros ministérios, como a Fazenda, para depois enviar o decreto para assinatura do presidente da

Bandeira do Mercosul

República, antes que o Senado Federal aprove a ratificação do acordo. O texto da ratificação foi aprovado na quarta-feira pelo plenário da Câmara dos Deputados.

Como funcionam as salvaguardas

Salvaguardas são mecanismos previstos em acordos comerciais que permitem a um país reagir a surtos de importação decorrentes da redução de tarifas negociadas. Caso fique comprovado dano grave à produção nacional, o governo pode:

  • Estabelecer cotas de importação;
  • Suspender a redução tarifária prevista no acordo;
  • Restabelecer o nível de imposto anterior à vigência do tratado.

O decreto deverá definir prazos, procedimentos de investigação e condições para aplicação das medidas.

Fonte: Agência Brasil
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Câmara autoriza uso de até R$ 500 milhões do FGO para crédito do Pronaf

Projeto visa ampliar garantias para agricultores familiares sem impactar as contas da União e segue para sanção presidencial.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (16) o Projeto de Lei  2213/25, que autoriza o uso de recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para cobrir ações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O texto, de autoria do Senado, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Administrado pelo Banco do Brasil, o FGO facilita o acesso ao crédito por empresas e setores específicos, diminuindo os riscos para os bancos.

De acordo com o projeto, até R$ 500 milhões do FGO poderão ser utilizados para garantir as operações do Pronaf, que oferece linhas de crédito com condições especiais a agricultores familiares. O texto aprovado altera a Lei 13.999/20, que institui o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Um ato conjunto dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda definirá como esses recursos serão alocados, quais limites máximos de garantia poderão ser concedidos, os critérios de elegibilidade dos agricultores familiares e de suas cooperativas.

O ato deve indicar ainda quais operações do Pronaf poderão receber cobertura do FGO. As instituições financeiras autorizadas a operar

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

crédito rural no Pronaf poderão solicitar essa garantia, respeitados os limites proporcionais de suas carteiras e o montante efetivamente aportado pela União e pelos demais cotistas.

O relator do projeto, deputado Rogério Correia (PT-MG), disse que a medida não produz impacto orçamentário ou financeiro imediato sobre as contas da União. O deputado citou o Balanço Patrimonial Consolidado do próprio FGO, referente a dezembro de 2024, que mostra que o fundo detinha R$ 43 bilhões em ativos totais, o que demonstra, segundo Correia, que a eventual destinação de até R$ 500 milhões para operações do Pronaf representa uma fração modesta de sua capacidade financeira.

“A medida não afeta sua aptidão [do FGO] para dar cobertura às garantias relacionadas ao Pronampe, nem compromete a estabilidade do fundo. Diante desse cenário, conclui-se que o projeto não produz impacto orçamentário ou financeiro imediato sobre as contas da União, uma vez que apenas autoriza a utilização de recursos já existentes no FGO”, afirmou

Fonte: Agência Brasil
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Argentina e Uruguai aprovam Acordo Mercosul-UE; Brasil ainda depende de aval do Senado

Após sessões extraordinárias em Montevidéu e Buenos Aires, países iniciam processo de integração comercial.

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Uruguai foi o primeiro país do bloco a aprovar o projeto de lei que ratifica o acordo comercial interino entre o Mercosul e a União Europeia - Foto: Vila Flores/Maria Laura

O Senado uruguaio aprovou nesta quinta-feira (26) o projeto de lei que ratifica o acordo comercial interino entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em 17 de janeiro em Assunção, Paraguai. A votação ocorreu em sessão extraordinária após o término do recesso, e o projeto agora seguirá para análise da Câmara dos Representantes do país.

Foto: Divulgação/Governo do Uruguai

O senador Daniel Caggiani apresentou o acordo ao plenário, acompanhado de manifestações de senadores como Pedro Bordaberry, Sebastián Da Silva e Eduardo Antonini. O projeto foi aprovado com 91 votos a favor em um total de 93.

Também na quinta-feira, o Senado argentino confirmou a aprovação do tratado, com 69 votos a favor e três contrários, antecipando a sessão para consolidar a posição do país como um dos primeiros integrantes do Mercosul a ratificar o acordo. “Escolhemos a abertura, a concorrência e a integração no mundo; isto significa mais investimento, mais crescimento e mais empregos”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, em sua conta no X.

Brasil 

No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo na quarta-feira (25), mas o aval do Senado ainda é necessário para concluir a

Foto: Divulgação

ratificação. O tratado, que enfrenta forte apoio da Alemanha e da Espanha, encontra resistência liderada pela França, que teme impactos sobre a produção agrícola local, especialmente carne bovina e açúcar.

O acordo, fruto de 25 anos de negociações, estabelece preferências tarifárias entre os países do Mercosul e a União Europeia, abrindo caminho para expansão de exportações e maior integração econômica da região.

Fonte: O Presente Rural
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