Avicultura
Exportações de frango para países árabes somam US$ 1,75 bilhão no 1º semestre
Mesmo com impacto da gripe aviária no Rio Grande do Sul, embarques se mantêm firmes graças à credibilidade sanitária do Brasil e à manutenção de contratos de longo prazo com importadores do Oriente Médio e do Norte da África.

As vendas brasileiras de frango para os países árabes atingiram US$ 1,75 bilhão no primeiro semestre do ano, recuo de 0,53% sobre o período anterior, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que acompanha o comércio com o bloco de 22 nações do Oriente Médio e do norte africano.

Foto: Mapa
O resultado revela que o foco de gripe aviária registrado no Rio Grande do Sul no início de maio impactou as exportações a ponto de zerar o avanço de cerca de 10% nas vendas observado nos quatro primeiros meses do ano. Ao mesmo tempo, indica que os mercados árabes, com a retomada dos embarques em junho, seguem com demanda firme e com seus importadores mantendo contratos de longo prazo já firmados com frigoríficos brasileiros. “Vemos no momento embarques em bons níveis e atribuímos isso à retomada da relação e à confiança que existe entre os frigoríficos brasileiros e seus parceiros árabes. Situações como o foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul já aconteceram e não inviabilizaram a retomada das vendas, pois o Brasil tem muita credibilidade quanto a seus padrões sanitários no mundo árabe, produzindo com qualidade e exportando com responsabilidade”, reforça Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
O dirigente acredita que o recente caso de gripe aviária notificado em uma criação de subsistência na cidade cearense de Quixeramobim não deve ter impacto imediato nas exportações para os países árabes. A maior parte do fornecimento ao bloco de nações provém de granjas na Região Sul, a milhares de quilômetros do foco. A maioria dos países árabes interrompem importações só em casos extremos. Atualmente, apenas Arábia Saudita e Omã aplicam restrições ao frango do Rio Grande do Sul. O Catar, apenas sobre a produção da cidade de Montenegro, origem do foco.
De acordo com Mourad, a Câmara Árabe está atualizando com informações oficiais sobre o foco cearense as 17 representações diplomáticas árabes existentes no Brasil e os governos do bloco que buscaram a entidade, seguindo a mesma atuação no episódio do Rio Grande do Sul para favorecer a retomada dos embarques.
Recuo
Se no frango o resultado do semestre ainda se equipara ao mesmo período do ano passado, as exportações brasileiras de todos os produtos no período tiveram recuo de 16,93%, para US$ 9,22 bilhões. Mesmo com o recuo no primeiro semestre, Mourad vê com otimismo a reta final de 2025.
O dirigente pontua que os níveis de consumo nos árabes seguem com indicativos de aquecimento. Um dos sinais são os produtos brasileiros demandados pela indústria de transformação, como animais vivos, café, obras de ferro fundido e celulose, que tiveram alta sobre os seis primeiros meses de 2024, indicando atividade elevada. “As maiores economias árabes seguem com indicativos de aquecimento. O consumo segue firme. Podemos não repetir o resultado de 2024, mas teremos números comerciais expressivos, e o Brasil deve seguir com superávit expressivo”, afirma Mourad.

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Conbrasfran 2026 debate inovação, educação e negócios em meio à aceleração das transformações tecnológicas
Evento em Gramado (RS) vai reunir especialistas para discutir os impactos da falta de profissionais, os desafios da liderança e as transformações exigidas pelo novo ambiente de negócios.

A dificuldade de formar lideranças, atrair talentos e preparar equipes para um ambiente de mudanças cada vez mais aceleradas está entre os principais desafios enfrentados pelas empresas brasileiras. O tema será debatido durante a 2ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango (Conbrasfran), que será realizada de 23 a 25 de novembro, em Gramado (RS), reunindo lideranças empresariais, especialistas e profissionais da cadeia de proteína animal.

No dia 25 de novembro, o mestre em Comportamento de Consumo, diretor de Marketing e professor Romeo Busarello vai palestrar na Conbrasfran sobre “O futuro dos negócios no âmbito da produção de alimentos em larga escala” – Foto: Divulgalção
No dia 25 de novembro, o mestre em Comportamento de Consumo, diretor de Marketing e professor Romeo Busarello vai palestrar sobre “O futuro dos negócios no âmbito da produção de alimentos em larga escala”. Segundo ele, o ambiente empresarial exige uma revisão profunda dos modelos de gestão e da forma como as organizações se preparam para o futuro. “Quem não pensa o futuro trabalha o presente usando ferramentas do passado. Se uma empresa quer salvar o mês, fecha contratos. Se quer salvar o ano, corta custos. Mas, se quer salvar a próxima década, precisa investir em inovação, educação e transformação”, afirma.
Para o especialista, além dos avanços tecnológicos, as empresas precisarão enfrentar desafios ligados à formação de pessoas, à saúde mental e à escassez de mão de obra qualificada. “Vivemos uma época de excesso de informação e escassez de clareza. Há muita pressa para julgar e pouca paciência para aprender. O maior desafio das organizações não será apenas tecnológico, mas humano. Liderar equipes, desenvolver talentos e construir ambientes capazes de atrair e reter pessoas será decisivo para a competitividade dos negócios”, destaca.

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “A competitividade da indústria de alimentos dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de formar líderes, atrair profissionais qualificados e se adaptar às transformações que estão ocorrendo em ritmo acelerado” – Foto: Divulgação/Asgav
De acordo com o presidente executivo da Asgav e organizador da Conbrasfran 2026, José Eduardo dos Santos, discutir tendências de gestão e liderança é tão importante quanto debater temas técnicos da produção. “A competitividade da indústria de alimentos dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de formar líderes, atrair profissionais qualificados e se adaptar às transformações que estão ocorrendo em ritmo acelerado. A Conbrasfran busca ampliar esse olhar estratégico, promovendo debates que impactam diretamente o futuro dos negócios e da produção de alimentos no Brasil”, afirma.
A Conbrasfran 2026 reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir temas relacionados à produção animal, sanidade, qualidade industrial, mercados, inovação, geopolítica, sustentabilidade e gestão. As oportunidades de patrocínio e as inscrições para participação no evento estão disponíveis junto à organização.
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Porto de Paranaguá responde por quase 50% das exportações brasileiras de frango
Porto embarcou 1,04 milhão de toneladas nos cinco primeiros meses de 2026 e movimentou US$ 1,88 bilhão em vendas ao mercado internacional.

A Portos do Paraná alcançou 47,3% de participação nas exportações brasileiras de carne de frango nos primeiros meses de 2026. O percentual foi obtido após o embarque recorde de 1,04 milhão de toneladas de aves congeladas para o mercado internacional entre janeiro e maio. Somente em maio, foram exportadas mais de 208 mil toneladas do produto. O volume consolida o Porto de Paranaguá como líder nacional e uma das principais referências mundiais na movimentação da proteína.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando as exportações somaram 921,9 mil toneladas, o crescimento foi de 13,1%. O recorde anterior havia sido registrado em 2023, com 945,9 mil toneladas embarcadas. Os dados são do Comex Stat, sistema do governo federal que reúne informações sobre o comércio exterior brasileiro.
De acordo com o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o resultado é reflexo dos investimentos concretizados nos últimos anos. “Os investimentos realizados em infraestrutura, tecnologia e qualificação operacional são fundamentais para garantir a competitividade dos portos paranaenses e ampliar a qualidade dos serviços prestados aos nossos clientes”, afirma.
Em valores FOB, valor da mercadoria no momento do embarque, a Portos do Paraná foi responsável pela maior fatia da receita nacional, somando US$ 1,88 bilhão de um total de US$ 4,08 bilhões.
O principal destino da carne de frango exportada pelos portos paranaenses foi a China, que recebeu 114,2 mil

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
toneladas, o equivalente a 11% do total embarcado em Paranaguá. Entre os principais mercados também estão África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Japão e Arábia Saudita. Ao todo, mais de 120 países receberam o produto.
Estrutura impulsiona resultados
O diretor de Operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira, reforça que a estrutura do Porto de Paranaguá é um dos diferenciais para esse protagonismo nacional. “O grande destaque é a capacidade que o terminal possui para receber contêineres refrigerados (reefers). Paranaguá conta, de longe, com o maior número de tomadas refrigeradas do país, ultrapassando 5,2 mil plugs disponíveis”, explica.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Outro fator importante é o desempenho do Paraná na produção avícola nacional. O Estado responde por aproximadamente 35% da produção brasileira de aves para abate e boa parte desse volume segue para exportação pelos portos paranaenses.
Liderança em proteínas animais
A Portos do Paraná também ampliou a liderança nacional nas exportações de proteínas animais. Considerando carnes de frango, bovina, suína, caprina e pescados, mais de 1,4 milhão de toneladas foram embarcadas entre janeiro e maio de 2026, volume equivalente a 37% das exportações brasileiras do segmento.
O crescimento do grupo das carnes nos cinco primeiros meses do ano foi de 9,9% em relação ao mesmo período de

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
2025. Nas exportações de carne bovina, o Porto de Paranaguá embarcou 277,5 mil toneladas entre janeiro e maio. O volume representa a segunda maior movimentação do país, com participação de 24,7% nas exportações nacionais. China, Estados Unidos e Rússia foram os principais destinos do produto.
Já as exportações de carne suína pelo porto paranaense alcançaram 84,8 mil toneladas no acumulado do ano. Em 2025, o volume registrado no mesmo período foi de 79,6 mil toneladas, o que representa crescimento de 6,5%. Mais de 50 países importaram carne suína pelos Porto de Paranaguá, com destaque para Filipinas, Hong Kong e Singapura.
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Exportações de ovos caem 32,5% nos cinco primeiros meses de 2026
Brasil embarcou 12,39 mil toneladas entre janeiro e maio. Ovos processados responderam por 32% das vendas externas, maior fatia desde 2006.

As exportações brasileiras de ovos perderam força em 2026 e acumulam queda superior a 30% nos cinco primeiros meses do ano. Apesar do recuo nos embarques totais, uma mudança no perfil das vendas externas começa a ganhar espaço: os ovos processados atingiram a maior participação nas exportações para o período desde 2006.

Foto: Rodrigo Felix Leal
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostram que o Brasil exportou 12,39 mil toneladas de ovos in natura e processados entre janeiro e maio deste ano. O volume é 32,5% menor que o registrado no mesmo intervalo de 2025, quando os embarques somaram 18,36 mil toneladas.
O enfraquecimento das vendas externas também foi observado no resultado mensal. Em maio, o país exportou 2,18 mil toneladas, queda de 5,7% em relação a abril e de expressivos 59% frente ao mesmo mês do ano passado.
Embora os números indiquem desaceleração, os pesquisadores do Cepea observam uma mudança gradual na

Foto: Rodrigo Felix Leal
composição das exportações brasileiras.
Mais valor agregado
Dos 12,39 mil toneladas embarcados entre janeiro e maio, 3,99 mil toneladas correspondem a ovos processados, categoria que inclui produtos líquidos, em pó e congelados utilizados pela indústria alimentícia.
Isso significa que os processados responderam por 32% das exportações brasileiras de ovos em 2026, a maior participação já registrada para o período desde o início da série histórica analisada pelo Cepea, em 2006.
Para os pesquisadores, o resultado sugere uma alteração, ainda que discreta, no perfil das vendas externas do setor, tradicionalmente concentradas em ovos in natura.

Foto: Divulgação
A maior presença dos processados tende a ampliar o valor agregado das exportações, além de reduzir parte da dependência de mercados voltados ao consumo direto do produto.
Os ovos industrializados possuem maior prazo de validade, facilitam a logística internacional e atendem principalmente indústrias de alimentos, como fabricantes de massas, panificados, confeitaria e refeições prontas.
Mudança gradual
Apesar do crescimento relativo dos processados, os ovos in natura ainda representam a maior parcela das exportações brasileiras.
O movimento observado em 2026, no entanto, indica que o setor busca diversificar mercados e ampliar a oferta de

Foto: Rodrigo Fêlix Leal
produtos com maior nível de industrialização, estratégia que pode reduzir a volatilidade das exportações no longo prazo.
Ao mesmo tempo, a queda expressiva dos embarques totais mostra que o mercado internacional segue desafiador para a avicultura de postura brasileira.
A combinação entre menor volume exportado e maior participação dos processados revela um setor em transição: vende menos ao exterior, mas aumenta gradualmente o peso de produtos de maior valor agregado em sua pauta exportadora.



