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Suínos / Peixes Mercado

Exportações de carne suína totalizaram 63,1 mil toneladas em janeiro

Número é 7,8% menor em relação ao mesmo período de 2020

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Arquivo/OP Rural

As exportações brasileiras de carne suína totalizaram 63,1 mil toneladas, número 7,8% menor em relação ao mesmo período de 2020, com 68,5 mil toneladas, de acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Em receita, o resultado das vendas do mês alcançou US$ 146,5 milhões, desempenho 10,7% menor em relação ao realizado em 2020, com US$ 164,1 milhões.

“Tanto em aves, quanto em suínos, verificamos que houve compra antecipada de produtos pelos importadores da Ásia, que seguem o calendário chinês. Com a passagem do Ano Novo Chinês e o início de um novo ciclo de embarques, espera-se que os níveis das vendas para a região retomem os patamares praticados em 2020. Além disso, o apoio brasileiro no suprimento de produtos a países prejudicados por crises sanitárias animais também pode influenciar na elevação das exportações”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Gestação coletiva

Bem-estar animal como princípio

Coopavel é um dos exemplos mais representativos de como o bem-estar animal passou a ser tratado com prioridade pela suinocultura brasileira

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Jean Paterno/Coopavel

Com uma estrutura moderna e altíssimo status sanitário, a UPL II, da Coopavel, em Cascavel, PR, é um dos exemplos mais representativos de como o bem-estar animal passou a ser tratado com prioridade pela suinocultura brasileira.

Os produtores ganharam um aliado de peso em seu permanente esforço para a execução de uma suinocultura cada vez mais sustentável e competitiva. No final do ano passado, o Ministério da Agricultura finalmente estabeleceu, por meio da Instrução Normativa nº 113, as boas práticas de manejo e bem-estar animal preconizadas para sistemas de produção comercial.

Antiga aspiração do setor, a legislação representa um marco para a suinocultura brasileira, na medida que regulamenta os procedimentos que devem ser adotados nas unidades produtivas e indica os prazos envolvidos nos processos de adequação e transição para cada diretriz.

A normativa abre também grandes oportunidades para o setor, pois além de garantir segurança jurídica, estabelece regras claras para as práticas de bem-estar animal nas granjas, funcionando como referência para orientar os produtores, padronizar metodologias e nivelar a produção de suínos no país, condições primordiais para novos avanços nessa área.

“A publicação da IN nº 113 é uma grande conquista, pois oferece amparo legal aos produtores e define parâmetros para a melhoria das condições de bem-estar animal dentro da realidade brasileira de produção. Essa padronização é muito importante para termos, como setor, um entendimento unificado sobre o tema”, afirma Marcos Jovani Sipp, gerente da Unidade de Produção de Leitões (UPL) da Coopavel, uma das principais cooperativas brasileiras e que detém destacada atuação na produção de suínos.

Com investimentos constantes e tendo o bem-estar animal como um de seus pilares balizadores, a cooperativa paranaense possui uma estrutura produtiva de suínos que a projeta como um modelo a ser seguido nessa área no Brasil.

Considerada a “menina dos olhos” do sistema de suínos da Coopavel, a UPL II é um exemplo cabal de como o bem-estar animal pode ser tratado com excelência na suinocultura brasileira.   Localizada no distrito de Juvinópolis, PR, a unidade conta com um plantel de fêmeas puras para produção de matrizes de reposição. Em operação desde 2016, a UPL II passa por processo de ampliação que a consolidará como a maior e mais moderna unidade desse tipo no país. Assim que estiver concluída – o que deve acontecer nos próximos meses – a unidade terá 12,6 mil matrizes alojadas, que serão responsáveis por uma produção de mais de 400 mil leitões ao ano.

O novo núcleo contempla os mais rigorosos padrões sanitários, ambientais e de bem-estar animal e simboliza o que há de mais avançado na suinocultura atual. Tudo foi pensado e está sendo executado para garantir máxima produtividade, sanidade e conforto aos animais.

Um dos grandes diferenciais da nova estrutura está justamente no bem-estar animal. O alojamento das fêmeas é coletivo e sua alimentação é realizada através de um moderno sistema com estações minibox, que fornece ração para cada fêmea de maneira individualizada e de acordo com suas necessidades nutricionais. “As fêmeas são mantidas em gaiolas até os 35 dias de gestação e depois alojadas em grupo para que possam expressar seu comportamento natural”, explica Sipp.

Todos os animais são alojados em galpões dimensionados para garantir seu conforto e segurança, com ambiente e piso adequados, respeitando a densidade preconizada para cada categoria. A densidade usada, por exemplo, para fêmeas em pré-cobertura é de 1.3 m², de 1.5 m² para leitoas gestantes e de 2 m² para fêmeas gestantes.

Sanidade

A sanidade é outro grande pilar da ULP II. Construída numa área isolada e com rigorosos protocolos de biossegurança, a unidade da Coopavel detém um dos melhores status sanitários do país. Todos os animais da unidade são livres de Mycoplasma Hyopneumoniae e APP. Essa condição sanitária, além de potencializar o desempenho produtivo do plantel, reduz a incidência de doenças, a necessidade de uso de medicamentos e vacinas, maximizando o bem-estar dos animais. A unidade conta ainda com um médico veterinário sanitarista in loco, exclusivamente dedicado ao acompanhamento diário dos suínos.

Além do aspecto sanitário, a equipe da Coopavel adota e executa uma série de manejos para assegurar uma produção humanitária e atender as cinco liberdades fundamentais dos animais. Na UPL II, práticas consideradas invasivas e dolorosas, como a mossa, castração cirúrgica e corte dos dentes não são usadas. Na unidade 100% dos leitões são imunocastrados. Não há desgaste dos dentes dos leitões. A identificação e rastreabilidade dos animais é feita por meio de tatuagem e outros métodos mais modernos.

Equipe que faz a diferença

Atenção especial também é dada ao manejo nutricional. As dietas são específicas e variam de acordo com a categoria dos animais. Os colaboradores são capacitados para evitar falta de alimento e/ou interrupções no seu fornecimento, assim como para promover a manutenção e ajustes diários dos comedouros e bebedouros, garantindo uma alimentação em qualidade e quantidade adequadas aos animais.

Além da modernidade de sua estrutura física, do emprego de equipamentos de alta tecnologia em todos os seus processos, da adoção de boas práticas de manejo e do elevado status sanitário, um dos grandes diferenciais da UPL II está no preparo e qualidade técnica de seus colaboradores. Todos são permanentemente capacitados para compreender e atender as exigências comportamentais, ambientais e nutricionais dos animais. “Não há como dissociar o bem-estar animal da atuação da equipe na granja”, afirma Marcos Sipp. “Investimos muito em treinamento e por isso contamos com colaboradores altamente capacitados e engajados, aptos a entender o comportamento dos animais e promover as melhores práticas de manejo”.

Ganhos éticos e produtivos

De acordo com Marcos Sipp, o bem-estar animal é um dos princípios que regem a atuação da Coopavel. Trabalhar pela melhoria contínua da qualidade de vida dos animais ao longo de todo ciclo produtivo é um compromisso indissociável da cooperativa. Os investimentos fazem parte de uma decisão estratégica da empresa. Afinal, os ganhos não são apenas éticos, mas também produtivos. “Só é possível extrair a máxima eficiência de um animal quando se dá a ele condições plenas para que ele expresse o seu máximo potencial. Isso requer o melhor manejo, o melhor ambiente, a melhor genética. E esse tem sido o foco da Coopavel”, comenta.

Segundo Sipp, para se manter na dianteira da suinocultura, a Coopavel realiza investimentos constantes em sua estrutura produtiva e aposta em parcerias estratégicas, como a que mantém com a Agroceres PIC, que além de material genético de altíssima qualidade, lhe coloca em contato com os mais avançados conceitos e tecnologias da produção de suínos, nas mais diferentes áreas. “A Coopavel está sempre atenta as inovações e tendências do mercado de suínos. Investimos para atuar na fronteira da suinocultura. Nosso objetivo é atender com excelência as demandas do mercado nacional e internacional, mas, principalmente, garantir novas oportunidades para nossos associados”, sintetiza o gerente da Coopavel.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Bem-Estar Animal

Gestação coletiva ganha força e dispara entre gigantes da suinocultura brasileira

Na gestação coletiva as porcas ficam juntas e têm espaço para interagir e demonstrar seus comportamentos naturais

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Divulgação/Pamplona

A gestação coletiva na suinocultura é tema recorrente nas discussões de produtores, agroindústrias, médicos veterinários, ONGs de proteção animal e consumidores. Mais que uma tendência, a gestação coletiva a partir do 35º dia agora tem data para acontecer. Os novos projetos terão dez anos para cumprir a meta, substituindo totalmente esses equipamentos por baias de gestação coletiva. Para empreendimentos anteriores à publicação da Instrução Normativa 113, que estabelece as boas práticas de manejo e bem-estar animal nas granjas de suínos de criação comercial, publicada em dezembro passado, o prazo para adequações é maior: até 2045.

Na gestação coletiva as porcas ficam juntas e têm espaço para interagir e demonstrar seus comportamentos naturais. Antes da lei entrar em vigor no entanto, por conta própria, as principais agroindústrias e restaurantes do país começaram a migrar das baias individuais para as coletivas. Em dezembro do ano passado, um estudo divulgado pela Alianima, organização de proteção animal e ambiental que atua diretamente para reduzir o sofrimento de animais, divulgou um balanço de como está esta transição de dez grandes empresas que assumiram compromissos públicos de eliminar as gaiolas de seus sistemas produtivos. Elas estão em estágios distintos de evolução.

Embora mais atentas e preocupadas em minimizar o sofrimento dos suínos, ainda há um caminho a percorrer até 2029. Em síntese, essa é a principal conclusão da primeira edição do Observatório Suíno 2020, relatório que visa acompanhar a evolução da transição das empresas com compromissos públicos voluntários de banir as celas de gestação na indústria da carne suína brasileira em um determinado prazo. O prazo varia conforme a empresa, entre 2022 e 2029.

“O alojamento das porcas em baias coletivas proporciona produtividade e saúde igual ou superior quando comparada às celas individuais. Além disso, o exercício físico durante a gestação melhora o desempenho no parto”, afirma Patrycia Sato, presidente da Alianima. Nos últimos cinco anos, quando essa agenda começou a ganhar corpo entre as organizações do terceiro setor no Brasil, constatou-se uma melhora significativa nesse cenário. “Temos um consumidor mais consciente e exigente, uma indústria mais atenta e preocupada com o sofrimento animal, e mais organizações oferecendo esclarecimento e suporte para que a transformação ocorra da forma mais justa e consistente possível”, sintetiza a presidente da Alianima, acrescentando que o Brasil é o quarto maior produtor e também o quarto maior exportador de carne suína do mundo. “O que torna essa agenda ainda mais relevante e urgente”, completa.

A primeira edição do relatório, que terá periodicidade anual, visou monitorar as dez empresas que hoje no Brasil têm o compromisso público de banir as celas de gestação na indústria da carne suína: Alegra Foods, Aurora, BFFC, BRF (Sadia e Perdigão), Burger King, Frimesa, JBS, McDonald’s, Pamplona e Subway. Dessas, seis são indústrias, grandes produtoras, e as outras quatro são redes de restaurantes, compradores de carne suína. “Esse relatório se faz mais do que necessário numa época em que cada vez mais é exigido um tratamento digno e com um mínimo de estresse aos animais, desde a gestação até o momento do abate”, diz Patrycia.

Das empresas observadas, quatro optaram por não responder ao questionário enviado: Aurora, Burger King, McDonald’s e Subway. “Esperamos que essas empresas possam revisar seus posicionamentos e dar mais transparência às suas ações nessa agenda. A transparência nas informações é cada vez mais cobrada por consumidores e investidores”, observa a presidente da Alianima.

Entre as participantes, a Pamplona foi a que apresentou o maior grau de evolução, com 77% das matrizes suínas já alojadas em baias em grupo durante a fase de gestação. A JBS, segunda maior produtora de carne suína do mundo, também já entrou em uma fase mais avançada, com índice de 58%. A BRF, outra gigante do setor – 13ª maior indústria de carne suína do mundo –, e a rede BFFC – um dos maiores grupos de food service da América Latina (com as marcas Bobs, KFC, Pizza Hut e Yoggy), têm 35% das suas matrizes suínas alojadas em baias coletivas. Por fim, Alegra Foods e Frimesa apresentaram índice de 30%.

Além disso, todas as seis empresas produtoras de carne suína que participaram da pesquisa responderam que pretendem implementar ou já implementaram a castração cirúrgica com anestesia ou imunocastração, item também contemplado na IN 113. A maioria das empresas produtoras também disse que pretende implementar ou já implementou o banimento do corte de dentes. Já o corte de cauda é um procedimento que as empresas não demonstraram intenção de colocar em prática, alerta o estudo. A adoção de formas menos dolorosas para identificação dos animais foi ou será implementada por mais da metade das empresas produtoras participantes do estudo. Ainda, mais da metade das produtoras respondentes afirmaram que pretendem interromper o uso de antibióticos para fins não terapêuticos.

Avaliação

O questionário para medir o progresso em toda a cadeia de abastecimento das empresas sobre a eliminação das celas de gestação contemplou questões relacionadas aos seguintes itens de avaliação e monitoramento:

  • Porcentagem de matrizes suínas já alojadas em baias em grupo durante a fase de gestação;
  • Período de alojamento das matrizes em celas individuais preconizados por cada empresa;
  • Implementação de melhores práticas no manejo de leitões, tais como imunocastração e banimento de corte de dentes, cauda e orelha;
  • Verificação do uso de antibióticos para fins não terapêuticos;
  • Dificuldades encontradas pelas empresas para prosseguir com a transição.

Mudanças

Na criação de suínos, algumas das principais mudanças apontadas pela Alianima são: fim das celas gestacionais. A porca prenha fica em uma cela mínima, que a impede de se mexer. Isso pode causar sofrimento, como dores e atrofia muscular; banimento de corte de dentes, caudas e orelhas de leitões, que causam dores e inflamações nos animais, além do fim do uso de antibióticos para fins não terapêuticos (promotores de crescimento).

Pamplona é a mais adiantada no processo de transição

A Pamplona Alimentos é quem está mais adiantada no processo, com 77% das matrizes já em sistemas de gestação coletiva. “A Pamplona Alimentos SA possui atualmente em seu sistema de integração 47.885 matrizes, sendo que 77,78% do plantel já atende a exigência da Instrução Normativa Nº 113 do Mapa”, destaca a empresa em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural. As granjas, localizadas no Estado de Santa Catariana, principalmente nas regiões do Alto Vale do Itajaí, Sul e Meio Oeste, atingiram o índice no fim de 2020.

“A Pamplona vem trabalhando desde a formação de sua integração em projetos de gestação coletiva, entretanto com as mudanças de mercado e de legislações os projetos têm sofrido aprimoramentos. A visão de utilizar baias coletivas sofreu forte influência do mercado Europeu, que há muitos anos vem sinalizando as mudanças esse sistema produtivo”, destaca a empresa.

Manter os índices produtivos foi o maior desafio, de acordo com a empresa. “O principal desafio foi a confiabilidade na manutenção dos índices zootécnicos reprodutivos, pois as alterações de fluxo de manejo operacional e uso das instalações passaram e ser diferentes do que habitualmente fazíamos, e até que os resultados se consolidassem passamos por este desafio”, menciona a Pamplona. “Toda mudança gera adaptação, no início foram encontrados alguns desafios produtivos que com pequenos ajustes de manejo e infraestrutura foram sanados, hoje não observamos alterações entre diferentes instalações ou manejos”, sustenta a empresa.

O sistema de integração da Pamplona vem se adaptando à gestação coletiva há vários anos, “sendo esta uma questão intrínseca ao modelo produtivo que preconizamos, ou seja, nós acreditamos que este modelo é o mais sustentável e faz parte da cultura da empresa”, diz em resposta ao jornal O Presente Rural.

Conforto

Entre os pontos positivos da gestação coletiva, a empresa observou uma qualidade de vida superior para as fêmeas que se reflete até para os funcionários das granjas. “O conforto dos animais é nítido neste modelo, ocorre redução dos comportamentos estereotipados, as matrizes ficam mais tranquilas, o que provoca nas pessoas uma sensação mais prazerosa no trabalho com os animais”, destaca.

Ente os pontos negativos do sistema, cita a empresa, “ocorrências de disputas hierárquicas no momento da formação dos lotes (baias) e maior dificuldade de controlar o escore corporal.

Questionada sobre a possibilidade de antecipar-se ao prazo de 2026 estipulado por ela, já que hoje praticamente 8 em cada 10 matrizes já estão nesse sistema, a empresa respondeu: “O compromisso que o Pamplona SA assumiu é de até o final do ano de 2026 tenhamos concluído toda a transição para o modelo de gestação coletiva. Os esforços da empresa são para atender esta data. Estaremos mantendo o mercado informado da evolução”.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suínos

Zearalenona: a vilã na granja de reprodução

Para alcançar as metas relacionadas à reprodução e garantir rentabilidade na atividade, o uso de um adsorvente com potente ação para zearalenona é fundamental

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Artigo escrito por Mara Costa, TSM Suínos KASA

Na busca pelo maior número de desmamados/fêmea/ano, o máximo desempenho reprodutivo das matrizes é essencial. Qual é o impacto neste parâmetro, planejamento da granja e dano econômico se em um lote de fêmeas, a taxa de parto cai ou elas apresentarem anestro? Quando esse dano é verificado?

Esses são apenas alguns dos sinais observados na contaminação por zearalenona. É importante mencionar que não é possível verificar por quanto tempo e qual o nível de contaminação ao qual as fêmeas foram submetidas, a menos que o monitoramento de micotoxinas já seja uma análise implementada na rotina da Granja.

O uso de adsorvente de micotoxinas, principalmente nas fases reprodutivas, se torna item essencial para que rentabilidade na produção seja alcançada. A adoção dessa tecnologia é uma medida preventiva para um desafio cujo diagnóstico e adoção de medidas corretivas imediatas nem sempre são possíveis.

Como evitar as micotoxinas e seus efeitos?

As micotoxinas são resultantes do metabolismo secundário de fungos, que contaminam os grãos. O crescimento fúngico depende de diversos fatores como umidade, temperatura, presença de oxigênio, contaminação por microrganismos e outros.

O controle deve ser composto pela prevenção da contaminação e crescimento fúngico e inativação dos compostos tóxicos produzidos por estes: as micotoxinas. Práticas com objetivo de melhorar a conservação dos grãos durante o armazenamento podem ser eficazes, diminuindo o risco de contaminação por fungos e, consequentemente, a formação de micotoxinas.

Os adsorventes têm o papel de evitar que as micotoxinas sejam absorvidas no sistema gastrointestinal dos animais. São inúmeros os produtos disponíveis no mercado, entretanto, nem todos têm ou apresentam os resultados que comprovam eficácia. A composição dos adsorventes atuais são as mais variadas, porém, o adsorvente deve:

  • Ser estável durante o processo de fabricação e estocagem;
  • Atuar apenas na micotoxina, sem interação com demais compostos da ração;
  • Apresentar eficiência nos diferentes pHs do sistema digestivo;
  • Ser específico para a micotoxina que causa o dano na fase ou categoria que busca prevenção do dano.

Por que ser específico para zearalenona?

Ao escolher o adsorvente, em muitos casos, o custo do produto é o único critério avaliado. Entretanto, na fase reprodutiva, é recomendável que a eficiência do produto seja avaliada, já que os danos reprodutivos têm alto impacto na rentabilidade e é para a categoria de animais de maior valor dentro do sistema de produção.

O suíno é considerado a espécie mais susceptível à zearalenona, sendo produzida por fungos do gênero Fusarium, contaminante natural do trigo e o milho em diversas regiões.

No suíno a  zearalenona causa  a síndrome do hiperestrogenismo, clinicamente conhecido como vulvovaginite. Os sinais e gravidade dependem da concentração de toxina na ração, período de ingestão e idade do animal. Os animais mais jovens, no caso, as leitoas, são os mais sensíveis.

Os sinais de contaminação após a ingestão são os mais variados e aparecem após 1 a 4 semanas. Os mais perceptíveis na granja são a recusa de alimento, que se deve ao sabor desagradável causado pela contaminação fúngica (essa contaminação ainda pode diminuir o valor nutricional do alimento, principalmente energia, que é consumida pelo fungo). Na maternidade verifica-se hiperestrogenismo (avermelhamento e aumento de volume da vulva) em leitoas que nasceram de matrizes intoxicadas.

Entretanto, o grande prejuízo, se deve a anomalias no ciclo estral e os sinais podem ser: infertilidade, pseudogestação, sinais de estro permanente, reabsorção embrionária, diminuição na taxa de parto, redução no número de nascidos, edema de glândula mamária, prolapso retal e vaginal, canibalismo pela inquetação dos animais. Esses todos também são sinais de contaminação por zearalenona.

Como os sinais podem levar duas semanas após a ingestão da ração contaminada para aparecerem e a ração já pode ter acabado e outro lote iniciado, a análise do alimento e da matéria-prima vai auxilia no monitoramento e controle, e nem sempre na intervenção curativa. Por isso o uso de uma ação preventiva de controle é fundamental. A zearalenona, pela estrutura química complexa, é uma micotoxina que exige um adsorvente com alta capacidade de ligação para ter ação.

Para alcançar as metas relacionadas à reprodução e garantir rentabilidade na atividade, o uso de um adsorvente com potente ação para zearalenona é fundamental.

Qual escolher?

Dentre a variedade de adsorventes presentes no mercado, verificar os que tem atuação específica para zearalenona é fundamental para se utilizar na fase de reprodução. Um componente orgânico que merece destaque é a Leonardita. Extraída de uma camada específica do solo, é segura e não absorvida pelo sistema digestivo do animal. Sua composição é complexa em relação às cargas polares, promovendo potente ação na ligação com a Zearalenona, uma micotoxina complexa que nem todos os compostos presentes em adsorventes conseguem ter ação.

Esse componente, não digestível, garante ao produto:  estabilidade no processo de fabricação e armazenamento, estabilidade no sistema digestivo animal com a não absorção dos compostos e alta especificidade na desativação da zearalenona.

Em avaliação “in vitro”, um adsorvente a base de leonardita, apresentou adsorção em pH 3 e pH7, adsorção média de 94,3% e 93,9%, respectivamente para Zearalenona.

Em avaliações com leitoas, categoria mais sensível à zearalenona, foram comparado os grupos: NC – dieta controle sem contaminação por zearalenona; PC – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona; TS1 – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona + 0,1% de produto composto de leonardita; TS2 – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona + 0,2% de produto composto de leonardita e TS3 – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona + 0,3 % de produto composto de leonardita.

Aos 42 dias de avaliação foi comparada a performance dos animais através do ganho de peso diário (GPD). O grupo positivo apresentou menor GPD em relação ao grupo negativo, e o uso do produto permitiu que os animais tivessem GPD não diferente ao grupo com contaminação negativa, apesar de consumirem ração com 1 ppm de zearalenona. O uso do produto em até 3 kg/T de ração não diminui a performance das leitoas, indicando que não há interação dele com demais componentes da dieta.

Figura 1: Eficácia da ligação “in vivo” do adsorvente com leonardita à zearalenona em leitoas

Ao avaliar a excreção de zearalenona nas fezes (Figura 1), o resultado é expresso na porcentagem da quantidade de zearalenona nas fezes sobre a quantidade consumida. No grupo CP houve excreção de 35% e 36% de zearalenona, respectivamente nos dias 21 e 42 de avaliação. Nos demais grupos, o adsorvente a base de leonardita, aumentou significativamente (p<0,05) a excreção de zearalenona nas fezes, se mostrando eficaz na ligação com a micotoxina e evitando que esta seja absorvida pelo animal.

Conclusão

  • Micotoxina é um desafio sempre atual, o controle deve ser composto pela prevenção da contaminação e crescimento fúngico nos cereais e inativação das micotoxinas nas dietas dos animais;
  • Suínos são a espécie mais susceptível à zearalenona. Entretanto, a gravidade dos sintomas depende da concentração da toxina no alimento, período de consumo e idade dos animais, sendo as leitoas a categoria mais sensível;
  • A contaminação por zearalenona em matrizes provoca falhas reprodutivas impactando negativamente a rentabilidade no sistema de produção;
  • A diversidade dos sinais e o período em que os mesmos aparecem após o consumo do alimento contaminado dificultam o diagnóstico e a adoção de medidas curativas, sendo primordial o uso de medida preventiva na ração: os adsorventes;
  • Pela complexidade da estrutura química da zearalenona é necessário o uso de um adsorvente específico para essa toxina;
  • O adsorvente deve ser seguro na fabricação do alimento, estocagem e no sistema digestivo animal, não pode ser digerido e não deve interagir com demais compostos da ração. A ação deve ser específica à zearalenona, excretando esta via fezes no animal;
  • O composto orgânico leonardita tem alta especificidade com a zearalenona. Em avaliações “in vitro” demonstra elevado adsorção em pH 3 e pH7. Em avaliações “in vivo”, seu uso não compromete a performance animal e promove alta excreção da zearalenona nas fezes, comprovando ser eficaz no controle de zearalenona.

Fonte: Assessoria
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