Suínos
Exportações de carne suína do Paraná avançam com novos mercados e maior demanda internacional
Filipinas, Hong Kong e Uruguai estão entre os principais compradores da proteína produzida no estado.

A suinocultura do Paraná segue em ritmo de crescimento nas exportações em 2026. De acordo com o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Estado registrou os maiores volumes já embarcados para o primeiro bimestre da série histórica.
Em janeiro, foram exportadas 17,02 mil toneladas de carne suína, enquanto em fevereiro o volume chegou a 20,62 mil toneladas. Apesar do avanço, o recorde mensal ainda pertence a setembro de 2025, quando o Paraná embarcou 25,18 mil toneladas.
O desempenho positivo é atribuído à abertura de novos mercados em 2025, como Peru e Chile, além do aumento das compras por parte das Filipinas, que ampliaram suas importações em 442,1% em relação ao ano anterior, somando 9,3 mil toneladas no acumulado de 2026.
Entre os principais destinos da carne suína paranaense também estão Hong Kong, com 6,5 mil toneladas, Uruguai (5,1 mil t), Singapura (4,2 mil t), Argentina (3,7 mil t), Vietnã (1,8 mil t), Costa do Marfim (1,5 mil t), além de Peru (840 t), Geórgia (720 t) e Chile (642 t).

Suínos
Brasil registra melhor maio da história para exportações de carne suína
Volume embarcado pelo Brasil cresceu 8,8% em relação ao mesmo mês de 2025.

As exportações brasileiras de carne suína, considerando os produtos in natura e processados, atingiram em maio o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 1997.
Segundo dados da Secex, o Brasil embarcou 127,9 mil toneladas de carne suína em maio. O volume ficou 7,5% abaixo do registrado em abril, mas superou em 8,8% o resultado observado no mesmo mês de 2025.
O desempenho reforça o bom momento das exportações do setor ao longo de 2026. Mesmo com oscilações mensais nos volumes embarcados, os resultados seguem acima dos registrados no ano passado, indicando manutenção da demanda internacional pela proteína brasileira.
De acordo com análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor tem conseguido ampliar as vendas externas mesmo durante o primeiro semestre, período que tradicionalmente concentra menor movimentação no mercado internacional.
A avaliação é de que os embarques refletem os esforços da cadeia produtiva para diversificar mercados e ampliar a presença da carne suína brasileira no exterior, estratégia que vem sustentando os resultados positivos ao longo do ano.
O recorde para o mês de maio reforça a relevância das exportações para o setor, especialmente em um cenário de aumento da produção nacional e busca por maior equilíbrio entre a oferta interna e a demanda externa.
Suínos
Brasil exporta mais carne suína, mas recebe menos pela tonelada vendida
Embarques cresceram 4,7% em maio e chegaram a 111 mil toneladas, enquanto o preço médio recuou 3,34% na comparação com o mesmo mês de 2025.

As exportações brasileiras de carne suína mantiveram trajetória de crescimento em maio de 2026, impulsionadas pelo aumento dos volumes embarcados. Os preços, porém, apresentaram recuo na comparação com o mesmo período do ano passado, indicando um cenário distinto do observado em outras proteínas animais exportadas pelo país.

Foto: Shutterstock
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os embarques de carne suína totalizaram 111 mil toneladas em maio, volume 4,72% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.
O resultado confirma a continuidade da demanda internacional pela proteína brasileira e contribui para o desempenho positivo das exportações do agronegócio nacional, que somaram US$ 16 bilhões no período, alta de 8,2% em relação a maio do ano passado.
Ao contrário do que ocorreu com carnes bovina e de frango, os preços da carne suína apresentaram ligeira retração na comparação anual. O valor médio das exportações ficou em US$ 2.503 por tonelada, queda de 3,34% frente a maio de 2025.
Na comparação com abril de 2026, entretanto, os preços permaneceram praticamente estáveis, sinalizando um mercado externo sem oscilações significativas no curto prazo.

Foto: José Fernando Ogura
O desempenho de maio mostra que o crescimento das exportações da proteína foi sustentado principalmente pelo aumento dos volumes embarcados. Com preços relativamente acomodados, a expansão das vendas externas continuou dependendo da ampliação da demanda nos mercados compradores.
A carne suína segue entre os principais produtos da pauta exportadora do agronegócio brasileiro, com participação crescente em mercados da Ásia, América Latina e outras regiões importadoras. Os números de maio indicam que, apesar da pressão sobre os preços, o produto mantém competitividade suficiente para ampliar sua presença no comércio internacional.
Suínos
Doença de Glässer desafia biosseguridade nas granjas de suínos
Enfermidade bacteriana afeta principalmente leitões na creche e exige diagnóstico preciso, vacinação estratégica e manejo sanitário rigoroso.

Artigo escrito por Daniela Bruna Ferrandin, Hipra Saúde Animal
A doença de Glässer é uma enfermidade bacteriana de relevância clínica em suínos jovens, manifestando-se predominantemente durante a fase de creche e, com menor frequência, na fase de terminação. É causada por Glaesserella parasuis, uma bactéria gram-negativa integrante da microbiota comensal do trato respiratório superior dos suínos. A colonização da microbiota respiratória ocorre precocemente, principalmente por meio do contato com a fêmea e com o ambiente nos primeiros dias de vida.
Em condições fisiológicas normais, esse microrganismo permanece restrito às mucosas respiratórias; entretanto, alterações no equilíbrio do hospedeiro — como o estresse do desmame, a mistura de leitões de diferentes origens, falhas de manejo, desafios sanitários concomitantes ou imaturidade da resposta imune — podem favorecer a translocação bacteriana e a disseminação sistêmica, culminando no desenvolvimento da doença clínica.
Os sinais mais frequentemente observados incluem febre, dispneia, apatia, claudicação e manifestações inflamatórias sistêmicas, como polisserosite, meningite e artrite. Em animais na fase de terminação, a infecção tende a apresentar curso subclínico, sendo frequentemente evidenciada ao abate pela maior ocorrência de pleurisias, com impacto negativo sobre o rendimento de carcaça.
Diagnóstico para tomada de decisão

O diagnóstico da doença de Glässer deve ser estabelecido de forma integrada, considerando o histórico sanitário do plantel, a idade dos animais acometidos, os sinais clínicos observados, achados macroscópicos de necropsia e as lesões histopatológicas compatíveis, associados à identificação do agente em tecidos normalmente estéreis. Para o diagnóstico laboratorial, amostras de pleura, peritônio, articulações e meninges, bem como lesões de polisserosite em pericárdio e cavidade abdominal, são consideradas de maior valor diagnóstico.
Por se tratar de um microrganismo comensal do trato respiratório, amostras de pulmões e cavidade nasal não são recomendadas para confirmação da enfermidade, uma vez que resultados positivos nesses tecidos não permitem correlação direta com doença clínica. Além disso, G. parasuis é reconhecida como um agente de difícil isolamento, o que limita a confiabilidade de métodos bacteriológicos convencionais e reforça a aplicação da PCR como ferramenta diagnóstica complementar, quando interpretada em conjunto com os achados clínicos e anatomopatológicos.
A escolha do plano de vacinação
Do ponto de vista epidemiológico e imunológico, a bactéria apresenta elevada diversidade genética e antigênica, com múltiplos sorotipos descritos e ampla variação na expressão de fatores de virulência e imunogenicidade. Embora alguns sorotipos sejam mais frequentemente associados a quadros clínicos graves, a relação entre sorotipo, patogenicidade e capacidade de indução de resposta imune não é linear.
Cepas pertencentes ao mesmo sorotipo podem apresentar comportamentos biológicos distintos e, adicionalmente, cepas isoladas de quadros clínicos importantes podem não manter adequada imunogenicidade após os processos de inativação, limitando sua utilização como antígenos vacinais. Assim, a patogenicidade observada em campo não deve ser utilizada como único critério para definição de estratégias de imunização.

Nesse contexto, o conhecimento atual indica que a composição antigênica da vacina representa um dos principais determinantes da eficácia vacinal. Vacinas mais efetivas são aquelas que incluem cepas capazes de induzir resposta imune ampla e funcional, independentemente de sua classificação como altamente patogênicas em condições naturais.
Entre os determinantes dessa resposta, destaca-se a presença das proteínas de membrana externa da família VtaA (virulence-associated trimeric autotransporters), reconhecidas como componentes-chave na indução de resposta humoral protetora. Cepas que expressam o fator VtaA estão associadas à produção de anticorpos funcionais capazes de promover opsonização eficiente e proteção heteróloga frente a diferentes sorotipos circulantes. Dessa forma, a presença de cepas portadoras de VtaA no antígeno vacinal constitui um requisito técnico relevante para garantir respostas imunes consistentes.
Embora a diversidade antigênica observada em campo tenha levado, historicamente, à inclusão de múltiplos sorotipos em uma mesma formulação vacinal, evidências científicas demonstram que a eficácia da vacinação está diretamente relacionada à concentração antigênica e não ao número de sorotipos presentes. A inclusão excessiva de componentes tende a diluir a concentração individual de cada antígeno, reduzindo a intensidade da resposta imune.
Assim, vacinas formuladas com um número limitado de sorotipos estrategicamente selecionados, associados a fatores relevantes de imunogenicidade, como VtaA, e apresentados em alta concentração antigênica, demonstram maior previsibilidade de resposta em condições de campo.
Posicionamento do protocolo vacinal

Em relação aos protocolos de imunização, a vacinação do plantel reprodutivo contribui para a transferência de imunidade passiva via colostro e para a modulação da colonização da microbiota respiratória dos leitões. No entanto, essa proteção é transitória e pode não ser suficiente em granjas com elevado desafio sanitário ou ocorrência precoce da doença. Além disso, protocolos posicionados após o período de instalação das lesões tendem a apresentar impacto limitado. Dessa forma, recomenda-se que os leitões sejam imunizados antes da idade crítica de aparecimento dos sinais clínicos, por meio de protocolos com duas doses, geralmente na primeira e na terceira semana de vida, garantindo o efeito booster e maior duração da imunidade ativa.
Pontos fundamentais
O controle eficiente da doença de Glässer não deve basear-se exclusivamente na identificação do sorotipo isolado em campo. A escolha da vacina deve considerar critérios técnicos consolidados, como imunogenicidade comprovada, proteção heteróloga, presença de cepas portadoras de VtaA, alta concentração antigênica e adequado posicionamento do protocolo vacinal. Adicionalmente, vacinas com histórico consistente de uso e resultados positivos ao longo de anos em condições de campo tendem a oferecer maior previsibilidade e segurança para o controle sustentável da enfermidade.
A referências bibliográficas estão disponíveis com a autora: [email protected]. A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.



