Suínos Em 2019
Exportações de carne suína brasileira crescem no primeiro semestre
Balanço de janeiro a maio demonstra avanço no mercado externo e demanda interna também é maior, por isso, suinocultor precisa valorizar o seu produto

Evento previsto desde o início do ano, principalmente após o surto de Peste Suína Africana que ocorreu na China, as exportações de carne suína no Brasil têm sido crescentes. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) indicam que a exportação da proteína in natura apresentou um salto nos meses de abril e maio de 2019, totalizando 247,4 mil toneladas no acumulado do ano. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o total exportado até maio de 2019, incluindo carne processada, chegou a 282,9 mil toneladas, volume 16,3% superior ao mesmo período de 2018. Esse é o registro mais próximo do recorde, que ocorreu em 2016, quando houve o embarque de mais 630 mil toneladas de carne suína.


O grande salto nos volumes se deu nos meses de abril e maio de 2019 e, no acumulado do ano, o Brasil já exportou 19,02% a mais que em 2018. O aumento foi observado nos três maiores países importadores de carne suína do Brasil: China, Rússia e Hong Kong. Verifica-se que em abril e maio há uma evidente desaceleração das vendas para a Rússia, sendo que, no sentido contrário, as exportações para a China aumentaram bastante nos últimos dois meses.

Em maio de 2019, o volume de exportação para a China foi maior do que em qualquer outro mês de 2018. A expectativa é de que o gigante asiático continue aumentando sua demanda nos próximos meses, em função da redução de seus estoques que estavam elevados em decorrência da liquidação antecipada de planteis ocorrida recentemente para evitar a contaminação por Peste Suína Africana (PSA).

Equilíbrio nos mercados interno e externo
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, explica que o cenário é favorável para a suinocultura, porém é importante ter cautela e buscar o equilíbrio entre as exportações e o abastecimento do mercado interno. “Na prática, o que se percebe em todas as regiões do Brasil é um aumento da procura por suínos, com a respectiva elevação do preço. Para se ter uma ideia, o preço do suíno na bolsa de BH chegou ao valor de R$ 5,30, em 06 de junho de 2019, valor nunca atingido na sequência histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada(CEPEA)”, explana Lopes.
A chegada do período frio, aliada à exportação crescente, contribuem para manter o mercado firme. Há relatos de grandes agroindústrias buscando volumes significativos de animais no mercado independente, realizando inclusive contratos de médio prazo para garantir o fornecimento de animais, mais um indicativo de que a demanda está bastante aquecida e que a perspectiva é boa.
O gráfico 3 faz um comparativo entre o ano de 2016, cuja exportação foi recorde, e os primeiros meses de 2019. Os dados mostram que, com praticamente o mesmo volume acumulado de exportação de janeiro a maio, houve um aumento de preços do mercado doméstico muito mais acentuado em 2019 do que em 2016, indicando evidente escassez de suínos no mercado neste momento.

Existe uma a correlação entre o aumento dos volumes exportados e a alta dos preços do suíno no mercado interno. Por isso, há dois fatores que devem ser considerados para limitar as exportações brasileiras ao mercado chinês: a necessidade de habilitação de mais plantas frigoríficas e a disponibilidade de suínos, pois o mercado doméstico já se encontra muito demandado.
Relativamente à liberação de novas plantas para exportação para a China, atualmente o Brasil possui 16 abatedouros de bovinos, 33 de frangos e nove de suínos habilitados para exportar para o gigante asiático. Em recente visita da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao país, houve a solicitação da liberação de mais 78 frigoríficos, sendo somente três de suínos. O processo de liberação destas plantas ainda pode demorar alguns meses. Mesmo assim, espera-se que até o fim do ano os volumes embarcados de carne suína brasileira superem em até 10% os do ano passado.
Atenção ao mercado de grãos
O mercado de grãos passa por um momento de volatilidade. O clima no Brasil e o início da colheita da segunda safra de milho não deixam dúvidas de que o Brasil terá safra recorde deste grão, beirando as 100 milhões de toneladas na safra 2018/19. Porém, o clima nos EUA, o maior produtor de milho do mundo, não tem sido nada favorável ao plantio e germinação deste grão e também da soja.
O excesso de umidade atrasou o plantio de milho nos EUA. Não está quantificado o impacto disso na oferta final, mas há dois efeitos que devem ser somados: a redução da área plantada e a provável perda na produtividade. No caso do plantio da soja nos EUA, que vai até meados de junho, a situação também vem se complicando. Até o dia 04 de junho somente 39% da área estava semeada, sendo que a média histórica nesta data é de 79% (MBAgro). A tabela 3, a seguir, demonstra para a soja e o milho nos EUA três cenários de quebra na safra e a diferença em relação às projeções iniciais (antes dos problemas climáticos observados). No caso do milho, por exemplo, cuja projeção inicial era de 382 milhões de toneladas a quebra pode chegar a 60 milhões.

A guerra fiscal entre China e Estados Unidos que interfere no mercado de carnes, também prejudica as exportações de grãos dos americanos para os chineses, sendo mais um fator a aumentar a demanda pelo milho e a soja brasileiros por parte dos grandes importadores, dentre eles a China.
“O fato é que, até final de maio, os preços do milho no mercado interno vinham estáveis e com perspectiva de queda para os meses de agosto, em função da safra recorde brasileira que se avizinha”, explica Marcelo Lopes. “Porém, em questão de dias, conforme as informações do plantio nos EUA, o milho teve alta nos preços atuais e futuros. Certamente , parte disso, é especulação, uma vez que no final da primeira semana de junho os preços do milho voltaram a cair”, completa ele.
O produtor deve ficar atento não somente às questões da safra norte-americana, mas também às exportações brasileiras de milho que têm subido significativamente nos últimos meses, como demonstra o gráfico 5, a seguir.

Perspectivas para o segundo semestre
Conhecer o próprio custo de produção e procurar adquirir o milho fora dos momentos de especulação e “volatilidade” são as sugestões do presidente da ABCS para garantir um custo de produção que permita margens maiores. “O mercado de suínos está muito demandado, interna e externamente, e há sinais claros de baixa oferta de animais, portanto, o suinocultor precisa valorizar o seu produto”.
No que concerne ao risco de entrada de doenças graves (PSA e PSC) é necessário que o produtor entenda que, mesmo que o vírus entre acidentalmente no país, ele só será danoso se encontrar o hospedeiro; o suíno. “Portanto, cada suinocultor, ao cuidar da biosseguridade de sua granja, é corresponsável e contribui para a biosseguridade do país”, conclui Marcelo Lopes.

Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.
Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



