Conectado com
Suínos e Peixes – Maio

Avicultura

Exportações da avicultura deverão atingir US$ 8,5 bi

Publicado em

em

Levantamentos feitos pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef) mostram que as exportações da avicultura brasileira (incluindo frangos, ovos, perus, patos e marrecos, pintos e ovos férteis) totalizaram 3,735 milhões de toneladas entre janeiro e novembro deste ano, resultado 1,1% menor em relação ao mesmo período do ano passado.   Em receita, houve crescimento de 3,9% segundo a mesma comparação, com US$ 7,880 bilhões.
Conforme previsões da entidade, a expectativa é que as exportações do setor avícola nacional atinja o total de 4,082 milhões de toneladas exportadas, resultado 1,35% menor em relação ao volume obtido em 2012.  Já a soma total da receita de exportações da avicultura deverá chegar a 8,580 bilhões, dado 2,6% maior em relação ao saldo do ano passado.
Conforme explica o presidente da Ubabef, Francisco Turra, houve forte retração na receita dos embarques de ovos e carne de peru, minimizados no saldo geral pelo bom desempenho das exportações de carne de frango e material genético. “Especialmente em ovos, fomos fortemente influenciados por problemas burocráticos, que suspenderam as exportações para Angola, principal importador do segmento brasileiro, além do aquecimento do mercado interno.  O crescimento em volume das exportações de material genético e o bom desempenho das exportações de carne de frango garantiram o saldo geral positivo para a avicultura”, destaca Turra.
 
Mercado interno
As previsões da Ubabef indicam que a produção brasileira de carne de frango deve atingir 12,3 milhões de toneladas, um percentual aproximadamente 2,66% menor em relação ao total produzido em 2012.
 
Já em ovos, a expectativa é que a produção chegue a 34 bilhões de unidades, resultado 7% maior em relação aos 31,775 bilhões de unidades produzidas em 2012.
 
EXPORTAÇÕES
 
Carne de Frango
As exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 3,567 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2013, com leve queda de 0,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a receita cresceu 5,2%, com US$ 7,349 bilhões.
Considerando apenas o mês de novembro, os embarques de carne de frango atingiram 347,7 mil toneladas neste ano, resultado 11,4% maior em relação ao décimo primeiro mês de 2012.  Houve também crescimento na receita mensal, de 3,8% na comparação com o ano anterior, com US$ 678,6 milhões em novembro de 2013. 
Na análise por produto, os cortes mantiveram-se como principal produto exportado pelo setor avícola brasileiro nos onze primeiros meses de 2013, com 1,907 milhão de toneladas (-2,8% em relação ao mesmo período do ano passado). Em segundo lugar vieram os embarques de frango inteiro, com 1,350 milhão de toneladas (+5,2%).  Na terceira posição estão as carnes salgadas, com 164,6 mil toneladas (-0,3%) e, por último, os industrializados, com 145 mil toneladas (-13,3%).
Com relação aos destinos das exportações, o Oriente Médio manteve-se como maior importador de carne de frango Made In Brazil, com 1,331 milhão de toneladas entre janeiro e novembro deste ano (+5,1% na comparação com o mesmo período de 2012). A Ásia, em segundo lugar, importou 1,032 milhão de toneladas (-0,6%).  Em terceiro lugar, a África foi destino de 483 mil toneladas no mesmo período (-12,9%). Quarto maior destino da carne de frango brasileira, a União Europeia importou 383,6 mil toneladas (-8,1%).  Para os países das Américas foram embarcadas 249,9 mil toneladas (+27,2%).  Já a Europa Extra União Europeia foi destino de 91,593 mil toneladas (-15,5%). Por fim, as exportações para a Oceania nos onze primeiros meses de 2013 atingiram 1,6 mil toneladas (-9,9%).
 
A expectativa da UBABEF é que os embarques de carne de frango em 2013 atinjam 3,9 milhões de toneladas, resultado equivalente ao total exportado em 2012. Em receita, é esperado um crescimento de 4% em 2013, superando US$ 8 bilhões.
 
 
Ovos
Os embarques de ovos in natura e processados totalizaram 11,358 mil toneladas entre janeiro e novembro de 2013, resultado 54,2% menor em comparação ao mesmo período do ano passado.  Com este resultado, os embarques do segmento atingiram receita de US$ 19,772 milhões.
Considerando apenas o mês de novembro, as exportações de ovos totalizaram 1,5 mil toneladas em 2013, dado 49,4% menor em relação a novembro do ano passado.  Em receita, foram US$ 2,2 milhões, valor 55,1% menor de acordo com a mesma comparação.
 Conforme as projeções do setor, espera-se que as exportações de ovos atinjam 12,3 mil toneladas neste ano, volume 54% menor em relação aos doze meses de 2012.  Em receita, espera-se um total de US$ 21,5 milhões (-49,5%).
 
Perus
As exportações de carne de peru atingiram 147,2 mil toneladas entre janeiro e novembro deste ano, resultado 8,2% menor em relação ao mesmo período do ano passado.   Em receita, os embarques totalizaram US$ 418,8 milhões, número 6,5% menor em relação ao mesmo período comparativo.
Na avaliação mensal, foram embarcadas 11 mil toneladas durante o mês de novembro, dado 28,6% menor em relação ao décimo primeiro mês de 2012.  Estes embarques resultaram em uma receita de US$ 30,2 milhões, desempenho 27,4% menor em relação a novembro do ano passado.
 
Conforme as projeções da UBABEF, espera-se que as exportações de carne de peru atinjam 160 mil toneladas nos doze meses de 2013, número 10% menor em relação ao mesmo período de 2012.  Já em receita, os embarques do segmento poderão atingir US$ 457 milhões, dado 8,7% menor em relação à mesma comparação com 2012.
 
Patos, Gansos e outras Aves
Neste segmento, as exportações realizadas nos onze primeiros meses de 2012 atingiram 1,344 mil toneladas, resultado 52,2% menor em relação ao mesmo período do ano passado.  Estes embarques geraram receita de US$ 5 milhões, dado 53,9% menor com relação aos onze primeiros meses em 2012.
 
Na análise mensal, foram 175 toneladas embarcadas em novembro, dado 12,7% menor em relação ao mesmo mês de 2012.  Em receita, foram obtidos US$ 833 mil, saldo 29% maior na comparação com novembro do ano passado.
 
Pelas projeções da UBABEF, os embarques de patos, gansos e outras aves deverão totalizar 1,466 mil toneladas em 2013, desempenho 52,1% menor com relação ao total do ano passado.  Em receita, espera-se um saldo de US$ 5,5 milhões, número 50% menor segundo o mesmo período comparativo.
 
Material Genético
As exportações brasileiras de material genético avícola totalizaram 1 mil toneladas entre janeiro e novembro de 2013, volume 3,8% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, o crescimento foi de 20%, com US$ 47,3 milhões.
 
Considerando-se apenas novembro, foram embarcadas 82 toneladas de material genético, volume 6,1% menor em relação ao mesmo período de 2012.  Em receita, houve crescimento de 14,7%, com US$ 3,8 milhões.
 
A expectativa é que os embarques do segmento cheguem a 1,1 mil toneladas em 2013, resultado 3% maior em relação a 2012.  Em receita, esta elevação poderá ser de 17,7%, com US$ 51,6 milhões.
 
Ovos Férteis
Os embarques de ovos férteis atingiram 6,75 mil toneladas entre janeiro e novembro deste ano, volume 28,2% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, houve queda de 29,6%, com US$ 40,1 milhões.
 
Em novembro, as exportações do segmento atingiram 741 toneladas, dado 25% maior em relação ao mesmo período de 2012.  Em receita, houve elevação de 30,5%, com US$ 4,65 milhões.
 
As projeções para o segmento apontam queda de 27% em volume (com 7,366 mil toneladas nos doze meses de 2013) e de 28% em receita (com US$ 43,8 milhões).
 
Projeções para 2014
Para 2014, a UBABEF estima um crescimento entre 3% e 4% no volume total da produção nacional de carne de frango em relação ao resultado deste ano.  Sobre as exportações, espera-se para o próximo ano um crescimento entre 2% e 2,5% sobre os volumes embarcados de 2013.
 
“O crescimento da produção deverá se descolar das exportações, diante da possibilidade de um aquecimento do mercado interno com os grandes eventos internacionais. A expectativa é que políticas de governo voltadas para o abastecimento interno durante a Copa favoreçam o consumo de produtos avícolas dentro do Brasil, recuperando níveis de produção equivalentes ao de 2012. Devemos ter um crescimento constante, seguro, mas sem otimismo excessivo”, destaca Turra.
Já em ovos, espera-se que a produção chegue a 37 bilhões de unidades em 2014, volume 9% maior em relação ao esperado para este ano.

Fonte: Ubabef

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezenove + dezessete =

Avicultura Bem-estar animal

Produtor de ovos deve se orientar pelo consumidor, não por ONGs, alerta Santin

Bem-estar animal é importante fator na produção de ovos, e que vem sendo muito discutido. Entidades defendem que a forma de produção deve ser feita para atender ao que o consumidor está exigindo

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

A produção de ovos no Brasil vem aumentando anualmente. Segundo dados divulgados em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da pesquisa de Estatística da Produção Pecuária, em 2018 o país produziu 3,6 bilhões de dúzias de ovos de galinha, um aumento de 8,6% em relação a 2017. Para produzir tanto ovo são necessários dois itens importantes: demanda vindo do consumidor e trabalho duro do avicultor. Estes dois itens andam de mão dadas para atender a toda a cadeia produtiva.

Um ponto importante que vem sendo muito cobrado sobre mais informações do consumidor é quanto ao bem-estar animal, como estes ovos são produzidos. Dessa forma, para atender a todos os mercados, diferentes formas de produção vêm acontecendo: tradicional, cage-free, free-range, entre outras. “Nós respeitamos todas as formas de produção. São opções do consumidor, as alternativas e formas como ele quer que seu alimento seja produzido. Nós, como setor, apoiamos todas as formas. Porém, não existe uma que seja melhor que a outra”, opina o diretor executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e presidente do Conselho Diretivo do Instituto Ovos Brasil, Ricardo Santin.

Segundo o diretor, algo que o setor de produção de proteína animal vem enfrentando bastante, principalmente nos últimos anos, é quanto a grande exigência de bem-estar animal na produção da proteína, inclusive de ovos. “Existe uma opinião que às vezes vem do consumidor, às vezes de ONGs, no sentido de novas formas de produção que alguns entendem que são melhores formas de bem-estar. Porém, é importante entender que o bem-estar não se compõe somente de uma galinha estar ou não em determinada forma de criação, ou seja, ser livre ou não de gaiolas”, afirma.

Ele explica que é necessário que todos entendam que o bem-estar animal envolve diversos elementos, e não somente um único ponto. “BEA envolve também não faltar comida, estar em um ambiente com uma temperatura térmica adequada, ter cuidados sanitários, não deixar o animal ficar doente, e se ficar que não sofra. Tem uma série de itens e eles devem ser atendidos todos da mesma forma”, comenta.

Em relação à produção dos ovos, de acordo com Santin, isso varia bastante quanto ao mercado que está sendo atendido, ou seja, ao que o consumidor está buscando no momento da compra da proteína. “Há nichos de mercado em que os consumidores dizem querer ovo somente de galinhas de penas vermelhas, ou seja, o ovo vermelho. É sabido que o ovo vermelho e o branco têm absolutamente as mesmas características organolépticas e nutricionais, mas tem a cor diferente. Um é mais caro que o outro. Mas tem a ver com o que o consumidor quer”, comenta. Ele explica que o que a ABPA e o Instituto Ovos Brasil desejam mostrar é que as entidades respeitam todos os sistemas de produção. Porém, esta produção não pode ser determinada por um pequeno grupo de pessoas. “É o consumidor quem manda. Ele, quando compra e paga, muitas vezes mais pelo produto, é quem decide como vai ser. Então, se o consumidor não quer exercer esse pagamento a mais por conta deste tipo de produção, não é um pequeno grupo que vai determinar como o avicultor vai produzir ou como o consumidor vai consumir”, afirma.

Para Santin, este é o ponto principal que deve ser discutido na cadeia. “É importante frisar que não somos contra o bem-estar animal, bem o contrário disso. Não somos contra os protocolos de bem-estar. Nós buscamos atender ao máximo ao que é exigido. Mas é necessário ter atenção de que primeiro temos que pensar na eficiência disso, além da necessidade que temos em alimentar o Brasil e o mundo”, defende.

Consumidor decide

Ele justifica que atualmente o avicultor está produzindo uma proteína que é acessível a toda a população, essencial para o bom desenvolvimento das crianças e que ajuda na velhice. “E vem um pequeno grupo que exige que a proteína seja produzida de uma determina forma ou outra, fazendo assim com que o produto fique mais caro e as pessoas, principalmente de baixa renda, não consigam mais consumir”, afirma. Segundo ele, é este tipo de exigência que as entidades não irão permitir que sejam impostas sobre o produtor. Santin destaca que atender a determinadas exigências faz com que o custo de produção do avicultor aumente, e assim, consequentemente, também o custo que é repassado ao consumidor.

O diretor reitera que o avicultor está atendendo as normas mínimas de bem-estar animal. “Eu não estou falando que fazer cage-free ou free-range não é bem-estar. Mas temos que ver certos pontos que são importantes”, destaca. Entre os detalhes citados por ele estão, por exemplo, na utilização do free-range o produtor abrir mão da sanidade, uma que vez que ele perde o controle de contato com aves silvestres, doenças ou mesmo com algo que o frango pode vir a comer.

De acordo com Santin, o setor de produção da proteína deve entender que é necessário produzir aquilo que o consumidor quer comprar. “Nessa forma de produção, se vou fazer em gaiolas, cage-free, free-range ou orgânico, o importante é fazer da forma que o cliente irá comprar e da forma que ele está disposto a pagar. O setor como um todo vai produzir o que o consumidor quer, e não o que alguns poucos vão dizer como deve ser feito”, afirma.

O ovo no Brasil

Além do aumento de 8,6% na produção de ovos, o Brasil vem também aumentando anualmente o seu consumo per capita da proteína. “O crescimento do consumo nos últimos 10 anos foi bastante significativo. Há uma década o consumo era de aproximadamente 120 ovos per capita. Hoje esse número aumentou para 212 ovos per capita. Isso, principalmente, porque caiu o mito de que o ovo produz colesterol, de que é uma proteína que faz mal”, comenta. Santin afirma que existe algo chamado qualificação de consumo, e atualmente o consumo de ovo pelo brasileiro é bastante qualificado, já que as pessoas comem ovo porque sabem que faz bem.

O diretor informa que o objetivo é fazer com que o país melhore a exportação de ovo, seja in natura ou processado. “Porque hoje ele é menor que 1%”, diz. Este é um quesito que vem sendo muito trabalhado para acontecer, conta Santin. “O país tem esse potencial. O Brasil, quando se trata de produzir alimentos, sempre tem um potencial bastante impressionante, relevante e positivo. Na exportação de ovo, que ainda não é tão relevante, o país tem potencial de crescer. Vamos investir, buscando que isso aconteça”, finaliza.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura É preciso atenção

Impacto econômico do peito amadeirado em frangos de corte

Considerando as condenações na linha de abate, o tema tem sido desafiador para as indústrias produtoras de frangos pesados

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Rodrigo Braghim Slembarski, gerente de Mercado Aves de Corte da Auster Nutrição Animal

A avicultura de corte é uma das atividades do agronegócio que mais se desenvolve no mundo. A evolução em toda a cadeia produtiva é impulsionada pela alta demanda dos consumidores por produtos de qualidade e preços acessíveis às diferentes classes sociais. Isso só é possível devido à evolução dos processos de melhoramento genético, nutrição, sanidade e manejo, tornando o setor eficiente e competitivo em relação a outras fontes de proteína de origem animal.

Nas últimas décadas, é possível observar a evolução dos frangos de corte, que passaram a produzir carne com maior eficiência em menor tempo. Um outro ponto importante a destacar é que as aves passaram por intenso processo de melhoramento genético, que permitiu a seleção com maior deposição de musculo no peito. Nesse contexto, Zuidhof et al. (2014) relatam que em um período analisado de 48 anos o peso médio dos frangos aumentou mais de 400% e a taxa de conversão alimentar foi reduzida em 50%, observando ainda melhora no potencial de crescimento do peito, enquanto a gordura abdominal diminuiu devido à pressão da seleção genética. De 1957 a 2005, a musculatura peitoral maior aumentou 79% nos machos e 85% nas fêmeas.

Com o aumento da taxa de crescimento das aves também aumentou a incidência de miopatias no peito, como o peito amadeirado (Woody Breast – WB), principalmente no músculo peitoral maior. Filés com a condição de peito amadeirado mostram evidências de aumento de massa muscular, degeneração das fibras, necrose, variabilidade do tamanho das fibras, infiltração lipídica, aumento da fibrose e células inflamatórias, ocasionando dureza e rigidez anormais à palpação no filé e aspecto geral negativo na qualidade da carne.

A lesão do peito amadeirado pode ser observada facilmente e é classificada como normal, moderada e severa. É considerado peito normal aquele que tem boa aparência com coloração e textura característica, não causando restrição em termos de aquisição do produto pelos consumidores.

Na lesão moderada, observa-se coloração mais pálida e aumento moderado da rigidez das fibras musculares, devido à deposição de tecido conjuntivo fibroso, podendo ter partes do musculo peitoral superior bem mais rígidas, ocasionando a condenação parcial do peito. Nesse caso, as partes condenadas podem ser aproveitadas para produção de alimentos  termoprocessados.

Na lesão severa, o peito apresenta coloração esbranquiçada, rigidez devido à alta deposição de colágeno e, normalmente, a ave é condenada na linha de abate, já que os órgãos de inspeção identificam como aspecto repugnante e classificam como condenação total (descartando estas aves).

Considerando as condenações na linha de abate, o tema tem sido desafiador para as indústrias produtoras de frangos pesados, tendo em vista o descarte parcial e até total das carcaças.

Embora as taxas de incidência na indústria sejam difíceis de avaliar, estima-se que aproximadamente de 2 a 8% do filé de peito produzidos comercialmente apresentam lesões severas. Para estimar as perdas econômicas, fizemos simulação, considerando quatro faixas de condenações por lesão severa: 2%, 4%, 6% e 8% em um frigorifico que abate 100 mil aves/dia com peso médio das aves de 2,9 kg e rendimento de carcaça de 75%. Para o rendimento de peito foram considerados 23%, sendo aproximadamente 500 gramas de peito.

Com os dados simulados e considerando preço médio de venda do filé de peito de R$ 5,70, observamos que 2% de condenações por lesão severa acarretaram prejuízo de aproximadamente R$ 125.000 por mês e R$ 1.500.000 por ano, considerando somente volume de peito condenado. Ressaltamos que essa perda pode ser maior tendo em vista que em condenações por aspecto repugnante (lesão severa) o órgão de fiscalização descarta toda a carcaça, aumentando ainda mais o impacto econômico.

Existe correlação direta entre o aumento de peso e a incidência do Wood Breast. Isto se deve à baixa irrigação sanguínea nos tecidos periféricos, ocasionando estresse oxidativo e ocorrendo inflamação e necrose das fibras musculares, com posterior deposição de colágeno caracterizando assim a miopatia.

Tendo em vista o grande impacto no setor produtivo, o tema vem sendo tratado constantemente por pesquisadores, indústria e produtores na tentativa de minimizar os efeitos decorrentes dessa lesão. Os geneticistas têm trabalhado na seleção genética para desenvolver animais com menor propensão à miopatia, porém este é um processo lento e complexo. Paralelamente, a nutrição trabalha com o intuito de minimizar a incidência do peito amadeirado, realizando pesquisas com diferentes níveis nutricionais de aminoácidos, vitaminas, minerais e aditivos, como por exemplo o uso de altas doses de fitase.

Os resultados com superdosagem de fitase têm se destacado pelo fato de a enzima proporcionar melhoria na solubilidade de alguns microelementos envolvidos na produção de hemoglobinas, melhorando a oxigenação tecidual. Em estudo realizado por York et al. (2016), os autores concluíram que a melhor solubilidade dos minerais, como zinco (Zn), selênio (Se), ferro (Fe), cobre (Cu) e manganês (Mn), desempenham papéis importantes no crescimento, imunidade, saúde intestinal e status antioxidante das aves, bem como numerosos outros papéis no metabolismo, como redução da ocorrência de peito amadeirado.

É evidente que o tema é relevante para a cadeia de frangos de corte devido aos consistentes prejuízos no processo. Ao que tudo indica, teremos de conviver com o problema por mais alguns anos. A estratégia é utilizar ferramentas que nos auxiliam a reduzir a incidência e minimizar as perdas econômicas.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura

Uso de antibióticos na avicultura: tendência e futuro

Produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Fabricio Imperatori, gerente de Avicultura na Alltech

A redução ou até mesmo a proibição do uso de antibióticos na avicultura é um tema bastante relevante e que vem sendo discutido com muita ênfase. Uma série de fatores vêm contribuindo para que este cenário esteja cada vez mais presente em nossa realidade, especialmente devido às exigências do consumidor, que tem optado por uma alimentação cada vez mais saudável. Além disso, o uso, muitas vezes indiscriminado, dos antibióticos no setor produtivo pode ter contribuído para o surgimento de bactérias resistentes tornando o tratamento médico para humanos bastante complicado. Para atender a essa necessidade, as agroindústrias têm colocado na ponta do lápis a inclusão de tecnologias mais sustentáveis, sem abrir mão da qualidade dos produtos e da rentabilidade, especialmente quando seu objetivo é exportar para os mercados mais exigentes como, por exemplo, o mercado europeu e/ou para as grandes redes multinacionais de supermercados e fast food que são bastante rigorosos quanto à existência de resíduos de antibióticos nas carnes.

A crescente resistência bacteriana aos antibióticos acendeu um sinal vermelho fazendo com que os órgãos reguladores passem a ser mais rigorosos com relação ao uso de antibióticos na alimentação animal, uma vez que resíduos destes medicamentos presentes nas carnes podem ser transferidos para os humanos por meio da alimentação. Estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a resistência aos antimicrobianos causa a morte de 700 mil pessoas por ano em todo mundo, sendo que, o uso em alta escala pode resultar em 10 milhões de óbitos até 2050. O assunto preocupa também a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que se medidas importantes não forem tomadas para conter a situação, as superbactérias serão mais letais do que o câncer em 2050.

Países da União Europeia não utilizam antibióticos melhoradores de desempenho na nutrição dos animais desde 2006. Sendo a União Europeia um dos principais destinos das exportações do mercado de aves brasileiro, se faz necessária a adequação das empresas nacionais a essa nova demanda. Além disso, tendo a União Europeia como referência, outros mercados importantes estão também restringindo o consumo de produtos alimentícios de animais que receberam antibióticos em suas dietas. Assim, a adequação a este novo formato de produção se faz necessário visto que o Brasil é um dos principais exportadores de carne de frango do mundo, embarcando o produto para mais de 160 países. Em 2018, a receita brasileira obtida com os embarques foi de US$ 1,2 bilhão, apontou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDCI). O Paraná é responsável por cerca de 38% de toda a carne que é produzida e exportada, conforme dados do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).

No Brasil, normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), já proíbem a utilização de alguns tipos de antibióticos como promotores de crescimento e estabelecem regras dessa utilização para garantir a qualidade final do produto. Além disso, a instituição criou o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), justamente para capacitar e conscientizar sobre a urgência em combater a Resistência aos Antimicrobianos (RAM).

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que a carne de frango é a proteína animal mais consumida no Brasil e está em constante crescimento. Por se tratar de uma carne com baixo teor de gordura, ser nutritiva e rica em proteínas, ela é apontada por especialistas como indispensável para uma alimentação saudável. Por isso, os produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno.

Processo de redução do uso de antibióticos

Em um primeiro momento, o avicultor pode encontrar dificuldades para se adaptar a essa nova realidade. Inicialmente, para auxiliar nessa transição, os cuidados na forma de trabalho podem ser uma iniciativa preliminar. Também é eficiente buscar aprimorar o manejo, melhorar a ambiência, fazer uso de equipamentos de alta tecnologia nos aviários, bem como fazer uso de programas de vacinas eficientes e de alta qualidade, entre outros. Isso tudo contribuirá para que o uso de antibióticos se torne cada vez menos necessário.

Concomitantemente a estes cuidados, há no mercado um vasto número de alternativas naturais para tornar essa adequação possível. Pesquisadores têm trabalhado fortemente na busca de ferramentas que não são prejudiciais à saúde humana, mantendo a qualidade e produtividade esperada dos produtos de origem animal. Em parceria com empresas, universidades ao redor do mundo têm desenvolvido estudos em busca de soluções naturais que sejam alternativas ao uso de antibióticos.

Entre os focos das pesquisas estão os probióticos, que são microrganismos “benéficos” e que ajudam a manter saudável o intestino e o desenvolvimento das aves; os prebióticos, que dificultam a instalação das bactérias danosas ao animal; os minerais orgânicos, que são primordiais ao desenvolvimento geral dos animais; entre outros.

Estudo

Em um dos estudos recentes realizados pela Alltech, foi feita uma análise sobre dois grupos de criação de aves: um com uso de antibióticos em sua dieta, e, o outro, livre desses componentes e com uma dieta apenas com soluções naturais à base de leveduras. No segundo grupo, os resultados foram equivalentes aos encontrados no primeiro grupo. Além disso, as aves livres de antimicrobianos apresentaram um aumento significativo de peso, um melhor funcionamento intestinal e ainda uma menor taxa de mortalidade.

A inclusão dessas soluções naturais na alimentação dos animais mostrou que é possível reduzir o uso de antibióticos, mantendo a qualidade, a sanidade e até mesmo a produtividade e a rentabilidade do processo. É importante que o avicultor, ao optar pela não utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho, realize um mapeamento de todas as variáveis de sua produção (ambiência, qualidade do ar, água, ração, programas de vacinas, entre outros), buscando sempre o auxílio de profissionais técnicos para obter o suporte necessário nesta transição, evitando qualquer problema sanitário em sua granja.

Esses resultados provam que é possível reduzir o uso de antibióticos na produção avícola e que isso pode ser benéfico para a produtividade do plantel. Os fatos mostram que essa não é mais uma mera tendência do mercado e sim uma mudança inevitável, que irá se tornar cada vez mais presente em nosso cotidiano. É fato que os avicultores precisam se adequar a esta nova realidade, sempre visando tornar seu produto ainda mais competitivo nos mercados interno e externo.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
AB VISTA Quadrado
Biochem site – lateral
Evonik – Aminored
Conbrasul 2019

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.