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Exportações brasileiras de carne suína crescem 35% no 1º semestre e batem recordes históricos

Setor mantém estabilidade mesmo diante de turbulências e vê cenário favorável com insumos em queda.

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No começo do ano já se esperava um crescimento das exportações de carne suína brasileira ao longo de 2025, porém os números do primeiro semestre superaram todas as expectativas. Os embarques de carne suína in natura entre janeiro e junho de 2025 totalizaram mais de 630 mil toneladas e 1,626 bilhão de dólares, um crescimento de 19,2 % (+101,4 mil ton) no volume e 34,8% (+US$ 419,4 milhões) na receita, em relação ao mesmo período do ano passado, tendo como destaque o crescimento da participação das Filipinas e do Japão e a queda das compras por parte da China (tabela 1).

Tabela 1 – Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no primeiro semestre de 2025 (em toneladas e em US$) comparado com o mesmo período de 2024 – Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex

Segundo a ABPA, as exportações brasileiras de carne suína, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, acumuladas de janeiro a junho de 2025, totalizaram 722 mil toneladas, volume 17,6% superior ao embarcado no mesmo período de 2024; em receita, as exportações, incluindo processados, chegaram a US$ 1,723 bilhão, um crescimento de 32,6% em relação ao ano passado. Ainda, segundo a ABPA, Santa Catarina liderou os embarques do primeiro semestre, com 374,3 mil toneladas (crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado), seguida pelo Rio Grande do Sul, com 158,9 mil toneladas (+21,29%), Paraná, com 111,3 mil toneladas (+38,81%), Mato Grosso, com 18,5 mil toneladas (+5,46%) e Minas Gerais, com 18,4 mil toneladas (+54,71%).

Analisando os embarques de carne suína in natura do ano de 2025, mês a mês, em todos eles os volumes exportados foram recorde em relação aos anos anteriores, sendo que, pela primeira vez na história, entre fevereiro e junho, foram embarcadas mais de 100 mil toneladas mensais em cinco meses consecutivos (tabela 2).

Tabela 2 – Volumes exportados de carne suína brasileira in natura (em toneladas), mês a mês, em 2021, 2022, 2023, 2024 e de janeiro a junho de 2025 – Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex

O mês de junho de 2025 mostrou não somente o maior volume mensal exportado no ano, mas também a ascensão do mercado japonês, assumindo o terceiro lugar em toneladas e mantendo a segunda colocação em receitas. Por outro lado, China e Hong Kong, seguem o movimento de redução das compras do Brasil (tabela 3).

Tabela 3 – Exportação brasileira de carne suína in natura por destino em junho de 2025 (em toneladas e em US$) comparado com junho de 2024 – Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex

Dia 09 de julho Trump anunciou acréscimo de tarifas de 50% sobre as importações provenientes do Brasil a ser aplicado a partir de 1º de agosto. Afinal, qual o impacto disso sobre a suinocultura?

O Brasil exporta relativamente pouca carne suína para os EUA. Em 2024, foram somente 18,4 mil toneladas de carne suína in natura, representando menos de 1,5% do total exportado. No primeiro semestre de 2025 foram apenas 7,4 mil toneladas (1,17% do total). Por outro lado, a carne bovina, tem os Estados Unidos como segundo destino das exportações, representando ao redor de 12% dos embarques desta proteína. No dia seguinte ao anúncio o indicador CEPEA/ESALQ da cotação do boi gordo caiu quase cinco reais, se mantendo abaixo de 300 reais a arroba em São Paulo (gráfico 1). Segundo o Cepea, o impacto dessa notícia se juntou ao ritmo fraco de vendas internas de carne bovina, resultando em lentidão na comercialização de animais para abate e enfraquecimento dos preços do animal e da carne.

Gráfico 1 – Indicador BOI GORDO – CEPEA/ESALQ (R$/@) em São Paulo/SP, DIÁRIO, nos últimos 30 dias úteis, até dia 15/07/2025. Preço indicado no gráfico referentes ao dia 10/07/2025, dia seguinte ao anúncio da tarifação de 50% dos EUA sobre as exportações brasileiras – Fonte: CEPEA

Já o suíno, apesar das sucessivas turbulências com as demais proteínas, primeiro com o foco de gripe aviária no RS e agora com a tarifa de 50% afetando mais a carne bovina, vem mantendo relativa estabilidade nas cotações (tabela 4 e gráficos 2 e 3), embora experimente duas semanas consecutivas de queda de preço em algumas praças (tabela 4).

Segundo o CEPEA, a demanda por carne suína está baixa no mercado doméstico, o que pode ser atribuído a reduzida demanda no período de férias escolares, situação que deve determinar, até o final do mês, novas quedas nas cotações.

Tabela 4 – Preço semanal da Bolsa de suínos Belo Horizonte (BSEMG) em 2025 (R$/kg vivo), até a reunião de 17/07/2025. Destaque em azul para movimento de alta e amarelo para movimento de baixa – Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da BESEMG

Gráfico 2 – Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 12 meses, até dia 15/07/2025. Preços indicados no gráfico referentes ao mês de junho/25 – Fonte: CEPEA

Gráfico 3 – Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de julho/25 até dia 15/07/2025 – Fonte: CEPEA

Preços do milho e farelo de soja seguem em queda e relação de troca do suíno com principais insumos está muito favorável

A CONAB divulgou, no último dia 10, o décimo levantamento da safra 2024/25, com acréscimo de quase 4 milhões de toneladas de milho, em relação ao levantamento anterior, sendo que só para a segunda safra (safrinha), a entidade projeta um volume de 104,5 milhões de toneladas, totalizando mais de 132 milhões de toneladas no somatório das três safras nacionais do período 2024/25. Com menos de 50% da área colhida o preço do cereal continua em queda (gráfico 4 e 5), sendo que consultorias privadas projetam safra ainda maior do que a estimativa da CONAB. No Mato Grosso já se encontra milho a menos e R$ 40,00 a saca de 60 kg.

Gráfico 4 – Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 60 dias úteis, até dia 15/07/2025 – Fonte: CEPEA

Gráfico 5 – Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 24 meses, até dia 15/07/2025 – Fonte: CEPEA

Enquanto o óleo de soja está cada vez mais valorizado, em função, principalmente, da demanda crescente por biodiesel, o farelo se mantém com preços em queda, ao redor de R$ 1.500 a tonelada em algumas praças. A alta relação de preço entre o óleo degomado de soja e o farelo de soja (ultrapassando a marca de 4:1) chama bastante a atenção, confirmando que existe uma grande demanda pela gordura, o que acaba por aumentar a oferta do farelo, visto que este é derivado do esmagamento da soja para produção de óleo (tabela 5). Enquanto esta relação não baixar significativamente, não há espaço para grandes altas no preço do farelo de soja.

Tabela 5 – Preço médio mensal do farelo de soja e óleo degomado (R$/ton) e relação óleo: farelo de soja, em RIO VERDE (GO), em 2023, 2024 e 2025 (*até dia 15/07/25) – Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da AGIGO

Esta queda no valor dos principais insumos, mesmo com oscilação dos preços do suíno, tem permitido excelente relação de troca do suíno vivo com o MIX de milho + farelo de soja (gráfico 6) e determinado margens financeiras melhores que no ano passado (tabela 6).

Gráfico 6 – Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de julho/23 a julho/25 (até dia 15/07/25). Relação de troca ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja – Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

Tabela 6 – Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul e semestral em Goiás (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a junho de 2025 e a média anual de 2022, 2023 e 2024 – Elaborado por Iuri P. Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno)

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a previsão de aumento significativo de tarifas de importação dos EUA já determinou turbulência em várias cadeias de produção do Brasil antes mesmo de entrar em vigor ou de qualquer negociação diplomática. “Afinal, 50% de acréscimo determina redução significativa na competitividade junto a um mercado muito importante. Embora a suinocultura não seja atingida diretamente, é preciso ficar atento aos movimentos do mercado de bovinos, mais afetado pela medida e que já vinha com viés de baixa nas cotações antes do anúncio da tarifação”. Ele explica também, que um recuo dos preços do boi gordo pode ser um fator importante na limitação da alta do suíno. “Por outro lado, o custo tem ajudado a atividade e o produtor deve estar atento à janela de oportunidade para aquisição de insumos, principalmente o milho”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS

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Suinocultura encerra o ano com margens positivas

Conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

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Foto: O Presente Rural

Os preços do suíno vivo fecharam o ano em patamar estável, enquanto abates, produção, exportações e consumo alcançaram níveis recordes. O conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

No mercado interno, o suíno vivo encerrou o ano cotado em torno de R$ 8,90 por quilo no estado de São Paulo, referência nacional. A estabilidade marcou praticamente todo o quarto trimestre. Mesmo com o aumento do volume abatido, o mercado seguiu equilibrado, sustentado pela demanda externa aquecida e por um período mais favorável ao consumo no mercado doméstico. A firmeza nos preços das demais proteínas também contribuiu para esse cenário.

Foto: Ari Dias/AEN

Nas exportações, após um desempenho mais moderado em novembro, quando os embarques somaram 92 mil toneladas, dezembro apresentou forte reação, com 118,6 mil toneladas exportadas, alta de 25,6% na comparação com dezembro de 2024. Com isso, o quarto trimestre fechou com crescimento de 5,8% frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, as exportações de carne suína avançaram 12% em relação a 2024, atingindo volume recorde de 1,5 milhão de toneladas.

Do lado da oferta, os abates no quarto trimestre cresceram cerca de 3%, com dezembro em nível semelhante ao do ano anterior. No total de 2025, a alta estimada é de 3,5%. O maior peso das carcaças impulsionou a produção de carne suína, que cresceu 4,7% e alcançou um novo recorde próximo de 5,6 milhões de toneladas.

Esse volume permitiu que o consumo doméstico também atingisse o maior nível da série histórica, com aproximadamente 4,1 milhões de toneladas absorvidas pelos consumidores brasileiros ao longo do ano.

Com margens médias de produção em torno de 25% em 2025, o maior nível registrado em cerca de 20 anos, o desempenho do setor confirma 2025 como um dos melhores anos da história da suinocultura no Brasil.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Suínos

Consumo acima de 20 kg per capita e salto para 3º lugar nas exportações globais impulsionam otimismo da suinocultura para 2026

Números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças.

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A suinocultura brasileira encerrou 2025 com desempenho acima das projeções iniciais e crescimento simultâneo em produção, exportação, consumo interno e rentabilidade. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes. “Antes do ano terminar já era possível afirmar que 2025, em relação a 2024, foi de crescimento em todas as áreas para o setor. Depois de uma crise prolongada, o setor consolida uma recuperação consistente”, disse em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Os números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças. Os volumes representam, respectivamente, alta de 5,26% e 6,07% frente ao mesmo período de 2024, ritmo mais que duas vezes superior ao observado no terceiro trimestre de 2024 em comparação a 2023.

No acumulado de janeiro a setembro, o avanço também surpreendeu o setor. O país abateu pouco mais de 1,5 milhão de cabeças adicionais em relação ao ano anterior, o que representa um aumento de 3,43%, correspondendo a quase 200 mil toneladas extras de carcaças.

Consumo interno ultrapassa marca histórica

O avanço da produção ocorreu em paralelo ao aumento do consumo interno de carne suína. A ABCS estima que, em 2025, o país deve superar a barreira dos 20 kg per capita ao ano, patamar considerado estratégico para consolidar a proteína como escolha cotidiana do brasileiro. “É um nível de consumo que coloca a carne suína como opção real e rotineira na mesa do consumidor”, afirmou Lopes.

A combinação entre preços estáveis ao produtor, oferta ajustada e maior competitividade frente às demais proteínas impulsionou o mercado ao longo do ano. O presidente reforça que, em 2026, a tendência é de espaço ainda maior para crescimento, especialmente diante da expectativa de alta na carne bovina.

O aumento da produção, somado ao forte ritmo das exportações, não impediu a ampliação da oferta doméstica e 2025 deve finalizar com crescimento superior a 2% na disponibilidade interna de carne suína. “Essa pequena sobreoferta certamente contribuiu para a estabilidade nas cotações do suíno na maioria das praças”, avaliou Lopes.

Exportações crescem e se diversificam

As exportações foram um dos pilares da sustentação do mercado em 2025. Além de registrar novos recordes, o setor ampliou a pulverização dos destinos, reduzindo a dependência da China.

Após o recorde observado em setembro, outubro encerrou o ano como o segundo melhor mês da história, com 125,6 mil toneladas de carne suína in natura exportada, alta de 8% frente a outubro de 2024. De janeiro a outubro, os embarques totalizaram 1.110.636 milhão toneladas, aumento de 13,53% ante o mesmo intervalo do ano anterior.

As Filipinas lideraram as compras ao longo de 2025, seguidas por China, Chile, Japão, Hong Kong, México, Singapura, Vietnã, Uruguai e Argentina. “Filipinas consolidou a liderança, mas mercados importantes como Japão, México e Chile tiveram crescimento significativo. Para 2026 esperamos um crescimento ainda concentrado no continente asiático, com participação proporcional da China cada vez menor”, relatou Lopes.

Oferta ajustada e margens positivas

Com crescimento de produção acima de 4% e exportações superiores 14%, o setor conseguiu manter um equilíbrio favorável entre oferta e demanda ao longo de 2025. Para Lopes, esse alinhamento foi essencial para sustentar a rentabilidade dos produtores. “O ano foi relativamente bem ajustado no quesito oferta e procura, com margem financeira positiva também em função da boa oferta de insumos”, expôs o presidente da ABCS.

Segundo ele, a combinação entre mais carne disponível, mercado interno aquecido e exportações firmes favoreceu a fluidez da cadeia e a formação de preços compatíveis com os custos. “O desempenho de 2025 consolida um ciclo de recuperação após anos de forte pressão econômica, abrindo espaço para perspectivas mais favoráveis em 2026, especialmente no consumo interno e na expansão da presença brasileira no mercado asiático”, avaliou.

Mão de obra pressiona margens ao produtor

Apesar do avanço da produção e da melhora no fluxo de mercado, 2025 não foi um ano livre de desafios, especialmente no que diz respeito aos custos operacionais. Lopes explica que os principais insumos da alimentação (milho e farelo de soja) tiveram comportamento favorável ao produtor ao longo do ano. “Os principais custos relacionados à alimentação dos suínos se mantiveram bastante estáveis ao longo do ano, com destaque para o farelo de soja, que apresentou cotações bastante baixas em relação aos anos anteriores, e o milho que voltou a um patamar mais acessível graças à safra recorde”, analisou.

O item que mais pressionou as contas das granjas brasileiras, segundo ele, foi a mão de obra. “A dificuldade de encontrar pessoas interessadas em trabalhar no setor ampliou os custos e reforçou um problema estrutural conhecido da cadeia. Energia, sanidade e manejo também continuaram compondo uma parcela significativa das despesas, mas sem grandes oscilações ao longo do ano”, evidenciou.

Sul registra recuperação consistente de margens

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia” – Foto: Divulgação/ABCS

Com base nos custos calculados pela Embrapa e nas cotações do suíno vivo levantadas pelo Cepea, a suinocultura de ciclo completo nos três estados do Sul registrou uma recuperação expressiva de rentabilidade entre janeiro e outubro de 2025. “Embora os custos tenham avançado em relação a 2024, o movimento de alta nos preços pagos ao produtor foi ainda mais intenso, o que resultou em margens ampliadas e melhora consistente em todas as regiões”, apontou Lopes.

No Paraná, o custo médio subiu de R$ 5,74/kg em 2024 para R$ 6,02/kg em 2025. No mesmo intervalo, o preço de venda passou de R$ 7,39/kg para R$ 8,20/kg. O movimento elevou a margem de R$ 1,64/kg para R$ 2,19/kg, configurando o maior ganho absoluto entre os estados do Sul. “O resultado é reflexo da valorização do suíno vivo no mercado regional e interestadual”, ponderou o presidente da ABCS.

O Rio Grande do Sul também registrou avanço significativo. Os custos aumentaram de R$ 5,75/kg para R$ 6,29/kg, enquanto o preço subiu de R$ 7,17/kg para R$ 8,17/kg. A margem média passou de R$ 1,41/kg para R$ 1,89/kg. “Mesmo com pressão dos insumos, o produtor gaúcho operou com resultados positivos ao longo do ano, mantendo estabilidade financeira”, salientou Lopes.

Em Santa Catarina, principal polo nacional de produção e exportação, os custos foram de R$ 5,90/kg para R$ 6,31/kg. O preço médio avançou de R$ 7,22/kg para R$ 8,18/kg, elevando a margem de R$ 1,33/kg para R$ 1,87/kg. “A demanda externa, que sustentou boa parte da fluidez do mercado, teve papel decisivo nesse desempenho”, expôs o dirigente.

A média regional do Sul confirma o movimento de recuperação. O custo, que era de R$ 5,80/kg em 2024, chegou a R$ 6,21/kg em 2025, enquanto o preço ao produtor avançou de R$ 7,26/kg para R$ 8,19/kg. Com isso, a margem média subiu para R$ 1,98/kg, acima dos R$ 1,46/kg registrados no ano anterior. Na prática, os números mostram que a dinâmica de mercado em 2025, marcada por preços firmes, oferta ajustada e demanda aquecida, favoreceu de forma consistente o produtor.

Crédito caro e logística limitada

Apesar do bom desempenho do ano, a competitividade da cadeia enfrenta gargalos importantes. Para Lopes, o maior obstáculo atualmente é o acesso ao crédito. “Do ponto de vista do produtor, o grande gargalo hoje é acesso a crédito para investimento e custeio. Com juros muito elevados e valores limitados, o produtor encontra extrema dificuldade de expandir ou melhorar sua estrutura”, analisou.

A logística também aparece como um desafio permanente. A concentração da produção no Sul contrasta com a localização da maior parte da oferta de grãos no Centro-Oeste, ampliando custos de transporte. “Nossa malha ferroviária está muito mais voltada para atender as exportações do que a demanda interna, e ainda há o crescimento das usinas de etanol de milho, que acabam concorrendo com vantagens logísticas pelo cereal”, destacou Lopes.

Na área sanitária, a preocupação se intensificou em 2025. A biosseguridade tem ganhado peso nas estratégias de produção, especialmente diante do quadro descontrolado da Peste Suína Africana na Europa.

Brasil deve assumir terceira posição global nas exportações

A performance brasileira no mercado internacional segue em ascensão. Embora os números finais de 2025 ainda não tenham sido fechados, Lopes afirma que o país deve consolidar um avanço histórico. “É muito provável que o Brasil, em 2025, ultrapasse o Canadá e assuma a terceira posição nas exportações de carne suína, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia”, adiantou.

O presidente ressalta que, entre os grandes exportadores, o Brasil deve ser o que mais cresceu proporcionalmente no mercado internacional ao longo de 2025. A competitividade de custos e a qualidade do produto sustentam a expansão, e o principal limitador agora é a demanda global. “O que limita nossa expansão é uma maior demanda externa, pois já conseguimos acessar os mercados mais exigentes em termos de qualidade e sanidade”, explicou.

Exigências internacionais pressionam investimentos

Com mercados cada vez mais atentos à rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal, o setor deve intensificar ajustes em 2026. A avaliação de Lopes é de que a suinocultura brasileira avance, mas de forma heterogênea. “Há sistemas de produção e empresas bastante avançadas na rastreabilidade e certificação, mas também existem outras com carências nestes quesitos”, afirmou.

Ainda assim, o dirigente reforça que o progresso é contínuo. “Toda suinocultura brasileira tem evoluído muito nos últimos anos, incorporando vários conceitos relativos a bem-estar animal, sustentabilidade e economia circular, numa maior ou menor velocidade conforme o mercado que acessam ou nível de tecnificação e capacidade de investimento de cada um”, menciona.

Projeções para 2026

Ao projetar o desempenho da suinocultura para 2026, Lopes reforça que o momento é positivo, mas exige prudência. Ele observa que o setor entrou em trajetória sustentável de recuperação ao longo de 2025, mas adverte para o risco de excessos. “Precisamos estar atentos para que o aumento demasiado da produção não provoque um descompasso entre oferta e procura, o que poderia gerar uma nova crise”, advertiu.

Apesar da melhora da rentabilidade em todas as regiões produtoras, Lopes destaca que o setor deve evitar movimentos de expansão acelerada e priorizar investimentos estruturais. “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores”, recomendou.

As oportunidades para o próximo ano seguem concentradas em três eixos: abertura ou ampliação de mercados, diversificação de produtos e agregação de valor. Lopes avalia que o Brasil entra em 2026 com posição fortalecida no comércio internacional e com potencial para novas demandas específicas, especialmente cortes premium, produtos processados e itens com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade. “O consumo doméstico também pode agregar ganhos, ainda que o crescimento seja gradual. A continuidade da recomposição da renda das famílias e a competitividade relativa da carne suína frente à bovina tendem a favorecer esse movimento”, estimou Lopes.

Crescimento moderado

As estimativas da ABCS indicam que 2026 tende a ser um ano de crescimento moderado, influenciado pelas condições de mercado e pela evolução dos custos. A entidade projeta uma expansão de até 5% na produção em relação a 2025, ritmo considerado saudável e capaz de evitar desequilíbrios mais significativos entre oferta e demanda. Também prevê avanço próximo de 3% nas exportações, sustentado por uma demanda internacional mais firme e pela perda de competitividade da União Europeia, que enfrenta custos crescentes, redução de capacidade produtiva e entraves regulatórios. E no mercado interno, a disponibilidade deve aumentar pouco acima de 4%. “Isoladamente, esse movimento poderia pressionar os preços, mas a dinâmica da pecuária de corte tende a mitigar esse impacto”, prevê Lopes.

O presidente da ABCS explica que o cenário de carnes precisa ser observado de forma integrada. “Enquanto a oferta de carne suína tende a crescer, a bovinocultura deve passar por uma virada de ciclo, com redução no abate e possível aumento das cotações do boi gordo. Esse movimento pode sustentar o preço do suíno em 2026”, analisa.

Custos de produção

A evolução dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja, ainda é incerta. As primeiras indicações apontam para uma colheita de milho menor na safra 2025/26, influenciada pelo La Niña e pela descapitalização de agricultores após um ciclo de margens comprimidas. Além disso, o avanço acelerado das usinas de etanol de milho amplia a competição pelo cereal no mercado interno.

Segundo Lopes, esse conjunto de fatores pode pressionar os preços dos insumos ao longo de 2026. “O suinocultor deve acompanhar de perto a evolução da safra brasileira e buscar o melhor momento para antecipar a compra dos insumos”, orienta.

A suinocultura brasileira encerra 2025 renovada, mais resiliente e com perspectivas favoráveis. Contudo, o avanço em 2026 vai depender da capacidade do setor de equilibrar crescimento, investimento e prudência. A competitividade internacional ampliada, os ganhos de eficiência e a crescente profissionalização são fatores que fortalecem o país, mas não eliminam riscos. “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia”, exaltou Lopes.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro

Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.

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As cotações do suíno vivo apresentaram comportamento misto na última sexta-feira (09), conforme dados do Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre as principais praças acompanhadas, os preços oscilaram levemente, refletindo ajustes pontuais do mercado no curto prazo.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o quilo do suíno vivo foi cotado a R$ 8,35, registrando queda diária de 1,18% e recuo de 0,95% no acumulado do mês. No Paraná, o animal negociado “a retirar” foi cotado a R$ 8,25/kg, com leve alta de 0,36% no dia, embora ainda apresente variação mensal negativa de 0,24%.

No Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 8,26/kg, com retração diária de 0,36% e queda de 0,48% no comparativo mensal. Santa Catarina também apresentou leve recuo, com o suíno cotado a R$ 8,31/kg, baixa de 0,12% no dia e variação negativa de 0,48% no mês.

São Paulo foi a única praça a registrar estabilidade no acumulado mensal. O preço do suíno vivo posto na indústria alcançou R$ 8,91/kg, com alta diária de 0,22% e variação mensal de 0,00%.

Os números indicam um mercado ainda ajustando preços no início de janeiro, com oscilações moderadas entre as regiões e sem movimentos expressivos de alta ou baixa.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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