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Exportação de carne cresce em ritmo menor
Embarques internacionais da carne bovina produzida no Brasil avançaram 9% em novembro, um percentual menor que nos meses anteriores. Emirados Árabes Unidos mais que dobraram compras.

As exportações brasileiras de carne bovina cresceram 9% em novembro em relação ao mesmo mês do ano passado. Apesar do aumento, o percentual significa uma desaceleração da alta registrada em meses anteriores, quando as vendas avançavam acima de 30%, com embarques de cerca de 300 mil toneladas mensais.

Foto: Ricardo Stuckert
As informações, que levam em conta carne in natura e processada, são da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que compilou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) do Brasil.
Segundo a Abrafrigo, o Brasil exportou no mês passado 279,2 mil toneladas de carne de gado. Já a receita obtida com as vendas subiu mais que o volume, em 25%, para US$ 1,2 bilhão no mesmo mês deste ano.
No acumulado do ano, de janeiro a novembro, as exportações atingiram 2,9 milhões de toneladas, com alta de 30,84% sobre igual período de 2023. A receita somou US$ 12 bilhões, com aumento de 23,25% no mesmo comparativo.
Emirados
A China foi o principal cliente, apesar de que vem perdendo participação. Já os Estados Unidos, segundo maior importador, vêm aumentando a fatia. O terceiro maior destino, os Emirados Árabes Unidos, mais do que dobraram suas compras.

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Mesmo com juros altos e incertezas globais, consumo de fertilizantes cresce no Brasil
Entregas ao mercado somaram 9,76 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, enquanto a produção nacional caiu 16,2% e o país seguiu dependente das importações.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro cresceram no início de 2026, mesmo em um ambiente marcado por tensões geopolíticas, juros elevados e dificuldades de acesso ao crédito rural. Entre janeiro e março, foram comercializadas 9,76 milhões de toneladas de adubos, alta de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Foto: Divulgação
Os dados são da Associação Nacional para Difusão de Adubos e indicam que a demanda por fertilizantes segue aquecida, sustentada principalmente pelas perspectivas para a próxima safra e pela necessidade de manter a produtividade das lavouras.
Somente em março, as entregas atingiram 2,83 milhões de toneladas, volume 18,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram comercializadas 2,38 milhões de toneladas.
O destaque continua sendo o Mato Grosso, principal consumidor de fertilizantes do país. O estado concentrou 25,2% das entregas nacionais no primeiro trimestre, com 2,45 milhões de toneladas.

Foto: Rodrigo Felix Leal/Seil
Na sequência aparecem Goiás, com 1,10 milhão de toneladas, São Paulo, com 1,08 milhão, Paraná, com 1,02 milhão, Minas Gerais, com 882 mil toneladas, além de Mato Grosso do Sul e Bahia, ambos acima de 540 mil toneladas.
Produção nacional recua e dependência externa permanece elevada
Enquanto a demanda cresceu, a produção brasileira de fertilizantes intermediários seguiu em queda. Em março, as fábricas nacionais produziram 483 mil toneladas, redução de 9,7% na comparação anual.
No acumulado do primeiro trimestre, a produção alcançou 1,41 milhão de toneladas, volume 16,2% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram produzidas 1,68 milhão de toneladas.
Segundo a ANDA, o resultado pode não refletir integralmente a capacidade produtiva do setor, uma vez que

Foto: Claudio Neves
mudanças societárias e a retomada de operações em alguns ativos dificultaram a captura de todos os dados de produção no período.
Mesmo assim, os números reforçam uma característica histórica do mercado brasileiro: a forte dependência do exterior para suprir a demanda interna por fertilizantes.
As importações de fertilizantes intermediários somaram 8,15 milhões de toneladas entre janeiro e março, volume 4% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. Ainda assim, a quantidade importada foi quase seis vezes superior à produção nacional do trimestre.
Paranaguá mantém liderança nas importações
Principal porta de entrada dos fertilizantes no país, o porto de Paranaguá recebeu 2,12 milhões de toneladas de adubos no primeiro trimestre.

Foto: Rodrigo Felix Leal/Seil
O volume representa queda de 13,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram descarregadas 2,45 milhões de toneladas. Apesar da retração, o terminal respondeu por 26,1% de todas as importações brasileiras de fertilizantes realizadas no período.
Os números mostram que, embora o consumo de adubos continue crescendo, a cadeia ainda enfrenta desafios estruturais. O cenário internacional permanece instável, influenciado por conflitos geopolíticos e oscilações cambiais, enquanto os custos financeiros elevados pressionam o produtor rural e limitam a capacidade de investimento no campo.
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Novo decreto federal amplia possibilidades de pagamento por serviços ambientais ao agro
Medida reconhece práticas sustentáveis no campo como passíveis de remuneração, mas ainda depende de regulamentações complementares para definição de regras e acesso aos recursos.

A regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), publicada pelo Governo Federal por meio do Decreto 13.018/2026, é um avanço, segundo o Sistema Faep. A nova norma amplia o reconhecimento de práticas sustentáveis desenvolvidas no campo como passíveis de remuneração, especialmente aquelas relacionadas à conservação do solo, da água, da biodiversidade e à captura e retenção de carbono.

Foto: Divulgação
A regulamentação detalha a Lei Federal 14.119/2021, que instituiu a PNPSA. Desde a publicação da lei, o Sistema Faep considera positiva a inclusão de práticas agrícolas sustentáveis dentro da política de pagamento por serviços ambientais.
Entre as ações consideradas elegíveis pelo novo decreto está o manejo sustentável de sistemas agrícolas, agroflorestais e agrossilvipastoris que contribuam para a captura e retenção de carbono e para a conservação do solo, da água e da biodiversidade.
Essa medida atende diretamente a práticas já adotadas por produtores rurais, como o plantio direto e os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. “A agricultura paranaense já possui uma trajetória consolidada de adoção de práticas sustentáveis. O reconhecimento dessas ações dentro da Política de Pagamento por Serviços Ambientais representa um avanço importante, porque valoriza o papel do produtor rural na conservação dos recursos naturais.

Foto: Denis Ferreira Netto
Agora, precisamos transformar esse reconhecimento em mecanismos efetivos de valorização do produtor rural”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Necessidade de clareza
Apesar da avaliação positiva, a entidade considera que o decreto federal ainda precisa trazer mais clareza sobre a operacionalização dos pagamentos, principalmente sobre os programas disponíveis, os critérios de seleção dos participantes e os caminhos que o produtor deve seguir para solicitar a remuneração. A expectativa era de que a regulamentação detalhasse como ocorreria a adesão dos produtores ao programa. “O decreto federal identifica que um produtor que protege uma nascente, conserva o solo ou adota sistemas sustentáveis realiza um serviço ambiental. Porém, ainda existem dúvidas práticas: para quem ele deve solicitar esse pagamento, quais serão os programas disponíveis e quais critérios serão exigidos para acessar os recursos”, destaca Meneguette. “Precisamos, com urgência, avançar neste tema, para valorizar o setor que mais conserva o meio ambiente no país”, complementa.
O próprio decreto prevê que diversos pontos ainda dependerão de regulamentações complementares, como a definição de subprogramas do Programa Federal de

Foto: Jonathan Campos
Pagamento por Serviços Ambientais (PFPSA), com regras específicas sobre público-alvo, critérios de seleção, modalidades de remuneração e sistemas de monitoramento. Além disso, o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA) e os incentivos tributários relacionados aos pagamentos ainda serão regulamentados posteriormente pelo Governo Federal.
Atualização da legislação paranaense
No Paraná, o pagamento por serviços ambientais já é previsto pela Lei Estadual 17.134/2012 e regulamentado pelo Decreto 1.591/2015. No entanto, na avaliação do Sistema Faep, as normas estaduais estão defasadas diante dos avanços trazidos pela legislação federal. “Precisamos aproveitar esse novo momento criado pela regulamentação federal para modernizar a legislação paranaense. As regras atuais são restritivas, dificultam o acesso dos produtores e, quando os pagamentos acontecem, muitas vezes os valores não representam um incentivo econômico capaz de estimular a adesão a essas iniciativas”, afirma o presidente do Sistema Faep.
A principal dificuldade no modelo estadual está justamente na operacionalização do pagamento. Atualmente, existem poucos casos de produtores que recebem por serviços ambientais, e os valores geralmente são considerados pouco atrativos financeiramente.

Foto: Divulgação
Um exemplo existente no Paraná são as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), em que o proprietário pode solicitar o pagamento pela manutenção de áreas de vegetação nativa que não correspondem à Reserva Legal nem às Áreas de Preservação Permanente (APPs). Entretanto, por se tratar de uma proteção permanente vinculada à área, muitos produtores avaliam essa modalidade com cautela.
Reserva Legal e APP
Outro ponto acompanhado pelo Sistema Faep é a possibilidade de incluir áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente entre aquelas passíveis de remuneração por serviços ambientais.
O Decreto 13.018/2026 indica que os pagamentos devem priorizar ações que excedam as obrigações legais de conservação, como a manutenção de vegetação nativa além das áreas obrigatoriamente protegidas ou a recuperação de áreas degradadas fora de APPs e Reservas Legais.
Para o Sistema Faep, entretanto, o produtor rural que mantém sua Reserva Legal e protege suas APPs também presta um serviço ambiental à sociedade, ainda que essas áreas sejam exigidas pela legislação. “O produtor rural brasileiro preserva uma parcela significativa da sua propriedade, mantém nascentes, protege matas e garante diversos serviços ambientais sem receber qualquer tipo de compensação financeira por isso. Defendemos que essa contribuição seja reconhecida e que, no futuro, possamos avançar em mecanismos que também considerem essas áreas dentro das políticas de pagamento por serviços ambientais”, salienta Meneguette.
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Trigo 2026/27 no Brasil deve enfrentar margens apertadas e possível redução de área
Consultoria Agro Itaú BBA aponta menor competitividade da cultura diante de custos elevados e alternativas mais rentáveis no campo.

A safra brasileira de trigo 2026/27 deve ser marcada por desafios relacionados à rentabilidade, custos de produção e condições climáticas. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário aponta para margens apertadas, o que tende a limitar investimentos dos produtores e manter a área cultivada em trajetória de redução.

Foto: Fábio Carvalho
As primeiras projeções indicam novo recuo da área destinada ao cereal no país. O movimento reflete um ajuste estrutural da cultura, diante da perda de competitividade frente a outras alternativas de cultivo disponíveis aos produtores.
O clima também permanece no radar do setor. A possível atuação do fenômeno El Niño durante o ciclo produtivo pode gerar impactos distintos para a cultura. Enquanto o fenômeno tende a reduzir o risco de geadas mais severas durante o inverno, também aumenta a probabilidade de chuvas mais intensas no período de colheita.
Esse cenário pode comprometer a qualidade dos grãos e influenciar negativamente os prêmios e diferenciais pagos no mercado interno, afetando a rentabilidade dos produtores.
Os custos de produção seguem como outro ponto de atenção. O ambiente geopolítico internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio, continua influenciando o mercado de fertilizantes nitrogenados e fosfatados. A elevação dos custos reduz o poder de compra do produtor e deteriora a relação de troca, aumentando a cautela no planejamento da próxima temporada.

Foto: Gilson Abreu/AEN
Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, esse contexto pode resultar em menor investimento em tecnologia e manejo, com reflexos sobre o potencial produtivo das lavouras.
No mercado internacional, os preços do trigo continuam encontrando suporte nas incertezas climáticas em importantes regiões produtoras. Nos Estados Unidos, a seca segue afetando áreas de trigo de inverno, mantendo o mercado atento a possíveis revisões de oferta.
A combinação desses fatores sustenta as cotações internacionais e contribui para manter as paridades de importação em níveis mais elevados no Brasil. Ainda assim, o impacto sobre os preços internos continuará dependendo do comportamento do câmbio ao longo da safra.



