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Exportação cai, mas mercado doméstico se mantém estável
Apesar do recuo de 16,2% em outubro, no acumulado do ano o Brasil exportou quase 8% a mais do que no mesmo período do ano passado.

As exportações brasileiras de carne suína in natura experimentaram um recuo significativo em outubro (-16,2%), em relação a setembro (Tabela 1). Foi o segundo mês deste ano em que os volumes foram inferiores em relação ao mesmo mês do ano passado, e grande parte desta redução se deve a uma menor participação da China. Ainda assim, no acumulado de janeiro a outubro de 2023, com um total de 901,48 mil toneladas, o Brasil exportou quase 8% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Tabela 1 – Volumes exportados totais e para a China de carne suína brasileira in natura de janeiro a outubro de 2021, 2022 e 2023 (em toneladas) e comparativo percentual de 2023 com o mesmo período do ano passado. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
Além da redução do volume exportado, mais dois pontos relevantes se destacam nos embarques dos últimos meses: um deles é a redução do valor da tonelada exportada de carne in natura em dólar, que vem caindo desde maio/23, quando estava em US$ 2.587/tonelada e em outubro fechou em US$ 2.287/tonelada, uma redução de 11,6%. Outro ponto é a queda da participação da China. Ao se analisar os meses de agosto, setembro e outubro/23 é possível perceber uma forte redução absoluta e percentual do gigante asiático nas nossas vendas externas, bem como uma queda significativa no preço médio em dólar (Tabela 2). No comparativo entre os trimestres referidos dos dois anos é possível identificar um aumento significativo de embarques para Filipinas, que ultrapassou Hong Kong e assumiu o segundo lugar neste período. Por outro lado, o México que é um dos maiores importadores mundiais já aparece na sexta colocação, com mais de 15 mil toneladas nesses três meses (Tabela 2).

Tabela 2 – Ranking dos principais importadores da carne suína in natura brasileira nos meses de agosto, setembro e outubro de 2023 e 2022. Destaque (em amarelo) para a queda da participação da China e o aparecimento do México como destino relevante. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
A China, que chegou a representar mais de 50% de nossas exportações, já vinha dando sinais de redução na participação percentual ao longo deste ano e já acumula três meses consecutivos abaixo de 30% (Tabela 3).

Tabela 3 – Percentual de participação da China nas exportações mensais brasileiras de carne suína in natura desde 2020. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
O IBGE publicou os dados preliminares de abate do terceiro trimestre de 2023, confirmando o crescimento significativo do abate de bovinos e o baixo crescimento do abate de suínos (Tabela 4). No acumulado do ano (janeiro a setembro), comparando com o mesmo período do ano passado, o abate de suínos cresceu menos de 1% em cabeças e menos de 2% em toneladas de carcaças.

Tabela 4 – Dados de abate (em toneladas de carcaças e 1.000 cabeças) de bovinos, aves e suínos do terceiro trimestre, e acumulado de 2023, comparados com o mesmo período do ano passado e com o segundo trimestre deste ano. *Dados do terceiro trimestre/23 preliminares. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.
O terceiro trimestre na maioria dos anos recentes é o período de maior volume de abate de suínos ao longo do ano, portanto, é normal mesmo quando o crescimento da produção desacelera (como é o caso de 2023), que o somatório dos suínos abatidos entre julho e setembro seja maior que os trimestres anteriores, e até mesmo o último trimestre do ano corrente. Porém, chama a atenção, conforme a tabela 5, que apresenta o abate no terceiro trimestre dos últimos 10 anos, que o crescimento observado no 3º trimestre de 2023 em relação ao mesmo período de 2022 foi o menor em cabeças, e o segundo menor em toneladas de carcaças no período avaliado.

Tabela 5 – Abate e suínos no Brasil no terceiro trimestre, de 2014 a 2023, em cabeças e toneladas de carcaças e crescimento/redução (%) em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e ao segundo trimestre imediatamente anterior. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.
Quando se avalia o balanço das carnes bovina, de frango e suína de janeiro a setembro de 2023, em comparação com o mesmo período do ano passado (Tabela 6), considerando a disponibilidade interna, percebe-se um aumento do consumo doméstico de carne bovina da ordem de quase 12%, do frango em pouco menos de 5% e da carne suína de somente 0,10%. Ao se extrapolar este incremento para o consumo per capita ano, com a mesma base populacional de 2022, tem-se um aumento do consumo total das 3 proteínas somadas em 6%, ou 5,5 kg por habitante/ano, onde a carne bovina representa mais de 3,5kg deste incremento.

Tabela 6 – Produção, exportação e disponibilidade interna de carne de frango, bovina e suína no primeiro semestre de 2022 e 2023 e a diferença em toneladas e percentual de um ano para o outro, com o equivalente em consumo per capita ano adicionado em 2023. *Considerada população de 203.062.512 de habitantes (dados do último censo do IBGE); dados de produção (abate) do terceiro trimestre de 2023 preliminares. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e Secex.
Este crescimento da disponibilidade interna aproximou o preço da carne bovina para a carne suína em relação ao ano passado (Tabela 7), reduzindo a competitividade da suína e limitando altas no preço pago ao produtor. Depois do spread entre o valor do quilograma da carcaça bovina em relação a suína atingir o menor percentual do ano no mês de setembro/23, em outubro e novembro (parcial) voltou a subir (Tabela 7).

Tabela 7 – Spread da carcaça suína especial (SP) em relação a carcaça bovina (Cepea/B3) e a carcaça do frango resfriado, nos primeiros dez meses de 2023 e média do ano de 2022. Em destaque (amarelo) as médias de 2022 e os valores mais baixos de 2023. * Dados de novembro/23 até dia 13/11 **Quanto mais alta a relação percentual boi-suíno e quanto mais baixa a relação suíno-frango, mais competitiva é a carne suína em relação às duas outras. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.
Já entramos em meados de novembro e a tão esperada alta das cotações do suíno vivo ainda não se concretizou, embora o mercado demonstre um aquecimento da demanda para atender o consumo de final de ano.
É possível predizer a variação dos preços analisando anos anteriores? Talvez sim, pelo menos em parte, visto que cada ano apresenta dinâmicas diferentes e existem inúmeros outros fatores além da simples oferta e procura pela carne suína, que influenciam as cotações. Para tentar encontrar alguma lógica histórica no comportamento dos preços, a tabela 8 mostra como se comportaram as cotações da carcaça suína em São Paulo ao longo dos últimos 10 anos, entre os meses de outubro e janeiro.

Tabela 8 – Variação do preço da carcaça especial suína em São Paulo (SP), entre outubro e janeiro, nos últimos dez anos (de 2013 a 2023). Legenda colorida indica os destaques no período analisado. Não foi feita correção inflacionária das cotações. Elaborado por Iuri P. Machado sobre dados do Cepea.
Considerando que em dezembro a demanda por carne suína é a maior do ano e que é preciso fazer estoque antes para atender esta demanda, independente da situação de mercado, a tendência quando não há uma grande alta do preço em novembro e dezembro é que em janeiro o preço de mantenha estável.
Insumos em elevação, mas sem movimento especulativo aparente
A Conab divulgou dia em 09 de novembro o segundo levantamento da safra 2023/24 que traz em relação ao levantamento anterior uma redução da expectativa de safra de milho, com previsão de um total de 119 milhões de toneladas a serem colhidas (Tabela 9).

Tabela 9 – Balanço de oferta e demanda de MILHO no Brasil (em mil toneladas). Dados da safra 2022/23 atualizados em 09/11/23, sendo estoque final estimado para 31/01. Destaques (em amarelo) para as exportações da safra 2022/23 (52 milhões de toneladas), no período compreendido entre 01/02/23 e 31/01/2024, a se confirmar, e para a produção total de milho da safra 2023/24 (119,06 milhões de toneladas) Fonte: Conab
Segundo a consultoria MBagro, pelo cenário atual há potencial de alta de preços de milho ao longo da próxima temporada. Temos queda de área tanto na primeira como na segunda safra e perspectivas de produtividades menores por conta do clima. O total de milho produtivo no Brasil em 2024 não se repete esse ano, e o impacto será sentido no preço interno e na exportação, que não deve repetir o comportamento de 2023. Há um importante potencial de alta de preços a frente.
Enquanto a CONAB projeta encerrar este ciclo de exportações de milho em 52 milhões de toneladas (tabela 9), os números acumulados do ano e o volume diário embarcado em novembro/23 indicam que este número poderá ser ultrapassado, chegando a 55 milhões de toneladas e reduzindo consideravelmente o estoque de passagem. Mesmo com esta expectativa de redução de safra em relação ao ano anterior e maior exportação, a pressão sobre o preço do milho aliviou nos últimos dias, conforme mostra o gráfico 1.

Gráfico 1 – Preço do milho (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 60 dias, até dia 13/11/23. Observa-se certa estabilidade nos últimos 20 dias úteis, depois de algumas semanas de alta contínua. Fonte: Cepea
O farelo de soja, que durante muitos meses ficou estável, terminou outubro e entrou em novembro/23 com as cotações em movimento de alta, ultrapassando o valor de R$ 2.500,00 por tonelada em algumas praças.
Considerações finais
Apesar de disponibilidade interna similar à do ano passado, a estabilidade de preços pagos ao produtor observada no mês de outubro e metade do mês de novembro/23 chama a atenção, pois quase sempre nesta época há uma escalada na procura e, consequentemente no preço, pelo fato das indústrias, atacado e varejo formarem estoques para os festejos de fim de ano que se concentram em dezembro.
Segundo o Presidente da ABCS, Marcelo Lopes, “Esta estabilidade indica uma cautela nos elos finais da cadeia que não estariam ‘arriscando’ adquirir mais do que o que efetivamente será vendido. Também é um indicativo de que os estoques de fim de ano devem ser menores do que em anos anteriores, determinando que o preço se mantenha em patamar um pouco mais elevado ao longo de todo mês de dezembro e talvez sem recuo significativo em janeiro/24. Além disso, há uma pressão sobre os custos de produção em função das expectativas de safra e alta exportação de milho, mas ao contrário de outros anos, o mercado não está especulativo e a curva de ascensão do preço do milho tem sido mais suave que no passado”, conclui.

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Leite longa vida sobe 17% no varejo no Paraná; proteínas animais registram ganho de produtividade e exportações
Boletim do Deral aponta leite a R$ 4,52, avanço de 57,7% na produção de suínos em 10 anos, exportações de frango com US$ 1,78 bilhão e milho safrinha com 99% da área plantada.

O Boletim Conjuntural divulgado no início de abril pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revela um cenário de ajustes no campo. O destaque do período foi o setor leiteiro, que apresentou uma elevação de preços ao produto final. No varejo, o leite longa vida subiu 17% e o leite em pó 8,8%, com o produto comercializado a uma média de R$ 4,52.

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
Segundo o médico-veterinário e analista do Deral Thiago De Marchi, o preço pago ao produtor ainda não acompanha a alta observada nas gôndolas dos supermercados, mas a perspectiva já é positiva. “O impacto não é imediato ao produtor por conta de prazos de pagamentos que seguem seus ritos nas indústrias. Mas a tendência é de que seja pago um valor maior pelo litro do leite entregue”, explica.
Proteínas animais
De acordo com o boletim, o segmento de proteínas animais segue demonstrando força, com destaque para a eficiência da suinocultura paranaense. Nos últimos dez anos, a produção de carne suína no Estado cresceu 57,7%, saltando de 777,74 mil toneladas em 2016 para 1,23 milhão de toneladas em 2025. O dado mais relevante é que esse crescimento produtivo superou a ampliação do rebanho, indicando um ganho qualitativo com o abate de animais mais pesados. Nacionalmente, o cenário é similar, com a produção de carne crescendo 52,4% no mesmo período.

Foto: Shutterstock
No mercado externo, as aves mantêm um desempenho exportador robusto, com o Paraná liderando as receitas cambiais. No primeiro bimestre de 2026, as exportações brasileiras de carne de frango renderam US$ 1,788 bilhão, uma alta de 7,7% em faturamento. O Paraná responde sozinho por 42,9% do volume total exportado pelo país. Já o setor de perus registrou um salto de 107,6% na receita cambial nacional, impulsionado pela valorização do preço médio da carne “in natura”, que subiu 97,8% em relação ao ano anterior.
Milho
O plantio da segunda safra de milho 2025/26 caminha para o encerramento, atingindo 99% dos 2,86 milhões de hectares previstos. Apesar de 91% da área apresentar boas condições, o Deral alerta que o mês de março foi desfavorável para a cultura devido às chuvas irregulares e ondas de calor. Cerca de 8% das lavouras estão em condições medianas e 1% em situação ruim, o que já pode refletir um resultado final inferior ao inicialmente projetado para este ciclo.
Mandioca
Mesmo com um cenário desafiador e os altos custos de arrendamento, a mandiocultura do Paraná tem uma expectativa de um crescimento

Foto: Divulgação
de 6% na área colhida para 2026, com a produção podendo superar a marca de 4 milhões de toneladas. O boletim ressalta que a cultura atravessa um período de ajuste estratégico. Com preços 21% menores neste primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2025, os produtores têm optado por manter as lavouras para um segundo ciclo, visando ganhar em produtividade e compensar as margens estreitas.
Cebola
A cultura da cebola exemplifica o impacto positivo da tecnologia aplicada no campo. Mesmo com uma atual redução de 12,8% na área plantada em comparação a 2015, o Brasil registrou um aumento de 16,1% no volume colhido em 2024, que significa um incremento de 33,1% na produtividade. Tal movimento gerou reflexos nos preços recebidos pelo produtor e nos praticados para o consumidor final.
No Paraná, em 2026, o preço recebido pelo produtor saltou de R$ 0,82/kg em fevereiro para R$ 1,18/kg em março, um crescimento de 44,9%. O consumidor também sentiu uma variação em menos de 30 dias. As cotações para a cebola pera nacional ao final de março estão 42,9% mais altas que no início do mesmo mês, de R$ 1,75/kg para R$ 2,50/kg.
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IDR-Paraná leva tecnologias, pesquisa e extensão rural à ExpoLondrina 2026
Instituto apresenta soluções para produção de grãos, café, pecuária e agricultura familiar, além de ferramentas digitais para manejo de pragas, fertilidade do solo e tomada de decisão no campo.

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná) apresenta um expressivo conjunto de tecnologias, conhecimentos e ações ao público da ExpoLondrina 2026, que acontece até o próximo domingo (19) no Parque Governador Ney Braga, em Londrina, no Norte do Estado.

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
A participação do IDR-Paraná contempla diferentes espaços e públicos, com destaque para a tradicional Via Rural Fazendinha, eventos técnicos e a presença no Pavilhão SmartAgro. Ao todo, serão mais de dez encontros temáticos e diversas unidades didáticas que traduzem, na prática, o resultado do trabalho desenvolvido pela pesquisa e a extensão rural. “Para nossa instituição, a ExpoLondrina é um importante espaço para apresentar à sociedade o trabalho da pesquisa e da extensão rural no Estado”, afirma o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza.
Na Fazendinha, o público poderá se inteirar a respeito de temas estratégicos como a produção de café de qualidade, manejo de solos e água, produção sustentável de grãos, piscicultura, horticultura e pecuária. Entre as novidades estão um espaço voltado à produção de plantas medicinais, aromáticas e condimentares, além de uma unidade especial, que resgata os 70 anos de história da extensão rural no Paraná. “Esse é um espaço de diálogo, onde conseguimos nos aproximar do público urbano e, ainda mais, dos produtores, especialmente da agricultura familiar, para apresentar soluções que fazem diferença no dia a dia no campo”, diz o chefe regional do IDR-Paraná em Londrina, Renan Ribeiro Barzan.
A programação técnica do IDR-Paraná contempla eventos como o “3º Encontro regional de meliponicultura e apicultura”, abordando a

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
criação de abelhas e sua relação com a polinização e produtividade em lavouras de soja e, ainda, o “3º Seminário de produção sustentável de grãos”, que discutirá o manejo de solos e a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.
O “32º Encontro estadual de cafeicultores” vai reunir especialistas e produtores para discutir temas como cafeicultura regenerativa, movimentações do mercado e acompanhar a entrega oficial dos cafés premiados no Concurso Café Qualidade Paraná.
O IDR-Paraná ainda estará presente em outros ambientes da feira, como o espaço ExpoSabores, com agroindústrias familiares assistidas pela extensão rural.
SMARTAGRO
No Pavilhão SmartAgro, dedicado às tecnologias digitais aplicadas ao campo, o IDR-Paraná apresentará ferramentas que agregam conhecimento científico e auxilia produtores e técnicos na tarefa de tomar decisões no dia a dia do campo.

Foto: Gilson Abreu
Entre os destaques, a automação da identificação de esporos nos coletores do “Alerta ferrugem da soja”, tecnologia que permite o monitoramento precoce da presença do fungo causador da doença e facilita aos produtores e técnicos fazer o controle no momento adequado.
Outra ferramenta é a plataforma Webcigarrinhas, que acompanha a ocorrência da cigarrinha-do-milho e contribui para o manejo mais eficiente da praga nas lavouras.
No dia 16, às 08 horas, na Arena Futuro, o Instituto apresenta o aplicativo “Guia de Identificação de Pragas do Feijão”, desenvolvido para auxiliar técnicos e produtores diretamente no campo. “A ferramenta permite reconhecer os insetos conforme o estágio de desenvolvimento do feijoeiro, facilitando a tomada de decisão e qualificando o monitoramento”, explica o pesquisador Humberto Androcioli.
Também serão lançadas as plataformas digitais Sirdes (Sistema de Recomendação de Adubação com Dejetos de Suínos) e Sirca (Sistema de Recomendação de Adubação com Cama de Aviário) que orientam o uso desses dejetos como fertilizantes nas lavouras. As ferramentas transformam dados técnicos em recomendações práticas, contribuindo para reduzir custos e aumentar a eficiência no uso de nutrientes, com segurança ambiental.
Outro destaque é o lançamento do livro “Plantas oleaginosas para biodiesel no Paraná”, publicação que reúne conhecimentos técnico-

Foto: Alessandro Vieira
científicos sobre culturas com potencial para a produção de biocombustíveis no Estado, como canola, girassol, mamona e gergelim, além de aspectos relacionados à qualidade dos óleos vegetais e à sustentabilidade das cadeias produtivas.
A ExpoLondrina é uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil, congrega produtores, técnicos, pesquisadores, empresas e o público urbano, tendo ao longo dos anos consolidado um espaço de negócios, difusão de conhecimento técnico-científico, valorização do meio rural e da produção agropecuária, cultura, entretenimento e integração campo-cidade.
Mais informações sobre a programação técnica na feira podem ser obtidas clicando aqui.
Notícias Oscar da água
Sanepar é finalista da categoria Campeões do ODS 6 no Global Water Awards
Indicação da Companhia se deve ao programa que conecta a implementação de sistemas de esgotamento sanitário sustentáveis à proteção de reservatórios e à segurança energética, em parceria com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec. Vencedores serão revelados em 19 de maio, em Madri, durante um dos principais eventos do setor.

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) é uma das finalistas da categoria Campeões do ODS 6 do Global Water Awards, premiação promovida pela Global Water Intelligence (GWI) e pela Global Water Leaders Group (GWLG). Os vencedores serão escolhidos pelos assinantes da GWI e a revelação acontecerá em 19 de maio, em Madri, na Espanha, durante o Global Water Summit 2026, um dos principais eventos do setor.

Foto: Maurilio Cheli/Sanepar
A Sanepar foi indicada pelo programa que conecta a implementação de sistemas de esgotamento sanitário sustentáveis à proteção de reservatórios e à segurança energética. Com alto retorno socioambiental, a iniciativa fortalece a universalização, a perenidade dos serviços de saneamento e a segurança operacional na geração de energia.
A categoria Campeões do ODS 6 reconhece iniciativas, empresas e governos que avançam na implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 da ONU, que visa assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todas as pessoas até 2030.
Com investimentos superiores a R$ 184 milhões, e em parceria com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec, foram construídos e aprimorados sistemas de coleta e tratamento de esgoto em seis municípios próximos ao Lago de Itaipu.
Os empreendimentos contaram com a expansão de 230 km de redes de esgoto e redução, por ano, de mais de 3.000 toneladas de DBO (parâmetro que indica poluição das águas) e mais de 300 toneladas de carga de nutrientes na bacia do Paraná 3, beneficiando cerca de 100 mil pessoas e gerando mais de 3.000 empregos diretos, indiretos e induzidos.
A proteção da qualidade da água do reservatório de Itaipu ainda salvaguarda diretamente a produção de 10% da energia total do Brasil e 88%

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
da energia total do Paraguai. Cada real investido na iniciativa gera um retorno estimado de mais de quatro reais em resultados socioambientais para a bacia, conforme estudo específico baseado em condições regionais.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley; o diretor de Inovação e Novos Negócios da Sanepar, Anatalicio Risden Junior, e o especialista em Pesquisa e Inovação, Gustavo Possetti, representarão a Companhia na solenidade de revelação dos escolhidos. A Sanepar já foi premiada na mesma categoria em 2024.
Bley também participará do encontro dos 300 Water Leaders, iniciativa do GWLG focada em garantir o acesso a serviços de água para 300 milhões de pessoas até 2030, e ministrará a palestra “Saneamento 5.0: hype ou sobrevivência das concessionárias?”.
Inovar para universalizar

Foto: Divulgação/Itaipu Binacional
A Companhia busca as melhores práticas do mundo e tem atuado com instituições de referência para impulsionar o Sanepar 5.0, programa que reforça o compromisso com a inovação, a eficiência e a sustentabilidade para garantir e aprimorar o serviço de saneamento. “Esta indicação reconhece os resultados do esforço de toda a Companhia para internalizar o conceito de inovação digital e sustentável na nossa infraestrutura, operação e gestão. Focamos em acelerar a transformação digital e fortalecer a inteligência hídrica no Paraná para alcançarmos a universalização do saneamento nos municípios que atendemos”, destaca Bley.
Para Risden, a Sanepar é uma empresa inovadora e a busca por parcerias estratégicas e iniciativas no que diz respeito ao meio ambiente é uma ação disruptiva. “A parceria profícua com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec, e a busca por alternativas adaptadas ao contexto regional como as soluções baseadas na natureza demonstram que a Sanepar está no caminho correto. Nunca esquecemos da inovação ou da inovabilidade, que une a sustentabilidade e a inovação”, afirma.
Carlos Carboni, diretor de Coordenação da Itaipu, afirma que a parceria com a Sanepar reflete a filosofia de trabalho da binacional, de atuar em rede e por meio de parcerias para amplificar o resultado dos projetos. “A água é matéria-prima para a geração de energia e para os usos múltiplos do reservatório. Para assegurar esse recurso no longo prazo, é essencial que cuidemos dos usos da água e do solo no território e isso passa pelo saneamento”, afirma.
Gustavo Possetti ressalta que o projeto é uma referência na busca por universalização dos serviços de saneamento ambiental, com benefícios

Foto: Edino Krug/Itaipu Binacional
socioambientais e para a saúde pública. Além dos ganhos operacionais tanto para a Sanepar quanto para a Itaipu Binacional. “Esse projeto é um exemplo e muito nos orgulha participar dele, não apenas pelos ganhos e pela geração de valor para a sociedade, mas principalmente ao sabermos que a comunhão de esforços faz com que, de fato, os resultados sejam apresentados respeitando as melhores práticas da ciência, da tecnologia e da engenharia”, acrescenta.
Finalistas ODS 6
Além da Sanepar, outras quatro empresas concorrem ao prêmio:
- Aguas Nuevas, do Chile: implementou um programa estratégico de redução de perdas de água.
- Bangalore Water Supply and Sewerage Board, da Índia: expandiu o acesso à água segura para 1,7 milhão de pessoas, com forte impacto social e urbano.
- Indah Water Konsortium, da Malásia: implementou soluções com energia solar em 16 ETEs, ampliando a sustentabilidade do sistema nacional de esgotamento sanitário.
- Sanasa, do Brasil: desenvolveu iniciativa inovadora de redução de perdas com financiamento da Microsoft baseado em créditos de água.

Foto: Divulgação/Sanepar
Global Water Intelligence
A GWI é a principal empresa de inteligência de mercado, análise de dados e eventos do setor internacional de água, sendo considerada uma fonte confiável para auxiliar a tomada de decisões estratégicas por empresas, governos e investidores no setor de água e saneamento.
É responsável pela organização do Global Water Summit, evento de entrega da premiação Global Water Awards, que reconhece projetos e iniciativas inovadoras de destaque mundial.
Global Water Leaders Group
O GWLG é um grupo internacional de elite formado por CEOs de empresas de saneamento e demais líderes do setor, com foco em inovação e desempenho para superar desafios globais da água, aprimorar a gestão de recursos e ampliar o acesso ao saneamento básico.



