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Avicultura

Expert fala sobre vitaminas, sua importância e as mudanças na indústria global de rações para aves

Durante o texto, você leitor, vai saber o que a indústria global está fazendo sobre a suplementação de vitaminas na avicultura

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Suplementar as dietas com vitaminas. Esse é uma das estratégias para migrar para um programa AGP free na produção avícola. Para explorar o assunto, O Presente Rural entrevistou com exclusividade o doutor Mike Coelho, gerente de Produto Técnico Global, Nutrição Animal da Basf. Coelho fez palestra durante o Congresso Latino-Americano de Nutrição Animal, que aconteceu em outubro, em Campinas, SP. O evento, promovido pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), reúne alguns dos melhores especialistas do setor. Nas próximas cinco páginas, você, nobre leitor, vai saber o que a indústria global está fazendo sobre a suplementação de vitaminas na avicultura.

O Presente Rural (OP Rural) – Em que consiste e para que serve a suplementação das dietas com vitaminas?

Mike Coelho (MC) – Uma vitamina é um composto orgânico e um nutriente vital que é indispensável para os procesos metabólicos normais dos animais. Um composto químico orgânico (ou conjunto de compostos relacionados) é chamado vitamina quando o organismo não consegue sintetizar o composto em quantidades suficientes, e deve ser obtido através da dieta. Assim, o termo vitamina depende das circunstâncias e do organismo específico. Uma deficiência de uma ou mais vitaminas pode levar a múltiplas disfunções do metabolismo, resultando em desempenho deprimido ou morte. Por outro lado, níveis mais altos de vitaminas podem estimular o sistema imunológico e melhorar a saúde geral. As vitaminas são necessárias em quantidades extremamente pequenas em comparação com outros nutrientes, são essenciais para manter muitas funções metabólicas e, quando usadas em grandes quantidades, desempenham um papel fundamental na manutenção do sistema imunológico e na maximização do desempenho animal.

Treze vitaminas são universalmente reconhecidas atualmente. As vitaminas são classificadas pela sua atividade biológica e química, não pela sua estrutura. Assim, cada vitamina refere-se a vários compostos específicos que mostram a atividade biológica associada a uma vitamina particular. Tal conjunto de produtos químicos é agrupado sobre um título "descritor genérico" de vitamina, como "vitamina A", que inclui os compostos de retinol e quatro carotenóides conhecidos. As vitaminas, por definição, são conversíveis para a forma ativa da vitamina no corpo e, as vezes, são interconvertidas umas às outras. As vitaminas são geralmente classificadas como gorduras ou solúveis em água. As vitaminas lipossolúveis são facilmente armazenadas nos tecidos adiposos do organismo, enquanto as vitaminas solúveis em excesso são excretadas pelos rins.

As vitaminas possuem diversas funções bioquímicas. Alguns, como a vitamina D, têm funções semelhantes a hormônios como reguladores do metabolismo mineral, ou reguladores do crescimento e diferenciação de células e tecidos (como algumas formas de vitamina A). Outros funcionam como antioxidantes, por exemplo, vitamina E, e por vezes vitamina C. O maior número de vitaminas, as vitaminas do complexo B, funcionam como cofatores de enzimas (co-enzimas) ou os precursores para elas; coenzimas ajudam enzimas em seu trabalho como catalisadores no metabolismo. Neste papel, as vitaminas podem estar fortemente ligadas a enzimas como parte de grupos protéticos: Por exemplo, a biotina é parte de enzimas envolvidas na produção de ácidos graxos. Eles também podem estar menos ligados aos catalisadores enzimáticos como coenzimas, moléculas destacáveis ??que funcionam para transportar grupos químicos ou elétrons entre as moléculas. Por exemplo, o ácido fólico pode transportar grupos metil, formil e metileno na célula. Embora estes papéis em auxiliar reações de enzima-substrato sejam a função mais conhecida das vitaminas, as outras funções da vitamina são igualmente importantes. Portanto, o papel das vitaminas é amplamente diversificado. A vitamina A é essencial para a visão, a vitamina D3 para a mineralização de cálcio e fósforo, a vitamina E para a respiração intracelular antioxidante, a integridade da membrana, a vitamina K para a coagulação do sangue.

OP Rural – Desde quando a indústria vem trabalhando nesse sentido?

MC – As vitaminas foram descobertas a partir de 1774 (Colina) até 1948 (Vitamina B12).

Para uma produção animal eficiente, um suprimento adequado de vitaminas é altamente importante. Muitos fatores afetam as necessidades de vitaminas. O "National Research Council" (NRC) compilou um total de 21 fatores individuais que podem afetar os requisitos vitamínicos das aves. Com base nesta compilação, deve ser feita uma distinção entre três níveis diferentes de fornecimento de vitaminas.

O suprimento mínimo de vitamina é a quantidade que deve ser fornecida ao animal para prevenir ou corrigir sintomas de deficiência. Estes valores são determinados experimentalmente em condições laboratoriais, mas eles têm apenas um valor teórico no que diz respeito à alimentação animal. O fornecimento ótimo é a quantidade que alcança a melhor taxa de crescimento, utilização de alimento, saúde e reservas corporais adequadas. A experiência mostra que o suprimento ótimo é várias vezes superior aos requisitos mínimos de vitaminas. Os sintomas de deficiência de vitamina nem sempre são observados, mesmo quando há uma oferta inadequada. Um dos melhores indicadores é o ganho de peso dos animais de teste. A deficiência de vitamina pode ter um efeito adverso sobre a saúde e a produtividade do animal.

A ingestão sub-ótima ocorre com bastante frequência na prática e resulta em uma depressão inespecífica da produtividade, aumento da suscetibilidade à doença, redução da fertilidade e curta vida reprodutiva. Por estas razões, o objetivo da alimentação animal prática é satisfazer as exigências ótimas através da suplementação vitamínica.

As vitaminas são compostos que não podem ser sintetizados pelo organismo ou são sintetizados em níveis inadequados para produção máxima de carne ou leite. As vitaminas são essenciais para processos metabólicos e fisiológicos normais. Os requisitos de vitaminas do NAS/NRC são os requisitos mínimos de vitaminas sob condições controladas e relativamente higienizadas, livres de doenças, com perfeita homogeneidade na alimentação e para prevenir sintomas clínicos de deficiência de vitaminas. Estas condições diferem drasticamente dos requisitos de vitaminas da indústria em condições de campo.

O requisito total de vitamina pode ser visto como a soma de requisitos parciais para atender a determinados objetivos. O requisito do NAS/NRC é o nível de vitamina para evitar sintomas clínicos de deficiência de vitamina. Obviamente, esse não é o objetivo da indústria. A indústria visa o máximo desempenho econômico, ou seja, o menor custo por quilo de produto final (carne, ovo, leite). Para alcançar este nível de desempenho, são necessárias mais vitaminas para atingir a taxa de crescimento econômico ideal, a atividade enzimática máxima e a resposta imunológica.

Agora que definimos o requisito de vitamina, precisamos estabelecer a suplementação vitamínica. Esses dois objetivos nunca devem ser considerados sinônimos. A exigência de vitamina é a absorção de vitamina no intestino. Suplementação é o nível de vitamina fornecido (alimento, água) para obter o nível de absorção de vitaminas no intestino.

O fornecimento mínimo de vitamina é determinado por estudos de taxa de crescimento que apontam para o nível mínimo de vitamina E para prevenir a depressão do crescimento. Esses ensaios podem ser realizados em gaiolas de laboratório.

OP Rural – Quais são as tendências para esse setor de suplementação com vitaminas, seja no Brasil ou no mundo?

MC – A suplementação de vitamina continua a aumentar a cada ano, uma vez que a taxa metabólica do frango continua em aumento. Os dias médios para produzir um quilo de frango diminuíram 83% nos últimos 92 anos, de 99 para 17 dias. A média de taxa de conversão de alimento de frangos de corte diminuiu 61% nos últimos 92 anos, de 4,70 para 1,85.

A longa via metabólica da vitamina não melhorou nas taxas de conversão (lembre-se que as empresas de criação focam na eficiência de conversão de energia e aminoácidos, não vitaminas), o que significa que os frangos precisam de 200% mais vitaminas por unidade de alimento e precisam de outro aumento de 20% até 2050 para manter a função neutrofílica.

Como menos quilos de ração são necessários por quilo de carne, é necessária uma maior concentração de vitaminas/kg de ração para atender a exigência por quilo de acréscimo de proteína. Vitaminas intimamente associadas com resposta imune e fagocitose de neutrófilos continuam a aumentar em suplementação. À medida que a taxa de crescimento e a converção melhoram, a função dos neutrófilos é deprimida, o que requer níveis mais elevados de vitaminas antioxidantes para eliminar a depressão da função neutrofílica.

OP Rural – Qual a relação da suplementação com nutrição de precisão ou nutrição 4.0?

MC – Em 1991, desenvolvi a primera metodologia para calcular a reposta a suplementação de vitaminas antioxidantes A, E e riboflavina e sua função neutrofílica em quatro níveis de produção (baixa, media, alta 25%, alta 5% e 2x suplementação antioxidante média), medida como desempenho das aves. Com estresse baixo ou moderado, os níveis industriais de vitaminas proporcionaram uma melhora significativa no ganho de peso em comparação com os níveis de NRC e o baixo nível de 25% da indústria.

Com condições de estresse relativamente alto, o melhor ganho foi alcançado aos 51 dias de idade, com níveis de vitamina 25% altos dos níveis industriais ou maiores. A conversão alimentar melhorou quando a suplementação vitamínica foi aumentada.

Sob estresse moderado e alto, a melhor conversão foi obtida quando as vitaminas foram aumentadas para o nível de 25% e 25% mais 25%.

OP Rural Entre os principais produtores, quais são os países mais avançados quando falamos em nutrição das aves? Por que?

MC – Sem dúvida, Estados Unidos e Brasil, devido ao alto nível de integração e pesquisa coordenada de perto pelas universidades, em conjunto com fornecedores de vitaminas, integradores e empresas de reprodução. Isso permite uma resposta rápida ao aumento das taxas de produção e taxas metabólicas e seu impacto na suplementação de nutrientes para um ótimo desempenho.

OP Rural – Como a “era” AGP free altera a avicultura, especialmente a nutrição?

MC – Embora os antibióticos estejam sendo removidos da produção avícola em ritmo acelerado, isso reduz a reputação dos antibióticos, criando as melhores condições de absorção do intestino delgado, de vilosidades altas, paredes finas e ausência de agregação de patógenos, que levam à maior absorção de nutrientes, incluindo vitaminas. Por exemplo, a digestibilidade da vitamina A e da lisina diminuiu de dietas com antibióticos, para dietas com substitutos de AGP e para dietas sem quaisquer AGP ou substituições de AGP.

OP Rural – Como a nutrição era antes e como o conceito AGP free está a transformando?

MC – Além dos pontos mencionados, devemos considerar também os estresses que são gerados em alguns macro e micronutrientes pelo impacto dos tratamentos térmicos, seja peletização com tempos de retenção mais longos ou mesmo extrusão para alcançar melhores condições higiênicas dos alimentos. Também é importante pensar em como o uso de alguns conservantes, como o formaldeído, afeta a solubilidade das proteínas ou mesmo os ácidos orgánicos, entre outros.

OP Rural – Com a retirada de antimicrobianos da nutrição aumentam as necessidades de inclusão de outros ingredientes, como as vitaminas?

MC – A taxa de aumento da suplementação vitamínica está acelerando à medida que os AGP são removidos. A suplementação de vitamina E e riboflavina estava aumentando a 2% CAGR na era AGP, e acelerou a quase 3% CAGR na era pós AGP.

OP Rural – Quanto a suplementação representa no custo de produção das rações? E no processo todo?

MC – A suplementação com vitamina representa um custo aproximado de 2,0%/ 1,6% / 1,52% do alimento de um frango de corte em fase inicial (R$ 18,4 /R$ 938), crescimento (R$ 14,3/ R$ 897,6) ou finalizador (R$ 10,2 / R$ 836,4), dependendo dos preços das vitaminas, das commodities e do nível de suplementação.

OP Rural – Existe uma relação custo/benefício com a suplementação vitamínica nas rações de aves?

MC – O rendimento de processamento e a produção de carne de peito expressa como uma percentagem do peso vivo melhorou (Tabela 1) à medida que o nível de suplementação de vitamina aumentou. Quando as aves foram criadas em condições de baixo estresse, o rendimento foi otimizado com nível médio de suplementação vitamínica que a indústria utiliza. Sob condições moderadas e altas de estresse, o rendimento foi otimizado com altos níveis de suplementação de 25% e mais. O aumento do estresse teve um efeito negativo no rendimento de carcaça seca. Pesos de carcaça refrigerada também melhoraram com a suplementação vitamínica. Isso ficou mais evidente quando as aves foram criadas com condições de alto estresse, onde o rendimento foi otimizado em 25% e mais 25% dos níveis de fortificação da indústria.

Rachaduras e arranhões totais da pele também foram avaliadas, uma vez que tanto a graduação da carcaça quanto a preferência do consumidor foram impactadas. Suplementação vitamínica inadequada leva a tecidos fracos e à integridade e força da pele reduzidas. Os primeiros sintomas de várias deficiências vitamínicas (especialmente biotina, ácido pantotênico e vitamina A) são doenças da pele. Suplementação vitamínica significativamente (P <0,05) reduziu o número de rasgos e arranhões na pele quando os frangos de corte são criados em qualquer nível de estresse. Mesmo com a condição de baixo estresse, os rasgos e os arranhões da pele foram otimizados com a suplementação de +5% alto, em comparação com níveis mais baixos de vitamina.

O desempenho das aves tende a ser medido em termos de ganho de peso, eficiência alimentar e mortalidade. No entanto, o desempenho máximo pode não ser o objetivo mais lucrativo quando o processamento é considerado na equação de lucratividade. Portanto, a indústria avícola moderna tende a buscar rentabilidade ótima, independentemente do desempenho vivo. O lucro líquido por ave processada é geralmente considerado o índice mais preciso de desempenho do lote. Kennedy foi um dos primeiros a relatar o lucro líquido como índice comparativo de desempenho de frangos de corte. Ele relatou que os rebanhos alimentados com uma dieta de 180 mg/kg de vitamina E tiveram 1,3% de peso a mais (P <0,05) por ave e 0,84% de eficiência alimentar significativamente melhor (P <0,05) do que os controles alimentados com 44 mg/kg vitamina E. O rendimento líquido do rebanho em alta vitamina E foi 2,7% maior do que nos rebanhos controle.

Até o momento, há uma grande quantidade de literatura científica alinhada com os níveis de suplementação vitamínica utilizados pela indústria, que demonstram o alto retorno dessas tecnologias na produção.

OP Rural – O que é preciso levar em consideração no processo de produção de rações com vitaminas e outros nutrientes?

MC – Vitaminas e outros nutrientes essenciais são aditivos alimentares que são sensíveis a tensões bioquímicos, como temperatura, umidade, radicais de oxidação, etc. Várias vitaminas contêm átomos de carbono insaturados, ou possuem ligações duplas, ambas altamente suscetíveis à oxidação. Por exemplo, o retinol da vitamina A tem tanto um grupo hidroxilo livre como cinco ligações duplas. A esterificação de retinol com ácido acético produz acetato de retinilo que possui o grupo protegido com hidroxido, mas ainda possui cinco ligações duplas suscetíveis à oxidação. Por esta razão, mesmo o óleo de acetato de retinol puro deve ser emulsionado em gelatina e açúcares e processado em um beadlet contendo um antioxidante.

A nova tecnologia de produção melhorou ainda mais a estabilidade da vitaminas A e D3 por um processo de reticulação, como a reação entre a gelatina e o açúcar, o que torna o gránulo insolúvel em água, conferindo-lhe um revestimento mais resistente que pode suportar maior pressão, fricção, temperatura e umidade.

A vitamina E, como D,L-alfa-tocoferol, é um antioxidante por si só e, portanto, se aplicada diretamente aos alimentos, é consumida rapidamente. O grupo hidroxifenólico livre nesta molécula é responsável pela atividade antioxidante. Quando o grupo hidroxilo é protegido pela formação de um éster, como no acetato de tocoferilo, o composto obtido é resistente ao oxigênio, uma vez que não possui ligações duplas e grupos hidroxilo livres. O acetato de vitamina E é estável em alimentos com pH neutro ou levemente ácido. No entanto, mesmo condições ligeiramente alcalinas podem afetar a estabilidade, como quando é utilizado um carrier de calcário ou na presença de grandes quantidades de óxido de magnésio (alimentos compostos). Nestas condições, alguns dos grupos de acetato protetores são separados e forma-se o tocoferol livre, que pode ser rapidamente oxidado.

Dove e Ewan, em 1986, determinaram a estabilidade do alfa-tocoferol em rações sem e com oligoelementos. Ao final de três meses de armazenamento a 25-30°C, a retenção de alfa-tocoferol foi de 50% e 30%, respectivamente. A adição adicional de 245 ppm de cobre como sulfato de cobre, produziu 0% de retenção após 15 dias. Tocoferol, a forma mais concentrada de atividade da vitamina E, é uma vitamina tão instável que não deve ser considerada para qualquer aplicação de nutrição animal.

Vários fatores podem influenciar a estabilidade da vitamina na pré-mistura, peletização e armazenamento, incluindo temperatura, umidade, tempo de condicionamento, redução e reações de oxidação (redox) e luz. Calor, pressão, umidade, fricção e reação redox variam drasticamente entre as diferentes formas pelas quais a alimentação pode ser processada. A oxidação de vitaminas também pode ser devido à propagação da auto-oxidação de gorduras, à oxidação induzida por cargas dos minerais, à oxidação induzida por hidrolíticos e à oxidação induzida por micróbios.

Portanto, é fundamental calcular a estabilidade da vitamina em cada estágio do processamento: armazenagem, pré-misturas, basemixes, expandido, peletização ou extrusão e armazenamento de alimentos, etc., porque as vitaminas incorrem em perdas que variam de processo para processo.

Em 1995 desenvolvi tabelas de estabilidade vitamínica para todos os processos a partir de vitaminas puras, pré-mistura, peletização e armazenamento de ração, etc. Esses dados são uma média de um amplo conjunto de dados de laboratórios de fabricantes de vitaminas, indústria e pesquisa acadêmica e diferentes processamento e armazenamento. Os dados não refletem nenhum fabricante específico de vitaminas.

A retenção média de vitamina através de todos os processos de uma fábrica de ração integradora é em média de 75%, com mínimo de 40% para o óleo de acetato de vitamina A até o máximo de 97% para o cloreto de colina. A formulação de vitaminas desempenha um papel crítico na suplementação vitamínica. Por exemplo, o óleo de vitamina A retém 40%, enquanto o beadlet reticulado de vitamina A retém 91%.

Estas retenções de vitamina podem ser melhoradas diminuindo o tempo de armazenamento da pré-mistura vitamínica, ou peletizando a temperaturas mais baixas o com tempos de condicionamento mais baixos, por exemplo, devendo considerar que a retenção de vitamina pode diminuir aumentando o tempo de armazenamento do premix de vitaminas, ou aumentando a temperatura de peletização e/ou o tempo de condicionamento.

As temperaturas de peletização aumentaram ao longo do tempo devido aos requisitos para maior higiene ou rendimento, entre outros. Por exemplo, a vitamina A reticulada (beadlet) a 96ºC retém 88% de atividade, enquanto no tem coating pode perder ate 64%.

Temos trabalhado para gerar mais informações em conjunto com as equipes técnicas dos principais prémixeras e clientes finais. Com prazer continuamos debatendo esses tópicos no 8º Congresso Latino-Americano de Produção Animal, onde foram encontradas as principais referências da indústria latino-americana, sem dúvida uma das mais competitivas do negócio global.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Atendendo mercado consumidor

Granjas de postura buscam certificação de bem-estar animal

Aumentando o valor agregado do produto, indústria tem buscado certificação para atender nicho de mercado

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Cada vez mais o consumidor vem exigindo mais transparência na produção de proteína animal. Ele quer saber como o produto é feito, qual a situação do animal, entre tantas outras questões que envolvem o assunto. Em decorrência disso, é cada vez mais comum produtores buscarem certificação de bem-estar animal na sua produção. Isso atende ao requisito do que parte do consumidor vem solicitando, como também é uma forma de agregar ainda mais valor ao produto final.

 Cada vez mais avicultores têm buscado a certificação de bem-estar animal. “Somente nestes primeiros meses do ano já certificamos três granjas de renome no Brasil”, diz o diretor para América Latina da Humane Farm Animal Care e presidente do Instituto Certified Humane Brasil, Luiz Mazzon. Ele informa que o Brasil, juntamente com o Chile, está liderando o movimento de certificação de bem-estar para galinhas poedeiras na América Latina. “Dentre os países em desenvolvimento, incluindo também a Ásia, estamos bastante à frente, pois o movimento cage free está apenas começando no resto do mundo em desenvolvimento, enquanto no Brasil já temos grandes clientes certificados, entre eles a Granja Mantiqueira, Netto Alimentos, Korin, Fazenda da Toca, Granja Refen, Planalto Ovos, etc.”, conta.

Empresas no Brasil estão desenvolvendo este trabalho de certificação e auxiliando o produtor rural nesta questão. “A presença de um selo de certificação na embalagem de ovos ou de qualquer produto de origem animal representa um grande valor agregado, já que atesta ao consumidor final que aquele produto provém de fazendas ou granjas que adotam normas rígidas de bem-estar animal do nascimento até o abate”, explica.

O profissional destaca que o consumidor atual está muito mais sensível a temas associados à sustentabilidade, de onde vem o alimento que ele consome, qual o impacto da produção daquele produto no meio ambiente, etc. “Para produtos de origem animal, a forma como ele foi tratado tem enorme relevância na imagem que o consumidor atual tem das marcas que ele prefere. Várias pesquisas atestam que consumidores hoje buscam no seu alimento não apenas valores nutritivos ou funcionais, mas buscam também causas a apoiar”, afirma. Ele explica que um produto com certificação de bem-estar animal traz, portanto, um grande diferencial perante produtos convencionais, e que pode ser traduzido em um preço um pouco mais alto.

Mazzon revela que para quem é familiarizado com a certificação orgânica, a de bem-estar animal é bastante parecida. “Muda a norma, claro. Cada produtor deve então verificar quais ajustes deve realizar na sua operação para que esteja conforme com as exigências do referencial. Neste período estamos à disposição para ir esclarecendo as dúvidas dos produtores que entram em contato conosco caso tenham alguma dúvida na hora de interpretar esse ou aquele requisito”, informa. Ele cita que a partir do momento que está tudo certo com a operação, o produtor pede os formulários de solicitação. “Essa documentação deve ser completada e somente depois de validada marcamos a data da auditoria. Um dos nossos inspetores, todos veterinários, irá se deslocar até a fazenda ou granja que solicita a certificação, e realizará todas as verificações necessárias para ver se todos os procedimentos adotados e a estrutura existente está de acordo com o que é exigido”, conta.

Ele esclarece que depois da inspeção o auditor prepara um relatório, que é enviado ao produtor com as eventuais não conformidades encontradas. “Indicamos então quais são as evidências que ele deve nos enviar para comprovar a resolução dos problemas, e a partir disso ele tem direito a receber o seu certificado de conformidade, válido por 12 meses. Neste momento ele pode fazer referência à certificação e colocar o selo CERTIFIED HUMANE nas embalagens dos seus produtos”, diz. O profissional complementa que a cada 12 meses o processo se repete, já que as inspeções anuais são necessárias para garantir que o produtor continue respeitando as exigências durante a validade do seu certificado. “Não é comum, mas pode haver alguma visita surpresa, nos casos de clientes que apresentam algumas falhas recorrentes ou manejo que deixe a desejar”, conta.

Principais pré-requisitos

Mazzon explica que existem alguns pré-requisitos necessários para que o produtor tenha essa certificação de bem-estar animal. No caso de produtores de ovos, principalmente cage-free e caipira, é preciso que o produtor se adeque quanto a questões de recria. Neste período, algumas das exigências são criação das aves em forma livre de gaiolas em toda a fase, animais devem ter acesso a poleiros a partir da quarta semana de idade, com espaço mínimo de 7,5 cm/ave. Aparo de bico, quando feito, precisa ser realizado até os 10 dias de idade e a densidade máxima para frangos de reposição é determinada de acordo com a idade e o peso das aves.

Já quanto ao alimento e bebida, a dieta precisa ser saudável, adequada à idade, estágio de produção e espécie, com acesso diário a cálcio, deve haver um espaço mínimo determinado para comedouros e bebedouros para evitar a competição pelo alimento, é proibida a presença de ingredientes na ração provenientes de mamíferos ou aves de antibióticos preventivos ou promotores de crescimento, incluindo coccidiostáticos (a vacina é permitida), e antibióticos são liberados somente para tratamento de doenças, além de a muda formada através da privação de alimento não ser autorizada.

Quanto a gestão, também existem alguns pontos que devem ser seguidos. Entre eles, é necessário que todas as pessoas envolvidas com o manejo das aves devem conhecer as respectivas normas de bem-estar, sendo que treinamentos devem ser ministradas visando o entendimento das normas por todos os tratadores, todas as aves devem ser inspecionadas pelo menos duas vezes ao dia, sendo que aquelas que apresentarem problemas ou comportamento anormal devem ser tratadas imediatamente, de maneira apropriada, e devem ser mantidos registros para o correto monitoramento da operação, incluindo dados da produção, mortalidade, consumo de água e alimento, concentração de amônia e uso de medicamentos e vacinas.

Adequação

Mazzon comenta que o mercado exige mais transparência, e que produtos de origem animal sejam provenientes de fazendas que adotem princípios rígidos de bem-estar animal, como aqueles estabelecidos por algumas organizações. “Representamos na América Latina a ONG Humane Farm Animal Care (HFAC), dona do programa CERTIFIED HUMANE de certificação de bem-estar animal. As normas foram escritas e são atualizadas de tempos em tempos pelo Comitê Científico da HFAC, composto por 40 profissionais especializados em ciência animal, incluindo quatro brasileiros”, conta.

Segundo ele, para o avicultor ainda é um desafio se adequar a estas exigências do mercado de bem-estar, porém, é também uma forma de sobreviver. “O bem-estar animal já faz parte do radar dos consumidores e da estratégia de negócio das grandes empresas de proteína animal. Não é uma moda, é uma tendência que veio para ficar”, afirma. Mazzon declara que os avicultores que mantiverem a visão no passado, sem cuidado com estas questões de bem-estar animal, estarão fadados a competir por preço, mantendo suas margens cada vez menores e não remunerando o investimento.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Coccidiose subclínica ainda é grande vilã nas granjas

Doença é bastante presente nas granjas do mundo inteiro, mas forma subclínica é de mais difícil detecção, provocando prejuízos muito maiores ao avicultor

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Arquivo/OP Rural

Apesar de ser um problema antigo nos aviários de todo o mundo, a coccidiose ainda é uma grande dor de cabeça para o produtor rural. Isso porque ela pode ser de difícil diagnóstico. A grande dificuldade está, principalmente, em identificar a forma subclínica da enfermidade, que causa grandes prejuízos para a propriedade. A atenção deve ser redobrada, uma vez que se não tomados os cuidados e manejos necessários, a doença que esteve em um lote, pode passar para o próximo. Em função da magnitude que a enfermidade tem nos planteis, a Huvepharma realizou em fevereiro o 1º Fórum de Coccidiose Aviária. A atividade foi exclusivamente para conversar com profissionais sobre a doença.

 Segundo o médico veterinário doutor Paulo Lourenço, atualmente o principal problema quando se fala nesta doença é quanto ao impacto econômico que ela provoca. “Isso porque ainda não desenvolvemos ferramentas para controlar a doença na sua totalidade”, explica. Ele afirma que um grande desafio do produtor atualmente é fazer com que o frango consiga expressar totalmente o potencial genético. “Todos os fatores ligados a essa condição vão interferir na capacidade desse animal em transformar, assimilar, absorver e utilizar aquilo que damos em carne”, diz. O profissional conta que a coccidiose é onipresente, ou seja, está em qualquer lugar do mundo. “Pode ser em um galpão convencional, climatizado ou o mais moderno que existe, até mesmo em aves SPF (livre de patógenos específicos)”, afirma.

O principal problema quanto a coccidiose, de acordo com Lourenço, é o diagnóstico da forma subclínica da doença. “Esta forma é muito difícil de ser diagnosticada. Muitas vezes falta rotina disciplinada de necropsia, porque nós (médicos veterinários) estamos cada vez mais afastados do campo. Se eu não estou abrindo o animal e vendo, imagine o produtor”, alerta. Ele explica que algumas espécies de coccidiose não causam lesões, o que dificulta ainda mais o diagnóstico, impedindo uma avaliação correta. “Existem muitos programas de controle que são incorretos e incompletos. Dessa forma, como a doença na sua forma clínica não aparece, nós não vemos que a doença está presente e assim ela acontece de lote em lote”, afirma.

O médico veterinário conta que em um estudo foi detectado em 80% dos casos em que foi detectada a doença, eram duas ou mais espécies de parasitas. “Alguns estudos mostram a tenella e a maxima como as mais prevalentes. Outros, já mostram a acervulina e a maxima. O que podemos observar com estes estudos é que a maxima e a acervulina são as mais prevalentes nos planteis”, conta.

O especialista explica que desde o início em que a doença foi detectada nos planteis foi percebida a necessidade das práticas de manejo. “Foi visto a importância do eficaz controle, mantendo a cama do aviário seca e controlando os pontos de umidade”, diz. Porém, mesmo conhecendo conceitos básicos de controle, ainda é necessária atenção do avicultor. Com toda a evolução na pesquisa, ainda assim atualmente não existe uma vacina altamente eficiente e protetora para o controle da coccidiose, comenta Lourenço. “Os pontos mais tradicionais que adquirimos no passado e temos no presente é o uso do anticoccidiano, para a maximização do desempenho e minimização das lesões”, comenta.

Para resolver esta e várias outras situações referentes a coccidiose, para Lourenço, é necessário fazer o que se diz que se faz: as boas práticas de manejo. “Essa é uma questão de melhorar todas as ferramentas que temos disponíveis e adotar o programa para vários lotes”, afirma. Ele reitera que o controle chave da doença está devidamente ligado a enterite neucrótica, dermatite gangrenosa, osteomielite, aerossaculite e peri-hepatite. “Estas são os cinco principais problemas onde o controle da coccidiose falha. Se os índices dessas doenças estão altos, pode revisar o programa que pode haver alguma reação com coccidiose”, afirma. Lourenço confirma que está mais do que provado que estas situações patológicas que vão surgindo e sendo prevalentes em uma quantidade maior do que se espera pode estar relacionado a problemas de coccidiose subclínica.

Outro ponto destacado pelo professor é que vendo o quanto estas outras enfermidades estão relacionadas é importante que o avicultor veja que o ambiente é fundamental para o bom desenvolvimento das enfermidades. “Assim vemos como a cama realmente passa a ter um papel importante dentro desse aspecto. A qualidade da cama está diretamente relacionada as questões da coccidiose”, afirma. Ele diz que programas de manejo onde há negligência, levando a falta de atenção das pessoas com a cama e impactando também na qualidade do ar e da água a prevalência da doença tende a ser maior.

Os impactos econômicos da doença

Quando se fala sobre os prejuízos que a coccidiose causa em uma granja, o pensamento vai diretamente para o bolso do avicultor. Quanto exatamente o produtor perde quando a enfermidade ataca o aviário? Foi esta a pergunta que o médico veterinário Marcel Falleiros respondeu. Ele explica que em frangos de corte são principalmente três tipos de coccidiose de maior importância econômica: a acervulina, maxima e a tenella. “A acervulina e a maxima são Eimeria que não tem tanta patogenicidade. A que mais tem é a tenella. As duas primeiras causam perdas, mas não aumentam muito a mortalidade”, explica. 

O médico veterinário expõe que o primeiro estudo que saiu de forma correta foi um levantamento feito em 1998 sobre quais os reais impactos econômicos da enfermidade para o avicultor. “Com ele, se chegou a conclusão de que mundialmente se perdia US$ 1,5 bilhões por ano com relação a coccidiose clínica e subclínica”, conta. No ano seguinte, outro pesquisador fez um levantamento parecido, porém, este levou em consideração todos os aspectos envolvidos na produção de frango de corte: logística, produção de carne, rendimento no abatedouro, entre outros. “Ele ampliou o trabalho anterior e chegou a conclusão que esse número dobrava. Ou seja, a perda com a enfermidade era de, aproximadamente, US$ 3 bilhões por ano”, informa.

No ano de 2006, outro levantamento igual ao de 1999 foi feito, confirmando os números de perdas apresentados no trabalho. “Temos que pensar que conforme vamos aumentando a produção, esse número da perda também aumenta. Mas em 2006 ainda estávamos em US$ 3 bilhões em perdas por ano. Mas se fossemos fazer este estudo este ano, usando os mesmos métodos do trabalho de 1999 com certeza o número seria superior”, acredita.

Outros autores fizeram um levantamento em relação ao que se gasta na avicultura para tentar prevenir problemas de coccidiose. “Hoje gastamos em torno de US$ 800 milhões por ano na questão de prevenção da doença”, conta Falleiros. Neste trabalho, explica, o autor chegou a conclusão de que 17,5% do custo é com prevenção e tratamento de coccidiose. Já 80,5% são custos pelos efeitos subclínicos da doença, ligados diretamente a perda de peso e aumento da conversão alimentar. “A nossa maior perda em processo de coccidiose, principalmente subclínica, está em relação a perda de peso e aumento da conversão. Esses são hoje o nosso maior impacto econômico”, afirma.

Em 2016, na Inglaterra, outro autor fez um levantamento das principais doenças que afetavam a produção, tanto na avicultura de corte quanto em postura. “Após o térmico do estudo, foram feitos gráficos para apresentação dos dados. O primeiro deles foi em relação ao número de vezes em que a doença aparece nestes sistemas de produção. No top três mais importantes a coccidiose está em primeiro lugar no frango de corte, com mais de 40 menções da doença apresentando perdas”, conta. Neste mesmo estudo, foi feita ainda uma correlação com o índice de infecção das doenças. “Ali foi percebida uma correlação direta entre a clostridiose e a coccidiose. Houve uma porcentagem de quase 95% de barracões acometidos que tinham coccidiose por clostridiose. Assim, chegamos a conclusão de que a coccidiose subclínica era primária e levava a uma colstridiose na sequência”, explica.

O estudo mostrou ainda uma correlação com relação ao aumento de conversão alimentar entre as duas doenças. “Eles chegaram a conclusão de que a clostridiose e a coccidiose podem fazer com que a conversão alimentar varie até 16%. Isso significa dizer que se você tem uma conversão média de 1,65 essa conversão pode vir a 1,9. Podemos ter 25 pontos a mais de conversão alimentar”, informa.

Outra comparação feita no mesmo estudo foi quanto a aviários que faziam o controle e aqueles que não faziam. “Eles queriam ver qual o custo da doença por animal. Naqueles que eles não controlaram, houve um custo de centavos de euro por animal, no caso da clostridiose, seis vezes maior do que naqueles que controlaram”, mostra. Falleiros explica que no caso da coccidiose houve um custo um pouco maior, porém, os estudiosos alegaram que a coccidiose subclínica levava a um aumento da clostridiose e assim fizeram a relação direta entre as duas doenças.

Um dado que também sempre chama muito a atenção do avicultor é quanto ao custo de produção. Na Índia, em 2010, foi feito um levantamento sobre a questão. “Eles chegaram a conclusão de que a redução do ganho de peso e o aumento da conversão é responsável por mais de 90% da perda que se tinha relacionado a coccidiose”, expõe.

Situação do Brasil

O médico veterinário lamenta que no Brasil não foram desenvolvidos estudos atuais desta forma para saber exatamente como a doença atua nas granjas nacionais. “Tem um trabalho que é de 1994 que faz esse levantamento da avicultura nacional. É bem amplo, mas ele já tem mais de 20 anos”, diz. Neste trabalho, explica Falleiros, chegaram a conclusão de que as empresas sofrem variações de 1 até 15% com coccidiose clínica e subclínica. “Uma empresa que poderia ter uma média de conversão de 1,60 e está com média de 1,80. Eventualmente está perdendo isso em alguns momentos do ano”, comenta.

Falleiros informa que 65% das empresas brasileiras tem problemas com coccidiose. “Mas acredito que ainda possa ser maior que isso, devido ao fato de não levantarmos dados. Existem poucos estudos que nos trazem estes números”, lamenta. Ele conta que em 1993 foi feito um levantamento. “Naquele ano chegaram a conclusão de que o Brasil perdeu US$ 19,1 milhões com coccidiose, principalmente com perda de peso e aumento da conversão. Foram US$ 11,8 milhões com produção de carne e US$ 1,25 milhões com aumenta da conversão e, em consequência, maior consumo de ração”, explica.

Foco deve estar na integridade intestinal

O médico veterinário afirma que para solucionar ou amenizar o problema é necessário manter a integridade intestinal da ave. “Um trabalho feito nos Estados Unidos em 2014 mostra que os custos com alimentação são de aproximadamente 67%. Um frango pesando 2,2 quilos traz uma receita de 124 euros para cada 100 quilos de peso vivo. Os custos estão aqui. A margem de lucro é de 21 euros para cada 100 quilos de peso vivo”, apresenta. Ele comenta que estes números demonstram a importância de se manter um intestino íntegro. “Se não, vai tudo para o ralo. Se conseguimos manter a integridade intestinal, o frango consegue expressar todo o potencial genético e ter a manutenção da saúde como um todo”, diz.

Falleiros conta que um levantamento feito no Brasil mostra que o país tem uma piora de 4 a 10 pontos na conversão e redução do peso vivo de 30 a 120g por ave. “Essa redução de gramas por dia pode variar de 1 a 3 pontos. O aumento da mortalidade varia de 1 a 5%. Além disso, o impacto sobre o desempenho atual da parte subclínica e esse custo pode chegar até 10 centavos de dólar por ave. É perda de dinheiro”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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O que esperar do frango de corte do futuro?

Genética, melhor conversão alimentar, mais ganho de peso em menos tempo… Quem responde esta pergunta é o vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Aviagen dos Estados Unidos, Eduardo Souza

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Arquivo/OP Rural

A produção de frango de corte no mundo vem evoluindo anualmente há décadas. A cada ano aparecem novidades além de avanços tecnológicos que transformam a ave. A partir disso, um animal muito mais eficiente surge. E, a partir desta ave, uma demanda que pode chegar ao longo dos anos é quanto aquelas resistentes a doenças. Seria isso possível? Para o vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Aviagen dos Estados Unidos, Eduardo Souza, sim, mas somente a longo prazo. 

O profissional conta que algumas coisas a cadeia pode esperar para o frango de corte do futuro. Porém, detalhes como frangos resistentes a doenças, infelizmente, não será uma realidade a curto/médio prazos. “Quando da publicação do genoma da galinha em 2004, houve uma grande expectativa que, através da seleção genômica e uso de marcadores genéticos se conseguiria selecionar aves resistentes a doenças ou outra característica de grande impacto econômico. No entanto, isto não foi o que aconteceu”, conta. Ele informa que não existe apenas um ou poucos pares de genes de grande efeito ou marcadores genéticos ligados a uma característica de grande importância. “O que existe são vários genes, normalmente de pequenos efeitos, responsáveis pela expressão fenotípica destas características economicamente importantes. Por isso, a façanha de selecionar aves resistentes a doenças ainda não foi atingida”, diz.

Porém, Souza complementa que, recentemente, a técnica revolucionária de “edição de gene” tem-se mostrado muito promissora em várias espécies, de plantas a humanos. “A particularidade da fisiologia reprodutiva das aves é um dos muitos obstáculos que ainda precisa ser vencido, para que essa técnica possa ser usada com sucesso para frangos. Outro grande obstáculo, este de natureza não científica ou técnica, é o de percepção/aceitação pelo consumidor/mídia de produto proveniente desta técnica”, explica. Entretanto, para ele, se todas essas barreiras forem vencidas, o que é possível, aves resistentes a doenças podem ser uma realidade.

Além de um frango resistente a doenças, há ainda outras várias características que irão complementar como será o frango de corte de futuro. Para explicar um pouco como acontecerá esse processo e, principalmente, este animal, Souza tratou do assunto durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) que aconteceu em abril em Chapecó, SC.

De acordo com o profissional, para este frango do futuro, o que se pode esperar é um animal geneticamente superior em várias características. “Um frango que terá uma melhor taxa de crescimento, um melhor rendimento de carne e uma melhor conversão alimentar e, simultaneamente, um frango com maior viabilidade, ou seja, menor mortalidade e melhor qualidade de pernas”, conta.

Souza explica que isso é possível graças à pesquisa, introdução e utilização de equipamentos e tecnologias de última geração na coleta de dados e processos de seleção. “Como exemplo, podemos citar a conversão alimentar em grupo que utiliza a tecnologia de transponder (RFID – radio frequency identification) nos frangos, permitindo o registro do comportamento (tamanho de cada refeição, número de refeições por dia, duração da refeição, etc.), além do consumo de ração em tempo real na estimação do valor genético para conversão alimentar”, diz.

Outro exemplo citado, de alta tecnologia implementada no programa de melhoramento genético, é a tomográfica computadorizada. “Todos os candidatos à seleção são escaneados. O tomógrafo permite predizer com muita precisão o rendimento de carne de peito, de pernas, a qualidade do esqueleto e a qualidade de carne”, informa. Souza conta que estas e outras tecnologias são extremamente importantes, mas tão ou mais importante para o sucesso de um programa de melhoramento genético é a correta definição dos objetivos de seleção e aplicação criteriosa de um processo de seleção equilibrado.

Retirada dos promotores de crescimento

Quando se fala em evolução do frango de corte, muitos pensam, principalmente, como isso será possível com a retirada dos antimicrobianos promotores de crescimento. Porém, segundo Souza, esta situação – de um frango evoluindo sem estes promotores – já é uma realidade. “Na Europa, o uso de antibióticos como promotores de crescimento foi extinto em 2006. Em 2018, nos EUA, metade dos frangos foram criados sem uso de antibióticos ou ionóforos, um grande salto se comparado com 2013 e 2014, que foi de apenas 5%”, informa.

Ele complementa que, além do mais, não se usa antibióticos com efeito profilático no programa de genética da empresa onde trabalha desde o início da década de 1990. “Todas as aves de pedigree são selecionadas sem o uso destes promotores de crescimento e ionóforos, portanto, todos os ganhos genéticos alcançados são atingidos neste ambiente livre de antibióticos”, afirma.

Adaptação de toda a cadeia

Para Souza, existe grandes conquistas através de pequenas mudanças. Ele explica que pequenos ganhos genéticos anuais, como peso vivo, rendimento e conversão alimentar, com efeito acumulativo, permitem disponibilizar de maneira sustentável uma excelente proteína animal a um custo relativamente baixo, para uma população humana crescente, com previsão de atingir nove bilhões de pessoas já em 2050.

Para alcançar a toda esta expectativa, uma dúvida que pode surgir é: são muitas as mudanças necessárias para o avicultor se adaptar para atender a este frango? Segundo Souza, em relação ao frango, não. “O de sempre: boa nutrição, bom programa de saúde e boas práticas de manejo. A atenção, no entanto, deve ser dada às matrizes (machos e fêmeas). Estas carregam os genes que formam o bom frango (maior peso, mais carne de peito, menos gordura, melhor conversão de alimentos) e a resposta à alocação e distribuição de alimento na fase de recria e produção será intensa”, afirma.

Ele explica que qualquer descuido ou erro, que no passado não causava muito dano, pode causar um grande problema no desempenho destas aves. Além disso, afirma, o tipo de nutrição usada também ganha mais importância.

Outro detalhe que a cadeia pode esperar desse “frango do futuro”, de acordo com Souza, são animais mais pesados e com peitos maiores. “Ainda assistiremos uma melhora de peso a uma mesma idade e melhor rendimento de peito, mas não na mesma velocidade que temos vistos nas duas últimas décadas. Rendimento de pernas também é muito importante, principalmente em países asiáticos. Outra característica de grande importância, como qualidade de carne, está tendo uma grande prioridade nos últimos anos”, afirma.

As maiores realidades para os próximos anos

Souza ainda explica que os ganhos genéticos para os próximos quatro anos podem ser previstos no desempenho das linhas puras de pedigree. “Os ganhos obtidos nas linhas puras no ano passado (2018) chegarão ao frango em 2022, isto porque existe um período de cruzamento e multiplicação do material genético, que passa pelas bisavós, avós, matrizes e, finalmente, chega aos frangos”, diz.

O profissional explica que a previsão é de que o frango de 2022 será 150 a 200g mais pesado (na mesma idade) e necessitará menos ração (200g a menos) para atingir dois quilos de peso. O rendimento de carcaça será de 0,8 e o de peito 1,0 ponto percentual melhor que os frangos atuais. Além do mais, simultaneamente, se observará uma melhora na viabilidade e qualidade de carne.

Outro ponto destacado por Souza foi quanto a questão do frango de crescimento lento e crescimento rápido. “No meu modo de ver, o frango de crescimento lento é um produto para um “nicho de mercado”. É um frango que leva mais tempo para ser produzido (obviamente, pois é de crescimento lento) e possui uma conversão alimentar pior que o frango de crescimento rápido. Existem genótipos de frangos de crescimento lento que, quando comparados com o frango de crescimento rápido, precisa de 36 dias a mais para atingir 2,5 kg de peso e consome 1,25 kg de ração a mais. Além de grande diferença no rendimento de peito (pode chegar a 4 pontos percentuais). A grande vantagem alegada para este produto, além da preferência de consistência e sabor, é a de melhor bem-estar para o animal”, comenta.

Porém, o profissional reitera que a grande desvantagem está relacionada à sustentabilidade e impacto ambiental. “Custa muito mais para produzir, consome mais alimento (requer mais terra agriculturável para produzir) e água, e produz muito mais rejeitos e poluentes para o meio ambiente. Estudos mostram que, dependendo do genótipo usado, o frango de crescimento lento pode aumentar o impacto ambiental em até 40%”, informa. Ele explica que independente das posições e discussões que esse assunto possa gerar, do ponto de vista das casas genéticas a posição é muito simples: elas vão produzir (desenvolver, selecionar e disponibilizar) o que o cliente demandar. E, sim, as principais empresas de genética de aves possuem este produto em seu portfólio.

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Fonte: O Presente Rural
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