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Expert desvenda passado e projeta futuro da soja: é para animar agricultor

Engenheiro agrônomo pesquisador da Embrapa Amélio Dall’Agnol, especialista na oleaginosa, fala um pouco sobre o passado, presente e futuro da soja

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Arquivo/OP Rural

 O engenheiro agrônomo pesquisador da Embrapa Amélio Dall’Agnol é uma das figuras mais importantes quando o assunto é soja. Com Décio Gazzoni, é coautor do livro lançado em 2018, A Saga da Soja – de 1050 a.C. a 2050 d.C., que registra desde a domesticação da oleaginosa na antiga China até tornar-se o quarto principal grão produzido no mundo. Em entrevista exclusiva, Dall’Agnol faz uma avaliação do passado recente da soja e conta o que esperar do futuro desse importante grão.

O primeiro registro de soja no Brasil é de 1882, mesma data em que foi introduzida na Argentina. O cultivo nos dois países ocorreu de forma tímida e restrita entre os anos de 1940 e 1960. A partir daí a soja caiu nas graças do mundo. De 1960 até 2018 a produção global cresceu cerca de 1.300%. Atualmente os Estados Unidos lideram, individualmente, a produção mundial, porém o bloco constituído pelos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) detém mais de 50% da produção mundial desde 2010, tornando-se o grande formador de preços e modulador da oferta.

Dall’Agnol destaca três pontos principais: a soja foi a principal responsável pelo desenvolvimento do Centro-Oeste do Brasil, o mercado para o produtor será cada vez mais promissor pelo crescimento da economia mundial, a busca por variedades resistentes à ferrugem asiática como obsessão de pesquisadores.

“O futuro da soja no Brasil e no mundo é muito positivo. Ao mesmo tempo em que estamos aumentando a produção, principalmente Brasil e Estados Unidos, que são os dois maiores produtores, a demanda está crescendo na mesma velocidade. Muito produtor poderia estar preocupado pelo fato de estar se produzindo muito e que daqui a pouco está sobrando soja e o preço vai cair. Eu posso assegurar que isso não vai acontecer porque a economia mundial está crescendo muito. Com o crescimento da economia, as populações, principalmente as dos países em desenvolvimento, vão receber mais dinheiro, a renda per capita vai crescer e com renda maior o que a população faz; deixa de comer tanto arroz e feijão e começa a comer mais carne e outras proteínas animais, que são feitas a partir da proteína da soja. O futuro é positivo, não precisamos nos preocupar em acontecer uma superprodução (global) e uma super queda nos preços”, cita o pesquisador.

Pesquisas e futuro

As correntes de pesquisa, aponta Dall’Agnol, estão voltadas não somente para a produtividade, mas para a resistência a doenças e a tolerância a falta de água e ataque de insetos. “A pesquisa está buscando a soja tolerante à falta de água. Nunca vai existir soja resistente, mas que tenha uma certa tolerância, por exemplo, de 20 dias sem chuva, sem afetar a produtividade. Nós estamos buscando isso. É possível que algum dia nós ou alguma outra empresa multinacional consiga fornecer uma variedade comercial, produtiva e que aguente longos períodos com falta de chuva”, destaca.

Ele conta que a Embrapa sempre buscou variedades altamente produtivas, mas que tenham resistência às principais doenças. Agora, pesquisadores estão debruçados na possibilidade de criar uma variedade resistente à ferrugem asiática, mas que o trabalho tem sido difícil. “Nós estamos doidamente atrás de uma variedade resistente à ferrugem asiática, que é nossa principal doença. Lá atrás, quando apareceram outras doenças, como o Cancro da haste, a mancha olho-de-rã, a pesquisa foi rápida para encontrar variedades imunes a essas doenças. De um ano para outro se substituiu todas as variedades suscetíveis e se eliminou o problema através do plantio de variedades resistentes. Com a ferrugem asiática não está sendo possível, até agora, porque não há uma planta antiga, originária da China, por exemplo, que tenha um gene que confere resistência total à doença. O que temos são genes que chamamos genes menores, que, quando juntados em cinco, seis, dez, e incorporados em uma variedade, eles fornecem bastante tolerância à ferrugem, mas não essa tal de resistência que nós conseguimos, por exemplo, como Cancro da haste, que se eliminou completamente o problema”, orienta o pesquisador.

Uma novidade que tem chamado a atenção, cita Dall’Agnoll, é a variedade que a Embrapa produziu, “sem querer”, que tem certa tolerância a percevejos. “Não temos uma variedade totalmente resistente (a percevejos), mas essa variedade 1003 tem uma boa tolerância ao ataque de percevejos. Está sendo dada como uma variedade que tem potencial de resistir ao ataque de percevejos melhor que outras. Não que o percevejo não ataque de jeito nenhum, que ela seja imune ao ataque, mas ela tem essa característica que, aliás, surgiu por acaso. Nós (pesquisadores) não estávamos buscando essa característica nela. Depois de pronta, se percebeu que ela tem certa tolerância ao ataque de percevejos”, cita. “Ela deve ser menos gostosa pro percevejo que vai sugar a vagem (risos)”, sugestiona.

O especialista explica que a variedade pode ser melhorada. “Esse é um gene. Vamos tentar achar mais genes similares para juntar e, quem sabe chegamos a uma planta que não é atacada pelo percevejo, como ocorre com a soja intacta com relação às principais lagartas. Poderíamos ter uma soja que não seja atacada pelos percevejos ou pela maioria dos percevejos. Temos a 1003 com uma certa tolerância, devemos implementar essa tolerância em maior quantidade para evitar, se não todos os percevejos, mas a maioria deles”, comenta.

“Não existe mais variedade ruim hoje em dia”

“Uma boa variedade não significa nada se o produtor não tiver os outros fatores de produção em condições ideais”, dispara o pesquisador. Em sua opinião, além da água, que “é o principal fator de produção, é preciso ter um solo bem manejado, com muita matéria orgânica. “Para ter boa quantidade de água e preciso o solo bem manejado, no plantio direto, com muita matéria orgânica, que segura água – a matéria orgânica é uma esponja. As vezes você vê em uma propriedade a soja toda verde e na outra secando. Você vai observar e é o solo. O solo que está rico em matéria orgânica segurou mais água, conseguiu alimentar a planta com água por muito mais tempo,

Para Dall’Agnoll, hoje as tecnologias disponíveis no mercado em variedades são de excelente qualidade. “Você vai ter 50 variedades, até mais. Todas são ótimas. Não existe mais variedade ruim hoje em dia. Nenhuma empresa que desenvolve variedades consegue colocar no mercado se não tiver alta qualidade”, garante o pesquisador, que pondera: “Existem variedades adaptadas para determinadas regiões. Em Palotina (PR), por exemplo, algumas variedades podem não se dar tão bem quanto aqui na região de Cascavel ou Guarapuava (mais alta em relação ao nível do mar). Temos variedades para baixas altitudes e para altitudes mais elevadas. O produtor deve se informar para saber qual é ideal para a sua área. As demandas de cada variedade têm muito a ver com o clima onde ela é cultivada”, pontua.

Vantagem da soja em relação a outros grãos

Além de o consumo ser cada vez maior de soja no mundo, o que deve tranquilizar os produtores por muitos anos, a soja, na opinião de Dall’Agnol, tem uma ligeira vantagem sobre outros grãos. A sua produção se concentra em três países, enquanto milho, feijão e trigo, por exemplo, são produzidos em todo o planeta.

“Espero que em 2019 o mercado da soja continue bom. As outras culturas, como trigo, feijão, milho, são muito mais traiçoeiras do que a soja. A soja tem um preço sempre apetitoso, por assim dizer. Porque acontece isso? No mundo do milho, do trigo, há centenas de países produtores. No mundo da soja, três países produzem mais de 70% da soja do mundo, que são Estados Unidos, Brasil e Argentina. Todos os países do mundo são consumidores de soja, mas só três são grandes produtores, de forma que a soja sempre tem bom preço”, sugere.

Esses três grandes produtores conseguem controlar o mercado, na visão do pesquisador, o que não acontece com milho e trigo, que flutua muito de uma ano para outro. “Estava vendo um técnico falar que a saca do feijão estava cerca de R$ 400, mas ano passado estava R$ 70. Uma diferença brutal de preço de um ano para outro ou até de um mês pra outro. Com a soja isso dificilmente acontece”, comenta.

O fim da anchova decretou o sucesso da soja

Ele lembra, no entanto, que isso aconteceu com o grão, justamente impulsionando a produção brasileira. Foi na época em que as rações animais, que até então eram ricas em proteína de peixe, ganharam a proteína de soja em sua composição. “Em 1973 e 1975 aconteceu (desajustes de preços) com a soja também. De um mês para outro foi de US$ 200 para US$ 1000 a tonelada. Mas isso foi um momento totalmente fora da curva. Naquela época as rações animais dependiam muito da farinha de peixe, e a farinha de peixe proveniente da anchova, que era muito pescada na costa do Peru e do Equador. De repente a anchova sumiu do mapa. E aí onde fomos buscar matéria-prima rica em proteína para poder fazer a ração para alimentar o porco, a galinha, o boi? A opção foi a soja”, pontua.

Naquela época a soja caiu nas graças principalmente do Brasil e nunca mais deixou de ganhar destaque, sendo inclusive responsável por emigração e criação de uma nova fronteira agropecuária no país. “Em 1960 produzíamos 200 mil toneladas. Em 1979 já eram 15 milhões. Houve uma verdadeira explosão do cultivo no Sul do Brasil. Aquela explosão dos preços fez com que centenas de produtores do Sul se mudassem para o Centro-Oeste, porque lá a terra era barata, abundante, plana, chove melhor do que no Sul, pelo menos na primavera, verão e um pouco do outono. Houve essa mudança que fez com que o Centro-Oeste, que era uma região que não valia nada, se tornasse hoje o maior centro produtor de grãos, fibras e carne do Brasil”, explica.

“Existia uma expressão na época que dizia: Cerrado eu não quero nem dado nem herdado. Isso porque era difícil de acessar, as pessoas não queriam nem pagar o imposto da terra. Mas daí se construiu a capital do Brasil bem no meio do Cerrado. A partir daí se construiu rodovias para o Sul, Norte, Leste e Oeste, a partir Brasília, que possibilitou acessar as terras do Cerrado. Então foram desenvolvidas sojas adaptadas, a chamada soja tropical, que se desenvolve bem em baixas latitudes”, recorda.

“Na década de 1970 todo mundo abandonou o milho, o feijão, para plantar soja. O milho, hoje, se planta depois que colher a soja. Isso fez com que a soja fosse plantada cada vez mais cedo, usando variedades cada vez mais precoces, que possibilitam o plantio do milho depois da soja”, assegura.

A soja e a carne

A soja, definitivamente, tomou os campos brasileiros desde então. “A mudança que nós fizemos (para o Centro-Oeste), a soja foi o motor desse desenvolvimento. Foi ela que impulsionou, que deixou todo mundo doido, porque era uma cultura pouco tradicional e em uma década ela passou de uma lavoura marginal para a principal cultura do Brasil. Hoje não só é a principal em quantidade de grãos produzidos, é a principal em termos de ganho em exportações. Hoje o principal produto exportado pelo Brasil, que no ano passado rendeu US$ 40 bilhões, é o complexo soja – grão, farelo e óleo”, argumenta.

Dall’Agnol reitera que a produção será cada vez maior. “Como (Brasil) temos grande quantidade de soja e milho, somos grandes produtores de carne, e a carne está sendo demandada cada vez em maior quantidade, razão pela qual a soja também está sendo cada vez mais demandada”, destaca o pesquisador da Embrapa.

Ele explica que a população está comendo mais carne, o que reflete na produção maior de soja, basicamente porque a economia mundial está em crescimento. “O mundo está comendo cada vez mais carne porque o mundo está ficando mais rico. Dessa forma a gente consegue prever que o mercado da soja permanecerá positivo. Poderá oscilar ocasionalmente, ele não vai ser sempre ótimo, sempre lá em cima, mesmo porque se a soja for de R$ 70 a 120, não vai ser só o Brasil que vai ficar doido em plantar soja, todo mundo vai querer, mas o mercado é muito positivo”, destaca o cientista.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Para o produtor

Não tratamento de ferrugem da soja pode resultar em perda de quase R$ 12 bi

Ausência de controle das pragas e doenças nos cultivos agrícolas teria como impacto direto o comprometimento das safras

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Divulgação/Aprosoja

Pragas e doenças na agricultura podem resultar em queda no volume de produção, em prejuízos à qualidade dos produtos, e, conforme a situação, podem levar à morte as plantas e até dizimar cultivos inteiros. A decadência do cacau no sul da Bahia, devido à vassoura-de-bruxa, é uma ilustração emblemática deste risco.

Nesse sentido, a ausência de controle das pragas e doenças nos cultivos agrícolas teria como impacto direto o comprometimento das safras. Portanto, para o produtor, ao se defrontar com a presença desses organismos em suas culturas, é necessário adotar algum tipo de controle de modo a preservar seus investimentos e recursos alocados no cultivo, suas margens de lucro e a própria viabilidade socioeconômica de sua atividade produtiva. Além dos métodos de controle químico, há possibilidades de complementar ou substituir, em algumas situações, por métodos mecânicos, controle biológico, gestão da nutrição de plantas, uso de variedades resistentes às pragas, entre outros.

Nesse contexto, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), monitorou a evolução da ocorrência das principais pragas e doenças que atingiram as culturas de soja, milho e algodão nas safras 2014/15, 2015/16 e 2016/17 e os respectivos impactos econômicos para produtores e para o país. Para isso, o Cepea desenvolveu uma metodologia de avaliação econômica da incidência das principais pragas, baseada em dados obtidos nos levantamentos anuais de campo nas principais regiões produtoras.

MENSURAÇÃO ECONÔMICA

Nesta primeira parte do estudo, disponibilizado nesta quarta-feira (22) no site do Cepea, pesquisadores mostram que, na safra 2016/17, o custo dos produtores de soja com fungicidas foi de R$ 8,3 bilhões (96% para controle da ferrugem), de R$ 6,2 bilhões em inseticidas e de R$ 4,8 bilhões em herbicidas, totalizando R$ 19,3 bilhões. Este valor correspondeu a 16,5% do Custo Total (CT) com a produção de soja no Brasil naquela safra. O montante total para cultivar uma área de 33,9 milhões de hectares e produzir 114 milhões de toneladas de soja foi de R$ 117 bilhões na safra 2016/17.

No caso da ferrugem da soja, especificamente, para avaliar a implicação econômica do controle da doença, pesquisadores do Cepea simularam uma situação em que os produtores não utilizassem fungicidas. Com isto, economizariam R$ 5,75 bilhões, mas a queda na sua oferta de soja é estimada em 30%. Supondo que os produtores pudessem compensar essa perda em produtividade, expandindo a área cultivada, gastariam R$ 33 bilhões em recursos adicionais para custear um aumento de quase 1/3 na área produtiva nacional. Esses custos referem-se apenas aos recursos terra, trabalho e capital privados dos produtores; não incluem custos de abertura de novas áreas e infraestrutura produtiva e logística etc.

No cenário sem essa compensação da queda de produtividade pelo aumento da área cultivada, o modelo econômico estima um aumento de 22,9% no preço no mercado interno. Assim, nesse contexto, embora os produtores reduzissem os custos (sem o controle da ferrugem), a elevação dos preços não seria suficiente para evitar a queda da Receita Bruta, de 13,9%. Diante disso, o resultado econômico com o plantio de soja passaria de um lucro de R$ 8,32 bilhões para um prejuízo de R$ 3,37 bilhões para o segmento produtivo nacional. Logo, os produtores incorreriam em uma perda de R$ 11,7 bilhões.

Para o país, em termos macroeconômicos, isto implicaria na queda de 30% em volume exportado, equivalente a perdas de US$ 4,5 bilhões em faturamento externo para os produtos do complexo da soja. Pesquisadores do Cepea estimam, ainda, que o aumento de 22,9% nos preços da soja, devido à perda na produção, teria um impacto de 0,57 ponto percentual no IPCA geral de 2017. Ou seja, o IPCA passaria de 2,95% para 3,52%. Este mesmo raciocínio aplicado ao IPCA de alimentos, implicaria em variação de 1,03 ponto percentual no índice, ou seja, saltaria de -1,87% para também negativos -0,84% no ano de 2017.

Fonte: Cepea
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em segundos

Aplicativo calcula necessidades nutricionais da lavoura de soja

Tecnologia traz rapidez, economia e precisão na gestão da lavoura de soja, já que a cultura necessita de muitos insumos cotados em dólar

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Vinicius Braga

Alguns toques na tela de um smartphone ou tablet, e em segundos o agricultor obtém um balanço nutricional de sua plantação de soja, com as quantidades de nutrientes e corretivos de que a lavoura necessita. É o que oferece o aplicativo Nutri Meio-Norte, módulo soja, o primeiro do gênero desenvolvido pela Embrapa. A tecnologia traz rapidez, economia e precisão na gestão de uma lavoura de soja, já que a cultura necessita de muitos insumos cotados em dólar.

Desenvolvido no ano passado pelo então estagiário de tecnologia da informação Filipe Ribeiro Chaves, da Associação de Ensino Superior do Piauí (Aespi-FAPI), da equipe vencedora da maratona Hackathon Acadêmico Embrapa 2017, no Piauí, o aplicativo foi construído para ser uma plataforma digital ampla. Nesse primeiro módulo, o Nutri Meio-Norte permite, a partir da análise foliar, conhecer a fertilização adequada para o cultivo da soja, mostrando os dados nutricionais das plantas, como os nutrientes em excesso e outros com deficiência, gerando o desequilíbrio nutricional.

A dinâmica do aplicativo

É simples operar a tecnologia. Primeiramente, o produtor terá de realizar a análise foliar da lavoura, feita por um laboratório especializado. Após abrir o aplicativo, o agricultor deverá inserir na página “análise foliar” dados obtidos na análise laboratorial das amostras de sua lavoura, como as quantidades dos macro e micronutrientes encontrados. Depois, ele deve escolher o método de análise (DRIS ou CND, veja quadro abaixo) e clicar no botão “enviar”. Em seguida, aparecerão os índices nutricionais em formato de gráficos de barra e radar. Ele deve clicar, então, em “gerar relatório” para abrir um formulário a ser preenchido sobre dados da propriedade, em talhão ou lavoura, como área plantada, data da coleta da folha diagnóstica e algum manejo realizado na área. Finalmente, ao clicar em “baixar”, os resultados gerados são armazenados no dispositivo em forma de relatório que poderá ser compartilhado por e-mail ou programas de mensagens, como o WhatsApp. 

A ferramenta, disponível gratuitamente na internet para sistema Android (Play Store) e em breve para iOS (App Store), é indicada para o Maranhão e o Piauí, por analisar apenas amostras de folhas coletadas nesses dois estados. O uso do aplicativo poderá ser ampliado para Bahia e Tocantins, alcançando assim toda a área de produção de grãos da região Matopiba, quando o banco de dados receber informações desses estados.

“Com o resultado, o produtor pode adequar a adubação e ter eficiência no uso de nutrientes”, garante o pesquisador Henrique Antunes, que gerencia a plataforma e é, com o professor Danilo Eduardo Rozane, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), responsável pelas informações técnicas. Segundo ele, a ferramenta traz mais segurança ao produtor na aquisição e uso de fertilizantes e corretivos, ao recomendar a adequada nutrição das plantas.

A avaliação final do balanço nutricional da planta, por meio da ferramenta, sempre dependerá de uma análise de tecido vegetal feita em laboratório especializado. “É uma inovação tecnológica de fácil acesso ao banco de dados criado pela Embrapa Meio-Norte (PI), que gerou os sistemas Integrado de Recomendação e Dianóstico (DRIS) e o Diagnose da Composição Nutricional (CND)”, destaca Antunes. 

A ideia de construção dessa plataforma, segundo o pesquisador, surgiu da necessidade de se ter um banco de dados regional, já que as cultivares plantadas no Nordeste são diferentes das semeadas no centro-sul, por exemplo. “As condições de clima e solo também são diferentes das encontradas nos demais estados da região do Matopiba. O manejo das lavouras foi outro ponto determinante para a necessidade de criação dessa ferramenta”, conta o cientista.

Examinando as folhas

A análise de tecido vegetal, também conhecida como análise foliar, tem como princípio básico de amostragem a seleção de partes da planta, como as folhas. No estudo dessa parte da planta, a folha diagnóstica (usada para análise dos nutrientes) é a que melhor representa o estado nutricional da lavoura. Após a coleta de amostras em lavouras de soja e análise de macro (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre) e micronutrientes (boro, cobre, ferro, manganês e zinco), os resultados são usados para fazer o balanço de nutrientes, obtido pelos métodos Diagnose da Composição Nutricional (CND) e Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS), que comparam os teores encontrados com um banco de dados de alta produtividade.

Economia e segurança no cultivo

Os primeiros testes com o Nutri Meio-Norte foram positivos e animaram grandes produtores. A observação do gaúcho Fernando Devicari, gerente da Fazenda Barbosa (com 680 hectares), grande produtora de soja no município de Brejo, no leste do Maranhão, é o retrato do otimismo: “Os resultados obtidos com o aplicativo mostram com melhor exatidão, comparando com os do DRIS, o estado nutricional da planta. Com esse diagnóstico mais apurado, esperamos conseguir resultados de produtividade cada vez melhores, visto que o programa foi desenvolvido especificamente para nossa região”, relata.

Do município de Uruçuí, a 453 quilômetros ao sudoeste de Teresina, onde o cultivo de soja é o carro-chefe da produção agrícola, vem mais expectativa de ganho com o Nutri Meio-Norte. O produtor Altair Domingos Fianco, que deixou a cidade de Pato Branco, no Paraná, há 22 anos, aposta alto no aplicativo: “Essa plataforma possibilita ao agricultor conhecer seu solo exatamente como ele se encontra, proporcionando a aplicação de fertilizantes de uma maneira equilibrada, com economia e segurança”.

Dono de 7.232 hectares na fazenda Condomínio União 2000, Fianco, que já foi presidente da Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja-Piauí), entidade que reúne 245 membros, acredita no aplicativo como ferramenta de gerenciamento: “Ele facilita na tomada de decisões. Com a tecnologia, podemos comprar os insumos certos, na quantidade correta, exatamente do que a planta precisa”, conclui.

Fonte: Embrapa Meio Norte
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Cepea

PIB do agronegócio apresenta leve alta em fevereiro

Apesar disso, ainda acumula queda de 0,46% no primeiro bimestre deste ano

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O PIB do Agronegócio brasileiro, calculado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), registrou leve alta de 0,07% em fevereiro de 2019. Apesar disso, ainda acumula queda de 0,46% no primeiro bimestre deste ano.

Entre os ramos, o agrícola teve elevação de 0,19% em fevereiro, mas acumula baixa de 0,32% de no ano. Já o pecuário teve queda tanto no resultado mensal (-0,27%) quanto no acumulado de 2019 (-0,87%). Pesquisadores do Cepea ressaltam que estes resultados ainda não contemplam dados relativos ao volume de produção de atividades importantes do ramo pecuário, indisponíveis até o fechamento do relatório.

Insumos

O segmento de insumos agrícolas registrou alta tanto no mês quanto no ano, impulsionado por indústrias de fertilizantes e de defensivos. No primeiro caso, os maiores preços de janeiro a fevereiro de 2019 favoreceram a estimativa de faturamento para o ano e, no segundo, a produção esperada significativamente maior levou ao resultado estimado. No caso dos insumos pecuários, o aumento do PIB em janeiro refletiu principalmente o comportamento da indústria de rações.

Primário

No segmento primário, ainda se verifica pressão relacionada ao crescimento dos custos de produção, porém, tanto no primário agrícola quanto no pecuário observam-se elevações médias de preços e de quantidade produzida. Entre os produtos agropecuários, destacaram-se com maiores preços neste primeiro bimestre de 2019: batata, arroz, cacau, feijão, laranja, milho, soja, algodão, trigo, uva, frango e leite.

Agroindústria 

Para a de base agrícola, a menor produção esperada para o ano pressionou os resultados de fevereiro. Já no caso da indústria de base pecuária, a renda do segmento esperada para o ano tem sido pressionada pelo aumento previsto dos custos de produção, embora os preços dos produtos pecuários industriais tenham, em média, se elevado no primeiro bimestre deste ano (em comparação com o mesmo período do ano passado).

Serviços

Verificam-se baixas no mês e no acumulado do ano. Porém, a alta registrada em fevereiro para serviços do ramo agrícola e indicadores de mercado mostrando crescimento de vendas do grupo de produtos alimentícios e bebidas, além da elevação das exportações do agronegócio relativamente ao mesmo período do ano passado, devem impactar em uma reação no segmento para os próximos meses.

Fonte: Cepea
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