Avicultura
Experiências brasileiras para controle de Salmonella por suplementação na ração
O tratamento com altas temperaturas ou a inclusão de agentes antimicrobianos nunca pode ser uma resposta completa para melhorar a saúde dos lotes
Artigo escrito por Valentino Arnaiz, gerente de Mercado da Safeeds Nutrição Animal; Juliano Trevizoli, gerente de Mercado Brasil da Safeeds Nutrição Animal; Roberto Montanhini Neto, diretor Estratégico Comercial da Safeeds Nutrição Animal; e Caio Tellini, do Departamento de Marketing da Safeeds Nutrição Animal
No negócio avícola, devemos tentar melhorar a biossegurança das rações para controlar os níveis de bactérias patogênicas que afetam as aves, sem esquecer de reduzir a dependência do uso de antibióticos para atingir este objetivo. A identificação de cepas de Salmonela resistentes a uma série de antibióticos é um indicativo do que pode continuar a acontecer no futuro.
Para obter carne e ovos em quantidades aceitáveis e permitir que o negócio seja produtivo e rentável, é preciso que as aves consumam grandes volumes de ração (ADAS Leaflet 298, 1979). Uma vez que esses consumos são alcançados, não é incomum encontrar problemas de insuficiência digestiva a campo e o uso da acidificação na ração poderia ser uma alternativa como estratégia de controle deste problema.
Após o surgimento de insuficiência digestiva, é muito fácil de ocorrer a colonização do trato digestivo com Salmonella spp., Escherichia coli e Campylobacter jejuni (Sarakbi, 1991). A indústria sempre confiou demais no uso de antibióticos na prevenção e tratamento dessas doenças bacterianas. Porém, já se atingiu um aumento alarmante no número de cepas patogênicas resistentes a vários princípios ativos.
Todos os ingredientes contêm uma variedade de micro-organismos que incluem bactérias potencialmente patogênicas e as estratégias que conseguem reduzir a contaminação acima mencionada, como os tratamentos a altas temperaturas, por exemplo, funcionam diminuindo os níveis médios de contaminação, mas não eliminam a maioria das bactérias que constituem uma ameaça para animais e humanos que irão consumir esses produtos.
A crença que Salmonella encontra-se apenas em ingredientes de origem animal foi refutada há muito tempo (1989) devido aos resultados de uma pesquisa feita na Inglaterra. Naquela época, foi demonstrado que não apenas 10% da farinha de peixe estava contaminada com Salmonela, mas também 20% do glúten de milho (protenose), 7 a 13% dos coprodutos da soja e 78% de derivados de sementes de algodão.
Nos centros de produção avícola, existem inúmeros focos de infecção que não estão diretamente relacionados à cadeia alimentar. A lista a seguir propõe alguns deles:
1. Reservatórios de água (caixas, bebedouros, etc.).
2. Ar proveniente da poeira contaminada de granjas e aviários vizinhos.
3. Aviários que foram mal desinfetados.
4. Contaminação vertical, das matrizes pesadas.
5. Cama de má qualidade.
6. Contaminação horizontal, especialmente em frangos de corte.
7. Presença de animais estranhos no aviário (aves, roedores, insetos).
8. Pessoal de campo e visitantes.
Estratégias
O tratamento com altas temperaturas ou a inclusão de agentes antimicrobianos nunca pode ser uma resposta completa para melhorar a saúde dos lotes.
Entre as estratégias adotadas, a restrição ao uso de agentes antimicrobianos promotores do crescimento é a que mais ganhou relevância mundialmente. Devido às pressões exercidas pelos consumidores e ONGs internacionais, o que tem acontecido é que grandes redes de fastfood, restaurantes e supermercados no mundo todo, passaram a oferecer produtos de origem animal certificados e livres do uso desses promotores. Em vários mercados e países, essas pressões levaram à implementação de regulamentações que baniram o uso de antibióticos na produção animal.
Atualmente, o desafio no controle de microrganismos patogênicos amplamente associados ao consumo de produtos de origem avícola, como Salmonela spp., Campylobacter spp. e Escherichia coli, elevou-se a níveis preocupantes, ainda mais com a proibição do uso de antibióticos promotores Gram-negativos em mercados como o Brasil ou a Europa.
Em geral, essas bactérias entéricas Gram-negativas não produzem maior morbidade ou mortalidade em aves, comparadas a microrganismos Gram-positivos, como o Clostridium perfringens, um dos principais causadores de enterites em decorrência da retirada de agentes antimicrobianos promotores do crescimento.
Bactérias patogênicas do tipo Escherichia coli ou Campylobacter jejuni têm um pH ótimo de crescimento em torno de 7,0, enquanto o grupo de Lactobacilli e Enterococci, responsável pela manutenção de um intestino saudável ou Butyrivibrio fibrisolvens, responsável pela digestão de fibras, crescem em torno do pH 6,0. Consequentemente, o ceco e o cólon são ideais para o crescimento de E. coli e outros patógenos.
Todas as bactérias podem ser classificadas pela sua tolerância ao pH baixo, alto ou ótimo, no qual elas podem sobreviver. Entender a dinâmica do pH no trato digestivo das aves é fundamental para obter o melhor benefício dos acidificantes quando usados ??na alimentação animal.
As bactérias, fisiologicamente, precisam sempre de intervalos específicos de pH para sobreviver. Assim, a distribuição normal das populações de bactérias comensais e patogênicas é encontrada em diferentes faixas de pH, e devido ao intervalo para as comensais ser mais ácido do que para as patogênicas, é preciso o uso de acidificantes na ração. A partir dessas faixas, é possível observar como pequenas alterações no pH podem ser usadas como estratégia técnica para reduzir a taxa de crescimento de bactérias como E. coli e Salmonella spp. e, ao mesmo tempo, aumentar o crescimento de bactérias comensais, como Lactobacillus.
As perdas econômicas associadas à redução do desempenho das integrações afetadas por C. perfringens atingem nos Estados Unidos cerca de US$0,05 por ave, podendo diminuir em até 33% a rentabilidade esperada na produção.
O maior problema é que essas enterites reduzem significativamente a proteção natural da mucosa intestinal ou até mesmo as reações imunes (locais e sistêmicas) das aves, permitindo que as bactérias Gram-negativas, antes consideradas principalmente comensais, quando localizadas na região natural de sobrevivência delas (intestino distal), apresentem agora, condições de acesso e multiplicação no intestino proximal, gerando sinais patológicos e contaminação sistêmica.
Há muito interesse e demanda na indústria avícola internacional em conhecer estratégias validadas para controlar e prevenir a contaminação com Salmonella tanto no ciclo de produção quanto no produto final (carcaças, ovos, incubação, etc.). Pesquisas científicas recentes vêm gerando evidências sobre a eficácia dos ácidos orgânicos micro-encapsulados nas rações em combinação com óleos essenciais, para controlar a viabilidade e / ou multiplicação na cadeia produtiva de bactérias patogênicas presentes no intestino das aves.
Ferramentas práticas de prevenção e controle
É importante salientar que se torna obrigatório conhecer a composição dos ácidos orgânicos e óleos essenciais presentes nos aditivos a serem utilizados, bem como sua forma física e mecanismo de proteção ou veiculação, a dose correta para o nível de contaminação das bactérias a serem combatidas, e, principalmente, a forma e o local em que os princípios ativos serão liberados e apresentados aos microrganismos- alvo.
Várias pesquisas e estudos de campo concluíram que os ácidos orgânicos isoladamente e em doses baixas não controlam eficientemente os patógenos Gram-negativos. No entanto, existem novas estratégias de sinergismo para a sua utilização.
Os microrganismos Gram-negativos possuem uma parede celular mais complexa que a maioria das células Gram-positivas. As bactérias Gram-negativas caracterizam-se por possuir uma fina rede de lipopolissacarídeos e lipoproteínas, de fácil dissolução com ácidos lipossolúveis, desde que existam agentes que permitam sua permeabilidade como os óleos essenciais (sinergismo perfeito).
Os óleos essenciais afetam a camada de peptidoglicano e os ácidos orgânicos em sua forma dissociada, são aqueles que podem passar através da camada de proteína e entrar na célula pela estrutura lipídica e camada porosa -previamente alterada pelos óleos essenciais- conseguindo assim, alterar a fisiologia das bactérias. A sinergia entre ácidos orgânicos e óleos essenciais faz com que os primeiros consigam penetrar na estrutura celular com mais eficiência.
Uma vez dentro, os ácidos orgânicos diminuem o pH intracelular e a célula bacteriana usa sua energia vital para tentar manter o pH interno em equilíbrio. A produção de ânions interfere no metabolismo do DNA e proteínas. A combinação dessas duas ações acaba matando as bactérias por exaustão energética, por exemplo. Este mecanismo é consistente e não gera resistência ao longo do tempo.
Ácidos de cadeia média são muito grandes para penetrar na camada das células Gram-negativas e, a camada de peptidoglicano nas bactérias Gram-positivas é muito espessa para ter porosidade suficiente até mesmo para pequenas moléculas de ácido.
É importante ressaltar que não é apenas a presença de ácidos no produto, mas também o mecanismo de proteção na fabricação deles contra as agressões normais do processo digestivo o que faz possível eles atingirem o intestino distal para combater as bactérias-alvo (Gram-negativas) antes delas migrarem para o intestino proximal.
Sabe-se que os patógenos de maior interesse, como Salmonella, são encontrados nas porções mais distais do intestino. Neste nível, a maioria dos ácidos orgânicos e óleos essenciais adicionados na ração em sua forma livre não são capazes de atingir a atividade esperada para sua ação efetiva, principalmente por razões como o pH do trato intestinal, absorção e a ação de enzimas endógenas. É por isso que, com a tecnologia de microencapsulação dos ingredientes ativos numa matriz de triglicerídeos, demonstra-se uma maior consistência no efeito esperado perante outros tipos de produtos.
Através da ação das lipases endógenas nesta matriz, os ácidos e óleos essenciais são liberados gradualmente onde as bactérias-alvo estão, antes que elas causem prejuízo pela multiplicação exponencial ou migração para áreas do trato digestivo onde elas não devem se desenvolver.
Assim, comprova-se que quando os ácidos orgânicos estão associados a óleos essenciais sob um processo de proteção patenteado e eficiente, a dose necessária para garantir o controle de patógenos é reduzida, independentemente do tipo de parede celular que os microrganismos possuam.
Dependendo da dose e da sinergia entre os princípios ativos, promove-se um potencial bactericida ou bacteriostático equivalente ou até mesmo superior ao observado com o uso de promotores antimicrobianos.
O diagnóstico da carga de patógenos a serem combatidos é o ponto de partida para a decisão de qual aditivo alternativo deve ser utilizado, bem como sua dose efetiva para o nível de controle procurado. Por outro lado, o controle não deve abranger só a ração, mas também, um programa completo de biossegurança na cadeia de produção avícola (instalações, meio ambiente, água potável, controle de pragas, etc.).
Devido à experiência adquirida no mercado brasileiro (muito exigente no controle e prevenção de patógenos), a seguir, apresentamos dois modelos práticos de protocolos para a prevenção de Salmonella na ração de frangos de corte e de matrizes pesadas.
Frangos de corte
O objetivo é verificar a redução de bactérias patogênicas no intestino de frangos de corte tratados com ácidos orgânicos (AO) + óleos essenciais (OE) micro-encapsulados na ração (durante todo o período de criação) ou em doses de choque 5 dias antes da apanha das aves para o abate. Também é importante comparar as vilosidades intestinais e a profundidade das criptas no duodeno, jejuno e íleo dos lotes tratados, bem como realizar um antibiograma das bactérias isoladas com o intuito de ajustar antibióticos na incubação ou possíveis tratamentos a campo, avaliando sempre o desempenho zootécnico.
Existem duas estratégias de tratamento sugeridas, uma é o uso de 0,300 kg /t de ácidos orgânicos + óleos essenciais micro-encapsulados nas rações pré-iniciais, iniciais, crescimento e finalização (do início até o final da criação). A outra recomendação é o uso de uma dose de choque que vai entre 3-5 kg por tonelada na ração final (retirada). Um controle negativo deve sempre ser levado em consideração.
No abate das aves, 5 cecos devem ser coletados usando-se luvas para evitar a contaminação cruzada. Estas amostras deverão ser enviadas para laboratório credenciado que realize detecção de enterobactérias.
Em alguns mercados em que se tem venda de frango vivo, podem ser enviadas aves para o laboratório para o abate e avaliação, desde que o tempo de transporte não ultrapasse 4 horas até o laboratório. É possível também enviar carcaças recém abatidas transportadas em caixas de gelo respeitando os procedimentos de sanidade e boas práticas (evitar a contaminação de carcaças com conteúdo intestinal, por exemplo).
Já no laboratório credenciado se faz a dissecção de porções do duodeno, jejuno e íleo para análises histopatológicas e antibiograma.
Com essas análises, o ciclo é fechado, pois é possível verificar o controle de contaminação de enterobactérias perante ao uso da estratégia nutricional de AO + OE micro-encapsulados.
Como já foi descrito então, a avaliação histopatológica permite avaliar como se encontra a qualidade intestinal dos lotes e com o antibiograma é possível ajustar os programas de controle da produção na empresa.
Matrizes pesadas
O objetivo é avaliar a redução da contaminação por Salmonella, Clostridium e E. Coli em matrizes pesadas com a estratégia de suplementação de ácidos orgânicos (AO) em associação com óleos essenciais (AE) na produção de matrizes pesadas ??sob as práticas usuais de gestão das empresas modernas.
Como estratégia, sugere-se comparar o uso de 300 g /t na ração de AO + AE nas fases de recria até a pré-postura, depois disso, até atingir o pico de produção, a dose sobe para 1 kg / t , voltando logo após, para os 300 g /t de nas rações pós-pico.
Sugere-se a cada 10 semanas fazer o acompanhamento de: sinais clínicos, cecos, swab de cama, isolamento, tipagem e antibiograma de Salmonella spp., antibiograma de E. coli, isolamento de E. coli e Clostridium no ceco e órgãos, medição das vilosidades intestinais e profundidade da cripta, bem como análises histopatológicas e de contagem de salmonelas nos órgãos (fígado, coração e baço).
Idades de avaliação
A avaliação comparativa com lotes antes de introduzir a estratégia de suplementação com AO + AE na ração é obrigatória. O swab de cloaca serve para análise de Salmonella, Clostridium e E. coli. Todos os parâmetros zootécnicos e sanitários devem ser contabilizados (incluindo sinais clínicos da doença).
Considerações finais
A evidência prática permite concluir que ácidos orgânicos + óleos essenciais micro-encapsulados têm um papel importante na nutrição moderna de aves como alternativa aos antibióticos. Esta tecnologia oferece biossegurança, sem risco de contaminação na ração e na granja (aviários).
À medida que aprendemos mais sobre as interações microbiológicas dentro do intestino das aves, podemos usar ferramentas naturais para manter as condições ideais, sem promover o desenvolvimento de resistência a antibióticos ou de resíduos indesejáveis na cadeia alimentar.
Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
Consumo recorde impulsiona debate sobre futuro da avicultura de postura durante SIAVS 2026
Com consumo anual de 288 ovos por habitante, o setor debate no Simpósio Ovos Brasil exportações, agregação de valor, sucessão empresarial e tecnologias para ampliar a competitividade.

O crescimento do consumo de ovos no Brasil, a abertura de novos mercados internacionais, as estratégias para agregação de valor aos produtos e os avanços tecnológicos estarão entre os principais temas debatidos durante o Simpósio Ovos Brasil, realizado dentro da programação do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), de 04 a 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O encontro vai reunir especialistas, produtores e empresas para discutir os desafios e as

Coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda: “É fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas” – Foto: Divulgação
oportunidades da cadeia produtiva de ovos em um momento de expansão do setor, marcado pelo fortalecimento do consumo interno e pelo avanço das exportações brasileiras.
De acordo com a coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda, a programação foi estruturada para oferecer uma visão ampla sobre o futuro da avicultura de postura. “Entre os temas centrais estarão o comportamento do mercado global de ovos, as oportunidades de abertura de mercados internacionais para os produtos brasileiros, estratégias de marketing e posicionamento para ampliar o consumo e agregar valor aos produtos, além de questões ligadas ao planejamento patrimonial, sucessório e tributário das empresas do setor”, explica.
Conforme salienta, os assuntos debatidos serão estratégicos para garantir competitividade e sustentabilidade da atividade nos próximos anos. “Para sustentar esse avanço, é fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, reforça.

Foto: Shutterstock
Consumo recorde fortalece cadeia produtiva
As discussões ocorrem em um momento histórico para o setor. Segundo projeções da ABPA, o consumo per capita de ovos no Brasil alcançou 288 unidades por habitante ao ano, o maior patamar já registrado no país. Para Tabatha, o resultado está diretamente ligado à consolidação do ovo como um alimento essencial na dieta dos brasileiros. “O principal fator é o reconhecimento cada vez maior do ovo como um alimento completo, nutritivo, seguro e acessível. Hoje, o consumidor tem mais informação sobre os benefícios nutricionais do produto, que oferece proteína de alta qualidade, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação equilibrada”, realça.
Além desses atributos, a versatilidade do alimento contribuiu para ampliar sua presença no dia a

Foto: Shutterstock
dia da população. “Esse crescimento demonstra a consolidação do ovo como uma das proteínas mais presentes na mesa dos brasileiros e confirma a capacidade do setor de atender a uma demanda crescente com qualidade, segurança e eficiência”, destaca.
Essa subida nos gráficos do consumo também impulsiona novos investimentos em produção, inovação, logística e desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da atividade nacional.
Consumidor impulsiona inovação e diversificação
As mudanças no comportamento do consumidor têm direcionado os investimentos do setor. A busca por qualidade, rastreabilidade, segurança dos alimentos e praticidade estimulou a adoção de novas tecnologias e o desenvolvimento de soluções voltadas às diferentes demandas do mercado. “Nos últimos anos, observamos avanços importantes em processos produtivos, controle

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
de qualidade, certificações, bem-estar animal e desenvolvimento de embalagens mais práticas e informativas. Também cresceu a oferta de produtos com maior valor agregado, como ovos líquidos, linhas voltadas ao público que busca maior aporte proteico, praticidade e conveniência”, compartilha Tabatha.
Esse cenário abre espaço para diversificação de produtos, fortalecimento de marcas e ampliação do consumo em canais como food service, varejo de conveniência e alimentação fora do lar. “A tendência é que essa aproximação entre as demandas do consumidor e a capacidade de inovação da cadeia continue impulsionando o crescimento do setor nos próximos anos”, avalia.
Tecnologia e sustentabilidade
Além das discussões, os participantes do SIAVS terão acesso a um amplo conjunto de tecnologias, equipamentos e soluções voltadas para todas as etapas da produção.
Entre os destaques estão tecnologias de automação de granjas, monitoramento de desempenho em

Foto: Rodrigo Felix Leal
tempo real, sistemas de gestão baseados em dados, equipamentos para classificação e processamento de ovos, além de soluções para biosseguridade, eficiência energética e sustentabilidade ambiental.
Também ganham espaço temas como rastreabilidade, bem-estar animal, redução de desperdícios, aproveitamento de subprodutos e melhoria da eficiência operacional. “A presença dos principais fornecedores nacionais e internacionais de genética, nutrição, sanidade, equipamentos e tecnologia permitirá aos visitantes conhecerem tendências que já estão transformando a avicultura de postura no Brasil e no mundo, reforçando o papel do SIAVS como um ambiente estratégico para atualização, networking e geração de negócios”, enfatiza a coordenadora técnica da ABPA.
Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.
Avicultura
Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná
Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias
Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.
A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.
Produção de carne cresce acima do ritmo de abate
Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias
início deste ano.
O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.
A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.
