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Experiências brasileiras para controle de Salmonella por suplementação na ração

O tratamento com altas temperaturas ou a inclusão de agentes antimicrobianos nunca pode ser uma resposta completa para melhorar a saúde dos lotes

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Artigo escrito por Valentino Arnaiz, gerente de Mercado da Safeeds Nutrição Animal; Juliano Trevizoli, gerente de Mercado Brasil da Safeeds Nutrição Animal; Roberto Montanhini Neto, diretor Estratégico Comercial da Safeeds Nutrição Animal; e Caio Tellini, do Departamento de Marketing da Safeeds Nutrição Animal

No negócio avícola, devemos tentar melhorar a biossegurança das rações para controlar os níveis de bactérias patogênicas que afetam as aves, sem esquecer de reduzir a dependência do uso de antibióticos para atingir este objetivo. A identificação de cepas de Salmonela resistentes a uma série de antibióticos é um indicativo do que pode continuar a acontecer no futuro.

Para obter carne e ovos em quantidades aceitáveis e permitir que o negócio seja produtivo e rentável, é preciso que as aves consumam grandes volumes de ração (ADAS Leaflet 298, 1979). Uma vez que esses consumos são alcançados, não é incomum encontrar problemas de insuficiência digestiva a campo e o uso da acidificação na ração poderia ser uma alternativa como estratégia de controle deste problema.

Após o surgimento de insuficiência digestiva, é muito fácil de ocorrer a colonização do trato digestivo com Salmonella spp., Escherichia coli e Campylobacter jejuni (Sarakbi, 1991).  A indústria sempre confiou demais no uso de antibióticos na prevenção e tratamento dessas doenças bacterianas. Porém, já se atingiu um aumento alarmante no número de cepas patogênicas resistentes a vários princípios ativos.

Todos os ingredientes contêm uma variedade de micro-organismos que incluem bactérias potencialmente patogênicas e as estratégias que conseguem reduzir a contaminação acima mencionada, como os tratamentos a altas temperaturas, por exemplo, funcionam diminuindo os níveis médios de contaminação, mas não eliminam a maioria das bactérias que constituem uma ameaça para animais e humanos que irão consumir esses produtos.

A crença que Salmonella encontra-se apenas em ingredientes de origem animal foi refutada há muito tempo (1989) devido aos resultados de uma pesquisa feita na Inglaterra. Naquela época, foi demonstrado que não apenas 10% da farinha de peixe estava contaminada com Salmonela, mas também 20% do glúten de milho (protenose), 7 a 13% dos coprodutos da soja e 78% de derivados de sementes de algodão.

Nos centros de produção avícola, existem inúmeros focos de infecção que não estão diretamente relacionados à cadeia alimentar. A lista a seguir propõe alguns deles:

1. Reservatórios de água (caixas, bebedouros, etc.).

2. Ar proveniente da poeira contaminada de granjas e aviários vizinhos.

3. Aviários que foram mal desinfetados.

4. Contaminação vertical, das matrizes pesadas.

5. Cama de má qualidade.

6. Contaminação horizontal, especialmente em frangos de corte.

7. Presença de animais estranhos no aviário (aves, roedores, insetos).

8. Pessoal de campo e visitantes.

Estratégias

O tratamento com altas temperaturas ou a inclusão de agentes antimicrobianos nunca pode ser uma resposta completa para melhorar a saúde dos lotes.

Entre as estratégias adotadas, a restrição ao uso de agentes antimicrobianos promotores do crescimento é a que mais ganhou relevância mundialmente. Devido às pressões exercidas pelos consumidores e ONGs internacionais, o que tem acontecido é que grandes redes de fastfood, restaurantes e supermercados no mundo todo, passaram a oferecer produtos de origem animal certificados e livres do uso desses promotores. Em vários mercados e países, essas pressões levaram à implementação de regulamentações que baniram o uso de antibióticos na produção animal.

Atualmente, o desafio no controle de microrganismos patogênicos amplamente associados ao consumo de produtos de origem avícola, como Salmonela spp., Campylobacter spp. e Escherichia coli, elevou-se a níveis preocupantes, ainda mais com a proibição do uso de antibióticos promotores Gram-negativos em mercados como o Brasil ou a Europa.

Em geral, essas bactérias entéricas Gram-negativas não produzem maior morbidade ou mortalidade em aves, comparadas a microrganismos Gram-positivos, como o Clostridium perfringens, um dos principais causadores de enterites em decorrência da retirada de agentes antimicrobianos promotores do crescimento.

Bactérias patogênicas do tipo Escherichia coli ou Campylobacter jejuni têm um pH ótimo de crescimento em torno de 7,0, enquanto o grupo de Lactobacilli e Enterococci, responsável pela manutenção de um intestino saudável ou Butyrivibrio fibrisolvens, responsável pela digestão de fibras, crescem em torno do pH 6,0. Consequentemente, o ceco e o cólon são ideais para o crescimento de E. coli e outros patógenos.

Todas as bactérias podem ser classificadas pela sua tolerância ao pH baixo, alto ou ótimo, no qual elas podem sobreviver. Entender a dinâmica do pH no trato digestivo das aves é fundamental para obter o melhor benefício dos acidificantes quando usados ??na alimentação animal.

As bactérias, fisiologicamente, precisam sempre de intervalos específicos de pH para sobreviver. Assim, a distribuição normal das populações de bactérias comensais e patogênicas é encontrada em diferentes faixas de pH, e devido ao intervalo para as comensais ser mais ácido do que para as patogênicas, é preciso o uso de acidificantes na ração. A partir dessas faixas, é possível observar como pequenas alterações no pH podem ser usadas como estratégia técnica para reduzir a taxa de crescimento de bactérias como E. coli e Salmonella spp. e, ao mesmo tempo, aumentar o crescimento de bactérias comensais, como Lactobacillus.

As perdas econômicas associadas à redução do desempenho das integrações afetadas por C. perfringens atingem nos Estados Unidos cerca de US$0,05 por ave, podendo diminuir em até 33% a rentabilidade esperada na produção.  

O maior problema é que essas enterites reduzem significativamente a proteção natural da mucosa intestinal ou até mesmo as reações imunes (locais e sistêmicas) das aves, permitindo que as bactérias Gram-negativas, antes consideradas principalmente comensais, quando localizadas na região natural de sobrevivência delas (intestino distal), apresentem agora, condições de acesso e multiplicação no intestino proximal, gerando sinais patológicos e contaminação sistêmica.

Há muito interesse e demanda na indústria avícola internacional em conhecer estratégias validadas para controlar e prevenir a contaminação com Salmonella tanto no ciclo de produção quanto no produto final (carcaças, ovos, incubação, etc.). Pesquisas científicas recentes vêm gerando evidências sobre a eficácia dos ácidos orgânicos micro-encapsulados nas rações em combinação com óleos essenciais, para controlar a viabilidade e / ou multiplicação na cadeia produtiva de bactérias patogênicas presentes no intestino das aves.

Ferramentas práticas de prevenção e controle

É importante salientar que se torna obrigatório conhecer a composição dos ácidos orgânicos e óleos essenciais presentes nos aditivos a serem utilizados, bem como sua forma física e mecanismo de proteção ou veiculação, a dose correta para o nível de contaminação das bactérias a serem combatidas, e, principalmente, a forma e o local em que os princípios ativos serão liberados e apresentados aos microrganismos- alvo.

Várias pesquisas e estudos de campo concluíram que os ácidos orgânicos isoladamente e em   doses baixas não controlam eficientemente os patógenos Gram-negativos. No entanto, existem novas estratégias de sinergismo para a sua utilização.

Os microrganismos Gram-negativos possuem uma parede celular mais complexa que a maioria das células Gram-positivas. As bactérias Gram-negativas caracterizam-se por possuir uma fina rede de lipopolissacarídeos e lipoproteínas, de fácil dissolução com ácidos lipossolúveis, desde que existam agentes que permitam sua permeabilidade como os óleos essenciais (sinergismo perfeito).

Os óleos essenciais afetam a camada de peptidoglicano e os ácidos orgânicos em sua forma dissociada, são aqueles que podem passar através da camada de proteína e entrar na célula pela estrutura lipídica e camada porosa -previamente alterada pelos óleos essenciais- conseguindo assim, alterar a fisiologia das bactérias. A sinergia entre ácidos orgânicos e óleos essenciais faz com que os primeiros consigam penetrar na estrutura celular com mais eficiência.

Uma vez dentro, os ácidos orgânicos diminuem o pH intracelular e a célula bacteriana usa sua energia vital para tentar manter o pH interno em equilíbrio. A produção de ânions interfere no metabolismo do DNA e proteínas. A combinação dessas duas ações acaba matando as bactérias por exaustão energética, por exemplo. Este mecanismo é consistente e não gera resistência ao longo do tempo.

Ácidos de cadeia média são muito grandes para penetrar na camada das células Gram-negativas e, a camada de peptidoglicano nas bactérias Gram-positivas é muito espessa para ter porosidade suficiente até mesmo para pequenas moléculas de ácido.

É importante ressaltar que não é apenas a presença de ácidos no produto, mas também o mecanismo de proteção na fabricação deles contra as agressões normais do processo digestivo o que faz possível eles atingirem o intestino distal para combater as bactérias-alvo (Gram-negativas) antes delas migrarem para o intestino proximal.

Sabe-se que os patógenos de maior interesse, como Salmonella, são encontrados nas porções mais distais do intestino. Neste nível, a maioria dos ácidos orgânicos e óleos essenciais adicionados na ração em sua forma livre não são capazes de atingir a atividade esperada para sua ação efetiva, principalmente por razões como o pH do trato intestinal, absorção e a ação de enzimas endógenas. É por isso que, com a tecnologia de microencapsulação dos ingredientes ativos numa matriz de triglicerídeos, demonstra-se uma maior consistência no efeito esperado perante outros tipos de produtos.

Através da ação das lipases endógenas nesta matriz, os ácidos e óleos essenciais são liberados gradualmente onde as bactérias-alvo estão, antes que elas causem prejuízo pela multiplicação exponencial ou migração para áreas do trato digestivo onde elas não devem se desenvolver.

Assim, comprova-se que quando os ácidos orgânicos estão associados a óleos essenciais sob um processo de proteção patenteado e eficiente, a dose necessária para garantir o controle de patógenos é reduzida, independentemente do tipo de parede celular que os microrganismos possuam.
Dependendo da dose e da sinergia entre os princípios ativos, promove-se um potencial bactericida ou bacteriostático equivalente ou até mesmo superior ao observado com o uso de promotores antimicrobianos.

O diagnóstico da carga de patógenos a serem combatidos é o ponto de partida para a decisão de qual aditivo alternativo deve ser utilizado, bem como sua dose efetiva para o nível de controle procurado. Por outro lado, o controle não deve abranger só a ração, mas também, um programa completo de biossegurança na cadeia de produção avícola (instalações, meio ambiente, água potável, controle de pragas, etc.).

Devido à experiência adquirida no mercado brasileiro (muito exigente no controle e prevenção de patógenos), a seguir, apresentamos dois modelos práticos de protocolos para a prevenção de Salmonella na ração de frangos de corte e de matrizes pesadas.

Frangos de corte

O objetivo é verificar a redução de bactérias patogênicas no intestino de frangos de corte tratados com ácidos orgânicos (AO) + óleos essenciais (OE) micro-encapsulados na ração (durante todo o período de criação) ou em doses de choque 5 dias antes da apanha das aves para o abate. Também é importante comparar as vilosidades intestinais e a profundidade das criptas no duodeno, jejuno e íleo dos lotes tratados, bem como realizar um antibiograma das bactérias isoladas com o intuito de ajustar antibióticos na incubação ou possíveis tratamentos a campo, avaliando sempre o desempenho zootécnico.

Existem duas estratégias de tratamento sugeridas, uma é o uso de 0,300 kg /t de ácidos orgânicos + óleos essenciais micro-encapsulados nas rações pré-iniciais, iniciais, crescimento e finalização (do início até o final da criação). A outra recomendação é o uso de uma dose de choque que vai entre 3-5 kg por tonelada na ração final (retirada). Um controle negativo deve sempre ser levado em consideração.

No abate das aves, 5 cecos devem ser coletados usando-se luvas para evitar a contaminação cruzada. Estas amostras deverão ser enviadas para laboratório credenciado que realize detecção de enterobactérias.

Em alguns mercados em que se tem venda de frango vivo, podem ser enviadas aves para o laboratório para o abate e avaliação, desde que o tempo de transporte não ultrapasse 4 horas até o laboratório. É possível também enviar carcaças recém abatidas transportadas em caixas de gelo respeitando os procedimentos de sanidade e boas práticas (evitar a contaminação de carcaças com conteúdo intestinal, por exemplo).

Já no laboratório credenciado se faz a dissecção de porções do duodeno, jejuno e íleo para análises histopatológicas e antibiograma.

Com essas análises, o ciclo é fechado, pois é possível verificar o controle de contaminação de enterobactérias perante ao uso da estratégia nutricional de AO + OE micro-encapsulados.

Como já foi descrito então, a avaliação histopatológica permite avaliar como se encontra a qualidade intestinal dos lotes e com o antibiograma é possível ajustar os programas de controle da produção na empresa.

Matrizes pesadas

O objetivo é avaliar a redução da contaminação por Salmonella, Clostridium e E. Coli em matrizes pesadas com a estratégia de suplementação de ácidos orgânicos (AO) em associação com óleos essenciais (AE) na produção de matrizes pesadas ??sob as práticas usuais de gestão das empresas modernas.

Como estratégia, sugere-se comparar o uso de 300 g /t na ração de AO + AE nas fases de recria até a pré-postura, depois disso, até atingir o pico de produção, a dose sobe para 1 kg / t , voltando logo após, para os 300 g /t de nas rações pós-pico.

Sugere-se a cada 10 semanas fazer o acompanhamento de: sinais clínicos, cecos, swab de cama, isolamento, tipagem e antibiograma de Salmonella spp., antibiograma de E. coli, isolamento de E. coli e Clostridium no ceco e órgãos, medição das vilosidades intestinais e profundidade da cripta, bem como análises histopatológicas e de contagem de salmonelas nos órgãos (fígado, coração e baço).

Idades de avaliação

A avaliação comparativa com lotes antes de introduzir a estratégia de suplementação com AO + AE na ração é obrigatória. O swab de cloaca serve para análise de Salmonella, Clostridium e E. coli. Todos os parâmetros zootécnicos e sanitários devem ser contabilizados (incluindo sinais clínicos da doença).

Considerações finais

A evidência prática permite concluir que ácidos orgânicos + óleos essenciais micro-encapsulados têm um papel importante na nutrição moderna de aves como alternativa aos antibióticos. Esta tecnologia oferece biossegurança, sem risco de contaminação na ração e na granja (aviários).

À medida que aprendemos mais sobre as interações microbiológicas dentro do intestino das aves, podemos usar ferramentas naturais para manter as condições ideais, sem promover o desenvolvimento de resistência a antibióticos ou de resíduos indesejáveis na cadeia alimentar.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Saúde Animal

As principais diferenças entre as fontes de ácido butírico

Para driblar os fatores limitantes e se beneficiar de tais resultados, o ácido butírico é usualmente disponibilizado para os animais em duas diferentes formas

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Rodrigo Slembarski, médico veterinário e gerente de Produtos Aves de corte da Auster; e Cassio Oura, médico veterinário e trainee Aves de Corte São Paulo da Auster

Os ácidos orgânicos são utilizados como melhoradores de desempenho na produção animal, buscando eficiência similar aos antibióticos promotores de crescimento de modo a não provocar resistência microbiana. Sua ação possui como principais características o controle da carga microbiana no trato digestório, inibição do crescimento de bactérias patogênicas e efeito redutor do pH gástrico, resultando em maior proteólise e consequente melhor digestão de proteínas e aminoácidos.

Entretanto, nem todos apresentam atividade antimicrobiana, sendo restrita aos ácidos de cadeia curta (C1 – C7). Como representante desta classe, o ácido butírico (C4H8O2) é derivado da fermentação microbiana de carboidratos. Por ser utilizado pelas células do epitélio intestinal como fonte de energia para diferenciação e multiplicação e se enquadrar nas características citadas, este é amplamente empregado nas criações animais. Porém, em suas primeiras utilizações nas rações foram encontrados fatores limitantes: o mau cheiro e caráter corrosivo, que dificultava sua utilização em fábricas; e a rápida absorção no estomago, que reduzia a quantidade de produto que chegava ao intestino, limitando sua atividade.

Desta forma os benefícios associados à sua utilização; como a influência no crescimento e saúde intestinal, melhor aproveitamento de cálcio e fósforo da dieta e melhor desempenho animal não eram alcançados. Para driblar os fatores limitantes e se beneficiar de tais resultados, o ácido butírico é usualmente disponibilizado para os animais em duas diferentes formas: sais microencapsulados (butirato de sódio e butirato de cálcio) e em forma de ésteres, podendo os últimos serem disponibilizados na conformação de mono-, di- e tributirina.

O butirato de sódio consiste em um produto seco por pulverização, produzido após a neutralização completa do ácido butírico com NaOH, resultando em concentrações muito baixas do ácido butírico livre. O butirato de cálcio é constituído a partir da neutralização do ácido butírico com CaC03 ou Ca (OH) 2. Sendo o processo de neutralização incompleto, resultando em níveis mais altos de ácido butírico livre. As butirinas, (mono-, di- e tributirinas) são produtos da esterificação do ácido butirico com o glicerol, onde o hidrogênio (H) do ácido butírico reage com o grupo hidroxila (OH) do glicerol, formando uma molécula de água e a ligação covalente entre o oxigênio do ácido butírico e o carbono do glicerol. Processo que forma moléculas estáveis, que são dissociados apenas por lipases pancreáticas liberando o butirato e glicerol no lúmen intestinal.

Cheiro

O cheiro é proporcionalmente relacionado com o nível de ácido butírico livre, que é uma molécula extremamente volátil e corrosiva. O butirato de sódio consiste em um produto mais estável e menos odoroso que o ácido butírico, característica importante para o uso do produto em fábricas de pré-mistura de alimentos para animais. O butirato de cálcio possui odor mais típico e característico do ácido, dificultando sua utilização. Já os ésteres não possuem relatos de problemas com o odor do produto.

Peso molecular e efeito antibacteriano

Os ácidos orgânicos com maior peso molecular possuem menor capacidade de difusão, portanto, menor facilidade em atravessar as membranas celulares e exercer efeitos anti-bacterianos. O peso molecular do butirato de sódio é de 111 g/mol, sendo o peso molecular do butirato de cálcio 214,28 g/mol, o que é aproximadamente o dobro. Já os ésteres possuem o peso molecular de 162,18 g/mol (monobutirina), 232, 37 g/mol (dibutirina) e 302,36 g/mol para a tributirina.

Solubilidade

Se o ácido butírico se encontra em forma de sais (butirato de sódio ou cálcio), é necessário que esse produto tenha alta solubilidade para que o butirato se libere do cátion (Na ou Ca) e seja utilizado ou transformado em ácido butírico (dependendo do pH). In vitro, o butirato de sódio se apresenta mais solúvel em água comparado ao butirato de cálcio. Para os ésteres, há relato apenas da solubilidade da monobutirina, citando a possível solubilidade da mesma em água atribuindo o fato ao glicerol. Porém, no caso da monobutirina, para o ácido butirico se dissociar do glicerol é necessário a ação da lipase, ineficiente neste caso, pois normalmente quebra as ligações éster de moléculas com grandes diferenças de polaridade, como triglicerídeos com cadeias de 16 carbonos ou mais, não sendo facilmente reconhecida pela enzima. Não há relatos quanto a solubilidade da dibutirina e tributirina, sendo mínimos os dados de características físico-químicas dos produtos. Porém, como citado anteriormente, as ligações entre as moléculas obtidas durante o processo de esterificação não se desfazem no estomago, sendo estas liberadas apenas com a ação da lipase intestinal. Desse modo não há disponibilização de ácido butírico livre no estomago, comprometendo a redução do pH gástrico e melhor aproveitamento de proteínas e aminoácidos. Pois com a redução do pH há a maior ativação de pepsina (enzima proteolítica) no estômago e menor secreção do suco gástrico, tendo menor diluição do bolo alimentar. Passos cruciais para o controle microbiano, uma vez que, com menos substratos proteicos há menor desenvolvimento de bactérias patogênicas no intestino. Etapa disponível somente para os sais de ácido butírico, resultando em menor velocidade de esvaziamento gástrico e redução da taxa de passagem do alimento, melhorando assim sua digestibilidade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura

Uso de Inlets em galpões de postura comercial traz benefícios financeiros e zootécnicos

Inlets são ferramentas que nos auxiliam no controle do ingresso do ar nos modos de Ventilação Mínima e Transição

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Foto: O Presente Rural e Cargill

Artigo escrito por Henrique Rosa Baltazar de Souza, zootecnista e assistente Técnico Comercial Avicultura da Cargill Nutrição Animal

O uso dos inlets em galpões de ventilação por pressão negativa, seja na criação de aves em piso ou em gaiolas, é de fundamental importância para que consigamos dar a correta dinâmica ao ar que entra no galpão, promovendo a melhor qualidade ambiental possível e garantindo o bem estar e desempenho das aves.

Os inlets (aberturas nas paredes laterais) são as ferramentas que nos auxiliam no controle do ingresso do ar nos modos de Ventilação Mínima e Transição. Nestes dois modos, nosso foco está na renovação do ar sem a necessidade de que se gere correntes de vento com altas velocidades.

A renovação do ar pelo modo Ventilação Mínima sempre ocorre quando a temperatura externa está menor do que a temperatura que desejamos internamente no galpão. Neste modo de ventilação, os exaustores trabalham em modo cíclico ficando uma parte do ciclo ligados e outra desligados.

Para entendermos porque os inlets são fundamentais neste modo, precisamos primeiro entender o porque precisamos renovar o ar dentro do galpão. O foco durante a Ventilação Mínima é manter a umidade relativa (UR%) do ar dentro do galpão em níveis adequados e o tempo ligado/desligado do ciclo deve ser ajustado baseado nesta variável. Um benefício indireto em se manter os níveis de umidade relativa controlados é que os níveis dos principais gases tóxicos produzidos dentro do galpão também estarão controlados. A umidade relativa tem uma forte correlação com a concentração de CO2 e amônia, ou seja, quanto maior a umidade relativa do ar dentro do galpão maior será a concentração destes gases.

Porém, apenas trazer o ar externo para dentro do galpão muitas vezes não é o ideal. Nos horários mais frios do dia ou em dias de alta umidade, simplesmente trazer esse ar mais úmido para dentro não nos auxiliará no controle da umidade relativa, muito pelo contrário. É por isso que precisamos condicionar esse ar para que chegue até as aves da melhor forma possível. Entra em cena então o papel fundamental dos inlets. Estes equipamentos são os responsáveis por direcionar o ar para que ele percorra todo o caminho até o centro do galpão o mais próximo possível do forro. É neste local que se encontra o ar mais quente, o qual é mais leve e se acumula no ponto mais alto da estrutura, que no nosso caso é a forração. A troca de calor entre o ar de dentro do galpão com o de fora faz com que o ar externo se aqueça e diminua sua umidade relativa (Figura 1). Quanto maior a temperatura do ar, maior é sua capacidade em reter vapor de água.

Figura 1 – Condicionamento do ar externo.

Para conseguirmos esse condicionamento do ar, precisamos que haja um espaço mínimo entre o topo das baterias e a forração de pelo menos 1,5 metro. Outro ponto importante é de que não haja obstáculos que alterem a trajetória do ar até o centro do galpão, como eletrocalhas ou vigas por exemplo. Caso estes pré requisitos não sejam atendidos o processo fica comprometido e criaremos problemas para a circulação de ar dentro do galpão, que pode ficar preso nas baterias laterais fazendo com que a umidade seja maior naquele ponto e a temperatura mais baixa do que no centro, criando microclimas diferentes dentro do aviário. (Figura 2)

Figura 2 – Espaço insuficiente entre a forração e gaiolas gerando uma zona morta de ventilação no meio do galpão.

Outro papel desempenhado no galpão pelos inlets é durante a Ventilação de Transição. Utilizamos este modo quando a temperatura externa está ligeiramente acima do que desejamos internamente e os exaustores, por este motivo, já trabalham em modo contínuo. Durante a Ventilação de Transição volumes grandes de ar são trocados dentro do galpão através dos inlets. Este modo de ventilação é o preferencial das aves, já que as mantém em uma zona de conforto térmico sem que seja necessário usar altas velocidades de ar diretamente sobre as aves para isso.

Como todo equipamento, o funcionamento ideal dos inlets depende de alguns fatores: seu correto dimensionamento, instalação e operação. Aspectos construtivos dos galpões, como a vedação por exemplo, também afetam diretamente a eficiência destes equipamentos. Cada projeto deve ser minuciosamente estudado levando-se em consideração as condições climáticas históricas da região onde estão localizados ou serão construídos os galpões, modelos de equipamento, assistência técnica disponíveis e o correto treinamento e acompanhamento dos responsáveis pela sua operação para que seja extraído o seu máximo potencial, trazendo os benefícios financeiros e zootécnicos esperados.

Fonte: Assessoria
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Avicultura Mercado

México abre mercados para ovos do Brasil

Maior consumo de ovos autorizou importação para produtos processados

Publicado em

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Divulgação/AENPr

Nas prévias da Semana do Ovo, com produção e consumo recordes no mercado interno, o setor de ovos do país ganhará um novo impulso comercial nos próximos dias. O México, maior consumidor de ovos do mundo, abriu seu mercado para as importações de ovos produzidos no Brasil, conforme informação repassada à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A autorização foi emitida na última semana pelo Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade (SENASICA) do Governo Mexicano, e é válida para produtos processados em território brasileiro – um segmento que tem ganhado expressividade no segmento produtivo brasileiro.

Maior consumidor per capita de ovos do mundo, com 378 unidades anuais (no Brasil, o consumo é de 230 unidades), o México importou 20 mil toneladas de ovos em 2019, segundo dados da União Nacional de Avicultores (associação local).

“A abertura do México, conquistada com os esforços da Adidância Agrícola, Ministério da Agricultura e Ministério das Relações Exteriores, e apoiados pela ABPA, é estratégica para o setor produtivo brasileiro, que aposta no fortalecimento do mercado internacional. Não apenas pela força deste mercado, mas pela chancela que esta autorização representa em termos de reconhecimento sanitário. A qualidade e o status sanitário fizeram a diferença para inserirmos nosso produto nesse mercado altamente competitivo, com um produto de maior valor agregado”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Em 2019, o Brasil exportou 7,6 mil toneladas de ovos. A produção total do país alcançou 49 bilhões de unidades no ano passado, e deve chegar a 53 bilhões em 2020.

Fonte: Assessoria ABPA
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