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Suínos / Peixes Tecnologia

Experiência sensorial a serviço do desempenho de suínos

SVN atuam no cérebro, modulando a percepção do estresse, favorecendo, assim, melhores adaptações comportamentais ao estresse percebido pelo animal

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Jean-François Gabarrou, PhD e gerente Científico Animal Care – Phodé, França

Nosso conhecimento das necessidades dos animais nunca foi tão grande: nutrição de precisão, controle automáticos dos parâmetros ambientais… porém, mesmo assim, os animais de produção continuam incapazes de expressar todo o seu potencial genético. De fato, os meios necessários para adquirir uma compreensão cada vez maior das necessidades dos animais, se mostram subjetivos. Talvez esta busca tenha atingido hoje os seus limites, pois já não adianta tentar analisar as necessidades do animal isoladamente, o que é preciso é ter uma resposta global, uma abordagem integral do animal.  E, como em toda abordagem integral, é necessário compreender como funciona o principal órgão de integração do animal, o cérebro.

Novo conceito e o enfoque holístico proporcionado pelas substâncias vegetais neuro-modulantes (SVN)

Neste contexto, um conceito foi criado a fim de reduzir as consequências do estresse na produção animal. O princípio basico é simples:

  • Os animais estão sempre em busca do melhor, cabe a nós oferecer-lhes uma solução que proporcione bem-estar.
  • Algumas moléculas olfativas têm efeitos na percepção do estresse e podem proporcionar bem-estar.

Embora o conceito seja simples, sua aplicação é mais complexa:

  • A seleção dos extratos vegetais e dos fornecedor
  • O desenvolvimento de uma galênica específica que permita a liberação dos princípios ativos no tempo certo requer um processo de fabricação diferenciado.
  • A determinação do modo de ação de um produto que atua diretamente no cérebro necessita complexas ferramentas científicas e uma pesquisa de longo prazo.
  • Por último, a prova decisiva permanece sendo os efeitos no animal, sobretudo em diferentes situações de estresse.

Substâncias vegetais neuro-modulantes

As substâncias vegetais neuro-modulantes (SVN) são produtos complexos. Outra particularidade é a sua galênica especial, que permite ao alimento veicular seus princípios ativos, evidentemente até a zona digestiva, mas sobretudo aos órgãos da olfação. As SVN atuam no cérebro, modulando a percepção do estresse, favorecendo, assim, melhores adaptações comportamentais ao estresse percebido pelo animal.

As SVN foram testadas em diferentes situações de estresse típicas da produção animal: estresse térmico, estresse de densidade, estresse de manejo dos animais ou estresse de distribuição, por exemplo.

Estresse térmico e densidade. Qual a relação entre estresse e baixo desempenho?

Vários nutricionistas consideram a diminuição do consumo de alimento como uma adaptação metabólica dos animais em estresse térmico, Estes, comendo menos, reduzem a produção de calor ligada à ingestão alimentar (termogênese alimentar). Por este motivo, é difícil propor estratégias, pois aumentar a quantidade de energia ingerida provocaria a morte do animal por hipertermia.

Outra abordagem seria considerar os efeitos do estresse térmico como de outros tipos de estresse, o que implica em um aumento do cortisol, induzindo uma diminuição do apetite.

Reduzir a percepção do estresse com o uso de SVN permite aos animais encontrar uma solução comportamental que resulta em aumento no consumo de água.

Estando melhor hidratados e com capacidade de eliminar o calor produzido pela ingestão de alimentos, os animais tratados com SVN comem mais. O uso de SVN transforma um problema de nutrição sem solução em um problema de comportamento fácil de resolver.

Na produção animal moderna, em geral os animais têm sempre uma percepção de alta densidade. De fato, a otimização do espaço das instalações passa pelo acréscimo de animais até um ponto em que a produtividade da granja diminui.

Quando aumentamos a densidade da população, o desempenho individual dos animais diminui. Esta baixa de desempenho individual é compensada pelo aumento do número de indivíduos. Este estilo de manejo pode ser frequentemente observado em todas as situações de produção, independente do nível tecnológico de cada granja.

Embora a densidade de animais seja mais baixa nas propriedades pouco equipadas, a percepção da densidade dos animais ali alojados permanece sendo de alta densidade justamente pela falta de equipamentos modernos, particularmente em situação de estresse térmico.

Ao reduzir a percepção desse estresse, as SVN atenuam a queda de consumo e permitem recuperar grande parte do desempenho perdido.

Na produção de frango de corte, como podemos observar na tabela, um simples acréscimo de dois indivíduos por m2 aumentou significativamente os indicadores de estresse (observar os índices nível de cortisol e relação H/L). Também, o número de indivíduos que levam mais de 20 segundos para se levantar aumentou durante um teste de imobilidade tônica.

Estes indicadores pioram a partir da 4ª semana em granja, onde o estresse por alta densidade começa a ser sentido devido ao tamanho dos animais.

Naturalmente o consumo alimentar diminui e como consequências já previstas, resulta em diminuição do peso individual e da conversão alimentar. O uso de SVN nesta situação permite bloquear a percepção do estresse e igualou os níveis de cortisol obtidos em produção com menor densidade. O consumo melhorou significativamente, assim como o crescimento e o índice de consumo.

Concluí-se que os melhores índices de produção e aumento do bem-estar, estão totalmente relacionados com a redução do estresse.

Estresse térmico da fêmea suína em lactação

Na produção de suínos, a fêmea em período de lactação encontra-se frequentemente em situação de estresse térmico, inclusive nos países temperados. A prioridade é dada à temperatura adequada para os leitões, por uma questão de sobrevivência. Por este motivo, as fêmeas consomem menos do que poderiam, precisamente no momento em que a lactação requer um forte aumento no consumo de alimento. O uso de SVN durante a fase de lactação permite melhorar o consumo de alimento, aumentar o ganho de peso dos leitões e reduzir a perda de peso da fêmea durante a lactação.

Estes dois exemplos nos permitem concluir que o uso desta nova tecnologia pode ser aplicado independentemente do tipo de estresse sofrido pelos animais. Que ele seja térmico, associado à percepção da densidade, devido a manipulações ou a mudanças ambientais, o estresse sempre tem as mesmas consequências, aumentando os níveis de cortisol e diminuindo o apetite.

Isso explica o fato de que frequentemente os animais de produção não expressem todo o seu potencial genético.

De forma mais significativa, os leitões também podem apresentar distúrbios de comportamento com brigas e mordidas cuja consequência é a degradação do estado de saúde do lote, a desclassificação das carcaças e muitas vezes ocasiona morte dos animais mais fracos.

Prevenção do estresse

Tendo em conta que o estresse está sempre presente durante as várias fases do ciclo de vida do animal, o uso de SVN nos proporciona poder programar e prevenir o estresse em manejos mais estressantes como mistura de lotes, vacinação, transporte e transições. A aplicação contínua das SVN nos permite aumentar significativamente o rendimento da produção, assim como reduzir consideravelmente o índice de mortalidade devido ao estresse sofrido pelos animais.

O uso de SVN tem se mostrado muito eficiênte, permitindo manter o desempenho dos mais intensivos e exigentes sistemas de produção animal, levando em consideração o conceito de bem-estar individual de cada animal.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O preço da biosseguridade

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes

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Monalisa Pereira

Artigo escrito por Débora Bernardes, médica veterinária da MS Schippers

Quando falamos de biosseguridade muitas vezes a enxergamos como um investimento, um custo dentro do processo de produção animal, e não como uma medida obrigatória para proteção da sustentabilidade do negócio a longo prazo. A persistência em uma visão de curto prazo sobre a demanda do mercado pode ser fator limitante para a sobrevivência de vários participantes da cadeia de alimentos. O padrão de consumo está mudando a cada ano, e além disso, do ponto de vista de saúde humana, nós sabemos que as próximas décadas exigirão um cuidado maior na utilização de recursos sustentáveis e nas boas práticas de produção, de forma a aumentar a eficiência produtiva e reduzir o uso abusivo de medicamentos. Atualmente vivemos um momento de ascenção da biosseguridade como medida básica de sobrevivência e convívio social, e o desafio pandêmico do coronavírus na saúde humana tende a trazer mais reflexões também dentro da cadeia agropecuária.

Está mais evidente que setores essenciais como o de produção de alimentos precisam estar blindados de catástrofes sanitárias e econômicas para garantir a sobrevivência da população mundial. O setor agropecuário, que já viveu diversas epidemias preocupantes ao longo dos anos, dentro de poucos anos precisará suportar novas pressões de redução no uso de antibióticos e agrotóxicos através de práticas de biosseguridade. A produtividade por área precisará aumentar, já que precisaremos alimentar uma população global continuamente crescente com proteína animal e vegetal suficientes.

Para que isso aconteça, esforços multidisciplinares deverão ser combinados entre empresas, universidades, e governos, como já sugerido pelo conceito de “saúde única” (onde seres humanos, animais e meio ambiente são uma só entidade de saúde a ser tratada). No âmbito de da produção pecuária, sabemos que a infra-estrutura de granjas e fazendas ao redor do mundo é extremamente variável, bem como a intensificação dos sistemas de produção e as legislações que os governam. Por isso, o compartilharmento de informações dentro do tema biosseguridade é fundamental para que o próprio setor se prepare para, em um futuro bastante próximo, mudar suas concepções de prioridade em manejo e produção.

Em sistemas de produção mais intensivos (como na avicultura e suinocultura) o desafio e risco sanitário é grande, afinal o confinamento de mais animais em um mesmo espaço é maior. Nesses cenários, quando pensamos nos prejuízos causados por possíveis epidemias, será que conseguimos definir o custo de eventuais falhas de biossegurança? Quanto vale um plantel inteiro de animais? Quanto custa recuperar uma drástica queda em produção devido a altas taxas de mortalidade? Esse raciocínio nos permite entender que, ao invés do preço, precisamos mesmo é enxergar o valor da biosseguridade para os negócios agropecuários.

Biosseguridade na produção intensiva

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes. Além disso, o suporte de profissionais responsáveis como médicos veterinários, zootecnistas, e gerentes técnicos de granjas faz total diferença na adesão aos protocolos de produção em granjas suinícolas e aviários. Citamos abaixo alguns pontos importantes de biosseguridade que devem ser padronizados pelas granjas e inseridos dentro da rotina de funcionários e visitantes.

1- Localização física, construção, e isolamento das instalações

Segundo recomendações da Embrapa, para a construção ou instalação de granjas é necessário escolher um local que esteja distante em, no mínimo, 500m de qualquer outra criação ou abatedouro e pelo menos 100m de estradas por onde transitam caminhões com animais. Isto é importante, principalmente, para prevenir a transmissão de agentes infecciosos por via aérea e através de vetores como: roedores, moscas, cães, gatos, aves e animais selvagens. Além disso é importante cercar a área ao redor dos galpões (com cercas a no mínimo 20 metros de distância das instalações. Um outro ponto importante é qualidade da construção em si, pois dependendo do material utilizado haverá menor ou maior propensão ao aumento da pressão de infecção ambiental após a limpeza das instalações. O uso de revestimentos impermeabilizantes nos pisos e paredes permitirão uma melhor qualidade da lavação feita entre o alojamento dos lotes, enquanto outros materiais (como o concreto) inevitavelmente serão mais porosos, absorvendo a água e a matéria orgânica acumulada dentro das baias, além dos próprios produtos utilizados para limpeza e desinfecção.

2- Controle de vetores

A transmissão de doenças por vetores como roedores, moscas, pássaros, baratas, e animais silvestres também deve ser evitada ao máximo. Entre as medidas gerais também recomendadas pela Embrapa estão: a cerca de isolamento; o destino adequado dos animais mortos, o descarte de restos de parição e de dejetos; e a limpeza da fábrica e depósito de rações. A implementação de armadilhas e iscas (fora do alcance dos animais) também é importante, especialmente nos arredores de galpões com animais e locais onde os alimentos são armazenados. Um exemplo importante para essa compreensão é a relação entre a presença de moscas e roedores com o desenvolvimento de infecções por senecavírus A (SVA), com surtos em granjas ao redor do Brasil. Embora muitos aspectos da epidemiologia do SVA ainda sejam desconhecidos, um recente estudo norte-americano demonstrou a detecção do SVA em ratos e amostras de mosca doméstica, sugerindo que estas pragas possam desempenhar um papel na ocorrência das infecções.

3- Uso de EPIs

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são considerados elementos de contenção primária ou barreiras primárias. Eles podem reduzir ou eliminar a exposição da equipe e do meio ambiente a patógenos e microorganismos em geral. O uso de luvas descartáveis deve ser feito para prevenir a contaminação da pele com material biológico durante os cuidados com os animais e para a manipulação de produtos químico. As máscaras com ou sem válvula de filtragem são, por sua vez, o EPI indicado para a proteção das vias respiratórias contra a possibilidade de respingos ou aspiração de químicos nocivos e eventuais agentes patogênicos. O tipo de máscara deve ser escolhido conforme o tipo de exposição, devendo-se somente utilizar as máscaras de tripla proteção no atendimento de animais com infecção ativa. Os óculos de segurança devem ser usados em atividades que possam produzir respingos e/ou aerossóis, projeção de estilhaços pela quebra de materiais, bem como em procedimentos que utilizem fontes luminosas intensas e eletromagnéticas, que envolvam risco químico, físico ou biológico. Os macacões descartáveis ou higienizáveis devem ser adotados para a proteção de funcionários contra respingos de água, material químico ou biológico, e durante procedimentos como o manejo de animais e a lavação das baias. As botas e/ou calçados utilizados dentro das salas, departamentos, e instalações em geral devem ser higienizados ou trocados ao se transitar de um local para o outro, e a utilização de propés também pode ser associada a essa estratégia, reforçando a proteção contra sujidades carreadas nas solas.

4- Banhos, lavagem de mãos, fluxo de pessoas

Além dos banhos ao se entrar e sair das instalações, a lavagem das mãos é, sem sombra de dúvidas, a ação mais importante na prevenção da transmissão cruzada entre departamentos e salas da granja. As mãos de funcionários devem ser lavadas antes e após atividades que eventualmente possam contaminá-las; ao início e término do turno de trabalho; entre o atendimento de animais; antes de calçar luvas e após a remoção das mesmas; e quando as mãos forem contaminadas com material biológico e/ou químico. Na ausência de pia com água e sabão, o funcionário deverá realizar anti-sepsia com álcool etílico a 70% de concentração. De forma semelhante ao raciocínio da lavagem de mãos, o fluxo de pessoas e visitantes deve seguir (sempre que possível) uma sequência lógica começando por áreas menos contaminadas para áreas mais sujas, para que se evite carrear sujidades no sentido oposto. Além disso, o controle de materiais, equipamentos, uniformes, e sapatos utilizados em cada área da produção também deve ser feito de forma a evitar esse carreamento de patógenos de uma área para a outra. Para tanto, é possível adotar estratégias simples como o uso de cores separadas por departamento da granja (vide exemplo abaixo).

5- Limpeza, desinfecção e vazio sanitário

A rotina de limpeza e desinfecção das baias durante a troca de lotes ainda é muito negligenciada do ponto de vista de metodologia, dosagem dos produtos aplicados, e tempo de vazio sanitário adequado. As recomendações em geral seguem a sequência de limpeza seca, umidificação das instalações, limpeza úmida, desinfecção úmida, e desinfecção por pulverização ou nebulização. O uso de detergentes e desinfetantes deve ser feito seguindo dosagens e tempo de aplicação específicos para cada granja e desafio sanitário. Recomenda-se a exposição dos protocolos em quadros ou placas à vista para maior adesão e consistência do lavador. É importante salientar, mais uma vez, que a qualidade da limpeza e desinfecção realizadas será profundamente dependente do tipo de material de construção das instalações. Pisos e paredes mais porosos não só vão absorver mais água e microorganismos em suas frestas e ranhuras, como também uma maior quantidade dos próprios produtos químicos utilizados na limpeza. O objetivo final é sempre a remoção da maior quantidade possível de matéria orgânica e contaminantes para reduzir a pressão de a níveis próximos de 1 unidade formadora de colônia por cm². A recomendação de vazio sanitário da Embrapa Suínos é de pelo menos 5 dias, isto é, o período entre a desinfecção das baias e o alojamento de novos animais.

6- Qualidade da água

A qualidade da água disponível nas instalações, tanto para consumo dos animais (água de bebida) quanto para a lavação e outros procedimentos, também é profundamente importante na prevenção à entrada de patógenos dentro das granjas. Dentre os vários microorganismos que podem adentrar as granjas via água estão Enterococcus, E-coli, Streptococcus, Salmonella, Clostridium, entre outros. Quando a qualidade da água está comprometida, a sua palatabilidade e odor são alterados, e há maior contaminação intestinal do animal por microrganismos patogênicos. Isso tende a reduzir a conversão alimentar, o ganho de peso, e aumentar ocorrência de diarréias, elevando os custos de produção. A formação do biofilme é um dos principais pontos de preocupação quando falamos da água de bebida dos animais, pois ele se torna uma fonte de constante contaminação da água, mesmo que na fonte ela seja limpa. Caso essa mesma água (ou outra de origem contaminada) seja utilizada também para o enxágue e lavação das baias estaremos em um contrassenso, afinal uma água contaminada estará sendo adicionada às baias e isso comprometerá o efeito dos produtos utilizados, bem como a pressão de infecção após o alojamento de novos animais. É importante tratar a água da granja com o mesmo zelo, ou mais, que a própria ração e genética utilizadas, pois sua influência no bom aproveitamento das duas anteriores é de grande impacto

Embora existam muitos outros aspectos a serem levados em consideração dentro do tema biosseguridade, é importante que todos os envolvidos na cadeia agropecuária primeiramente a entendam como um fator limitante de competitividade no mercado em vários sentidos. O olhar atual que vemos sobre o tema devido à COVID-19 é apenas mais um indicativo da sua importância, no entanto sabemos que dentro da saúde animal as enfermidades e epidemias representam um dos principais pontos de prejuízo e redução de performance desde sempre, com potencial para impactar os negócios e, claro, a própria condição de saúde humana.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Exportações brasileiras de carne suína crescem 50,4% em junho

Número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas

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As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 96,1 mil toneladas em junho, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta terça-feira (07). O número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas. Em receita, o desempenho mensal registrou alta de 43,4%, com US$ 198 milhões de saldo registrado em junho deste ano, frente a US$ 138,1 milhões em 2019.

No acumulado do ano, as vendas de carne suína seguem 37,01% maior este ano, em comparação com 2019. Foram 479,4 mil toneladas entre janeiro e junho de 2020, contra 349,9 mil toneladas exportadas nos seis primeiros meses do ano passado. Em receita, houve elevação de 52,5% no mesmo período comparativo, com US$ 1,076 bilhão este ano e US$ 705,6 milhões em 2019.

Carro-chefe das exportações brasileiras, as vendas para a Ásia chegaram a 374,5 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, saldo 83,1% superior ao registrado em 2019. A China, maior importadora de carne suína do Brasil, foi destino de 230,7 mil toneladas no período (+150,2%). Hong Kong, no segundo posto, importou 18,6% a mais, com 92,9 mil toneladas. Outro mercado de destaque foi Singapura, com 27,8 mil toneladas (+51,6%).

“Os impactos gerados na Ásia pela Peste Suína Africana desde 2018 continuam a ditar o ritmo das importações da região. O Brasil mantém sua posição como parceiro pela segurança alimentar da China e das demais nações que impulsionaram suas compras neste ano”, destaca Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: ABPA
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Suínos / Peixes Nutrição

Enzimas auxiliam na redução de custos com rações, sustenta nutricionista

Formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz

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As incertezas em relação a disponibilidade e custos das matérias primas, gerados pelo impacto do Coronavírus (Covid-19) estão trazendo preocupações e dúvidas para os produtores e empresas do setor de produção animal. A avicultura e a suinocultura, em especial, sofrem com a escassez e o aumento nos preços dos insumos, especialmente das principais fontes de proteína e energia das rações, farelo de soja e milho. E, como estratégia para minimizar este cenário de dificuldades e equilibrar as contas, uma das maneiras de superar estes desafios é a redução dos custos com ração.

 Segundo o gerente de mercado de monogástricos da Safeeds, Francisco Bertolini, a formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz, pois possibilita um melhor aproveitamento dos nutrientes, por aumentar a digestibilidade dos alimentos e minimizar os custos. “O uso de enzimas na formulação de dietas ajuda o nutricionista a ter flexibilidade na escolha dos ingredientes da ração”, comenta o médico veterinário.

Como funcionam as enzimas

As enzimas são proteínas complexas que ocorrem naturalmente nos sistemas digestivos dos animais, atuando como catalisadores biológicos que aceleram as reações químicas. Essas substâncias possuem a característica de permanecerem sempre ativas após cada catalisação. Em resumo, as enzimas têm como principal função facilitar a digestão.

De acordo com Bertolini, é importante lembrar que as enzimas são substrato/dependente específico, ou seja, elas somente irão atuar na presença do substrato a ser catalisado. “Cada enzima age em seu composto de atuação específico. Por exemplo, as fitases atuam sobre os fitatos, as xilanases nos xilanos etc. Portanto, a escolha da enzima a ser utilizada deve levar em conta a presença dos substratos a serem digeridos e todos os parâmetros de especificidade das enzimas”, orienta o nutricionista.

As enzimas utilizadas na nutrição animal podem ser classificadas de acordo com o tipo de substrato que a mesma irá atuar, entre elas: as fitases, carboidrases, proteases, xilanases, entre outras. Normalmente elas são obtidas por meio de cultura de microorganismos, derivados da fermentação fúngica, bacteriana e de leveduras em reatores especialmente desenvolvidos para este fim.

Porque as enzimas melhoram o aproveitamento dos ingredientes das rações?

Os ingredientes vegetais em sua maioria apresentam digestibilidade variada e podem não ser bem aproveitados pelos animais. Produtos fibrosos e proteicos mal digeridos podem tornar-se substratos para crescimento bacteriano intestinal indesejável. As enzimas fazem a quebra destes produtos indigestos, liberando os nutrientes presos nestes complexos, melhorando a digestibilidade dos ingredientes da dieta, tornando-os mais disponíveis ao animal. Elas maximizam o aproveitamento dos alimentos e reduzem o custo da transformação da ração em proteína animal, também conhecida como Conversão Alimentar (CA).

Como podemos aproveitar os benefícios do uso de enzimas?

Em um cenário de aumento de preços de ingredientes ou ausência de um insumo, muitos acreditam que a solução pode estar no uso de enzimas e, pelo contrário, na indisponibilidade de algum ingrediente, podemos limitar os ganhos que as enzimas podem proporcionar. “Quanto mais opções, mais flexibilidade elas podem proporcionar. O uso de enzima normalmente ‘abre espaço na formulação’ permitindo economias significativas.”

Como as enzimas são usadas na prática?

Temos várias maneiras de se trabalhar com enzimas, sendo:

  1. a) Por custo (Uso de Matriz Nutricional);
  2. b) Desempenho zootécnico (“on top)”; ou
  3. c) Iso-Custo (uma mescla das 2 opções acima).

Na maioria das formulações, se trabalham pelo custo mínimo (opção a:  Uso de Matriz Nutricional). Quando se opta pelo uso da Matriz, o ideal é que se tenha o maior número possível de ingredientes, para se aproveitar ao máximo o potencial das enzimas. Quando temos poucos ingredientes, muitas vezes não se explora o potencial máximo da Matriz.

Por outro lado, na falta de um ingrediente, as dietas podem ficar mais onerosas e, dependendo da situação do mercado, a decisão deve ser para maximizar o desempenho e a CA. Neste caso, as enzimas devem ser exploradas nas outras 2 modalidades (b e c), explorando todo o potencial de digestibilidade das enzimas, mitigando o incremento dos custos com aumento de desempenho.

Como o nutricionista pode decidir pela melhor enzima

Cada empresa tem a sua realidade de custos e de ingredientes, logo as demandas são diferentes. Por isso, o nutricionista tem um papel muito importante na tomada de decisão e adaptação da melhor solução. O bom senso e o uso de ferramentas matemáticas, proporcionadas pelas matrizes nutricionais, permitem que o nutricionista encontre a melhor solução entre substrato existente X enzima e custos X desempenho desejado. Para auxiliar os nutricionistas, há linha de enzimas disponível que compreendem: Fitases, Carboidrases e Proteases. Pode-se escolher entre um produto que contém apenas uma enzima isolada ou um blend de mais de uma enzima. São diferentes combinações que possibilitam versatilidade para o nutricionista. “É possível ainda customizarmos blends enzimáticos específicos, de acordo com as necessidades próprias de cada cliente”, cita o gerente da Safeeds Francisco Bertolini.

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Fonte: O Presente Rural
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