Suínos
Expectativa de produção x expectativa de resultado: a diferença que impacta o cálculo da rentabilidade de uma matriz
Ao escolher uma genética focada em resultados, o produtor investe em matrizes que combinam características produtivas e econômicas.


Foto: Divulgação/Topgen
Artigo escrito por João Cella, Zootecnista e Gestor Comercial da Topgen
A lucratividade na suinocultura é um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores, especialmente em um cenário onde os custos de insumos, como alimentação e medicamentos, permanecem elevados, enquanto os preços de venda dos suínos são frequentemente sujeitos a flutuações no mercado.
Além disso, a crescente demanda por eficiência produtiva e práticas sustentáveis aumenta a pressão sobre os sistemas de produção. Nesse contexto, alcançar a sustentabilidade econômica e operacional exige uma gestão estratégica, na qual cada medida é pautada não apenas em maximizar a produção, mas também em assegurar um retorno financeiro consistente e equilibrado.
Diferenciar claramente entre expectativa de produção e expectativa de resultado é fundamental para orientar decisões estratégicas que impactam diretamente a lucratividade e a eficiência da granja. Essa distinção é especialmente importante em momentos como a escolha de uma nova genética de matriz, onde o foco não deve ser apenas em índices produtivos, mas também em sua relação com os custos e os retornos financeiros associados.
Embora esses dois conceitos estejam interligados e frequentemente confundidos, eles abordam aspectos distintos da operação suinícola, refletindo impactos diferentes na gestão e no sucesso econômico do negócio.
O que é expectativa de produção?

A expectativa de produção refere-se aos índices diretamente ligados à produtividade das matrizes. Isso abrange aspectos como o número de leitões nascidos vivos por ciclo, a taxa de desmame e a eficiência reprodutiva, que considera as taxas de parição e o intervalo entre partos.
Esses indicadores são amplamente utilizados como metas em programas de melhoramento genético e na gestão da granja, pois oferecem uma visão direta da produtividade. No entanto, focar exclusivamente nesses números pode ser uma estratégia equivocada. Alta produtividade não garante a máxima rentabilidade, o que exige uma análise mais ampla, e é nesse ponto que a expectativa de resultado se torna indispensável.
Por que precisamos falar sobre expectativa de resultado?
A expectativa de resultado vai além dos números de produtividade, concentrando-se na eficiência econômica da produção. Esse conceito envolve a análise de indicadores como o total de quilos de leitões desmamados por leitegada, o ganho de peso diário, a uniformidade, o custo por quilo de leitão desmamado e os dias não produtivos da fêmea.
Discutir a expectativa de resultado é essencial porque ela define o impacto financeiro gerado por cada matriz na granja. Por exemplo, uma matriz pode desmamar mais leitões, mas se os custos para atingir essa produtividade forem altos (em nutrição, sanidade ou manejo), o ganho líquido pode ser comprometido. É o retorno sobre o investimento (ROI) que determina o verdadeiro sucesso econômico.
Para atender às expectativas de resultados, é preciso conhecer a eficiência reprodutiva e alimentar da matriz, sendo, dessa forma, possível avaliar a eficiência econômica dessa fêmea. Em outras palavras, pode-se determinar a viabilidade econômica dos leitões gerados por esses animais, bem como o ROI que eles proporcionam à granja.
A matriz precisa apresentar eficiência econômica
Nesse contexto, a pergunta mais relevante para o produtor é: “Quanto custa desmamar 1 kg de leitão?” Quanto maior for o peso total de leitões desmamados ao ano e menor o custo de manutenção da matriz ao longo de sua vida produtiva, mais os custos são diluídos, resultando em uma maior lucratividade.
Essa diluição de custos é alcançada por meio da combinação de diversos fatores, como:
- Boa conversão alimentar – garantindo que a matriz utilize os nutrientes de forma eficiente.
- Robustez imunológica – reduzindo gastos com medicamentos e mortalidade por doenças.
- Autonomia e docilidade – diminuindo a necessidade de intervenções e, consequentemente, os custos com mão de obra.
- Maior peso total de leitões desmamados por ano – otimizando o retorno produtivo de cada ciclo.
O impacto da mentalidade de resultados para seu negócio
Concentrar-se exclusivamente na expectativa de produção pode levar a decisões que priorizam o aumento de índices produtivos sem considerar os impactos financeiros associados. Esse foco isolado pode elevar os custos operacionais, como despesas com ração, mão de obra, medicamentos e manejo, sem necessariamente gerar um retorno proporcional. Como resultado, a margem de lucro é comprometida, tornando a operação menos sustentável e mais vulnerável às oscilações do mercado.

Fotos: Shutterstock
Por outro lado, adotar a expectativa de resultado permite integrar a produtividade com indicadores econômicos, transformando dados produtivos em ganhos financeiros reais. Essa visão estratégica promove o uso eficiente dos recursos, alinhando a produção à rentabilidade desejada.
Além disso, ao escolher uma genética focada em resultados, o produtor investe em matrizes que combinam características produtivas e econômicas. Genéticas que favorecem eficiência alimentar, robustez, adaptabilidade e menor necessidade de intervenções contribuem diretamente para a otimização da relação custo-benefício.
Com essa abordagem, é possível não apenas melhorar a competitividade no mercado, atendendo à demanda por leitões de qualidade, mas também assegurar a viabilidade financeira da granja a longo prazo, protegendo o negócio contra crises e mudanças nas condições do setor.
Em suma, o equilíbrio entre produção e rentabilidade não é apenas um diferencial, mas o alicerce para o sucesso sustentável na suinocultura moderna.
O acesso é gratuito e a edição Suínos pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui.

Suínos
Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo
Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.
No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.
Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.
No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.
Suínos
Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026
Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.
Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30 às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.
Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.
Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.
A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.
Suínos
Suinocultura enfrenta queda nas cotações em importantes estados produtores
Dados mostram retrações diárias e mensais, com exceção do Rio Grande do Sul, que apresenta leve avanço no acumulado do mês.

Os preços do suíno vivo registraram variações negativas na maioria dos estados acompanhados pelo indicador do CEPEA, ligado à Esalq, conforme dados divulgados em 13 de fevereiro.
Em Minas Gerais, o valor do animal posto foi cotado a R$ 6,76 por quilo, com recuo diário de 0,29% e queda acumulada de 4,52% no mês. No Paraná, o preço do suíno a retirar ficou em R$ 6,65/kg, com retração de 0,30% no dia e de 2,06% no comparativo mensal.
No Rio Grande do Sul, o indicador apresentou leve alta no acumulado do mês, com valorização de 0,59%, alcançando R$ 6,80/kg, apesar da pequena queda diária de 0,15%. Já em Santa Catarina, o valor registrado foi de R$ 6,59/kg, com baixa de 0,60% no dia e retração de 1,79% no mês.
Em São Paulo, o suíno posto foi negociado a R$ 6,92/kg, apresentando redução diária de 0,57% e queda mensal de 2,40%.



