Colunistas
Exigências de mercado ampliam importância do bem-estar animal na pecuária
Sustentabilidade, rastreabilidade e certificações passam a influenciar decisões de compra e acesso a mercados internacionais.

A competitividade da pecuária moderna está cada vez mais associada à adoção de práticas mais eficientes no campo. Sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental passaram a ter maior peso nas exigências de mercados internacionais, nas regras regulatórias e nas decisões de compra da cadeia da carne bovina.
Nesse contexto, o bem-estar animal deixou de ser tratado apenas como uma questão ética e passou a integrar estratégias de produtividade, eficiência operacional e acesso a mercados.

Artigo escrito por Tâmara Borges, Gerente Global de Bem-Estar Animal da Minerva Foods.
Há consenso técnico de que animais submetidos a manejo adequado apresentam menor nível de estresse, melhores índices sanitários, menor perda operacional e maior desempenho produtivo. O chamado manejo racional envolve técnicas que reduzem o estresse dos bovinos, utilizam o comportamento natural dos animais e buscam facilitar sua movimentação, ao mesmo tempo em que aumentam a segurança dos trabalhadores.
Grande parte desses resultados depende diretamente da capacitação das equipes envolvidas nas propriedades rurais e nas unidades industriais. Rotinas organizadas, com menor nível de estresse e maior controle operacional, tendem a melhorar o fluxo de manejo e a produtividade.
Por outro lado, práticas inadequadas ainda impactam o desempenho da atividade. Situações como gritos, sons intensos, agressividade no manejo, movimentações bruscas e superlotação de currais aumentam a reatividade dos animais e dificultam as operações. Estruturas inadequadas, excesso de estímulos externos e falhas no acesso à água e alimentação também afetam o bem-estar e a eficiência produtiva.
O avanço das boas práticas depende de uma integração entre ambiente, manejo e capacitação de pessoas, além da adoção contínua de melhorias ao longo da cadeia produtiva.
No mercado internacional, compradores e grandes redes varejistas vêm ampliando exigências relacionadas à rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal. Para países exportadores como o Brasil, essas demandas são consideradas um fator relevante para manutenção de competitividade e acesso a mercados mais exigentes.
Nos últimos anos, empresas do setor passaram a ampliar programas de treinamento, auditoria e monitoramento de fornecedores. Em 2024, mais de 7,8 mil pessoas, entre colaboradores, pecuaristas e motoristas, participaram de capacitações voltadas a boas práticas de manejo. Em 2025, esses treinamentos foram ampliados para outras cadeias de proteína animal, incluindo ovinos, suínos, frangos, pescado e leite como ingrediente.
Atualmente, cerca de 66,5% da cadeia global de fornecedores está mapeada, o que amplia o nível de rastreabilidade e permite maior controle e acompanhamento das práticas adotadas na produção.
Entre as iniciativas adotadas, estão programas de acompanhamento técnico e troca de informações com fornecedores, com foco em boas práticas de manejo e melhoria contínua de processos. Essas ações incluem monitoramento de indicadores, visitas técnicas e atividades de capacitação.
Também vêm sendo adotados protocolos e certificações internacionais voltados ao bem-estar animal e à conformidade das operações. Entre as ferramentas utilizadas estão auditorias técnicas, monitoramento operacional e certificações alinhadas a padrões globais.
Na indústria, unidades de processamento de bovinos possuem certificações específicas em bem-estar animal e passam por auditorias periódicas de conformidade com protocolos internacionais. Na etapa de produção primária, certificações como Global Animal Partnership (GAP) e Welfair são aplicadas em algumas operações, com base em critérios que envolvem alimentação, alojamento, saúde e comportamento dos animais.
Na produção orgânica, critérios adicionais incluem rastreabilidade, restrição ao uso de antibióticos e hormônios e atendimento a indicadores específicos de bem-estar animal. Esse tipo de produção representa parte da cadeia produtiva certificada.
Em termos gerais, o avanço do bem-estar animal está ligado às exigências de sustentabilidade e competitividade da pecuária brasileira. O setor tem direcionado esforços para qualificação de mão de obra, melhoria de processos produtivos e adoção de certificações, com o objetivo de atender às demandas de mercado e fortalecer a cadeia de produção de carne bovina.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Rentabilidade desafia pecuária leiteira em cenário de custos elevados e clima instável
Com produção acima de 38 bilhões de litros e preços ainda pressionados, pecuária leiteira brasileira enfrenta desafio de transformar volume em margem, em cenário de custos elevados, clima instável e necessidade crescente de gestão produtiva.

A pecuária leiteira superou 38 bilhões de litros em 2025, posicionando o Brasil entre os maiores produtores mundiais, mas é cada vez mais desafiador transformar volume em rentabilidade. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o indicador de preço do leite cru pago ao produtor atingiu a média nacional de R$ 2,66 por litro em abril deste ano (último dado disponível).

Foto: Shutterstock
Embora o resultado represente melhora em relação aos meses anteriores, o valor ainda está abaixo dos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro alcançado em julho de 2022, o maior patamar da série iniciada em 2004 e divulgada pelo órgão. Apesar da recuperação observada desde dezembro passado, as margens continuam pressionadas por custos operacionais elevados, desafios climáticos e necessidade constante de ganhos de eficiência dentro da porteira.
Isso significa que o desafio do produtor não é apenas produzir mais. Ele tem de produzir de forma (ainda) mais eficiente. Mesmo com o alívio recente nos custos de alguns insumos, como milho e soja, despesas com energia elétrica, mão de obra e suplementação alimentar continuam impactando as despesas e limitando a rentabilidade da atividade. Da mesma forma, as condições climáticas exigem atenção: a formação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento acima da média da superfície do mar por um longo período, pode aumentar a temperatura e a irregularidade das chuvas em algumas regiões do Brasil, afetando a formação das pastagens e elevando os custos com alimentação do rebanho.
Com a baixa disponibilidade e a menor qualidade das citadas pastagens, principal fonte de alimentação em muitos sistemas leiteiros, as vacas tendem a reduzir o consumo de nutrientes,

Foto: Carolina Jardine
impactando a produção de leite. Além disso, a escassez de alimentos e água pode elevar os níveis de estresse, comprometendo o bem-estar e, por consequência, a saúde geral dos animais.
Como a rentabilidade da atividade leiteira depende cada vez mais da eficiência produtiva, o planejamento da propriedade e o uso eficiente dos recursos disponíveis se tornam cada vez mais importantes. Nesse sentido, o primeiro passo é investir no planejamento. Isso inclui elaborar estratégias para períodos de seca, garantir reservas alimentares, monitorar indicadores produtivos e econômicos e buscar maior eficiência no uso da terra, por meio do manejo adequado das pastagens, adoção do pastejo rotacionado, produção de forragem, controle rigoroso das despesas e foco em infraestrutura que aumente a produtividade por área.
Tecnologias voltadas para a gestão das pastagens e do rebanho podem gerar ganhos expressivos de produtividade e competitividade. O investimento em infraestrutura durável e de qualidade, como um cercamento estratégico, permite ampliar a eficiência do uso das pastagens e otimizar o manejo dos animais. Essa estrutura possibilita a divisão das áreas em piquetes, o que favorece o controle do tempo de ocupação e descanso do pasto, contribui para a recuperação das forrageiras, amplia a capacidade de suporte da propriedade e reduz a dependência de suplementação alimentar externa, um dos principais custos da atividade. Com isso, a propriedade ganha maior estabilidade econômica, mesmo em cenários de preços desfavoráveis.

Foto: Fredox Carvalho
Com as cercas bem posicionadas, os resultados podem ser observados em diversos indicadores, como aumento da produção de leite por hectare, redução dos custos com alimentação suplementar, melhoria da eficiência de utilização das pastagens e aumento da produtividade por animal. Em muitos casos, também há redução de gastos com manutenção de cercas e manejo, bem como melhor retorno sobre os investimentos realizados na propriedade. Essa exigência contribuiu para o desenvolvimento de soluções específicas para a pecuária leiteira moderna, como os arames Belgo Eletrix e Belgo Eletrix Light. Desenvolvidos para cercas elétricas e com alta resistência, eles viabilizam a implantação de piquetes e o manejo racional de forma eficiente, durável e econômica, além de exigirem menos manutenção.
Em um mercado que exige cada vez mais eficiência, o cercamento da propriedade rural deve ser visto não apenas como uma estrutura física, mas como uma ferramenta de gestão que gera ganhos produtivos, econômicos e de bem-estar animal. Investimentos em infraestrutura de qualidade ajudam a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e preparados para os desafios do futuro.
Colunistas Do ESG à geopolítica
Por que o agro brasileiro se tornou estratégico para o mundo
Em um cenário marcado por disputas comerciais, segurança alimentar e transição energética, o Brasil reúne ativos que poucos países possuem e pode assumir um novo protagonismo global.

O mundo mudou. E talvez a maior evidência disso seja o fato de que a sustentabilidade, como conhecíamos, já não explica mais sozinha as prioridades globais.
Durante décadas, o debate esteve sustentado no famoso “tripé”, focado no equilíbrio entre economia, meio ambiente e responsabilidade social. Depois, esse conceito evoluiu (na visão de alguns) ou regrediu (na visão de outros) para o ESG, que passou a dominar o discurso corporativo e político internacional. Mas acontecimentos recentes parecem ter inaugurado uma nova etapa.

Foto: Shutterstock
O economista Marcos Troyjo chamou esse novo momento de “ESG 2.0”. E a definição faz sentido quando observamos o mundo atual: guerras, disputas comerciais, fragmentação das cadeias produtivas, inflação global, insegurança energética e uma crescente reorganização geopolítica.
O “E”, que antes simbolizava principalmente o ambiental, agora incorpora fortemente Economia e Energia. O meio ambiente continua relevante, mas divide espaço com outra preocupação imediata: garantir energia barata, estável e suficiente para sustentar crescimento econômico e competitividade industrial. Não por acaso, muitos países desenvolvidos voltaram a ampliar o uso de combustíveis fósseis para proteger suas economias. Não é o caso do Brasil, que segue produzindo etanol, biodiesel, biometano e apostando no SAF (Combustível Sustentável de Aviação).
O “S” passa a significar Segurança, seja alimentar, energética, física e estratégica. No agro, o mundo percebeu que não existe estabilidade social sem produção de alimentos, sem cadeias produtivas resilientes e sem capacidade de defesa fitossanitária e abastecimento em momentos de crise.
Já o “G” deixa de ser apenas governança corporativa tradicional para se tornar Geopolítica. Empresas e países agora precisam operar em um ambiente marcado por

Foto: Rodrigo Alva
tensões comerciais, disputas tecnológicas, regionalização industrial, fim do multilateralismo comercial e rearranjos globais de poder.
E é justamente nesse novo cenário que o Brasil emerge como uma das nações mais estratégicas do século XXI. Poucos países possuem, ao mesmo tempo, capacidade de produção de alimentos, disponibilidade hídrica, matriz energética renovável, biodiversidade, terras competitivas, mão de obra e ciência tropical avançada. Menos ainda conseguem reunir tudo isso com possibilidade real de expansão sustentável da produção.
Novas lentes sobre o agro
Talvez o maior erro cometido por muitos analistas internacionais seja olhar para o agro brasileiro com lentes antigas.
O Brasil construiu, nas últimas décadas, uma das agriculturas tropicais mais sofisticadas do planeta. E isso não aconteceu por acaso. Foi resultado direto de ciência, tecnologia, empreendedorismo rural e investimento contínuo em inovação tropical.

Foto: Divulgação
Quando observamos algumas das principais tecnologias agropecuárias sustentáveis do mundo, muitas delas nasceram ou ganharam escala aqui. O Sistema Plantio Direto revolucionou a conservação do solo e da água, permitindo maior estabilidade produtiva e redução de erosão em larga escala. A Fixação Biológica de Nitrogênio transformou o Brasil em referência mundial ao reduzir fortemente a dependência de fertilizantes nitrogenados importados.
A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta mostrou que é possível recuperar áreas degradadas, aumentar produtividade e capturar carbono combinando diferentes sistemas produtivos na mesma área. Os bioinsumos abriram uma nova fronteira tecnológica, aproximando produtividade e sustentabilidade por meio de soluções biológicas adaptadas às condições tropicais, seja no combate a pragas, seja no fornecimento de nutrientes.
Espaço para crescer
Enquanto muitos países praticamente esgotaram suas possibilidades de expansão produtiva, o Brasil ainda possui enorme potencial de crescimento apoiado em ciência e planejamento territorial.
E talvez aí esteja um dos pontos centrais do futuro da agricultura: inteligência territorial estratégica, conceito consolidado ao longo dos 37 anos de existência da Embrapa Territorial, celebrados neste mês de maio. A agricultura moderna deixou de ser apenas operacional. Ela passou a ser orientada por dados, conectividade e análise espacial. Satélites, sensoriamento remoto, inteligência artificial, geoprocessamento e modelagem territorial passaram a integrar o cotidiano da tomada de decisão no campo.
Na Embrapa Territorial, trabalhamos exatamente nessa fronteira entre território, ciência e estratégia. O objetivo é reduzir subjetividades e aumentar a assertividade.

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Em outras palavras, gerar informações capazes de apoiar decisões mais inteligentes, seguras e sustentáveis.
O Brasil pode ampliar sua produção basicamente por três caminhos. O primeiro é a expansão sustentável de áreas aptas, sempre baseada em zoneamento, aptidão agrícola e inteligência territorial. Ferramentas como ZARC e ZEE ajudam a orientar esse crescimento de forma técnica e racional. Mas a plena sustentabilidade exige esforços nos dois caminhos subsequentes.
O segundo é aumentar produtividade reduzindo os chamados “yield gaps” ou folgas de produtividade. Em muitas regiões do país ainda existe enorme espaço para produzir mais na mesma área, utilizando melhor manejo, genética, tecnologia e eficiência operacional, reduzindo a diferença de produtividade entre os mais produtivos e a média local.
O terceiro é a intensificação sustentável, especialmente por meio da recuperação de pastagens degradadas, integração de sistemas produtivos (com safrinha, adubo verde e ILPF), irrigação e novas estratégias agronômicas que aumentem eficiência sem necessidade de abertura de novas áreas.

Foto: Divulgação
Mais do que simplesmente produzir mais, o desafio agora é produzir melhor. Não é quantidade, mas competividade. E isso significa rastreabilidade, previsibilidade, eficiência, transparência e viabilidade econômica.
Reconhecimento necessário
Sustentabilidade deixou de ser diferencial. Em muitos mercados, passou a ser obrigação mínima de acesso.
Ao mesmo tempo, tudo aquilo que vai além da legislação precisa ser reconhecido e remunerado. O produtor rural brasileiro não pode ser tratado apenas como fornecedor de commodities. Ele também presta serviços ambientais relevantes para o planeta. Sustentabilidade que não gera renda, competitividade e segurança econômica dificilmente se sustenta no longo prazo.
Claro que ainda temos desafios importantes. Infraestrutura e logística continuam reduzindo a competitividade em várias regiões do País. Segurança jurídica e regularização fundiária seguem fundamentais para ampliar investimentos e previsibilidade. A conectividade no campo ainda precisa avançar muito para que a agricultura digital alcance todo seu potencial.
Mas talvez exista um desafio ainda mais estratégico na comunicação. O Brasil comunica mal suas virtudes. Somos alvos de ataques, muitas vezes sem motivos, de

Foto: Matheus Flalanga
ONGs e entes altamente financiados que usam seu bom-mocismo ambiental como barreiras comerciais. Muitas vezes permitimos que narrativas simplificadas ocupem o espaço dos dados científicos. E talvez uma das grandes missões da ciência brasileira seja justamente transformar informação técnica em confiança global.
Poucas nações conseguiram transformar uma agricultura tropical de baixa produtividade em uma potência agroambiental altamente tecnológica e em larga escala em tão pouco tempo. Isso revela algo fantástico sobre os produtores rurais, e porque não a população geral do Brasil. Nossa capacidade de adaptação, inovação e resiliência.
Se conseguirmos remover gargalos históricos e avançar em infraestrutura, logística, conectividade e segurança jurídica, o agro brasileiro poderá atingir um novo patamar de competitividade global. O futuro da agricultura será digital, automatizado, rastreável, conectado, descarbonizado e baseado em bioeconomia.
Apesar disso, eu sou profundamente otimista. O Brasil é o único país do mundo que saiu da enxada para o drone em apenas uma geração e liderou essa transformação. Não apenas como potência agrícola. Mas como potência ambiental, alimentar, energética, tecnológica e estratégica do século XXI.
Colunistas
Consumo de tilápia quase dobra em dez anos e muda hábitos à mesa dos brasileiros
Proteína de baixo teor de gordura, preparo rápido e maior oferta de produtos impulsionam a espécie, que já representa 68,3% dos peixes de cultivo consumidos no Brasil.

O brasileiro está se rendendo à tilápia. O consumo praticamente dobrou nos últimos dez anos, atingindo cerca de 2,5 quilos per capita. Esse avanço acompanha a mudança nos hábitos alimentares, com a preferência por alimentos saudáveis. A tilápia ajusta-se perfeitamente a essa tendência e o resultado é que a espécie já responde por 68,3% da demanda dos chamados peixes de cultivo, aqueles criados de acordo com boas práticas de segurança.
Esse avanço pode ser explicado pelos benefícios nutricionais da tilápia. Trata-se de uma carne com

Foto: Divulgação/OP Rural
baixo teor de gordura, índices elevados de proteína e alta digestibilidade, características que favorecem a absorção dos nutrientes pelo organismo.
Um filé de 120 gramas fornece cerca de 30 gramas de proteína e apenas 2 gramas de gordura, combinação que atende tanto pessoas que buscam alimentação equilibrada quanto quem pratica atividades físicas ou está em processos de controle de peso.
Em muitos casos, uma refeição com tilápia oferece mais proteína do que produtos industrializados voltados para esse objetivo, como as famosas barrinhas.

Foto: Divulgação/OP Rural
Outro diferencial importante está na praticidade. O preparo de tilápia é rápido. Ela combina com diferentes receitas e não exige grande experiência na cozinha. Além disso, tem sabor suave e não deixa o cheiro forte que alguns associam ao preparo de peixes.
Em um contexto em que cada vez mais brasileiros vivem em apartamentos e têm pouco tempo para cozinhar, essas características ajudam a explicar a popularidade crescente.
Esse momento também é acompanhado por maior variedade de cortes e apresentações disponíveis no mercado. O filé de 400 gramas é uma solução prática para refeições de uma ou duas pessoas e pode ser preparado em poucos minutos. Já postas atendem consumidores que buscam pratos mais elaborados, enquanto a carne moída de tilápia amplia as possibilidades de preparo em receitas como hambúrgueres e molhos.

Artigo escrito por Juliano Kubitza, especialista em Aquicultura e diretor da Fider Pescados – Foto: Divulgação
O consumo de tilápia aumenta, mas ainda há espaço para crescer. Estudo da Universidade de São Paulo (USP) aponta que os habitantes do Estado de São Paulo consomem peixes, em média, de uma a três vezes por mês. O levantamento identificou a tilápia como a espécie mais consumida entre os participantes da pesquisa.
Ainda assim, o consumo per capita permanece abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere a ingestão de cerca de 250 gramas de peixes por semana, o equivalente a duas refeições.
O fato é que combinando valor nutricional, praticidade e versatilidade, a tilápia reúne características que caem no gosto do consumidor moderno e deve continuar ampliando sua presença na mesa das famílias nos próximos anos. Até porque a oferta está crescendo e o Brasil já é o quarto maior produtor mundial da espécie.



