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Evolução dos genótipos de PCV2 no Brasil: um desafio para a sanidade suína

Predomínio do PCV2d e emergência do PCV3 reforçam a necessidade de vacinas atualizadas, vigilância genômica e reforço nas práticas de biosseguridade nas granjas.

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Artigo escrito por Equipe técnica da Unidade de Suínos da Ceva Saúde Animal

O Circovírus Suíno tipo 2 (PCV2) é amplamente reconhecido como um dos principais agentes virais responsáveis por perdas sanitárias e econômicas na suinocultura global. Desde sua identificação na década de 1990, o vírus tem afetado suínos em diversas fases produtivas.

O PCV2 pertence à família Circoviridae e é caracterizado por um genoma de DNA de fita simples e circular, envolto em um capsídeo proteico. Apesar de sua simplicidade estrutural, o vírus apresenta elevada resistência ambiental e capacidade notável de resistência nos plantéis. As manifestações clínicas da infecção são variadas, incluindo síndromes sistêmicas, enterites, distúrbios respiratórios, falhas reprodutivas e síndrome de dermatite e nefropatia por circovírus. Deve-se salientar que, em muitos casos, o PCV2 atua como agente oportunista, agravando quadros clínicos já existentes. Além disso, infecções subclínicas, ainda que silenciosas, podem comprometer significativamente o desempenho zootécnico, elevando os custos de produção e o tempo de abate dos animais.

No tocante à evolução genética, destaca-se a alta variabilidade do PCV2, o que favorece o surgimento de múltiplos genótipos. De acordo com pesquisas, nove genótipos distintos foram identificados, denominados de PCV2a a PCV2i, com base nas diferenças na região codificadora da proteína do capsídeo (ORF2). Historicamente, o PCV2a predominou no campo, sendo a cepa utilizada nas primeiras vacinas comerciais. Contudo, a partir dos anos 2000, o PCV2b emergiu e tornou-se o genótipo dominante, associado a surtos clínicos mais severos e maiores cargas virais. Mais recentemente, o genótipo PCV2d tem se expandido globalmente, inclusive em planteis vacinados.

Brasil

No Brasil, a situação não é diferente. Das amostras analisadas, 106 (43,09% – 106/246) foram genotipadas, sendo 75,47% (80/106) identificadas como PCV2d e 22,64% (24/106) como PCV2b, conforme observado em 2021.

Observa-se que o PCV2a, embora tenha sido o genótipo original, não tem sido detectado nas amostras clínicas recentes, o que configura um desafio relevante para a imunização efetiva dos animais. Ademais, a ocorrência de coinfecções entre diferentes genótipos de PCV2, bem como entre PCV2 e o Porcine Circovirus type 3 (PCV3), agrava o cenário clínico e sanitário nas granjas.

Neste contexto, cabe ressaltar que o PCV3, embora seja um vírus geneticamente distinto do PCV2, vem sendo cada vez mais detectado em rebanhos suínos. Identificado pela primeira vez em 2016, o PCV3 tem sido associado a manifestações clínicas diversas, incluindo falhas reprodutivas e miocardite. No entanto, muitos aspectos da sua biologia, epidemiologia e impacto clínico ainda permanecem pouco compreendidos. Embora coinfecções de PCV2 com PCV3 sejam relatadas e possam agravar os quadros clínicos, o real significado da infecção isolada por PCV3 na produção suína continua a ser tema de investigação. A expansão dos estudos sobre o PCV3 será essencial para esclarecer seu papel e para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle mais eficazes.

A vacinação foi um divisor de águas no combate à circovirose suína. Com a introdução das vacinas baseadas no PCV2a, as perdas causadas pela doença despencaram. Conforme evidenciado por estudiosos, a vacinação reduziu significativamente a incidência da patologia e melhorou os índices produtivos. Todavia, a evolução dos genótipos circulantes impõe novos desafios. Torna-se, portanto, necessário atualizar as formulações vacinais, incorporando antígenos representativos dos genótipos emergentes, para garantir uma proteção abrangente e efetiva.

Adicionalmente ao programa vacinal efetivo, é fundamental fortalecer os programas de biossegurança e manejo sanitário, práticas essenciais para minimizar a circulação viral. O monitoramento genético dos vírus em circulação, através da genotipagem de rotina, é igualmente essencial para identificar precocemente alterações na dinâmica viral e orientar estratégias de controle mais eficazes.

Vacinas multivalentes e biosseguridade

Diante desse cenário, a suinocultura brasileira deve investir na inovação e na vigilância contínua. A adoção de vacinas multivalentes, capazes de oferecer proteção contra múltiplos genótipos, representa uma tendência inevitável para o futuro. Combinadas a práticas sanitárias rigorosas e programas de monitoramento eficientes, essas medidas permitirão preservar a competitividade da produção suína nacional frente aos desafios sanitários emergentes.

As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: gisele@assiscomunicacoes.com.br.

O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuita. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

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O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
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Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

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Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026

Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

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Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.

Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30  às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.

Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.

Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.

A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABCS
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