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Suínos / Peixes Saúde Animal

Evolução do rotavírus é problema sério na suinocultura

Professor doutor Amauri Alfieri comenta que doença não pode ser esquecida e que merece total atenção, especialmente devido a sua variabilidade

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Arquivo/OP Rural

Mesmo sendo bastante conhecido de produtores e médicos veterinários, o rotavírus é ainda algo que causa bastante dor de cabeça nas propriedades. Devido a diversos motivos, este é um vírus de difícil combate e que merece total atenção da cadeia produtiva. O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, doutor Amauri Alfieri, fez uma breve explicação e atualização sobre o vírus e seus impactos na suinocultura.

“Eu sinceramente posso falar que não estou atualizado sobre o rotavírus, porque a evolução dele é tão grande que teríamos que trabalhar somente com ele e não fazer mais nada para que pudéssemos acompanhar as novas informações que são geradas no dia a dia”, inicia. Ele afirma que é sempre importante dar uma relembrada neste vírus, isso porque, muitas vezes, no campo os profissionais estão tão preocupados com outras enfermidades que “estão mais na moda” que esquece dos outros que são mais tradicionais. “A gente esquece, mas eles não nos esquecem. Eles evoluem”, diz.

Este vírus, segundo o professor, é extremamente complexo. “E isso é um problema grave, porque ele consegue fazer muitas recombinações”, explica. De acordo com ele, outro fator que torna o combate a este vírus mais difícil é ainda o fato de ele contar com três camadas concêntricas de proteínas que envolvem o genoma viral. “Isso faz com que ele se torne um vírus extremamente difícil de eliminar, especialmente com medidas de limpeza comuns. Ele é muito mais complicado do que outros vírus convencionais, que contam com somente uma camada concêntrica de proteína”, conta.

Outro fator que torna o rotavírus difícil de trabalhar é o fato dele ser classificado em diferentes grupos de espécies, indo do A até o J. “Ou seja, temos uma diversidade enorme, porque estes rotavírus não são todos iguais”, esclarece. Alfieri explica que isto faz com que a vacina não seja eficiente em determinados casos. “Porque a vacina que temos no mercado é somente para o rotavírus do grupo A, não é do B, nem do C ou ainda para o grupo H, que são outros três grupos mais frequentes nos rebanhos suínos”, afirma.

Rotavírus A

Para esclarecer um pouco sobre cada um dos quatro principais rotavírus encontrados na suinocultura, Alfieri explicou separadamente cada um deles. No primeiro, o rotavírus A, o professor mostrou que são 36 VP7 diferentes. “Ou seja, são 36 genótipos G e 51 genótipos P distintos”, conta. Ele ainda comenta que devido a esta variedade, muitas vezes pode acontecer diferentes combinações no vírus, e com isso pode acontecer a falha vacinal no campo. “Porque a vacina não tem a menor condição de conter tudo isso. O que quero dizer é que se achamos a influenza complexa, o rotavírus é, com certeza, muito mais”, comenta.

O professor conta que ele, junto com um grupo de alunos, realizou um trabalho em um período de 10 anos (de 2003 a 2014), onde eles pegaram de um banco de 11 amostras provenientes de três regiões demográficas: sul, sudeste e centro oeste. “Para bovinos, neste período, tivemos 85 cepas P5 e P11 foram 34 cepas. Se você se perguntar sobre rotavirose bovina em relação a suína, ele é muito mais simples de ser trabalhada no dia a dia no campo, porque foram 10 anos de estudo e a diversidade de cepas foi pequena”, informa.

Neste mesmo período, Alfeiri conta que foi feito um mesmo trabalho, mas desta vez com amostras suínas. Foram pegas 204 cepas de um banco de amostras de três regiões e feitas comparações ao longo dos mesmos 10 anos. “Aqui pudemos ver que a complexidade na suinocultura é maior, porque do P tivemos P3, P7, P23 e um P que não conseguimos identificar. E a quantidade de G nos suínos também foi alta, tivemos G1, G3, G4, G5 e G11. Ou seja, a variabilidade de cepas nos suínos é muito maior que em bovinos”, afirma. O grande problema disso, para o professor, é que não é possível colocar todas estas cepas em uma única vacina. “Resumos: a classificação de risco é extremamente complicada. Por isso temos que nos atualizar sobre rotavirose sempre, porque ela não é fácil”, diz.

Rotavírus B

Segundo Alfieri, infelizmente a espécie animal que mais possui variabilidade de rotavirus é o suíno. “O rotavirus B e C eu nunca vi em bovinos. Agora, em suínos, está aumentando cada vez mais, principalmente o B”, conta. “E isso é complicado porque conforme você controla uma coisa, acaba descontrolando outra”, afirma. Um problema como este foi visto em rebanhos de Goiás, de acordo com o professor. “No final de 2018 e início de 2019 tivemos cinco surtos de rotavirus B em animais regularmente vacinados para rotavirus tipo A. O que está acontecendo? É que temos uma boa imunidade para o tipo A, e por isso começa a aparecer os tipos B e C. Damos a oportunidade para o surgimento desses outros vírus”, conta.

Rotavírus C

O professor comenta que o rotavirus tipo C ele acreditava que fosse algo mais estável. “Pegamos 11 cepas de rotavirus C em diferentes pontos do país e fizemos a amplificação do gene e depois o sequenciamento. Vimos que as cepas estão distribuídas em ramos completamente distintos. O que vimos é que temos cepas brasileiras de rotavirus C são I6, I5 e I1, ou seja, completamente distinto”, informa.

Rotavírus H

De acordo com Alfieri, o rotavírus H está surgindo agora. “Houve um caso no Mato Grosso do Sul que recebemos. Até então, eu nunca tinha ouvido falar desse vírus”, comenta. Uma curiosidade que o professor contou é que este tipo de vírus só havia sido descrito no mundo que havia acometido humanos e suínos no Japão. “Quando detectamos aqui foi a primeira vez que o vírus foi visto fora da Ásia”, diz.

Porém, segundo o professor, quem procura, acha. “Depois que publicamos que foi encontrado aqui, ele também foi identificado na África do Sul e Vietnã. Além disso, um trabalho, com banco de amostras feito nos EUA identificou o rotavírus H em diversos Estados”, conta.

Mix de vírus

Um fato curioso, segundo Alfieri, é que o que profissionais têm visto hoje no campo é um “mix” de todos os vírus. “O que temos achado mais hoje no campo são alguns surtos de diarreia em leitões lactentes devido ao rotavírus C, mas que também havia A e B. Então, algumas amostras nós identificamos com os três vírus. Ou seja, infecções mistas têm prevalecido com bastante frequência”, informa.

Rotavirose suína

O professor explica que a taxa de evolução do rotavírus é alta, além do vírus ter mutações e fazer recombinações. “Além disso, ainda temos adultos que são portadores. Muitas vezes, as fezes de matrizes em momento de parto têm rotavírus. Então, a primeira porta de contaminação dos leitões, muitas vezes, é a própria mãe”, conta.

Algumas medidas de controle do vírus sugeridas por Alfieri são a limpeza e desinfecção rigorosas, vazio sanitário da maternidade, manejo de colostro, ordem de manejo na maternidade e vacinação de matrizes. Ele ainda destaca a necessidade de atenção na qualidade da água ofertada nas granjas. “É algo que temos que trabalhar rotineiramente”, afirma. O professor ainda reitera a necessidade e importância da vacinação contra o vírus. “A vacina elimina? Com certeza não. Mas ela controla a rotavírose e reduz a frequência e intensidade das diarreias, além de diminuir as taxas de morbidade e mortalidade na granja”, explica.

O professor ainda alerta aos médicos veterinários sobre a importância das amostragens que são enviadas para laboratórios para análise. “O mínimo que precisamos é de 5 a 7 amostras para ver o que está circulando no rebanho”, diz. Outra atitude fundamental, de acordo com ele, é o período de colheita das amostras. “Isso deve ser feito no início do sinal clínico. O pico do vírus é nas primeiras quatro horas. Se colher depois disso, pode acontecer até de dar um falso negativo no laboratório”, informa.

Para Alfieri, a perspectiva para o futuro de combate ao vírus é o desenvolvimento de vacinas com múltiplos genótipos ou que permitam explorar a imunidade cruzada com mais eficiência. Além, é claro, de desenvolver vacinas que combatam os rotavírus B e C.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

ABCS apresenta mudanças no setor suinícola na Espanha e Estados Unidos frente à COVID-19

Médicos veterinários conversaram com a ABCS e trouxeram um panorama do novo Coronavírus (COVID-19) com as principais medidas de prevenção tomadas pelos países para enfrentar a doença

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Arquivo/OP Rural

A fim de unir esforços entre todos os elos da cadeia da suinocultura tem se organizado para que, mesmo diante da pandemia do novo Coronavirus (Covid-19), possa ser garantido o funcionamento das granjas e agroindústrias e o abastecimento de carnes no varejo, levando o alimento até a mesa dos brasileiros. E observando o amplo alcance da doença no mundo, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) entrou em contato com líderes do setor na Espanha e nos Estados Unidos, alguns dos países com maior número de pessoas infectadas, para entender se está havendo impacto na atividade suinícola, e buscar orientações sobre as melhores ações de prevenção e que possam ser adotadas para o Brasil.

Em entrevista, o médico veterinário Carlos Martínez, responsável pela área de bem-estar animal do Grupo Optimical Pork Production (OPP), atuando na Espanha, Itália e Polônia, e o Médico Veterinário, gerente de serviços técnicos para as Américas da Pig Improvement Company (PIC), localizada nos Estados Unidos, José Henrique Piva, compartilharam informações sobre o panorama da suinocultura de cada pais frente à pandemia, no sentido de manter a produção das granjas e mitigar os riscos para o setor.

Segundo Carlos Martinez, até o momento não há registro de espanhóis trabalhadores de granjas que estejam infectados, mas isso ocorre devido às medidas rigorosas. José Piva afirma que nos Estados Unidos o vírus está mais presente em regiões mais populosas e com menor produção de suínos, como em Nova Iorque, Nova Jersey e California. A Covid-19 está concentrada no leste e oeste do país e a produção de suínos é maior no centro e no norte dos EUA – os dois estados com maior número de casos na região produtora são Illinois e Michigan. Ele diz ainda que as empresas tem mantido o funcionamento com uma comunicação constante, tentando minimizar os riscos de as granjas e os frigoríficos ficarem limitados em números de funcionários  para trabalhar. Em toda a cadeia, tanto em nível de granja, quanto para a indústria, o que tem sido feito é principalmente proteger as pessoas e com isso assegurar a operação e a logística.

Mudanças nas granjas e medidas de prevenção

De acordo com os especialistas, as granjas tiveram de se adaptar às novas formas de trabalho e adotar medidas cautelosas, além de comunicar de forma aberta a todos os funcionários a nova realidade. Em ambos os países, não são permitidas visitas externas nesses ambientes, exceto de trabalhadores. Uma forma de reduzir o risco de exposição dos funcionários e evitar a paralisação total da atividade na granja e na indústria tem sido trabalhar com um quadro menor de funcionários, maior número de turnos, separação de equipes por turnos menores e sem intervalos e revezamento das equipes.

Em relação ao deslocamento, as pessoas em geral, e principalmente os trabalhadores de granjas, não podem utilizar veículos coletivos e devem transitar apenas individualmente, principalmente em carros. Ao chegar na granja, é obrigatória a troca de roupa, banho (limpeza e desinfeção) entre cada turno e também das instalações. Além disso, se faz o monitoramento diário dos sinais clínicos e da temperatura corporal e pessoas com temperatura acima de 37.5  graus, ou qualquer sinal clínico suspeito são afastadas, sendo proibidas de trabalhar. Durante o desempenho de suas funções, se recomenda aos colaboradores o uso de máscaras e luvas, não compartilhar materiais, manter uma distância de 2 metros e evitar o convívio social e o contato entre um setor e outro.

O volume de produção tem sido mantido. Segundo Carlos, na Espanha, se tratando de frigoríficos, a adoção do espaçamento entre as pessoas diminuiu a velocidade de abate (suínos/ hora), porém foi ampliado o tempo de funcionamento da indústria e número de dias com abate, funcionando muitas vezes aos finais de semana. A medida também tem sido tomada nos Estados Unidos.

A preocupação maior é evitar a contaminação das pessoas e consequentemente o fechamento de granjas e frigoríficos, e o desafio é manter a equipe de funcionários bem e saudável. Por isso, cada granja e empresas tem adotado suas estratégias. O plano de trabalho tem sido diferente. Entre as granjas e empresas a prioridade é manter os manejos essenciais, atividade mínimas na rotina para o funcionamento da granja, assim como a alimentação dos animais, acesso à água, assegurar que os animais estejam dentro das condições de bem estar animal, ventilação e temperatura adequada e cada granja define seu protocolo e as atividades essenciais.

Quanto ao transporte de insumos, animais, semen e medicamentos, também não houve restrições, uma vez que o abastecimento é prioridade. De acordo com Piva, existe um cuidado maior nos EUA com os produtos que chegam, o aprendizado veio com a PED em 2014, quando tiveram que atuar intensamente. Assim, quando os insumos chegam nas granjas, todos os produtos passam por um sistema ultravioleta (UV), normalmente toda a granja possui esse método. “Muitos produtos ficam retidos de 10 a 15 dias em um ambiente separado sendo tratados devidamente, para só então serem enviados para as granjas. Sendo assim, o produto não chega da área externa e vai direto para as granjas”.

Preços e demanda interna

Os custos de produção também preocupam os suinocultores no Brasil e por isso, é importante entender como essa questão tem se desenvolvido em outros países.

Na Espanha, segundo Carlos Martínez, mais de 60% da produção é dedicada à exportação. E por isso, os preços no último ano foram extraordinariamente altos devido à forte demanda internacional. Existe uma preocupação sobre como essa crise afetará a demanda por carne suína, mas não se espera uma redução acentuada. Há uma preocupação maior de que o avanço da Peste Suína Africana chegue à Espanha, o que significaria um forte impacto devido à impossibilidade de exportar. Os insumos, um mês após o início da pandemia, mantêm os preços e, como toda a cadeia continua produzindo normalmente, uma mudança de preço não é esperada.

Já nos Estados Unidos, José Piva afirma que nos últimos 8 meses o produtor americano estava tendo prejuízo. Mas, nas últimas semanas o preço tem reagido e melhorado. Agora o produtor está ganhando mais, comparando-se com o contexto de 3 meses atrás. Quanto aos valores dos insumos, ele informa que não houve grande variação.

“Não acredito que essas mudanças sejam efeito apenas do vírus, mas já era algo previsto para esse período, pelo aumento da exportação e pelo aumento da procura pelo consumo”, explicou.

Ele aponta que os americanos tem mudado seus hábitos, que no geral eram mais focados em comer em restaurantes e, nesse momento, estão buscando mais os supermercados para comprar os alimentos naturais e preparar as refeições. Ele disse que as prateleiras dos supermercados chegaram a ficar vazias, devido a velocidade de reposição, mas não existe o desabastecimento na indústria suína.

Perspectivas para o futuro

Apesar dos grandes desafios e das adaptações que a pandemia impõe, as mudanças estão sendo consideradas pelos especialistas como uma nova fase para a cadeia.

“Temos certeza que vamos nos alimentar melhor do que estávamos nos alimentando. Essa crise do Coronavírus vai mudar isso e a gente vai querer alimentos mais naturais. Isso é uma oportunidade para o setor suinícola e para o setor primário. Como produtores, devemos estar preparados para mostrar nossas granjas (como bons restaurantes, mostram suas cozinhas) para garantir a segurança do processo de produção com total transparência. Será uma oportunidade para quem apostar na transparência e segurança na produção. Precisamos estar preparados para nossas granjas atenderem os requisitos quanto ao meio ambiente, o bem-estar animal e o uso racional de antibióticos”, ressaltou Carlos Martínez.

E no que se refere à economia, Carlos informou que está sendo liberada uma linha de crédito para amparar os produtores espanhóis, e as empresas que pararem pela preocupação com uma crise econômica. “O preocupante é o forte impacto quanto a mortalidade na sociedade e a grave crise econômica. Mas, é necessário destacar a importância da produção de alimentos. O novo Coronavírus pode matar muitas pessoas, mas a falta de alimento pode matar a todos”.

Na visão de Piva, ainda não há uma previsão sobre como será a expansão da COVID-19 nos EUA, mas não há indicação de que as pessoas irão deixar de consumir qualquer tipo de carne por conta da doença, uma vez que não há nenhuma evidência quanto ao contágio entre os animais de produção e as pessoas.

“Vivemos uma situação diferente e as pessoas estão fazendo o que é possível. Estamos controlados nesse momento quanto a produção, ao dia a dia das granjas, dos frigoríficos e da logística. A PED – Diarréia Epidêmica Suína – já mudou muito a produção americana de suínos e essa situação que estamos vivendo vai gerar um modelo diferente de trabalho, em relação às equipes, ao contato social. Somos confiantes que vai passar e isso vai depender da disciplina das pessoas, das medidas que vão ser tomadas pelas empresas, além da temperatura ambiental para minimizar a disseminação e o numero de casos . Acredito que vamos contar com mais ações para mitigar o impacto destas doenças sobre a cadeia, as empresas e os funcionários e com uma preocupação maior com a biossegurança nas granjas”.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, é importante acompanhar como tem sido o desenvolvimento da pandemia em outros países e esse compartilhamento informações é fundamental para que os produtores brasileiros possam se preparar. “É importante termos a perspectiva de grandes países produtores de suínos que estão enfrentando há mais tempo a COVID-19, adotar ações práticas que podem ser compartilhadas e evitar a disseminação. Assim, a produção brasileira está comprometida, aprimorando os processos, produzindo e abastecendo a mesa do consumidor”.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Covid-19

Entenda as diferenças do coronavírus em humanos e animais e como ele pode afetar o mercado

Profissional explica as diferenças entre o coronavírus que afeta humanos e animais e como a atual pandemia afeta o mercado de saúde animal

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Arquivo/OP Rural

O atual cenário que a população mundial vem vivendo, devido ao coronavírus (COVID-19), tem deixado toda a população preocupada com o que pode acontecer. Especialmente o produtor rural, responsável por levar alimentos saudáveis e de qualidade para toda a comunidade mundial deve estar atento ao que é melhor ser feito e aos cuidados que devem ser tomados a respeitos desse vírus.

Para esclarecer algumas dúvidas a respeito desse vírus e de seu comportamento na cadeia de aves e suínos, o gerente de produtos da área FAST da Boehringer Ingelheim Saúde Animal, Filipe Fernando, explicou alguns fatos importantes e que devem ser observados pelo produtor rural e como esse vírus pode afetar, de alguma forma, a cadeia de produção.

Boa leitura!

Quais as diferenças entre o coronavírus que vem acometendo as pessoas e o coronavírus que pode infectar aves e suínos?

Os vírus são divididos em ordens e famílias. Dentro das ordens, os coronavírus pertencem à Nidovirales. Dentro da ordem Nidovirales, encontram-se os coronavírus, que por sua vez são divididos nos gêneros Alphacoronavirus, Betacoronavirus, Deltacoronavirus e Gamacoronavirus. Os coronavírus que afetam seres humanos pertencem ao gênero Betacoronavirus, que são responsáveis pelo surgimento do atual Covid-19 e os conhecidos SARS e MERS. Porém, aves e suínos são afetados por outros tipos de coronavírus, que podem variar dentro dos gêneros Deltacoronavirus e Gamacoronavirus. Os coronavírus que acometem os animais, a exemplo das aves e dos suínos, são prevenidos por vacinação e são filogeneticamente muito diferentes dos Betacoronavirus.

O Covid-19 pode infectar aves e suínos ou os coronavírus de aves e suínos podem infectar os seres humanos?

O Covid-19 pertence ao mesmo grupo que os coronavírus da SARS-CoV e MERS-CoV. Foi demonstrado anteriormente que o SARS-CoV não é capaz de infectar ou causar doenças em aves e suínos*. Como o Covid-19 pertence ao mesmo grupo que o SARS-CoV e usa o mesmo receptor celular do hospedeiro, denominado ACE-2, é altamente improvável que infecte aves. Da mesma forma, e com base no conhecimento disponível, o Gammacoronavírus que afeta aves domésticas e causa doenças respiratórias em galinhas, e o Alphacoronavirus que infecta suínos e também acomete o sistema respiratório (lembrando que esse vírus não está presente no Brasil até a presente data) não infectam ou causam doenças em seres humanos.

(Emerg. Infect. Dis. Vol. 23, 2017 e Emerg. Infect. Dis. Vol. 10, No 5, 2004)*

É possível aproveitar o conhecimento da ciência para adaptar as vacinas dos animais para os humanos?

Não, justamente porque os vírus que podem infectar aves e suínos fazem parte de um gênero completamente diferente aos que infectam seres humanos, mesmo que ambos pertençam à mesma família Coronaviridae. Infelizmente, ainda não foi desenvolvida uma vacina para evitar a Covid-19. É importante relembrar que esse vírus que vem acometendo as pessoas é uma mutação do coronavírus que já era bem conhecido na comunidade científica. Dessa forma, embora as indústrias farmacêuticas já lidem com o desafio de proteger os animais contra os coronavírus que os acometem, ainda há muitos esforços para desenvolver a vacina contra essa nova versão, que vem acometendo as pessoas.

Por isso, é importante que as pessoas sigam as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), como o isolamento social e a higienização correta para diminuirmos a taxa de crescimento da pandemia.

Quais cuidados os produtores devem ter neste período?

Os produtores de proteína animal fazem parte das atividades consideradas essenciais à população, pois têm como objetivo garantir alimentos às pessoas. Por isso mesmo, é importante que os protocolos e cronogramas de vacinação dos animais seja mantido à risca e que os produtores continuem muito atentos em manter os animais saudáveis, livres de doenças e parasitas, e para o fornecimento de nutrição e adoção de manejo adequado para não perder os investimentos feitos para elevar o desempenho dos animais e não arriscar o seu patrimônio.

Caso a demanda por ovos ou carnes de frango ou suína caia, é possível reduzir o fornecimento de algum insumo para equilibrar os custos na granja? Por quê?

As granjas não podem parar e estão enfrentando esse desafio com bastante atenção e força, pois se trata de uma atividade produtiva bastante dinâmica e que tanto as aves como os suínos não podem ficar sem vacina ou sem ração. Deixar de fornecer esses insumos para esse tipo de animal não é um ponto que pode ser questionado.

Como a atual pandemia de coronavírus afeta o mercado de saúde animal?

A pandemia de Covid-19 traz diversas incertezas a todos os setores da economia mundial. Porém, é importante ter consciência de que alguns setores serão mais afetados do que outros. O agronegócio brasileiro, por exemplo, faz parte das atividades essenciais, indispensáveis à população, já que é responsável por alimentar as pessoas e possui capacidade para alimentar uma grande parte da população mundial. Para termos uma ideia da dimensão do setor no país, recentemente foram divulgados dados obtidos pelo Cepea, da Esalq/ USP, calculados em parceria com a CNA e com a Fealq, que mostrou que o PIB do agronegócio brasileiro cresceu 3,81% em 2019, representando 21,4% do PIB brasileiro total, que fechou o ano em 1,1%. Esses números comprovam a importância estratégica do agronegócio para o Brasil e, apesar de estarmos em um cenário que traz algumas incertezas momentâneas do ponto de vista de aumento, manutenção ou possível redução da demanda por proteína animal, é certo que as pessoas precisam se alimentar e, nesse contexto, o agronegócio brasileiro está pronto para atender a população e produzir alimento seguro e de alta qualidade. Por isso, independentemente do cenário, o agronegócio não para.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

ABCS orienta granjas e agroindústria em período de quarentena para reduzir risco de disseminação do Coronavírus

Entidade nacional preparou materiais que trazem recomendações aos suinocultores e respondem a dúvidas dos demais profissionais do setor

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Arquivo/OP Rural

Diante da situação de alerta sobre a pandemia enfrentada mundialmente devido ao aumento dos casos de pessoas infectadas pelo novo Coronavírus (COVID-19), diversos setores tem sido afetados e surgem as dúvidas sobre as medidas de prevenção necessárias neste cenário. Pensando na saúde de todos, para evitar a propagação da doença, e também proteger o agronegócio, no sentido de garantir o abastecimento de alimentos e insumos, a ABCS elaborou conteúdos orientativos para aprimorar os cuidados nas granjas e também esclarecer possíveis questionamentos aos diferentes elos da cadeia suinícola.

O material ressalta a importância das ações que promovam a manutenção do trânsito de animais, a comercialização de insumos e ração, assim como os medicamentos e as vacinas, que são muito dependentes do trânsito nacional e internacional. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, junto à diretora técnica da entidade, Charli Ludtke, solicitam aos produtores e às agroindústrias que deem maior atenção e suporte aos colaboradores envolvidos nas granjas e no transporte dos animais, de forma a garantir a manutenção da produção de alimentos à sociedade, e para tanto o bem-estar e a saúde de todas as equipes envolvidas é fundamental.

Existe alguma relação entre os suínos e o Coronavirus (COVID 19)?

A área técnica da ABCS compilou informações para esclarecer as dúvidas dos suinocultores e apontou para uma das questões mais preocupantes para o setor: a de saber se há risco em relação aos rebanhos e transmissão da doença aos humanos. Segundo a diretora técnica da ABCS, o Coronavírus está intimamente ligado a morcegos hematófagos, de acordo com as investigações epidemiológicas realizadas na China, e não há nenhuma evidência de que o Coronavírus (COVID-19) pode infectar suínos e demais animais domésticos. Também não há risco de transmissão quanto ao consumo de carne suína ou de seus produtos industrializados.

Prevenção nas granjas

A ABCS indica que produtores de suínos devem seguir rigorosamente os protocolos de biossegurança. É fundamental, por exemplo, limitar a exposição da unidade de produção e evitar a entrada de terceiros que frequentam outros ambientes e outras granjas, pois todo visitante pode ser um risco à introdução de patógenos específicos dos suínos, além do risco de esses mesmos visitantes disseminarem o Coronavírus (COVID-19) junto as equipes. Caso haja visitas no local, realizar o vazio sanitário e todas as demais medidas de biosseguridade recomendadas pela unidade de produção.

Médicos Veterinários e demais profissionais responsáveis pelas unidades de produção, devem orientar os produtores e colaboradores para que toda a granja tenha um plano de biosseguridade e adote procedimentos rigorosos, visando evitar que os animais sejam expostos a qualquer doença infecciosa.

Também é recomendado ter um acompanhamento da saúde dos colaboradores, caso apresentem qualquer suspeita de gripe, coriza, espirros ou tosse. Havendo sintomas, é importante, e necessário o isolamento, permanecendo em repouso e quarentena em casa, evitando a disseminação aos demais colaboradores. E até que seja realizado o diagnóstico e tratado corretamente. Aos demais colaboradores que tiveram contato direto, também devem ser separados e monitorados, no sentido de prevenção e de transmissão a todos os funcionários.

Outra medida importante é a necessidade de ambulatório dentro da empresa para um possível pré-diagnostico e orientações, assim, evitar o deslocamento dos colaboradores, diminuindo o risco de contaminação. Entretanto, caso não haja um ambulatório disponível nas dependências, deve-se seguir as recomendações em protocolo do Ministério da Saúde (MS).

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que neste momento é importante que todos os brasileiros e, falando especialmente com o setor da suinocultura, que sejamos cautelosos e vigilantes para a manutenção da saúde e do bem-estar de todos.

É importante seguirmos as recomendações do Ministério da Saúde, que visam evitar a propagação do Coronavírus (COVID 19), de forma que não se atinja grande proporção de pessoas infectadas. Evitar exposições desnecessárias, grandes aglomerações, proteger os mais vulneráveis, ter maior cuidado com a higiene pessoal e das instalações e ir na rede de saúde, apenas se realmente for necessário. Unindo esforços e com a colaboração de todos, vamos superar este momento desafiador”, alertou o Presidente da ABCS, Marcelo Lopes.

Fonte: Assessoria
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