Conectado com

Notícias

EuroTier 2022 evidencia tendências na criação mundial de animais

Depois de quatro anos, a principal feira mundial de criação profissional e gestão de animais promoveu um amplo debate com especialistas do setor sobre tendências atuais e futuras da pecuária bovina, suína e avícola, bem como conhecerem em primeira mão as mais importantes tendências, inovações e tecnologias em produtos e serviços para criação e manutenção de animais de produção.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/Eurotier

A busca por tecnologias e soluções inteligentes sem dispensar a otimização contínua dos sistemas existentes para uma produção animal bem-sucedida e sustentável levou mais de 106 mil congressistas de 141 países para a EuroTier 2022, realizada entre os dias 15 e 18 de novembro, em Hanôver, na Alemanha. Em paralelo aconteceu a EnergyDecentral, maior feira comercial do mundo para fornecimento descentralizado de energia, que contou com 1,8 mil expositores de 55 países para ofertarem produtos e serviços relacionados com o agro-PV, biometano e estratégias voltadas à flexibilidade das usinas de biogás.

Depois de quatro anos, a principal feira mundial de criação profissional e gestão de animais promoveu um amplo debate com especialistas do setor sobre tendências atuais e futuras da pecuária bovina, suína e avícola, bem como conhecerem em primeira mão as mais importantes tendências, inovações e tecnologias em produtos e serviços para criação e manutenção de animais de produção, com foco na carne bovina, suína, aves e aquicultura – processamento de ração em carne, leite e ovos.

Além da feira tecnológica, foram realizados vários fóruns temáticos para tratar sobre as tendências atuais e futuras da pecuária bovina, suína e avícola

Além dos pavilhões de feiras, que apresentaram tecnologias e inovações, foram realizados paralelamente vários fóruns sobre produção animal, ambiência, bem-estar, nutrição, custos de produção, impactos das doenças na avicultura, sistemas de granjas alternativas, proteção climática e ambiental, digitalização, processamento e redução de emissões de CO₂ no meio ambiente.

Durante a edição 2022 foi feito o lançamento do primeiro aditivo alimentar aprovado na União Europeia, com impacto positivo comprovado no meio ambiente, uma vez que influencia nas emissões de metano, reduzindo significativamente as emissões de gases nocivos no ar.

Outro estudo apresentado pela Universidade da Califórnia mostrou que o uso de algas vermelhas na alimentação animal é capaz de diminuir em até 80% as emissões de metano.

Avicultura

As tendências na avicultura estão mudando na direção de aumentar o bem-estar animal e reduzir a poluição ambiental. À medida que a demanda do consumidor muda, novas espécies animais também estão se tornando interessantes para a produção. Essa tendência é indicada, por exemplo, pelos sistemas de alimentação de insetos. Novas abordagens estão, portanto, constantemente surgindo para a produção animal agrícola.

Entre as novidades da feira que chamaram atenção do público foi a máquina que reaproveita o calor dos aviários na troca de ar, fazendo o produtor economizar lenha e gás ao manter a temperatura do ambiente mais homogênea para o frango – Fotos: O Presente Rural

Entre as tendências e estratégias para o setor avícola, equipamentos que otimizam funções chamaram a atenção dos visitantes, como da máquina que reaproveita melhor o calor dos galpões na troca de ar, fazendo o produtor economizar lenha e gás ao manter a temperatura do ambiente mais homogênea para o frango. “Esse equipamento filtra o ar retirando a amônia e reaproveitando o calor da granja para aquecer o ar frio que entra no galpão, não precisando fazer a troca de calor o tempo todo dentro da granja”, explica o diretor de Comunicação e Marketing de O Presente Rural, Selmar Franck Marquesin, que participou pela quinta vez da EuroTier.

Nos painéis sobre dietas nutricionais foram apresentados aditivos capazes de fazer com que os animais absorvam melhor os nutrientes, melhorando sua performance produtiva, além de emitir menos gases do efeito estufa através dos seus dejetos.

Outro equipamento que chamou atenção do público é um sistema para filtragem de odores, podendo ser usado tanto em granjas avícolas como suinícolas, para transformar os dejetos em um subproduto.

Com uma pegada forte em relação ao bem-estar animal, foi apresentado uma amostra com aviários móveis voltados à avicultura de postura. Cada dia as galinhas dentro dos aviários móveis são levadas ao campo e liberadas em um espaço pré-determinado pelo produtor para ciscar, mais tarde as aves retornam para dentro das gaiolas para colocar os ovos. Cada dia são levadas para um espaço separado, sendo criadas soltas na grama.

Bovinocultura

No setor de bovinos, destaque para as teteiras de silicone com ranhuras que se adaptam conforme o tamanho da teta, exercendo menos pressão nas tetas da vaca, garantindo o bem-estar do animal durante a ordenha. “Começamos a produzir para atender clientes que criavam camelos, mais tarde adaptamos o equipamento para vacas leiteiras, o que tem dado bons resultados, pois o material usado nas teteiras é de silicone e além de ser mais macio também possui ranhuras, exercendo menos pressão nas tetas das vacas. Este equipamento também é adaptável ao tamanho das tetas dos animais”, relata Verena Walllor, da Silicon Form, empresa produtora das teteiras e premiada com medalha de ouro pela inovação na EuroTier.

Teteiras de silicone com ranhuras que se adaptam conforme o tamanho da teta, exercendo menos pressão nas tetas da vaca, esteve entre as atrações da feira pecuária

Outro destaque do setor foram os robôs da empresa alemã Zauberzeug, que também foi agraciada com a medalha de ouro como destaque em inovação. Segundo o CEO da Zauberzeug, Rodja Trappe, os robôs trabalham de forma autônoma e são capazes de auxiliar na limpeza das fazendas diminuindo o esforço físico dos trabalhadores. “A limpeza dos estábulos ou galpões requer grandes esforços físicos e é demorada. Com a utilização de robôs é possível fazer a limpeza de estercos ou de outras substâncias sem fazer esforços, ganhando tempo também para outros trabalhos na fazenda”, realça.

Trappe salienta que podem ter usados vários robôs ao mesmo tempo, pois eles possuem dispositivos que se comunicam entre si e são capazes de identificar vários acúmulos de esterco, calcular automaticamente a rota ideal, coletar o material de forma automática, avaliar o tamanho e a quantidade, bem como descarregar os resíduos em local determinado. “Testes práticos demonstram de forma impressionante o enorme potencial desta inovação para melhorar o trabalho diário em uma fazenda”, frisa.

Digitalização e gestão de rebanhos

A digitalização continua a ser uma megatendência na agricultura. Os desenvolvimentos vão desde o registro automatizado de dados com tecnologias de sensores em rede e sistemas de banco de dados até a automação de análises e processos e gerenciamento inteligente de galpões.

A abordagem do sistema que leva em consideração a lucratividade e a sustentabilidade continuam em alta. As opções oferecidas pela rede específica de dados na área animal são demonstradas pela premiada função de gerenciamento de secagem para vacas, que combina dados de várias áreas.

No entanto, as dificuldades causadas pela falta de uma interface de dados universal na área animal também estão se tornando aparentes. O potencial para o bem-estar animal e a sustentabilidade está sendo desperdiçado nesse sentido.

Suinocultura

Um avanço significativo na tecnologia de sensores está surgindo no setor de suínos, os quais não mais precisam ser fixados aos animais porque promovem abordagens inovadoras como análise de imagem ou som, estão permitindo a coleta de dados individuais, mesmo sem fixação direta nos animais. Novos conceitos que antes eram difíceis de implementar em termos estruturais ou econômicos são agora possíveis. As novas tecnologias também apresentam possibilidades de redução de carga de trabalho, meio-ambiente e economia sejam atendidos simultaneamente por meio de sistemas de coleta digitalizados e automatizados.

Os pavilhões de suínos da EuroTier apresentaram um grande número de inovações para auxiliar a produção em sinergia com o meio ambiente. São tecnologias que visam facilitar a vida de quem produz, mas com ênfase muito forte em redução de custos, ambiência, bem-estar animal e principalmente no que diz respeito à redução de emissão de CO2.

Durante os quatro dias de feira, a linha de equipamentos voltados ao setor suinícola despertou grande interesse dos visitantes, que foram ao evento em busca de tecnologias que auxiliam no controle mais efetivo das granjas e que o produtor possa acompanhar sua propriedade em tempo real por meio de aplicativos.

Entre as inovações estão sistemas que através do som dos animais conseguem detectar de forma preventiva indícios de alguma doença no rebanho, tecnologias que movimentam a gaiola elevando a matriz para não haver esmagamento de leitão, autolimpeza das gaiolas para evitar contaminação através de dejetos dos animais, pesagem dos animais por análise corporal, avanços em melhoramento genético, sistemas de filtragem para diminuir odores nas granjas, principalmente de amônia, a fim de evitar que esse gás seja lançado no ar, reduzindo desta forma a contaminação e a emissão de CO₂ no meio ambiente; aditivos na alimentação dos animais visando melhor absorção dos nutrientes, contribuindo para que os suínos excretem menos contaminantes, fator que reduz as emissões de gases do efeito estufa pela atividade pecuária, entre outros.

“Através destas tecnologias no campo espera-se baixar os níveis de CO₂ nas diversas cadeias produtivas. A indústria e as cadeias de produção animal europeias têm buscado em conjunto alternativas para baixar os custos, principalmente com alimentação, usando subprodutos que sanem as necessidades nutricionais dos animais, garantam performance eficiente e melhorem a lucratividade dos produtores. Outra preocupação do setor é com os surtos de Peste Suína Africana, o que tem exigido melhorias constantes em ambiência”, detalha Marquesin.

A EuroTier congrega um número volumoso de equipamentos expostos, voltados principalmente para o melhoramento nutricional, com foco no bem-estar animal e na ambiência para reduzir a emissão de CO₂.

Reconhecimento

Reunidos em Hanôver, líderes da indústria pecuária internacional foram reconhecidos por seus produtos e serviços inovadores. Na categoria inovação em produção animal, a DLG, organizadora da EuroTier, reconheceu quatro empresas com a medalha de ouro e outras 14 com a medalha de prata.

DLG reconheceu com medalhas de ouro e prata empresas com produtos e serviços inovadores em três categorias

O Prêmio Bem-Estar Animal é concedido em conjunto com a Associação Federal de Médicos Veterinários desde 2018. Para ganhar um dos prêmios desta categoria é preciso ter um produto que atenda os mais altos requisitos de bem-estar animal. Nesta categoria foram premiadas três empresas com a medalha de ouro: Boehringer Ingelheim Vetmedica GmbH, Siliconform Vertriebs GmbH & Co. KG e Cowhouse International BV.

A companhia Below2 Inc. foi agraciada com a medalha de ouro do Prêmio Inovação EnergyDecentral ao desenvolver um padrão inovador e de alta qualidade para a verificação de certificados de CO₂ no mercado voluntário. Nesta categoria ainda foram premiadas mais cinco empresas com a medalha prata.

E na categoria Conceito DLG-Agrifuture 2022, que reconhece conquistas pioneiras e visões futuras que ainda não atingiram a maturidade do mercado, porém estão em fase de desenvolvimento, foram premiados seis empreendimentos.

Diretor de Comunicação e Marketing de O Presente Rural, Selmar Franck Marquesin, e o gerente comercial Klaus Zachow participaram da EuroTier 2022

O Presente Rural na EuroTier 2022

Veículo oficial dos principais eventos do agronegócio nacional, o jornal O Presente Rural participou da feira líder mundial no segmento de produção animal pela quinta vez a convite da Sociedade Agrícola Alemã (DLG – sigla em alemão), organizadora das feiras. Representaram o jornal o diretor de Comunicação e Marketing, Selmar Franck Marquesin, e o gerente comercial Klaus Zachow.

Próxima edição

Realizada a cada dois anos, a edição de 2024 da EuroTier e da EnergyDecentral acontece de 12 a 15 de novembro em Hanôver.

Confira mais informações na edição 2022 de Nutrição e Saúde Animal clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo

Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional

Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Publicado em

em

A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul representa um marco estratégico para o Brasil e reposiciona o país no centro das articulações do comércio internacional. A decisão, confirmada nesta sexta-feira (09) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, encerra um processo de negociação iniciado há 25 anos e cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil. Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Fotos: Divulgação

Com peso determinante dentro do Mercosul, o Brasil teve atuação central na costura política do acordo, especialmente no período em que presidiu o bloco sul-americano. O entendimento é visto como um avanço relevante para a inserção internacional da economia brasileira, ao ampliar o acesso a um mercado que reúne 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22,4 trilhões.

O acordo sinaliza fortalecimento do multilateralismo e da cooperação entre blocos econômicos em um cenário global marcado por tensões comerciais e medidas protecionistas. Para o Brasil, o tratado tende a abrir novas oportunidades para exportações, atração de investimentos e maior previsibilidade nas relações comerciais com a União Europeia, um dos principais parceiros econômicos do país.

Além dos ganhos econômicos, o entendimento tem significado político. A conclusão das negociações reforça o papel do Brasil como articulador regional e interlocutor relevante em fóruns internacionais, ao liderar consensos dentro do Mercosul e dialogar com grandes economias globais.

Brasília - 14/10/2025 -O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em debate, o projeto de lei (PL 1.087/2025) do governo que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico” – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Com a aprovação pelo lado europeu, a próxima etapa prevê a ratificação formal junto aos países do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia poderá viajar ao Paraguai, atual detentor da presidência rotativa do bloco, para a assinatura do acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Nos países sul-americanos, o texto ainda será submetido aos respectivos parlamentos. A entrada em vigor, no entanto, será individual, permitindo que cada país avance conforme a conclusão de seus trâmites internos.

Em nota conjunta, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacaram que se trata do maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e um dos mais relevantes firmados pela União Europeia, ressaltando o potencial de ampliar fluxos comerciais, investimentos e a integração do Brasil às cadeias globais de valor.

Ministros destacam benefícios para o Brasil 

Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) se manifestaram nesta sexta-feira (09) para celebrar o anúncio da União Europeia pela aprovação do acordo comercial com o Mercosul. Nas redes sociais, Haddad classificou o acordo como histórico e uma sinalização para um futuro de pluralidade e oportunidade. “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”, disse Haddad.

Brasília (DF), 19/08/2025 - Comissão de Assuntos EconômicosComissão de Assuntos Econômicos (CAE) promove audiência pública interativa, com a ministra do Planejamento e Orçamento, para que sejam prestadas informações sobre a avaliação da Pasta quanto à eficiência dos subsídios tributários, financeiros e creditícios concedidos pela União; e o cumprimento do disposto no Art. 4º da Emenda Constitucional nº 109, de 2021, que determina ao Governo a apresentação de plano de redução gradual de incentivos e benefícios federais de natureza tributária, até o nível de 2% do PIB. Mesa: ministra de Estado do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”  – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Por sua vez, Simone destacou que o acordo irá proporcionar a chegada de produtos brasileiros a mais consumidores, ampliação de investimentos, o que poderá ajudar a reduzir a inflação no país. “Um marco histórico para o multilateralismo! O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou a ministra, em nota oficial.
Repercussões 

Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.

Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor

Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Copacol

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.

Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.

Na prática

Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.

Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.

Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.

Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.

Comercialização

O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.

Fonte: Assessoria Copacol
Continue Lendo

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo

Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA

Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Publicado em

em

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos

Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.

No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.

Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.

Carne suína

Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intr­a-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.

Aves

Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.

O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intr­a-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.

Cotas do acordo

Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos

A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.

Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.

Confira a Nota Setorial na íntegra:

NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.

O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.

No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.

Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.

No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intr­a-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.

Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.