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Europa está próxima de zerar uso de antimicrobianos em suínos, afirma especialista Belga

Estima-se que mais de 1,2 milhão de pessoas morrem todos os anos por problemas de resistência aos antibióticos, número muito superior quando comparado aos óbitos anuais que têm como causa aids, malária ou câncer de mama, por exemplo.

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Estima-se que mais de 1,2 milhão de pessoas morrem todos os anos por problemas de resistência aos antibióticos, número muito superior quando comparado aos óbitos anuais que têm como causa aids, malária ou câncer de mama, por exemplo. Somente na Europa, são cerca de 33 mil indivíduos que falecem todos os anos por infecções bacterianas resistentes ao uso de antimicrobianos, ou seja, casos que poderiam ser resolvidos se a infecção fosse por bactérias suscetíveis aos antibióticos.

Professor doutor em Epidemiologia da Faculdade de Medicina Veterinária de Ghent, na Bélgica, Jeroen Dewulf: “O uso terapêutico de antimicrobianos tem sido frequentemente usado como uma ferramenta para compensar a má gestão da saúde na granja” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

No entanto, de acordo com o professor doutor em Epidemiologia da Faculdade de Medicina Veterinária de Ghent, na Bélgica, Jeroen Dewulf, a maior parte dessas mortes não estão associadas ao uso de antibióticos em animais, contudo existe uma correlação através do conceito one health (saúde única) – termo que relaciona a integração entre a saúde humana, animal, o ambiente e a adoção de políticas públicas efetivas para prevenção e controle de enfermidades.

Dewulf foi um dos especialistas que palestraram no Pré-Congresso do IPVS 2022, realizado em junho na cidade do Rio de Janeiro (RJ). No maior evento técnico-científico mundial da suinocultura, tratou sobre o uso de antimicrobianos na produção de suínos na Europa e, segundo ele, nesta questão, “menos é mais”. De acordo com ele, a Europa está próxima de zerar o uso de antimicrobianos em suínos.

Os antibióticos conheceram suas primeiras aplicações em humanos no século 19 – com a descoberta da penicilina – e revolucionaram a prática da medicina, ganhando o apelido de “drogas milagrosas”, por serem importantes catalisadores para melhorias médicas. Sem eles, muitas conquistas da medicina moderna, como cirurgias de grande porte, transplante de órgãos ou quimioterapia contra o câncer seriam impossíveis, porque implicariam em altos riscos devido a infecções como em tempos pré-antibióticos.

A descoberta dos antimicrobianos também teve seu impacto na Medicina Veterinária, contribuindo para uma melhor saúde e bem-estar dos animais. Entretanto, o uso precoce de antibióticos no sistema de pecuária extensiva de pequena escala para uma produção pecuária industrializada mais intensiva, onde os animais são alojados em grandes rebanhos, resultou em produtores usando mais medicamentos metafiláticos (tratamento em grupo assim que a doença ocorre) e profiláticos (tratamento preventivo), mas também abriu caminho para a aplicação comercial de antibióticos como promotores de crescimento.

Europa não reduziu produção

Conforme Dewulf, alguns estudos sobre o impacto na produção de antibióticos administrados na ração como promotores de crescimento indicaram ganhos de produtividade superior a 1%, dependendo de fatores como nutrição, sistema de produção, sanidade e manejo.

Por outro lado, trabalhos mais recentes concluíram que os atuais benefícios de produtividade com o uso de promotores de crescimento na ração diminuíram como resultado da adoção de práticas modernas de produção e manejo. “Isso mostra que os promotores de crescimento antimicrobianos beneficiaram sistemas de manejo deficientes, mas não devem ter lugar na produção animal moderna, pois promovem a resistência antimicrobiana”, expõe Dewulf.

A partir de 2000, os países europeus reduziram gradualmente o uso de antibióticos promotores de crescimento, sendo seu uso banido em 2003 na Europa. “Ao contrário do que muitos acreditavam isso não resultou em um declínio substancial na produção de animais para alimentação na Europa”, mencionou o especialista belga.

Pesquisas

Desde a proibição dos promotores de crescimento antimicrobianos na Europa, países como Bélgica, Dinamarca, Espanha Alemanha, Suécia, França, Itália, Irlanda, Finlândia e Suíça passaram a aplicar na produção de suínos o uso terapêutico de antimicrobianos, desenvolvendo uma série de pesquisas em relação ao tema. “Essas pesquisas foram um passo crucial para uma compreensão mais detalhada do uso terapêutico de antimicrobianos e seus fatores de risco na produção de suínos. Muitos desses estudos descrevem grandes diferenças no uso terapêutico de antimicrobianos ao longo do ciclo de produção, com a maioria do uso em leitões jovens. Outros achados típicos incluem uma grande variação no uso terapêutico de antimicrobianos entre granjas dentro do mesmo país e a aplicação frequente de medicação profilática, muitas vezes com contribuições importantes de antimicrobianos como cefalosporinas de 3ª geração e fluoroquinolonas. Além disso, aspectos como tamanho da granja, serviço veterinário, baixa biossegurança e o gerenciamento da saúde da granja foram descritos como impulsionadores do uso terapêutico de antimicrobianos”, explica Dewulf.

Melhor gestão sanitária e biossegurança

De acordo com o especialista belga, embora o papel principal do uso terapêutico de antimicrobianos em animais para alimentação deva ser terapêutico, ele está sendo usado para impulsionar melhorias em produtividade e renda das granjas. “O uso terapêutico de antimicrobianos tem sido frequentemente usado como uma ferramenta para compensar a má gestão da saúde na granja. No entanto, estas não são práticas aceitáveis. Portanto, os sistemas de criação, os sistemas de produção e os padrões de gestão e biossegurança devem ser projetados de tal forma que a necessidade de antimicrobianos se torne excepcional ou até redundante”, enfatiza.

Em um estudo francês em rebanhos do parto a terminação, as medidas de biossegurança, como desinfecção da área de carregamento, quarentena e adaptação de marrãs, estrutura da fazenda/linhas de trabalho e práticas “todos dentro todos fora” (all-in/all-out) foram significativamente associadas a menor uso terapêutico de antimicrobianos.

Na Dinamarca, os produtores implementaram medidas que conseguiram reduzir o consumo anual de antimicrobianos em 10% ou mais após a introdução do “sistema de cartão amarelo”. Segundo Dewulf, foi relatado, entre outros parâmetros, que procedimentos de limpeza, ação adequada em relação aos animais doentes (por exemplo, uma decisão anterior de eutanásia) e sistemas “todos dentro todos fora” foram mencionados como meios para reduzir a uso terapêutico de antimicrobianos.

Ele citou outro estudo de intervenção na Bélgica, que descobriu que melhorar o manejo do rebanho de suínos e o status de biossegurança, em combinação com a administração antimicrobiana, ajudou a reduzir a uso terapêutico de antimicrobianos em suínos desde o nascimento até o abate em 52% e em porcas em 32%.

Uma avaliação econômica baseada nos resultados destes e de outros estudos mostrou que, incluindo os custos laborais de todas as pessoas envolvidas, os rebanhos participantes obtiveram um ganho financeiro médio ou benefício global de R$ 14,88 por suíno em terminação por ano.

Em um estudo comparável realizado em quatro países da União Europeia, relatou o pesquisador, uma avaliação econômica das intervenções sugeridas, entre outras, em biossegurança, resultou em uma mudança média nos lucros líquidos entre granjas belgas e francesas estimadas em R$ 24,88 e R$ 6,86 por porca por ano, respectivamente.

Europa se aproxima de zerar uso de antimicrobianos

Em um estudo belga recente (ainda não publicado), 28 rebanhos de suínos belgas foram inscritos e acompanhados por um período de 35 meses. O objetivo do estudo foi avaliar até que ponto as granjas poderiam ser treinadas para a produção de suínos livres de antimicrobianos e até que ponto eles também poderiam manter esse status ao longo do tempo.

Neste estudo foi definido não usar antibióticos desde o nascimento até o abate. Os animais que necessitaram de tratamento individual receberam uma marca auricular especial e foram excluídos do programa sem antibióticos. Os resultados do estudo mostraram que 13 dos 28 rebanhos estavam criando suínos com sucesso sem antibióticos após um período de 12 meses. “Um ano depois, ainda 12 dos 13 mantinham esse status, ou seja, este estudo mostrou que era possível alcançar e manter o status de rebanho sem antibióticos”, pontuou Dewulf.

Conforme estudos já realizados na última década, Dewulf diz que o uso de antimicrobianos na produção de suínos na Europa deverá diminuir ainda mais e acabará se tornando um ato excepcional na suinocultura futura. “Obviamente, para a maioria das granjas, tanto dentro como fora da Europa, isso exigirá mais esforços e foco em melhor manejo, biossegurança e gerenciamento. Em última análise, essa redução também vai resultar no nivelamento e, eventualmente, na reversão da seleção de resistência, levando a mais benefícios para a saúde animal, bem como para a saúde humana e segurança alimentar global”, reforça o especialista belga.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural

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Biosseguridade exige constância e disciplina para proteger a suinocultura brasileira

Especialista alerta, no Congresso da Abraves, que o avanço da produção e do comércio global amplia riscos sanitários e exige ações preventivas cada vez mais rigorosas.

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A biosseguridade permanece como um dos pilares mais estratégicos da suinocultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva, concentração regional de granjas e ampliação dos fluxos comerciais globais.

A biosseguridade reúne um conjunto de práticas voltadas tanto à prevenção da entrada de agentes patogênicos nos sistemas produtivos quanto ao controle da disseminação de doenças já presentes nas granjas. Trata-se de um conceito que ultrapassa os limites da propriedade rural e se estende aos níveis regional, nacional e até global, diante da interconexão sanitária entre os principais países produtores de suínos. “A suinocultura mundial convive com desafios sanitários importantes e interligados. Mesmo países com status sanitário favorável para determinadas doenças não estão livres de riscos, o que reforça a necessidade de vigilância permanente e protocolos rigorosos de biosseguridade”, alertou o médico-veterinário especialista em Saúde e Produção Suína, Maurício Dutra, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Dados internacionais mostram que grandes produtores, como União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Vietnã e Brasil, enfrentam a circulação contínua de agentes como PED/TGE, influenza, PCV-2, Aujeszky e PRRS. No entanto, a Peste Suína Africana (PSA) figura como o maior desafio sanitário da atividade, após sua disseminação acelerada na Ásia a partir de 2018.

De acordo com Dutra, o setor não tem observado o surgimento de novos agentes etiológicos nas últimas décadas, mas sim um aumento expressivo na virulência e na capacidade de adaptação de patógenos já conhecidos, o que torna o controle mais complexo. “Os principais desafios continuam sendo enfermidades virais de elevado impacto econômico, seja pela ausência de vacinas efetivas, seja pela elevada letalidade. Isso justifica a adoção de ações efetivas de prevenção”, enfatizou.

Lições da Peste Suína Africana

Embora a PSA esteja ausente no Brasil há mais de 40 anos, o especialista ressaltou que o país pode e deve aprender com experiências internacionais e com seu próprio histórico. A enfermidade, descoberta em 1921 e endêmica na África, provocou três grandes ondas de disseminação global. Na segunda delas, nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil foi afetado após a introdução do vírus por restos de alimentos provenientes de voos internacionais. “A contaminação teve início em 1978, e o país só foi declarado livre em 1984, após perdas diretas estimadas em US$ 13 milhões, além de impactos sociais e econômicos expressivos, como falência de pequenos produtores, desemprego e queda de cerca de 40% no consumo de carne suína”, relembrou Dutra.

Foto: Ari Dias/AEN

O controle da doença, segundo ele, só foi possível com a adoção rigorosa de práticas de biosseguridade em duas fases distintas – emergencial e de erradicação, que deixaram como legado instrumentos ainda vigentes, como o monitoramento das Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e a regionalização sanitária para a Peste Suína Clássica.

Atualmente, mesmo com a existência de vacinas vivas contra a PSA, a baixa eficiência e o risco de reversão de virulência mantêm a biosseguridade como principal ferramenta de prevenção. Dutra destacou medidas como quarentena para animais de reposição, desinfecção adequada de caminhões, barreiras sanitárias com banho e troca de roupas e o controle rigoroso da entrada ilegal de produtos de origem animal no país.

PED e PRRS reforçam importância da prevenção

Outras enfermidades também reforçam o papel central da biosseguridade. A Diarréia Epidêmica Suína (PED), embora não seja nova, reemergiu com alta virulência após adaptação viral, causando mortalidade de até 100% em leitões lactantes sem imunização prévia. “Mesmo com vacinas disponíveis, a prevenção depende fortemente de cuidados com fômites, meios de transporte e contaminação alimentar”, explicou Dutra.

Já a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), confirmada laboratorialmente desde 1991, segue como uma das doenças de maior impacto econômico, com perdas estimadas entre USD 6,25 e USD 15,25 por animal vendido. Estratégias combinadas de vacinação, manejo e biosseguridade, incluindo práticas como McRebel, carregamento escalonado e uso de filtros de ar em regiões de alta densidade produtiva, têm mostrado resultados relevantes.

“A adoção integrada dessas medidas caracteriza a chamada ‘nova geração da biosseguridade’, que reduziu significativamente os surtos de PRRS nos Estados Unidos quando aplicada de forma completa”, ressaltou.

Desafios crescentes no Brasil

No contexto nacional, Dutra alertou para o aumento dos desafios sanitários nas últimas décadas, com a presença de influenza desde 2009, Doença de Aujeszky em 2011, cepas multirresistentes de Brachyspira, além do crescimento de casos de salmonelose, Senecavírus Tipo A, encefalomiocardite e diferentes genótipos de PCV-2.

Apesar disso, levantamentos indicam que ainda há espaço relevante para avanços na adoção plena das práticas de biosseguridade no país. “Essas práticas têm sido eficientes, mas a jornada é longa, árdua e contínua. Novos desafios surgem com cepas mais virulentas, reemergência de doenças e novas formas de transmissão”, afirmou.

Para Dutra, o fato de enfermidades como PSA, PED e PRRS ainda serem exóticas no Brasil representa uma oportunidade estratégica. “Temos o privilégio de aprender com os erros e acertos de outros países e agir de forma proativa e responsável, protegendo cada sistema de produção e a sustentabilidade da suinocultura brasileira”, concluiu.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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ABCS aposta em campanha para impulsionar consumo de carne suína

Iniciativa busca ampliar demanda interna diante da pressão sobre preços e aumento da produção.

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) decidiu lançar uma edição especial da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” como resposta estratégica ao atual cenário da suinocultura, marcado pelo aumento da produção, retração do consumo interno e pressão sobre os preços pagos ao produtor, apoiando assim os produtores em um cenário desafiador.

Apesar do bom desempenho das exportações em 2026, que cresceram expressivamente no primeiro trimestre, o volume exportado não tem sido suficiente para equilibrar o mercado doméstico. Isso ocorre porque o setor enfrenta dois fatores simultâneos: o aumento da produção e a retração do consumo interno. Essa combinação pressiona as cotações e impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo ações coordenadas para estimular a demanda dentro do país.

É nesse contexto que a ABCS antecipa a campanha Bom de Preço, Bom de Prato,  apostando de forma rápida e certeira no fortalecimento do consumo interno como principal alavanca para reequilibrar o mercado. A iniciativa reforça ao consumidor brasileiro que a carne suína é uma proteína com excelente custo-benefício, acessível, versátil, saborosa e adequada ao dia a dia, buscando ampliar sua presença na mesa das famílias e, consequentemente, aumentar sua venda no pequeno, médio e grande varejo.

A edição especial da campanha intitulada “A melhor escolha do momento” tem início imediato e deve alcançar milhões de consumidores com ações coordenadas em todo o país. A estratégia está estruturada em três frentes principais: varejo, influência digital e mobilização da cadeia produtiva. No varejo, a iniciativa prevê materiais de ponto de venda e comunicação em loja, com foco em destacar o custo-benefício e a versatilidade da carne suína, incentivando a decisão de compra e o aumento do giro da proteína.

Já no ambiente digital, a campanha contará com conteúdos e vídeos produzidos em parceria com influenciadores, como o médico, Dr. Bruno Monteze, o nutricionista, Jefferson Jorge, a nutrichef, Clariana Colaço, e o chef de cozinha Jimmy Ogro, que juntos somam mais de 3 milhões de seguidores nas redes, ampliando o alcance da mensagem e aproximando o produto do cotidiano do consumidor.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira” – Foto: Divulgação/ABCS

A terceira frente envolve a ativação de toda a cadeia, com a disponibilização gratuita de materiais e conteúdos para o sistema ABCS os demais agentes da cadeia que queiram se juntar a força tarefa de promover o consumo, permitindo a replicação da campanha em diferentes regiões e ampliando sua escala nacional.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com essa iniciativa, a ABCS reforça seu compromisso com o setor, mostrando ao produtor que está atenta ao cenário e atuando de forma proativa para enfrentar os desafios. “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira”, concluiu.

A ABCS realizou na última quarta-feira (22), uma reunião para entregar essa campanha e explicar a estratégia de utilização para todo o Sistema, contribuintes do FNDS e varejos parceiros, onde o presidente da ABCS, reforçou a importância da participação de todos para multiplicar a campanha, convocando os presentes para que a iniciativa chegue a todos os brasileiros.

A ABCS também aproveitou a ocasião para apresentar um panorama de mercado atual, para ajudar a explicar o momento que o setor tem vivido. Ao final, o presidente da Asemg, Donizetti Ferreira, parabenizou a ABCS pela campanha e reforçou a necessidade do engajamento de todos: “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar o consumo, é só nos dedicarmos a replicar o material”. Renato Spera, presidente da Asumas, concordou: “Achei fantástico. A campanha será crucial para atravessarmos a crise.” Iuri Pinheiro Machado, diretor executivo da Agigo também parabenizou a ABCS por acelerar essa campanha diante do momento atual, e da demanda dos suinocultores, segundo ele: “A crise sempre gera oportunidade, e essa é uma grande oportunidade para ganhar mais espaço no varejo pela competitividade da carne suína”, finalizou.

Fonte: Assessoria ABCS
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Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno

Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

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O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

Considerações finais

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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