Notícias Segundo OCDE
EUA e China precisam mudar curso de disputa comercial para ajudar economia
Economia global deve crescer apenas 3,2% este ano, já que o crescimento dos fluxos de comércio caiu quase pela metade em 2019

O crescimento econômico da China e dos Estados Unidos pode ser 0,2% a 0,3% menor em 2021 e 2022 se os dois países não voltarem atrás com as tarifas em sua disputa comercial, que vem prejudicando as perspectivas econômicas globais, disse a OCDE nesta terça-feira (21).
O presidente dos EUA, Donald Trump, elevou as tarifas sobre 200 bilhões de dólares em importações chinesas de 10% para 25%, enquanto Pequim disse que vai reagir elevando as taxas sobre 60 bilhões de dólares em produtos norte-americanos.
A economia global deve crescer apenas 3,2% este ano, já que o crescimento dos fluxos de comércio caiu quase pela metade em 2019, para apenas 2,1%, disse a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em sua perspectiva econômica bianual.
Esse seria o ritmo mais lento do crescimento econômico global desde 2016 e ligeiramente abaixo da última previsão da organização com sede em Paris em março, de um crescimento de 3,3%.
A economia mundial deve se sair um pouco melhor no próximo ano, com uma taxa de crescimento de 3,4%, mas somente se os Estados Unidos e a China recuarem dos aumentos de tarifas anunciados neste mês.
A OCDE disse que o crescimento na China e nos Estados Unidos poder ser de 0,2% a 0,3% menor em média até 2021 e 2022 se as duas nações não mudarem o curso na disputa comercial.
Sem levar em conta a última rodada de aumento de tarifas, a OCDE previu que os Estados Unidos ultrapassarão outras grandes economias desenvolvidas com um crescimento de 2,8% este ano, acima dos 2,6% projetados pela organização em março.
A maior economia do mundo deve sofrer uma desaceleração para 2,3% no ano que vem, mesmo que os novos aumentos tarifários não tenham sido considerados.
A China, que não é um país da OCDE, tem procurado estimular sua economia, mas o crescimento ainda deve cair de 6,2% este ano para 6,0% em 2020, a menor taxa em 30 anos para a segunda maior economia do mundo.
Investidores globais estão observando atentamente para ver quanto mais apoio Pequim vai injetar para sustentar o crescimento depois que a China já afrouxou a política monetária, cortou impostos e permitiu que governos locais emitissem títulos especiais para financiar projetos de infraestrutura.
A economia dependente das exportações do Japão está sofrendo com a queda nos fluxos comerciais, com crescimento esperado de apenas 0,7% em 2019 e 0,6% em 2020, abaixo das previsões de março da OCDE de 0,8% e 0,7%, respectivamente.
A zona do euro também está pagando um preço alto pela desaceleração do comércio global, com seu crescimento visto este ano em 1,2% antes de subir para 1,4%. A previsão é ligeiramente melhor do que os 1,0% e 1,2% esperados em março, já que a crise da Itália se mostra um pouco menos severa do que se esperava anteriormente.
Enquanto isso, a OCDE elevou a previsão de crescimento do Reino Unido para 1,2% este ano, ante 0,8% anteriormente, já que a perspectiva de saída britânica da União Europeia foi adiada. O crescimento do Reino Unido deverá cair para 1,0%, uma projeção marginalmente melhor do que os 0,9% esperados em março.

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Moatrigo 2026 reúne 450 participantes e aprofunda debate sobre desafios da cadeia do trigo
Workshop destacou tendências globais, retração produtiva no Brasil e impactos diretos para a indústria moageira.

O Moatrigo 2026 reuniu cerca de 450 participantes da cadeia moageira em um encontro dedicado a debates estratégicos, análises de mercado e conteúdo técnico. O workshop foi realizado na segunda-feira (13), pelo Sinditrigo-PR, em Curitiba, e reforçou a posição do evento entre os principais fóruns do setor do trigo no Brasil, com aumento de participação e densidade técnica a cada edição.
Na avaliação dos especialistas que compartilharam suas análises no Moatrigo, há consenso sobre o momento desafiador vivido pelos moinhos, com um cenário internacional atual de oferta elevada, redução expressiva da área plantada no Brasil e desafios de qualidade na safra argentina. No curto prazo, os contratos futuros já indicam alta, sustentados por uma safra mundial menor, pela redução histórica da área plantada nos Estados Unidos e pelo aquecimento dos preços na Argentina.
No Brasil, o quadro é mais sensível. A temporada 25/26 deve fechar com cerca de 7,1 milhões de toneladas importadas, e a estimativa é que a nova safra 2026/27 deve produzir apenas 6,5 milhões, volume muito inferior ao potencial já demonstrado pelo país. O Paraná, perdendo área para milho safrinha e cevada, também deve precisar importar em 2026/27, algo em torno de 1,8 milhão de toneladas. No ciclo 2026/27, a projeção da necessidade nacional de importação pode chegar a 8,2 milhões de toneladas.
A Argentina permanece como principal origem, mas sua safra, embora volumosa, apresentou proteína média de 11,2% e glúten úmido de 20,9%, exigindo complementar blends com trigos de outras origens, mais caros. Como país estruturalmente importador, o Brasil não forma preço e convive com custos elevados mesmo quando há oferta global confortável. Os debatedores destacaram ainda uma projeção de dois anos pela frente de aumento estrutural de custos, agravado pelo risco climático, pela baixa atratividade ao produtor e pela limitação de investimentos.
Espaço necessário para debate e atualização
“A cada edição, percebemos o quanto o Moatrigo se fortalece como um espaço necessário. O que torna o evento especial é a combinação entre público técnico, discussões estratégicas e a troca qualificada de experiências. Reunir quase 450 profissionais neste ano confirma que o setor está empenhado em buscar caminhos consistentes, atualizados e colaborativos para enfrentar um cenário cada vez mais complexo”, afirmou Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR.
O encontro também evidenciou a importância do networking qualificado, um dos pontos mais valorizados pelos participantes. Profissionais de diferentes regiões aproveitaram o ambiente para trocar percepções, aprofundar relações institucionais e ampliar conexões que fortalecem toda a cadeia. “No Moatrigo, essas interações não acontecem à margem da programação: elas fazem parte do valor do evento e contribuem diretamente para a construção de soluções e parcerias em um momento em que a indústria demanda cooperação e leitura conjunta de cenário”, ressaltou Paloma, que já confirmou a realização da edição 2027 do evento, provavelmente em março do ano que vem.
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Rio Grande do Sul inicia censo para mapear agroindústrias familiares
Levantamento deve alcançar mais de 4 mil empreendimentos e orientar políticas públicas.

O governo do Rio Grande do Sul iniciou, nesta terça-feira (14), a aplicação do Diagnóstico Socioeconômico do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), com o objetivo de mapear a realidade de mais de 4 mil agroindústrias familiares no Estado. A primeira entrevista foi realizada em Estância Velha, na agroindústria Sabores do Rancho Laticínio Artesanal.

Secretário Gustavo Paim realizou a aplicação do primeiro censo na Agroindústria Sabores do Rancho em Estância Velha
Batizado de Censo das Agroindústrias Familiares, o levantamento vai reunir informações sobre gestão, sucessão familiar, qualidade de vida, nível de inovação e perspectivas futuras dos empreendimentos rurais.
A ação é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com a Emater-RS/Ascar e o Departamento de Economia e Estatística (DEE). A proposta é gerar uma base de dados que auxilie na formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o diagnóstico permitirá identificar demandas específicas dos produtores. A partir dessas informações, o governo pretende direcionar ações com maior precisão, focadas na qualificação da produção e no desenvolvimento das agroindústrias familiares.
O presidente da Emater-RS/Ascar, Claudinei Baldissera, destacou que o levantamento também deve aprimorar o atendimento técnico no campo. Com dados mais detalhados, a expectativa é ampliar a atuação da assistência técnica e identificar novas oportunidades para os produtores.
A primeira entrevista foi realizada com a produtora Rafaela Jacobs, proprietária da Sabores do Rancho, agroindústria que produz queijos coloniais, iogurtes e sorvetes artesanais. Ela ressaltou que iniciativas como o censo contribuem para dar visibilidade ao setor e incentivar a permanência das famílias no meio rural.
O Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) reúne empreendimentos que podem participar de feiras promovidas pelo governo estadual. Em 2025, o programa atingiu a marca de 2 mil agroindústrias certificadas, consolidando sua atuação no fortalecimento da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.
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Fenagra 2026 aposta em tecnologia, sustentabilidade e novos mercados
Programação inclui congressos com foco em inovação, descarbonização e biocombustíveis.





Em sua 19ª edição, o evento contará com 250 expositores, entre empresas nacionais e internacionais, ocupando dois pavilhões e uma área de 26 mil metros quadrados. A expectativa é receber cerca de 14 mil visitantes e congressistas, com participação de representantes de países da América do Sul, Europa, Ásia, Estados Unidos, Rússia, Austrália e Arábia Saudita.
Nos dias 13 e 14 de maio, ocorre o III Fórum Biodiesel e Bioquerosene, promovido pela UBRABIO. O encontro reúne representantes do governo, indústria e academia para discutir o avanço dos biocombustíveis, a substituição de combustíveis fósseis e os impactos da legislação no setor.