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“Eu nunca vi esse tipo de cooperativismo no mundo”: bolsistas estrangeiros conhecem modelo da Cotrijal

Estrutura integrada, intercooperação e reinvestimento nos associados transformam Cotrijal em referência global de cooperativismo agropecuário.

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Foto: Bruna Scheifler/Divulgação/Cotrijal

Na porta de entrada do agronegócio gaúcho, um grupo de jovens pesquisadores estrangeiros se deparou com algo que não estava nos livros, nem nos relatórios que eles conheciam. Vieram ao Brasil buscar respostas sobre produtividade, clima, inovação e gestão – e saíram carregando na bagagem uma descoberta que, para eles, ainda não tem igual em outras partes do planeta: o jeito brasileiro de cooperar.

Em junho, bolsistas da Austrália, Canadá e Chile – todos participantes do Programa de Foco Global da rede internacional Nuffield – cruzaram os portões da Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), para entender de perto como o cooperativismo rural se organiza para dar suporte a milhares de famílias, conectar tecnologias, transformar grãos em alimentos e renda, e ainda devolver parte do resultado para dentro das propriedades.

Ao longo de seis semanas no Brasil, o grupo percorreu fazendas, institutos de pesquisa, indústrias e centros de inovação para conhecer práticas de manejo, sistemas produtivos e soluções criadas para contornar os gargalos que ainda marcam a realidade de quem produz no país. Mas foi no interior do Rio Grande do Sul, dentro de uma das maiores cooperativas agropecuárias da região Sul, que os jovens perceberam o quanto o modelo brasileiro de cooperativa vai além da simples soma de produtores.

Um sistema que surpreende

Foto: Divulgação/Cotrijal

Para muitos, o cooperativismo é uma associação de agricultores para ganhar escala na compra de insumos ou na venda da safra. Mas a visita à Cotrijal mostrou que, na prática, o alcance é muito maior. Hoje, a cooperativa está presente em 53 municípios, com uma rede integrada que soma 79 unidades de recebimento de grãos, Unidade de Beneficiamento de Sementes, Fábrica de Rações, complexo de 32 lojas, 15 supermercados, um atacado e o projeto de intercooperação Soli3, que reúne Cotrijal, Cotripal e Cotrisal para instalar uma indústria de processamento de soja com planta para produção de biodiesel em Cruz Alta (RS).

No campo, isso significa que a cooperativa atua como parceira direta do produtor em praticamente todas as etapas: do planejamento da safra ao escoamento da colheita, passando pela assistência técnica, acesso a crédito, pesquisa, armazenagem e logística. Nas cidades, a presença das lojas e supermercados reforça o vínculo com as comunidades e ainda devolve parte do resultado para o caixa da cooperativa, que reinveste na base produtiva.

“Eles conseguiram absorver muito conhecimento de como o cooperativismo funciona aqui no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, e como agrega aos produtores rurais”, explicou Guilherme Oliveira, bolsista brasileiro da Nuffield, que acompanhou a delegação internacional durante o giro pelo estado.

O que eles viram – e não viram em outros lugares

No final da visita, o estudante Thanh Troung, da Austrália, resumiu o sentimento do grupo. “Eu acredito que as cooperativas brasileiras se unem para prosperar. Eu nunca vi esse tipo de cooperativismo no mundo, onde os lucros são reinvestidos para ajudar os agricultores a crescerem ainda mais”, relatou. Troung também destacou que, em seu país, não existe uma estrutura equivalente capaz de entregar simultaneamente insumos, assistência técnica, canais de comercialização, rede de varejo e benefícios para as famílias rurais. “É realmente incrível, eu vou voltar para casa pensando em como poderíamos ter uma Cotrijal”, disse.

Essa percepção não é isolada. Em outras regiões do mundo, o cooperativismo agropecuário costuma ter foco restrito à compra coletiva de insumos ou à comercialização conjunta, mas muitas vezes sem a estrutura integrada de armazenagem, transformação industrial, distribuição varejista e reinvestimento local. Para quem vive isso no Brasil, a força da intercooperação parece natural; para quem chega de fora, o modelo soa quase disruptivo.

Disseminar, dividir e multiplicar

Foto: Shutterstock

Para a equipe da Cotrijal, abrir as portas para grupos estrangeiros é também uma forma de colocar em perspectiva o caminho percorrido pelo cooperativismo no estado, um sistema que nasceu para dar força aos pequenos e médios produtores, em um cenário de terras fragmentadas, propriedades familiares e condições de mercado desiguais.

“Foi um momento muito interessante e uma oportunidade de falar para eles sobre a experiência do cooperativismo na Cotrijal, assim como nossos resultados. Nós também identificamos que eles não acessaram experiências semelhantes à nossa nos outros lugares em que estiveram. Então apresentar o case da Cotrijal gera uma perspectiva, uma possibilidade de que, a partir do entendimento do nosso modelo, eles possam disseminar, dividir e compartilhar o que viram aqui, construindo novas propostas de parcerias ou novos modelos cooperativos, gerando diferentes resultados, especialmente no campo de estudo deles, que é o agronegócio”, enfatizou Benísio Rodrigues, gerente de marketing da Cotrijal.

A recepção aos bolsistas contou ainda com a presença do vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder, do superintendente de Produção Agropecuária, Gelson de Lima, da gerente de Produção de Sementes, Marcela Lange Schiochet, do coordenador do Departamento Técnico (Detec), Alexandre Nowicki, e do coordenador de Validação Agrodigital, Leonardo Kerber. Além das reuniões na sede, o grupo percorreu a Unidade de Beneficiamento de Sementes, visitou o Parque da Expodireto Cotrijal, conheceu a Área de Pesquisa e Validação e a Fábrica de Rações, encerrando o circuito com uma visão prática do que faz a engrenagem cooperativa girar todos os dias.

Modelo que exporta ideias

Nos corredores da Expodireto, o evento anual que se tornou vitrine de tecnologia, negócios e conexão para produtores de todo o Brasil, o assunto volta à tona: até onde o modelo cooperativo gaúcho pode inspirar outras regiões e outros países? Para quem observa de fora, não é só uma questão de faturamento ou estrutura física. É a cultura de disseminar conhecimento, dividir recursos e multiplicar resultados, alinhando pequenas propriedades a grandes indústrias e encurtando a distância entre o campo e o mundo.

O que para Thanh Troung pode ser uma semente para plantar na Austrália, para a Cotrijal é, todos os dias, a própria essência de existir. E para o cooperativismo brasileiro, cada visita como essa é um lembrete de que o caminho percorrido em décadas de organização, mutualismo e intercooperação segue vivo e, ao que tudo indica, cada vez mais observado lá fora.

Soli3

As cooperativas agropecuárias Cotrijal, com sede em Não-Me-Toque, Cotripal, de Panambi e Cotrisal, de Sarandi, vão construir uma nova indústria para processamento de soja, com planta para produção de biodiesel. Com a presença de autoridades e imprensa, o lançamento ocorreu em maio, em Cruz Alta (RS), município onde o empreendimento será instalado. O anúncio é um marco importante na história das três instituições e também para o desenvolvimento do setor agro em nível estadual e nacional. O investimento estratégico visa fortalecer a cadeia produtiva de soja, agregando valor à commodity que tem o Brasil como seu maior produtor e exportador no mundo.

Com capacidade para processar 3 mil toneladas de soja por dia (50 mil sacas de soja/dia), a nova planta industrial será responsável pela produção de óleo degomado, biodiesel, glicerina, farelo de soja e casca peletizada. Estes produtos são amplamente utilizados nas indústrias de alimentos, rações e biocombustíveis e devem abastecer tanto o mercado interno quanto o de exportação. No caso do farelo de soja e da casca peletizada, a produção da indústria deve abastecer, inclusive, a demanda das três cooperativas responsáveis pela iniciativa. No total, o volume anual de processamento deve chegar a cerca de 1 milhão de toneladas do grão (aproximadamente 16,5 milhões de sacas). O faturamento projetado é de R$ 2,2 bilhões por ano e a operação deve iniciar em 2028.

Cruz Alta foi escolhida de forma estratégica para a construção do empreendimento, por conta de sua localização logística, proximidade com ferrovia e canais portuários. A indústria ocupará uma área de 138 hectares, localizada na zona rural, às margens da rodovia Luciano Furlan. A área construída será de 62 mil metros quadrados, com previsão de início das obras em janeiro de 2026, gerando aproximadamente mil empregos diretos. Está previsto o investimento de cerca de R$ 1,25 bilhão para a iniciativa – serão buscados recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em linhas específicas que oferecem incentivos para projetos de inovação e transformação. Com relação à armazenagem da indústria, deverá ser de 160 mil toneladas de grãos, além da capacidade disponível nas três cooperativas envolvidas no projeto. Além disso, o complexo será preparado para realizar o transbordo de soja própria, serviço que também será prestado para outras empresas e cooperativas, fortalecendo ainda mais a cadeia logística e comercial da região.

“A intercooperação é tanto uma realidade quanto uma necessidade. Com a união de três cooperativas, podemos aumentar significativamente nosso volume de produção, adquirir insumos em maior escala e negociar melhores preços. Isso nos permitirá comercializar nossos produtos com maior valor agregado, contribuindo para o desenvolvimento regional. Esse passo inicial pode impulsionar a criação de um parque industrial, abrindo caminho para novas oportunidades de industrialização na cadeia produtiva”, explica o presidente da Cotrijal, Nei César Manica.

Com o nome Soli3, a intercooperação entre as cooperativas dará origem a uma central, que será presidida, no primeiro ano de atividades, pelo presidente da Cotrisal, Walter Vontobel; no segundo ano, pelo presidente da Cotripal, Germano Döwich; e, no terceiro ano, por Nei César Manica, presidente da Cotrijal.

“Estamos vivendo um momento histórico, em que a união com outras grandes cooperativas do RS nos permite agregar valor ao que é do nosso associado. A criação de uma Central é um passo firme e decisivo, que fortalece os nossos negócios, impulsiona a sustentabilidade e leva desenvolvimento para toda a nossa região”, reforça Germano Döwich, presidente da Cotripal.

Para Walter Vontobel, presidente da Cotrisal, “a parceria entre as cooperativas é o alicerce para o sucesso deste empreendimento, pois fortalece o setor e impulsiona o desenvolvimento sustentável. A união entre Cotrisal, Cotrijal e Cotripal na criação da nova indústria exemplifica como a intercooperação pode gerar novos mercados e agregar valor à produção”.

“A Soli3 muda definitivamente a história e o futuro de Cruz Alta”, destacou a prefeita Paula Rubin Facco Librelotto, durante o anúncio oficial. Ela enfatizou ainda o potencial logístico, a força na produção de grãos e o capital humano da cidade como fatores determinantes para escolha de Cruz Alta como sede empreendimento, além da importância da nova indústria para o desenvolvimento regional, bem como para a geração de empregos e renda.

“O empreendedorismo e a capacidade de associação e articulação entre as cooperativas envolvidas são um exemplo para todo o estado. Trata-se de um investimento concreto, que trará efeitos econômicos, como geração de empregos e riqueza, mas também um impacto que não pode ser medido, que é o poder do exemplo. Isso inspira, injeta ânimo e mostra que, a partir desse exemplo de empreendedorismo, outras cooperativas, empresas e os gaúchos como um todo possam olhar com confiança para o futuro do nosso estado”, destacou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Juntas, as três cooperativas somam mais de 100 municípios em sua área de atuação e cerca de 35 mil associados, além de 2,8 milhões de toneladas (mais de 46 milhões de sacas) em capacidade de armazenamento de grãos.

Destaques:

• Investimento de R$ 1,25 bilhão

• Faturamento projetado de R$ 2,2 bilhões por ano

• Volume anual de processamento de aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja

• Processamento diário de 3 mil toneladas de soja

• Endereço: Rodovia Luciano Furlan, Zona Rural, Cruz Alta/RS

• Área total de 138 hectares, com 62 mil metros quadrados de área construída

• Previsão de início das obras: janeiro de 2026

• Previsão de início das operações: 2028

• Geração de empregos: cerca de mil postos de trabalho durante a fase de construção, 150 empregos diretos na nova indústria e aproximadamente 500 empregos indiretos

Produtos:

• Biodiesel (600 toneladas/dia)

• Glicerina (60 toneladas/dia)

• Farelo de Soja (2.200 toneladas/dia)

• Casca de soja peletizada (180 toneladas/dia)

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Fonte: O Presente Rural

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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná

Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

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Foto: Anderson Gibathe/Itaipu Binacional

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.

O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.

A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.

Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.

A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.

O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.

Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.

No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.

Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.

Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.

Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.

A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.

Fonte: Agência Brasil
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Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural

Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

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Imagem criada por ChatGPT

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa

A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.

Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.

André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.

O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa

meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.

Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa

O que diz o ACT

Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.

Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.

Por fim, compete ao Mapa disponibilizar ao Poder Judiciário o acesso a dados, relatórios e atestados da plataforma; promover, em conjunto com o CNJ, a capacitação de magistrados, servidores, administradores judiciais e peritos; assegurar a operação contínua, a atualização e a evolução da infraestrutura; prestar suporte técnico ao CNJ e aos Tribunais de Justiça; e designar a equipe do Grupo Técnico de Trabalho responsável pela avaliação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (GTT-VMG), instituído por portaria, para atuar como interlocutora permanente.

O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.

Fonte: Assessoria Mapa
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Programa seleciona 113 projetos e amplia investimentos no cooperativismo da agricultura familiar no Paraná

Volume aprovado chega a R$ 170 milhões e supera orçamento inicial, com foco em modernização, infraestrutura e acesso a mercado para cooperativas e associações.

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Foto: Divulgação/Seab

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) publicou, na sexta-feira (17), o resultado final das avaliações do Edital de Chamamento Público Seab/Deagro nº 001/2025, vinculado ao Programa Coopera Paraná. Após a conclusão das etapas de análise técnica, classificação preliminar e o julgamento de recursos, dos 220 projetos de negócios inscritos, 113 foram formalmente selecionados para receber investimentos que visam modernizar o cooperativismo da agricultura familiar no Estado. Confira aqui o resultado

Foto: Divulgação

Os 113 projetos selecionados e classificados somam aproximadamente R$ 170 milhões, ultrapassando o valor R$ 100 milhões reservado para este chamamento público e, marcando esta edição como a maior desde a criação do Programa Coopera Paraná, em 2019.

O edital em curso estabeleceu o teto de repasse de recursos financeiros em R$ 2,20 milhões por projeto de negócio, maior valor já viabilizado em um edital do Coopera Paraná, desde o início do programa. No edital anterior, os valores eram de até R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas. A iniciativa se firma como uma das principais políticas públicas de apoio à agricultura familiar no Estado

Avaliação rigorosa

Esta etapa encerra o ciclo de avaliação rigorosa conduzido pela coordenação do Coopera Paraná. As propostas aprovadas representam o que há de mais estratégico em termos de viabilidade econômica e sustentabilidade socioambiental, conforme as regras do edital, abrangendo diversas cadeias produtivas das 10 macrorregiões do Paraná.

Foto: Valdelino Pontes

Para a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, chegar ao número final de 113 projetos foi um desafio gratificante para toda a equipe técnica. “O critério de seleção não foi apenas o volume de investimento, mas a sustentabilidade real de cada proposta. Avaliamos detalhadamente, dentro das regras do edital, a capacidade de gestão e o impacto econômico, social e ambiental que esses recursos terão na ponta, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em negócios que realmente tenham perenidade no mercado e que tenham cumprido os quesitos eliminatórios, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável”, disse.

Próximos passos

Os interessados já podem consultar a lista final detalhada com a pontuação e a classificação de cada cooperativa e associação diretamente no site oficial da Seab. O documento apresenta a hierarquização das propostas com base nos critérios técnicos estabelecidos no edital, refletindo o esforço das organizações da agricultura familiar em profissionalizar sua gestão, buscar novos mercados para seus produtos, preservar o meio ambiente e promover a inclusão socioprodutiva. Confira aqui o resultado final do Coopera Paraná.

Com a divulgação do resultado final, as organizações proponentes dos projetos selecionados agora seguem para a fase de habilitação, em que será verificada a sua regularidade fiscal e jurídica.

Na sequência, as associações e cooperativas formalmente habilitadas e cujos projetos tenham sido selecionados serão convocadas para apresentação de plano de trabalho, seguindo-se as etapas de formalização dos termos de fomento.

Os recursos serão destinados, por exemplo, à aquisição de máquinas agrícolas, infraestrutura de processamento e logística, além de ao suporte técnico e gerencial que permite às pequenas

Foto: José Fernando Ogura/AEN

cooperativas competirem com grandes players do mercado.

Coopera Paraná

Criado em 2019, a iniciativa chega à quarta edição e está no eixo central da Política Agrícola de promover o desenvolvimento rural sustentável. Desde o lançamento, a Seab já repassou por meio do programa em torno de R$ 94 milhões para cooperativas e associações da agricultura familiar.

No edital de 2019 o repasse foi de quase R$ 30 milhões, em 2021 foram R$ 42 milhões e em 2023 R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram atendidas 116 cooperativas e 75 associações.

O programa tem parceiros importantes como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), bem como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Paraná) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).

Fonte: AEN-PR
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