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Suínos e Peixes – Maio

José Zeferino Pedrozo Opinião

Eterna vigilância

Nesses 12 anos crescemos 77% em volume e 96% nas receitas com vendas externas

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

O preço da segurança é a eterna vigilância. Santa Catarina festeja 12 anos de certificação internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação, proclamada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), exatamente pela atenção que deu a essa conquista.

Estávamos em Paris em 25 de maio de 2007, quando a 75ª assembleia geral homologou a decisão técnica da Comissão Científica da OIE (Organização Internacional de Saúde Animal). Naquela ocasião, registrávamos 14 anos sem ocorrência de aftosa e seis anos sem vacinação, configurando um status sanitário único no Brasil. Hoje são 26 anos sem a doença e 18 anos sem vacinação.

O caminho para chegar a esse resultado foi longo. Muitos segmentos não compreendiam a importância dessa questão. A Faesc, a Ocesc e o então secretário da Agricultura Odacir Zonta chegaram a ser processados por uma certa liderança política por defenderem a suspensão da vacinação e a busca de um status sanitário mais elevado.

Desde a década de 1990 a Faesc propunha ao Ministério da Agricultura a manutenção do Circuito Pecuário Sul com diferenciação de status sanitário: Santa Catarina seria declarada área livre de aftosa sem vacinação e, o Rio Grande do Sul, área livre com vacinação. Nosso Estado tornou-se uma ilha de sanidade no Brasil, demonstrando possuir um dos mais confiáveis sistemas sanitários do País. Essa condição resultou de esforços dos produtores rurais, das agroindústrias e do governo.

Para manter essa condição, um eficiente sistema de vigilância e atenção sanitária precisa estar sempre em pleno vigor, tendo como atores e corresponsáveis todos os elos da cadeia produtiva – os criadores, as indústrias e os órgãos estatais. Importante, também, realçar o papel dos Sindicatos Rurais e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), mantido pelas agroindústrias.

A Polícia Militar participa desse esforço ao lado da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina que mantém 63 barreiras sanitárias fixas nas divisas com Paraná, Rio Grande do Sul e Argentina para controlar a saída de animais e produtos agropecuários. Em Santa Catarina todos os bovinos e bubalinos são identificados e rastreados. Está proibido o ingresso de bovinos provenientes de outros estados. A entrada de ovinos, caprinos e suínos criados fora do território catarinense está condicionada a quarentena na origem e no destino, além de testes para a febre aftosa, exceto quando destinados a abate imediato em frigorífico sob inspeção.

Apenas três países da América Latina são considerados livres de febre aftosa sem vacinação pela OIE: Chile, Guiana e Peru. Existem zonas livres (Província, Estado ou Departamento) na Argentina, Bolívia, Colômbia e Equador.

Nossa especialização em proteína animal tem reconhecimento planetário. Santa Catarina se tornou o maior produtor de suínos do Brasil, o segundo maior produtor de aves e o quarto maior produtor de leite. O agronegócio responde  por 64% das exportações catarinenses, atingindo 160 países. A influência do status sanitário na conquista de novos mercados é evidente. Em 2006, um ano antes da certificação internacional, Santa Catarina exportava 184 mil toneladas de carne suína (receitas de US$ 310 milhões), saltando em 2018 para 326,3 mil toneladas e obtenção de divisas da ordem de US$ 608,4 milhões. Nesses 12 anos crescemos 77% em volume e 96% nas receitas com vendas externas. Na mesma trajetória ascendente, a carne de frango tornou-se o primeiro produto das exportações catarinenses: em 2018 foram embarcadas 1,08 milhão de toneladas que renderam US$ 1,8 bilhão.

É vital manter essa conquista e jamais baixar a guarda, pois  ocorrência de qualquer epizootia (doença) causaria prejuízos bilionários à economia barriga-verde. Repito: O preço da segurança é a eterna vigilância.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Energia elétrica para o campo

Além do suprimento de energia elétrica, o problema se concentra na qualidade das redes de distribuição

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Santa Catarina mantém, em cerca de 200 mil estabelecimentos rurais, plantéis permanentes formados por 150 milhões de frangos e 7,5 milhões de suínos. Nos últimos anos, essa base produtiva vem sofrendo com a deficiência no fornecimento de energia. A má qualidade da energia elétrica na zona rural e o preço cobrado pelo consumo encarecem a produção, especialmente em relação a armazenagem de grãos, fumo, resfriamento de leite e criatórios automatizados para aves e suínos.

Os criadores de aves e os produtores de fumo são os mais prejudicados. Em face da escassez de mão de obra na área rural e da otimização dos processos produtivos, está ocorrendo crescente emprego da automação nos aviários, com equipamentos automáticos de climatização em criatórios hermeticamente fechados. Mesmo dilema ocorre na fumicultura, com o uso de estufas para a secagem das folhas, obedecendo ao padrão de qualidade exigido pelas fumageiras.

As frequentes oscilações de tensão e as quedas no fornecimento têm causado sérios prejuízos, com perda de equipamentos e produção. Com a climatização sem funcionar, as temperaturas próximas ou superiores a 40 graus causam a mortandade de plantéis e inviabilizam a comercialização do tabaco, uma vez que o processo de secagem é interrompido. Muitos desses casos resultaram em ações indenizatórias que tramitam na justiça, gerando um passivo anual de cerca de 6 milhões de reais, apenas com prejuízos na fumicultura do planalto norte catarinense.

Além do suprimento de energia elétrica, o problema se concentra na qualidade das redes de distribuição. Os maiores percalços à produção, na zona rural, situam-se nas propriedades rurais localizadas nas pontas das redes. As quedas constantes da energia causam a queima e a perda de equipamentos, paralisando a produção. A par das perdas econômicas para os fumicultores, avicultores e as indústrias, a mortandade frequente de aves e o calor excessivo trazem riscos de ordem sanitária.

A avicultura e a suinocultura catarinense, como grandes cadeias produtivas, estão perdendo competitividade em razão de várias condicionantes: a escassez do principal insumo, o milho; as deficiências logísticas de transporte, a falta de mão de obra e os incentivos fiscais oferecidos por outros Estados, como Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Em face desses problemas, defendemos uma política de abastecimento de energia elétrica para as áreas agrícolas orientada para baixar custos, viabilizar as atividades agrícolas e pecuárias,  manter as famílias rurais no campo e aumentar a produção e a produtividade. Agora, surge uma notícia alvissareira. O programa Celesc Rural, lançado neste mês pelo Governo do Estado, promete reduzir esses percalços. O programa está focado em duas ações: a substituição de redes monofásicas por trifásicas para ampliar a capacidade do sistema elétrico e permitir o emprego de motores mais potentes para ampliar a mecanização e a instalação de cabos protegidos, para reduzir o número de desligamentos das redes elétricas devido ao contato com a vegetação. Serão investidos R$ 65,7 milhões em 1,2 mil quilômetros de rede da área de concessão da Celesc, com início já no segundo semestre deste ano.

A energia elétrica é um insumo indispensável à vida moderna na cidade e no campo. Nas áreas rurais, ela garante segurança e conforto, melhores condições de trabalho e de produção.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Liderança catarinense

Base produtiva faz de Santa Catarina o maior produtor nacional de carne suína e o segundo maior de carne de frango

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

A avicultura industrial brasileira nasceu em território barriga-verde e conquistou o mundo, é sinônimo de eficiência e qualidade e, há 50 anos, está presente em todos os continentes: a carne de frango catarinense é consumida em mais de 150 países. Santa Catarina está colhendo os frutos de décadas de investimentos em genética, em sanidade e em aperfeiçoamento do parque agroindustrial de processamento de carnes. Isso é o que está por traz da liderança brasileira das exportações de carnes de aves e suínos que, neste ano, cresceram exponencialmente.

A conquista do status de área livre de aftosa sem vacinação, há doze anos, foi fundamental para ampliar a presença no mercado mundial. O sistema de produção integrada – uma parceria que há quase 70 anos une criadores e agroindústrias em território brasileiro – é outro vitorioso fator que explica o sucesso da cadeia produtiva da avicultura e da suinocultura agroindustrial. Esse sistema fortaleceu a economia dos municípios, fixou a família rural no campo, amenizou o êxodo rural, levou bem-estar às famílias rurais e transferiu tecnologia aos criadores.

A base produtiva, formada por cerca de 18 mil produtores integrados no campo e 60 mil empregos diretos nas indústrias, faz de Santa Catarina o maior produtor nacional de carne suína e o segundo maior de carne de frango.

As conquistas da agroindústria catarinense ocorreram apesar das graves deficiências logísticas, que reduzem a competitividade internacional das empresas brasileiras. A base produtiva das empresas processadoras está distante dos locais de consumo, seja do mercado interno, quanto do externo. O deslocamento do produto processado requer condições de logística adequadas com o propósito de redução dos custos e do tempo dos transportes. Por isso, são essenciais investimentos na área de logística através da construção e reforma de novos modais logísticos – portos, estradas e ferrovias. Os investimentos em logística são fundamentais para a redução dos custos e o aumento dos ganhos das cadeias produtivas em geral.

Outro percalço é a desigualdade de incentivos fiscais e tributárias oferecidos por outras unidades da Federação, que cada vez empurram a agroindústria para outros Estados – especialmente para o Paraná. Depois de manter por décadas a liderança na produção e nas vendas externas, foi exatamente para os paranaenses que os catarinenses deixaram de pontificar nas exportações. A indústria avícola do Paraná foi intensamente apoiada por políticas de incentivos.

Não é sem méritos, portanto, que o Estado recupera a liderança e volta a ocupar o primeiro lugar no ranking brasileiro de exportações de carne de frango. Mais uma honrosa vitória da economia catarinense.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Promoção externa do agronegócio

Para ter sucesso e crescimento sustentado no mercado internacional é preciso estratégias consistentes e alianças sólidas

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

A agroindústria catarinense da carne vive dias gloriosos com o exponencial aumento da exportação de carnes para a China. Essa situação não resulta, exatamente, da agressividade comercial das empresas ou da eficiência da política externa. A China vive uma tragédia sanitária com doenças que grassam nos rebanhos de aves e suínos, exigindo o sacrifício de milhões de animais e, por consequência, a importação maciça de alimentos cárneos.

É provável que, nos próximos dois anos, esse cenário se mantenha, beneficiando a agroindústria nacional, mas, como alertam especialistas, é uma condição transitória. Por isso, não se recomenda a ampliação demasiada da produção de aves e suínos, pois, em futuro próximo, poderá ocorrer excesso de oferta.

Esse episódio lembra a importância de se colocar a política externa brasileira a serviço do crescimento econômico. Nesse aspecto, é justo reconhecer que a nova Administração Federal, nesses primeiros meses, tem procurado posicionar adequadamente o Brasil na geopolítica e na economia mundial. Em relação ao grande parceiro comercial que é a China, o Ministério das Relações Exteriores vem propondo uma reestruturação nas relações bilaterais para melhor utilização dos instrumentos negociadores de que o Brasil dispõe para diversificar e ampliar o acesso de produtos brasileiros – especialmente do agronegócio – ao mercado chinês. O Brasil adota visão estratégica para diversificar exportações para a China, protagonista do mercado mundial. Acordo de facilitação de comércio para eliminar entraves burocráticos entre os dois países é um dos objetivos.

Ficou evidente que o Itamaraty prioriza, acertadamente, um processo de integração competitiva e promoção da democracia com parceiros essenciais. O Brasil, que responde há décadas por pouco mais de 1% do comércio planetário e nunca superou essa barreira, ainda é muito fechado. Maior abertura comercial implica em expor o Brasil à competição dos mercados mais avançados. Competição, porém, é algo que a agricultura e o agronegócio brasileiro não temem. Para ter sucesso e crescimento sustentado no mercado internacional é preciso estratégias consistentes e alianças sólidas. Apesar da vocação exportadora, o agronegócio brasileiro enfrenta, de tempos em tempos, novos desafios e novas ameaças. Por outro lado, porém, o protecionismo e o nacionalismo ganham força e o mercado mundial está longe de estar plenamente aberto aos produtos brasileiros.

É notório que o Itamaraty, interpretando anseio das classes empresariais, busca estabelecer parcerias estratégicas para posicionar o agronegócio como um ativo do Brasil nas suas relações com o mundo. As aspirações e os esforços do agronegócio brasileiro por uma maior presença no mercado mundial encontraram eco: a criação de um Departamento do Agronegócio no Itamaraty, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pode transformar-se em importante instrumento para esse objetivo. A iniciativa é justificável, pois as exportações do agronegócio verde-amarelo deverão superar a marca dos US$ 100 bilhões em 2019. O departamento atuará ao lado do Ministério da Agricultura na conquista de novos mercados internacionais, orientando negociações comerciais em favor dos produtores brasileiros. Ao lado da APEX, as embaixadas promoverão os produtos agrícolas brasileiros ativa e sistematicamente. O apoio da diplomacia é essencial para vencer a guerra comercial no plano internacional.

Fonte: Assessoria
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