Bovinos / Grãos / Máquinas
Estudos revelam adaptação das raças sintéticas no Brasil
O ITU foi trazido como uma opção para avaliar as mudanças morfológicas no sêmen de acordo com o estresse ambiental
Artigo escrito por Silvio Renato Oliveira Menegassi, médico veterinário doutor em Produção Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Carolina Berlitz, graduanda em Medicina Veterinária – UFRGS; Marcela Rocha, médica veterinária mestranda em Produção Aniamal – UFRGS e Júlio Otávio Jardim Barcellos, médico veterinário doutor professor da UFRGS
O estresse é a condição da demanda indevida de energia devido a fatores ambientais excessivos e aversivos que são identificáveis ??por desequilíbrio fisiológico. Por exemplo, o estresse térmico (temperaturas, umidade, radiação etc.) transmite perdas físicas e econômicas à produção pecuária em regiões temperadas, subtropicais e tropicais do mundo. Uma vez que se reconheceu que os animais eram diferentes entre eles quanto à sua capacidade de enfrentar desafios ambientais, havia muitas tentativas de estabelecer algum tipo de critério para selecionar os melhores indivíduos para configurações específicas.
Portanto, muitos índices foram estimados a partir de medidas meteorológicas, como o Índice de Temperatura e Umidade (ITU). Isso representa o interesse em índices que suportam um gerenciamento ambiental racional e que permitem uma tomada de decisão adequada relacionada ao desempenho, saúde e bem-estar do animal em uma determinada região.
Considerando os problemas que o ambiente térmico causa ao desempenho produtivo, um zoneamento bioclimático regional foi proposto para o gado leiteiro, suínos e ovinos. Em relação à qualidade seminal do touro, já existem evidências de respostas animais diferentes nos mais variados ambientes. O ITU foi trazido como uma opção para avaliar as mudanças morfológicas no sêmen de acordo com o estresse ambiental. No entanto, mais experimentos devem ser realizados durante anos consecutivos para avaliar adequadamente o potencial de fertilidade.
Os principais tipos bovinos criados em todo o mundo são os Bos taurus indicus e os Bos taurus taurus, respectivamente os indianos e os taurinos. Os primeiros, de origem indiana e os demais, de procedência Europeia. Devido a sua completa inter fertilidade devem ser considerados como variações geográficas de uma mesma espécie.
Estudos das análises polimórficas nas regiões microsatélites e de sequência do DNA mitocondrial revelaram que os ancestrais dos zebuinos e dos taurinos divergiram algumas centenas de milhares de anos atras, e que resultam de eventos independentes de domesticação.
Taurinos e indicus possuem diferenças morfológicas e fisiológicas que refletem não só as mudanças ambientais onde esses animais se adaptaram, como diferentes seleções genéticas aplicadas ao longo do tempo.
No Brasil
Na pecuária brasileira, técnicas têm sido utilizadas para aumentar a eficácia e a eficiência da produção de animais, na tentativa de atender a grande demanda de carne pelo mundo, e principalmente, permitir uma expansão do mercado consumidor com um produto de melhor qualidade a um menor custo.
Entre muitas técnicas empregadas para alcançar esses objetivos está a miscigenação das raças, que visa alcançar mercados que ofereçam melhores alternativas econômicas para a compra de uma carne de melhor qualidade.
Raças Sintéticas
Considerando-se que, o rebanho brasileiro é nitidamente composto, em sua grande maioria, por Bos taurus indicus; que a precocidade reprodutiva e produtiva é uma característica melhor traduzida pelos Bos taurus taurus, da mesma forma que as características organolépticas e de maciez da carne; considerando que 90% dos bezerros nascidos são provenientes da monta a campo; que os Bos taurus taurus não conseguem manter uma atividade física de monta satisfatória para alcançar produtividade na maioria das regiões tropicais brasileiras, a pergunta importante a ser feita é: não seria importante e conveniente utilizar raças sintéticas (3/8 indicus X 5/8 taurinas) que abrigariam em sua composição, as características adaptativas e de precocidade para o trabalho nos trópicos brasileiros?
De todas as forças conhecidas que vêm dirigindo a evolução do homem e as mudanças na civilização, os efeitos mais persistentes observados advêm dos fatores que constituem o ambiente climático. As mudanças que foram sendo produzidas no meio ambiente, ao longo de centenas de milhares de anos exerceram profundas modificações no homem, animais e plantas.
O clima é uma combinação de elementos. Inclui temperatura, umidade, precipitação pluviométrica, movimento do ar, radiação, pressão atmosférica e outros. Os climas do nosso planeta, de um modo geral, são classificados como tropical, subtropical, temperado e ártico.
Em condições de ITU superior a 70, os animais começam a acionar os mecanismos fisiológicos para manter o equilíbrio interno, principalmente de temperatura e de balanço hídrico. Com ITU maior de 74, vacas leiteiras de alta produção são submetidas a estresse térmico e diminuem sua produção, dependendo, sobretudo do tempo de exposição acima deste índice.
Um dos índices bastante usado para caracterizar o ambiente é o Índice de Temperatura e Umidade (ITU).
Segundo Baeta, o ITU pode ser classificado da seguinte forma:
< 74 = conforto; 74,1 a 78 = alerta; 78,1 a 84 = perigo; >84 emergencia.
Experimento 1
O objetivo deste trabalho é avaliar o desempenho reprodutivo adaptativo em touros sintéticos, através da qualidade seminal, utilizando o Índice de Temperatura e Umidade como referência de estresse nas regiões tropicais e subtropicais brasileiras durante a espermiogênese e o trânsito epididimário.
A linha de pesquisa iniciou em 2011/2012 no município de Uruguaiana, RS, nas fazendas Nova Aurora e Anjo da Guarda, criadores da raça Braford e Hereford (62,31m, -57,08°W, -29,75°S). As coletas das variações diárias climáticas foram feitas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Experimento 2
O segundo experimento da linha de pesquisa realizou-se em 2013/2014 no município de São Gabriel, na fazenda Agropecuaria JMT (54° 19′ 12″ W longitude and 30° 20′ 11″ S latitude, com 114-m), criadores da raça Brangus, com o acompanhamento dos touros durante as quatro estações do ano e avaliadas as possiveis alterações na qualidade espermáticas dos touros.
Experimento 3
O terceiro experimento foi em Lages, SC, fazenda Três Marias, criadores da raça Braford e Hereford (1415 m, -49,93 ° W, -28,27 ° S), 2015/16, e São Gabriel, RS, Fazenda do Bolso (110m, -54,31°W, -30,34°S), 2015/16, criadores da raça Braford e Hereford com uma amostra/estação.
Experimentos 4 e 5
O quarto e quinto experimentos foram conduzidos em Santo Antonio do Lerveger, MT criador da raça Braford (114m, -57 ° 63W, -18,99 ° S) em 2014/15, coletados duas vezes/estação (três coleções durante a estação quente úmida). E em Porto Nacional, TO, realizado na fazenda Brasil, criadores da raça Braford (239,2m, -48,41 ° W, -10,72 ° S) em 2015/16 com duas amostras/estação.
Conclusão
Em nossa pesquisa, observamos que a qualidade do sêmen não mudou significativamente para rejeitar um touro durante o exame de Avaliação Andrológica durante as estações de reprodução quando nos meses quentes o ITU variou no período da espermiogênese de 65.59 a 93.00. Mostrando que os touros sintéticos podem ser perfeitamente capazes de executar um serviço de campo nessas faixas de temperatura e umidade medidas pelo ITU.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
