Suínos Nutrição
Estudos mostram que suplementação das dietas com Bacillus amyloliquefaciens CECT 5940 melhora performance de leitões
No geral, os resultados sugerem que a suplementação com Bacillus amyloliquefaciens reduz contagem fecal de E. coli, a frequência de diarreia e aumenta o desempenho de leitões desmamados

Artigo escrito pela equipe técnica da Evonik
O desmame é um dos períodos mais estressantes da vida dos leitões, pois é acompanhado pela separação das mães e pela mudança do leite para uma dieta sólida. Nesse período, o sistema digestivo dos leitões desmamados ainda é imaturo e o estresse do desmame pode alterar a morfologia do intestino delgado e reduzir a secreção de enzimas digestivas, prejudicando a capacidade de digestão e absorção. Consequentemente, os nutrientes não digeridos (proteína bruta, por exemplo) serão usados como substrato para o crescimento de bactérias patogênicas, particularmente cepas enterotoxigênicas de Escherichia coli no intestino grosso, causando diarreia pós-desmame.
Para reduzir a incidência e a gravidade da diarreia pós-desmame, é comum o uso de antibióticos e óxido de zinco (ZnO) nas dietas de leitões pós-desmame. No entanto, a preocupação com o desenvolvimento de cepas de bactérias resistentes a antibióticos em humanos resultou em proibições do uso de antibióticos como promotores de crescimento. Portanto, é essencial que a indústria suína encontre alternativas para substituir os promotores por aditivos alimentares que possam reduzir eficientemente a incidência de problemas entéricos durante o período de desmame.
Os probióticos são considerados uma alternativa potencial aos antibióticos promotores de crescimento para reduzir a contaminação por patógenos e melhorar a saúde dos animais, principalmente no desmame. Estudos mostraram que a suplementação de um probiótico baseado em Bacillus pode melhorar o desempenho, a função da barreira intestinal e o perfil da microbiota em leitões desmamados. Os estudos também mostraram que manter um intestino saudável é fundamental para uma melhor utilização dos nutrientes na dieta.
Fornecer o Bacillus amyloliquefaciens CECT 5940 pode melhorar significativamente o ganho em leitões pós-desmame alimentados com dietas livres de antibióticos e melhorar o escore de consistência fecal, de acordo com um estudo feito em Leon, Espanha.
Resultados de performance
Os resultados de desempenho obtidos com a suplementação dietética de Bacillus amyloliquefaciens CECT 5940 (1kg / tonelada de ração) são mostrados na Tabela 1. Não houve diferença significativa no consumo médio diário de ração (P> 0,05). No entanto, houve uma melhora significativa na eficiência alimentar (P <0,05). O ganho médio diário (GMD) foi apenas marginalmente significativo (P <0,10), indicando uma tendência para melhoria do GMD com suplementação de Bacillus amyloliquefaciens. O escore médio de consistência fecal obtido no período foi significativamente reduzido (P <0,05) com a suplementação com probiótico.

Destaque para leitões de creche
Um segundo estudo, realizado em Montes Claros, estado de Minas Gerais, avaliou a eficácia do Bacillus amyloliquefaciens CECT 5940 em dietas com ou sem antibióticos em dose sub-terapêutica no desempenho de leitões de creche. Os leitões foram alimentados com uma dieta controle negativo, como a dieta comercial típica, onde são utilizados vários aditivos alimentares. Essa dieta controle-básica continha óxido de zinco (ZnO), uma mistura de ácidos orgânicos e adsorventes de micotoxinas. As outras três dietas consistiram em uma dieta basal com um antibiótico, o probiótico Bacillus amyloliquefaciens CECT 5940 (1kg / tonelada de ração), ou uma combinação do antibiótico e do probiótico.
A eficácia dos probióticos em suínos é comumente testada em dietas isentas de outros aditivos alimentares que promovem a saúde intestinal. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da inclusão de um probiótico em dietas com ou sem antibióticos em dose sub-terapêutica e outros aditivos alimentares comumente usados como óxido de zinco e ácidos orgânicos, como representação de dietas comerciais em algumas regiões, sobre o desempenho do crescimento e saúde intestinal de leitões.
Os resultados mostraram que a suplementação com probiótico em dietas iniciais promove uma flora intestinal mais saudável, reduzindo a contagem de E. coli (Fig. 2.) e melhorando a consistência das fezes (Fig. 3). Concluiu-se também que a suplementação com antibióticos em doses terapêuticas em dietas com Bacillus amyloliquefaciens não influenciou a eficácia do probiótico na redução de E. coli ou na melhora da consistência das fezes. Como todas as dietas continham óxido de zinco e ácidos orgânicos, as diferenças de desempenho foram mínimas quando comparadas à dieta controle negativo (CN); no final do estudo, os leitões alimentados com todas as dietas alcançaram peso corporal final semelhante (PC). Os animais que receberam a dieta com antibiótico tiveram menor consumo e melhor eficiência alimentar, porém, não apresentaram os mesmos benefícios de saúde intestinal que aqueles alimentados com dietas com probiótico.


No geral, os resultados desses estudos sugerem que a suplementação com Bacillus amyloliquefaciens CECT 5940 (1kg / tonelada de ração) reduz a contagem fecal de E. coli, a frequência de diarreia e aumenta o desempenho de leitões desmamados.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2020 ou online.

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



