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Estudo revela como boas práticas reduzem consumo de água na produção de leite

Pesquisa de instituições brasileiras e alemãs mostra que ajustes no manejo, eficiência alimentar e tratamento de dejetos podem diminuir em até 70% a pegada hídrica das fazendas leiteiras, mesmo diante dos efeitos das mudanças climáticas.

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Fotos: Gisele Rosso

Pesquisadores de instituições brasileiras e alemãs avaliaram como intervenções relacionadas às práticas produtivas e ao manejo dos dejetos contribuem para diminuir o consumo de água na produção leiteira. Analisaram também os impactos das mudanças climáticas na pegada hídrica da atividade. Ao todo, foram realizadas 192 combinações entre boas práticas e cenários climáticos para cada uma das 67 fazendas estudadas, que resultaram em dados sobre a eficiência hídrica nas propriedades e na produção do leite, úteis para orientar sua maior sustentabilidade. O trabalho científico “How do production practices and climate change impact the water footprint of dairy farms?” foi publicado na revista internacional Science of The Total Environment.

As 67 propriedades analisadas estão localizadas em Lajeado Tacongava, na região nordeste do Rio Grande do Sul, representando 81,7% das fazendas nesta bacia hidrográfica. Do total, 57 delas são baseadas em pastagem; sete são semi-confinadas e três, confinadas. Todas as propriedades são especializadas em produção leiteira.

O conceito de pegada hídrica envolve a quantidade de água consumida direta e indiretamente durante o ciclo de produção. No caso da produção do leite, o estudo a calculou seguindo as diretrizes do Manual de Avaliação da Pegada Hídrica. Foram observadas as pegadas referentes ao uso direto de água na propriedade e ao uso indireto no cultivo de alimentos usados na dieta animal e considerados os consumos de água verde, azul e cinza.

 

A estimativa de água verde considerou a água consumida na produção dos componentes da dieta dos bovinos, incluindo a evapotranspiração das culturas forrageiras e o teor de água no alimento. A azul contabilizou a água consumida de fontes superficiais e/ou subterrâneas, incluindo os consumos de todas as categorias animais, a lavagem da sala de ordenha e o resfriamento das instalações. O cálculo da água cinza foi realizado com base na quantidade total de água necessária para assimilar o nitrato (NO₃) que escoa para a água superficial quando o efluente da sala de ordenha é usado como fertilizante.

Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste, que integrou a equipe de cientistas, melhorias na produtividade das culturas de milho e soja, utilizadas na alimentação dos bovinos, redução do consumo de água na lavagem da sala de ordenha, aumento da produção de leite e tratamento de efluentes são fatores que contribuem para diminuir a pegada hídrica. No entanto, o aquecimento global aumenta a pegada hídrica azul e a verde, devido ao maior consumo de água pelos animais e à diminuição do rendimento do milho..

Eficiência hídrica

As 192 combinações entre boas práticas e cenários climáticos foram feitas para cada fazenda para avaliar a eficiência hídrica. A pegada hídrica média foi de 704 litros de água por quilo de leite corrigido para o teor de proteína e gordura, com valores máximos de 1.058 litros de água e mínimos de 299 litros de água por quilo de leite corrigido.

A maior eficiência pode ser alcançada por uma combinação de fatores, incluindo o aumento da produção de leite por vaca ao dia, a eficiência de conversão da dieta em leite e a melhoria das práticas de tratamento dos dejetos.

Os valores da pegada hídrica de fazendas do sistema a pasto variaram de 299 a 1.058 litros de água por quilo de leite corrigido. A pegada maior é resultado da menor eficiência na produção de leite desse sistema em comparação aos mais intensivos. No entanto, foram observados valores de pegada menores que dos outros sistemas. “Independentemente do modelo de produção, se gerenciado corretamente, ele pode ser ambientalmente amigável em relação à água”, destaca Palhares.

Nas propriedades semi-confinadas, a variação foi de 656 a 965 litros de água por quilo de leite corrigido. As maiores pegadas nesse sistema devem-se, principalmente, a indicadores de desempenho baixos. Por exemplo, a produção de leite por vaca ao dia foi de 15 litros em uma das propriedades, enquanto a média das fazendas foi de 23. Nas fazendas confinadas, a pegada hídrica variou de 562 a 950 litros de água por quilo de leite corrigido, resultado da maior eficiência produtiva das vacas em lactação (litro de leite por vaca ao dia e melhor conversão alimentar).

Combinações que resultaram em maior ou menor pegada hídrica

De acordo com o estudo, para todos os sistemas, as combinações que resultaram em maior eficiência hídrica foram caracterizadas por alguns fatores principais. Para água verde, o aumento de 25% nas produtividades de milho e soja possibilitou a menor pegada hídrica. Para a água azul, a redução no consumo de água na lavagem da sala de ordenha, o aumento de um litro de leite por vaca ao dia e/ou a diminuição de um quilograma na ingestão de matéria seca por vaca diariamente foram responsáveis pelos efeitos positivos.  Já para a água cinza, constatou-se que o tratamento do efluente da sala de ordenha foi medida benéfica, que resultou em menor pegada.

As combinações que resultaram em menor eficiência hídrica, independentemente do sistema, são relacionadas ao cenário climático.  No caso da água verde, a produtividade 15% menor de milho devido ao impacto das mudanças do clima; para a água azul, o aumento de 1,5 °C a 2,5 °C na temperatura média e/ou a redução de um quilograma na ingestão de matéria seca por vaca ao dia; e para água cinza, o não tratamento do efluente.

Os resultados mostram que um impacto maior poderia ser alcançado, considerando o consumo de água verde, azul e cinza, bem como as características específicas de cada fazenda. Fatores que aumentam a eficiência hídrica na pecuária incluem o aumento da produtividade animal, a otimização da estrutura do rebanho, a seleção de gado com melhor eficiência de conversão alimentar e o uso eficiente de água.

No caso da água verde, a eficiência hídrica está relacionada a desempenho hídrico na agricultura. O menor uso de água pelas culturas vegetais se traduz em menor uso de água por quilo de proteína animal. Menor consumo de água azul para lavagem da sala de ordenha e maior eficiência de produção de leite também impactam positivamente a redução da pegada hídrica. “Práticas que garantam o uso eficiente da água na limpeza da sala de ordenha e mantenham sistemas de produção de alto desempenho são essenciais. O tratamento de efluentes também é crucial, pois garante uma menor carga poluente, reduzindo a pegada hídrica cinza”, explica o pesquisador.

 

A pegada hídrica verde representou 98,8% do valor da pegada do leite para os sistemas a pasto e semi-confinados. No confinado, essa proporção foi de 99%. A ração constitui a maior parte da pegada hídrica dos produtos de origem animal.

Independentemente do sistema, o cenário envolvendo o aumento de 25% nos rendimentos de milho e soja apresentou a menor pegada hídrica verde. A média foi de 519 litros de água por quilo de leite corrigido para os sistemas baseados em pastagem e 580 litros de água por quilo de leite corrigido para os sistemas semi-confinados. No confinado, os valores variaram de 313 a 549 litros de água por quilo de leite corrigido.

A pegada hídrica azul média no sistema a pasto foi de 7,8 litros de água por quilo de leite corrigido. Em fazendas semi-confinadas, a média foi de 7,5, e, em fazendas confinadas, variou de 5,4 a 6,4 litros de água por quilo de leite corrigido. Os maiores valores de pegada azul foram observados em fazendas baseadas em pastagem, com um valor máximo de 11,5 litros de água por quilo de leite corrigido.

O aquecimento global também afetará a pegada hídrica azul na produção de leite; no estudo este aumento foi de 1% a 2%.

A pegada hídrica cinza não foi representativa nos valores totais da pegada hídrica, respondendo por 0,07%, 0,06% e 0,11% em média para sistemas baseados em pastagem, semi-confinados e confinados, respectivamente. A carga poluente varia de acordo com o tamanho da fazenda, as práticas de manejo do esterco e seu uso como fertilizante. Essas condições de produção podem influenciar significativamente as características das emissões de poluentes e o volume de água cinza.

 

Ação mitigadora de curto prazo

O aumento dos rendimentos das culturas agrícolas, como milho e soja, seria a ação mitigadora de curto prazo para melhorar a eficiência hídrica na produção de leite. Isso porque a pegada hídrica verde representou mais de 98% da pegada total dos sistemas. Para o pesquisador, essa alternativa ainda é possível em algumas regiões produtoras, mas a cada ano é mais limitada devido aos efeitos das mudanças climáticas. O impacto do aquecimento global ocorre para o consumo de água verde e da azul. Temperaturas mais elevadas (1,5 °C ou 2,5 °C) levarão ao aumento do consumo de água pelas vacas, impactando a pegada azul. Além disso, resultarão em menores rendimentos de milho, aumentando a pegada hídrica verde.

Medidas para reduzir a pegada hídrica nas fazendas contribuem para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), para a Agenda 2030. O Objetivo 2, que se refere a práticas agropecuárias resilientes. A meta 12, que leva em consideração o consumo e a produção responsáveis, principalmente em relação à gestão sustentável e ao uso eficiente dos recursos naturais. E, também, o Objetivo 13, de combate às mudanças climáticas, que busca a adoção de medidas para desacelerar as consequências adversas da crise climática.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste

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Quando a pulverização ultrapassa o alvo

Falhas na regulagem, condições climáticas inadequadas e falta de precisão técnica aumentam o risco de deriva, com impactos em culturas vizinhas, meio ambiente e produção pecuária.

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Foto: Correio do Lago

A pulverização de defensivos agrícolas é uma das operações mais consolidadas da produção moderna. Essencial para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas, ela também figura entre as práticas de maior complexidade técnica dentro do manejo agrícola. Na teoria, trata-se de um processo amplamente estudado, regulado e tecnicamente previsível. Na prática, porém, o resultado final depende de um conjunto de variáveis que nem sempre permanecem sob controle absoluto.

Em janeiro deste ano, produtores registraram a morte de quatro vacas prenhas de alta genética em uma propriedade leiteira em Santa Helena, no Oeste do Paraná. A suspeita dos pecuaristas é de possível deriva de um defensivo aplicado em área vizinha. O episódio ainda depende de conclusões técnicas definitivas. Independentemente do desfecho, situações dessa natureza expõem uma realidade conhecida no campo: a eficiência da pulverização está diretamente condicionada à precisão técnica da aplicação.

O tema ganha relevância em um momento oportuno. Poucos dias depois do ocorrido, durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), a Embrapa Soja, em parceria com a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), lançou a publicação “Tecnologia de Aplicação de Pesticidas”, voltada justamente à análise dos fatores que determinam o sucesso ou o fracasso da deposição dos defensivos.

Processo técnico, não simples operação

Fotos: RRRufino

Segundo o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, o desempenho de um pesticida não está restrito às características químicas do produto. “O uso de pesticidas exige equipamento em perfeitas condições de uso, boa regulagem, informações sobre condições climáticas e conhecimentos técnicos e científicos para que o alvo seja atingido, sem colocar em risco a segurança humana e ambiental.”

A afirmação reforça um princípio central da tecnologia de aplicação: o produto não corrige falhas operacionais. Mesmo moléculas tecnicamente adequadas podem apresentar eficiência comprometida quando variáveis físicas e ambientais não são devidamente consideradas.

Entre o pulverizador e o alvo existe física, não intenção. Após deixar o sistema aplicador, a calda passa a obedecer exclusivamente às leis físicas que regem o comportamento das gotas. “Desde o momento em que a calda sai do pulverizador até atingir o alvo, é necessário seguir orientações técnicas para evitar perdas, contaminações e impactos indesejados”, reforça.

Tamanho de gotas, pressão, velocidade, altura de aplicação e condições atmosféricas passam a determinar trajetória, evaporação e deposição. Nesse estágio, a eficiência deixa de ser química e passa a ser físico-operacional.

Deriva: risco inerente

O professor Cleber Maciel, da Unicentro, ressalta que a deriva (deslocamento das gotas para fora da área-alvo) permanece como uma das variáveis mais críticas da aplicação. “Quando o processo não é bem conduzido, o ingrediente ativo pode não atingir o alvo. Isso favorece a deriva, a evaporação e a contaminação de culturas vizinhas, dos recursos hídricos e até do próprio aplicador.” A deriva não é evento excepcional. Trata-se de um risco inerente à pulverização, cuja magnitude depende diretamente do controle das variáveis operacionais e ambientais.

Ambiente atmosférico

Mesmo em aplicações tecnicamente reguladas, as condições meteorológicas exercem influência direta sobre o comportamento das partículas. “Estudos indicam que as melhores condições para aplicação ocorrem com ventos entre 3,2 e 6,5 km/h, umidade relativa mínima de 55% e temperatura inferior a 30 °C.”, destaca Maciel. Fora dessas faixas, aumentam os riscos de evaporação, deslocamento lateral e deposição inadequada. A atmosfera deixa de ser pano de fundo e passa a ser variável técnica determinante.

Ajuste e calibração da máquina

Segundo os autores da publicação, outro ponto crítico é o ajuste e a calibração dos pulverizadores. Gazziero afirma que as inspeções de campo mostram que a maioria dos equipamentos opera com algum tipo de problema, o que compromete tanto a eficácia do controle quanto a segurança ambiental. “A calibração correta garante que o volume de pulverização aplicado corresponda ao planejado, considerando velocidade, pressão, espaçamento dos bicos e altura da barra”, avalia.

Problemas como vazamentos, filtros entupidos, bicos desgastados e variações excessivas de vazão são mais comuns do que se imagina e podem reduzir drasticamente a qualidade da aplicação. “A manutenção dos equipamentos, o cumprimento das condições ambientais no momento da aplicação e o treinamento de operadores e técnicos são identificados como os principais gargalos do setor”, destaca Maciel.

Tecnologia reduz risco, mas não elimina incerteza

A evolução dos equipamentos, incluindo pulverizadores de alta precisão e drones agrícolas, ampliou o controle sobre padrões de aplicação. Isso não elimina os riscos inerentes ao processo. “A modernização dos equipamentos não substitui o conhecimento técnico e a capacitação dos operadores.”, reforça o professor da Unicentro. Regulagem inadequada, definição incorreta do espectro de gotas ou interpretação equivocada das condições ambientais continuam sendo fatores decisivos.

Risco fora do alvo: onde surgem os maiores prejuízos

Quando a deposição falha, o problema não se limita à perda de eficiência do defensivo. Elas podem resultar em impacto em culturas sensíveis, contaminação de áreas vizinhas e prejuízos em sistemas pecuários, como é a suspeita no caso da morte das bezerras, além de riscos ambientais e perdas econômicas indiretas.

A publicação da Embrapa reforça: “A tecnologia de aplicação envolve conhecimentos científicos e práticos que visam à correta deposição do produto no alvo biológico.” Em termos práticos, o desempenho do pesticida começa na previsibilidade técnica da aplicação.

“Seguir critérios técnicos, respeitar as condições ambientais e investir em treinamento são medidas fundamentais para garantir a produtividade no campo, com segurança para aplicadores, consumidores e o meio ambiente”, conclui Gazziero.

Os autores da publicação são Cleber Maciel, Dionísio Gazziero, Rafael Theisen, Luiz Gustavo Bridi e Fernando Adegas.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Período chuvoso é oportunidade para mais eficiência e lucro na pecuária de corte

Período das águas é quando o sistema oferece, naturalmente, mais forragem em quantidade e qualidade, reduzindo a necessidade de investimentos intensivos em insumos concentrados e abrindo espaço para ganhos de desempenho

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Foto: Divulgação/Cargill

Artigo escrito por Eduardo Gonçalves Batista, consultor Técnico Nacional Bovinos de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal

O período das águas é, do ponto de vista técnico, a maior alavanca de eficiência disponível para a pecuária de corte em clima tropical. É quando o sistema oferece, naturalmente, mais forragem em quantidade e qualidade, reduzindo a necessidade de investimentos intensivos em insumos concentrados e abrindo espaço para ganhos de desempenho. Isso acontece desde que o manejo seja conduzido com critério zootécnico e disciplina na gestão de dados.

Nesse contexto, o papel do produtor deixa de ser apenas “aproveitar o capim” e passa a ser o de orquestrar oferta de forragem, carga animal e suplementação com foco em resultado econômico por hectare. No entanto, dois equívocos ainda são muito frequentes nessa época do ano. O primeiro é confiar apenas na “experiência de campo” para tomar decisões de manejo alimentar. O segundo é subestimar o impacto da suplementação estratégica, mesmo com boa oferta de pasto.

Manejar pastagens é uma atividade diária que exige ajustes constantes de lotação em função de altura de entrada e saída, oferta de forragem, dias de ocupação e descanso de cada piquete, consumo real de suplementos e peso projetado por categoria. Sem esses dados minimamente organizados, o produtor perde precisão na tomada de decisão e entrega menos ganho por animal e por área do que o potencial das pastagens permitiria.

Do ponto de vista nutricional, a chuva, sozinha, não garante desempenho. Vacas de cria, por exemplo, dependem de um aporte adequado de macro e microminerais que muitas vezes não estão plenamente disponíveis na pastagem. Isso pode comprometer fertilidade, produção de leite e desempenho dos bezerros.

Já nas fases de recria e engorda, as gramíneas tropicais em crescimento costumam atender apenas a ganhos medianos. Para capturar ganhos médios diários mais altos e encurtar ciclos de produção, é necessário elevar a ingestão de proteína e energia com suplementos formulados especificamente para essa fase e nível de ambição produtiva.

Manejo

Algumas práticas de manejo são decisivas para transformar esse potencial em resultado. A correção e adubação de solo, quando bem planejadas, aumentam a capacidade de suporte das pastagens. Isso permite trabalhar com taxas de lotação mais elevadas sem comprometer a rebrota.

A adoção de pastejo rotacionado, com metas claras de altura de entrada e saída, organiza o uso da forragem e facilita a leitura do sistema. Já uma suplementação alinhada à meta de ganho de cada categoria (cria, recria, engorda) ajuda a maximizar tanto o ganho individual quanto o ganho de peso por hectare, que é o indicador-chave de rentabilidade na pecuária de ciclo curto.

Combinada a suplementos minerais, proteicos e proteico-energéticos e ao suporte de uma equipe técnica especializada, essa abordagem baseada em dados ajuda o pecuarista a tomar decisões mais assertivas no dia a dia. Dessa forma, o produtor rural poderá capturar todo o potencial do período das águas em termos de produtividade, eficiência de uso da terra e lucratividade do negócio.

Fonte: O Presente Rural
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Exportações de carne bovina crescem 39% e ampliam presença fora da China

Receita soma US$ 2,8 bilhões e embarques chegam a 557 mil toneladas no início de 2026. EUA quase dobram compras, Rússia mais que duplica importações e preços em alta reforçam o resultado mesmo com possível redução da oferta interna.

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O desempenho das exportações brasileiras de carne bovina no início de 2026 indica uma recomposição relevante da demanda externa, com avanço simultâneo em volume e receita e maior diversificação de mercados. Embora a China siga como principal destino, o crescimento mais acelerado em países como Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia tem reduzido, na margem, a dependência do mercado chinês.

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Esse movimento ocorre em um contexto de incerteza em relação às salvaguardas adotadas pela China, mas os dados do primeiro bimestre sugerem impacto limitado até o momento. Parte dessa compensação vem dos Estados Unidos, que enfrentam um déficit estrutural de oferta. A estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é de necessidade de importação de 2,5 milhões de toneladas em 2026, o que mantém o país como um dos principais vetores de demanda para a carne bovina brasileira.

Além dos grandes compradores, mercados de médio porte também ampliaram aquisições de forma consistente. Chile, Rússia, Egito, Emirados Árabes, México e Arábia Saudita registraram crescimento relevante nas importações no período, reforçando a dispersão geográfica das vendas brasileiras.

No caso do Oriente Médio, há um fator adicional de risco ligado ao cenário geopolítico. A escalada do conflito na região pode pressionar custos logísticos e afetar fluxos comerciais. Ainda assim, o peso relativo desse mercado nas exportações brasileiras limita o impacto potencial. Em 2025, a região respondeu por 6,65% da receita com carne bovina, em torno de US$ 1,22 bilhão, participação que subiu para 8,5% no primeiro bimestre de 2026, chegando a US$ 244 milhões, o que indica relevância, mas não centralidade na pauta exportadora.

Ciclo pecuário

O crescimento das exportações ocorre em paralelo a uma mudança no ciclo pecuário brasileiro. A valorização dos animais de reposição e a redução do abate de fêmeas indicam um movimento de retenção no campo, o que tende a limitar a oferta de carne bovina ao longo de 2026, justamente em um momento de demanda externa aquecida.

Ao mesmo tempo, há perspectiva de ampliação de mercados. Países como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul estão no radar do setor, seja para consolidação das vendas, seja para abertura

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efetiva, o que pode reforçar a demanda internacional pela proteína brasileira.

Nesse contexto, mesmo em um cenário de esgotamento da cota de exportação para a China isenta da tarifa de 55%, a tendência é de sustentação da demanda por animais. A combinação entre maior procura em diferentes mercados e restrição de oferta interna deve manter o mercado firme ao longo do ano.

Demanda por carne bovina

Os dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex), referente ao primeiro bimestre confirmam esse movimento. Entre janeiro e fevereiro, as exportações de carne bovina, incluindo produtos in natura, industrializados e miudezas, somaram US$ 2,865 bilhões, alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025, quando a receita foi de US$ 2,065 bilhões. Em volume, foram embarcadas 557,24 mil toneladas, avanço de 22% sobre as 455,97 mil toneladas do ano anterior.

Considerando apenas o mês de fevereiro de 2026, as exportações alcançaram US$ 1,449 bilhão, crescimento de 39,57% frente aos US$ 1,038 bilhão registrados em fevereiro de 2025. O volume embarcado no mês chegou a 279,26 mil toneladas, aumento de 28,64% em relação às 217,08 mil toneladas do mesmo mês do ano passado.

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Destino da carne bovina brasileira

A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira neste primeiro bimestre do ano, registrando crescimento de 36% frente ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1,221 bilhão, com embarques de 223,7 mil toneladas (+21,7%). A participação chinesa no total das exportações se reduziu para 42,6% no primeiro bimestre de 2026, frente a 43,4% no mesmo período de 2025. Quando se consideram apenas as vendas de carne bovina in natura, a participação chinesa foi de 46,5% no primeiro bimestre de 2026, ante 48,6% no primeiro bimestre de 2025, evidenciando o crescimento relativo de outros mercados. Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para a China tiveram valorização de 12% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 5.461 por tonelada.

As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos, segundo maior comprador externo, cresceram 97,3% no primeiro bimestre de 2026, para US$ 379 milhões, enquanto o volume embarcado teve um incremento de 60%, para 63,08 mil toneladas.

No total, as vendas de carne e subprodutos bovinos para os Estados Unidos alcançaram US$ 448,7 milhões no primeiro bimestre do ano (+56,8%). Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos tiveram valorização de 23,4% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 6.015 por tonelada.

Outros mercados
A União Europeia é outro mercado que segue crescendo firme e com perspectivas favoráveis após a aprovação do Acordo Comercial com o Mercosul. No primeiro bimestre de 2026, as vendas de

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carne bovina in natura para o bloco europeu cresceram 24,6% em receitas, para US$ 121,4 milhões, e 18,8% em volume, para 14,17 mil toneladas. Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para a União Europeia apresentaram valorização de 4,85% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 8.568 por tonelada.

Na América do Sul, o Chile manteve desempenho sólido, com crescimento de 22,4% no volume importado, que atingiu 23.609 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 29,3%, totalizando cerca de US$ 135,9 milhões.

A Rússia, por sua vez, apresentou uma das expansões mais expressivas entre os 20 maiores compradores, subindo para a quinta posição. As importações de carne bovina provenientes do Brasil cresceram 106,6% em volume, atingindo 23.349 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 132,3%, para aproximadamente US$ 102,6 milhões, refletindo o fortalecimento da presença brasileira naquele mercado.

Os dados dos dois primeiros meses de 2026 apontam para um cenário de expansão das exportações brasileiras de carne bovina, impulsionado principalmente pela Ásia, pelo Oriente Médio e por mercados emergentes, enquanto alguns destinos específicos apresentaram ajustes ou retrações pontuais. O resultado reforça o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína bovina em um contexto de demanda internacional ainda aquecida. No total, 109 países aumentaram suas importações, enquanto outros 42 reduziram as aquisições.

Fonte: Assessoria Abrafrigo
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