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Estudo revela aumento da frequência de salmonela clínica no Brasil

Maior obstáculo sanitário deriva do crescente número de animais nos planteis suinícolas aliado ao reaparecimento de enfermidades de grande impacto na cadeia de produção

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Artigo escrito por Jalusa Deon Kich (centro), Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves – Concórdia, SC; Mariana Meneguzzi (direita), Graduanda do curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal Catarinense – IFC – Concórdia, SC; e Caroline Reichen, Mestranda do curso de Pós-graduação em Produção e Sanidade Animal do Instituto Federal Catarinense – IFC – Concórdia, SC

A atividade suinícola é um expoente econômico e cultural que gera renda para famílias de agricultores, emprego direto nas agroindústrias e indireto nas atividades relacionadas, também contribui sobremaneira para o balanço comercial e PIB do país. A manutenção e acesso a mercados exigem a superação de desafios, entre os quais merecem atenção a sustentabilidade das propriedades, o bem estar dos animais, a melhoria da biosseguridade das granjas e o status sanitário do rebanho. O maior obstáculo sanitário deriva do crescente número de animais nos planteis suinícolas aliado ao reaparecimento de enfermidades de grande impacto na cadeia de produção. Entre as inúmeras patologias que afetam os suínos, a salmonelose clínica desponta com grande importância nos últimos anos.

A contaminação por salmonelas na suinocultura se caracteriza por dois problemas: a presença de sorovares patogênicos, adaptados ao suíno, que provocam gastroenterites e septicemias, e a presença de sorovares que não causam doença nos animais, mas são as principais fontes de contaminação das carcaças nos abatedouros e que podem infectar seres humanos. Porém, o foco deste relato é o aumento e caracterização da salmonelose clínica que vem ocorrendo nos últimos anos no Brasil.

Etiologia

A suinocultura intensiva favorece a ocorrência e recrudescimento de enfermidades que causam impacto econômico a agravamento da saúde dos animais. Neste contexto, a salmonelose tem aumentando em relevância devido a crescente ocorrência nos últimos anos e a emergência de cepas multirresistentes aos antimicrobianos.

O gênero Salmonella é dividido em duas espécies, a Salmonella bongori com 23 sorovares conhecidos e a Salmonella (S.) enterica, subdividida em seis subespécies: enterica, salamae, arizonae, diarizonae, houtenae, indica, tendo sido descritos 2.579 sorovares até 2007. Entre os sorovares que compõem a subespécie Salmonella enterica enterica, se encontram aqueles que possuem multi-hospedeiros como é o caso do Typhimurium, que pode estar ou não envolvido com enterocolite; sorovares que não causam doença nos animais, mas podem entrar na cadeia de produção de alimentos; e finalmente os sorovares adaptados ao hospedeiro que ultrapassam a barreira intestinal e causam septicemia desenvolvendo doença generalizada grave, no suíno o sorovar Choleraesuis.

Outros sorovares podem ocasionalmente causar a doença clínica em suínos, mas geralmente são associados a fatores predisponentes, incluindo debilitação, distúrbios intestinais e outras circunstâncias que permitem que suínos imunologicamente comprometidos sejam expostos a doses elevadas do agente. A Salmonella Heidelberg tem sido associada à diarreia pós-desmame com lesões leves em leitões e a Derby registrada como causa de diarréia em suínos.

Epidemiologia

São inúmeras as fontes de infecções por Salmonella, figurando entre as mais relevantes a presença da bactéria nas fezes, a contaminação residual no ambiente da granja, ração e água, presença de vetores e fômites. Especificamente para a S. Choleraesuis, a principal fonte de infecção é o próprio suíno, o patógeno é isolado de animais doentes e/ou portadores e dificilmente é encontrado em outros locais como ambiente e ração. Para os outros sorovares as fontes de infeção são consideradas infinitas e o suíno é um filtro biológico que se infecta e passa a excretar, contaminando o ambiente e infectando outros animais. Os demais hospedeiros como cães, gatos, pássaros, roedores e invertebrados se comportam como portadores, excretores e vetores, disseminando a Salmonella pelo sistema de produção.

O reservatório de bactérias do gênero Salmonella é o trato intestinal de animais de sangue quente e frio. Este agente tem praticamente todos os atributos necessários para garantir ampla distribuição, incluindo hospedeiros de reservatórios abundantes, uso de vetores de transmissão e a eliminação fecal eficiente de animais portadores no meio ambiente.

O estado de portador assintomático com a possibilidade de reativar a excreção de Salmonella, especialmente em momentos de estresse como transporte e mistura de animais, é crítico na transmissão da bactéria entre os suínos. A via mais tradicional de transmissão do agente é a fecal-oral, mas secreções orofaríngeas também podem ser contaminadas, permitindo assim a propagação nariz-a-nariz da doença. A transmissão em distâncias curtas é possível através de aerossóis contaminados, fezes e partículas de poeira.

Outra caracteristica importante é a habilidade da Salmonella em persistir no ambiente e se multiplicar fora do organismo animal em condições favoráveis de presença de matéria orgânica, umidade e temperatura. Tais condições evidenciam a importância das medidas de biosseguridade externas e internas e boas práticas de produção como pré-requisitos fundamentais para o controle dessa infecção nas granjas, já que, mundialmente, a sua erradicação é considerada praticamente impossível.

Histórico

Os dados de pesquisa brasileira sobre a dinâmica de infecção de Salmonella em todos os elos da cadeia de produção de suínos, fábrica de rações, granjas e frigoríficos, tem foco na segurança dos alimentos. Ou seja, o objetivo é entender o problema para definir estratégias de controle de forma que o produto carcaça/carne suína seja o menos inócua possível e atenda critérios de proteção aos consumidor.

Todavia, a exemplo de outros países onde a salmonelose clínica ocorre de forma frequente, é preciso se debruçar sobre uma nova realidade que vem ocorrendo nos últimos anos no Brasil: “o aumento da incidência de casos clínicos distribuídos em todas regiões produtoras de suínos”. A expansão da salmonelose clínica tem sido registrada nos laboratórios de diagnóstico especializados a partir de 2011, principalmente nas regiões com maior produção de suínos, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Se fizermos uma retrospectiva de trabalhos publicados em anais das Abraves, dentro das dezessete edições anteriores do evento, praticamente não houveram publicações que abordassem o tema salmonelose clínica, com exceção de 2011, quando foi relatado caso de infecção urinária em porcas e pneumonia em suínos de creche. Os trabalhos relacionados à Salmonella se concentraram na área de segurança dos alimentos. Deste modo, se justificam os esforços para conhecer melhor a situação brasileira, bem como produzir resultados que ajudem os colegas a combater o problema no campo.

Distribuição geográfica

A doença é endêmica nas granjas de suínos, com ocorrência crescente nos últimos anos, principalmente em estados com maior representatividade na atividade suinícola. Também é importante frisar que os números mais elevados de casos da doença coincidem com os estados onde se localizam laboratórios de diagnóstico especializado em suínos. Segundo Vanucci et al (2014), mais de 60 isolados de Salmonella Choleraesuis foram obtidos a partir de surtos de salmonelose suína em 16 sistemas diferentes, distribuídos em quatro estados brasileiros (Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), no ano de 2013. No último International Pig Veterinary Society Congress – IPVS, foi comunicado o isolamento de 64 amostras de Salmonella Choleraesuis, envolvidas em surtos com transtornos respiratórios e circulatórios, entre 2013 e 2015, procedentes de nove estados brasileiros.

Entre os anos de 2011 e 2017, 136 amostras oriundas de casos clínicos de salmonelose isoladas em cinco laboratórios de diagnóstico foram enviadas à Embrapa Suínos e Aves para caracterização fenotípica e genotípica. A figura 1 apresenta a ocorrência anual dos casos estudados, demostrando uma concentração no ano de 2016 (53/136). Enquanto que a distribuição geográfica destes 136 casos clínicos demostra a abrangência do problema ocorrendo em dez estados e 63 municípios. 

Fases de produção

A salmonelose pode atingir animais entre cinco semanas a quatro meses de vida. No entanto, ela é mais comum em suínos em crescimento com mais de oito semanas de idade. Em estudo realizado com amostras provenientes de quatro estados brasileiros, a faixa etária dos animais afetados foi entre 28 e 121 dias. Nove das 16 granjas tiveram surtos na fase de creche, que corresponde a idade entre 21 e 60 dias, quatro no crescimento, com idade entre 60 e 110 dias e três com mais de 110 dias, na fase de terminação.

Nos casos evidenciados no Brasil, há uma ocorrência baixa de casos na maternidade, que deve estar relacionado ao fato de que as porcas apresentam sorologia elevada e passam imunoglobulinas maternais (IgG) via colostro para a leitegada, conferindo aos animais imunidade passiva. No entanto, os anticorpos decrescem até o desmame, permanecendo baixos em todo o período de creche, onde os leitões ficam mais vulneráveis para a ocorrência da doença. O curso de surtos septicêmicos em leitões jovens causados pela S. Choleraesuis aumenta a mortalidade na fase de creche.

No crescimento e terminação, a doença oscila entre casos de enterocolite e septicemia. O registro mais frequente nesta fase é da S. Typhimurium, e cursa principalmente com agravamento entérico, mas também com casos de septicemia. A proliferação da doença nesta fase pode ser explicada pela entrada de animais portadores/excretores, biosseguridade negligenciada, falha de protocolo ou ausência de limpeza e desinfecção, exiguidade de vazio sanitário, ração contaminada, entre outros.

A partir das informações da origem dos isolados de Salmonella de casos clínicos brasileiros ocorridos entre 2011 e 2017, foi possível precisar a fase produtiva onde estava ocorrendo a enfermidade em 95 casos. A ocorrência maior foi na creche (49 isolados), seguida do crescimento e terminação (40 isolados) e mais baixa na maternidade (6).

Patogenia

Os fatores de virulência da Salmonella estão relacionados a sua capacidade de adesão as células do hospedeiro, invasão, citotoxicidade, resistência a fagócitos e o somatório dos mesmos. A apresentação da doença, bem como a severidade dos sinais clínicos e das lesões macroscópicas, estão diretamente relacionadas ao sorovar envolvido no surto. A virulência da cepa, a imunidade natural e adquirida do animal, a rota usada pelo agente e a dose infectante também são relevantes para determinar a severidade do quadro clínico no suíno.

Animais sadios experimentalmente expostos a uma população que elimina 10 2,61 UFC/g de fezes de S. Choleraesuis começam a eliminar o agente dentro de 24 horas após a exposição inicial. Além disso, observam-se sinais clínicos severos dentro de três dias de exposição à população infectada experimentalmente. Suínos infectados eliminam 103 à 106 UFC/g de fezes durante o pico da infeccção e podem assim permanecer por até três meses.

A S. Choleraesuis possui grande capacidade invasiva e esse sorovar possui um tropismo pelo íleo e cólon, penetrandro nos enteróctios e nas células M, que estão justapostas as Placas de Peyer e que pode ser considerado um local imune indutivo, bem como uma rota de invasão enteropatogênica. Após a invasão das células M, ocorre uma endocitose formando um vacúolo, onde o agente trafega pelo ambiente intracelular até ser exocitada para a lâmina própria. A Salmonella cai na corrente sanguínea, onde será fagocitada por macrófagos e neutrófilos e filtrada para linfonodos regionais.

Os pulmões são locais de infecção inicial de S. Choleraesuis em suínos naturalmente expostos. Não ficou claro se essa predileção pelos pulmões é devida unicamente ao patógeno, ou a uma falta de ventilação nas instalações, ou a combinação destes e outros fatores.

Após a infecção natural, observou-se uma população de Salmonella residindo em pulmões suínos durante pelo menos duas semanas após a exposição, possivelmente sobrevivendo em macrofágos alveolares e atuando como fonte contínua de infecção e veículo para a disseminação do agente. Os animais desenvolvem septicemia entre 24 a 72 horas após a chegada do agente à corrente sanguínea, antes até da ocorrência da diarreia no caso da S. Choleraesuis.

A S. Typhimurium é menos invasiva e necessita de uma quantidade maior de células: 107 UFC/g de fezes para induzir, experimentalmente, a doença. Embora não tenha predilação por um local específico no intestino, a principal porta de entrada para a submucosa são as áreas onde se concentram as Placas de Payer a exemplo do íleo.

Sinais Clínicos, Lesões e Diagnóstico

Pode haver uma variação nas manifestações clínicas da doença, a virulência da amostra de Salmonella, aliada ao grau de debilitação dos animais, são fatores importantes para determinar a sua gravidade. Em suínos, a sintomatologia clínica da doença está majoritariamente relacionada a quadros de diarreias e/ou septicemia. Os sorovares envolvidos normalmente são o Typhimurium, nos casos de enterocolite, e Choleraesuis nos septicêmicos, outros sorovares podem ocasionalmente ocorrer. A doença é observada nas fases de creche e crescimento/ terminação, e ocasionalmente na maternidade.

Nos quadros de enterocolite, a diarreia causada pela S. Typhimurium caracteriza-se inicialmente por um aumento da temperatura corporal, perda de peso e progressivamente refugagem, levando a morte em alguns casos. Esta diarreia manifesta-se de maneira efusiva, líquida, com curso intermitente, odor fétido e coloração amarelada até esverdeada, e raramente sanguinolentas. Ela é caracterizada pelas perdas de água, de eletrólitos e de proteínas plasmáticas do sangue para o lúmen.  

No quadro septicêmico, sua apresentação é aguda. Após a infecção, os sinais clínicos iniciam entre 36 e 48 horas, e os animais infectados podem continuar eliminando a S. Choleraesuis por mais de nove semanas. Os animais apresentam letargia, febre, temperatura corporal elevada (40,5 a 41 0C) e cianose das extremidades.

A pele apresenta áreas avermelhadas, principalmente nas orelhas, barriga e região inguinal, que posteriormente tornam-se cianóticas. Pode ocorrer perda de apetite, dificuldade de locomoção, fraqueza e refugagem. A primeira evidência de doença pode ser caracterizada com suinos relutantes em mover-se, amontoados no canto da baia.

A diarreia geralmente não é uma característica da salmonelose septicêmica até o terceiro ou quarto dia da doença, quando fezes amarelas aquosas podem ser vistas. Em alguns casos podem ser observados sinais nervosos que se assemelham à Peste Suína Clássica como resultado de vasculite necrotizante e histiocítica que leva a encefalite e/ou meningite. Fêmeas gestantes podem apresentar episódios de abortos.

Há ainda relatos de casos clínicos de surtos septicêmicos associados a quadros respiratórios em suínos. As pneumonias também são normalmente ocasionadas pelos sorovares Choleraesuis e Typhimurium, causando lesões pulmonares que se caracterizam principalmente por quadro hemorrágico, edema intersticial e pneumonia intersticial. Há também que se considerar relato de caso de infecção urinária em fêmeas de reprodução.

Para chegarmos ao diagnóstico correto da doença, é preciso considerar as informações epidemiológicas da doença com a sintomatologia clínica, diagnóstico de necropsia e laboratorial. Acerca das lesões causadas pela Salmonella nos casos de enterocolite, ocorre uma hiperemia das serosas e presença de material gelatinoso entre as alças intestinais do colón espiral, que caracteriza o edema. Observa-se também necrose fibrinóide da mucosa em forma de botão. Quando a infecção é crônica, os animais podem apresentar áreas ulceradas, principalmente nas regiões do colón proximal, espiral e ceco.

A forma enterocolítica pode apresentar lesões tanto na porção final do intestino delgado, como no intestino grosso. As lesões causadas pela Salmonella não estão restritas somente ao intestino grosso, informação importante para a diferenciação das lesões causadas por Brachyspira sp.

Na forma septicêmica da doença, ocorre hemorragia petequial na superfície dos rins, e os linfonodos de uma maneira geral estão com maior dimensão e infartados, principalmente na cadeia mesentérica. Observa-se infarto esplênico e esplenomegalia, não somente congestiva, mas com infiltrado de células inflamatórias. O fígado pode estar aumentado de tamanho e observam-se pontos brancos que correspondem a áreas de inflação de necrose hepática induzida pelo agente.

Classificando 109 casos clínicos em entérico ou septicêmico, onde as pneumonias foram consideradas septicêmicas, observou-se maior frequência de quadros septicêmicos. Entre os 64 casos de septicemia 38/64 foram confirmados como Choleraesuis, mas também foi isolado o sorovar Typhimurium a partir de 17/64 casos. Este resultado não nos permite postular que todos os casos septicêmicos são causados por Choleraesuis. Por outro lado dos 45 casos entéricos, 45 já foram confirmados como Typhimurium, demostrando o envolvimento deste sorovar majoritariamente nos casos de enterocolite.

Controle e Tratamento

Para o sucesso do controle da salmonelose nos rebanhos suínos é necessária atenção a dois pontos: pressão de infecção (dose infectante) e redução da condição de imunidade do indivíduo. Partindo deste princípio o controle consiste essencialmente nos aspectos de biosseguridade externa, interna, boas práticas de produção relacionadas ao manejo sanitário, a alimentação e bem estar dos animais. A Salmonella é suscetível à maioria dos desinfetantes, no entanto, a contaminação residual entre lotes é muito frequente mesmo após a execução de protocolos de limpeza e desinfecção de rotina. A retirada completa de matéria orgânica, o uso de detergente, a secagem da instalação antes da desinfecção, a aplicação de um correto vazio sanitário são ferramentas que precisam ser utilizadas. Os roedores e insetos desempenham papel relevante na dinâmica de disseminação da doença dentro das instalações. Para um resultado favorável, é preciso aliar o controle mecânico e o químico.

Em termos profiláticos, o uso da vacinação após a identificação do sorovar envolvido nos casos clínicos pode ser lançado mão. Para tanto é necessário conhecer a apresentação da doença na granja para conseguir posicionar o programa de forma eficiente.

Quanto ao tratamento antimicrobiano, observa-se uma variação no perfil de resistência e suscetibilidade das amostras de Salmonella responsáveis pelos casos clínicos. Desta forma, o diagnóstico preciso é crítico e deve estar apoiado em resultados laboratoriais de isolamento do agente e antibiograma, o que oferece mais segurança ao médico veterinário na escolha do tratamento. Contudo, na presença de lesões adiantadas com perdas teciduais, o antibiótico pode não atingir o tecido alvo na concentração necessária ou mesmo que com a morte do patógeno as lesões não regredirem completamente. O tratamento antimicrobiano precoce é mais eficiente e deve ser apoiado por hidratação e antitérmicos. É importante lembrar que esses animais mais convalescidos devem ser tratados de forma diferenciada, com uso de baia hospital e condições adequadas.

Com relação à sensibilidade temos maior susceptibilidade frente a fosfomicina, seguida do ceftiofur,  lincomicina+espectiomicina  e norfloxacina.

A figura 13 compara os isolados de Santa Catarina (37 isolados), Minas Gerais (35 isolados), Rio Grande do Sul (11 isolados) e São Paulo (10 isolados) quanto à porcentagem de resistência aos diferentes antimicrobianos. No referido gráfico é possível perceber que existe a mesma tendência entre os estados, mesmo que existam diferenças consideráveis para alguns antimicrobianos (ex: ? 40% para doxiciclina). Não se observa uma inversão de tendência, um antimicrobiano com muita resistência em um estado e sensibilidade no outro. De toda forma o antibiograma é de grande valia na rotina clínica, auxiliando na escolha da melhor molécula para o tratamento dos animais.

Conclusões

O crescente número de casos de salmonelose clínica no país nos acorda para uma realidade: a enfermidade é endêmica e amostras patogênicas e portadoras de multirresistência estão amplamente distribuídas nas regiões produtoras de suínos no Brasil. Os sorovares mais comuns são Typhimurium e Choleraesuis e estão relacionados com doença entérica e sistêmica, com significativa quantidade de isolados de pulmão. O sorovar Typhimurium também está envolvido em quadros de salmonelose septicêmica.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações

Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

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Foto: Shutterstock

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).

Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.

Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.

Os dados têm como base levantamento do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea
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Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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carne suína

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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