Conectado com

Avicultura

Estudo em aves detecta altos níveis de resistência a antimicrobianos

Muitos dos antibióticos utilizados em aves também são empregados na medicina humana.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

A colibacilose, frequentemente associada à E. coli patogênica aviária (APEC), é uma das principais doenças avícolas, devido à alta mortalidade e morbidade, levando à condenação de carcaças e causando perdas econômicas significativas devido à condenação de carcaças e a várias condições como septicemia e pneumonia. Práticas de manejo inadequadas, como altos níveis de amônia e superlotação, podem levar a infecções por APEC, muitas vezes agravadas por vírus respiratórios ou outras bactérias.

As cepas de APEC utilizam fatores de virulência específicos, incluindo proteínas de adesão, toxinas e mecanismos de resistência, para causar doença. O tratamento geralmente envolve antibióticos, de diferentes classes como β-lactâmicos, aminoglicosídeos, lincosamidas, tetraciclinas, sulfonamidas, quinolonas e fluoroquinolonas. Muitos desses medicamentos também são empregados na medicina humana, o que gera preocupações sobre a possível transferência de genes de resistência entre animais e seres humanos.

Nos últimos anos, houve um aumento na resistência a antimicrobianos, em parte devido ao uso extensivo desses medicamentos, o que cria uma pressão seletiva. Além disso, a troca de genes de resistência entre diferentes bactérias contribui para espalhar ainda mais essa resistência, tornando o problema de difícil controle.

Nosso estudo  “Isolation and Characterization of Escherichia coli from Brazilian Broilers“, desenvolvido no âmbito da Universidade Federal de Santa Catarina,  avaliou a prevalência de APEC em aves de diferentes estados do Brasil e caracterizou os isolados obtidos de frangos necropsiados em 100 granjas avícolas brasileiras dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Ceará, que juntos representam mais de 80% da produção de carne de frango do país.

Como foi desenvolvido o estudo

Os isolados foram obtidos dos fêmures foram coletados por lote, e das amostras analisadas, 63 isolados de diferentes lotes foram submetidos ao sequenciamento de genoma completo. Todas as 63 amostras (100%) foram confirmadas como Escherichia coli, e destas, 58 (92%) continham de três a cinco dos genes preditivos mínimos, confirmando-as como cepas de APEC. Os isolados foram classificados em 40 sorogrupos de E. coli, com os sorogrupos O128 e O53 sendo os prevalentes (6,8%).

Assim como as demais Escherichia coli patogênicas, cepas APEC abrigam uma ampla variedade de genes de virulência, que as distinguem de cepas comensais, os isolados deste estudo abrigavam genes de virulência relacionados à patogenicidade das cepas, incluindo genes que codificam fatores de adesão, aquisição de ferro, resistência sérica e síntese de toxinas.

Perfil de resistência identificado

Com os dados obtidos no estudo foi possível comparar o perfil de resistência fenotípico e genotípico dos isolados. O perfil de resistência fenotípico variou de acordo com as regiões, em geral as maiores taxas de resistência foram para ampicilina (66,67%), ácido nalidíxico (69,84%) e sulfametoxazol/trimetoprima (42,86%). Na região Sul, 64,71% dos isolados foram resistentes à ampicilina, e 61,76% ao ácido nalidíxico. Na região Sudeste, houve 57,89% de resistência à ampicilina e 68,42% ao ácido nalidíxico. Já na região Nordeste, a resistência à ampicilina foi de 70%, e ao ácido nalidíxico, 80%. Enquanto em relação ao perfil de resistência genotípico, 79,36% dos isolados apresentavam genes de resistência aos aminoglicosídeos.

Dos isolados, 74,6% apresentaram genes de resistência às sulfonamidas, 63,49% possuíam genes de resistência aos β-lactâmicos e 49,2% continham pelo menos um gene de resistência à tetraciclina. Altos níveis de resistência antimicrobiana foram detectados, incluindo resistência a antibióticos comumente usados na produção animal e em infecções humanas. A presença de cepas multirresistentes destaca a necessidade urgente de monitoramento e farmacovigilância para prevenir a disseminação da resistência.

O estudo encontrou uma prevalência de 58% de E. coli patogênica aviária em aves brasileiras, com cepas mostrando notável resistência antimicrobiana a antibióticos comumente usados na cadeia produtiva, além de ser uma importante questão no contexto da abordagem de Saúde Única, evidenciando a necessidade de fortalecer a vigilância, que desempenha um papel crítico na avaliação da eficácia das intervenções adotadas, bem como na investigação desses eventos, visando a identificação e prevenção da resistência antimicrobiana.

Fonte: Por Giulia Von Tönnemann Pilati, médica-veterinária, mestre em Biotecnologia e Biociências e doutoranda em Biotecnologia e Biociências na UFSC; e Josias Rodrigo Vogt, médico-veterinário, especialista em Nutrição de aves e mestre em Ciência Animal.

Avicultura

Portos do Paraná concentra quase metade das exportações de frango do Brasil

Terminal de Paranaguá embarcou 819 mil toneladas no 1º trimestre de 2026 e respondeu por quase metade das exportações brasileiras do produto.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

De cada dois quilos de carne de frango exportados pelo Brasil no primeiro trimestre de 2026, um saiu pelo Porto de Paranaguá, conforme dados do Comex Stat, sistema do governo federal que reúne dados sobre o comércio exterior, e do centro de estatísticas da Portos do Paraná. Ao todo, o terminal paranaense, que é o maior corredor de exportação de carne de frango congelada do mundo, embarcou 819 mil toneladas, o que corresponde a 47,8% das exportações brasileiras do produto no período.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Na comparação com os três primeiros meses de 2025, a movimentação foi 15,4% maior. Somente no mês de março, o volume embarcado superou 215 mil toneladas. Os principais destinos do frango brasileiro são China, África do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos.

A carne bovina também apresentou crescimento nos embarques no primeiro trimestre de 2026. Foram enviadas de janeiro a março deste ano 176.812 toneladas, volume 18% maior que do mesmo período de 2025 (149.462 toneladas). Os embarques pelo porto paranaense representaram mais de 25% das exportações brasileiras realizadas no período.

O terminal atende cargas provenientes de diversas partes do País, incluindo estados da região Norte. “A eficiência nas operações e a estrutura de acondicionamento de contêineres refrigerados tornam o porto altamente competitivo”, destacou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Para atender à crescente demanda, o Terminal de Contêineres de Paranaguá conta com a maior área de recarga para contêineres refrigerados (reefers) da América do Sul, com 5.268 tomadas. É também o único terminal portuário do Sul do Brasil com ramal ferroviário.

No primeiro trimestre, o volume de cargas conteinerizadas no terminal de Paranaguá somou 2,5 milhões de toneladas em 411 mil TEUs, medida comumente usada para contêineres (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, ou seis metros de comprimento). Do total movimentado no terminal de contêineres, 42% são mercadorias refrigeradas.

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

Avicultura

Mato Grosso do Sul discute regras para monitoramento de Salmonella em aves

Consulta pública busca participação do setor produtivo na construção de normativa para reforçar a sanidade e a competitividade.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) está com consulta pública aberta sobre o controle e o monitoramento de Salmonella em estabelecimentos avícolas comerciais de corte no Estado de Mato Grosso do Sul. O objetivo da consulta pública nº 001/2026 é receber sugestões, comentários e contribuições sobre o controle e o monitoramento de Salmonella em estabelecimentos avícolas comerciais de corte no Estado de Mato Grosso do Sul, com vistas à elaboração de ato normativo sobre a matéria.

Foto: Jonas Oliveira

As contribuições podem ser enviadas até 19 de março por todos os interessados, em especial produtores rurais, entidades do setor, associações e sindicatos, acesse clicando aqui.

A documentação e o formulário eletrônico para o registro das contribuições, assim como os critérios e procedimentos para participação estão à disposição dos interessados clicando aqui.

O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold reforça que a consulta pública é fundamental para fortalecer a cadeia da avicultura. “É um setor estratégico para o desenvolvimento econômico do Mato Grosso do Sul. A sanidade avícola é um pilar essencial para a competitividade e a sustentabilidade dessa cadeia produtiva, e a participação de médicos veterinários, laboratórios e produtores é crucial para aprimorarmos os processos de diagnóstico e monitoramento de doenças.”, destacou.

Fonte: Assessoria Iagro
Continue Lendo

Avicultura

Conbrasfran 2026 discute novos desafios da avicultura além da produção nas granjas

Evento aborda impacto de custos, comércio global e ambiente regulatório na competitividade da cadeia.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Pressionada por custos de produção, volatilidade no comércio internacional e riscos sanitários, a avicultura brasileira começa a ampliar o foco de seus debates técnicos para além da produção dentro das granjas. Questões como ambiente regulatório, eficiência logística, geopolítica e estratégias comerciais passam a ganhar espaço nas discussões do setor, refletindo uma mudança no perfil dos desafios enfrentados pela cadeia.

Esse movimento será um dos eixos centrais da Conbrasfran 2026, a Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango, que estruturou sua programação técnica em diferentes frentes para acompanhar a complexidade crescente da atividade. Ao longo de três dias, a agenda setorial reunirá fóruns já consolidados e novos espaços de debate.

Para o presidente Executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e organizador do encontro, José Eduardo dos Santos, a programação responde a um novo contexto econômico global e operacional do setor. “A avicultura continua sendo altamente eficiente do ponto de vista produtivo, mas hoje o resultado está cada vez mais condicionado a fatores externos, como custos logísticos, geopolítica, ambiente tributário e acesso a mercados. Discutir esses temas de forma integrada é essencial para manter a competitividade”, afirma.

Outras informações sobre a 2ª Conbrasfran, realizada pela Asgav, podem ser encontradas na página do evento, acesse clicando aqui, através do Instagram @conbrasfran, do What’sApp (51) 9 8600.9684 ou do e-mail conbrasfran@asgav.com.br.

Fonte: Assessoria Conbrasfran
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.