Avicultura
Estudo em aves detecta altos níveis de resistência a antimicrobianos
Muitos dos antibióticos utilizados em aves também são empregados na medicina humana.

A colibacilose, frequentemente associada à E. coli patogênica aviária (APEC), é uma das principais doenças avícolas, devido à alta mortalidade e morbidade, levando à condenação de carcaças e causando perdas econômicas significativas devido à condenação de carcaças e a várias condições como septicemia e pneumonia. Práticas de manejo inadequadas, como altos níveis de amônia e superlotação, podem levar a infecções por APEC, muitas vezes agravadas por vírus respiratórios ou outras bactérias.
As cepas de APEC utilizam fatores de virulência específicos, incluindo proteínas de adesão, toxinas e mecanismos de resistência, para causar doença. O tratamento geralmente envolve antibióticos, de diferentes classes como β-lactâmicos, aminoglicosídeos, lincosamidas, tetraciclinas, sulfonamidas, quinolonas e fluoroquinolonas. Muitos desses medicamentos também são empregados na medicina humana, o que gera preocupações sobre a possível transferência de genes de resistência entre animais e seres humanos.
Nos últimos anos, houve um aumento na resistência a antimicrobianos, em parte devido ao uso extensivo desses medicamentos, o que cria uma pressão seletiva. Além disso, a troca de genes de resistência entre diferentes bactérias contribui para espalhar ainda mais essa resistência, tornando o problema de difícil controle.
Nosso estudo “Isolation and Characterization of Escherichia coli from Brazilian Broilers“, desenvolvido no âmbito da Universidade Federal de Santa Catarina, avaliou a prevalência de APEC em aves de diferentes estados do Brasil e caracterizou os isolados obtidos de frangos necropsiados em 100 granjas avícolas brasileiras dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Ceará, que juntos representam mais de 80% da produção de carne de frango do país.
Como foi desenvolvido o estudo
Os isolados foram obtidos dos fêmures foram coletados por lote, e das amostras analisadas, 63 isolados de diferentes lotes foram submetidos ao sequenciamento de genoma completo. Todas as 63 amostras (100%) foram confirmadas como Escherichia coli, e destas, 58 (92%) continham de três a cinco dos genes preditivos mínimos, confirmando-as como cepas de APEC. Os isolados foram classificados em 40 sorogrupos de E. coli, com os sorogrupos O128 e O53 sendo os prevalentes (6,8%).
Assim como as demais Escherichia coli patogênicas, cepas APEC abrigam uma ampla variedade de genes de virulência, que as distinguem de cepas comensais, os isolados deste estudo abrigavam genes de virulência relacionados à patogenicidade das cepas, incluindo genes que codificam fatores de adesão, aquisição de ferro, resistência sérica e síntese de toxinas.
Perfil de resistência identificado
Com os dados obtidos no estudo foi possível comparar o perfil de resistência fenotípico e genotípico dos isolados. O perfil de resistência fenotípico variou de acordo com as regiões, em geral as maiores taxas de resistência foram para ampicilina (66,67%), ácido nalidíxico (69,84%) e sulfametoxazol/trimetoprima (42,86%). Na região Sul, 64,71% dos isolados foram resistentes à ampicilina, e 61,76% ao ácido nalidíxico. Na região Sudeste, houve 57,89% de resistência à ampicilina e 68,42% ao ácido nalidíxico. Já na região Nordeste, a resistência à ampicilina foi de 70%, e ao ácido nalidíxico, 80%. Enquanto em relação ao perfil de resistência genotípico, 79,36% dos isolados apresentavam genes de resistência aos aminoglicosídeos.
Dos isolados, 74,6% apresentaram genes de resistência às sulfonamidas, 63,49% possuíam genes de resistência aos β-lactâmicos e 49,2% continham pelo menos um gene de resistência à tetraciclina. Altos níveis de resistência antimicrobiana foram detectados, incluindo resistência a antibióticos comumente usados na produção animal e em infecções humanas. A presença de cepas multirresistentes destaca a necessidade urgente de monitoramento e farmacovigilância para prevenir a disseminação da resistência.
O estudo encontrou uma prevalência de 58% de E. coli patogênica aviária em aves brasileiras, com cepas mostrando notável resistência antimicrobiana a antibióticos comumente usados na cadeia produtiva, além de ser uma importante questão no contexto da abordagem de Saúde Única, evidenciando a necessidade de fortalecer a vigilância, que desempenha um papel crítico na avaliação da eficácia das intervenções adotadas, bem como na investigação desses eventos, visando a identificação e prevenção da resistência antimicrobiana.

Avicultura
Painéis e debates técnicos compõem programação do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
Inscrições estão abertas e o primeiro lote encerra nesta quinta-feira (26). Evento acontece entre os dias 07 e 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Um dos principais encontros técnicos da avicultura latino-americana já tem data marcada e programação definida. O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) ocorrerá de 07 a 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios e as tendências da cadeia produtiva. As inscrições estão abertas e o primeiro lote encerra nesta quinta-feira (26).
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o SBSA contará com programação científica e a realização simultânea da 17ª Brasil Sul Poultry Fair, um espaço estratégico para atualização técnica, networking e geração de negócios. O investimento para o primeiro lote é de R$ 600,00 para profissionais e R$ 400,00 para estudantes. O acesso à Poultry Fair é de R$ 100,00.

A 17ª Brasil Sul Poultry Fair reunirá empresas nacionais e multinacionais dos segmentos de genética, sanidade, nutrição, aditivos, equipamentos e tecnologias
Reconhecido como referência na disseminação do conhecimento e na promoção da ciência aplicada ao campo, o SBSA reúne médicos-veterinários, zootecnistas, técnicos, produtores, pesquisadores e empresas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade da avicultura. A programação científica da edição de 2026 foi estruturada em painéis temáticos que abordam gestão, mercado, nutrição, manejo, sanidade, sustentabilidade e cenários globais, sempre com foco na aplicabilidade prática.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que o Simpósio mantém o compromisso de alinhar conhecimento técnico às demandas do setor. “O SBSA é espaço de atualização profissional e troca de experiências. Buscamos uma programação que integre o que há de mais atual e relevante, mas, principalmente, que leve aplicabilidade real ao dia a dia da produção avícola”, afirma.
A realização do Simpósio ocorre em um momento de constante transformação da avicultura brasileira, setor que mantém protagonismo no agronegócio nacional, com crescimento produtivo, fortalecimento das exportações e desafios sanitários e logísticos que exigem qualificação técnica permanente. Nesse contexto, médicos-veterinários e zootecnistas desempenham papel estratégico na garantia da saúde pública, da produtividade e da sustentabilidade da atividade.
A 17ª Brasil Sul Poultry Fair reunirá empresas nacionais e multinacionais dos segmentos de genética, sanidade, nutrição, aditivos, equipamentos e tecnologias voltadas à avicultura, fortalecendo o intercâmbio entre indústria e produção.
As inscrições podem ser realizadas através do clicando aqui.
Programação geral
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Rosalina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Argentina confirma novo surto de gripe aviária em aves comerciais
SENASA detectou a doença em um estabelecimento de linhagens genéticas na cidade Ranchos, na província de Buenos Aires, ativando imediatamente seu Plano de Contingência.

Por meio de diagnóstico laboratorial, o Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa) confirmou um caso positivo de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) H5 em aves de produção comercial, na província de Buenos Aires. O foco foi identificado após a análise de amostras coletadas em um estabelecimento localizado na cidade de Ranchos.
A notificação ao órgão sanitário ocorreu depois da observação de sinais clínicos compatíveis com a doença e de elevada mortalidade no plantel. Veterinários oficiais realizaram a coleta das amostras, que foram encaminhadas ao Laboratório Oficial do Senasa, em Martínez, responsável por confirmar o resultado para IAAP H5.

Foto: Shutterstock
Após a confirmação, o Senasa ativou o plano de contingência e determinou a interdição imediata do estabelecimento. Conforme o protocolo sanitário, foi instituída uma Zona de Controle Sanitário, composta por uma área de perifoco de 3 quilômetros ao redor do foco, com reforço nas medidas de contenção, biosseguridade e restrição de movimentação, além de uma zona de vigilância de 7 quilômetros, destinada ao monitoramento e rastreamento epidemiológico.
Entre as medidas previstas, o órgão supervisionará o despovoamento das aves afetadas e a destinação adequada dos animais, seguidos por procedimentos de limpeza e desinfecção no local.
O Senasa comunicará oficialmente o caso à Organização Mundial de Sanidade Animal (OMSA). Com isso, as exportações de produtos avícolas para países que mantêm acordo sanitário com reconhecimento de livre da doença serão temporariamente suspensas. Ainda assim, a Argentina poderá continuar exportando para os países que reconhecem a estratégia de zonificação e compartimentos livres de IAAP.
Caso não sejam registrados novos focos em estabelecimentos comerciais e transcorridos ao menos 28 dias após a conclusão das ações de abate sanitário, limpeza e desinfecção, o país poderá se autodeclarar livre da doença junto à OMSA e restabelecer sua condição sanitária, permitindo a retomada plena das exportações.
A produção destinada ao mercado interno seguirá normalmente, uma vez que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos.
Medidas preventivas

Foto: Adapar
Para reduzir o risco de disseminação da IAAP, os estabelecimentos avícolas devem reforçar as práticas de manejo, higiene e biosseguridade previstas na Resolução nº 1699/2019. Entre as orientações estão a inspeção periódica das telas antipássaros, a verificação da correta lavagem e desinfecção de veículos e insumos, a intensificação da limpeza em áreas com acúmulo de fezes de aves silvestres e a eliminação de pontos com água parada que possam atrair outros animais.
Criadores de aves de subsistência também devem manter os animais em locais protegidos, evitar o contato com aves silvestres, utilizar roupas exclusivas para o manejo, higienizar regularmente as instalações e restringir o acesso de aves silvestres às fontes de água e alimento.
Avicultura
Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro
Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.
Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.
Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.
Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.
Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.



