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Estudo do WWF-Brasil revela que apenas 45% do planalto da Bacia do Alto Paraguai está preservada

Apenas 45% da região das cabeceiras do Pantanal está preservada e há um déficit de reserva legal de aproximadamente 392 mil hectares

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O custo para a recuperação dessas áreas degradadas é de aproximadamente R$ 3,9 bilhões; O coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, Júlio César Sampaio, afirma que em algumas décadas o Pantanal pode perder a sua característica de inundação periódica fazendo com que áreas se tornem permanentemente alagadas

O estudo “Bacia do Alto Paraguai – uso e ocupação do solo” lançado hoje pelo WWF-Brasil, a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e a Fundação Tuiuiú, revela uma má notícia: apenas 45% da região das cabeceiras do Pantanal está preservada e há um déficit de reserva legal de aproximadamente 392 mil hectares. O custo para a recuperação desse passivo ambiental é de aproximadamente R$ 3,9 bilhões.

“Esse panorama é muito ruim porque no Pantanal chove pouco, apesar de ser uma área com sazonalidade de inundação. Se suas nascentes não estão bem preservadas, haverá consequências muito sérias no futuro. Atualmente já há regiões que já estão alagadas permanentemente por causa da degradação nas áreas das cabeceiras”, diz Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal. “A recuperação é importante pois ela está diretamente relacionada à disponibilidade de água para as cidades e para a agricultura”, completa Sampaio.

A boa notícia é com relação à planície, o Pantanal tal e como conhecemos nas fotos: 82% está preservada. “Esse resultado indica que os modelos de pecuária sustentável que foram implantados e desenvolvidos na região têm dado certo e pode permitir um futuro alimentar para a população, ou seja, abastecer um mercado de carne sem degradar o meio ambiente”, explica o coordenador do WWF-Brasil. “O Pantanal também provê serviços ambientais, como regulação do clima e um regime de cheias periódicas que é fundamental para a produção de gado e a fertilidade do solo. Ou seja, se a planície estiver preservada, todos esses serviços estarão garantidos”, afirma.
 

Futuro do Pantanal

O monitoramento da Bacia do Alto Paraguai lançado hoje pelo WWF-Brasil e parceiros permite prever um panorama para o Pantanal para os próximos anos. “Se a situação no planalto (região das cabeceiras) continuar pouco preservada como está, ou piorar, a planície sofrerá drásticas mudanças e, no futuro, poderemos verificar queda em sua preservação”, assegura Júlio César Sampaio.

O coordenador do WWF-Brasil também afirma que em algumas décadas o Pantanal pode perder a sua característica de inundação periódica fazendo com que áreas se tornem permanentemente alagadas. “Essa situação diminuiria a produtividade da pecuária, desalojando populações, e diminuindo o preço dos imóveis. Ao mesmo tempo, outras regiões podem não mais serem inundadas, fazendo com que a fertilidade do solo caia, impactando de maneira significativa a pecuária”.

Por outra parte, a piora na parte alta, por afetar o ciclo das águas da parte baixa, também impactaria em perda de biodiversidade. Existem mais de 4 mil espécies de animais e plantas no Pantanal e eles necessitam do bioma íntegro para sua sobrevivência. A contaminação dos rios e nascentes em áreas de planalto – por falta de saneamento básico e más práticas agropecuárias – descem para as águas de planície, afetando o Pantanal em sua totalidade.
 

O trabalho do WWF-Brasil pelas cabeceiras do Pantanal

O WWF-Brasil atua no Pantanal desde a década de 1990. Em 2012, um estudo organizado pela ONG e parceiros revelou que a região das cabeceiras está em alto risco devido ao desmatamento, a falta de saneamento básico e as más práticas agropecuárias. Nesse mesmo ano, o WWF-Brasil deu início ao “Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal”, um movimento de proteção aos recursos hídricos da região.

As cabeceiras do Pantanal abrangem 25 municípios de Mato Grosso. Todas as prefeituras, o governo do estado, o WWF-Brasil, empresas como a indústria de água Lebrinha, e associações da sociedade civil organizada participam da iniciativa que recuperou desde 2015 80 nascentes, adequou ambientalmente mais de 100 km de estradas rurais e beneficiou 38 famílias com a instalação de biofossas (que além de solucionarem a falta de saneamento básico nas pequenas propriedades rurais, oferecem um fertilizante orgânico seguro e que incrementa a produção).
 

O Pantanal

O Pantanal é a maior área úmida continental do planeta. Seus 170.500,92 mil km² de extensão – parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da Bolívia e Paraguai – abrigam uma rica biodiversidade: pelo menos 4.700 espécies de animais e plantas já foram registradas. Devido a sua importância ambiental, o bioma foi decretado Patrimônio Nacional, pela Constituição de 1988, e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, em 2000.

Fonte: Ass. de Imprensa

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Eficiência, segurança e sustentabilidade: tripé tecnológico molda futuro da logística no agronegócio

Integração de dados, videotelemetria e inteligência artificial já permite reduzir acidentes em até 93% e cortar custos operacionais no transporte.

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Foto: Edilson Oliveira/Seab

A cadeia logística do agronegócio na América Latina atravessa um momento decisivo. Pressionada por margens estreitas, riscos operacionais elevados e exigências crescentes de ESG, a logística deixou de ser um elo de apoio para ocupar o centro da estratégia competitiva do setor. Nesse cenário, eficiência, segurança e sustentabilidade formam um tripé que está sendo profundamente redesenhado pela tecnologia.

Um dos principais entraves ainda é a fragmentação tecnológica. Segundo o Guia de Tendências do setor, 35% das empresas seguem na Zona Travada, com integração manual ou inexistente entre sistemas. Esse cenário compromete a eficiência operacional e amplia riscos. Ao mesmo tempo, 90% das empresas apontam a redução de custos como prioridade máxima, o que explica o movimento de 64,1% delas em retomar a frota própria para conter a inflação logística e retomar o controle da operação. No agronegócio, desafios como baixa conectividade em áreas remotas e alta incidência de acidentes agravam esse contexto.

Artigo escrito por Rony Neri, formado em Ciência da Computação, com especialização em Gestão de Negócios e Liderança, além de MBAs em Gestão Comercial e em Executive Business Management.

A modernização, porém, avança de forma desigual.  O chamado Paradoxo da IA evidencia esse descompasso: enquanto 43,5% dos profissionais usam inteligência artificial para produtividade pessoal, apenas 13,5% das empresas conseguiram integrá-la de forma profunda à operação. A diferença entre usar tecnologia como ferramenta e adotá-la como estratégia define quem ganha competitividade.

Plataformas digitais e análise de dados em tempo real vêm transformando a gestão. Soluções capazes de mapear trajetos mesmo em regiões sem conectividade garantem a continuidade dos dados ao longo da jornada do agro. A análise em tempo real reduz a ociosidade, otimiza rotas e permite o monitoramento do comportamento do motorista por meio de videotelemetria.

Na segurança, a IA permite abandonar a lógica de retrovisor, que apenas registra o evento após o fato, para adotar a prevenção preditiva. O impacto é transformador: casos reais, como o da transportadora Transpanorama, indicam reduções de até 93% na taxa de acidentes rodoviários. Além disso, tecnologias de monitoramento de cabine reduziram em 86% as ocorrências de fadiga e em 70% os excessos de velocidade. A gestão de dados também mitiga riscos de roubos e desvios, combinando tecnologia com investimento em capacitação, prioridade para 62,1% das empresas até 2026.

Essa sinergia entre dados e comportamento humano gera resultados diretos no balanço financeiro, como demonstra o case da Terra Minas: a precisão no monitoramento e a condução técnica otimizada resultaram em uma economia de 20% no consumo de combustível, além de uma redução de 25% nos custos de manutenção de pneus e molas, provando que a segurança preditiva é, também, um motor de rentabilidade.

No pilar ambiental, a tecnologia viabiliza ganhos mensuráveis. A otimização de rotas reduz a queima de combustível e a manutenção preditiva diminui emissões. A sustentabilidade, nesse contexto, é consequência direta da eficiência operacional.

O futuro da logística do agronegócio passa por plataformas abertas,  IA de profundidade e uma força de trabalho digital, impulsionada pela Geração Z, que já representa 18,5% do setor. Investir em tecnologia deixou de ser opcional. Em um mercado que não tolera mais ineficiência, somente operações orientadas por dados serão capazes de crescer com competitividade, resiliência e responsabilidade.

Fonte: Artigo escrito por Rony Neri, formado em Ciência da Computação, com especialização em Gestão de Negócios e Liderança, além de MBAs em Gestão Comercial e em Executive Business Management.
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Safra de soja 2025/26 pode superar 183 milhões de toneladas

Avaliações em mais de 1,2 mil lavouras apontam bom desempenho em diversos estados, apesar de desafios climáticos em algumas regiões.

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Foto: Divulgação

Resultados parciais das avaliações de campo do Rally da Safra indicam aumento na estimativa de produção de soja no Brasil para a safra 2025/26. A projeção passou para 183,1 milhões de toneladas, volume 6,4% superior ao registrado na temporada anterior. O número representa um acréscimo de 850 mil toneladas em relação à estimativa inicial divulgada em janeiro. A produtividade média estimada é de 62,5 sacas por hectare.

A área plantada permanece estimada em 48,8 milhões de hectares, o que representa crescimento de 2,1% em relação à safra passada. Desde o início da expedição técnica, em janeiro, as equipes percorreram mais de 40 mil quilômetros em 11 estados e no Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, Tocantins, Pará, Maranhão, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, e avaliaram mais de 1,2 mil lavouras.

Foto: Divulgação/Aprosoja-MT

Apesar de desafios climáticos em algumas regiões, houve melhora nas estimativas de produção na maioria dos estados. A colheita da soja alcançava 44% da área plantada no país até 26 de fevereiro, abaixo dos 52% registrados no mesmo período do ano passado.

Nove estados apresentam potencial produtivo superior a 62 sacas por hectare: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Bahia.

No Mato Grosso, a produtividade média está estimada em 66 sacas por hectare, próxima do recorde da safra anterior, de 66,5 sacas. Em Goiás, a estimativa é de 67 sacas por hectare, embora a colheita esteja atrasada e cerca de 60% da área ainda permaneça no campo. O Mato Grosso do Sul apresenta produtividade projetada de 62,5 sacas por hectare.

No Paraná, a expectativa é de novo recorde, com média de 67 sacas por hectare. Em São Paulo, a produtividade pode alcançar 63,5 sacas, enquanto Minas Gerais tem média estimada em 66,5 sacas por hectare. Rondônia apresenta estimativa de 62,5 sacas, e a Bahia, de 68 sacas por hectare.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Entre os estados com produtividade estimada entre 55 e 62 sacas por hectare estão Tocantins, com média de 59,5 sacas, e Maranhão, Piauí e Pará, com estimativa de 60 sacas por hectare cada.

O Rio Grande do Sul é o único estado com perdas consolidadas até o momento. A irregularidade das chuvas entre janeiro e fevereiro, especialmente nas regiões sul e das Missões, comprometeu o potencial produtivo, com perdas estimadas em 2 milhões de toneladas.

As avaliações de campo seguem nas próximas semanas. As equipes ainda devem realizar levantamentos no Maranhão, Piauí, Bahia e Rio Grande do Sul, etapa considerada decisiva para a consolidação das estimativas finais da safra brasileira de soja.

Fonte: O Presente Rural
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Governo gaúcho firma parceria para ampliar uso de dados e tecnologia no agro

Protocolo assinado com a Cooperativa Central Gaúcha Ltda. prevê integração da plataforma SmartCoop com sistemas agroclimáticos e desenvolvimento de ferramentas de apoio à gestão rural.

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Foto: Joel Vargas/Ascom GVG

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e a Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL), por meio da filial SmartCoop, assinaram um protocolo de intenções para ampliar o uso de tecnologias digitais no agronegócio do Rio Grande do Sul. A formalização ocorreu na terça-feira (10), durante o Fórum da Soja da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, com a presença do vice-governador Gabriel Souza, do secretário da Agricultura e de outras autoridades e lideranças do setor.

O documento estabelece o alinhamento institucional entre o governo estadual, a CCGL e a FecoAgro/RS para a futura assinatura de um termo de cooperação técnica. A iniciativa pretende ampliar o uso integrado da plataforma digital SmartCoop e desenvolver novas funcionalidades tecnológicas voltadas à gestão e ao monitoramento da produção agropecuária.

Entre as diretrizes previstas estão a ampliação da adesão de produtores à plataforma, a integração de dados agroclimáticos e o desenvolvimento de ferramentas digitais que apoiem a gestão das propriedades rurais. O projeto também prevê a conexão entre a SmartCoop e o Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro/RS), além da criação de sistemas de alerta epidemiológico e de predisposição climática para doenças em culturas agrícolas.

Ampliação tecnológica

Para o secretário da Seapi, Edivilson Brum, a parceria representa um avanço na integração entre governo e cooperativismo para impulsionar a inovação no campo. “A partir desse alinhamento, avançamos na construção de soluções tecnológicas que ampliem o uso da plataforma SmartCoop, integrem dados agroclimáticos e ofereçam ferramentas que auxiliem o produtor na gestão das propriedades. A ideia é conectar informações estratégicas e desenvolver sistemas de alerta que permitam antecipar riscos climáticos e sanitários, contribuindo para decisões mais seguras e para o fortalecimento da agropecuária gaúcha”, afirmou.

O vice-governador Gabriel Souza destacou que o uso de tecnologia e inteligência de dados tornou-se fundamental diante dos desafios enfrentados pelo setor.”O agro gaúcho precisa cada vez mais de tecnologia, informação e inteligência de dados para enfrentar os desafios do clima e do financiamento da produção. Iniciativas como essa fortalecem a gestão das propriedades, qualificam a tomada de decisão e ajudam a dar mais segurança para quem produz no campo”, disse.

O presidente da FecoAgro/RS, Paulo Madalena, ressaltou que a parceria também contribui para o avanço da digitalização no setor e pode facilitar o acesso dos produtores ao crédito.

Segundo ele, além de ampliar o monitoramento da atividade agrícola, o projeto cria um ambiente mais seguro para a organização das informações produtivas e financeiras. “A proposta está alinhada à estratégia de modernização da agricultura gaúcha, com foco na inserção dos produtores no ecossistema de inovação digital, na sistematização de informações produtivas e no aprimoramento da inteligência agropecuária aplicada à gestão pública”, afirmou.

Geração de dados para tomada de decisão

O vice-presidente da CCGL, Guillermo Dawson Jr., destacou que a cooperação deve fortalecer a geração e a organização de dados técnicos do setor produtivo, ampliando a capacidade de análise e planejamento tanto nas propriedades quanto na gestão pública.

“Este ato representa um passo importante na construção de uma inteligência coletiva voltada ao agro do Rio Grande do Sul. Atualmente, já contamos com 23 mil propriedades integradas a esse ecossistema de gestão”, informou.

O protocolo assinado tem caráter institucional e não prevê, neste momento, transferência de recursos financeiros. Os detalhes da cooperação deverão ser definidos posteriormente em um termo de cooperação técnica específico entre as instituições.

Fonte: Assessoria Seapi
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