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Estudo da Embrapa apresenta redução do carrapato-do-boi em 82% do rebanho sem usar químicos

Estudo da Embrapa para controle de carrapatos em bovinos sem o uso de produtos químicos, utilizando apenas estratégias de manejo, com os animais em pastejo é desenvolvido nos biomas do Cerrado e de Pampa.

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Fotos: Arquivo/Sergio Bender/Cristina Brito/Embrapa

Um estudo da Embrapa realizou controle de carrapatos em bovinos sem o uso de produtos químicos, utilizando apenas estratégias de manejo, com os animais em pastejo em diferentes regiões. Chamado de Lone Tick, o sistema obteve resultados iniciais de 82% de redução da população de parasitas nos rebanhos. O trabalho está sendo desenvolvido nos biomas Cerrado e Pampa.

O trabalho de pesquisa no Cerrado avaliou durante um ano o controle da infestação de carrapato Rhipicephalus microplus em bovinos da raça Senepol, no sistema de manejo rotacionado, obtendo uma média de dez carrapatos por animal, sem uso de acaricidas. “Quando há cerca de 40 carrapatos no animal, significa que teremos problemas econômicos no rebanho”, informa o pesquisador da Embrapa Gado de Corte Renato Andreotti, responsável pela atividade de controle do carrapato-do-boi sem o uso de acaricidas, inserida no projeto “Produção e avaliação de antígeno recombinante para uso no controle do carrapato-do-boi com base na vacinologia reversa”. “Na raça Senepol, sensível ao carrapato, o projeto obteve sucesso. A meta agora é conseguir resultados semelhantes na raça Angus – animais produtivos e mais sensíveis ao carrapato – e presentes em diferentes regiões do País”, observa. O estudo será realizado por, pelo menos, dois anos.

No Pampa, o trabalho foi iniciado no segundo semestre de 2021 e têm dado motivação para os produtores: nos primeiros resultados foram registrados uma redução de mais da metade da população de carrapatos. “Ainda, não podemos falar em percentual de redução da população porque estamos no início do projeto. Teremos mais certezas quando fizermos pelo menos uma avaliação sazonal. Mesmo assim, acredito que o trabalho está indo muito bem, pois os carrapatos adultos sobre os animais diminuíram”, relata o professor Rodrigo Cunha, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que realiza as coletas para avaliação do estado de saúde dos animais, por meio de análises realizadas no laboratório especializado da Faculdade.

A presença do carrapato nos animais faz com que seus agentes causem o aparecimento da doença conhecida como tristeza parasitária bovina (TPB) causada pelos agentes: Babesia bovis, Babesia bigemina e Anaplasma marginale, o que pode levar os animais à morte. Caso não seja adotado um controle pelo produtor, este sofrerá grandes prejuízos. “Não se tem registros exatos de mortes de animais por TPB no País. É importante lembrar que no Sul essa doença possui uma gravidade maior por ser região de instabilidade enzoótica, que significa que os animais estão vulneráveis após o inverno, levando a um risco de morte maior”, esclarece Andreotti ressaltando a preocupação com a qualidadedos alimentos fornecidos pela bovinocultura.

Um agravante do problema vem do melhoramento genético. Os produtores de gado de corte utilizam cruzamentos com raças mais produtivas para aumentar a produtividade do seu sistema por meio da precocidade, qualidade da carne, entre outros fatores, mas essas raças são mais sensíveis ao carrapato. “O rebanho acaba ficando refém das infestações por carrapatos, porque foi produzida uma nova definição genética dessa população de bovinos cruzados em sistemas de produção. Estima-se que haja perda de um grama de carne por carrapato ao longo do ano, por isso se justifica economicamente a necessidade do controle”, explica Andreotti.

Com o gado de leite o problema se repete. Animais mais produtivos costumam também ser mais sensíveis ao carrapato, e isso provoca uma perda anual de leite de 95 kg por animal, principalmente com a raça holandesa e em sistema de produção familiar, acarretando diminuição nos lucros.

O pesquisador explica que os animais de raças europeias e seus cruzamentos são totalmente dependentes de controle do carrapato para poder expressar seu potencial genético produtivo, caso contrário, corre o risco de, além de não produzir, perder o investimento realizado no rebanho devido à mortalidade causada pela TPB. “No sistema Lone Tick, além do controle não usar acaricida, ele aceita a mesma carga animal do sistema de produção tradicional”, comenta

Controle estratégico do carrapato
A cadeia produtiva de bovinos usa variadas formas para controle do carrapato, como o sistema tradicional, no qual o produtor define o produto acaricida que vai usar no balcão da loja de produtos veterinários, até sistemas sofisticados com o uso integrado de práticas de controle – chamado controle estratégico do carrapato – buscando impactos mínimos.

O controle do carrapato com uso de acaricidas é a mais usual. Mas, tem causado vários problemas para produção dos rebanhos. Por isso, o produtor precisa:

1) Conhecer a biologia do parasita para melhor controle; isso fará retardar o avanço da seleção de parasitas resistentes, maior eficiência, menor custo e menor impacto no ambiente pela redução da quantidade de acaricidas;

2) Conhecer as diferenças de temperatura e umidade nos diversos ambientes, ao longo do ano, pois há influência na produção de gerações do parasita e sua população;

3) Quando utilizados os acaricidas sobre os animais, é preciso aplicá-los da forma recomendada, o que não vem sendo obedecido com frequência, pois tem se observado consequências como a contaminação do ambiente, intoxicação das pessoas que aplicam o acaricida e dos produtos de origem animal.

Segundo Andreotti, o uso intensivo de produtos químicos por dois anos consecutivos num rebanho, pode gerar o desenvolvimento de resistência àquele parasita. “O carrapato precisa ser monitorado anualmente, e temos soluções tecnológicas mais eficientes, inclusive, oferecemos análises por meio do Museu do Carrapato, site que traz um banco de informações sobre os parasitas, onde são estudadas todas as espécies que chegam para análises, através de fotografias e posterior catalogação”, conta o cientista.

Controle Lone Tick
Lone tick, traduzido da língua inglesa por carrapato solitário, é um sistema de controle sanitário sem uso de acaricidas, ou seja, sem a realização de controle químico. “Nossa intenção é apresentar uma solução global, pois o carrapato é um problema mundial”, destaca. Ele cita a infestação de carrapatos na pecuária da Austrália, um grande mercado de produção de bovinos, passando pela África, América do Sul e América do Norte (México e Estados Unidos).

No Lone Tick, muda-se o boi de pasto, separando o animal do carrapato, e alternando consecutivamente o local de pastagem do rebanho. O pesquisador conta que o tempo de uma rodada de quatro pastagens até ao retorno à área inicial é de 112 dias. Esse manejo promove um vazio forrageiro/sanitário de 84 dias, no local da pastagem inicial, período em que as larvas do carrapato ficam solitárias e morrem por falta de animais no local para se hospedar e se alimentar. “Ou seja, matamos o carrapato, sem utilizar produtos químicos”, resume.

O trabalho compreende cinco etapas: contagem de parasitas por animal, a coleta de carrapatos para verificação da resistência dos carrapatos aos acaricidas, coleta de sangue dos animais para avaliação da presença dos agentes da TPB e para avaliação do estado de saúde geral do rebanho e a pesagem dos animais. Em seguida é realizada a rotação do lote de animais entre os piquetes de pastagens. A cada intervalo de troca de área é praticado o mesmo protocolo com os animais, repetindo as etapas.

O sistema foi estudado primeiro de forma experimental na cidade de Campo Grande (MS), região do Cerrado onde durante um ano, um grupo de 37 animais desmamados machos da raça Senepol, com infestação natural de carrapatos, foram divididos em dois grupos, de 21 e 16 animais respectivamente, sendo feita a rotação de pastagem com intervalo de 28 dias e sem a utilização de acaricidas. A área, de 32 hectares, foi dividida em quatro piquetes de oito hectares, com pastagem de Brachiaria brizanta, vr. Marandu.

O primeiro lote de animais foi introduzido na pastagem no início do experimento e os animais do segundo lote, após seis meses. Em cada intervalo foi contabilizada a quantidade de carrapatos nos animais. A média inicial de 26,2 carrapatos no primeiro mês caiu para 1,5 carrapato aos 56 dias. O resultado se repetiu e manteve um baixo número de carrapatos nos animais sem uso de acaricidas até o fim do experimento.

O cientista conta que a manutenção de uma baixa contagem de carrapatos nos animais é desejável para a manutenção da estabilidade enzoótica dos agentes infecciosos responsáveis pela TPB, ou seja, isto significa que os animais estão protegidos naturalmente contra a doença em função de estarem em contato permanente com baixas quantidades de carrapatos.“Com base nos resultados demonstrados, concluímos que a rotação com 84 dias de vedação dos piquetes foi efetiva no controle do carrapato sem a utilização de carrapaticidas, sendo possível, nas condições do bioma Cerrado, criar raças mais produtivas e com custo menor no controle do parasita agregando valor na cadeia produtiva”, salientou Andreotti.

Além disso, o rebanho experimental obteve um ganho de peso médio diário de 0,425 gramas durante a pesquisa. Na contagem de carrapatos, o primeiro lote de animais alcançou uma média de 6,2 carrapatos por animal e o segundo lote, 10,36 indivíduos, sem a utilização de acaricidas durante o experimento.

Sistema apresenta controle ecologicamente correto 
Andreotti comenta que um dos gargalos para o sucesso do controle estratégico do carrapato com o uso de acaricidas é o surgimento de carrapatos resistentes, resultado da pressão de seleção causada nas populações desses parasitos exercida pelo tratamento. O sistema Lone Tick corrigiu a carga parasitária para condições adequadas de controle. “Permitiu eliminar a pressão de seleção aos acaricidas funcionando como área de refúgio, ou seja, ele elimina o aparecimento de mutações relacionadas com a resistência na população de carrapatos. O sistema trabalha com baixa infestação de carrapatos com redução de impacto da sua ação e manutenção da estabilidade enzoótica para a TPB. Inclusive, durante um ano de observação e monitoramento dos animais, nenhum deles apresentou sintomas para a doença”, revela.

O sucesso do sistema Lone Tick, de acordo com o pesquisador, é porque o carrapato-do-boi completa o ciclo de vida no hospedeiro em 21 dias, com o ingurgitamento da fêmea e sua queda ao solo e consequente postura de três mil ovos, em média, iniciando a fase não parasitária.  “As larvas emergem dos ovos e constituem 95% da população de carrapatos no ambiente, sendo fonte de reinfestação dos  animais, não sendo alcançadas diretamente pelos carrapaticidas. A grande maioria das larvas do carrapato-do-boi não sobrevive no ambiente por mais de 82,6 dias”, explica Andreotti a razão do período de vazio sanitário de 84 dias.

“O sistema Lone Tick oferece uma forma de controle nesta fase de vida livre do carrapato, com base na rotação de pastagens, permitindo um tempo de 84 dias das larvas sem contato com o hospedeiro, tempo suficiente para a morte das larvas por inanição”, fala. Os resultados da pesquisa mostram que, com base no conhecimento da ecologia e biologia do parasita, é possível controlar de forma ecologicamente correta as populações dessa espécie de carrapato, atendendo assim, uma demanda de mercado internacional: a diminuição do uso de produtos químicos e seus efeitos colaterais.

A experiência no Sul do Brasil
O projeto está sendo desenvolvido também na região de Pelotas (RS), na Embrapa Clima Temperado. “Escolhemos o Rio Grande do Sul por dois fatores: a forte vocação para pecuária de corte e de leite e a possibilidade de avaliar o estudo em condições climáticas bem distintas da região do Cerrados”, justifica Andreotti.

Pesquisa Experimental
A unidade de pesquisa experimental é a Fazenda Martimar, localizada em Canguçu (RS), de propriedade de Márcia Duarte, com 710 hectares. “Ao se alcançar resultados positivos com este novo sistema de manejo de controle do carrapato, abrimos uma alternativa de migração para uma pecuária orgânica, o que será ampliado para toda a produção pecuária da fazenda, sendo viável a eliminação do controle químico no carrapato, ou ainda, diminuir a infestação pelo parasita”, conta Duarte.

O estudo do sistema Lone Tick na propriedade, segue o mesmo formato da unidade de pesquisas na região dos Cerrados ao utilizar a mesma medida de área e estratégias de manejo dos animais. A diferença no Sul está na avaliação de 15 animais, vacas de cria, com uso de campo nativo com introdução de azevém nos piquetes rotacionados, sem adubação química. “Não tivemos nenhuma mudança de planos para instalação da tecnologia de manejo em nossa propriedade rural, conseguimos com êxito fazer todo o planejamento da área”, comentou.

Um dos relatos feito pela produtora rural foi a constatação de que animais ‘carrapateados’ têm perda significativa de peso. Assim, além do foco do projeto é buscar a eliminação ou a redução ao máximo de parasitas sem produtos químicos, a nutrição dos bovinos precisa ser satisfatória.

Segundo o extensionista da Emater/RS-Ascar, James Pureza, foi feita uma coleta de campo nativo três meses antes de introduzir os animais na área rotacionada do Projeto. Um dos pontos a ser verificado pelo estudo é o ajuste da carga de animais sob a área de pastejo nos piquetes experimentais. “Iniciamos numa área de pastejo de campo nativo que produziria um volume para manter os animais durante toda a duração do Projeto, tendo alcançado cerca de 3,6 mil kg de matéria verde e 36% de matéria seca, supomos que o rebanho consumirá entre 8% e 10% do peso vivo/animal, mas teremos que ir ajustando ao longo do desenvolvimento do estudo”, disse.

Ele explica que o trabalho busca o controle do carrapato, mas a condição nutricional dos animais infestados dá a eles condições de enfrentarem melhor o seu estado geral de saúde. Assim, realizar o planejamento de pastagens com antecedência é um fator importante, pois o projeto utiliza o manejo rotacionado, que dá ao gado um melhor aproveitamento da área de pastejo, mantendo sempre com níveis de nutrição satisfatórios. “Os piquetes separados com a carga animal compatível, o gado fica condicionado a este espaço, onde caminham menos, despendem menos energia, com acesso a água e comida à vontade naquele espaço, aproveitando melhor o pasto, sem deixar muitas sobras de alimento, assim as chances de manutenção, ou até ganho de peso dos animais, pode ser a ideal ou superior às expectativas”, esclareceu.

Resultados promissores
Os resultados iniciais foram colhidos na primeira semana de setembro, mostrando-se promissora a estratégia de manejo. “Encontramos pouquíssimos carrapatos, sem vermes e sem agentes de TPB”, informa o professor Rodrigo Cunha.

A técnica de laboratório Jaqueline Cavalcante Barros, da Embrapa Gado de Corte, responsável pela catalogação de dados do Projeto, disse que na contagem de carrapatos em agosto, a média foi de 93 parasitas por animal. Após a instalação do projeto, a primeira contagem apresentou 37 carrapatos por animal, uma boa indicação para redução inicial da aplicação da tecnologia.

O pesquisador Andreotti afirma que os resultados preliminares de instalação da tecnologia são promissores. “Ainda precisamos experimentar a tecnologia nos próximos meses de verão no Sul para conhecer a pressão da temperatura e umidade da estação para verificar os desafios ambientais para se fazer uma avaliação mais madura do sistema nesta região, analisando o estado de equilíbrio entre aspectos nutricionais dos animais nos piquetes e a carga parasitária”, anuncia.

Fonte: Embrapa Clima Temperado
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Confira cinco dicas para armazenar os grãos e evitar prejuízo

Sem os devidos cuidados na armazenagem, uma das principais etapas do agronegócio pode gerar perdas de produção e rentabilidade financeira

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Foto: O Presente Rural

A safra brasileira de grãos, cereais e leguminosas deve atingir  270,7 milhões de toneladas em 2022, mostra a primeira estimativa  do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Food and Agriculture Organization (FAO/ONU) revelam que cerca de 10% do total de grãos produzido é desperdiçado anualmente devido a problemas relacionados ao armazenamento inadequado. Em comparação, de acordo com o IBGE, a colheita da região sudeste corresponde a 10,1% da produção nacional.

A redução das perdas e de custos proporciona benefícios que vão do campo à mesa. O agricultor consegue reter a produção para comercializá-la nas ocasiões em que o mercado oferece melhores preços, sem os prejuízos causados pela deterioração dos grãos em virtude da estocagem inadequada. Já o consumidor passa a contar com preços mais acessíveis puxados pela maior oferta de alimentos.

Para manter a qualidade dos produtos que foram colhidos e não perder o rendimento das lavouras, é fundamental que os agricultores façam a conservação de grãos seguindo todos os cuidados de maneira criteriosa e as boas práticas agrícolas. Para ajudar a evitar os prejuízos, a diretora executiva da Rayflex, Giordania R. Tavares, elenca cinco dicas, veja abaixo:

Controle de Pragas: Um dos primeiros cuidados que devem ser tomados é fazer o controle de pragas de modo que os insetos, fungos, roedores e até mesmo pássaros não prejudiquem toda a safra. Este, inclusive, é um dos principais problemas dentro dos armazéns. Portanto, medidas como o uso de alguns tipos de produtos, como portas rápidas, monitoramento frequente e vedação precisam ser adotadas.

Monitoramento de temperatura e umidade: Em períodos de alta umidade do ar é possível observar o desenvolvimento de fungos nos grãos quebrados, por exemplo. A umidade em excesso pode acarretar a fermentação dos produtos e elevar a temperatura do ambiente, responsável pela maior proliferação de microrganismos. Para reduzir os índices de umidade, é feita a secagem para diminuir o surgimento de mofo e aumentar a vida útil do armazenamento da colheita  por longos períodos.

Técnica de Aeração: Este é outro processo que tem interferência direta na temperatura e na umidade do ambiente e geralmente é feito antes da secagem. Através da passagem de ar pela massa de grãos, a temperatura é mantida, o que previne possíveis danos aos produtos, garantindo assim sua qualidade.

Cuidados com a limpeza: A higienização dos locais e dos grãos não pode ser negligenciada. Este processo será de extrema importância para eliminar qualquer foco de infestação remanescente de outra armazenagem dentro dos locais. Já para o caso dos grãos, será possível identificar e fazer a retiradas daqueles que estão quebrados, promover a eliminação de impureza, além de facilitar a aeração e a secagem.

Restrição de Acesso: Geralmente, a armazenagem de grãos acontece em silos e armazéns, ou em paiol no caso dos milhos. E para cada um desses lugares é importante contar com equipamentos que auxiliem nos principais cuidados, como é o caso também das portas rápidas. Com a característica de realizar a vedação completa para evitar a entrada de pragas, esta tecnologia protege contra chuvas e ventos, evitando a troca de ar entre os ambientes. Além disso, pode ainda apresentar isolamento térmico e abertura ultrarrápida, o que assegura que o ambiente esteja na temperatura ideal para que não ocorra a proliferação de microrganismos.

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bovinos

Como a causa da mastite afeta o desempenho reprodutivo das vacas?

Altas CCS por longos períodos resulta em elevação prolongada dos níveis de citocinas e alterações na resposta imunológica, que podem alterar ou prejudicar o desempenho reprodutivo normal de vacas leiteiras.

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Foto: O Presente Rural

*Por Gustavo Freu e Marcos Veiga Santos

A mastite e os problemas reprodutivos são os principais problemas de saúde responsáveis por perdas econômicas nas fazendas leiteiras modernas.

Além disso, os problemas de saúde do úbere e reprodução podem ter relação entre si, como no caso da ocorrência de mastite que afeta negativamente o desempenho reprodutivo das vacas.

Já é bem conhecido que vacas com mastite têm menor taxa de concepção, maior número de inseminações artificiais (IA) por concepção, além de outros distúrbios reprodutivos, que comprometem o desenvolvimento folicular e embrionário.

O tipo de microrganismo causador da mastite e a duração da infecção são dois fatores importantes que afetam o desempenho reprodutivo das vacas leiteiras. Sendo assim, devido à crescente importância da mastite causada por estreptococos ambientais (como S. uberis e S. dysgalactiae) e por coliformes, vale a pena entender quais os principais prejuízos e problemas causados por estes dois grupos de agentes causadores de mastite.

Em razão da importância econômica de manter um adequado período de serviço, pesquisadores de Israel compararam duas situações práticas em relação aos efeitos da mastite sobre a reprodução:

A) mastite crônica causada por Streptococcus spp.; e
B) mastite de curta duração causada por Escherichia coli.

Para isso, 778 vacas de seis rebanhos leiteiros foram avaliadas. O estudo monitorou vacas com mastite causada por Streptococcus spp., por E. coli e vacas sadias (grupo controle). Para avaliar o retorno da ciclicidade das vacas, foi utilizado um sistema automático de monitoramento de atividades e os dados foram classificados de acordo com o tempo de infecção: antes ou depois da primeira IA.

Os resultados mostraram que quando a mastite ocorreu antes do retorno da ciclicidade pós-parto, a prenhez na primeira IA foi menor nas vacas dos grupos Streptococcus spp. (26%) e E. coli (31%) em comparação com as vacas sadias 42% (Figura 1). De forma semelhante, quando a infecção ocorreu após a ciclicidade a taxa de prenhez na primeira IA foi menor nas vacas com mastite em comparação com as sadias.

A taxa de prenhez aos 300 dias em lactação antes (73%) e depois (67%) da ciclicidade foi menor para as vacas com mastite causada por Streptococcus spp. em comparação com as vacas sadias (95%). Da mesma forma, foi observada menor taxa de prenhez nas vacas com mastite por Streptococcus spp. (67%) do que por E. coli (93%), quando a mastite ocorreu após o retorno da ciclicidade.

O efeito negativo da mastite sobre desempenho reprodutivo varia de acordo com as condições dos sistemas de produção e do tipo de agente causador da mastite.

No estudo em questão, as vacas com mastite por Streptococcus spp. tiveram maior efeito negativo sobre o desempenho reprodutivo do que as vacas com mastite causada E. coli. Isso foi demonstrado pela maior porcentagem de vacas com mastite por Streptococcus spp. vazias ao final da lactação devido a falhas reprodutivas.

Entre as possíveis explicações, a mastite por Streptococcus spp. resulta em altas contagens de células somáticas (CCS) por períodos prolongados o que aumenta o risco de afetar a reprodução, enquanto que na mastite por E. coli este aumento de CCS é agudo e dura apenas alguns dias.

Altas CCS por longos períodos resulta em elevação prolongada dos níveis de citocinas e alterações na resposta imunológica, que podem alterar ou prejudicar o desempenho reprodutivo normal de vacas leiteiras.

Portanto, este estudo indica que a mastite crônica causada por Streptococcus spp. afeta mais intensamente a fertilidade das vacas leiteiras do que a mastite aguda causada por E. coli. Assim, um bom controle de mastite além de auxiliar na melhoria da qualidade do leite também contribui com manter bons índices reprodutivos das fazendas.

 

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bovinocultura leiteira

Procedimentos essenciais na criação de bezerras em sistemas de produção de leite

Bezerras com desenvolvimento corporal satisfatório e pouco acometidas por doenças durante a fase de aleitamento seguramente serão vacas mais produtivas na fase de lactação.

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Divulgação/Prado
Por João Carlos Dal Pivo, gerente técnico de Nutrição do Laboratório Prado.

A criação de bezerras é uma fase determinante para o sucesso dos sistemas de produção de leite. Bezerras com desenvolvimento corporal satisfatório e pouco acometidas por doenças durante a fase de aleitamento seguramente serão vacas mais produtivas na fase de lactação.

Por João Carlos Dal Pivo, gerente técnico de Nutrição do Laboratório Prado. – Foto: Divulgação

Para que se tenha um desenvolvimento satisfatório das bezerras, os cuidados com o umbigo são fundamentais para evitar a entrada de bactérias patogênicas via canal umbilical, reduzindo assim a incidência de diarreia, problemas articulares, pneumonia e mortalidade, os quais podem gerar perdas de até 25% no desempenho produtivo. O corte do umbigo é necessário quando este estiver demasiadamente grande. Para realizar a cura do umbigo, recomenda-se imergi-lo diariamente em uma solução à base de iodo, durante 3 a 5 dias, a fim de desidratá-lo/secá-lo.

Concomitantemente à cura do umbigo, deve-se realizar a colostragem, que é o processo de fornecimento de colostro de boa qualidade (≥22 graus brix) às bezerras. Esse procedimento é necessário para nutrir o animal recém-nascido e fornecer imunoglobulinas (IgG) para um desenvolvimento imunológico adequado. É importante assegurar a ingestão de colostro na proporção de 10% do peso vivo nas primeiras 6 horas e 5% nas próximas 12 horas de vida, sendo este fornecido através do uso de mamadeiras ou sondas.

Após a colostragem recomenda-se fornecer o leite de transição aos animais. É considerado leite de transição aquele obtido a partir da segunda ordenha até aproximadamente a quinta ordenha pós-parto. O leite de transição apresenta concentrações de gordura, proteína, aminoácidos, fatores de crescimento e compostos bioativos superiores às encontradas no leite integral. Além disso, o fornecimento de colostro e leite de transição adicional auxilia no desenvolvimento do trato gastrointestinal (TGI) de bezerros neonatos.

Após o fornecimento do leite de transição, inicia-se o uso do leite integral (leite de vaca) ou sucedâneo lácteo (leite em pó). Embora o fornecimento tradicional de quatro litros/dia/bezerra seja amplamente utilizado pelos produtores, essa quantidade não permite alcançar as taxas de crescimento ideais. Para isso, novos planos alimentares estão ganhando força na criação de bezerras, com o objetivo de fornecer maiores quantidades e/ou enriquecer as dietas líquidas. Veja uma sugestão de proposta de aleitamento:

O aleitamento pode ser realizado utilizando diferentes estratégias:

  •  Uso de leite integral;
  • Associação do leite integral com sucedâneo lácteo, promovendo o enriquecimento do leite (maiores teores de sólidos).
  •  Sucedâneo lácteo, que é uma opção para substituir o leite de vaca.

Preferencialmente, seguir os planos de adaptação gradativa, fornecendo exclusivamente o sucedâneo a partir da segunda semana de vida, fornecendo o sucedâneo em diluições de 1 kg para 7 litros de água (37 a 40°C), ou seguindo as orientações do fornecedor.

Além da dieta líquida (leite ou sucedâneo), é indispensável que os animais recebam água de qualidade e na quantidade adequada, um concentrado formulado especificamente para a fase de aleitamento fornecido à vontade (Imagem 1 – C), e feno de boa qualidade a partir dos 30 dias de idade.

Critérios para realizar o desaleitamento (raça holandesa):

  • Consumo de 1,5 a 2,0 kg de concentrado/animal/dia durante três dias consecutivos.
  • Idade de 80 dias
  • Peso vivo de 100 kg

O manejo, a nutrição e a sanidade são práticas primordiais para promover o crescimento de bezerras saudáveis e produtivas, tornando a criação eficiente e o negócio rentável.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato via: daniele.vicari@laboratorioprado.com.

Fonte: Laboratório Prado
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CONBRASUL/ASGAV

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