Bovinos / Grãos / Máquinas
Estudo aponta transformação estrutural do agro no comércio global
Dados indicam crescimento da diversificação produtiva e expansão de segmentos com maior complexidade sanitária e tecnológica.

Artigo escrito por Luis Eduardo Pacifici Rangel, engenheiro Agrônomo, conselheiro do CCAS, ex-secretário de Defesa Agropecuária e Ex-diretor de Análise Econômica e Políticas Públicas do Mapa
Desde o início de sua criação, o adido agrícola foi visto quase como o “mascate do agro”, figura associada à promoção de commodities tradicionais, abrindo portas para soja, milho ou carne em mercados já conhecidos. Essa imagem, porém, tornou-se obsoleta. O que os dados revelam é que esse profissional se autotransformou e passou a atuar como articulador de uma verdadeira revolução industrial no campo brasileiro.

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Ao apresentar ao mundo não apenas commodities, mas também produtos agroindustriais sofisticados, material genético, bioprodutos, insumos tecnológicos e soluções sanitárias complexas, o adido tornou-se peça estratégica da modernização produtiva nacional.
O investimento nesses profissionais é, por natureza, intangível: seja pela ausência de dados completos que permitam mensuração precisa, seja pela própria magnitude da transformação estrutural que ajudam a catalisar, uma transformação que transcende volumes exportados e reposiciona o Brasil como potência agroindustrial e tecnológica.
Falta agora consolidar essa trajetória estratégica vendendo ao mundo a imagem do Brasil como destino seguro, estável e sustentável para investimentos produtivos, atraindo capital, tecnologia e parcerias que retroalimentem esse ciclo virtuoso e ampliem ainda mais a capacidade de desenvolvimento nacional.
A análise dos dados públicos do Mapa e do MDIC revela uma transformação na forma como o Brasil se insere no comércio internacional agropecuário. A leitura convencional, baseada apenas nos dados agregados de exportação, sugere continuidade: milho, carne bovina, aves e café permanecem como os grandes motores do valor exportado. No entanto, quando cruzamos esses dados com as informações detalhadas de abertura de mercados, emerge uma realidade mais complexa e qualitativamente distinta.

Figura 1 – Evolução das exportações totais 1997–2025
A série histórica de 1997 a 2025 mostra crescimento robusto do valor exportado, com aceleração clara no período pós-2015. O teste de quebra estrutural confirma que praticamente todos os principais produtos experimentaram mudança significativa de regime a partir daquele ano. Não se trata de flutuação conjuntural, mas de uma transição estrutural na dinâmica exportadora. O Brasil entra, a partir de 2015, em uma nova fase de inserção internacional.
Contudo, a interpretação baseada exclusivamente no valor agregado ainda é limitada. Quando observamos os dados de abertura de mercados entre 2023 e 2025, verificamos 537 novas autorizações envolvendo 83 países e 318 produtos distintos. Essa magnitude indica um movimento de diversificação horizontal sem precedentes recentes. A diplomacia sanitária brasileira passou a operar de forma granular, produto a produto, mercado a mercado.

Figura 2 – Aberturas de mercado por ano
A aceleração é evidente: 78 aberturas em 2023, 222 em 2024 e 225 em 2025. O ritmo não apenas se mantém, como se consolida. Esse padrão revela coordenação institucional e capacidade técnica ampliada. O fenômeno não é episódico, mas parte de uma estratégia continuada de expansão regulatória.
Mais revelador ainda é o perfil geográfico dessas aberturas. A Ásia concentra 227 registros no período, seguida pela África com 110. América e Europa aparecem com números relevantes, mas a reorientação para mercados emergentes é clara. A diplomacia agropecuária brasileira intensificou sua presença nos eixos Sul-Sul, ampliando sua inserção em economias de rápido crescimento e elevada demanda potencial.

Figura 3 – Heatmap de aberturas por continente e ano
Entretanto, o dado mais disruptivo surge quando analisamos os produtos que lideram as aberturas. O item com maior número de registros não é uma commodity tradicional, mas material genético de bovinos e bubalinos, seguido por carnes processadas, genética avícola e produtos com elevada complexidade regulatória. Trata-se de segmentos com maior conteúdo tecnológico, exigência sanitária sofisticada e relacionamento institucional prolongado.

Figura 4 – Top produtos agrupados com mais aberturas
Essa constatação altera profundamente a interpretação sobre a performance externa brasileira. As estatísticas tradicionais do MDIC capturam essencialmente volume, valor e participação relativa. Elas descrevem bem o Brasil exportador de commodities. Mas não capturam a crescente sofisticação da pauta, a intensificação tecnológica e a expansão regulatória por nichos produtivos. A pauta exportadora transbordou a capacidade analítica das estatísticas agregadas convencionais.
A análise econométrica reforça essa leitura. Quando estimamos um modelo com efeitos fixos de produto e ano, o impacto contemporâneo da abertura de mercado sobre o valor exportado não se mostra estatisticamente significativo. Embora os anos com abertura apresentem, em média, valores maiores, esse efeito desaparece ao controlarmos por heterogeneidades estruturais e choques comuns. Isso sugere que a abertura é condição necessária, mas não mecanismo automático de expansão exportadora.

Figura 5 – Estudo de evento em torno da primeira abertura
O estudo de evento mostra trajetória ascendente do log do valor exportado nos anos posteriores à primeira abertura, mas sem salto abrupto no momento exato do evento. Isso é coerente com a natureza do comércio agropecuário moderno: a abertura regulatória precede a consolidação comercial, que depende de adaptação produtiva, construção de confiança sanitária, logística e integração de cadeias.
Outro aspecto relevante é a crescente especialização dentro das categorias. Embora produtos de origem animal e vegetal ainda dominem em número absoluto, categorias como material genético animal, animais vivos, alimentação animal e sementes passam a ganhar densidade estratégica. Isso indica deslocamento gradual do foco exclusivo em commodities primárias para segmentos com maior valor agregado e maior intensidade regulatória.

Figura 6 – Distribuição por categoria de produto
Em síntese, o Brasil não está apenas exportando mais. Está exportando diferente. A expansão recente não se limita ao aumento do valor agregado das grandes cadeias tradicionais, mas envolve diversificação técnica, ampliação de portfólio e inserção em mercados de maior complexidade institucional. O processo é simultaneamente quantitativo e qualitativo.

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Nesse contexto, a própria figura do adido precisa ser reinterpretada. O adido deixou de ser exclusivamente “agrícola”. Ele opera hoje sobre cadeias integradas, genética, sanidade, rastreabilidade, insumos e regulação técnica internacional. A diplomacia agropecuária tornou-se diplomacia do agronegócio em sentido amplo, um arranjo que combina produção, ciência, certificação e estratégia geoeconômica.
Entretanto, é importante reconhecer uma limitação objetiva na avaliação de política pública: é praticamente impossível mensurar, com precisão empírica, a relação custo-benefício da atuação dos adidos agropecuários. Intuitivamente, os números de abertura de mercado, a diversificação de produtos e a ampliação geográfica sugerem retorno positivo.
No entanto, os dados públicos disponíveis, inclusive no Portal da Transparência, não detalham de forma desagregada as remunerações, benefícios e custos totais associados a esses profissionais no exterior. Sem essa base informacional, não é possível realizar uma análise formal de eficiência alocativa ou cálculo robusto de retorno sobre investimento público. A política parece eficaz sob a ótica estratégica, mas carece de transparência suficiente para avaliação econômica estruturada.
Se avaliarmos desempenho apenas pelo valor total exportado, continuaremos analisando o Brasil do século 20. Se

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incorporarmos a dimensão regulatória e a diversificação estrutural da pauta, veremos o Brasil do século 21.
O próximo desafio, contudo, é ainda mais ambicioso. A diplomacia do agronegócio precisa evoluir da lógica de abertura de mercados para a construção de pontes de retorno, atraindo investimentos estrangeiros diretos para o Brasil. Isso implica demonstrar, com dados e evidências técnicas, nosso potencial de produção, ganhos contínuos de produtividade e, sobretudo, liderança em sustentabilidade.
A agenda futura envolve posicionar o Brasil como parceiro central da segurança alimentar global, conciliando expansão produtiva com cumprimento rigoroso dos compromissos ambientais internacionais. Não se trata apenas de vender ao mundo, mas de convidar o mundo a investir na capacidade produtiva brasileira, consolidando o país como plataforma estratégica de oferta sustentável de alimentos, energia e biomassa no século 21.
A principal conclusão não é sobre a geração imediata de impacto da abertura de mercados sobre o valor exportado. A principal conclusão é que a inserção internacional brasileira tornou-se estruturalmente mais complexa e exige métricas igualmente sofisticadas para ser adequadamente avaliada.
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O fundo que ajudou a transformar a sanidade animal em patrimônio do Rio Grande do Sul
Referência nacional em gestão compartilhada, o Fundesa-RS completa duas décadas investindo em prevenção, indenizações e ações que garantem a competitividade da proteína animal gaúcha.

Nos últimos 20 anos, o Fundesa-RS tem sido apontado como modelo de referência nacional em responsabilidade compartilhada, uma vez que é abastecido e gerido pelas entidades que representam produtores e indústrias da proteína animal. O Fundo, através de seus componentes e juntamente com o Serviço Veterinário Oficial, foi peça-chave para o reconhecimento do Rio Grande do Sul como área livre de Peste Suína Clássica e de Febre Aftosa sem Vacinação. O patrimônio sanitário obtido no estado vem contribuindo para a abertura de novos mercados e o reconhecimento da proteína animal gaúcha.

Foto: Divulgação/ACBB
Diante do cenário global de alerta, com o aumento da incidência de doenças infectocontagiosas graves como a Influenza Aviária, a Peste Suína Africana e a Febre Aftosa em diversas partes do mundo, o setor produtivo gaúcho agiu de forma preventiva. Foi por iniciativa das próprias cadeias produtivas – aves, suínos e pecuária de corte e leite – que surgiu a necessidade de fortalecer o fundo.
Após debates dos Conselhos Técnicos Operacionais das cadeias, entidades como Farsul e Fetag, em assembleias com seus associados, definiram a proposta de atualização das taxas de contribuição. As deliberações começaram ainda em 2021 após o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O objetivo foi garantir a ampliação dos recursos em caso de focos de doenças no estado. O saldo do

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Fundesa, de R$ 188,9 milhões (dado de abril/2026), não suportaria um evento de grande monta. Por isso, os integrantes do fundo aprovaram também, em 2024, a adesão a um seguro pecuário contra a febre aftosa, pioneiro e inédito no país.
Uso de recursos
Ao longo dos anos, o Fundesa-RS foi responsável pela completa informatização das Inspetorias de Defesa Agropecuária, pela reforma e revitalização de prédios das unidades no interior, na capacitação de técnicos e aquisição de insumos e equipamentos.

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Entretanto, um aspecto da atuação do Fundesa é mais visível ao produtor: as indenizações. Só na pecuária leiteira foram mais de R$ 53 milhões ao longo dos 20 anos do Fundo, indenizando produtores pelo sacrifício de animais em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).
Conforme as regras do Fundo, aprovadas por todas as entidades que compõem o Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira, os valores tabelados para as indenizações têm base na idade e na pureza racial do rebanho, podendo chegar a R$ 4.548,00 por cabeça no caso de fêmeas puras de origem com idade entre 25 e 36 meses.
Adicionalmente, o Fundo estabeleceu o pagamento do benefício de “Risco Alimentar”, garantindo aos estabelecimentos submetidos a vazio sanitário uma compensação de 25% sobre o volume médio da sua produção mensal de leite por um período de até seis meses.
Para ter direito à indenização, o produtor precisa estar em dia com as contribuições ao Fundo. No

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setor leiteiro, esse recolhimento é realizado de forma integrada pela indústria que processa o leite e, a partir de 2026, também pela existência de animais após a Declaração Anual de Rebanho. Também é necessária a apresentação de laudo oficial emitido por técnico da Secretaria da Agricultura.
Transparência
O Fundesa-RS é reconhecido nacional e internacionalmente pela transparência absoluta na gestão dos valores e rigor na prestação de contas. A responsabilidade na aplicação dos recursos é comprovada pela apresentação trimestral de contas às entidades representativas, aos órgãos de controle e à Assembleia Legislativa.
A atualização dos valores, instituída pela Lei 16.428/2025, representa um investimento prudente do próprio setor produtivo para proteger o seu maior ativo: a sanidade do rebanho. Enquanto o mundo enfrenta desafios sanitários crescentes, o Rio Grande do Sul reafirma, através da união de seus produtores, que a segurança do setor produtivo é prioridade máxima e está acima de qualquer conjuntura temporária.
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Nova raça desmama bezerros com 292 kg a pasto e mira mercado de carne premium
Cruzamento entre Senepol e Angus já supera o Nelore em 1,5 arroba na desmama. Projeto prevê produzir até 120 touros por ano.

A busca por animais que combinem eficiência produtiva, adaptação às condições tropicais e elevado padrão de qualidade da carne tem impulsionado novos programas de melhoramento genético na pecuária de corte. No Paraná, o pecuarista Diogo Bianchi, de Luiziana, aposta nesse conceito ao desenvolver um trabalho de seleção da raça Senangus, resultado do cruzamento entre Senepol e Angus, com foco em atender tanto às demandas dos sistemas de produção quanto do mercado de carne premium.
À frente da Senangus Criação de Bovinos, Bianchi estruturou o projeto a partir da experiência acumulada com biotecnologias reprodutivas e da atuação em sistemas intensivos de produção. Segundo ele, a vivência prática mostrou que ainda havia espaço para desenvolver um animal capaz de reunir maior precocidade, qualidade de carne e adaptação às condições brasileiras.
A percepção surgiu durante o trabalho com rebanhos Nelore, quando identificou oportunidades de incorporar características voltadas ao desempenho de carcaça e à valorização da carne sem abrir mão da eficiência produtiva.
Foi nesse contexto que passou a investir no Senangus, raça recentemente homologada pelo Ministério da Agricultura por meio da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). A proposta é reunir, em um único animal, a rusticidade, fertilidade, habilidade materna e adaptação ao clima tropical do Senepol, desenvolvido nas Ilhas Virgens Americanas, com o elevado marmoreio e a qualidade de carne característicos do Angus. “Cada raça tem suas particularidades. Quando reunimos o melhor das duas, conseguimos um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, com potencial para oferecer carne premium e capacidade de adaptação”, afirma Bianchi.
Projeto começou em 2019
Os primeiros passos do projeto foram dados em 2019, quando Diogo Bianchi realizou inseminações em vacas Senepol para avaliar o potencial do cruzamento. O desempenho dos primeiros animais foi determinante para ampliar os investimentos na nova genética.
Segundo o pecuarista, os bovinos apresentaram elevada rusticidade, adaptação ao pastejo e bom desempenho reprodutivo, características que chamaram atenção quando comparadas a outros sistemas já utilizados na propriedade. “Fiquei impressionado com a rusticidade, principalmente. Eles acompanhavam a vacada Nelore, subiam morro e se mantinham altamente produtivos”, aponta.
Além dos resultados obtidos a campo, a estratégia também levou em conta a demanda do mercado. A preferência por bovinos de pelagem preta, valorizados em diferentes segmentos da pecuária de corte e no mercado de exportação de animais vivos, reforçou a decisão de incorporar a genética Angus ao programa de seleção. Sem abrir mão da adaptação ao clima tropical, o objetivo passou a ser reunir atributos como ganho de peso, rendimento de carcaça e qualidade da carne em um mesmo animal.
Bezerros desmamam com até 292 quilos apenas a pasto
Com a ampliação do uso de biotecnologias reprodutivas, o projeto ganhou escala. Em 2024, foram transferidos 125 embriões Senangus, formando uma geração que confirmou o potencial observado nos primeiros cruzamentos.
Na desmama, os bezerros alcançaram média de 292 quilos aos 6,5 meses de idade, criados exclusivamente a pasto. De acordo com Bianchi, o desempenho superou o observado em animais Nelore criados nas mesmas condições. “O Senangus bateu 1,5 arroba a mais que o Nelore nessa fase”, destaca.
Atualmente, o programa de seleção trabalha com duas composições genéticas. Uma delas reúne aproximadamente 75% de sangue Angus, voltada para sistemas que priorizam qualidade de carne. A outra concentra cerca de 75% de genética Senepol, direcionada à produção de touros para cobertura a campo, especialmente em rebanhos zebuínos de regiões com maior desafio ambiental, como Norte e Nordeste.
As fêmeas Senangus também terão papel estratégico na formação de rebanhos puros, contribuindo para a expansão da raça em condições tropicais. O projeto ainda mira outra tendência da pecuária mundial: o cruzamento entre bovinos de corte e rebanhos leiteiros, conhecido como beef on dairy. Segundo Bianchi, a proposta é ampliar o uso da genética em propriedades leiteiras interessadas em agregar valor aos bezerros machos e às fêmeas descartadas. “Estamos criando uma solução que atende desde o pecuarista de corte até o produtor de leite que busca agregar valor à produção”, ressalta.
Estrutura do projeto
A estrutura operacional é versátil, utilizando arrendamento e parcerias. A iniciativa “Parceria entre Amigos”, criada por Bianchi, em parceria com criadores como Mário Aluísio Zafanelli, da Fazenda São Francisco, de Alto Paraíso (PR), permite a disseminação da genética.
O projeto é conduzido em área arrendada, onde também são desenvolvidas outras frentes como o Nelore Bianchi, voltado à sucessão familiar. Paralelamente, presta serviços reprodutivos, principalmente IATF e transferência de embriões. “Em até 10 anos, a meta é alcançar um plantel de 200 matrizes Senangus e uma produção anual entre 100 e 120 touros, consolidando a raça como alternativa viável e competitiva no cenário nacional”, prevê o proprietário da Senangus.
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Programa Bônus Mais Leite libera R$ 181,9 milhões em crédito e beneficia 2,8 mil famílias no Rio Grande do Sul
Iniciativa estadual criada em 2025 aprovou 3.072 projetos e destinou R$ 29,8 milhões em subvenções diretas a produtores de leite da agricultura familiar.

O Programa Bônus Mais Leite, lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural em novembro de 2025, encerrou o ciclo do Plano Safra 2025/2026, em 30 de junho de 2026, com 3.072 projetos de crédito aprovados e R$ 181,9 milhões em financiamentos rurais movimentados no Estado.

Foto: Fernando Dias
Ao longo de sete meses, a iniciativa registrou 3,4 mil solicitações de enquadramento. Após análise técnica, a maior parte dos pedidos foi habilitada para acesso à subvenção estadual, direcionada à agricultura familiar ligada à cadeia do leite. O programa alcançou mais de 2,8 mil famílias.
Do total de operações aprovadas, 1.987 foram de custeio e 1.085 de investimento, segundo os dados consolidados pela pasta estadual. O governo também informou a concessão de R$ 29,8 milhões em subvenções diretas aos produtores contemplados.
A política foi estruturada como resposta ao contexto de pressão sobre a atividade leiteira, com queda no preço pago ao produtor, elevação dos custos de produção e perdas associadas a eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos no Estado.
Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o programa representa uma mudança na forma de apoio ao setor ao atrelar recursos estaduais ao crédito rural. “Até então, o Estado não contava com um mecanismo dessa natureza, capaz de transferir recursos diretamente aos produtores para qualificar a atividade com rapidez e eficiência”, afirmou.



