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Estudo aponta que gargalo no escoamento da soja brasileira ocorre antes do grão chegar aos portos

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O escoamento da produção de soja no país é uma das maiores preocupações que se tem em relação à safra brasileira. Em razão disto INTL FCStone, consultoria de gerenciamento de risco com foco em commodities, realizou um estudo para entender qual o maior gargalo logístico que há neste processo e concluiu que o problema está na maneira como o Brasil faz a sua soja chegar até o porto e não na capacidade e na infraestrutura dos portos brasileiros, que são deficitárias, mas não são o principal problema da cadeia.
Segundo o estudo, o déficit na capacidade de armazenagem (especialmente nas fazendas) e a opção pelo modal rodoviário para percorrer grandes distâncias são os fatores que determinam a grande dificuldade que há no escoamento da produção e contribuem muito com as preocupações dos compradores sobre o momento da entrega do produto. Com isso há uma pressão nos portos, principalmente em função dos entraves observados na trajetória da soja anteriormente ao embarque.
“Para chegarmos a essa conclusão, comparamos os volumes de soja embarcados mensalmente pelo Brasil e pelos Estados Unidos, bem como as condições logísticas dos dois países em todos os seus aspectos: armazenagem, transporte e infraestrutura dos portos”, explica Natália Orlovicin, responsável pelo estudo.
O estudo mostra que os portos brasileiros possuem capacidade para exportar na mesma medida que os Estados Unidos, mas a maneira como a logística se desenrola até a chegada da soja no porto é extremamente problemática no Brasil. A falta de capacidade de armazenagem nas propriedades e o meio de transporte inadequado utilizado para se escoar a produção até o porto causa uma situação caótica de filas em rodovias e, consequentemente, filas nos portos, no período que se segue à colheita da soja.
“Dessa forma, é natural que os compradores internacionais, em especial a China, tenham receio quanto ao cumprimento dos prazos de entrega do produto brasileiro. Há gargalos que precisam ser resolvidos em todas as cadeias associadas à logística, para assim aumentar a competitividade da soja brasileira no mercado externo”, completa Natália Orlovicin.

Brasil x EUA

Analisando os ritmos de embarques das exportações de soja do Brasil e dos Estados Unidos, constata-se que estes se dão de forma muito semelhante, inclusive no que diz respeito aos volumes. O pico do volume de embarques nos EUA se concentra entre outubro afevereiro, meses que se seguem à colheita no país. Nos últimos 3 anos, o maior volume mensal exportado pelo país foi pouco mais de 8 milhões de toneladas, em novembro de 2012. No Brasil, a dinâmica de exportações se desenrola de maneira muito semelhante, inclusive no que diz respeito aos volumes absolutos. O pico de embarques se concentra entre os meses de abril e agosto, logo após o início da colheita, que correspondem em média a 76% do total exportado pelo país. Historicamente, o maior nível mensal escoado pelos portos brasileiros ficou próximo aos 8 milhões de toneladas, tendo sido alcançado em maio de 2013. Vê-se, com isso, que os dois países possuem padrões de exportação de soja muito semelhantes, não só na sazonalidade, mas também nos volumes embarcados por mês.
Comparando dois portos importantes na exportação de soja do Brasil e Estados Unidos, Santos e New Orleans, vemos que há diferenças consideráveis no que concerne à capacidade de movimentação de graneis sólidos e de armazenamento. Há que se considerar, porém, que os EstadosUnidos também são importantes exportadores de trigo e milho, o que justifica a maior estrutura portuária do país. Apesar da menor capacidade e da evidente necessidade e melhorias estruturais, os portos brasileiros são capazes de exportar volumes mensais de soja muito semelhantes aos dos Estados Unidos. O que diferencia os dois países são as condições de transporte da soja até o porto, assim como a forma de organizar e planejar o processo de exportação desde a colheita do grão.

Armazenagem

Um dos principais pontos a ser considerado na avaliação da eficiência logística dos dois países diz respeito à capacidade de armazenagem, especialmente àquela instalada nas próprias fazendas. Em Iowa, principal estado produtor de soja dos Estados Unidos, a maior parte dos agricultores possui estrutura de silos metálicos, o que ocorre raramente nas propriedades brasileiras. Com isso, os produtores brasileiros ficam dependentes de armazenagem de terceiros (que ainda é insuficiente no Brasil), causando um custo adicional, ou são forçados a escoar a maior parte da produção logo após a colheita, causando pressões sobre as rodovias, o frete e também nos portos. Parte desses caminhões servem, portanto, como silos no momento da safra. Além disso, os agricultores deixam de ter a possibilidade de escolha do melhor momento para vender a soja.

Modal

Outro fator primordial para o funcionamento eficiente da logística é a existência de uma infraestrutura adequada de transporte para o escoamento da produção até o porto. No Brasil, “optou -se” pelo modal rodoviário no transporte da soja(herança histórica do transporte de cargas), o que não é o mais indicado, devido às grandes distâncias percorridas desde as regiões produtoras até os portos, acarretando em um custo muito alto. Com o aumento da produção da soja e a falta de infraestrutura de outros modais (ferroviário e hidroviário), foi preciso encontrar uma solução rápida para o problema do escoamento. Assim,investiu-se na construção de mais rodovias, que estão longe de ser o modo mais barato e eficiente para se transportar a soja no Brasil.

Fonte: Ass. Imprensa da INTL

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Faturamento da pecuária de leite aumenta 4,9% em 2025

Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição.

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O Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária de leite deve alcançar R$ 71,5 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 4,9% em relação aos R$ 68,1 bilhões registrados em 2024, o que demonstra recuperação gradual do setor.

Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição. A evolução nominal também ajuda a recompor margens que ficaram reduzidas em 2022 e 2023.

No ranking estadual, Minas Gerais segue como o maior produtor de leite do país, com VBP projetado de R$ 18,26 bilhões em 2025, acima dos R$ 17,83 bilhões registrados no ano anterior. O Paraná vem na segunda posição, com forte incremento para R$ 11,51 bilhões, impulsionado por sistemas intensivos, cooperativismo estruturado e maior eficiência produtiva. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás completam o grupo dos principais estados da atividade.

O histórico mostra uma curva de crescimento moderado, porém consistente: de R$ 53,7 bilhões em 2018 para mais de R$ 71 bilhões em 2025, uma alta sustentada por modernização, genética, mecanização e aumento da tecnificação das propriedades, especialmente entre cooperativas e bacias leiteiras consolidadas, mas é importante destacar que essa evolução ocorre em valores correntes, sem considerar a inflação acumulada no período, o que significa que parte do avanço reflete variações de preço, e não exclusivamente aumento de produção.

Com uma expansão de 4,9% e resultados mais equilibrados entre regiões, a cadeia do leite segue avançando em direção a maior estabilidade e competitividade, reforçando seu papel social e econômico no agronegócio brasileiro.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Adapar endurece regras e restringe trânsito de bovinos e búfalos com brucelose e tuberculose no Paraná

Nova portaria proíbe a movimentação de animais vivos de propriedades com focos confirmados, permitindo apenas o envio para abate imediato até a conclusão total do saneamento sanitário.

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Foto: SEAB

Para combater a brucelose e a tuberculose bovina, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) publicou uma nova portaria que discorre sobre a movimentação desses animais. O documento determina a restrição ao trânsito de bovinos e búfalos oriundos de propriedades que tenham casos confirmados no Estado. Essas são doenças infecciosas que afetam o gado e são um risco também à saúde pública.

Portaria n° 013/2026 estabelece que as propriedades classificadas dentro desses critérios não podem movimentar seus animais, exceto para abate imediato, até a conclusão total do saneamento. “Portanto, não é permitido vender, doar ou transferir animais vivos dessas propriedades mesmo com exames negativos”, explica a chefe da Divisão de Brucelose e Tuberculose da Adapar, Marta Freitas.

Foto: Pedro Guerreiro

Ela destaca que a conclusão do saneamento ocorre somente após o cumprimento integral dos trâmites sanitários, incluindo exames negativos de todos os animais elegíveis.

Segundo ela, essa restrição é necessária para evitar que produtores tenham seu rebanho contaminado pela aquisição de animais, quando os testes usuais não foram capazes de detectar a brucelose e a tuberculose.

“Um dos grandes desafios dessas doenças é que elas são muitas vezes silenciosas, ou seja, o animal pode estar infectado sem apresentar sinais visíveis. Nosso objetivo é reforçar a vigilância, prevenção e controle da brucelose e da tuberculose, protegendo a saúde pública e visando à erradicação dessas doenças”, afirma.

Marta observa que é importante considerar que, nos testes, existe a possibilidade de resultados falso-negativos, especialmente em fases iniciais da doença. Também podem ocorrer falhas na execução dos exames, influenciadas por fatores como manejo, contenção, estresse animal ou condições técnicas. “Diante desses riscos, a adoção de maior rigor no controle do trânsito de animais é uma medida preventiva e necessária para evitar a propagação silenciosa das doenças”, ressalta.

Além de manter ações de educação sanitária, com orientação a produtores rurais e profissionais que atuam no programa, a Adapar investirá na rastreabilidade dos animais, por meio da identificação individual. Esses critérios se afinam às normas instituídas em 2020 no Estado, por meio da Portaria n° 157 e, de lá para cá vêm evoluindo no combate a esses males.

Prevenção

Foto: Gisele Rosso

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), mantém uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas em 2025, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.

Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do País. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário. As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

O diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera.

Segundo dados da DIBT, houve uma queda de 17% do número de ocorrência de focos de brucelose bovina no Paraná em 2025 na comparação a 2024. Em relação ao número de focos de tuberculose bovina, foi registrado aumento de 4,5%, indicando maior detecção da doença e planejamento de novas ações para controle.

O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas.

“Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças” afirma.

Fonte: AEN-PR
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Nutrição estratégica impulsiona produtividade do rebanho com sistemas de Terminação e Recria Intensiva a Pasto

Modelos de TIP e RIP combinam tecnologia nutricional, eficiência econômica e atendem às exigências de sustentabilidade do mercado.

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Foto: Pixabay

A intensificação da pecuária a pasto vem ganhando tração no Brasil ao combinar aumento de produtividade, melhora da eficiência econômica e avanços em sustentabilidade. Nesse movimento, os sistemas de Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e Recria Intensiva a Pasto (RIP) deixaram de ser práticas pontuais e passaram a ocupar espaço crescente nas fazendas, impulsionados pela busca por carne de qualidade e por sistemas produtivos mais previsíveis.

A lógica desses modelos está no uso mais eficiente das pastagens, associado à suplementação nutricional planejada para cada fase do ciclo produtivo. O resultado é a elevação consistente do desempenho animal, mesmo em cenários climáticos adversos. “TIP e RIP são estratégias que ajudam o produtor a extrair o máximo potencial das pastagens, corrigindo deficiências nutricionais e garantindo desempenho superior mesmo em condições climáticas desafiadoras”, afirma a zootecnista Mariana Lisboa.

Foto: Fabiano Bastos

Embora complementares, os dois sistemas atuam em momentos distintos da produção. A TIP é aplicada na fase final de engorda e busca acelerar o ganho de peso e melhorar o acabamento de carcaça em menos tempo. Já a RIP atua na recria, etapa decisiva para o desenvolvimento estrutural do animal. Ao encurtar esse período, a recria intensiva antecipa a entrada do gado na terminação e eleva a eficiência do sistema como um todo.

Os ganhos produtivos em relação ao manejo extensivo tradicional são expressivos. Em sistemas convencionais, o ganho médio diário costuma variar entre 400 e 600 gramas. Na recria intensiva, esse indicador pode ultrapassar 900 gramas, enquanto na terminação intensiva os ganhos chegam a variar entre 1,2 kg e 1,6 kg por animal ao dia. “A suplementação adequada reduz os efeitos da sazonalidade e minimiza perdas nos períodos de seca ou de transição climática. A nutrição estratégica é o pilar desses sistemas. Sem ela, o potencial produtivo do TIP e do RIP fica comprometido”, ressalta Mariana.

Do ponto de vista econômico, a redução do ciclo produtivo é um dos principais atrativos. Com animais prontos mais cedo, o produtor aumenta o giro do rebanho ao longo do ano, amplia a produção por hectare e dilui custos fixos ligados à sanidade, à mão de obra e ao manejo. O efeito final é uma melhora na margem da arroba e maior competitividade frente a outros sistemas de produção.

A intensificação a pasto também dialoga com as exigências crescentes do mercado por práticas sustentáveis. Ao elevar a produtividade sem expansão de área, os sistemas TIP e RIP contribuem para o uso mais racional do solo e para a redução da pressão por abertura de novas áreas. Além disso, ciclos produtivos mais curtos estão associados a menores emissões de metano por quilo de carne produzido. “Hoje, sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser requisito de mercado, e os sistemas TIP e RIP atendem plenamente a essa demanda”, afirma a zootecnista.

Foto: Arnaldo Alves

A adoção dos sistemas exige, no entanto, condições mínimas de infraestrutura e manejo. Pastagens bem formadas, piquetes adequadamente divididos e acesso à água são requisitos básicos. O TIP é mais indicado para lotes uniformes e próximos do abate, enquanto o RIP se encaixa melhor em propriedades focadas na recria de bezerros.

Em ambos os casos, o sucesso depende de suplementação ajustada a cada fase e de mão de obra capacitada para evitar falhas operacionais. “Na recria, os suplementos proteicos estimulam o crescimento estrutural e garantem ganho de peso com bom custo-benefício. Já na terminação, a suplementação energética, associada a minerais e aditivos, acelera o ganho de peso e promove uniformidade no acabamento da carcaça”, explica Mariana.

Com suporte técnico adequado, os resultados podem incluir ganhos médios diários superiores a 1 kg, carcaças bem acabadas e lotes mais homogêneos, características valorizadas pela indústria frigorífica. Na prática, há registros de redução do ciclo produtivo em até 30%, o que se traduz em retorno mais rápido do capital investido.

Para produtores interessados em migrar para o modelo, a recomendação é começar de forma gradual, com bom planejamento da área, lotes menores e acompanhamento técnico próximo. “O TIP e o RIP representam um marco na evolução da pecuária brasileira”, resume Mariana.

Fonte: O Presente Rural com Axia Agro
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