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Estudo aponta desafios e oportunidades para ampliar o carbono no solo em sistemas agropecuários brasileiros

Levantamento científico identifica perdas históricas após conversão de áreas naturais e destaca práticas produtivas capazes de reverter esse cenário.

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Fotos: Gabriel Faria

Um novo estudo aponta que a conversão de vegetação nativa em áreas agrícolas nos seis biomas brasileiros resultou em um déficit de 1,4 bilhão de toneladas de carbono na camada de solo de  0 a 30 centímetros de profundidade. Essa perda equivale a uma emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO₂ eq (dióxido de carbono equivalente). Os dados são baseados em uma pesquisa que revisou mais de 370 estudos, indicou áreas com maior potencial para recarbonização do solo e gerou informações para políticas públicas e ações privadas voltadas à adoção de práticas agrícolas sustentáveis.

O estudo, publicado na revista Nature Communications,  foi desenvolvido por cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), do Centro de Estudos de Carbono na Agricultura Tropical da Universidade de São Paulo (CCarbon/USP), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Embrapa.

Esta é a primeira vez que os estoques de carbono no Brasil foram calculados antes das intervenções antropogênicas e que o déficit causado pela conversão de áreas de vegetação nativa em lavouras e pastagens foi mensurado.

O estudo utilizou um extenso banco de dados com 4.290 amostras de solo, coletadas em diferentes profundidades (0-10 cm, 0-20 cm, 0-30 cm e 0-100 cm) em áreas de vegetação nativa e em áreas de uso agrícola em todo o Brasil. As diferenças entre as medições do estoque de carbono orgânico no solo serviram de base para o cálculo e permitiram compreender a perda de carbono em seis biomas, cinco tipos de solo e diferentes níveis de intensificação do manejo agrícola.

Área de Cerrado conservada

“O estudo não apenas quantificou o problema, mas também apontou oportunidades para aumentar a captação de carbono por meio de mudanças nas práticas agrícolas, iniciativas de políticas públicas ou ações privadas”, explica Luis Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa.

Segundo João Marcos Villela, primeiro autor do artigo e pesquisador de pós-doutorado na Esalq/USP, o estudo estabelece uma base de referência sobre a perda de carbono no Brasil e, portanto, pode servir de base para outras pesquisas sobre o tema.

“Como os dados provêm de diferentes estudos, não há uniformidade metodológica. No entanto, não tínhamos informações com essa profundidade antes. O trabalho fornece um parâmetro para ações futuras”, afirma Villela, destacando que a CCarbon aprovou um projeto para expandir a coleta padronizada  de dados em todo o Brasil, o que permitirá refinar os números.

O banco de dados é resultado de um esforço de sistematização baseado em mais de 370 estudos. “Foi uma avaliação muito extensa, na qual utilizamos diversos critérios; segmentamos, por exemplo, por informações geográficas, tipos de solo, bioma e práticas de manejo. Coletamos os dados e tentamos criar algo a partir deles que fizesse sentido para o nosso país em termos de mercado de carbono e mudanças climáticas”, explica Júnior Damian, pesquisador de pós-doutorado da Embrapa e um dos cientistas responsáveis ​​pelo banco de dados. O banco de dados publicado no artigo está em formato aberto e disponível para estudos adicionais .

Influências climáticas na perda de carbono

Além de medir a perda de carbono causada pelas mudanças no uso da terra, os pesquisadores queriam encontrar alternativas para aumentar os estoques de carbono e, potencialmente, retorná-los ao seu nível inicial ou até mesmo superá-lo.

A análise de dados confirmou que o clima é um fator importante no equilíbrio entre a perda e o armazenamento de carbono orgânico no solo. Locais mais frios e úmidos, como os biomas da Pampa e da Mata Atlântica, apresentaram maiores estoques de carbono em comparação com biomas tropicais como o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e a Floresta Amazônica.

Da mesma forma, as mudanças no uso da terra devido à introdução de práticas agrícolas causaram maior perda de carbono em locais com maiores estoques iniciais de carbono.

O papel das práticas agrícolas sustentáveis

Soja em sistema de plantio direto com cobertura morta

O estudo também comparou os estoques de carbono do solo em diferentes sistemas de produção, como monocultura, rotação de culturas e sistemas agrícolas integrados, como os Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária (ICLS). De acordo com os dados, as perdas de carbono diminuem à medida que os sistemas agrícolas se intensificam e se diversificam.

A conversão da vegetação nativa em monocultura resultou em uma perda média de 22% de matéria orgânica, enquanto em sistemas agrícolas integrados a perda foi de 8,6%. O sistema de plantio direto também se mostrou menos suscetível à perda de carbono do que a agricultura convencional. No plantio direto, a redução foi de 11,4%, enquanto no cultivo convencional foi de 21,4%. Isso resulta em uma diferença de 47% entre as duas técnicas de plantio.

Mercado de carbono

Além de subsidiar políticas públicas para a recarbonização, a pesquisa fornece informações importantes sobre o potencial do mercado de carbono no Brasil. Daniel Potma, que atualmente é pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e estava vinculado à Universidade Estadual de Ponta Grossa na época do estudo, afirma que a definição do déficit de carbono permite estimar o tamanho que esse mercado pode atingir.

“Conhecendo a dimensão do ‘estoque’, ou seja, 1,4 bilhão de toneladas de carbono, é possível compreender seu valor em termos de financiamento, o que poderia ser um incentivo para atrair investimentos na economia da descarbonização”, destaca ele.

Fonte: Assessoria Embrapa Agricultura Digital

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Área e produtividade elevam nova revisão da safra de grãos

StoneX projeta soja em 181,6 milhões de toneladas e revisa para cima a produção de milho nas duas safras do ciclo 2025/26.

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Foto: Shutterstock

A StoneX revisou para cima suas estimativas para a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, com destaque para a soja, segundo relatório divulgado hoje. A produção de soja agora é estimada em 181,6 milhões de toneladas, um aumento de 4 milhões em relação à projeção anterior.

O crescimento da produção decorre de ajustes tanto na área cultivada, estimada em 48,7 milhões de hectares, quanto na produtividade média nacional, projetada em 3,73 toneladas por hectare. “Com a colheita avançando, as perspectivas seguem bastante positivas, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade, em função das irregularidades climáticas ocorridas ao longo do ciclo”, realça a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi.

Para o milho primeira safra, a StoneX também realizou uma revisão positiva. A produção da safra 2025/26 pode alcançar 26,6 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 2,3% em relação ao último número e pouco mais de 1 milhão de toneladas acima do registrado no ciclo 2024/25.

Essa elevação foi motivada principalmente por revisões de produtividade, com ajustes positivos em estados do Nordeste, além do Paraná. No Sul do país, a expectativa é de um rendimento médio bastante elevado, podendo atingir 11,5 toneladas por hectare na safra paranaense. No caso do milho verão, os estados do Norte e Nordeste ainda apresentam um ciclo mais tardio, mantendo o clima no radar.

Milho | Estimativas para a 1ª safra 2025/2026

No caso do milho segunda safra, a revisão na produção no reporte de janeiro foi sutil, 0,5%, saindo de 105,8 milhões de toneladas estimadas em janeiro para 106,3 milhões de toneladas neste mês. Houve aumento de área no Tocantins e Pará, enquanto Maranhão e Piauí registraram redução, com produtores atentos ao período de plantio da segunda safra de milho.

Milho | Estimativas para a 2ª safra 2025/26

Oferta e demanda com projeções inalteradas

Ana Luiza Lodi, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX: “Com o ano-safra 2024/25 encerrado no final de janeiro, os embarques brasileiros de milho devem totalizar cerca de 42 milhões de toneladas, com os dados oficiais previstos para divulgação em 5 de fevereiro” – Foto: StoneX

No balanço de oferta e demanda, a StoneX manteve inalterada a estimativa de demanda de soja para o ciclo 2025/26. Ainda assim, com o avanço da colheita, as compras chinesas da oleaginosa brasileira devem ganhar cada vez mais relevância nos próximos meses. “O maior importador mundial cumpriu os termos iniciais do acordo com os Estados Unidos, mesmo com a soja norte-americana menos competitiva. A expectativa é que a China volte seu foco para o Brasil a partir de agora”, explicou.

Com isso, o aumento da estimativa de produção de soja acabou se revertendo em estoques finais mais elevados, já que não houve alterações na demanda. Para o milho, também não houve ajustes nas variáveis de demanda da safra 2025/26, mas o aumento da produção estimada foi compensado pela queda dos estoques iniciais, reflexo da elevação das exportações no ciclo 2024/25. “Com o ano-safra 2024/25 encerrado no final de janeiro, os embarques brasileiros de milho devem totalizar cerca de 42 milhões de toneladas, com os dados oficiais previstos para divulgação em 5 de fevereiro”, reforçou Ana.

Fonte: Assessoria StoneX 
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Prêmio Melhores do Biogás Brasil recebe indicações até 08 de fevereiro

Escolha será feita por votação do público e a entrega durante o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em abril, em Foz do Iguaçu (PR).

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Registro da Premiação Melhores do Biogás 2025 realizada durante o 7º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Bento Gonçalves (RS) - Foto: César Silvestro

As indicações ao Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026 podem ser feitas até o dia 08 de fevereiro. O objetivo da premiação é reconhecer profissionais, organizações, cases de mobilidade com biometano, consumidores de biogás e biometano e plantas de biogás que são destaque no setor de biogás no Brasil.

Melhores do Biogás Brasil é uma iniciativa do Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB). Podem ser apresentadas candidaturas nas seguintes categorias: Consumidor de Biogás/Biometano e Mobilidade com Biometano, que são novidades nesta quinta edição; além das três tradicionais Profissional do Setor do Biogás; Organização; e Plantas/Unidades Geradoras de Biogás (organizada nas subcategorias Saneamento, Pecuária e Indústria).

A escolha ocorrerá em etapas, a partir das indicações, que devem ser feitas por meio do site do evento, acesse clicando aqui, até 08 de fevereiro. A votação pública dos classificados, de maneira online, começará no dia 05 de março.

O regulamento completo com todas as informações pode ser acessado clicando aqui.

Os Melhores do Biogás serão conhecidos no dia 14 de abril, durante a abertura do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. O evento vai ocorrer em Foz do Iguaçu (PR), no Bourbon Thermas Eco Resort Cataratas do Iguaçu, de 14 a 16 de abril, e inclui na programação painéis temáticos, Espaço de Negócios, Momento Startup e visitas técnicas.

O Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é realizado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), de Foz do Iguaçu (PR), pela Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC) e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), de Caxias do Sul (RS). O evento é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA).

As inscrições à participação no 8º Fórum já estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.

Fonte: Assessoria 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano
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Senado cria grupo para acompanhar acordo Mercosul-UE

Frente Parlamentar da Agropecuária pede cautela com salvaguardas e aponta riscos ao agronegócio brasileiro durante a tramitação do tratado.

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Foto: Divulgação

O Senado retomou em 2026 a discussão do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia e criou um grupo de trabalho para acompanhar a tramitação e os desdobramentos da futura implantação do tratado.

A iniciativa foi anunciada nesta quarta-feira (04) pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que afirmou haver expectativa de aprovação do texto no Congresso ainda no primeiro semestre. “Estamos reiniciando os trabalhos de 2026 com um assunto extremamente importante, que é o Acordo de Livre Comércio do Mercosul com a União Europeia”, disse Trad, ao informar que o grupo terá caráter temporário e atuará como instância técnica para monitorar a tramitação, esclarecer dúvidas e dialogar com setores produtivos e ministérios.

Segundo ele, o modelo já foi adotado anteriormente e permite respostas mais rápidas às demandas econômicas e políticas relacionadas ao acordo. “A previsão é que o texto chegue ao Senado até o fim de fevereiro, após deliberação da Câmara dos Deputados, com possibilidade de votação no plenário na primeira quinzena de março”, destacou.

Senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE): “Hoje há convergência entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Todo mundo está favorável” – Foto: Divulgação/FPA

Trad ressaltou ainda que o acordo não poderá ser alterado pelo Parlamento, o que tende a acelerar a tramitação. “Ou se vota sim ou se vota não. Não há possibilidade de emendas, o que facilita o encaminhamento”, afirmou.

Para ele, o atual ambiente político no Mercosul é mais favorável do que em anos anteriores. “Hoje há convergência entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Todo mundo está favorável”, ressaltou o presidente do colegiado, acrescentando que a União Europeia sinaliza preferência por uma aprovação individual em cada país do bloco, permitindo aplicação provisória conforme cada Parlamento ratifique o texto.

Apesar do otimismo, parlamentares da FPA alertaram para riscos, especialmente relacionados às salvaguardas incluídas na fase final das negociações. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que o tema ambiental segue como principal foco de tensão, tanto para o agronegócio quanto para a indústria.

Segundo ele, as exigências europeias exigirão esforço de comunicação e articulação política. “A Europa tem leis ambientais diferentes das nossas, mas o Brasil possui um marco regulatório ambiental muito mais rigoroso do que muitos países europeus”, frisou Mourão, citando protestos recentes de agricultores na França e na Espanha como sinal de resistência interna na União Europeia.

Vice-presidente da FPA no Senado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) avaliou que o mundo se tornou mais protecionista após a pandemia e que a agricultura segue como o ponto mais sensível do acordo. De acordo com ela, a União Europeia mantém uma política histórica de subsídios aos seus agricultores e demonstra receio da competitividade dos produtos do Mercosul. “O mundo, depois da pandemia, se tornou muito mais protecionista, e a Europa sempre foi protecionista com seus agricultores, tanto que concede subsídios enormes, que nós nem temos aqui. Eles têm medo da concorrência dos nossos produtos e, por isso, criaram essas salvaguardas, que ainda estão sendo discutidas”, salientou.

A senadora disse que, diante do cenário de instabilidade geopolítica global, é necessário cautela na assinatura do tratado. “Quando você faz um acordo desse tamanho, tão importante quanto esse, no momento em que o mundo vive, com a geopolítica sendo rediscutida, é fundamental se debruçar sobre o texto. O acordo é importante para o Brasil, mas precisamos ter cuidado com aquilo que vamos assinar”, declarou.

Segundo Tereza Cristina, entidades representativas do setor produtivo demonstram preocupação com os limites das salvaguardas. “As entidades estão apreensivas, porque as salvaguardas são muito baixas. Existe, sim, uma grande vontade do Brasil e dos outros países do Mercosul de assinar esse acordo, mas precisamos ter os cuidados necessários”, enfatizou.

A senadora lembrou ainda que o Congresso já aprovou a chamada Lei da Reciprocidade, que cria instrumentos de defesa comercial semelhantes aos adotados por outros países. “Essa lei foi aprovada por ampla maioria na Câmara e no Senado e sancionada pelo presidente. Agora é fundamental regulamentá-la, para que tenhamos aqui a mesma proteção que eles querem ter lá”, afirmou.

Para Nelsinho Trad, a aprovação brasileira pode pressionar positivamente o Parlamento Europeu, onde o acordo ainda enfrenta divisões internas e pode levar até dois anos para uma decisão definitiva. “Em política, é preciso aproveitar ambientes favoráveis e surfar na onda para trazer resultado”, reforçou.

Fonte: Assessoria FPA
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