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Estudo analisa vulnerabilidade de solos e aquíferos de Minas Gerais

Realizado em escala regional, o mapeamento sinalizou as áreas mais suscetíveis à lixiviação de poluentes nos solos e o potencial de chegada às águas subterrâneas

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Com o intuito de subsidiar o planejamento de uso e ocupação dos solos do Estado de Minas Gerais para diversas atividades econômicas, até mesmo para a produção agrícola, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal de Viçosa (UFV) atualizaram mapas de vulnerabilidade de solos e aquíferos à contaminação por metais pesados, tais como chumbo, cromo e manganês. Realizado em escala regional, o mapeamento sinalizou as áreas mais suscetíveis à lixiviação de poluentes nos solos e o potencial de chegada às águas subterrâneas.

O engenheiro ambiental Carlos Eduardo Pacheco, da Embrapa Hortaliças (DF), que participou do estudo, frisa que o trabalho foi totalmente realizado antes do acidente ocorrido no dia 5 novembro de 2015 no Município de Mariana e, portanto, não aborda os impactos dessa ocorrência. 

O estudo identificou que áreas mais suscetíveis à contaminação, geralmente,  estão próximas a cursos d'água superficiais. Regionalmente, maior vulnerabilidade foi apresentada no norte e nordeste do estado, assim como na análise relativa ao solo, e em parte do Vale do Jequitinhonha. O pesquisador alerta para o fato de que, embora essas regiões sejam mais vulneráveis, elas não são problemáticas em termos de ocupação do solo. Diferentemente, no Triângulo Mineiro, cuja vulnerabilidade não é comprometedora, mas onde a ocupação é maior, há necessidade de se realizar um monitoramento para evitar possíveis riscos ambientais. 

"Quando se fala em vulnerabilidade, consideramos uma condição natural. Com relação ao risco, acrescenta-se também uma condição antropogênica, causada pela presença humana. Por essa razão, é preciso ponderar não somente as características inerentes ao meio ambiente, como também as atividades econômicas conduzidas na área", detalha o engenheiro ambiental para quem os resultados obtidos podem subsidiar mapeamentos em escalas locais. 

Os metais pesados podem ser aportados aos solos em decorrência de diversas atividades econômicas, tais como mineração e agropecuária. Na agricultura, a disponibilização de contaminantes ocorre, principalmente, em razão do aporte de insumos químicos diversos, nos quais os metais podem estar presentes em pequenas quantidades como contaminantes ou, em alguns casos, como princípio ativo. Essa disponibilização também pode ocorrer em razão do uso de águas contaminadas para irrigação, reaproveitamento de resíduos orgânicos, também contaminados, dentre outros.

"Um exemplo é a ocorrência de liberação de metais pesados em áreas agrícolas após certo período de abandono. Isso porque as áreas produtoras utilizam calcário para corrigir o pH do solo que, quanto mais elevado (básico), contribui para a retenção dos metais pesados. Quando inutilizam determinada lavoura e param de adicionar calcário, o pH fica mais baixo (ácido) e, com isso, os contaminantes presentes no solo podem se tornar móveis a ponto de lixiviar e atingir os lençóis freáticos", explica Pacheco.

Além do pH, o estudo da vulnerabilidade dos solos considerou variáveis como profundidade, teor de matéria orgânica, teor de óxido de ferro (hematita), entre outras, a partir de dados disponíveis na literatura científica. Os resultados apontam que a maior parte dos solos do estado apresenta vulnerabilidade moderada. Contudo, há áreas com alta vulnerabilidade concentradas na região norte e noroeste, que possuem solos mais arenosos e, por isso, mais sujeitos à lixiviação. 

"A vulnerabilidade não significa risco ambiental, mas é um indicativo de que a instalação de atividades com potencial para disponibilizar metais pesados deve ser realizada após estudos de avaliação de impacto ambiental", esclarece o pesquisador ao comentar que, com base nos resultados, há como definir as áreas mais aptas, em termos ambientais, aos diversos usos econômicos, entre eles o uso agrícola.

Mapeamento dos aquíferos

Para definir em quais áreas o planejamento de uso e ocupação deve ser prioritário, além dos solos, recomenda-se considerar a vulnerabilidade dos aquíferos para que também sejam limitados os aportes de poluentes nas regiões com águas subterrâneas mais suscetíveis à contaminação por metais pesados. Por isso, a partir do mapa de vulnerabilidade dos solos de Minas Gerais, foram considerados outros fatores como profundidade da água, topografia, condutividade hidráulica, permeabilidade dos solos e precipitação para estabelecer um mapa específico para a vulnerabilidade dos aquíferos. 

Mais de 60% das áreas apresentam vulnerabilidade baixa ou moderada, principalmente aquelas com aquíferos profundos e com solos capazes de reter os contaminantes. No geral, áreas com solos argilosos e com maiores teores de óxidos são menos propensas à contaminação das águas subterrâneas como, por exemplo, a região centro-sul do estado e a Zona da Mata.

Na categoria intermediária, enquadram-se as regiões do Alto Paranaíba, do Triângulo Mineiro e outras localidades pontuais do estado. "No Triângulo, por exemplo, há o predomínio de solos de textura média e, embora o comportamento físico se aproxime dos solos arenosos, com tendência à lixiviação, há considerável porção de argila no solo e, além disso, a composição química com elevada concentração de hematita favorece a retenção dos metais pesados", elucida Pacheco.

Sobre a interferência da ação humana, em linhas gerais, o raciocínio que deve predominar em relação aos aquíferos é que as águas de uma área com alta vulnerabilidade que não recebem aporte de poluentes podem apresentar melhor qualidade que as águas de uma região de baixa vulnerabilidade, mas que recebem contaminantes. "Contudo, qualidade é um atributo muito mais abrangente que envolve fatores químicos e microbiológicos. Portanto, essa análise deve ser considerada somente para a contaminação por metais pesados", adverte o pesquisador.

Alterações ambientais podem desencadear contaminações

Óxidos de ferro, ou hematita, são muito comuns em solos drenados e sem acúmulo de água. Nas regiões tropicais, a cor avermelhada dos solos é um indicativo da presença dessa substância. A grande vantagem da hematita é a capacidade de promover a adesão de elementos químicos, como os metais pesados, na sua superfície. Do ponto de vista ambiental, esse processo é muito importante porque evita que, em áreas com grande aporte de metais, ocorra facilmente a contaminação de um lençol freático.

Nesse sentido, os solos com altos teores de hematita asseguram a baixa mobilidade dos metais pesados. Porém, algumas alterações ambientais podem ocasionar a liberação repentina de compostos ou elementos químicos antes imóveis no solo. No começo da década de 1990, esse processo ficou conhecido como bomba-relógio química ou, no inglês, chemical time bomb.

De acordo com Pacheco, há uma série de alterações climáticas que podem desencadear a liberação das substâncias como o aquecimento ou a concentração de chuvas intensas em períodos reduzidos de tempo. Áreas alagadas, por exemplo, não permitem a entrada do oxigênio e, assim, interferem no potencial de oxidação do solo e facilitam a percolação, ou lixiviação, de metais pesados.

Basicamente, no caso de inundações intensas e duradouras, os óxidos de ferro presentes no solo sofrem modificações e perdem a capacidade de agrupar os metais pesados e mantê-los aderidos em sua molécula. Com isso, os metais ganham mobilidade no solo, podendo migrar para outros compartimentos ambientais, como os aquíferos.

"Outra consequência das chuvas intensas é o aumento do processo de erosão, que carrega partículas de solo para outros locais", exemplifica o pesquisador ao acrescentar: "quando o solo chega por erosão nos corpos d'água ou leito de rio, espera-se que o processo seja similar ao alagamento, com os metais pesados dissociando-se das moléculas de hematita". 

Soluções tecnológicas com foco no planejamento ambiental

A atualização dos mapas de vulnerabilidade de solos e aquíferos de Minas Gerais à contaminação por metais pesados, realizada pela Embrapa Hortaliças em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, com a liderança do professor Maurício Paulo Fontes, pretende subsidiar a proposição e a adoção de soluções tecnológicas aliadas ao planejamento socioeconômico e ambiental do estado. 

"Em última instância, mesmo que seja necessário ocupar uma área vulnerável, é possível utilizar técnicas para evitar a percolação do metal e a contaminação", sublinha Pacheco, ao ressaltar que a situação ideal é desconsiderar áreas vulneráveis para determinados fins como atividades industriais que são muito impactantes. 

Em relação à produção agrícola, cultivos intensivos a longo prazo, principalmente de hortaliças, que são muito exigentes em fertilizantes, podem apresentar riscos de contaminação. Por isso, ao planejar a implantação de um polo olerícola, deve-se ponderar aspectos climáticos, tipos de solo, mas também os riscos que altos aportes de insumos químicos podem ocasionar para a região.

Fonte: Assessoria

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Aurora Coop premia produtores e técnicos por excelência no campo

Evento em Chapecó reconheceu 31 profissionais com destaque em produtividade, gestão e desempenho nas cadeias de aves e suínos.

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Produtores premiados e lideranças do Sistema Aurora Coop - Fotos: Keli Magri/MB

A produtividade do agro que nasce nas propriedades rurais ganhou reconhecimento na 11ª edição do Prêmio Empreendedor Rural Cooperativista, promovido pela Aurora Coop nesta quarta-feira (1º), no Clube Caça e Pesca, em Chapecó. A premiação homenageou técnicos agropecuários e empresários rurais cooperados ao Sistema Aurora Coop que alcançaram resultados superiores em eficiência, gestão e desempenho zootécnico nas cadeias de aves, suínos e sustentabilidade.

Cássio Basso, primeiro lugar como técnico destaque nas categorias suinocultura (Suicooper II) e Propriedade Rural Sustentável da Aurora (PRSA)

O evento, realizado anualmente, premiou nesta edição 31 profissionais e traduziu, em cada categoria, o nível técnico exigido por uma das maiores cooperativas de alimentos do país. Criada em 1969, a Aurora Coop é formada por uma estrutura com presença nacional e internacional, apoiada na produção integrada e na consistência dos resultados obtidos no campo. São 14 cooperativas filiadas e mais de 150 mil famílias rurais que fazem parte do Sistema.

O diretor vice-presidente de agronegócios, Marcos Zordan, destacou que os números alcançados pelos premiados refletem um nível de excelência que posiciona os cooperados entre os mais eficientes do país, com ganhos expressivos de produtividade e qualidade.

Presidente Neivor Canton destacou que o desempenho apresentado pelas propriedades premiadas sustenta o crescimento do sistema: “O produtor é a razão maior da existência do sistema cooperativo e, por isso, hoje estamos homenageando a essência da nossa existência”

“Nós temos que tirar o chapéu para todos os produtores. O mercado tem nas mãos hoje o melhor produto para ser comercializado, graças ao que vocês produzem e à forma que produzem. Vocês são os verdadeiros artistas desse negócio”.

Zordan também sublinhou os resultados gerados pela eficiência e qualidade produtivas dos cooperados. “Nos últimos 15 anos, graças aos produtores, a área técnica, as filiadas e a Aurora Coop, foi possível melhorar significativamente os ganhos na suinocultura e na avicultura. É sinal que nós estamos no caminho certo e não podemos sair dele”.

Para o diretor presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, o desempenho apresentado pelas propriedades premiadas e pelo trabalho técnico sustenta o crescimento do sistema e projeta o cooperativismo como referência nacional em eficiência produtiva.

“O produtor é a razão maior da existência do sistema cooperativo e, por isso, hoje estamos homenageando a essência da nossa existência. Se somos o maior exportador de carne suína e nossos produtos abastecem o mercado interno e 80 países, é graças a vocês. Todas essas famílias produtoras das 14 cooperativas filiadas merecem esse reconhecimento pelo seu trabalho, pela sua dedicação e pela seriedade com que encaram sua atividade. Somos 87 mil produtores no campo, mais de 50 mil colaboradores diretos e mais de 20 mil nas cooperativas filiadas. Notem o tamanho dessa família que em 57 anos foi possível criar. Todos estão fazendo a sua parte e demonstram hoje aqui que é possível, sim, fazer cada vez melhor”.

Premiados

Entre os 11 técnicos agropecuários premiados, estão os jovens Cássio Basso e Luisa Cesari. Ele levou dois prêmios nos primeiros lugares como técnico destaque na suinocultura (Suicooper III) e no programa Propriedade Rural Sustentável Aurora Coop (PRSA). Ela foi a vencedora da categoria técnica destaque na avicultura.

Diretor Marcos Zordan afirmou que os números alcançados pelos premiados posicionam os cooperados entre os mais eficientes do país: “Nós temos que tirar o chapéu para todos os produtores”

Cássio trabalha na Aurora Coop e presta assistência técnica a 42 suinocultores da Cooperalfa nos municípios gaúchos de Barra do Rio Azul e Atatiba do Sul. O auxílio, a capacitação e o acompanhamento dos produtores no manejo, produção, gestão empresarial e leis ambientais deram resultado e asseguraram os prêmios. “Eu me sinto muito feliz por estar sendo reconhecido pelo meu trabalho no campo. É muito gratificante, pois esse prêmio representa que meus produtores assistidos tiveram uma grande evolução ao longo desse período dentro da Aurora Coop. Só tenho a agradecer imensamente aos produtores e aos meus colegas de trabalho e toda a equipe da Aurora Coop por estar aqui”, destaca.

Luisa Cesari, primeiro lugar como técnica destaque na avicultura

Luisa compõe a equipe de técnicos da unidade da Aurora Coop de Erechim/RS e há oito meses atende 31 avicultores da Cooperalfa e da Copérdia em Aratiba/RS. Ela afirma que a região é altamente produtiva, o que ajudou na conquista do prêmio. “Divido esse prêmio com todos os produtores que atendo e com minha equipe de técnicos da Aurora Coop em Erechim que fazem um ótimo trabalho. Meu desafio nestes oito meses de casa foi manter os bons resultados já alcançados, através da assistência técnica voltada especialmente ao manejo. Estou muito feliz e grata”.

Família de Luiz Marcos de Lima, cooperados da Cooperalfa de Caxambu do Sul, ganhou o primeiro lugar na categoria Lote Macho na avicultura 

A família de Luiz Marcos de Lima, cooperados da Cooperalfa de Caxambu do Sul (SC), ganhou o primeiro lugar na categoria Lote Macho na avicultura. Há dois anos no ramo, Luiz, a esposa Cleusa, o filho Roberto e a nora Gabrieli produzem 34 mil aves por lote, cerca de 200 mil aves por ano. A criação de frangos é a principal atividade da família que também trabalha com lavouras, piscicultura e produção de morangos. “No último ano, nós tivemos os melhores resultados, tanto em produtividade quanto em renda, fortalecendo ainda mais nossa atividade”, conta Roberto. “Esse prêmio nos enche de orgulho e a gente expressa nossa gratidão às duas cooperativas, a Aurora Coop e a Cooperalfa, que estão sempre nos apoiando. E é um reconhecimento pelo nosso esforço diário, pela união da nossa família que traz bons resultados”, acrescenta Gabrieli.

Família cooperada da Cooper A1, em Iporã do Oeste, Atenor, Márcia e Roberta Kickow, premiados como suinicultores destaques campeões na categoria Unidade Produtora de Desmamados (UPD) (Keli Magri/MB)

Outra família premiada é a de Atenor, Márcia e Roberta Kickow. Eles são cooperados da Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) e levaram o primeiro lugar como suinicultores destaques na categoria Unidade Produtora de Desmamados (UPD). Com 550 matrizes produtivas, a família tem na atividade a principal fonte de renda e investe em qualidade para acompanhar as inovações do setor. “Estamos na quarta geração da família que trabalha na suinocultura e procuramos sempre fazer os cursos técnicos e investir em conhecimento para entregar maior qualidade”, ressalta Atenor. “Esse prêmio mostra que estamos fazendo certo e é uma motivação a mais pra gente continuar trabalhando”, complementa a esposa Márcia.

Todos os premiados receberam certificados e os primeiros lugares na categoria técnica garantiram R$2 mil. Já os empresários rurais nas primeiras colocações ganharam uma viagem à Brasília com acompanhante.

11º Prêmio Empreendedor Rural Cooperativista

Avicultura

Técnicos Destaques

1º lugar: Luisa Hartmann Cesari

2º lugar: Leandro João Klosinski

3º lugar: Tainan Cenci

Técnico Destaque – Produção

Gabriele Tais Smaniotto

Técnico Destaque – Recria

Renata Cristina Defiltro

Avicultor Destaque – Recria

Luciano Lunedo

Avicultor Destaque – Produção

Dirceu Bellaver

Avicultor Lote Macho

1º lugar: Luiz Marcos de Lima (Cooperalfa)

2º lugar: Ivo Luiz Favero (Cooperalfa)

3º lugar: Cristiano Perondi (Copérdia)

Avicultor Destaque Lote Fêmea

1º lugar: Elisio Renato Ceconi (Cooperalfa)

2º lugar: Vanessa Luza (Coopercampos)

3º lugar: Juciel Taglian (Cooperalfa)

Avicultor Destaque Lote Recorde

Deivid Junior Enderle Paniz (Cooperalfa)

Pedro Angelo Munerol (Cooperalfa)

Vilson Luiz Finger (Cooperitaipu)

Valdemir Saretto (Cooperalfa)

José Biazi (Cooperalfa)

Suinocultura

Técnico Destaque – Creche

1º lugar: Juliano Perotoni

Técnicos Destaques – Suicooper III

1º lugar: Cassio Basso

2º lugar: Joel Ficagna

3º lugar: Gabriel Cavalli

Suinocultor Destaque – Creche

Rafael José Schleicher (Auriverde)

Suinocultores Destaques – Suicooper III

1º lugar: Aldair Ghisleri (Auriverde)

2º lugar: Sérgio José Muller (Cooper Auriverde)

3º lugar: Ivan Carlos de Bastiani (Cooperalfa)

Suinocultores Destaques – Unidade Produtora de Desmamados (UPD)

1º lugar: Atenor e Roberta Kickow (Cooper A1)

2º lugar: Libório Endler (Auriverde)

Propriedade Rural Sustentável (Prsa)

Técnicos Destaques

1º lugar: Cassio Basso

2º lugar: Joel Paulo Ficagna

3º lugar: Iuri Armando Taufer

Fonte: Assessoria Aurora Coop
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Agro goiano pode sequestrar até 5 toneladas de CO2 por tonelada de grãos

Pesquisa do programa Goiás Verde revela que soja e outras culturas armazenam carbono no solo e na biomassa, com dados monitorados por inteligência artificial em 11 fazendas do estado.

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Foto: Shutterstock

O agro goiano tem potencial para retirar da atmosfera até 5 toneladas de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa, a cada tonelada de grãos produzida. É o que mostram os resultados preliminares da pesquisa conduzida pelo programa Goiás Verde, uma iniciativa do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com o Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre).

A pesquisa é fruto de investimento de quase R$ 4 milhões do governo estadual, e está sendo realizada há aproximadamente um ano em 11 fazendas de Cristalina e Rio Verde, com foco na mensuração e no monitoramento de gases estufa, com destaque para o CO2. Na primeira etapa, a pesquisa gerou 2,4 mil amostras de solo em 400 pontos de coleta. “Os resultados preliminares mostram que, dentro de uma mesma propriedade rural, as áreas de agricultura têm o potencial de apresentarem percentuais semelhantes de matéria orgânica no solo e de carbono até 30 cm, em comparação às áreas de preservação com mata nativa”, explica o coordenador de Desenvolvimento Tecnológico do Ceagre, Fernando Cabral.

Tecnologia monitora a troca de gases e água entre o sistema solo-planta-atmosfera, gerando dados inéditos para a gestão agroambiental em Goiás – Foto: Secti

Outro dado interessante é o potencial de assimilação de dióxido de carbono pela soja para cada tonelada de grãos que é produzida. “Isso mostra que a produção agrícola também está retirando carbono da atmosfera e armazenando isso em sua biomassa e no solo, evidenciando como as técnicas de cultivo da agricultura tropical brasileira podem ser sustentáveis”, afirma Cabral.

Dados de solo, planta, atmosfera e gases, que são analisados por uma equipe de especialistas em ciências das plantas e solos, geotecnologias e ciência da computação, que utilizam modelagem de dados através de inteligência artificial, como machine learning e deep learning.

A equipe multidisciplinar conta com cerca de 34 integrantes, entre graduandos e 15 doutores. “Estamos dando um passo decisivo com uma pesquisa pioneira no Brasil”, ressalta o vice-governador Daniel Vilela, destacando: “Nosso país é a grande potência do agro, mas por muito tempo dependemos de modelos científicos internacionais que não traduzem a nossa realidade. Agora, com investimento em ciência e tecnologia, Goiás assume o protagonismo para demonstrar o real potencial sustentável da nossa produção”.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, José Frederico Lyra Netto, evidencia a importância do agro. “Há uma percepção errada de que a produção automaticamente prejudica o meio ambiente. Não é assim. Investimos quase R$ 4 milhões em uma grande pesquisa, com equipamentos de ponta e diversos pesquisadores, para entender o balanço do carbono. Os resultados preliminares mostram que o agro pode, sim, ser sustentável”, salienta.

Goiás Verde

Foto: Divulgação

Ainda em sua primeira etapa, a pesquisa passou a contar também com duas torres de fluxo que vão medir por meio de 16 sensores, em tempo real, quanto de carbono e água as culturas absorvem ou liberam, além de outros parâmetros da atmosfera e do solo da lavoura.

A tecnologia monitora a troca de gases e água entre o sistema solo-planta-atmosfera, gerando dados inéditos para a gestão agroambiental em Goiás. O projeto também integra dados de campo com imagens de satélites (Landsat e Sentinel), drones e ferramentas de inteligência artificial.

O objetivo é transformar essas práticas agrícolas em ativos mensuráveis, permitindo que o produtor rural comprove o uso de técnicas de baixo carbono, como é o caso da agricultura regenerativa e bioinsumos, permitindo o acesso a mercados internacionais e incentivos financeiros. “Aqui é o campo de pesquisas dos sonhos e não podemos perder esta oportunidade. Temos várias expertises reunidas para evidenciar que o país tem um grande potencial de sequestrar carbono por meio da agricultura”, garante Alexandre Baumgart, diretor da Baumgart Fazendas Reunidas, em Rio Verde, umas das propriedades nas quais a pesquisa é realizada.

Fonte: Assessoria Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás
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Notícias Atenção setor produtivo

Sistema do CAR ficará indisponível em Santa Catarina para migração ao SICAR 2.0

Indisponibilidade entre 06 e 25 de abril impedirá cadastros, retificações e consultas completas enquanto o Estado transfere a base para a nova versão integrada ao sistema nacional e coloca em operação o CAR Digital.

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Fotos: Shutterstock

O Sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de Santa Catarina ficará indisponível entre os dias 06 e 25 de abril. De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (SEMAE), a pausa ocorre devido à migração para o SICAR 2.0, versão atualizada que ampliará a agilidade e a integração de dados.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) orienta os produtores rurais a se programarem com antecedência. O período de indisponibilidade do sistema é necessário para a realização de uma atualização tecnológica, que modernizará a plataforma, aprimorará o desempenho e permitirá a integração com bases nacionais de informação. Durante esse intervalo, não será possível efetuar novos cadastros, retificações ou consultas completas.

tecnologia

A expectativa do governo estadual é de que o novo ambiente ofereça mais estabilidade, eficiência e funcionalidades aprimoradas, contribuindo para qualificar a gestão das informações ambientais.

Lançado recentemente pela SEMAE durante evento que reuniu entidades do setor produtivo como a Faesc, Fiesc, Fetaesc, ACR, Ocesc e Fecoagro, o CAR Digital substitui processos antes manuais por um fluxo totalmente eletrônico. A plataforma permite protocolar requerimentos, declarações e cadastros de forma digital, com recursos voltados à transparência, à padronização das análises e à redução de retrabalho, além de gerar dados mais completos.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, destaca que o CAR Digital representa um avanço significativo rumo à modernização, à desburocratização e à segurança jurídica, essencial para que o produtor rural atue com excelência.

Ele afirma que, ao agilizar a análise dos cadastros, o Estado cumpre a legislação e oferece ao produtor maior clareza e respaldo legal para planejar, investir e crescer com tranquilidade. “A iniciativa contribuirá para destravar o potencial de milhares de propriedades rurais em Santa Catarina, demonstrando que o poder público e o setor produtivo podem e devem atuar de forma conjunta em benefício de toda a sociedade”, pontua.

Fonte: Assessoria Faesc
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